Adelson Elias Vasconcellos
Lula, em tom de gorjeio canalha, disse que se arrependia de não haver enviado uma emendazinha ao Congresso para lhe garantir um terceiro mandato. Mentira, é claro. Ele, melhor do que ninguém, sabe que tal emenda seria repelida no Senado. Na Câmara onde ele preside por seu alter-mor Michel Temer, com as bancadas lacraias que não respondem ao povo que os elegeu, e sim ao Lula que os comprou, a emenda seguiria em frente sem atropelos. No Senado, porém, o risco não compensava o preço político de uma derrota provável.
Aliás, não é por outra razão o seu empenho em tentar eleger maioria absoluta no Senado agora em outubro, capaz de lhe garantir aprovação dos projetos que engavetou durante a campanha mas, uma vez encerrado o pleito, serão caprichosamente encaminhadas à aprovação, isto, claro, se seu projeto de maioria absoluta no Senado for alcançado.
E quais seriam estes projetos escondidos da opinião pública durante a campanha? Bem há quatro grupos: a do aborto, a da censura à imprensa com projetos que reduzam o alcance das grandes redes ainda independentes do oficialismo, a criação dos tribunais populares, e a tal da reforma política que terá o condão de eliminar a atual oposição. Com tais armas, Lula entende que o projeto do Foro de São Paulo de tornar o Brasil um mero departamento dentro da grande colmeia que seria a América do Sul e Caribe vergados à bandeira do socialismo, alcançará seu êxito final.
Claro que durante a campanha, a oposição deveria ter colocado tudo isso na mesa. Não fez e pagará um alto preço por conta disso.
Assim, tendo Dilma, sua ajudante de ordens, colocada no trono de sua sucessão, nada mais restará de impedimento para que o grande sonho das esquerdas nacionais se concretize. Talvez a última barreira que poderiam ser as Forças Armadas, não mais existe. O ministro Jobim, aquele que, conforme o próprio confessou, fraudou a constituição de forma furtiva, foi encarregado de colocar em curso o processo de sovietização que segue a pleno vapor.
Talvez restem ainda, para decepção do próprio Lula, dois polos com alguma resistência, no caso, Minas Gerais e São Paulo, onde o PT não conseguirá o que pretende. E, a ser assim, sairá destes estados, a força mobilizadora capaz de impor resistência e estragar os planos de Lula. Resta saber qual a estratégia que será empregada para colocar estas duas unidades submissas ao poder central.
E é partir daí que Dilma se torna o BOTOX de Lula. Ela é seu seguimento, seu terceiro mandato, seu braço e pensamento para governar o Brasil. Uma espécie de laranja, apesar de mal acabada, verde, grotesca, mas mais do que seu criador. Por ela, ele poderá continuar sua obra, seu projeto, e realizar seus desejos mais mórbidos. A seu comando, o capacho se estica e dá passagem às maluquices que se escondem dentro do verdadeiro projeto que os petistas tentarão impor ao país. A tática de Lula, ao frear a ansiedade dos militantes mais xiitas de seu partido, foi o de primeiro preparar o país para receber sem resistência a punhalada fatal.
Que é o que será feito agora. E reparem neste detalhe: o grande projeto de Lula, no governo de Dilma, vai se dar nas pocilgas do poder. A reforma política com a qual Lula sonha não será obra de um Congresso Nacional, nem submisso tampouco independente. E esqueçam a tal constituinte exclusiva. Será feito de fora para dentro. Por isso, também, Lula precisa de uma laranja no Executivo para cumprir o roteiro que ele próprio irá ditar.
Há como se evitar todos os perigos que nos rondam? Há como evitar a falência múltipla das instituições do Estado? Infelizmente, não creio. O processo de deseducação que o povo brasileiro vem sofrendo de um certo tempo para cá, roubou-nos o senso crítico, a capacidade de nos indignarmos e, por tudo isso, a capacidade de reagir e protestar.
O que vejo é que será necessário haver a ruptura institucional completa, na forma como as esquerdas sempre ambicionaram realizar, para que o povo brasileiro comece a despertar da letargia em que se encontra. Será preciso perder uma vez mais nossas liberdades, duramente reconquistadas, para nos darmos conta da sua importância na vida de todos nós, seja como coletividade seja como indivíduos.
Não, não vejo como se conseguirá impedir o massacre que estamos prestes a presenciar. Contudo, se ela é uma desgraça que atingirá a todos, menos a cúpula que, aliás, já está no poder, por outro lado dará ao país um dura mas indispensável lição. A de que não existem ditaduras boas e más. Todas são péssimas, sejam de direita ou de esquerda. Todas eliminam direitos, restringem liberdades, censuram o pensamento. Todas roubam as nossas vontades, determinam as nossas escolhas, impõem-nos seu receituário de terror e atraso.
Este flagelo precisará ser vivido pelo país, cedo ou tarde. Nossa intelectualidade sempre foi ou amante ou bastante simpática e permissiva em relação ao receituário socialista. Pergunte-lhes o que acham de Cuba do tirano Fidel! Nunca lhes ocorreu que aqui, tal como em todos os países onde os socialistas vingaram suas doutrinas, os mesmos erros, defeitos e males envenenariam e contaminariam a sociedade como um todo. Nunca lhes ocorreu que aqui tinham a liberdade para escolher, entre direita, esquerda e centro. Nos regimes socialistas simplesmente você não tem direito de escolha. E a corrupção uma vez instalada no poder, o regime não lhe permite protestar nem reclamar. E nos regimes socialistas, meus caros, a corrupção, a mentira, a usura, sempre foram atributos com presença marcante e permanente.
Não, não creio que o Brasil conseguirá imunizar-se do vírus que contaminou a sociedade, que a está desagregando dia após dia, que corrói as entranhas do pensamento e degenera a vontade de resistir ao mal presente. O que sei é que a juventude brasileira está dividida entre dois mundos: de um lado, aqueles que sabem e conhecem um mundo livre, tecnológico, moderno, civilizado, onde cada qual respeita seu limites e seu espaço, e, de outro lado, os jovens que tiveram seu pensamento desagregado da realidade, que se transformaram em papagaios de pirata, que só articulam palavras que o manual socialista lhes ensinou recitar. Tentem, com este último, manter um debate minimamente cordial, sensato! Tentem! É melhor falar com uma porta, porque esta pelo menos não dirigirá desaforos por você simplesmente discordar...
Para todos os que tem na história uma escola de aprendizado, devem lembrar bem de como os regimes comunista, nazista e fascista foram construídos. E, por certo, reconhecerão que muitas daquelas táticas de terror estão sendo aqui repetidas, agora sob novas roupagens, com outros brilhos a maquiar e empanar a verdadeira natureza e dimensão monstruosa que aqueles regimes espalharam nos países em que vingaram.
Já próximo dos sessenta anos, e antevendo que o horror que se está instalando no Brasil não se poderá eliminar de uma hora para outra, até porque sua implementação é e foi fruto de um longo processo, não sei se ainda poderei um dia ver nosso país liberto de vez das garras socialistas. O que sei é que, cedo ou tarde, o gigante adormecido acabará despertando e clamando por liberdade. Isto a história das nações nos ensina: não há povo subjugado que silencie sua escravidão pela eternidade. A liberdade está presente em cada alma humana. E ninguém, por mais poder que possa deter, jamais conseguiu impedir que este desejo, inerente em todos os indivíduos, um dia pudesse se manifestar e romper a casca que o aprisiona. É um consolo? Sim, mas pelo menos ele é viável.