domingo, setembro 05, 2010

As garras do PT nas cenas dos crimes.

Adelson Elias Vasconcellos

O estelionatário Antonio Carlos Atella Ferreira, que pediu com procuração falsa registrada de forma fraudulenta em cartório, os dados da filha de José Serra, vejam vocês, foi filiado ao PT de 2003 até dois meses após ter obtido as declarações, ou seja, ele pegou os dados que deveriam ficar em sigilo em setembro de 2009, e só desligou-se em novembro de 2009. Os petistas, claro, correram para dizerem que o vigarista nada tinha a ver com seu partido. Chegaram a emitir um comunicado à imprensa. Momentos depois, o próprio TSE não apenas desmentiu como atestou a filiação.

Numa das várias entrevista que o salafrário deu à imprensa, declarou que as informações lhe foram encomendados por outro contador, em regime de urgência, e que o lote seria enviado para um pessoal de Brasília e... Minas. Pronto, foi o que bastou para os fofoqueiros de plantão, travestidos de jornalistas, fazerem suas Ilações maldosas. “Bem se era de Minas, então foi gente do Aécio que pediu os dados para prejudicar Serra que, junto com o ex-governador mineiro, concorria à candidatura dos tucanos na corrida presidencial".

Lula, inclusive, numa de suas primeiras manifestações, também, como que sugeriu que pudesse ser assim. Ora, não parece coisa combinada?

Wagner Cinchetto, um dos profissionais do crime de dossiês no qual o PT se especializou, em entrevista à Revista, cujos trechos reproduzimos aqui, disse como o PT trabalhava para que os dossiês ficassem parecendo coisa armada entre os próprios aliados, do qual o caso Lunus, contra Roseana Sarney, em 2002, foi um exemplo típico deste tipo de safadeza.

Vamos em frente. O estouro da boiada começou pela denúncia apresentada pelo vice-presidente do PSDB Eduardo Jorge, de que seu sigilo havia sido violado. A partir daí, toda a armação começou a ser investigada, chegando a outras violação de sigilo, onde apareceram outros tucanos e, posteriormente, a filha de Serra.

Mas, havia uma nuvenzinhza suspeita no ar, devidamente plantada por Atella e pela cúpula governista. A de que Aécio estaria por detrás das violações contra a Filha de Serra. Só que a coisa toda não fechava: se Aécio tinha a intenção de prejudicar Serra, por que violar o sigilo de outros tucanos, como o vice-presidente do partido?

Aqueles repórteres do Estadão, que não se deixam intimidar pelas ameaças do governo autoritário nem pela máquina fascista de Franklin Martins, correram atrás da verdade. Primeiro, descobriu-se que a violação de Eduardo Jorge se dera em Formiga/MG. Não uma, mas inúmeras vezes. Ora, seria obviedade demais tentarem ligar Aécio ao crime praticado dentro de Minas.

Conclusão? Quem violou os dados fiscais de Eduardo Jorge, coincidência das coincidências, foi nada menos do que o analista tributário Gilberto Souza Amarante, que trabalha para Receita Federal no interior de Minas Gerais. Agora tentem adivinhar a que partido político o safado pertence! Pois é, o cretino é petista desde 2001. Situação atual do moço segundo o TSE: “regular”. Ou seja, nada indica que tenha se desligado, nem tampouco que o partido tenha acusado alguma anormalidade no seu registro.

Sabem aqueles fofoqueiros de plantão que já se assanhavam para criar uma intriga entre Aécio e Serra de que falei lá no alto? Pois é: já estavam armando outra trama tenebrosa do tipo desta. Leiam, retorno depois:

(...)”A suspeita é que o falso procurador vendeu os dados fiscais da filha de Serra a pessoas recrutadas em Minas para devassar a vida do paulista.O objetivo de quem mandou investigar Serra era “ajudar” Aécio Neves, aparentemente à sua revelia, na disputa para ser o candidato do PSDB.Dias antes da quebra do sigilo de Verônica, amigos mineiros atribuíram à turma de Serra a tentativa “plantar” falsas notícias contra Aécio.Araponga do antigo SNI do Rio seria o elo entre “clientes” na quebra de sigilo e a quadrilha que prestava esse serviço sujo em São Paulo”(...).

Perceberam a sutileza da informação? Sabem o que é espantoso? É que esta gente atribui a todo mundo que os lê, o mais alto grau de idiotia e imbecilidade. Impressionante é o fato de que, muitas horas depois desta descoberta, o sujeito ainda mantém a notícia em sua página e sequer tenha informado (ou reproduzido) a verdade sobre o petista mineiro. Mas é bom ele se conter: apenas começou-se a desatar os nós.

Não, não pensem que esta barbaridade chegou ao fim. Como Lula puxou a investigação para seu “acompanhamento diário”, em Brasília, estejam certos que, outras armações não forem urdidas pelos submundo do Planalto, a verdade sobre os mandantes jamais será conhecida, a exemplo do que aconteceu em 2006, com os aloprados, hoje todos impunes, caso devidamente encerrado pela Polícia Federal sem esclarecimento algum, e com todos os envolvidos devidamente muito bem amparados nas altas esferas do poder.

Isto, senhores, é o PT. O partido não tem nenhum escrúpulos em bombardear adversários com calúnias, dossiês, futricas e, se preciso, agredindo direitos constitucionais, tudo em nome de seu projeto de poder. Que se danem as instituições, desde que elas sirvam aos propósitos totalitários do partido.

Na eleição de outubro, na forma como se desenha, o país estará dando salvo conduto para esta corja não apenas permanecer no poder, mas, também, para continuaram delinquindo no varejo e no atacado, agredindo o estado do direito, atropelando direitos e garantias individuais, chutando as leis e as instituições, para implementar o regime socialista de seus sonhos mais pérfidos.

Definitivamente, o país não sabe a má escolha que estará fazendo. Quando descobrirem, temo que seja tarde demais. O professor e filósofo Olavo de Carvalho, os jornalistas Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, destacadamente, vem nos alertando deste estado de coisas e do perigo que representa para a democracia brasileira a presença do PT no poder, há vários anos. No caso do Olavo de Carvalho faz vinte anos que ele tem pregado seus alertas. Quanto mais o tempo passa, mais vai se consumando tudo o que se tem dito sobre o significado do PT na vida política brasileira. A degradação de vida pública que nos atemoriza presentemente, não pensem ser obra do acaso. É a realização do método de desagregação social e política em curso para obtenção do projeto supremo de colocar o país ao tacão socialista, submisso e sem forças de reagir.

E isto é fato, que a própria realidade está consagrando. Infelizmente.

Um dia a casca se rompe, e não há ideologia que consiga evitar.

Adelson Elias Vasconcellos

Lula, em tom de gorjeio canalha, disse que se arrependia de não haver enviado uma emendazinha ao Congresso para lhe garantir um terceiro mandato. Mentira, é claro. Ele, melhor do que ninguém, sabe que tal emenda seria repelida no Senado. Na Câmara onde ele preside por seu alter-mor Michel Temer, com as bancadas lacraias que não respondem ao povo que os elegeu, e sim ao Lula que os comprou, a emenda seguiria em frente sem atropelos. No Senado, porém, o risco não compensava o preço político de uma derrota provável.

Aliás, não é por outra razão o seu empenho em tentar eleger maioria absoluta no Senado agora em outubro, capaz de lhe garantir aprovação dos projetos que engavetou durante a campanha mas, uma vez encerrado o pleito, serão caprichosamente encaminhadas à aprovação, isto, claro, se seu projeto de maioria absoluta no Senado for alcançado.

E quais seriam estes projetos escondidos da opinião pública durante a campanha? Bem há quatro grupos: a do aborto, a da censura à imprensa com projetos que reduzam o alcance das grandes redes ainda independentes do oficialismo, a criação dos tribunais populares, e a tal da reforma política que terá o condão de eliminar a atual oposição. Com tais armas, Lula entende que o projeto do Foro de São Paulo de tornar o Brasil um mero departamento dentro da grande colmeia que seria a América do Sul e Caribe vergados à bandeira do socialismo, alcançará seu êxito final.

Claro que durante a campanha, a oposição deveria ter colocado tudo isso na mesa. Não fez e pagará um alto preço por conta disso.

Assim, tendo Dilma, sua ajudante de ordens, colocada no trono de sua sucessão, nada mais restará de impedimento para que o grande sonho das esquerdas nacionais se concretize. Talvez a última barreira que poderiam ser as Forças Armadas, não mais existe. O ministro Jobim, aquele que, conforme o próprio confessou, fraudou a constituição de forma furtiva, foi encarregado de colocar em curso o processo de sovietização que segue a pleno vapor.

Talvez restem ainda, para decepção do próprio Lula, dois polos com alguma resistência, no caso, Minas Gerais e São Paulo, onde o PT não conseguirá o que pretende. E, a ser assim, sairá destes estados, a força mobilizadora capaz de impor resistência e estragar os planos de Lula. Resta saber qual a estratégia que será empregada para colocar estas duas unidades submissas ao poder central.

E é partir daí que Dilma  se torna o BOTOX de Lula. Ela é seu seguimento, seu terceiro mandato, seu braço e pensamento para governar o Brasil. Uma espécie de laranja, apesar de mal acabada, verde, grotesca, mas  mais do que seu criador. Por ela, ele poderá continuar sua obra, seu projeto, e realizar seus desejos mais mórbidos. A seu comando, o capacho se estica e dá passagem às maluquices que se escondem dentro do verdadeiro projeto que os petistas tentarão impor ao país. A tática de Lula, ao frear a ansiedade dos militantes mais xiitas de seu partido, foi o de primeiro preparar o país para receber sem resistência a punhalada fatal.

Que é o que será feito agora. E reparem neste detalhe: o grande projeto de Lula, no governo de Dilma, vai se dar nas pocilgas do poder. A reforma política com a qual Lula sonha não será obra de um Congresso Nacional, nem submisso tampouco independente. E esqueçam a tal constituinte exclusiva. Será feito de fora para dentro. Por isso, também, Lula precisa de uma laranja no Executivo para cumprir o roteiro que ele próprio irá ditar.

Há como se evitar todos os perigos que nos rondam? Há como evitar a falência múltipla das instituições do Estado? Infelizmente, não creio. O processo de deseducação que o povo brasileiro vem sofrendo de um certo tempo para cá, roubou-nos o senso crítico, a capacidade de nos indignarmos e, por tudo isso, a capacidade de reagir e protestar.

