domingo, setembro 05, 2010

Salvo surpresas no caminho

Paulo de Carvalho Deotti

Salvo surpresas no caminho, é a economia que está decidindo a eleição.

Crédito farto, facilidade de compra de imóveis, emprego e renda em alta, ganho do salário mínimo e Bolsa Família.

O brasileiro está consumindo mais, o que há tempos não tinha condição e nem sonhava consumir.

A pergunta que todos fazem: Será mérito do Governo Lula?

Generalizando: a grande maioria, 80%, acham que sim. É evidente.

Outros 15% são os "cumpanheiros ",que não só aprovam como tem o Lula como o maior estadista que o Brasil já teve.

E finalmente 5%, aí eu me incluo, que procurou a resposta pesquisando a política através da imprensa e principalmente na Internet, todos os dias e durante um longo período, e tem uma noção da realidade totalmente diferente.

Como todos os governos com grande popularidade, as mentiras de tão repetidas, passaram a ser verdades; assim dizia Goebbels, Ministro de Hitler.

Só com o tempo é que "a casa cai".

Lula foi torneiro mecânico, trabalhou três anos e sofreu um acidente. Em vez de voltar a trabalhar,subiu num palanque e nunca mais desceu.

Super inteligente, uma astúcia política fora do normal e vários anos improvisando seus discursos para uma plateia cada vez maior, Lula está conseguindo o que quer.

Depois de perder três eleições, em 2002 virou o disco e na famosa "Carta aos brasileiros" se comprometeu a seguir as orientações do Plano Real, que até então combatia.

Ganhou a eleição e felizmente cumpriu o que tinha prometido. Não mudou nada do Plano Real.

Mas, de importante não fez quase mais nada. Até a "Bolsa Família", "Luz para todos" que são seus feitos tão divulgados, foram criados no governo anterior.

O " PAC " é o maior engôdo do seu governo. Já foi criado o 2º sem sequer o 1º ter atingido um índice mínimo de realizações.

Está aumentando a "máquina estatal" absurdamente, fazendo mais "cumpanheiros" e o que acho mais grave de tudo: aumentando a dívida interna em proporções alarmantes.

A principal oposição ao atual governo faz uma campanha para sua sucessão, jogada de marketing, baseada na continuidade, porém, com maior experiência. Ora, então é preferível a pessoa indicada por Lula, deduzirão os brasileiros.

Espero que corrijam essa campanha e usem uma forma de mostrar ao brasileiro o que está realmente acontecendo.

Eu acho que todos os partidos, sem distinção, tem pessoas corruptas que vêem na política uma forma de enriquecimento pessoal.

Quando o Brasil conseguir se livrar de pessoas assim, aí sim, haverá uma mudança significativa.

A EDUCAÇÃO plena talvez consiga reverter esse quadro, mas tem que começar na escola e toda a sociedade tem que parar de achar que para tudo tem um jeitinho.

Temos que parar com a corrupção primeiro no nosso convívio. Não pode dar um dinheirinho para o guarda, não pode pedir uma bolsa numa faculdade sem merecer, não pode querer levar vantagem em tudo.

Quando formarmos uma geração livre desses conceitos errados , aí sim estaremos trilhando um caminho certo rumo ao patamar de país de primeiro mundo!

O dia três de outubro está chegando. Será uma oportunidade de darmos um passo para reverter essa situação.

*****COMENTANDO A NOTÍCIA:
Nesta mesma edição, postamos um artigo em que desmente parte da tese do Paulo Carvalho, e que a maioria dos analistas endossa, mostrando que não apenas fatores econômicos influenciam esta ou outras eleições. Muito se lê e se ouve afirmações que colocam a economia positiva do país como único elemento justificador para a provável vitória de Dilma Rousseff. No artigo em questão, deixamos claro que uma eleição pode ser decidida pela manipulação fraudulenta de pesquisas eleitorais, e apontando um exemplo bem real do quanto isto é possível. Não descartamos a influência que a economia exerce sobre as escolhas dos eleitores. Nada disso. Mas uma pesquisa condicionada a produzir um resultado predeterminado, repetida em sequencia pode se tornar um elemento de forte apelo para induzir o eleitor a um julgamento equivocado de que este ou aquele candidato conta com o apoio crescente da maioria .

Afora este reparo, o artigo do Paulo Carvalho é muito bom e serve para nos fazer refletir sobre nossa realidade política, o quanto de mentira e mistificação está sendo jogado para o eleitor que, seduzido até por não ter acesso à informação - caso da maioria dos eleitores - acaba induzido a fazer uma escolha equivocada. Mas aí já será tarde.