quarta-feira, junho 27, 2007

Primeira Edição

Matérias publicadas na primeira edição:

TOQUEDEPRIMA...

Real acumula valorização de 34% desde 2004

Após fracasso do G-4, Brasil se prepara para Mercosul

Outros emergentes lançam plano e dividem G20

Grupo britânico compra Serasa por R$ 2,3 bilhões

TOQUEDEPRIMA...

Guerra de teles e TVs trava setor eletroeletrônico

Brasil adota as 10 'leis' do Vaticano

Escolaridade afeta diretamente o PIB

Jovens sem história

TRAPOS & FARRAPOS...

UM PAÍS COM DOIS POVOS.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

A última reportagem que publicamos na primeira edição de hoje do COMENTANDO A NOTÍCIA, tratava da questão da educação, e demonstrava o quanto o prazer da leitura anda distante das escolhas dos jovens brasileiros. Pelo menos, de sua maioria.

Se a gente tomar por base o número de universitários em relação à população jovem, saberemos que se trata de uma minoria. Então, quando 20% desta minoria sequer tem na leitura sua ação predileta ou prioritária, imagine-se logo o restante que estão fora das universidades !

Onde estamos querendo chegar ? Nas pesquisas que estão sendo realizadas, há um foguetório intenso em torno da popularidade de Lula, da aprovação do governo medíocre que ele realiza ser recorde, que o assunto “apagão aéreo” além de pouco conhecido está perdendo interesse, que o povo aceita ter apenas Lula comandando o país por entenderem dispensáveis Câmara e Senado, e por aí afora.

Sobre os dados estatísticos, ainda se debruçam para tentarem entender do por quê, diante de tantos escândalos, a popularidade de Lula sequer fica arranhada.

Já em 2006, durante a campanha eleitoral, mesmo diante de casos escabrosos de corrupção e incompetência, sequer todo o lixo era remexido nos bate papos. Por quê?

Eis aí a constatação: o brasileiro não lê nem quando é obrigado, muito menos ainda, para se informar sobre o que se passa no quintal do seu país.

Se vocês observarem bem, perceberão no transporte lotado do início da manhã e do final da tarde, que a maioria sequer leva um jornal, uma revista, um livro como meio de distração. Isto, nos países de primeiro mundo, seria impensável. Pelo contrário, são poucos os que lotam metrôs, ônibus e trens, que ali não estão lendo alguma coisa.

Isto nos leva a concluir que, toda a popularidade de Lula, até a aprovação de seu governo, é fruto sim de uma colossal desinformação do povo brasileiro. Faça-se qualquer enquete, sobre os assuntos mais corriqueiros e que estejam “bombando” na mídia. Pouco além de 30% dos consultados terão tomado conhecimento deste ou daquele assunto. Talvez se a matéria tratar de futebol, a depender do universo pesquisado, os índices de informação serão maiores. E podem incluir aí as telenovelas. Mas se o pesquisador tentar abordar um escândalo, um projeto em discussão no Congresso, acreditem, o índice de conhecimento será bastante baixo.

E aí se percebe que o Brasil é um país realmente dividido entre o poder de um lado, que cuida de se abastecer e enriquecer com a riqueza do país arrecadada nos impostos, e outro, a da imensa maioria que trabalha, paga impostos, tenta sobreviver, e vive para sustentar a camada do poder. Você dirá: é só isso ? É, por mais doloroso que isto possa parecer, o país ainda não conseguiu tornar-se uma comunidade de cidadãos, em busca de objetivos comuns. Cada um ao seu modo, tenta ser feliz, tenta conseguir trabalhar, tenta ser alguém: nos juntamos apenas para discutir futebol e o capítulo da telenovela do momento. E, pelo menos uma vez por ano, tem carnaval. Agora, andam inventando até carnaval fora de época. Teremos mais momentos de “união”. E só. Daí pra frente, só em casamento, batizado, enterro. Ninguém quer se meter com política, ninguém quer se incomodar em cobrar do deputado, do senador, do vereador ou do prefeito algum direito, ou alguma atenção para os problemas da comunidade. De quando em quando, aparece algum jornalista dando soco na mesa, metendo a boca no trombone. Irremediavelmente, ele acaba ou na Câmara de Vereadores ou na Assembléia. Muitas vezes, uma coisa sucede a outra. E ficamos por aí.

Reparem no condomínio do prédio da esquina. Vá lá e tente saber do síndico como são as reuniões de condôminos. Grande parte dos “proprietários” sequer dão as caras para tratar dos assuntos relativos ao seu interesse de valorizar e preservar seu próprio patrimônio. E isto acaba sendo a cara do próprio país.

Votamos porque somos obrigados. Se fosse facultativo, a abstenção seria enorme, e acabaria por demonstrar o quanto estamos alienados e distantes de exercer nosso direito e até o dever de influir nos destinos do país em que nascemos, moramos e vivemos. Por isso, não me espanta os resultados das tais pesquisas de opinião. Na verdade, elas são prova provada de um descaso preocupante de um povo em relação ao Brasil.

Claro, você, amigo leitor, que está lendo este artigo, talvez tenha motivos para discordar. Saiba, porém, que você é uma parcela ínfima da população que consegue ler. É um talvez 10,0% daqueles que se pode dizer ou classificar de “bem informados”. O restante, os 90,0 % de desinformados, formam um exército de “apenas” 162 milhões de brasileiros. Sem dúvida, é muito desinformado para um país com os problemas que temos para enfrentar e resolver.

Portanto, não estranhe nenhum um pouco o resultado das pesquisas. Leia não aquilo que foi perguntado, mas o quanto representa de atraso e de falta de cultura, de educação e de cidadania que se estampa no resultado final. E creia ainda mais que, para aqueles realmente preocupados, com retidão de propósitos, que ficam preocupados com tais “resultados”, existem uma camada enorme de pessoas para as quais tais “resultados” fazem uma tremenda festa. São os apóstolos da mediocridade: formam o contingente de uma elite, tanto política quanto econômica, para quem, quanto maior nossa alienação, maior e mais longo será o reinado de suas indecências. Quanto menos os preocuparmos, quanto menor a cobrança que lhes fizermos, menos preocupações eles terão. Poderão continuar por um bom tempo a governar-nos da forma imoral como há muito tempo têm feito. Continuaremos a ser seus escravos e a servi-los na sua ganância e promiscuidade.

Infelizmente, constatamos, de forma dolorosa, que o Brasil é feito por brasileiros, alguns poucos, que se acham seus donos, e pela imensa maioria, que são os outros, para quem o país ainda não lhes pertence. Aqui, nestes rincões da América, vivem e moram dois povos. Um, imenso, que trabalha, tenta levar o barco, mas que nasceu para servir o outro, pequeno, privilegiado, que vive de se servir e ser servido pelo outro. Talvez um dia ainda nos tornemos uma nação. E o marco divisório desta transformação será quando o povo menor entender que sua existência só se justifica a partir do momento em que ali está para servir o povo maior. E neste dia, por favor, me avisem: desejarei ser brasileiro também. Quero reclamar minha cidadania.

O antigo xerife já não sabe prender

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

É provável que os mais velhos da tribo tenham roubado com a mesma volúpia, em ritmo igualmente intenso. Mas não dispensavam cautelas aparentemente revogadas pela nova geração de bandidos federais. A desenvoltura de uns e outros trai o atrevimento dos crentes na eterna impunidade. Mas os antigos delinqüiam com alguma discrição, evitavam deixar rastros e, surpreendidos por acidentes de percurso, recorriam a um estoque de álibis forjados com método e minúcia.

O desempenho dos sucessores informa que nem a bandidagem engravatada escapou dos estragos provocados pelo advento da Era da Mediocridade. Sabe disso o senador Romeu Tuma, que convive com a nova safra depois de ter conhecido de perto, como delegado e, mais tarde, superintendente da Polícia Federal, os craques da velha guarda.

Quando caçava bandidos, Tuma sabia que, se fosse encarregado de seguir o dinheiro exportado por um Paulo Maluf, não iria além de descobertas geográficas. Descobriria, por exemplo, que as Ilhas Jersey existem mesmo. Têm até bancos. Mas também descobriria que o dinheiro já não estava lá. E ouviria do pecador profissional juras de inocência capazes de comover um carcereiro de campo de concentração.

O xerife sabia que era muito difícil reunir provas que pudessem levar à cadeia malfeitores cinco estrelas. Mas sempre tentava. O corregedor-geral do Senado sabe que poderia juntar montanhas de evidências sem sair do gabinete. Mas o xerife foi demitido pelo político. Tuma agora se dedica a absolver liminarmente pecadores amigos e livrar do castigo meliantes de estimação. Sorte da bancada dos fora-da-lei.