O que vejo é que será necessário haver a ruptura institucional completa, na forma como as esquerdas sempre ambicionaram realizar, para que o povo brasileiro comece a despertar da letargia em que se encontra. Será preciso perder uma vez mais nossas liberdades, duramente reconquistadas, para nos darmos conta da sua importância na vida de todos nós, seja como coletividade seja como indivíduos.

Não, não vejo como se conseguirá impedir o massacre que estamos prestes a presenciar. Contudo, se ela é uma desgraça que atingirá a todos, menos a cúpula que, aliás, já está no poder, por outro lado dará ao país um dura mas indispensável lição. A de que não existem ditaduras boas e más. Todas são péssimas, sejam de direita ou de esquerda. Todas eliminam direitos, restringem liberdades, censuram o pensamento. Todas roubam as nossas vontades, determinam as nossas escolhas, impõem-nos seu receituário de terror e atraso.

Este flagelo precisará ser vivido pelo país, cedo ou tarde. Nossa intelectualidade sempre foi ou amante ou bastante simpática e permissiva em relação ao receituário socialista. Pergunte-lhes o que acham de Cuba do tirano Fidel! Nunca lhes ocorreu que aqui, tal como em todos os países onde os socialistas vingaram suas doutrinas, os mesmos erros, defeitos e males envenenariam e contaminariam a sociedade como um todo. Nunca lhes ocorreu que aqui tinham a liberdade para escolher, entre direita, esquerda e centro. Nos regimes socialistas simplesmente você não tem direito de escolha. E a corrupção uma vez instalada no poder, o regime não lhe permite protestar nem reclamar. E nos regimes socialistas, meus caros, a corrupção, a mentira, a usura, sempre foram atributos com presença marcante e permanente.

Não, não creio que o Brasil conseguirá imunizar-se do vírus que contaminou a sociedade, que a está desagregando dia após dia, que corrói as entranhas do pensamento e degenera a vontade de resistir ao mal presente. O que sei é que a juventude brasileira está dividida entre dois mundos: de um lado, aqueles que sabem e conhecem um mundo livre, tecnológico, moderno, civilizado, onde cada qual respeita seu limites e seu espaço, e, de outro lado, os jovens que tiveram seu pensamento desagregado da realidade, que se transformaram em papagaios de pirata, que só articulam palavras que o manual socialista lhes ensinou recitar. Tentem, com este último, manter um debate minimamente cordial, sensato! Tentem! É melhor falar com uma porta, porque esta pelo menos não dirigirá desaforos por você simplesmente discordar...

Para todos os que tem na história uma escola de aprendizado, devem lembrar bem de como os regimes comunista, nazista e fascista foram construídos. E, por certo, reconhecerão que muitas daquelas táticas de terror estão sendo aqui repetidas, agora sob novas roupagens, com outros brilhos a maquiar e empanar a verdadeira natureza e  dimensão monstruosa que aqueles regimes espalharam nos países em que vingaram.

Já próximo dos sessenta anos, e antevendo que o horror que se está instalando no Brasil não se poderá eliminar de uma hora para outra, até porque sua implementação é e foi fruto de um longo processo, não sei se ainda poderei um dia ver nosso país liberto de vez das garras socialistas. O que sei é que, cedo ou tarde, o gigante adormecido acabará despertando e clamando por liberdade. Isto a história das nações nos ensina: não há povo subjugado que silencie sua escravidão pela eternidade. A liberdade está presente em cada alma humana. E ninguém, por mais poder que possa deter, jamais conseguiu impedir que este desejo, inerente em todos os indivíduos, um dia pudesse se manifestar e romper a casca que o aprisiona. É um consolo? Sim, mas pelo menos ele é viável.

Consciência limpa

Olavo de Carvalho

O PT, repito há duas décadas, é um partido revolucionário, totalitário, firmemente decidido a banir da vida política tudo o que não seja ele próprio ou igual a ele próprio.

Já tendo demonstrado que Vladimir Safatle possui a quota de burrice requerida para o preenchimento do cargo de professor de filosofia na USP (ver Cabeça de uspiano em http://www.olavodecarvalho.org/semana/090618dc.html
 e http://www.olavodecarvalho.org/semana/090623dc.html), não me espanta que ele agora apareça clamando pela implantação de um regime totalitário no Brasil, nem muito menos que o faça com o ar inocente de quem defendesse, com isso, a mais pura normalidade democrática.

Não o acuso de ser fingido, hipócrita, manipulador. Ele não usa da língua dupla orwelliana para nos enganar. Ao contrário, ele deixou-se intoxicar de doublespeak ao ponto de que, em vez de usá-la, é usado por ela, ecoando, com a inimputabilidade mecânica de um boneco de ventríloquo, o que quer que ela lhe instile na caixa craniana.

Não imaginem , pois, que ele tente nos vender, maquiavelicamente, o totalitarismo com o nome de democracia. Não! Ele acredita mesmo, com pia sinceridade, que totalitarismo é democracia, que democracia é totalitarismo.

Almas caridosas podem nutrir a esperança de que um dia ele venha a tornar-se capaz de distinguir ao menos um pouquinho essas duas coisas, mas para tanto ele necessitará de umas mil reencarnações, e eu não acredito em reencarnação. Safatleza não tem cura.

Em artigo recém-publicado na Folha de S. Paulo (onde mais poderia ser?), ele critica os candidatos do PSDB por terem se permitido, na campanha eleitoral, dizer duas ou três coisas que estão um tanto à direita da linha oficial petista. O partido de José Serra e Índio da Costa proclama o referido, "só teria alguma chance se tivesse ensaiado uma reorientação programática a partir de um discurso mais voltado à esquerda".

Com toda a evidência, a democracia dos sonhos do prof. Safatle consiste na livre concorrência entre vários partidos iguais ao PT. Insisto: não creio que ele tenha o intuito de ludibriar a plateia ao usar a palavra "democracia" para designar o que é, em substância, um totalitarismo mal e porcamente camuflado - o regime de um partido único com nomes diversos.

Ao contrário, ele acha mesmo que democracia é isso e nunca lhe ocorreu nem ocorrerá que possa ser outra coisa, tão funda, natural e espontânea é a sua crença de que à direita da esquerda só existe o inferno. E na cabeça dele - há indícios de que possui uma -, essa crença não é nem um pouco maniqueísta, pois maniqueísmo é coisa da direita, não é?

Eu sempre disse que o PT não era um partido normal, que aceitasse o rodízio de poder com outros partidos de direita ou de esquerda. O PT, repito há duas décadas, é um partido revolucionário, totalitário, firmemente decidido a banir da vida política tudo o que não seja ele próprio ou igual a ele próprio.

O fato de que venha realizando esse programa com discrição homeopática e obstinada lentidão, em vez de fazê-lo aos gritos e estampidos como o partido governante da Venezuela, só torna Lula diferente de Chávez desde o ponto de vista estético: cada um é feio a seu modo. Lula é até um pouco mais, porque à força de facadas anestésicas logrou persuadir a direita a deixar-se morrer sem dizer um "ai", ao passo que sua equivalente venezuelana não só continua gemendo, mas de vez em quando arranca uns gemidos do próprio Chávez.

O prof. Safatle sente-se inconformado de que a uniformização esquerdista do cenário eleitoral brasileiro não tenha alcançado aquele cume de perfeição em que nenhuma ínfima partícula de direitismo residual pode aparecer nem mesmo por equívoco, nem mesmo por um lapso de atenção da parte de esquerdistas leais.

Tanto é assim que, ao chamar de "errática" a campanha de José Serra, assinalando a incoerência entre a denúncia das ligações PT-Farc e os elogios concomitantes - até exagerados - do candidato oposicionista à pessoa do sr. Presidente da República, em qual dessas atitudes vê ele um erro imperdoável? Em acusar o criminoso com provas factuais sobrantes ou em louvá-lo com base na mera opinião pessoal? Adivinhem.

No entender do prof. Safatle, o sr. Serra, para ser um candidato sério, honesto, consistente, deveria, ao falar de Lula, ocultar os fatos desabonadores que conhece e mencionar somente as belas qualidades que imagina. O sr. Serra só mereceria o respeito do prof. Safatle caso resistisse à tentação da sinceridade e se ativesse ao nobre exercício de um coerente puxa-saquismo.

Esse raciocínio não é nada estranho, no fundo. Um sujeito que concebe a democracia como eliminação de toda oposição ideológica só pode mesmo chamar de honestidade e seriedade aquilo que o restante da espécie humana entende por leviandade, vigarice e hipocrisia.

Quando digo que a mentalidade revolucionária enxerga tudo invertido, é disso que estou falando. O prof. Safatle exemplifica-o com aquela candura perversa de quem conserva a consciência limpa porque não tem nenhum contato com ela.

A casa-da-mãe-Dilma – Entenda o imbróglio das violações de sigilo. Ou: ex-jornalista que se meteu com a arapongagem agora diz ter sido roubado por… petistas!!!

Por Reinaldo Azevedo

É compreensível que mesmo os leitores mais atentos estejam um tanto aturdidos com o imbróglio das invasões de sigilo e com o baguncismo que se instalou na Receita Federal, a casa-da-mãe-Dilma. O PT investe bastante nessa confusão. Reportagem de Daniel Pereira e Otávio Cabral na edição de VEJA desta semana põe ordem na confusão, estabelecendo, inclusive, a cronologia dos fatos. Destaco abaixo um trecho importante. Uma das personagens desse evento típico de um estado policial é o ex-jornalista Amaury Ribeiro Jr., que tem sido vergonhosamente poupado por muitos repórteres em razão, creio, do mais cretino corporativismo. Afinal, que papel exerce este senhor nesta quadra lamentável da política brasileira? Leiam. Volto em seguida:

(…)

Em maio passado, VEJA revelou que o pré-comitê de campanha da candidata [Dilma Rousseff] havia tentado montar um grupo para investigar a vida dos adversários, principalmente José Serra, seus familiares e amigos. O “aparelho” foi estourado pela reportagem e veio ordem de cima para debandar. O que se sabe é que circulou entre eles uma papelada de aproximadamente quarenta páginas intitulada “Operação Caribe”. Ela continha informações fiscais de Verônica Serra. Eduardo Jorge, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio e Gregório Preciado - os mesmos personagens que tiveram seu sigilo invadido em Mauá.

