Sabrina Lorenzi , Jornal do Brasil
Quanto custa cuidar dos filhos, da casa, do parente doente? O valor de cuidados que não têm preço reduz em até 20% a pobreza na América Latina, segundo a Comissão de Assuntos Econômicos para a América Latina (Cepal). A conclusão é uma prévia do que está para ser calculado, inclusive no Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O órgão vinculado ao Ministério do Planejamento estuda como medirá o uso do tempo e, para isso, poderá elaborar uma pesquisa nova, específica. Outra alternativa é incluir novas perguntas em levantamentos já realizados, como a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), realizada anualmente.
Para debater o tema com países já experientes no assunto, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) e o IBGE realizam hoje, no Rio, o Seminário Internacional sobre Uso do Tempo. Países do continente latino-americano planejam adotar uma metodologia padronizada nas pesquisas sobre o tema, como revela a Diretora Regional do UNIFEM para o Brasil e o Cone Sul, Ana Falú.
- É preciso reconhecer o trabalho invisível (tarefas não remuneradas) porque a contribuição, principalmente das mulheres, é fundamental para a redução das desigualdades e elaboração de políticas públicas - afirma a representante da ONU para este jornal.
As pesquisas sobre uso do tempo já são aplicadas em nove países da América Latina. Cuba e México são os pioneiros. Equador, Uruguai, Chile, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica e República Dominicana também as adotaram.
No Uruguai, por exemplo, uma pesquisa mostra que cada criança precisa de 41 horas semanais de cuidados. Dar banho, vestir, alimentar, ensinar, conversar, levar para a escola, pegar na escola, dar janta, contar história, colocar para dormir ... O problema, segundo Ana Falú, é que mais de 60% disso tudo é feito pelas mulheres, que, muitas vezes, também trabalham fora e cuidam da casa. Se considerarmos cinco horas com o filho (pelo menos deveria ser, de acordo com as necessidades da criança), mais oito horas de trabalho e seis com as tarefas domésticas, restam apenas seis horas para a mulher ser mulher e dormir.
De acordo com Ana Falú, o cuidado com os filhos é uma das maiores preocupações dos estudos. Outro alvo dos estudos é estimar o valor monetário da tarefas domésticas e voluntárias.
Na Espanha, concluiu-se, por exemplo, que, para cada 12 horas sob cuidados médicos, o doente precisa de mais 88 de atenção de familiares ou acompanhantes pagos pela família. - A diferença é que o cuidado profissional é pago, mas o de parentes não - observa Ana Falú.
- Quanto custa a hora de uma empregada doméstica? Qual o valor no mercado de trabalho da mulher que fica em casa e faz essas tarefas? Quanto as mulheres geram de riqueza para o país fazendo esses trabalhos? Cuidados com idosos, enfermos e crianças no lar: tudo isso precisa ser medido, ter visibilidade e ser valorizado - completa.
A Pnad do IBGE já inclui perguntas sobre carga de trabalho de homens e mulheres, inclusive de horas dedicadas aos afazeres domésticos.
Quanto custa cuidar dos filhos, da casa, do parente doente? O valor de cuidados que não têm preço reduz em até 20% a pobreza na América Latina, segundo a Comissão de Assuntos Econômicos para a América Latina (Cepal). A conclusão é uma prévia do que está para ser calculado, inclusive no Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O órgão vinculado ao Ministério do Planejamento estuda como medirá o uso do tempo e, para isso, poderá elaborar uma pesquisa nova, específica. Outra alternativa é incluir novas perguntas em levantamentos já realizados, como a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), realizada anualmente.
Para debater o tema com países já experientes no assunto, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) e o IBGE realizam hoje, no Rio, o Seminário Internacional sobre Uso do Tempo. Países do continente latino-americano planejam adotar uma metodologia padronizada nas pesquisas sobre o tema, como revela a Diretora Regional do UNIFEM para o Brasil e o Cone Sul, Ana Falú.
- É preciso reconhecer o trabalho invisível (tarefas não remuneradas) porque a contribuição, principalmente das mulheres, é fundamental para a redução das desigualdades e elaboração de políticas públicas - afirma a representante da ONU para este jornal.
As pesquisas sobre uso do tempo já são aplicadas em nove países da América Latina. Cuba e México são os pioneiros. Equador, Uruguai, Chile, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica e República Dominicana também as adotaram.
No Uruguai, por exemplo, uma pesquisa mostra que cada criança precisa de 41 horas semanais de cuidados. Dar banho, vestir, alimentar, ensinar, conversar, levar para a escola, pegar na escola, dar janta, contar história, colocar para dormir ... O problema, segundo Ana Falú, é que mais de 60% disso tudo é feito pelas mulheres, que, muitas vezes, também trabalham fora e cuidam da casa. Se considerarmos cinco horas com o filho (pelo menos deveria ser, de acordo com as necessidades da criança), mais oito horas de trabalho e seis com as tarefas domésticas, restam apenas seis horas para a mulher ser mulher e dormir.
De acordo com Ana Falú, o cuidado com os filhos é uma das maiores preocupações dos estudos. Outro alvo dos estudos é estimar o valor monetário da tarefas domésticas e voluntárias.
Na Espanha, concluiu-se, por exemplo, que, para cada 12 horas sob cuidados médicos, o doente precisa de mais 88 de atenção de familiares ou acompanhantes pagos pela família. - A diferença é que o cuidado profissional é pago, mas o de parentes não - observa Ana Falú.
- Quanto custa a hora de uma empregada doméstica? Qual o valor no mercado de trabalho da mulher que fica em casa e faz essas tarefas? Quanto as mulheres geram de riqueza para o país fazendo esses trabalhos? Cuidados com idosos, enfermos e crianças no lar: tudo isso precisa ser medido, ter visibilidade e ser valorizado - completa.
A Pnad do IBGE já inclui perguntas sobre carga de trabalho de homens e mulheres, inclusive de horas dedicadas aos afazeres domésticos.