O chefão da Polícia Federal, por exemplo, demoraria poucas horas para tornar inevitável a aplicação de sanções aos senadores Renan Calheiros e Joaquim Roriz. (Em seguida, espantado com o amadorismo do elenco, incumbiria algum estagiário de concluir a investigação). Em dois dias, implodiria as histórias contadas por Calheiros e Roriz para safar-se de punições.

Para justificar ganhos financeiros inverossímeis, Calheiros engordou e vendeu, em menos de 15 dias, milhares de reses imaginárias. Roriz, confrontado com a divulgação de uma conversa telefônica, gravada pela Polícia Federal, que escancara sua participação num esquema de desvio de dinheiro do Banco de Brasília, também buscou refúgio no mundo rural.

Jurou que, da bolada de R$ 2,3 milhões, embolsara apenas R$ 300 mil. A quantia lhe fora emprestada pelo empresário Nenê Constantino, que subscreveu o cheque milionário. E o restante? Seria devolvido ao dono da Gol, garante Roriz. O senador tem dinheiro para emprestar, mas preferiu tomá-lo emprestado. Para comprar uma vaca. Talvez inspirada pela mansidão bovina dos brasileiros, talvez por falta de imaginação, essa gente só pensa em gado.

Tuma já mostrou que lida bem com rebanhos suspeitos. Nos anos 80, quando o fiasco do Plano Cruzado operou o sumiço de maminhas e picanhas, o presidente José Sarney confiou ao delegado a missão de localizar animais escondidos por pecuaristas insensíveis. O vaqueiro improvisado logo emergiria nas primeiras páginas, pilotando boiadas no lombo de um cavalo. A carne bovina continuou em falta, mas muita gente gostou daquilo. E o detetive dos campos virou senador.

Com as portas arrombadas pelas acusações a Renan Calheiros, o saloon do Senado exibiu-se por inteiro aos olhos dos brasileiros. Na única mesa reservada aos mocinhos, nunca passam de meia dúzia as cadeiras ocupadas. Pedro Simon e Jefferson Peres sempre estão por lá. Tuma andou aparecendo no início do mandato. Há muito tempo prefere outras mesas.

No momento, só freqüenta a dos amigos de Renan.

A Choldra Paga a Conta e Ganha Meio Voto

Elio Gaspari, Jornal O Povo (Fortaleza/CE)

Sob a máscara de "reforma política", será posto em votação na Câmara dos Deputados o maior esbulho eleitoral já praticado desde o Pacote de Abril de 1977, que entregou um terço do Senado a uma raça de sem-votos, denominados biônicos. Agora, pretende-se entregar metade da Câmara e das Assembléias ao comissariado das tendências e direções partidárias.

Hoje, o contribuinte escolhe seus candidatos para representá-lo nas câmaras legislativas. O projeto petista, que tem o apoio dos Democratas e do PMDB, mutila esse direito e institui um novo tipo de voto. Chamam-no de "lista flexível". No sistema vigente, a preferência do eleitor vai para um panelão onde estão todos os outros candidatos do mesmo partido. Aplicado um quociente que relaciona o total de votos dados à sigla, elegem-se os que tiveram melhor desempenho. Disso resulta que em muitos casos vota-se em Delfim Netto e elege-se Michel Temer. A esse sistema defeituoso, pretende-se aplicar um remédio que transfere aos comissários o direito de decidir a composição de metade das bancadas do legislativo.

O cidadão será obrigado a escolher primeiro o partido de sua preferência. Se for petista, digitará o número 13. Caso queira escolher um candidato (para compor metade da bancada), deverá proceder a uma segunda digitação, explicitando o número do seu preferido, por hipótese, 1313. Como todos os candidatos petistas têm os mesmos dígitos iniciais (13), o que se pretende é dificultar o voto nominal.

Como se a choldra tivesse o direito de escolher o partido mas, caso quisesse um nome, teria que coçar o nariz quatro vezes. A segunda metade das câmaras legislativas sairia de uma lista fechada. Os defensores do pacote sustentam que esse tipo de voto fortalece os partidos, dando-lhes mais músculos. Falso.

O artigo 6º da proposta fortalece apenas os atuais deputados, presenteando-os com o direito de encabeçar a lista. Num exemplo, da chapa petista de São Paulo, os deputados João Paulo Cunha, mensaleiro absolvido pelos pares; e Arlindo Chinaglia, presidente da sessão que pretende votar a "reforma", estariam automaticamente reeleitos, sem sair de casa. Na atribulada história do Parlamento brasileiro, jamais houve caso tão escancarado de prorrogação de mandatos. Admita-se que o cidadão é um petista de carteirinha e tem fé nos comissários. Ele acha isso natural porque pretende fortalecer a estrela vermelha. Aí entra o aspecto cínico da "reforma". Ela cria "federações de partidos". Nesse caso, o petista vota no 13, mas poderá eleger um candidato do PC do B, caso ele se tenha coligado com o PT.

Mesmo assim, pode-se sustentar que a nação petista decidiu formar uma federação com o PC do B, e isso faz bem à democracia. Falso. O projeto admite que os partidos façam um varejo de coligações, em todos os níveis. Nada impede que o PT, ou o PMDB, faça uma sociedade com o PC do B em São Paulo, enquanto em Alagoas ele se alia ao PTB de Fernando Collor. Seria o caso de se propor uma emenda ao projeto. A patuléia passa a pagar só os salários do parlamentares em quem pode votar (a metade).

Os demais iriam buscar o seu com os comissários.

TOQUEDEPRIMA...

*** Sumiu o perito de Mônica
Cláudio Humberto

O perito Aidano Faria está desaparecido. Há dois meses não aparece nem em sua própria casa. Ele foi contratado pelo advogado de Mônica Veloso, segundo a revista IstoÉ, para atestar a autenticidade das gravações dos telefonemas dela para Renan Calheiros, durante o relacionamento dos dois. A revista informou que o grampo foi usado para chantagear o senador. Ela e o advogado negam a gravação, a chantagem e até a contratação do perito.

O perito Aidano Faria admitiu ter feito cinco laudos sobre autenticidade das gravações telefônicas, todos endereçados ao advogado de Mônica Veloso.

No site da OAB, o telefone do advogado Pedro Calmon Mendes ("Pedro Calmon Filho") é o mesmo do advogado e perito Aidano Faria: 3248-4402.

Há alguns meses, o perito Aidano Faria foi vítima de atentado em seu sítio, em Planaltina (DF). Dos cinco tiros, dois atingiram-lhe o braço de raspão.

*** Longe dos tiros. De novo ?

O governador Sérgio Cabral dá outro rolé: viajou para Portugal e Espanha, longe dos tiros e buracos surgidos esta semana no caminho do Pan.

*** Acidente da Gol: a FAB silencia

A Aeronáutica e a empresa aérea Gol optaram por um silêncio perturbador, ontem, sobre a nova versão para o acidente que matou 154 pessoas em setembro: o Boeing teria se desintegrado no ar e o Legacy atingido por uma parte dos destroços. O silêncio faz sentido: a hipótese - levantada por agentes de Inteligência militar - mudaria totalmente a configuração da crise aérea. Mudaria também o tratamento dado à sabotagem dos controladores.

*** 76% da população diz que violência está fora do controle, afirma pesquisa

De acordo com pesquisa realiza pela CNT/Sensus, 76% da população brasileira acredita que a violência está fora do controle no país. Mais de 30% dos entrevistados se sentem ameaçados por assaltos ou tráfico de drogas, 9% por estupro e 7% por seqüestro.

Segundo o levantamento, 31,6% disseram que moram em cidades violentas, 37,9% afirmaram que vivem em locais nada violentos e 29,7% declararam que estar em um lugar mais ou menos violento.

*** Dívida externa cresce US$ 6,9 bilhões em abril

O Banco Central divulgou nesta terça-feira que a dívida externa brasileira subiu para US$ 182,8 bilhões em abril, um aumento de US$ 6,9 bilhões ante março. Os débitos de médio e longo prazo apresentaram redução de US$ 2,4 bilhões, totalizando US$ 145,4 bilhões, enquanto a o total a ser pago em curto prazo ampliou-se em US$ 9,4 bilhões, atingindo US$ 37,4 bilhões.