VEJA teve acesso ao conteúdo do documento. Ao lado de dados fiscais dos investigados, alinhavam-se informações facilmente obtidas pelos mecanismos de busca da internet e toneladas de ilações e interpretações sem embasamento. O autor do “trabalho”, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., foi um dos primeiros integrantes do frustrado grupo de espionagem. Conclusão que parece óbvia: o jornalista foi o destinatário da violação de sigilo fiscal, certo? Na versão dele, não, de jeito nenhum, muito pelo contrário. Amaury garante que os petistas roubaram de seu computador informações que subsidiariam uma reportagem. Extraordinário!

Segundo o relato do jornalista, há anos ele investiga empresários e políticos. José Serra, a filha, Verônica, o ex-ministro Mendonça de Barros e Gregório Preciado estavam entre seus, alvos. Em entrevista a VEJA, o jornalista admitiu que realizou uma investigação envolvendo a filha do candidato, que o papelório intitulado “Operação Caribe” foi redigido por ele e que, de fato, foi convidado a integrar o “grupo de inteligência da campanha”. Mas uma coisa nada tem a ver com a outra, claro. De acordo com Amaury, seu “trabalho de investigação” foi jornalístico, realizado no período em que era funcionário de um jornal de Minas Gerais.

Apenas em abril, depois de ter deixado o jornal, é que Amaury afirma ter recebido o convite para trabalhar no comitê de campanha do PT, o que, por motivos financeiros, não chegou a se concretizar. Os ladrões petistas teriam invadido o hotel em que estava hospedado em Brasília — num quarto, aliás, alugado pelo comitê de campanha do PT —, violado o seu computador e copiado e transformado em dossiê o produto de suas “investigações jornalísticas”.

Apesar da história fantástica, não há dúvida alguma de que o resultado da violação dos sigilos fiscais nas delegacias da Receita em Santo André e Mauá teve como destino o pré-comitê de campanha de Dilma Rousseff, que foi desbaratado depois das revelações de VEJA. Isso já seria grave demais, por si só, mas ganha dimensões imensuráveis quando surgem evidências de que o estado brasileiro pode estar associado aos criminosos.
(…)

Voltei
Leiam a íntegra da reportagem. É muito elucidativa. Como se nota, histórias que envolvem essa gente têm sempre aspectos sensacionais, que assombram a lógica, violam a racionalidade e escandalizam o bom senso.

Então os petistas invadiram o quarto de Amaury — que os próprios petistas pagavam — e roubaram dados de seu computador. Em vez de chamar a polícia, ele foi se reunir com arapongas, como provou VEJA, para tratar do dossiê contra José Serra. Nestes tempos, até as desculpas passaram por um processo de rebaixamento.

Pois é… Segundo o ministro Aldir Passarinho, do TSE, não dá para responsabilizar a campanha de Dilma Rousseff por isso, embora todos — eu escrevi: “TODOS” — os sigilos quebrados dos tucanos mais o do Verônica tenham ido parar na mão da petezada que estava envolvida com a campanha presidencial. E isso é FATO, não BOATO.

Mais constrangedor do que isso: certo colunismo, repetindo o discurso do PT e as barbaridades ditas por Lula — para quem uma agressão à Constituição é só “futrica” —, acusa Serra de reação exagerada e de tentativa de vencer a eleição no tapetão. A isso chegamos. Para onde vamos? Vai depender da tolerância — nossa, das instituições e dos juízes — com a bandalheira.

O anjo-da-guarda da bandidagem federal mostra a falta que um Sobral Pinto faz

Augusto Nunes, Revista Veja

Em julho de 2005, foi Márcio Thomaz Bastos, então ministro da Justiça, quem aconselhou o presidente da República e seus delinquentes de estimação a transformarem o escândalo do mensalão num edição revista e atualizada do velho caixa dois. Não houve uma roubalheira de dimensões siderais, ensinou o anjo-da-guarda da bandidagem federal. Houve apenas uma acumulação ligeiramente desordenada de “recursos não-contabilizados”.

Cinco invernos depois, foi o conselheiro jurídico dos poderosos trapalhões quem teve a ideia de transformar o estupro do sigilo fiscal de adversários do governo — um afrontoso pontapé na Constituição — como uma malandragem brasileiríssima, uma safadeza rotineira, generalizada e sem motivações políticas. É Márcio Thomaz Bastos quem está por trás da discurseira do chefe de governo e do resto do palanque. Quando um Guido Mantega diz que nenhum sistema é inviolável (nem o da urna eletrônica, presume-se), pode-se ouvir com nitidez a voz do imaginoso criminalista.

É dele a mão que se vislumbra na montagem da estranhíssima lista que juntou um bando de anônimos e celebridades sem parentesco com palanques. Se até a apresentadora Ana Maria Braga entrou na trama do mafuá de Mauá, por que estranhar a aparição de Verônica Serra e tucanos ligados ao candidato da oposição? Está provado, portanto, que só na cabeça dos viciados em teorias conspiratórias pode existir um crime político.

Os amigos do doutor deveriam aproveitar a próxima festa de aniversário para ler em voz alta o trecho do post aqui publicado em maio de 2009 que trata do episódio protagonizado pelo advogado Heráclito Fontoura Sobral Pinto e pelo poeta Augusto Schmidt. Merece ser ouvido ao menos uma vez por quem coloca seu talento a serviço dos interessados no triunfo da injustiça, na absolvição dos culpados e, sobretudo, ma implosão do estado de direito..

Sobral e Schmidt eram amigos de muitos anos quando conversaram por telefone em 16 de outubro de 1944. Além de versos, Schmidt sabia também fazer dinheiro como editor, intermediário de transações financeiras e ocupante de cargos públicos. Naquele dia, foi o empresário quem ligou, para pedir ao jurista que reservasse todo o dia 20 ao exame da documentação que lhe permitiria representá-lo numa causa de natureza trabalhista.

Sobral informou que, antes de aceitar a causa, teria de verificar se o candidato a cliente tinha razão. Advogado não é juiz, replicou Schmidt. Ouviu outra vez que o convite só seria aceito depois do exame eliminatório. Como tudo teria de ser feito até o dia 21, ponderou Sobral, Schmidt talvez devesse contratar outro defensor. A conversa não deve ter terminado bem, atesta a carta remetida pelo advogado no dia seguinte. É uma luminosa aula de Direito. E uma irretocável lição de vida.

”O primeiro e mais fundamental dever do advogado é ser o juiz inicial da casa que lhe levam para patrocinar”, ensina o doutor Sobral. “Incumbe-lhe, antes de tudo, examinar minuciosamente a hipótese para ver se ela é realmente defensável em face dos preceitos da justiça. Só depois de que eu me convenço de que a justiça está com a parte que me procura é que me ponho à sua disposição”. A regra vale também para velhos amigos? Claro que sim: “Não seria a primeira vez que, procurado por um amigo para patrocinar a causa que me trazia, tive de dizer-lhe que a justiça não estava do seu lado, pelo que não me era lícito defender seus interesses”.

Vista por Sobral Pinto, “a advocacia não se destina à defesa de quaisquer interesses. Não basta a amizade ou honorários de vulto para que um advogado se sinta justificado diante de sua consciência pelo patrocínio de uma causa. (…) O advogado não é, assim, um técnico às ordens desta ou daquela pessoa que se dispõe a comparecer à Justiça. (…) O advogado é, necessariamente, uma consciência escrupulosa ao serviço tão só dos interesses da justiça, incumbindo-lhe, por isto, aconselhar àquelas partes que o procuram a que não discutam aqueles casos nos quais não lhes assiste nenhuma razão”.

A aula termina com palavras que deveriam ser reproduzidas em bronze nos pórticos e auditórios das faculdades de Direito: ”É indispensável que os clientes procurem o advogado de suas preferências como um homem de bem a quem se vai pedir conselho. (…) Orientada neste sentido, a advocacia é, nos países moralizados, um elemento de ordem e um dos mais eficientes instrumentos de realização do bem comum da sociedade”.

Pelo que andam fazendo nestes tempos estranhos, raríssimos bacharéis concordam com Sobral Pinto. Não os interessam atenuantes que abrandem o castigo merecido, muito menos a reabilitação efetiva do autor de um crime. Preferem recitar o mandamento segundo o qual todo acusado tem direito a um advogado, estipular honorários de bom tamanho e lutar pela impunidade dos culpados. Na Era Lula, é difícil encontrar um doutor que se envergonhe de agir não como defensor da liberdade, mas como cúmplice de bandidos irrecuperáveis.

Verônica e o Fiat Elba

Ruy Fabiano, Blog Noblat

O vazamento em série de dados sigilosos de contribuintes na Receita Federal – com destaque para quatro tucanos, mais a filha de José Serra, Verônica – é o Watergate do governo Lula. Só que com aspectos mais graves que o original.

O escândalo de Watergate, ocorrido em 1972 - e que levou à renúncia do presidente dos EUA, Richard Nixon, dois anos depois -, envolvia espionagem política durante a sucessão presidencial.

Mas lá não houve o uso da máquina estatal. Foi um crime de um partido contra o outro. O Partido Republicano, do presidente e candidato à reeleição, tentou colocar microfones na sede do adversário, o Partido Democrata, para sabotar sua agenda de campanha. Havia conexões do ato com o presidente e assessores.

Constatada essa conexão, o presidente renunciou para não ser deposto. No caso presente, uma estrutura do Estado – a Receita Federal – foi usada para levantar dados sigilosos de contribuintes ligados ao PSDB e ao candidato Serra para preparação de um dossiê que o incriminasse. Os dados de um dos tucanos – o vice-presidente do partido, Eduardo Jorge – chegaram a ser publicados pela Folha de S. Paulo, que informou que constariam de um dossiê, em preparo pelo grupo de inteligência do PT.

Já aí se estabelecia a conexão entre o vazamento, a campanha eleitoral e o PT. Mas não era só. Meses antes, blogs ligados aos petistas vinham publicando informações extraídas das declarações vazadas na Receita, sobretudo de Verônica Serra e Eduardo Jorge. Outra conexão – mas ainda não é a última.

Um ex-delegado da Polícia Federal, Onézimo de Souza, disse ao Senado que fora procurado pelo grupo de inteligência do PT e pela empresa incumbida da comunicação na campanha de Dilma – a Lanzetta Comunicação - para espionar José Serra. O jornalista Luiz Lanzetta confirmou o encontro, mas negou o seu teor.

Não esclareceu, porém, que outro tema o levaria a se encontrar com um araponga – e calou-se quando este disse que tinha provas a respeito do que conversaram. Insinuou que havia gravado a conversa – e que espantosamente ainda não foi requerida pelos investigadores.

Dilma cancelou o contrato com a empresa, sinal de que viu fundamento na acusação. Até ali, o que se sabia era apenas isto: vazamento de dados de Eduardo Jorge e um dossiê contra Serra. Já era gravíssimo, mas não era tudo.

Adiante, soube-se que outros três tucanos tiveram seus dados fiscais igualmente violados – em sequência, no mesmo dia e no mesmo computador da Receita. Depois, veio a denúncia de violação de dados também contra a filha de Serra, vinculando definitivamente o escândalo à campanha. Isso já estava claro, como disse José Serra, na divulgação pelos blogs petistas de informações sigilosas de Verônica, constantes de seu imposto de renda.

Apesar disso, PT e Dilma ainda sustentam que não há vínculo entre vazamentos e campanha e tratam o episódio como “factoide”. Mais: vão à Justiça contra Serra exigir reparação moral.

Buscam transformar o episódio, um crime contra o Estado, numa manobra eleitoral. Acusam o adversário de querer virar a mesa das eleições. Dilma alega que, na época da violação – setembro do ano passado -, nem era candidata, o que não é verdade.

Não era formalmente. Mas desde pelo menos 2008 que Lula já a vinha anunciando como sua sucessora. E as pesquisas mostravam Serra com ampla liderança, mesmo não tendo confirmado ainda que se candidataria. O cenário futuro, portanto, já estava esboçado.

O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o pedido de anulação da candidatura de Dilma, requerido pelo PSDB. Não significa que se esteja diante de uma ficção. O Supremo Tribunal Federal também absolveu Fernando Collor de Mello, mesmo tendo sido deposto da Presidência da República pelo Senado Federal, em sessão presidida pelo seu ministro-presidente. A absolvição poupou Collor de consequências penais, mas não políticas. Perdeu o mandato e ficou oito anos inelegível.

Para tanto, bastou a evidência de uma conexão: um cheque de Paulo César Faria pagando o Fiat Elba da primeira dama, Rosane Collor. No caso presente, há alguns Fiat Elba em pauta, acrescidos de um dado não desprezível: a larga tradição do PT em produzir dossiês para satanizar seus adversários.

Atrás do voto ético

Merval Pereira, O Globo

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, responsável direto pela Receita Federal e pela nomeação de Otacilio Cartaxo para comandá-la, depois de um inexplicável mutismo nos primeiros dias – explicável apenas pelo temor de assumir uma posição – resolveu explicar-se ao distinto público com a mesma tática utilizada pelo governo nos diversos escândalos que estouraram nos últimos anos: preferiu admitir que a receita não tem condições de controlar o sigilo fiscal do contribuinte a admitir que há intenções políticas na quebra de sigilo da filha do candidato à presidência do PSDB, José Serra, e de pessoas ligadas a ele e ao partido oposicionista.

O próprio Cartaxo já assumira esse papel de desmoralizar-se publicamente, admitindo que a Receita estava fora de seu controle, transformada em uma agência de compra e venda de sigilos fiscais.

Tudo é feito para incluir no mesmo balaio as violações claramente políticas e as realizadas com fins puramente financeiros, nesse mercado persa em que parece ter se transformado o órgão.

Perversamente, o governo parece respirar aliviado ao constatar que há uma lista de 140 pessoas que tiveram seu sigilo quebrado na agência de Mauá, em São Paulo, podendo dessa maneira confundir as investigações.

Tentando despolitizar o caso, o Ministro da Fazenda age igual a um colega seu, o

ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos que, como advogado criminal de reconhecidos méritos, trouxe para dentro do governo a tese do Caixa 2 para despolitizar o escândalo do mensalão em 2005.

E da mesma maneira que faz hoje, também naquela ocasião o presidente Lula foi o primeiro a tipificar de crime eleitoral o que acontecia nos bastidores da base governista do Congresso, retirando do mensalão a carga de corrupção política grave que o caso realmente tinha.

Desta vez o presidente Lula tratou a questão da quebra de sigilo da filha do candidato tucano como sendo de crime de “falsidade ideológica”, como se a falsificação da procuração utilizada para retirar da agência da Receita de Santo André os dados fiscais de Verônica Serra fosse o principal crime cometido.

Assim como aconteceu também em 2006, os governistas já começam a gritar aos quatro cantos que a oposição quer ganhar o jogo no “tapetão”, mudando o resultado das urnas na Justiça Eleitoral.

Em primeiro lugar, a eleição não está decidida, apesar da enorme vantagem com que a candidata oficial aparece nas pesquisas eleitorais.

Há no máximo uma tendência de crescimento de Dilma Rousseff que, se continuar, juntamente com o movimento contrário do candidato José Serra, deverá levá-la à vitória.

Mas se, como alegam os governistas, o PSDB está utilizando o episódio para tentar mudar essa trajetória e levar a eleição para o segundo turno, não há nada de anormal nessa ação política.

O que vem acontecendo dentro da Receita Federal é a conseqüência de um aparelhamento político da máquina do Estado que vem sendo denunciado há muito tempo pela oposição, e nada mais lógico que ela sublinhe os perigos que a sociedade corre com um tipo de política como a que seus adversários utilizam.

O tema é de difícil compreensão para a maioria dos eleitores brasileiros, e é por isso que a campanha petista considera que terá pouco ou nenhum impacto na decisão final do eleitor.

Pode ser verdade, e constatar isso só aumenta a preocupação com o grau de compreensão de seus direitos dessa imensa massa de eleitores que, na definição do historiador José Murilo de Carvalho,"vive no mundo da necessidade" e votará "muito racionalmente" em quem julga capaz de ajudá-la.

Por outro lado, há um nicho de eleitores que já esteve apoiando o candidato tucano José Serra no princípio da campanha eleitoral que pode se sensibilizar pelas evidências de que os métodos nada republicanos enraizados na ação política petista são uma real ameaça ao estado de direito.

A candidata oficial Dilma Rousseff atualmente vence seu adversário em todas as regiões do país e em todas as classes sociais, mas pode vir a perder alguma substância nas grandes cidades, entre os eleitores de maior escolaridade ou renda, mais sensíveis a esse tipo de ameaça a seus direitos civis.

A mensagem do candidato tucano tem o objetivo de reconquistar esse eleitorado nesses momentos finais da campanha presidencial, e não há nada de errado nessa estratégia.

A acusação de que o PSDB está querendo ganhar a eleição no tapetão jurídico aproveita-se do que já considerei aqui um erro estratégico da oposição, que entrou com um pedido de investigação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra abusos do poder político por parte do governo federal, que estaria usando a máquina do estado contra a oposição.

A sovietização das Forças Armadas

Nivaldo Cordeiro, Mídia Sem Máscara

É a própria destruição das Forças Armadas que está em curso. É o aparelhamento da estrutura militar, sua sovietização. Finalmente o PT deu o passo mortal para fundir o partido com a estrutura militar.

Os movimentos do PT e sua conspiração totalitária de forma alguma estão confinados ao rosário de mentiras institucionais em torno do projeto eleitoral de perpetuação no poder. Esses episódios em torno do vazamento dos dados da base da Receita Federal, gravíssimos em si, nada são perto do que estão fazendo para preparar o tempo do poder total. Refiro-me aqui às modificações que foram introduzidas na estrutura do ministério da Defesa e na criação do Estado-Maior das Forças Armadas por lei, recentemente, agora recheado de "assessores" civis.

Bem sabemos que o coração das estruturas militares é a sua linha de comando clara, que tem no topo um chefe preparado e respeitado dentro da instituição. Quebrar essa hierarquia personificada, que tem nome, por órgãos colegiados e sem rosto, é algo próprio da ideologia comunista.

A minha surpresa foi ver a passividade com que a alta hierarquia militar engoliu o fato. É a própria destruição das Forças Armadas que está em curso. É o aparelhamento da estrutura militar, sua sovietização. Finalmente o PT deu o passo mortal para fundir o partido com a estrutura militar, fato que já havia conseguido com demais órgãos e carreiras de Estado. O caso citado de vazamento de dados apenas nos deu um exemplo à luz do dia do que significa essa união partido/estado. É o totalitarismo com todas as letras. A nova estrutura aprovada prepara o caminho para o passo final. A carapaça do Exército de Caxias foi finalmente quebrada e a estrutura de comando diluída.

Chamo a atenção para o artigo publicado na revista Isto É (Jobim vai à guerra), única publicação que ousou comentar a gravíssima inovação. O jornalista Hugo Marques sintetizou tudo no primeiro parágrafo da matéria:

"Ao anunciar a nova estrutura das Forças Armadas, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, declarou guerra à caserna. Além de subordinar ainda mais os militares ao poder civil, o projeto prevê a redução de postos de comando, transfere o controle sobre as compras de materiais das três Forças e alija os militares de todas as decisões políticas. Se custaram a digerir a criação do próprio Ministério da Defesa há dez anos, os oficiais do Exército, da Aeronáutica e da Marinha agora terão de engolir uma pílula ainda mais amarga. Na opinião de generais ouvidos por ISTOÉ, o abalo maior atingirá o Exército. Um deles, com posto de chefia no comando do Exército, afirma que as mudanças impostas por Jobim serão funestas para os quartéis. "O foco dessa reorganização é a retirada de poder das Forças Armadas. Militar vai virar enfeite", revolta-se".

Se Jobim (leia-se: o PT) declarou guerra às casernas, estas não tiveram nenhum poder de fogo para dar resposta. Nenhum movimento, nenhum abaixo assinado, nenhuma revolta. Nossos generais estão emasculados, omissos, acovardados diante da ousadia revolucionária. A passividade da geração que está no comando das Forças é total. Estão indo para o matadouro como ovelhas, sem gemer. Nessa viagem macabra estão levando junto todo o povo brasileiro, a quem elas têm a missão constitucional de defender. Ninguém pediu demissão, agarrados como carrapatos a seus carguinhos. Estamos como a Wermacht prussiana diante de Hitler. Deu no que deu. As Forças Armadas viraram a guarda pretoriana dos verdugos do povo no poder.