A razão para o aumento de US$ 9,3 bilhões na dívida em curto prazo decorre de operações interbancárias, que registraram aumento de US$ 8,5 bilhões nas obrigações em moedas estrangeiras, apuradas nos balancetes dos bancos comerciais.De acordo com o banco, as reservas internacionais brasileiras estão próximas à dívida externa de médio e longo prazo, somaram US$ 144,22 bilhões em 22 de junho. No entanto, ainda é preciso verificar se dívida se manteve estável em maio e junho.

*** OAB pede que Calheiros se licencie da presidência do Senado

O presidente em exercício da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Vladimir Rossi Lourenço, pediu nesta terça-feira que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se licencie do cargo e se submeta às investigações da Casa."Não é possível que ele vá continuar estendendo essa situação, escondendo-se atrás de duas situações novas: a ausência de um senador para atuar como relator do caso e as denúncias recentes contra Joaquim Roriz - também do PMDB -, que não podem servir de desvio de foco", afirmou Lourenço.

Segundo a OAB, é preciso que o Senado funcione. "É preciso que os fatos sejam apurados e, no caso específico dele, presidente do Senado, é preciso que ele se licencie do cargo de presidente e se submeta ao Conselho de Ética."

*** CNT/Sensus: 74% desaprovam lista fechada

De acordo com a pesquisa CNT/Sensus, mais de 74% da população é contrária à lista fechada, 16% é favorável e 9% não sabe. Se o sistema fosse adotado, 43% das pessoas não votariam em nenhum partido.

Entre os que escolheriam um partido, 21,4% votaria no PT, 10% no PMDB, 7,7% no PSDB, 3,1% no PDT e 2,8% no Democratas. PSOL, PTB e PV somam juntos 3%. As outras siglas juntas não somam 1%.

Quanto ao financiamento público de campanha, 75,2% dos entrevistados disseram que são contrários, sendo 18,7% a favor e 6,1% que não responderam.
Orgulho e vergonha
O levantamento ainda perguntou sobre o que mais envergonha e o que mais orgulha os brasileiros. A corrupção é o que há de mais negativo no país para cerca de 40% dos brasileiros. A violência envergonha 17% e a pobreza 12%.

Segundo a pesquisa, 25,7% da população se orgulha das riquezas naturais do país, a solidariedade do povo faz 19,5% dos brasileiros se orgulharem e a ausência de guerras 18,4%.

*** Acusado dos desvios no BRB era da assessoria de Roriz
Folha de S.Paulo

Acusado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal de ser um dos pivôs do esquema de desvio de verbas do BRB (Banco Regional de Brasília), o major da Aeronáutica Fabrício Ribeiro dos Santos trabalhou em 2005 e 2006 como assessor especial do governo do Distrito Federal, comandado na época por Joaquim Roriz, hoje senador.

De acordo com as investigações da Operação Aquarela, Fabrício trabalhava diretamente subordinado a Maurílio Silva, chefe da assessoria especial do gabinete do então governador Joaquim Roriz (PMDB-DF).

Fabrício é apontado nas investigações como o verdadeiro dono da ONG Caminhar -a principal responsável pela prestação de serviços fictícios ao BRB. Esses serviços eram remunerados pelo banco e os valores depois eram divididos entre os acusados de integrar a organização criminosa.

*** Contrariado, PT tenta reverter entrega de cargo
Folha de S.Paulo

O PT tentou reverter até o último momento a renúncia de Sibá Machado (PT-AC) à presidência do Conselho de Ética por avaliar que ela agravaria a crise vivida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na noite de ontem, o Planalto via com preocupação a saída de cena de Sibá, pois julgava ser um indicativo de que perdera o controle de sua base de apoio na Casa.

No final da tarde, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), foi chamado às pressas para uma reunião com Sibá e outros senadores a fim de tentar convencê-lo a ficar no posto e não votar hoje o relatório de Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

Entre voltar atrás e renunciar, Sibá optou pela segunda atitude, contrariando o PT e o Planalto. Motivo: o PMDB do Senado, sobretudo Renan, sente-se abandonado por seus companheiros de coalizão.

A vergonha fora de moda

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

A jornalista Mônica Veloso comunicou aos interessados, em entrevista, que está em ponto de bala para estudar proposta para posar nua em pêlo para revista especializada no gênero.

Certamente que ninguém tem nada com o uso que cada um faça do seu corpo. E fotos em poses sensuais de artistas, vedetes, esportistas ou jovens de plástica exuberante são remuneradas com fortunas de fazer inveja a quem viva de salário da classe média, empurrada pela política econômica do maior governo do mundo para as fronteiras da pobreza.

Mas a candidata a ficar pelada no estúdio para ganhar o que não fatura em um ano catando notícias é a estrela do escândalo que rola há mais tempo do que a crise da vergonha do Congresso. E, sem solução à vista.

Na nossa vexada indignação, soa como a nota exata para a afinação do episódio galante no seu exato nível de exibição chinfrim por elenco mambembe.

Insinua manobra urdida com a dose maciça de esperteza de quem conhece as fragilidades do alvo. Salta aos olhos mais desatentos que a última coisa que o galã da novela imprópria para menores - senador, presidente do Senado que preside o Congresso, quarto na linha sucessória da Presidência - desejaria ver é a mãe da sua filha de 3 anos, a única verdadeira vítima do enredo sujo, posando nua, em acrobacias sensuais, nas páginas de revista que não costuma ficar exposta em casas de família.

O senador Renan Calheiros não conseguiu fechar as muitas explicações sobre a origem dos recursos com que pagou a pensão para a filha da sua relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso. E, pelo visto, não fechou as contas da dívida. Nem com a mãe da sua filha ou com a sociedade e com os eleitores alagoanos que o vêm distinguindo com sucessivos mandatos.

O risco à vista chega ao noticiário precisamente quando outro escândalo graúdo ocupa largo espaço no noticiário do Legislativo, sem ter nada mais o que fazer.

A estatura do acusado pela nova tramóia não se compara à do presidente do Senado. Mas o senador Joaquim Roriz, girassol do ramalhete do PMDB, pode orgulhar-se de uma ficha política tão opulenta como o seu prontuário: quatro vezes governador do Distrito Federal e envolvido em mais de 60 processos no Tribunal de Justiça do DF, em 28 deles como réu. Destaque para o que rola no Supremo Tribunal Federal (STF), sob segredo de Justiça, encaminhado pelo Ministério Público Federal, por improbidade administrativa, jargão forense para a vulgar roubalheira.

O espertíssimo dono dos votos brasilienses, com habilidade mágica para escapar de processos, caiu como um canário tonto no alçapão da Operação Aquarela, do Ministério Público e das polícias federal e civil de Brasília, que gravou a sua conversa com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Tarcísio Franklim de Moura, em 13 de março deste ano, em que negociava o rateio do resgate do cheque de R$ 2,2 milhões, emitido por Nenê Constantino, dono da Gol, e descontado no BRB.

Na tentativa de justificar a história escabrosa, o senador Roriz produziu um enredo de causar inveja ao célebre barão das potocas. Alega que pediu o dinheiro emprestado para pagar, no dia seguinte, R$ 271,3 mil por uma bezerra de raça Nelore, arrematada em leilão por R$ 531 mil, mas que paga até aquela data, teria o desconto fantástico de 49%, R$ 260,6 mil.

O PSOL não acreditou na delirante fantasia do senador peemedebista e deve entrar com uma representação no Conselho de Ética do Senado por quebra do decoro parlamentar.

Como tampão para a vasta pauta de vergonhas que se acumulam nos cantos do Congresso, como o lixo das mordomias e privilégios, até aqui, com as exceções de praxe, a diligência da maioria oferece a reforma política, nas doses homeopáticas do financiamento público de campanha e do voto em lista fechadas.

É como tratar doente desenganado com emplastro doméstico de linhaça da receita da vovó.

Corrupção, a vergonha nacional

Um dos pontos citados na pesquisa CNT/Sensus, o "orgulho de ser brasileiro" causou reações adversas e abriu brechas para a população mostrar as feridas do país. Riquezas naturais (25,7%), solidariedade (19,5%) e ausência de guerras (18,4%) lideram o ranking dos pontos positivos mencionados pelos entrevistados. Mas os percentuais estão muito abaixo dos obtidos pela maior mazela nacional.

Segundo a sondagem, para 41,3% a corrupção é o principal motivo de vergonha. Em seguida, aparecem a violência (17,1%) e a pobreza/miséria (12,7%).

- A corrupção e a violência têm elos. A meninada da rua olha para cima e vê que lá, na cúpula, as autoridades roubam - disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). - Então, se perguntam: por que não podemos fazer também?