Dilma eleita com essa estrutura vigorante o PT terá a faca e o queijo nas mãos para instalar o totalitarismo. Não terá oposição eficaz de espécie alguma. Quem viver verá.

Quando as pesquisas influenciam, negativamente, uma eleição

Adelson Elias Vasconcellos

Creio que foi na semana passada que apresentei aqui, alguns argumentos e fatos que nos fazem refletir melhor sobre o papel que as pesquisas desempenham nas campanhas eleitorais. Este texto é meio longo, mas acredito que forneça ao leitor motivos para olhar as tais pesquisas com outros olhos e até entender o que está ocorrendo atualmente em nosso país.

O objetivo não é desacreditar das pesquisas e, sim, oferecer subsídios para que, futuramente, possamos melhor discernir sobre sua influência e, assim, melhor discipliná-las para que haja melhor equilíbrio entre os candidatos.

Se a gente viajar o Brasil inteiro, conversar com as pessoas comuns, vamos perceber que o brasileiro, muito embora acompanhe o noticiário nacional, leva muito mais em conta a política local, porque está mais perto dele e ele sente os efeitos, bons e maus, do que propriamente a política nacional. Nos grotões, Brasília é um paraíso muito distante. Às vezes, até a capital de seu estado é um lugar muito distante.

Deste modo, e também porque a maioria não tem acesso à informação, as escolhas para deputados estaduais e federais, governadores, senadores e presidente, são escolhas que não levam muito em conta fatores racionais, como currículo do candidato, ou suas ideias, ou até o discurso que apresentam em tempos de campanhas. As escolhas, muitas vezes, obedecem a um rito familiar. Alguém da família, por mais instruído e informado, é quem acaba elencando para os demais, aqueles candidatos que receberão voto.

Conta muito, ainda, o poder econômico deste ou daquele candidato. É a partir daí, muitas vezes, que se criam os famosos currais eleitorais. Entra eleição, sai eleição, e o “senhor doutô” tá sempre lá, firme que nem coco verde, não cai de jeito nenhum, mesmo que o retorno que dê à sua comunidade seja zero vezes zero.

Quando um governo de caráter populista passa a construir seus programas de forma eleitoreira, a influência que estas políticas têm sobre o eleitorado mais pobre é enorme. Trata-se de um enorme canto de sereia que poucos sabem ou conseguem resistir. Isto explica, em grande parte, a aprovação do governo Lula. Analisem isto: quem conquistou, DE FATO, a estabilidade econômica foi FHC, foi ele quem criou um leque de programas sociais que minoraram os índices de pobreza, miséria, mortalidade infantil que eram críticos no Brasil. Quem garantiu com suas reformas que o país tivesse resistência à grave crise econômica internacional de 2009, foram, além do amplo programa advindo com o Real, outros de fortalecimento do sistema bancário, por exemplo. Quem abriu as portas da economia e permitiu investimentos bilionários geradores de milhares de empregos foi o programa de privatizações. Pois bem, mas quem capitalizou todo o lucro político destas reformas modernizadoras nos grotões? Foi Lula, com uma bem aparelhada máquina de propaganda que vendeu para boa parte da população, uma obra que não lhe pertencia.

E, em razão disto, Lula colhe os frutos todos para si e, em consequência, para a sua candidata. Mas ainda assim, Dilma mesmo carregada nos braços de Lula não teria força suficiente para chegar ao ponto de superar Serra à corrida presidencial como está se vendo agora. Por mais transferência que Lula pudesse fazer de seu capital político, isto ainda seria pouco, para justificar a disparidade atual, quando Dilma pode vencer já no primeiro turno. Nem Lula, 2002 e 2006, conseguiu tal feito, por que Dilma, uma ilustre desconhecida conseguiria?

Aquilo que alguns convencionaram chamar de ONDA DILMA se deu, isto sim, a partir de pesquisas eleitorais que apresentaram um resultado que, me perdoem os institutos, revelava apenas uma parte do eleitorado, aquele que mais interessava a Lula. Quando tratei aqui da forma como as pesquisas poderiam, quando bem manipuladas, influenciar boa parte do eleitorado, tive o cuidado de me escudar em um artigo do jornalista Sebastião Nery que, a exemplo de alguns poucos, sempre criticou pesquisa eleitoral na forma como se faz no Brasil além de desconfiar de seus critérios.

Lembram quando aqui critiquei o fato de que os institutos de pesquisas, em seus últimos levantamentos já não estavam mais indicando nem os locais nem a quantidade de entrevistados nestes locais, nas informações que estavam, por lei, obrigados a arquivar junto ao TSE?

A não revelação deste dado, se para alguns é irrelevante, para o analista é fundamental. Por quê?

Não basta que o levantamento indique, por exemplo, o total de entrevistas que executou. Isto não representa nada. O que importa saber, é a proporcionalidade de entrevistadas em relação aos eleitores de cada cidade visitada. Vou ser mais claro: determinado instituto faz um levantamento, com um total de 2.000 entrevistas. Pois bem, ele informa que este total foi feito em 100 municípios, entre os quais temos São Paulo e Garanhuns, ou seja, duas cidades que, teoricamente, teriam preferência em Serra e na candidata de Lula, respectivamente. Garanhuns tem cerca de 130 mil habitantes, e São Paulo, pouco mais de 11 milhões, dados segundo estimativa do IBGE em 2009. Proporcionalmente, o levantamento para abranger um universo equilibrado, deveria ter realizado bem mais entrevistas em São Paulo do que em Garanhuns. Certo? Porém, se em Garanhuns, a pesquisa teve mais entrevistados do que em São Paulo, digamos, 20 no primeiro, contra apenas 5 no segundo, o instituto estará aplicando um desequilíbrio no seu resultado final no mínimo tendencioso. E se assim procede, isto ficaria bastante evidente se o instituto, ao entregar o resultado no TSE, identificasse os locais das entrevistas com as quantidades de entrevistados em cada município onde os dados foram colhidos. No exemplo que apresentamos, evidentemente que Lula, ou sua candidata por ele indicada, apareceria com uma preferência muito maior do que Serra. Se tal levantamento for alçado como representativo de uma preferência nacional, que credibilidade pode se conceder a esta pesquisa?

Portanto, quando parte das informações de uma determinada coleta deixa de ser divulgada, estamos, sim, diante de um quadro bastante suspeito de manipulação via pesquisa eleitoral. E se a “manipulação” for repetida por dois ou três levantamento consecutivos, é possível condicionar o eleitor a imaginar que este ou aquele candidato está crescendo na vontade da maioria, o que induziria a um erro monumental.

Pois bem, agora pergunto ao leitor-eleitor: quantas vezes você leu, em algum jornal, ou até mesmo na internet, este tipo de informação pormenorizada? Nem precisam responder: NUNCA. O máximo que você encontra é a preferência em termos percentuais, região por região, ou estado por estado, quando muito. E só! Quanto a quantidade de entrevistados, município por município, nada. E aí, fica ou não a dúvida sobre a seriedade das pesquisas? E, sendo assim, é possível aceitar agora que elas podem, de fato, influenciar uma eleição?

Eu nem tinha mais a intenção de voltar a mexer neste caldeirão, até porque, pelo quadro que se desenha, a eleição presidencial já está praticamente decidida, muito embora, não se tenha colocado ainda nenhum voto na urna. Contudo, lá no blog da Maria Helena – impossível não ler diariamente – encontrei um post curioso que me fez retomar o assunto. Reproduzo os dados para que vocês reflitam bem:

(...) Eu estava muito frustrado, pois com 60 anos nunca fui pesquisado por Institutos de Pesquisa, desses que dão resultados sobre a intenção de voto dos eleitores.

Será que algum de vocês foi pesquisado?

Entrei no site do TSE para tentar descobrir os métodos, os critérios, etc., etc. das pesquisas, e encontrei todas as pesquisas registradas.

Resolvi verificar onde elas foram feitas e descobri que:

Nesta que diz que a Dilma está crescendo, que já tem mais de 40%, foram entrevistados 2.506 pessoas, sendo:

Região Norte/Nordeste: 840 PESSOAS (quantos eleitores tem lá?);

Estado de São Paulo: 574 PESSOAS (quantos eleitores temos aqui?);

Minas: 256 PESSOAS (2º. maior colégio eleitoral do país);

Região Sul: 378 PESSOAS (menos eleitores que MG);

Rio: 278 PESSOAS (????);

Região Central:182 PESSOAS.

Ou seja, quase 34% dos entrevistados são do Norte e Nordeste...

Bem proporcional, não é?

Agora vejam detalhes:

Nas cidades de GARRAFÃO DO NORTE, RIACHÃO DO JACUÍPE, BARBALHA, ITAPISSUMA (sabem onde ficam???), todas do Norte e Nordeste, foram entrevistadas 14 pessoas em cada...

Ah... também em GARANHUNS, 14 pessoas foram pesquisada.

Comparem:

SANTOS, CAMPINAS, RIBEIRÃO PRETO, FLORIANOPOLIS, também 14 pessoas em cada uma. Preciso dizer que somente essas 4 cidades têm mais eleitores que todo o Nordeste?

E mais:

NITEROI, BARUERI, OSASCO, MOGI CRUZES, SÃO BERNARDO DO CAMPO....7 (sete) pessoas em cada uma delas.

Além de, por exemplo, BAURU, FRANCA, ARAÇATUBA e MARILIA não terem sido "escolhidas" para essa pesquisa. Tem lógica, nessas o PT nunca levou uma vitória! (Carlos Cornwall)

COMENTO:
Fica evidente que, a pesquisa acima que o Carlos Cornwal reproduz, foi visivelmente condicionada a apresentar um resultado predeterminado, isto é, a de que Dilma era favorita. É flagrante o desequilíbrio entre o universo pesquisado e quantidade de entrevistas, com a distribuição de eleitores município por município, região por região. Assim, para aqueles que deixam para decidir seu voto mais próximo da eleição, após assistir a campanha na tevê e alguns debates entre os candidatos, já estarão pré-dispostos a seguirem a “onda” do favorito ou da favorita, no caso. Conforme o alerta que o Sebastião Nery já havia feito, em sendo a pesquisa instrumento importante de aferição do quadro eleitoral, os noticiários de rádio, tevê e jornais, com seu analistas, comentaristas, palpiteiros e torcedores, batendo dia e noite, dia sim, dia também, sobre os resultados apurados, criam um certo clima em favor ou desfavor dos candidatos.