A grande maioria (76,1%) acredita que a violência está fora de controle, 38,4% apontaram o medo de assalto em casa ou na rua como a maior ameaça e 31,6% consideraram as suas cidades violentas ou muito violentas. Para o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, o governo foi omisso desde o primeiro mandato de Lula na área de segurança pública.

- Não houve programas consistentes ao longo dos quatro anos do primeiro mandato. Lula tem colocado a segurança pública, um problema nacional, mais na conta dos governadores do que no do governo federal.

Nem o caso Vavá foi capaz de mudar a avaliação da população sobre o governo e o presidente. Para 75,1% dos entrevistados, há consistência nas denúncias contra o irmão de Lula, indiciado pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência na esteira da Operação Xeque-Mate. Só 15,2% não acreditam nas denúncias. A sondagem revela ainda que cerca de 74% já ouviram falar do assunto ou acompanham a repercussão pela imprensa.

Para 70,7%, o caso foi negativo para o governo Lula. Consenso entre os cientistas políticos, o fator que contribuiu para que Lula se mantivesse imune aos recentes casos suspeitos de corrupção no governo foi o carisma citado pelo presidente do Sensus, Ricardo Guedes. Os especialistas dizem que Lula cada vez aperfeiçoa mais o tino político e aprende a se desvencilhar de situações que o constrangem.

- Lula se comunica muito bem, tem uma linguagem autêntica e está mais para mito do que presidente - declarou Tadeu Monteiro. - E tem sido muito hábil em impedir que os escândalos cheguem a ele.

A crise aérea, que parece longe de ser solucionada, foi outro tema que surpreendeu. Dos entrevistados, 77,9% acompanham o assunto. Do total, 58,8% disseram que o governo tem condições de resolver a situação. Há um empate técnico entre os que desejam o controle de tráfego aéreo nas mãos de civis ou militares. (L.M.)

Decisão embaralhada e ruim

Carlos Sardenberg, Portal G1
Ao definir a meta de inflação para 2009, hoje, o Conselho Monetário Nacional fez a mesma confusão que o presidente Lula fizera na semana passada, em entrevista ao jornal Valor Econômico (21/06).

Perguntado se queria manter a meta de inflação dos últimos três anos (4,5%) ou reduzi-la, Lula disse então que era favorável aos 4,5%, pois o Brasil já fizera muito sacrifício para chegar até aqui.

Os jornalistas lembraram, então, que a inflação corrente estava em 3,5%, de modo que uma meta de 4,5% poderia sinalizar que o governo estava optando por “inflacionar”.

Foi aí que Lula usou aquela tática de flexibilizar suas declarações, de dizer que é assim, mas pode ser assado. E fez a mistura hoje endossada pelo CMN.

O presidente começou dizendo que “se mantivermos uma inflação de 4,5% ou 4% por dez anos, será uma benção para o país”. E já indicou que uma meta de 4,5% não é assim para cravar. Acrescentou ainda: “você pode ter 4,5% ou 4% como meta mas reduzir (a inflação) a 2%”.

De modo que a pessoa pode perguntar: mas afinal qual é a meta de verdade? Pode-se fazer a mesma pergunta depois da decisão de hoje do CMN.

O Conselho confirmou a meta de 4,5% para 2008 e decidiu que, para 2009, também será de 4,5%, como queria o ministro Guido Mantega. Mas na entrevista após a reunião, Mantega disse e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, explicou que o objetivo do BC para 2008 e 2009 é, na verdade, de 4%.

Precisava dizer isso porque a inflação corrente é de 3,5% e as expectativas para os próximos dois anos são de inflação de 4%. Se cravada a meta de 4,5%, isso indicaria ao mercado e aos agentes econômicos (investidores, poupadores e consumidores) que o governo tolerava e até estimulava uma alta da inflação.

Então, ficamos assim: o centro da meta de inflação para este e os próximos dois anos é de 4,5%, com tolerância de dois pontos para cima ou para baixo. O intervalo, portanto, vai de 2,5% a 6,5%, amplo o suficiente para absorver choques.Mas o objetivo do BC para os próximos dois anos é inflação de 4%. E, segundo o presidente Lula, pode ser ainda menor.

Tudo arranjado para não desmentir Lula e para acomodar as posições de Mantega (pró-4,5%) e de Paulo Bernardo e Meirelles (pró-4%).

Má decisão. Essas coisas têm que se claras e firmes.

Além disso, os demais países têm meta de inflação entre 2% e 3%. Perdemos uma boa oportunidade de aproveitar uma inflação já baixa e cravar esse patamar sem necessidade de sacrifícios adicionais.

As malditas lições da política

Editorial do Jornal do Brasil

A história recente mostra que o país já pagou preços altos pelo abandono das instituições por seus dirigentes. Assim como é difícil recuperar mendigos renitentes, é penoso resgatar organizações ultrajadas por pretensos protetores e depois expostas a espancamentos de brutamontes de ocasião e à exploração dos oportunistas de sempre. O caso do Congresso é exemplar. Sangra pelos mais recentes maus-tratos sem que ainda tenha cicatrizado as feridas do passado.

Em uma sucessão de providências canhestras, a Casa tenta abafar as investigações sobre as finanças de seu presidente, o senador Renan Calheiros, que teima em se manter no cargo. Não bastasse isso e o também senador Joaquim Roriz é flagrado em bizarra comunicação com um banqueiro sobre um negócio bilionário mal explicado. Para piorar, é só lembrar o fato de que o Tribunal Superior Eleitoral analisa a cassação de mandato de quatro senadores e 25 deputados federais eleitos em outubro de 2006.

Está recorrente protestar contra a impunidade com que são agraciados suspeitos, acusados, processados e sentenciados no Brasil, mas talvez poucos percebam que a conseqüência é uma sensação generalizada de que a lei não é igual para todos. Não se trata apenas do antigo estigma de que o dinheiro pode tudo, mas também a vigência do código das ruas, pelo qual sempre se deve obedecer ao ocupante do poder arbitrário. Que outra explicação há para episódios bárbaros como o espancamento de uma doméstica por cinco jovens desocupados em um ponto de ônibus na Barra da Tijuca?

A epidemia de violência nas grandes cidades (causa de vergonha para brasileiros, como comprova recente pesquisa CNT/Sensus) e a falta de rumo da juventude em todas as classes sociais já se tornaram banais.

No episódio da Barra da Tijuca, tentou se explicar o crime informando que os agressores confundiram a vítima com uma prostituta - como se o país tivesse regredido à época em que a mulher era surrada de acordo com a vontade do proprietário masculino. Infelizmente, trata-se de algo talvez mais perigoso do que o machismo. O que de fato agrava o quadro de desorientação de valores não é apenas a certeza da impunidade ou o privilégio de alguns cidadãos. Afinal, de onde vêm as lições de barbárie aprendidas por esses jovens? De onde tiram a sensação da impunidade?

Uma das fontes mais fartas de referências péssimas é o desempenho de alguns dos eleitos nas urnas. Como se nota, o Senado hesita em resolver seus problemas internos com a aplicação do Código Penal.

Os parlamentares parecem depositar esperança no surgimento de uma mágica regimental que apague suspeitas e estabeleça um faz-de-conta providencial sobre os representantes do poder popular. Desse modo, essa Casa doutrina a juventude do país para o mal. Ensina que a negociação privada está acima da lei e que qualquer acordo é melhor do que obedecer à norma estabelecida.

Tal espancamento institucional só é praticado porque há uma fé inabalável na memória curta do eleitor que cravou seus nomes nas urnas eletrônicas por acreditar que poderiam servir de exemplo do bem, jamais do mal maior. Pode o Senado, e a Câmara, lecionar matéria diferente do que a apologia da impunidade, a defesa do privilégio, o gosto pelo acordo e a aposta na desmemória? Claro que pode. Mas quer?

Jovens sem história

Fernanda Aranda, do Jornal da Tarde

Pesquisa da CIEE aponta que 1 em cada 5 destes jovens não lê

SÃO PAULO - O papo é sério e o quadro é grave. Uma pesquisa do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) revelou que cerca de 20% dos universitários da Região Metropolitana de São Paulo não têm o hábito de ler. Isso significa que uma em cada cinco pessoas que freqüenta alguma faculdade, seja pública ou particular, vive afastada do mundo da leitura.

Foram entrevistados 1.104 jovens do ensino superior. Da parcela que afirmou ler de vez em quando, a Bíblia foi citada como o livro mais influente. No segundo lugar do ranking, a resposta foi típica de concurso de beleza. Como entre as candidatas à miss, O Pequeno Príncipe também está no topo da lista dos preferidos dos estudantes (saiba mais acima).