E este cenário, convenhamos, acaba distorcendo a própria vontade do eleitorado. Claro que a eleição, conforme já escrevi nesta semana, no meu caso em particular, e acredito que de boa parte da população, é o que menos me importa. Ganhar ou perder eleição faz parte do jogo político que a democracia oferece. Contudo, não se pode, no caso brasileiro, afirmar que a eleição se transcorra em um cenário absolutamente limpo, em igualdade de condições. 

Claro que até já critiquei, não a partir da campanha, já venho criticando a atuação da oposição há bastante tempo. Sua campanha chega ser ridícula, própria de um amador. Não se pode jogar a culpa toda em cima do marqueteiro que Serra escolheu. O ex-governador não é nenhum novato no assunto. Deveria ter percebido que seu marqueteiro não fez a leitura correta do cenário em 2010. Contudo, a tal ONDA DILMA não pode ser vista apenas por este ângulo. Há, sem dúvida, outros fatores que fizeram a balança pender em seu favor, e elas, como vimos, não se restringem aos aspectos econômicos, como a maioria dos analistas tenta nos impor. O exemplo acima desmente esta tese e confirma que, pesquisas eleitorais feitas de forma fraudulenta, podem influenciar negativamente uma eleição.

Democracia virtual

Fernando Henrique Cardoso - O Estado de S.Paulo

Vivemos uma fase de democracia virtual. Não no sentido da utilização dos meios eletrônicos e da web como sucedâneos dos processos diretos, mas no sentido que atribui à palavra "virtual" o dicionário do Aurélio: algo que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual. Faz tempo que eu insisto: o edifício da democracia, e mesmo o de muitas instituições econômicas e sociais, está feito no Brasil. A arquitetura é bela, mas quando alguém bate à porta a monumentalidade das formas institucionais se desfaz num eco que indica estar a casa vazia por dentro.

Ainda agora a devassa da privacidade fiscal de tucanos e de outras pessoas mais mostra a vacuidade das leis diante da prática cotidiana. Com a maior desfaçatez do mundo, altos funcionários, tentando elidir a questão política - como se estivessem tratando com um povo de parvos -, proclamam que "não foi nada, não; apenas um balcão de venda de dados..." E fica o dito pelo não dito, com a mídia denunciando, os interessados protestando e buscando socorro no Judiciário, até que o tempo passe e nada aconteça.

Não tem sido assim com tudo mais? O que aconteceu com o "dossiê" contra mim e minha mulher feito na Casa Civil da Presidência da República, misturando dados para fazer crer que também nós nos fartávamos em usar recursos públicos para fins privados? E os gastos da atual Presidência não se transformaram em "secretos" em nome da segurança nacional? E o que aconteceu de prático? Nada. Estamos todos felizes no embalo de uma sensação de bonança que deriva de uma boa conjuntura econômica e da solidez das reformas do governo anterior.

No momento do exercício máximo da soberania popular, o desrespeito ocorre sob a batuta presidencial. Nas democracias é lógico e saudável que os presidentes e altos dirigentes eleitos tomem partido e se manifestem em eleições. Mas é escandalosa a reiteração diária de posturas político-partidárias, dando ao povo a impressão de que o chefe da Nação é chefe de uma facção em guerra para arrasar as outras correntes políticas. Há um abismo entre o legítimo apoio aos partidários e o abuso da utilização do prestígio do presidente, que, além de pessoal, é também institucional, na pugna política diária. Chama a atenção que nenhum procurador da República - nem mesmo candidatos ou partidos - haja pedido o cancelamento das candidaturas beneficiadas, se não para obtê-lo, ao menos para refrear o abuso. Por que não se faz? Porque pouco a pouco nos estamos acostumando a que é assim mesmo.

Na marcha em que vamos, na hipótese de vitória governista - que ainda dá para evitar - incorremos no risco futuro de vivermos uma simulação política ao estilo do Partido Revolucionário Institucional (PRI) mexicano - se o PT conseguir a proeza de ser "hegemônico" - ou do peronismo, se, mais do que a força de um partido, preponderar a figura do líder. Dadas as características da cultura política brasileira, de leniência com a transgressão e criatividade para simular, o jogo pluripartidário pode ser mantido na aparência, enquanto na essência se venha a ter um partido para valer e outro(s) para sempre se opor, como durante o autoritarismo militar.

Pior ainda, com a massificação da propaganda oficial e o caudilhismo renascente, poderá até haver a anuência do povo e a cumplicidade das elites para com essa forma de democracia quase plebiscitária. Aceitação pelas massas na medida em que se beneficiem das políticas econômico-sociais, e das elites porque estas sabem que nesse tipo de regime o que vale mesmo é uma boa ligação com quem manda. O "dirigismo à brasileira", mesmo na economia, não é tão mau assim para os amigos do rei ou da rainha.

É isto que está em jogo nas eleições de outubro: que forma de democracia teremos, oca por dentro ou plena de conteúdo. Tudo o mais pesará menos. Pode ter havido erros de marketing nas campanhas oposicionistas, assim como é certo que a oposição se opôs menos do que devia à usurpação de seus próprios feitos pelos atuais ocupantes do poder. Esperneou menos diante dos pequenos assassinatos das instituições que vêm sendo perpetrados há muito tempo, como no caso das quebras reiteradas de sigilo. Ainda assim, é preciso tentar impedir que os recursos financeiros, políticos e simbólicos reunidos no Grupão do Poder em formação tenham força para destruir não apenas candidaturas, mas um estilo de atuação política que repudia o personalismo como fundamento da legitimidade do poder e tem a convicção de que a democracia é o governo das leis, e não das pessoas.

Estamos no século 21, mas há valores e práticas propostos no século 18 que se foram transformando em prática política e que devem ser resguardados, embora se mostrem insuficientes para motivar as pessoas. É preciso aumentar a inclusão e ampliar a participação. É positivo se valer de meios eletrônicos para tomar decisões e validar caminhos. É inaceitável, porém, a absorção de tudo isso pela "vontade geral" encapsulada na figura do líder. Isso é qualquer coisa, menos democracia. Se o fosse, não haveria por que criticar Mussolini em seus tempos de glória, ou o Getúlio do Estado Novo (que, diga-se, não exerceu propriamente o personalismo como fator de dominação), e assim por diante. É disso que se trata no Brasil de hoje: estamos decidindo se queremos correr o risco de um retrocesso democrático em nome do personalismo paternal (e, amanhã, quem sabe, maternal). Por mais restrições que alguém possa ter ao encaminhamento das campanhas ou mesmo as características pessoais de um ou outro candidato, uma coisa é certa: o governismo tal como está posto representa um passo atrás no caminho da institucionalização democrática. Há tempo ainda para derrotá-lo. Eleição se ganha no dia.

Desafios para o futuro presidente

Suely Caldas - O Estado de S.Paulo

O futuro presidente vai receber um país melhor, que reduziu as desigualdades sociais, manteve a economia organizada, seguiu o bem-sucedido tripé de Fernando Henrique Cardoso (metas de inflação-câmbio flutuante-controle fiscal), gerou empregos e promoveu crescimento econômico. Este é o lado bom do governo Lula a que os três candidatos com chances de vitória se comprometem a dar seguimento. Mas há o lado ruim, certas bombas de efeito retardado que o novo governante precisa desarmar logo se quiser governar em paz em direção ao progresso e qualidade de vida da população.

A pior delas acaba de explodir porque Lula, em vez de tentar desarmá-la, a inflou com mais dinamite: o condenável uso do Estado a serviço da candidata do governo fez a bomba explodir na Receita Federal, um respeitado e confiável órgão de Estado, que deveria zelar pelo sagrado direito de privacidade dos brasileiros e foi flagrado bisbilhotando a vida de opositores para usar na campanha eleitoral. Resultado: em poucas horas a credibilidade da Receita foi ao chão. E reconstruir o que está desmoralizado não é fácil, leva tempo. Será preciso trocar comandos, virar pelo avesso, fazer uma devassa para recuperar a imagem da Receita.

E que bombas são essas?

Reforma do Estado -
É o pior legado de Lula. Para acomodar companheiros, ele duplicou o número de ministérios, gerando gastos desnecessários. Para comprar partidos aliados, loteou o governo e o Estado com políticos despreparados e a serviço de seu partido, não da população. Tirou o caráter técnico, politizou e enfraqueceu as agências reguladoras, prejudicando a eficiência na regulação e fiscalização dos serviços públicos. Com isso a corrupção prosperou e predominou em seu governo.

Seu sucessor precisa desfazer esse aparato, eliminar ministérios inúteis, capacitar tecnicamente os funcionários nas funções de planejar e regular, economizar recursos direcionando-os para saúde, educação, saneamento, segurança e programas sociais. E, já na partida, dar um freio de arrumação na distribuição de cargos, valorizando funcionários de carreira e oferecendo à sua base aliada cargos de representação política, deixando os técnicos para quem for capacitado.

Relação com o Congresso -
Se no governo FHC já existia o toma lá dá cá entre Executivo e Congresso, na gestão Lula virou regra comum. Não havia uma matéria em que, para votar, deputados e senadores não cobrassem favores, cargos, liberação de verbas. Desde o mensalão, no primeiro mandato, Lula mostrou-se fraco, cedeu e foi cedendo aos caciques do PMDB e demais partidos, até tornar o toma lá dá cá uma norma corriqueira.

O novo presidente precisa entrar mostrando força, invertendo essa relação perniciosa que desmoraliza a imagem do Congresso, decepciona e reforça a percepção dos eleitores de que "ali não se salva ninguém".

Dívida pública -
O preço do sucesso do governo Lula na economia - a expansão dos programas sociais, crescimento econômico e geração de empregos - foi o aumento do endividamento. Ele não vacilou em ampliar a dívida pública para emprestar dinheiro para o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal repassarem créditos de investimento às empresas e à Petrobrás. E a dívida bruta hoje já ultrapassa 60% do Produto Interno Bruto (PIB).

Quando era possível amortizar o valor principal, nos primeiros seis anos de prosperidade e expansão da arrecadação tributária, Lula não o fez e preferiu optar pelo aumento dos gastos correntes. Com isso o estoque da dívida continuou subindo. O novo presidente vai enfrentar o desafio de fazer o oposto: não se limitar a pagar só juros, retomar o bom hábito de amortizar, abater o valor total e ganhar mais segurança para atravessar seu mandato com menor risco de crise.

Gastos públicos -
Organizar o que Lula desorganizou, definindo prioridades e concentrando gastos em itens que façam a diferença para a qualidade de vida da população mais pobre. Ou seja, melhorar o atendimento em hospitais públicos, capacitá-los para aumentar o número de cirurgias e ampliar o orçamento para o Ministério da Saúde. Também na educação, qualificar professores, reduzir o analfabetismo funcional, oferecer ensino de qualidade. E ampliar gastos também para a segurança e o saneamento básico.

Investimento em infraestrutura -
Apesar do bom desempenho econômico, Lula vai concluir seu mandato com uma taxa de investimento medíocre de 17,9%, muito abaixo dos 25% necessários para garantir um ritmo sadio de crescimento econômico.

O Estado até expandiu investimentos na reta final do governo com o PAC, o programa Minha Casa, Minha Vida e a promessa do pré-sal. Mas, para atrair investimento privado em infraestrutura, o governo Lula fez tudo errado, a começar pela politização das agências reguladoras e sucessivas mudanças em marcos regulatórios, que geram insegurança e afastam investidores. É mais um setor que o novo governante precisa virar pelo avesso para obter bons resultados.

Investimentos específicos -
Há três projetos que precisam de uma reavaliação, mesmo que o presidente seja Dilma Rousseff. São a Usina de Belo Monte, o modelo de exploração de petróleo da área do pré-sal e o trem-bala entre Campinas e Rio de Janeiro. Entre a concepção e a execução, os três apresentaram dificuldades que a razão aconselha a reavaliação.

O investimento em Belo Monte nasceu privado e vai terminar estatal, porque dúvidas quanto à rentabilidade afastaram investidores privados.

A complicada capitalização da Petrobrás para obter recursos e investir no pré-sal é apenas o começo das dificuldades que a estatal enfrentará para custear a maior parte desses investimentos. Seria o caso de o novo governo pensar em mudar o modelo e dividir esse custo com outras empresas privadas.

E o trem-bala, um sugador de dinheiro público de tão poucos benefícios, seria recomendável desistir dele e redirecionar os recursos para áreas mais carentes.

Reformas estruturais -
Por último, mas de importância fundamental para a eficiência da gestão pública, estão as reformas - política, tributária, previdenciária e trabalhista. Sem elas, o novo governante vai trabalhar como FHC e Lula: emperrado, limitado e dependente das circunstâncias.

TOQUEDEPRIMA...

***** O circo chegou
A segunda rodada da pesquisa Ibope para medir a intenção de voto para deputado federal em São Paulo deixa antever que deu a louca no eleitorado: o palhaço Tiririca já está entre os cinco mais citados pelos paulistas, numa prova de que a galhofa está virando coisa séria. Outro que está na lista dos cinco mais é Paulo Maluf, o deputado mais votado no Brasil em 2006.

Subindo, o circo também está em Alagoas, onde Collor, aquele mesmo, continua liderando as intenções de voto, tanto, Jader Barbalho, no Pará, apesar de sua candidatura ter sido impugnada pelo TSE.

Isto mostra o quanto o brasileiro não se deu conta da importância de seu voto. Não adianta, depois de empossados seus “eleitos”, ele ficar reclamando que político no Brasil é tudo “ladrão e safado”. Quando lhe é dada a chance de varrer da vida pública os maus políticos, ele ignora sua responsabilidade cívica e reelege o mesmo bando de salafrários que antes condenava.

***** O preço da ostentação: 25 milhões de libras
Lauro Jardim, Veja online

O Itamaraty acaba de fechar a compra do prédio abaixo, localizado no coração de Londres, na Trafalgar Square. O imóvel abrigará a nova embaixada brasileira. Vai custar 25 milhões de libras (67 milhões de reais). O prédio atual é alugado e o proprietário o pediu de volta. Para evitar críticas no período eleitoral, o Itamaraty só anunciará oficialmente o negócio após o dia 3.

Em Londres 
A nova embaixada brasileira: o governo teme críticas

***** Danilo Gentili diz que não vota em Tiririca e que "palhaçada é Lula aliado de Sarney"
Folha.com

O humorista do "CQC" (Band) Danilo Gentili afirmou que não votará no Tiririca durante o Bate-papo UOL, em que ele responde a perguntas de internautas. "Ele não vai ganhar. Mas tem o direito de ir lá e falar o que quer. O que eu acho palhaçada é o Lula aliado do Sarney e do Collor", critica.

O comediante ainda falou sobre o movimento "Humor sem Censura" e a suspensão pelo Supremo Tribunal Federal do artigo que proibia os humoristas de fazerem piadas com políticos em rádio e televisão.

"Em qualquer lugar do mundo, o humorista é o moleque da sociedade, a criança que abre a boca e fala o que tem na cabeça. Mas aqui no Brasil, humorista não pode falar o que quer e não é só com político", critica.

***** De novo no alvo
Por Lauro Jardim

Roger Agnelli percebeu os sinais e começou a reagir desde que ficou patente que uma ala ligada a Dilma Rousseff trabalha para ejetá-lo da presidência da Vale em 2011, caso ela vença a eleição. É a turma de sempre que, agora, quer instalar um político no comando da empresa. Agnelli já procurou interlocutores no entorno de Dilma para ficar onde está. Independentemente da competência de Agnelli, a ideia é assustadora, pois não se pode tratar a Vale como se fosse um ministério. Não é aceitável permitir o loteamento político da maior exportadora brasileira, uma empresa privada.

***** Menos exportadores

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram como a pauta de exportações do país depende de poucas empresas. Dos 106,9 bilhões de dólares exportados pelo país entre janeiro e julho, 70,4% foram embarcados por apenas 148 empresas.

No mesmo período do ano passado, os 127 exportadores de maior porte foram responsáveis por 65,9% dos 84,1 bilhões de dólares em vendas ao exterior.

***** Ministro e assessores usam PAC e conselhão para viajar e ajudar Dilma
O Globo

BRASÍLIA - Instalada no quarto andar do Palácio do Planalto, uma máquina trabalha a todo o vapor pela candidata do governo, Dilma Rousseff (PT). A rede montada na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, comandada pelo ministro Alexandre Padilha, utiliza duas agendas: do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que dão suporte e aparente legalidade às viagens de petistas que percorrem o país angariando votos nos estados junto a prefeitos, empresários e outros segmentos da sociedade, com diárias pagas pelos cofres públicos. É o que mostra reportagem de Fábio Fabrini e Regina Alvarez na edição deste domingo do GLOBO.

Segundo a reportagem, o ritmo de viagens é frenético. Somadas, chegam a 44 as andanças do ministro Alexandre Padilha e de dois dos seus principais assessores entre o fim de maio e agosto. Como justificativa oficial, as reuniões do Conselhão (CDES) nos estados, que começaram a ser feitas em maio para discutir com empresários uma "Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento". E encontros com prefeitos para discutir projetos do PAC-2, a ser implementado no próximo governo, além de visitas às obras do PAC.

De acordo com a reportagem, por si só, essas agendas, que servem para divulgar realizações e avanços do governo Lula, têm implícitas um viés político, já que acontecem no auge da campanha eleitoral. Mas, além disso, compromissos oficiais nos estados coincidem com eventos de campanha da candidata Dilma ou de aliados do PT.

As viagens, as articulações e os atos da campanha estão registrados no Twitter. Padilha, tuiteiro compulsivo, escreveu no dia 15 de julho, quando estava em Curitiba (PR) para uma reunião do CDES e visitas a obras do PAC: "...Recebi a visita, aqui no Hotel Slaviero, do nosso cand a $do PR Osmar Dias, do nosso vice Rocha Loures e nossa futura senadora Gleisi" (mulher do ministro do Planejamento Paulo Bernardo). Padilha recebeu R$ 780 nessa viagem, equivalente a uma diária e meia, segundo a assessoria.

***** Padilha diz que coincidência de viagens é uma 'exceção'. Então tá...
O Globo

BRASÍLIA - A Secretaria de Relações Institucionais (SRI) afirma que é "um ministério essencialmente político", ao ser questionada sobre a coincidência das agendas do ministro Alexandre Padilha e de assessores. Segundo Padilha, há coincidência de viagens, mas isso é uma "exceção". Eles participam das reuniões do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES, o Conselhão) e do PAC e de eventos de campanha da candidata Dilma Rousseff e de aliados do PT. É o que diz a reportagem de Reginal Alvarez na edição deste domingo do GLOBO.

A SRI se diz "responsável pela interlocução do governo federal com o Congresso Nacional, por meio da Subchefia de Assuntos Parlamentares (Supar), com governadores e prefeitos, através da articulação da Subchefia de Assuntos Federativos (SAF), e com a sociedade civil, por meio do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social".

- Toda a minha participação em alguma atividade de campanha é fora do horário de expediente. O fato de ter eleição não vai fazer com que eu pare de trabalhar no Congresso e junto aos prefeitos. Há coincidência de viagens, mas é uma exceção. Vamos continuar nosso trabalho sempre cumprindo atividades, ou no Conselho ou com prefeitos e governadores - disse Padilha.

Ele destacou que seu papel no governo é monitorar projetos junto aos parlamentares, que estão em Brasília, e acompanhar de perto as relações com prefeitos e governadores, além de acompanhar as atividades do CDES nos estados.

A SRI informou que, após agenda institucional em Salvador, em 26 e 27 de agosto, "o ministro se deslocou para Recife, na noite do dia 27, por meios próprios e sem receber diárias, para acompanhar o ato político da candidata Dilma".

Segundo a assessoria, o ministro não participou da carreata do governador Marcelo Déda, em Sergipe, onde esteve em 12 de agosto para reunião do Conselhão. Padilha anunciou no Twitter que iria à carreata. A SRI diz que a presença dele no lançamento do comitê da campanha do PT no Pará, em 13 de agosto, foi depois da agenda institucional e do expediente.

***** PT nega filiação de Atella, mas TRE confirma
O Globo

SÃO PAULO - Apesar de o PT ter divulgado uma nota neste sábado afirmando que, por problema de documentação, a filiação partidária de Antonio Carlos Atella Ferreira não foi efetivada pela Justiça Eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) confirmou o registro, feito em 2003. Atella usou uma procuração falsa em nome de Verônica Serra, filha do candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, para a obtenção ilegal de seus dados na Receita Federal.