O resultado do pouco acesso à literatura espantou o próprio coordenador do estudo, Luiz Gonzaga Bertelli. “É um índice lamentável, considerando que o universo da pesquisa é constituído exclusivamente por quem já chegou à universidade”, afirma Bertelli. Para ele, o número de poucos leitores é reflexo da má qualidade do ensino.

A distância entre o livro e as faculdades é exemplificada pelo caso do estudante de Comércio Exterior Augusto de Andrade, 19 anos. Ele coçou a cabeça, olhou para cima, mas não conseguiu lembrar qual foi a última publicação que leu. Augusto até tentou justificar a falta de memória. “A ausência do livro na vida do jovem aparece bem antes. Na escola mesmo, somos muito pouco incentivados”, argumenta.

A adolescente Aila Martins Ferreira, 18 anos, que cursa Publicidade, tinha na ponta da língua a última obra lida: “Foi Intermitências da Morte, de José Saramago”, disse com orgulho. Apesar da resposta rápida, ela confessa que os livros não são seus companheiros constantes. “No bate-papo sobre qualquer assunto, nunca aparece a influência de algum livro”, diz.

De acordo com especialistas, a pouca proximidade com os livros já é cultivada quando o adolescente ingressa no ensino fundamental. “Quando chegam à 5ª série, o livro é apresentado, pelos próprios professores, de uma maneira pouco sedutora. São usados apenas de maneira científica, o que afasta o gosto pela leitura”, afirma Neide Luzia Rezende, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). “Sabemos que, há 50 anos, o livro era a única ferramenta para adquirir conhecimento. Hoje em dia, há uma série de outras alternativas, mas nada substitui as publicações, uma forma consistente do saber”, completa.

As conseqüências para o jovem que deixa o livro de lado, segundo a mestre em Língua Portuguesa da PUC, Dileta Delmanto, é que ele não desenvolve um olhar crítico diante da sociedade - e isso vale para todo tipo de assunto, de política a futebol. “Mesmo a literatura de ficção é uma forma de pensar sobre a vida”, explica a especialista.

Para tentar reverter este quadro, a receita envolve vários ingredientes. Uma delas, apontada pela professora Dileta, é a ‘convergência entre as mídias’. “Quantos jovens não começaram a ler depois de assistir ao Sítio do Picapau Amarelo na televisão ou ao Senhor dos Anéis no cinema?”, questiona a profissional.

Fica, agora, um a expectativa para as gerações futuras. Será que os programas de TV e filmes de Hollywood são serão capazes de encurtar, ao menos um pouco, a distância entre os jovens e os livros?

Cultura universitária em números
680 mil é o total de pessoas que estão matriculadas em alguma faculdade da Região Metropolitana de São Paulo

1.104 universitários de instituições públicas e particulares participaram da pesquisa do CIEE

67% lêem jornal com freqüência. No final do curso, o índice passa para 76%

77% preferem as revistas, quando estão no início da graduação. No final, são 81%

96% utilizam a internet. Da parcela, 84% têm computador em casa e o restante usa na faculdade

Escolaridade afeta diretamente o PIB

Lisandra Paraguassú, Estadão

Em uma geração, País deixa de ganhar R$ 300 bilhões, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto, diz Banco Mundial

Habituados a ouvir dizer que a baixa escolaridade trava o desenvolvimento, os brasileiros têm agora um número calculado pelo Banco Mundial (Bird) que ajuda a provar o tamanho do estrago social e econômico.

Segundo o banco, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deixa de crescer meio ponto porcentual por ano porque um grande contingente de jovens não consegue terminar a escola. Essa porcentagem significa que, em uma geração (40 anos, neste caso), o Brasil deixa de ganhar R$ 300 bilhões, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto.

O estrago e a conta estão no relatório “Jovens em Situação de Risco no Brasil”, divulgado ontem em Brasília. E os custos são muito mais amplos: violência, gravidez precoce, aids, desemprego, abuso de drogas e álcool. Os problemas que cercam os jovens em risco custam caro, tanto em despesas diretas do País quanto no que esse jovens deixam de produzir, para si e para o Brasil.

O diagnóstico do Banco Mundial é duro: “A baixa acumulação de capital humano permite antecipar uma futura geração que não será competitiva nem na região, nem no mundo”, diz o estudo. “Não apoiar os jovens é um custo alto para o País. É um grupo sobre o qual o governo tem de pensar mais”, disse a autora do estudo, Wendy Cunningham, economista sênior do Banco Mundial.

Apesar de uma certa evolução - os jovens brasileiros hoje têm, em média, 8,5 anos de estudo, um a mais do que a geração anterior -, a escolaridade no País é considerada baixa. O estudo mostra que o número de jovens que chegam ao ensino superior no Brasil é o menor da América Latina.

Ingrid Faria Adamo, de 18 anos, parou de estudar em março. Ela cursava o 3º ano do ensino médio noturno quando seu horário de trabalho foi alterado e ela passou a ter de permanecer na empresa de telemarketing até as 21 horas. Enquanto esperava sua transferência para o período matutino na escola, acabou conseguindo trocar novamente de turno no serviço. Ao informar a escola de que poderia voltar a estudar à noite, conta, o diretor disse que ela já havia perdido muitas aulas e provas e que deveria procurar um supletivo. “Ele praticamente me expulsou porque faltei duas semanas”, diz. Hoje, Ingrid - que trabalha desde os 15 anos - ainda procura uma vaga na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o antigo supletivo. “Eu gostava de estudar e quero muito fazer uma faculdade de Arquitetura.'

A cadeia da pobreza
Os R$ 300 bilhões calculados pelo Banco Mundial referem-se diretamente a esse problema: se os jovens brasileiros que deixam a escola completassem apenas o nível de ensino seguinte ao que deixaram de fazer - se um jovem que deixa a escola na 8ª série do ensino fundamental, por exemplo, terminasse o ensino médio -, ele receberia um salário maior. Somados, esses salários (não recebidos) da geração que largou a escola somariam mais R$ 300 bilhões girando na economia nacional.

A pobreza faz com que todos os demais riscos aumentem. Jovens pobres abandonam mais cedo a escola, têm mais dificuldades de encontrar emprego, morrem mais cedo, envolvem-se mais com drogas e correm mais riscos de serem pais ainda muito cedo.

Entre os jovens mais pobres, a taxa de analfabetismo é três vezes a da média nacional. Os que trabalham com carteira assinada representam apenas 1/8 da média do País e 90% dos jovens desempregados vêm de famílias com renda inferior a dois salários mínimos.

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil tem uma das menores taxas de desemprego entre jovens da América Latina. Mas, quando comparada com a dos adultos, é alta demais para um País com o nível de atividade econômica que o Brasil tem.

9,5 milhões
O estudo não quantifica quantos jovens brasileiros poderiam ser considerados em situação de risco. O governo brasileiro trabalha com um grupo de 9,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que estão fora da escola e desempregados. Desses, 4,5 milhões ainda não conseguiram completar nem mesmo o ensino fundamental.

“Esse é o público mais importante. Se atacarmos esses problemas, podemos alcançar os demais”, disse o secretário nacional de Política para a Juventude, Beto Cury.

Colaborou Renata Cafardo

Brasil adota as 10 'leis' do Vaticano

Veja online

Os mandamentos da prática segura de direção no trânsito, divulgados pelo Vaticano na semana passada, foram adotados pela Polícia Rodoviária Federal, como forma de orientação geral aos mortoristas brasileiros. Os números crescentes de acidentes fatais nas estradas do país e o trânsito cada vez mais violento nos centros urbanos têm, preocupado as autoridades do setor. No último fim de semana, dias 23 e 24 de junho, 74 pessoas morreram e outras 697 ficaram feridas em 990 acidentes na malha federal. De 1º de janeiro até este domingo, foram 56.362 acidentes, com 3.088 mortos e 34.221 feridos.

A Coordenação de Controle Operacional da PRF recomendou aos superintendentes regionais que mantenham contato com as dioceses da Igreja Católica e se coloquem à disposição para ações de conscientização. O órgão listou os dez mandamentos divulgados pelo Vaticano e comentou cada um deles, usando estatísticas e recomendações.

• Não matarás
Cerca de 6.000 pessoas morrem anualmente nos 61.000 quilômetros de rodovias federais. Em 2006, foram registradas 6.116 mortes e 66.061 feridos em 109.268 acidentes.

• A estrada deve ser para ti um meio de conexão entre pessoas, não de morte
De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Brasil perde anualmente R$ 22 bilhões com os acidentes de trânsito em rodovias, sendo R$ 6,5 bilhões apenas em estradas federais.

• Cortesia, correção e prudência para te ajudar a superar os imprevistos
Levantamentos da PRF apontam a imprudência como a principal causa da violência nas estradas. A maioria dos acidentes acontece em trechos com pista boa (80,75%), nas retas (69,48%), de dia (59,44%) e com tempo bom (67,05%). • Ajudar o próximo, especialmente vítimas de acidentes

A melhor maneira de prestar auxílio a vítimas de acidente de trânsito é acionar os órgãos competentes: PRF, pelo telefone 191; bombeiros, pelo 193 e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192.

• Que o automóvel não seja um lugar de expressão de poder e dominação, nem de pecado
Excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas são responsáveis pelos acidentes mais graves nas rodovias. São também os campeões de infrações. Em 2006, 445.073 motoristas foram multados por excesso de velocidade.

• Convencer os jovens sem licença a não dirigir
Em 2006, a PRF autuou 2.623 motoristas por dirigirem sob efeito de álcool e 17.914 por circularem com veículos sem as mínimas condições de segurança. Outros 41.625 foram autuados por dirigir sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e mais 61.284 por não estarem com documentos de porte obrigatório. • Dar apoio às famílias que tenham parentes vítimas de acidentes

O motorista envolvido em acidente deve se responsabilizar por seus atos. Se ele não foi capaz de evitar a ocorrência do acidente, deve, pelo menos, arcar com os custos desse acidente.

• Una motoristas culpados e suas vítimas, no momento oportuno, para que possam passar pela libertadora experiência do perdão
Seres humanos erram. Nem todo acidente é fruto apenas da irresponsabilidade e da conduta inconseqüente.

• Na estrada, protegeis os mais vulneráveis
Do total de 2.989 vítimas fatais registradas em 2007, 1.302 (43% do total) eram pedestres, ciclistas e motociclistas. Em 2006, 30.097 motoristas foram autuados por transitar pelo acostamento e 34.287 por conduzirem passageiros sem cinto de segurança.

• Sinta-se responsável pelos outros
Das oito principais causas de acidentes, seis têm relação direta com o motorista, conforme levantamentos da Polícia Rodoviária Federal nos locais de acidentes. São elas: falta de atenção, excesso de velocidade, não manter distância segura, desobediência à sinalização, ultrapassagem indevida e sono.

Guerra de teles e TVs trava setor eletroeletrônico

Valdo Cruz, Folha S.Paulo

A guerra comercial no mundo das telecomunicações tem gerado prejuízos econômicos aos fabricantes de equipamentos para o setor. Diante da indecisão sobre o futuro do setor de comunicações no país, indústrias eletroeletrônicas diminuíram o ritmo de investimentos no país, já que não há uma firmeza nas encomendas de equipamentos.

Diretor da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), Aluizio Birro lembra que os investimentos das indústrias fabricantes de equipamentos para o setor de telecomunicações chegaram a atingir R$ 24 bilhões em 2001, mas devem fechar esse ano em R$ 12 bilhões, mesmo número registrado no ano passado.

Birro sabe que voltar aos R$ 24 bi de 2001 não é fácil, já que naquele ano o mercado estava aquecido por causa do cumprimento das metas de universalização pelas teles. Acredita, porém, que se fossem destravadas algumas pendências o ritmo de investimento poderia melhorar. Ele lembra que em 2005 as inversões de capital no setor foram de R$ 14 bilhões.

Diretor da Nokia/Siemens Network, Birro diz que o setor já agradeceria e muito se a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acelerasse a licitação da telefonia celular de terceira geração (3G) e buscasse solucionar a questão judicial que travou o Wimax (internet de banda larga sem fio). Essas duas áreas já poderiam aquecer novamente o mercado de equipamentos.

Congresso e a guerra "teles versus TVs"
A preocupação com o travamento do setor não está apenas na indústria eletroeletrônica. Está também na agenda da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, que decidiu assumir o debate sobre a convergência tecnológica no país. Presidente da Comissão, o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP) diz que há toda uma remodelagem da legislação do setor a ser feita, que vai tanto democratizar mais as comunicações no país como impulsionar a economia.

"A legislação atual caducou, precisa ser refeita. Não trata de vários temas, como banda larga, além de criar distorções como proibir capital estrangeiro na TV a cabo e não fazer restrições na TV paga por satélite", diz o deputado Semeghini.

A Comissão de Ciência e Tecnologia quer aprovar até o final do ano uma alteração geral na legislação do setor de telecomunicações e regulamentar a convergência tecnológica no país --transmissão de voz, vídeo e dados por um único sistema, o chamado triple play.

As teles protestam contra a situação atual, que beneficiaria a Net, controlada pela Globo e Telmex, o grupo mexicano do empresário Carlos Slim. Segundo as empresas de telefonia, hoje só a Net tem condições de ofertar o triple play, que tende a ser o grande negócio do setor, principalmente com a entrada em operação da TV digital no país.

A missão da comissão não será nada fácil. Terá de fechar um acordo entre teles e TVs, que acionaram seus lobbies para defender seus interesses. As emissoras de televisão, por exemplo, encabeçadas pela Globo, querem evitar a concorrência das teles no sistema de TV a cabo no país, receosas com perda de faturamento no bolo publicitário.

Essa é apenas uma das pontas da guerra comercial. Aprovada a autorização para que as teles entrem na TV a cabo, várias outras disputas entrarão em cena. Uma delas é definir se as emissoras de televisão serão obrigadas a vender seu conteúdo para qualquer empresa de TV a cabo.

A proposta de paz
Em agosto, o relator do projeto de convergência tecnológica, Jorge Bittar (PT-RJ), pretende apresentar seu relatório. Funcionará como uma proposta de paz no setor de telecomunicações. Vai criar o "Serviço de Comunicação por Acesso Condicionado" (TV por assinatura, por exemplo).

Abaixo, as principais idéias do deputado sobre como deveria ficar cada etapa desse tipo de serviço:

1) Produção de conteúdo nacional: Seria restrito a empresas com controle de capital brasileiro, podendo haver participação minoritária de capital estrangeiro (entre 30% e 49%).

2) Programação de TVs pagas: Idéia é que seja restrito a empresa com controle brasileiro, mas pode ser negociado o comando de estrangeiros. O programador, porém, terá de seguir regras estabelecendo cotas de exibição de programas nacionais, inclusive por faixas de horário.

3) Distribuição de programação de TVs pagas: Seria liberado para capital estrangeiro a operação de TV a cabo, o que beneficiaria as empresas de telecomunicações, hoje proibidas de atuar no setor. Elas ficariam ainda livres para atuar em TV paga em qualquer tecnologia.

Teles versus teles
Na guerra comercial das telecomunicações, outra batalha é sobre o mercado das concessionárias de telefonia. Há uma tendência mundial de concentração do setor nas mãos de poucas empresas. É assim nos Estados Unidos e na Europa. O Brasil caminha na mesma direção. Dois grupos fortíssimos estão atuando hoje no país: Telefônica (espanhol) e Telmex (mexicano, que controla a Embratel). Além da TIM (italiano), Brasil Telecom e Telemar (Oi). Os dois últimos têm como acionistas os grandes fundos de pensão das estatais brasileiras e, a depender da vontade do governo, devem se fundir para formar uma grande tele brasileira.

O ministro Hélio Costa (Comunicações) defende abertamente a formação de uma grande empresa brasileira, com a fusão da Brasil Telecom e Telemar, para se contrapor ao avanço da Telefônica e da Telmex.

No Congresso, posição semelhante é partilhada por parlamentares governistas e da oposição. Envolvidos na renovação da legislação do setor, os deputados Júlio Semeghini (PSDB-SP) e Paulo Bornhausen (DEM-SC) são favoráveis à criação da nova tele.

O tucano apóia a criação de uma regra de salvaguarda para que essa nova empresa não seja, logo em seguida, vendida para um grupo estrangeiro. Proposta defendida internamente no governo, para evitar que a nova empresa caia, num futuro próximo, nas mãos de uma empresa estrangeira, como a Telmex.

Paulo Bornhausen diz que essa nova tele brasileira equilibraria o mercado nacional e evitaria a formação de um duopólio estrangeiro no setor, o que seria "péssimo". O governo, contudo, já foi procurado pela Portugal Telecom, interessada em participar do negócio. Foi informada de que seria bem-vinda, desde que não fosse majoritária no controle.

Essa guerra está só no começo e promete. É bom acompanhar.

TOQUEDEPRIMA...