A nota do PT, assinada pelo presidente do diretório paulista Edinho Silva, afirma que o registro não foi confirmado porque o pedido veio com o sobrenome grafado incorretamente como Atelka. Com isso, houve incompatibilidade na documentação. O texto diz ainda que como o requerente nunca tentou corrigir seus dados "nem se mostrou interessado em participar da vida partidária, a sua filiação nunca se concretizou".

O TRE, no entanto, confirmou - segundo reportagens do G1 e do "Jornal Nacional" - que houve, em 2003, um registro no cadastro da Justiça Eleitoral de uma comunicação de filiação ao PT em nome de Atella. E que a filiação do contador ganhou o status de excluída em 2009.

O TRE informou que Atella filiou-se em 20 outubro de 2003 ao Partido dos Trabalhadores em Mauá (SP), na zona eleitoral 217. A data de exclusão é de 21 de novembro de 2009.

Segundo o Diretório Estadual do PT, o erro de grafia no nome teria feito o TRE-SP rejeitar o pedido de filiação.

- Por diversas vezes, o Diretório Municipal de Mauá fez contato para que esses dados fossem corrigidos. Ele (Atella) nunca procurou o Diretório Municipal para corrigir. Consequentemente, não foi aceita sua filiação perante a Justiça Eleitoral, tão pouco foi considerado filiado do PT porque nunca participou de nenhuma atividade do partido e nunca cumpriu com suas obrigações de filiado - afirmou Edinho, depois de participar de comício com Lula em Guarulhos.

Edinho não soube informar qual dirigente partidário assinou o pedido de filiação. Ele nega que o contador estivesse filiado ao PT até novembro de 2009, dois meses depois da apresentação da procuração falsa na Receita para obter os dados de Verônica Serra.

O pastor não ouviu o que disse

Augusto Nunes, Revista Veja

Para evitar a ampliação do estrago causado pelo estupro do sigilo fiscal de políticos tucanos, eles esconderam o caso de Verônica Serra. Para reduzir o impacto da violência imposta à filha de um candidato à Presidência, eles providenciaram uma procuração falsificada. Para diminuir o assombro provocado pela descoberta da fraude, eles escalaram para o papel de culpado um contador especializado em maracutaias no Fisco. Para abrandar a perplexidade decorrente da notícia de que o contador é um petista de carteirinha, eles agora costuram às pressas a mentira de amanhã.

Nesta quinta-feira, em entrevista ao Jornal Nacional, o contador Antonio Carlos Atella Ferreira garantiu que nunca fora filiado a partido nenhum. “Se alguém me filiou, nem conheço quem é, se caso eu tiver filiado”, gaguejou. A mentira foi implodida 24 horas depois: hoje, o JN informou que Atella foi adepto da seita entre 20 de outubro de 2003, quando assinou a ficha de inscrição no PT de Mauá, e 21 de novembro de 2009, menos de dois meses depois da violação do sigilo de Verônica Serra.

Atella primeiro jurou que não se lembrava dos seis anos de militância. Logo admitiu que pode ter assinado alguma ficha “num momento de empolgação”. Foi socorrido por José Eduardo Dutra, presidente nacional do partido. Até o fim da tarde, Dutra nunca ouvira falar em Atella. Descobriu em menos de duas horas que o contador bandido “nunca teve participação política dentro do PT”. Se existiu, declamou o companheiro, a filiação foi “apenas cartorial”.

Em 17 de julho de 2005, levado às cordas pelo escândalo do mensalão, o presidente Lula usou uma entrevista ao programa Fantástico para esquivar-se da saraivada de golpes e escapar do nocaute. “Trabalhar com a verdade é muito melhor”, disse com pose de professor de jardim de infância. “A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira, você passa a vida inteira contando mentiras para justificar a primeira que você contou”.

Verdade. Só que o pastor não ouviu o que dizia. Nem o rebanho.

Blogueiro amador faz jornalismo sim!

Klauber Cristofen Pires , Mídia Sem Máscara

O trabalho dos blogueiros nos últimos anos tem causado uma crônica dor de cabeça para a imprensa tradicional que antes tudo controlava: ficou para a história a cumplicidade da mídia com a tentativa de golpe de estado lulo-chavista contra Honduras, bem como também com relação ao acobertamento do Foro de São Paulo e da decorrente sociedade entre o PT e as FARC.

Houve uma ocasião, há algum tempo, em que recebi o e-mail de uma estudante de jornalismo que me fazia algumas perguntas para uma monografia sua. Em síntese, ela queria saber se eu me considerava um jornalista e por qual razão assim pensava. Solícito, respondi ao seu questionário e ao que me parece, por ter restado insatisfeita, enviou-me mais uma série de perguntas. Foi então que percebi que ela não fazia uma pesquisa científica para descobrir a verdade a partir de suas investigações, mas sim, procurava fatos e depoimentos que comprovassem a sua convicção já pré-formada, ao que devidamente lhe mandei passear e importunar outra pessoa.

Isto tem um nome: vigarice; vigarice estimulada pelas faculdades de jornalismo. O caso acima se deu em meio ao alvoroço que antecedeu a sábia decisão do STF que suprimiu a obrigatoriedade de um diploma para o exercicio da liberdade de expressão, o que era um absoluto absurdo. E que não me venham com firulas os bacharéis em Direito, sociólogos e assemelhados: estão neste rol também.

Para quem acha que o exercício da atividade jornalística requer uma gama de conhecimentos científicos ou assemelhados à precisão das ciências naturais, dou um exemplo bem corriqueiro: nesta semana, ouvi do Jornal Nacional sobre uma pesquisa que afirma serem os brasileiros o segundo povo mais estressado do mundo, mas isto, pasmem, na mesma semana em que a capa da revista IstoÉ estampava a manchete "Nunca fomos tão felizes". E agora, quem tem razão?

Os jornalistas "diplomados" andam a promover uma ampla campanha e a exercer um pesado lobby para que a obrigatoriedade do diploma como requisito obrigatório para o exercício da profissão de jornalista volte ao sistema jurídico sob a forma de uma emenda constitucional. Sinceramente, não vejo como, eis que a própria Constituição Federal, no seu art. 60, § 4º, inciso IV estabelece: "Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: IV - os direitos e garantias individuais". (grifos meus)

A norma julgada inconstitucional vigorava até então sob o fenômeno jurídico da "recepção", segundo o qual as leis anteriores à Constituição permanecem em vigor desde que seus artigos mantenham-se aparentemente em concordância com a Lei Maior. No caso, a lei que exigia os diplomas foi derrubada pelo STF, depois de provocado a pronunciar-se sobre a sua constitucionalidade. Ademais, no meu entender particular, propostas de emendas à Constituição para sanear a inconstitucionalidade de leis que ferem cláusulas pétreas configuram um flagrante caso de inadmissivel desobediência ao soberano Poder Judiciário, cujos precedentes, se aceitos, só podem nos levar a uma dissolução do estado de Direito pela via do derretimento do poder judiciário.

Sustentando-se em pesquisas com a profundidade desta que denunciei no primeiro parágrafo, andam a levantar as alegações de que os blogueiros não produzem notícia, mas apenas agem como divulgadores de notícias. Pura bobagem, e vou agora matar a cobra e mostrar o pau...

Nem todas as notícias dos jornais impressos ou televisivos são produzidas por eles mesmos. Na verdade, apenas uma pequena parte, local ou regional, compõe o mérito próprio da produção de notícias novas e até então desconhecidas. O resto compõe-se de edição de reportagens sobre assuntos de amplo conhecimento ou obtido de agências de notícias, entre as quais a estatal agência Brasil, de onde as redações reproduzem suas matérias as mais das vezes sem um pingo de crivo. Finalmente, temos também o trabalho de opinião e de media-watch.

Um blogueiro amador e individual, como eu, não tem como oferecer notícias novas todos os dias, haja vista as minhas próprias limitações físicas e circunstanciais (eu tenho de me sustentar de outro modo). Mas isto cada um dos repórteres pagos pelos jornais também não produz, de forma que os "furos" são conquistados ora por um, ora por outro, de um grande time.

Há blogueiros que se especializam especialmente para a notícia de fatos novos, e eis a combativa Graça Salgueiro como exemplo notório, a nos trazer os fatos da América hispânica em primeira mão; de minha parte, concentro-me em um trabalho de pesquisa sobre fatos conhecidos, de opinião e de media-watch, que também, como vimos linhas acima, constitui a atividade jornalística. Ou não?

Há sim, claro, os blogueiros que apenas reproduzem as notícias e editoriais da grande mídia, mas não são eles quem fazem toda esta diferença. Se andam incomodando, é porque justamente têm produzido mais do que mera divulgação dos textos da própria mídia tradicional.

O trabalho dos blogueiros nos últimos anos tem causado uma crônica dor de cabeça para a imprensa tradicional que antes tudo controlava: ficou para a história a cumplicidade da mídia com a tentativa de golpe de estado lulo-chavista contra Honduras, bem como também com relação ao acobertamento do Foro de São Paulo e da decorrente sociedade entre o PT e as FARC. Aqui mesmo também denunciamos a reportagem global que reclamava pela construção de cinemas públicos, convenientemente publicada logo depois do lançamento do filme "Lula, o filho do Brasil", e da mesma forma, da reportagem militante governista e absolutamente enviesada de modo a promover a legalização do aborto. Ôpa, não me deixem esquecer da massiva campanha das diversas cadeias de tevê a favor do desarmamento, felizmente, malograda.

Caros leitores, de uma coisa lhes posso dar certeza: de minha lavra, jamais enganarei o público para agradar ao governo, como a chamar Fidel Castro de presidente, por exemplo. Comigo ladrão é ladrão, terrorista é terrorista, ditador é ditador, vigarista é vigarista e os sonsos são a escória por quem nutro mais nojo do que a petralhada assumida. Não por acaso, mesmo sem nenhum tipo de publicidade, a cada dia mais pessoas vêm ler dos meus textos e de tantos outros amigos que fui encontrando pelo caminho e que compartilham desta missão que nos imbuímos, seja em meu blog, seja nos sites que nos dão a oportunidade de nos expressar. A estas pessoas, dedico os meus agradecimentos e peço a sincera ajuda para nos divulgarem como uma eficaz fonte alternativa de informação e de opinião.