*** Greve prejudica exportação do agronegócio
Do G1, com informações do Globo Rural

A greve dos fiscais agropecuários federais completa nove dias nesta terça-feira (26). Os reflexos do movimento já podem ser sentidos nos portos de Santa Catarina.

Mais de três mil containeres, principalmente com carne suína e aves, lotam os pátios do porto de Itajaí. As exportações estão em ritmo lento desde a semana passada, quando começou a greve.

Enquanto os empresários aguardam a liberação de 70 mil toneladas de produtos, eles somam os prejuízos. “Em torno de US$ 35 milhões em função da movimentação de carne nas indústrias e daquelas mercadorias que estão no porto e não estão saindo para a exportação”, afirma o diretor do Sindicarne, Ricardo Gouvêa.

Os fiscais exigem do governo federal o cumprimento de um acordo firmado em 2005, que previa reajuste salarial, reestruturação do plano de carreira e realização de concurso. Os fiscais se comprometem a trabalhar com, pelo menos, 30% da capacidade.

Mas com ritmo lento, as indústrias já pensam em tomar medidas emergenciais. “Cessar o abate e a gente vê que o problema vem em cadeia e vai acabar prejudicando o produtor porque vai ter de ficar com o animal, aí entra custo e o problema vai se agravar, com certeza”, descreve o secretário de Agricultura de Santa Catarina, Antônio Ceron.

O Ministério da Agricultura ainda não tem um levantamento dos prejuízos causados pela greve. Ainda segundo o Ministério, nesta semana fiscais agropecuários devem ser deslocados para os locais onde a paralisação estiver mais crítica, como nos portos e fronteiras.

*** Brasil tem 860 mil usuários de cocaína, diz ONU
BBC Brasil

O Brasil tem cerca de 860 mil usuários de cocaína, estima um documento da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta terça-feira. Segundo o relatório anual do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC), 0,7% da população brasileira entre 15 e 64 anos utilizava cocaína em 2005.

A estatística representaria um aumento de 75% em relação ao número de quatro anos antes, mas o UNODC esclareceu que o aumento se deveu a uma mudança na metodologia do cálculo. No mundo, 14 milhões de pessoas consomem cocaína, disse o estudo.

Um aumento no número de usuários no Brasil desafiaria os esforços de combate ao abuso de cocaína no país, onde as apreensões vêm crescendo ano a ano.

O relatório da ONU afirma que em 2005 o Brasil apreendeu 16 toneladas de cocaína - cerca de 6% a mais que no ano anterior, de acordo com os números da Polícia Federal.

É pouco, se comparado ao total apreendido na Colômbia (217 t), o principal produtor mundial, ou nos Estados Unidos (175 t), o principal consumidor mundial, e mesmo em relação ao que se apreende em países vizinhos da Colômbia, como Equador (43 t) e Venezuela (59 t).

Mas a ONU destacou que o Brasil está entre os países mais citados como via de tráfico de cocaína para o oeste da África e a Europa. Autoridades da Guiné estimam, por exemplo, que 60% de sua cocaína provêm do Brasil.

*** Empresas pedem mais investimentos em reunião com Pires

BRASÍLIA - A diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se reuniu ontem com o ministro da defesa, Waldir Pires, que ouviu muitas reclamações e reivindicações para recuperar a infra-estrutura dos aeroportos brasileiros. No encontro, Pires voltou a repetir que o País não pode ser refém de uma categoria - a dos controladores de tráfego aéreo.

As empresas reivindicam mais investimentos e o cumprimento das resoluções do Conac (Conselho Nacional de Avião Civil), anunciadas em 2003.

"Basicamente, precisamos investir em controle aéreo e infra-estrutura. Certamente haverá ausência de infra-estrutura com a chegada de novos aviões", afirmou José Márcio Mollo, presidente do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas).

De acordo com ele, as empresas receberão neste ano 32 novas aeronaves e que número subirá para 65 até 2010 e que é preciso investir para atender a demanda crescente. Ele reafirmou ainda que as empresas são contra a proposta de reduzir o número de vôos. "As empresas aéreas não aceitam porque já fizeram o investimento e seria um prejuízo aos passageiros. Acho que a proposta é de algumas autoridades que estão quase que querendo dividir a responsabilidade com as empresas aéreas."

*** Controlador afastado diz que falta segurança
Redação Terra

O presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, Wellington Rodrigues, criticou a Aeronáutica por colocar controladores da Defesa Aérea no controle da aviação civil. No encontro sul-americano de controladores de vôo, Rodrigues acusou a Aeronáutica de jogar fora os procedimentos de segurança. A informação é da Globonews.

A Aeronáutica afirma que todos os controladores que estão operando no Cindacta-1 estão preparados e tem como principal foco a segurança.

"Defendemos procedimentos de segurança, que estão sendo jogados fora neste momento de crise", disse Wellington Rodrigues, que foi um dos 14 controladores afastados pela Aeronáutica, na última sexta-feira, como parte do pacote de medidas do governo para controlar a crise aérea no País.

Rodrigues disse ainda que os 14 controladores afastados foram caluniados e não puderam se defender. Ele disse que está cansado e decepcionado com as autoridades.

Jorge Botelho, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo (SNTPV), representante dos controladores civis, reforçou a acusação de falta de segurança plena no controle de tráfego aéreo. Segundo ele, os controladores que atuavam na defesa do espaço aéreo não fizeram o treinamento de 120 horas para que pudessem assumir as mesas de operação do Cindacta-1.

*** Corte dos EUA limita liberdade de expressão para estudantes

WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos estreitou os limites à liberdade de expressão dos estudantes ontem, posicionando-se contra um adolescente e sua faixa com a inscrição "Um Tapa para Jesus". Pela decisão do magistrado norte-americano John Roberts, as escolas podem proibir manifestações de estudantes que possam ser interpretadas como apologia ao uso de drogas.

Joseph Frederick desfraldou sua faixa feita em casa em uma manhã de inverno de 2002, quando a tocha olímpica passou por Juneau, no Alasca, a caminho dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002, em Salt Lake City.

Frederick disse que se tratava de uma mensagem sem sentido copiada de um snowboard e defendeu seu direito de dizer o que bem entendesse. Grupos conservadores que normalmente apóiam o governo defenderam Frederick por temer que a decisão poderia levar escolas a reprimirem a liberdade de expressão religiosa, assim como declarações contra a homossexualidade e o aborto.

A diretora da escola de Frederick, Deborah Morse, queixou-se que a frase representava uma apologia às drogas. O estudante nega a acusação. O aluno foi suspenso, o que desencadeou a ação federal de direitos civis.

Grupo britânico compra Serasa por R$ 2,3 bilhões

Reuters

O grupo britânico Experian informou na terça-feira que vai comprar 65% da empresa brasileira de informações de crédito Serasa por R$ 2,32 bilhões (US$ 1,2 bilhão).

A Experian, que coleta e analisa dados de crédito do mercado, afirma que a compra da Serasa de um consórcio de bancos brasileiros é a última oportunidade global de adquirir uma companhia de abrangência nacional. O grupo britânico não informou quais são os bancos que estão vendendo suas participações na Serasa.

O executivo-chefe da Experian, Don Robert, disse em um comunicado que o acordo é "uma oportunidade de transformação para a Experian" e dá a empresa uma nova posição de liderança. Atualmente, a empresa lidera o mercado de análise de crédito na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.

A Experian espera concluir o acordo até o final desta semana e pretende alcançar 70% de participação na Serasa até o final de 2007. Robert afirmou que a Experian terá a opção de adquirir os 30% restantes da Serasa depois de cinco anos.

A Serara, que tem 2,2 mil funcionários, possui uma base de dados com informações de crédito de 161 milhões de consumidores brasileiros e cerca de 5 milhões de companhias brasileiras.

A empresa é controlada por um consórcio de bancos. Os principais acionistas são o Itaú, Bradesco e Unibanco.

Em fato relevante publicado no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Itaú informou que venderá 832.176 ações de emissão da Serasa e que sua participação na empresa será reduzida de 32,62% para 10,29% após a conclusão da operação. De acordo com os cálculos do banco, a venda vai aumentar em R$ 480 milhões o lucro líquido da instituição no segundo trimestre do ano.

O Unibanco também publicou fato relevante na CVM informando que venderá 489.195 ações ordinárias da Serasa, reduzindo assim sua participação dos atuais 19,17%, para 6,05%. "O resultado da venda antes dos efeitos fiscais é de aproximadamente R$ 429 milhões", informou a instituição.

Outros emergentes lançam plano e dividem G20

Veja online

Na tentativa de tentar destravar as negociações da Rodada Doha, um grupo de oito países emergentes apresentou para a Organização Mundial do Comércio (OMC) uma nova proposta que destoa das posições defendidas por Brasil e Índia. A iniciativa apresentada nesta segunda-feira, em Genebra, é um "meio-termo" na liberalização dos mercados mundiais e pode minar a influência do Brasil no acordo, já que parte desses países são filiados ao G20, grupo liderado pelo Brasil nas negociações agrícolas.

A proposta, feita por cinco países da América Latina (México, Peru, Colômbia, Chile e Costa Rica), e por três países asiáticos (Hong Kong, Tailândia e Cingapura), representa uma espécie de racha entre os países emergentes. Eles defendem uma taxa de corte máximo nas tarifas de importação em até 60%, enquanto que para o Brasil essa taxa não deverá ultrapassar 50%.

Além de propor um corte maior nas tarifas, o grupo pretende que os países ricos elevem os cortes para mais de 75% em suas próprias tarifas de importação. "Chegou o momento de todos mostrarem a flexibilidade necessária para concluir as negociações no mais tardar até o início de 2008", afirma o documento.

Diante da recusa brasileira em aceitar cortes mais profundos em suas tarifas em uma conferência da organização realizada em Potsdam na semana passada, o grupo conhecido como G4 (Brasil, Índia, Estados Unidos e Europa) fracassou em obter um acordo. Segundo o chanceler Celso Amorim, a recusa se deu porque a proposta de abertura dos mercados agrícolas foi considerada insuficiente.

Supostamente, a rejeição teria sido em nome de todos os países emergentes que são representados por Brasil e Índia. Enquanto Venezuela, Cuba e África do Sul apoiaram o Brasil, outras economias lançaram sua própria estratégia. Para diplomatas em Genebra, a atitude mostra que "o Itamaraty não estará sempre no centro das atenções e nem sempre será o fator de convergência".

Colapso - "O tempo está acabando, por isso precisamos encorajar nossos membros a mostrar flexibilidade nos próximos dias", conclui o documento que deverá ser analisado pelos 150 membros da organização. O presidente das negociações agrícolas da OMC, Crawford Falconer, disse que apresentará sua proposta final na próxima semana e garantiu que levará em consideração todos os pontos de vista.

Se não houver um consenso sobre como deverá ocorrer o corte das tarifas de importação de bens industriais até o final de julho, toda a Rodada Doha poderá entrar em colapso. Ela foi lançada em 2001 e está paralisada desde 2006.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Na verdade, pegou muito mal a atitude pouco amistosa, e muito menos amistosa, do ministro Celso Amorim que, em conjunto com o representante da Índia, simplesmente abandonaram a reunião do G-4, quando se tentava encontrar um caminho em relação à Rodada de Doha.

Você pode ser duro e até inflexível em uma negociação de interesses. O que você não pode é simplesmente chutar o balde e dar às costas aos demais negociadores como fez Amorim.

Grosserias que podem nos custar caro, inclusive colocando em cheque a liderança que exercíamos no âmbito do G-20. Em ocasiões como esta, atitudes de confronto não levam, geram animosidade, e acabam perturbando um ambiente já por si só tenso. Faltou a Amorim equilíbrio emocional. Faltou-lhe a grandeza que discutia um assunto de interesse mundial, e não picuinhas no âmbito do inexpressivo Mercosul.

A moral da história é a seguinte: com a política externa patrocinada por Lula, o Brasil cada vez mais se isola. E isto é prejudicial para os nossos interesses. O conjunto de países em condições de importar nossos produtos não são tantos assim, seja em termos de volume, ou de valores, ou até de diversidade.

Porém precisamos desesperadamente receber investimentos e tecnologia. De quem iremos comprar, da Nigéria ? De Botsuana? Seria bom o país tentar deixar um caminho aberto para que as negociações possam prosseguir. Seria uma aberração ficarmos dependentes com exclusividade do Mercosul.

Após fracasso do G-4, Brasil se prepara para Mercosul

BRASÍLIA - Um dia depois de desembarcar em Brasília, retornando de Potsdam, na Alemanha, o chanceler Celso Amorim reservou ontem para descansar e analisar a repercussão no Brasil do fracasso do encontro do G-4, que era importante para fazer avançar a Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC). O ministro também se prepara para duas reuniões de cúpula em que o resultado de Potsdam pode dominar o debate.

No final desta semana, acontece em Assunção, no Paraguai, a reunião dos presidentes dos países membros do Mercosul. Os parceiros do bloco terão que avaliar a conveniência de partir para acordos bilaterais ou regionais para compensar o fracasso de Doha. Na semana seguinte, no dia 4 de julho, ocorrerá em Lisboa a primeira reunião de cúpula entre Brasil e União Européia. O encontro foi marcado para preparar as bases para a consagração do Brasil como futuro "parceiro estratégico" da UE.

Como há um consenso de que a Rodada Doha deve ficar em banho-maria, governo e especialistas acham que a saída é buscar esses acordos para abrir mercados. A negociação entre Mercosul e União Européia pode ser retomada, depois de ter sido engavetada em setembro de 2005 para esperar o resultado na OMC. Mas negociadores brasileiros admitem que os ganhos podem ser pontuais, focados em alguns setores.

O Mercosul já tem acordos com a União Aduaneira da África Austral (Sacu) e com a Índia e deve fechar acordos com Israel e com os países do golfo árabe. Além disso, o Brasil tem um acordo de cooperação econômica com o México. Um acordo entre Mercosul e Estados Unidos é considerado pouco provável. O Brasil defende uma negociação com o bloco sul-americano, mas os EUA preferem uma negociação bilateral, país a país.

Para o economista Edgard Pereira, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), ainda é cedo para descartar a possibilidade de algum avanço na Rodada Doha. "Ao que me parece está no ponto da virada. Alguém terá que ceder", avaliou. Pereira enxerga como uma tática de negociação o endurecimento nas posições dos Estados Unidos e da União Européia para deixar Brasil e Índia em uma situação difícil com os outros países em desenvolvimento.

"É uma situação delicada, mas acho que as negociações não estão encerradas", disse. O Iedi não fez ainda uma avaliação dos impactos da reunião de Potsdam no comércio exterior brasileiro.

Real acumula valorização de 34% desde 2004

A forte valorização de várias moedas de países emergentes preocupa o Banco de Compensações Internacionais (BIS). Em seu relatório anual, o banco central dos bancos centrais disse que embora a tendência contribua para a queda da inflação nessas economias, pode criar também aspectos negativos. O BIS observou que entre dezembro de 2004 e março de 2007, o real brasileiro acumulou uma valorização real de 34%.

Na Ásia, a apreciação no mesmo período foi superior a 10% na Coréia do Sul, Malásia e Tailândia, e acima de 20% na Indonésia. "Ao contribuir para a desinflação e reduzindo a demanda agregada, a valorização cambial real pode ter oferecido espaço para um número de países reduzirem suas taxas de juros ou implementarem outras medidas de relaxamento monetário", disse.

"Uma preocupação é seu impacto adverso na competitividade e no setor de bens comerciáveis", disse a entidade com sede na Basiléia, Suíça. "A outra é que ao conter aumentos dos juros, pode estimular os preços dos bens não comerciáveis a subirem, especialmente aqueles relacionados ao setor imobiliário residencial". Além disso, "pressões pela valorização da moeda podem ser facilmente revertidas, o que pode então exigir elevações nas taxas de juros".

Alguns países essas pressões parecem ter sido suficientemente grandes para induzirem as autoridades a reduzirem as taxas de juros para frear fluxos de capitais indesejados".

O BIS disse que muitos governos de países emergentes também tentam conter a valorização de suas moedas através de "pesada intervenção" nos mercados de câmbio. Isso, por sua vez, resultou no acúmulo de grandes volumes de reservas estrangeiras e a necessidade de "esterilizá-las", o que resulta em custos. "Em vários países, incluindo a China, a esterilização através de altas nas reservas e vendas de títulos de bancos centrais têm se mostrado cada vez mais difícil e sujeita a efeitos indesejados", disse.

"Reservas que pagam menos do que as taxa de mercado são efetivamente um imposto sobre os bancos." Segundo o BIS, "esterilizações" e outras medidas - como o controle da entrada de capitais ou estímulos para a saída - não têm sido totalmente eficientes em conter a liquidez criada pelos fluxos de moeda estrangeira. "Na verdade, numa análise em vários países desde 2003, a acumulação de reservas parece ter sido associada ao rápido crescimento da base monetária e de crédito, e maior inflação", disse.

"Embora tais correlações precisam ser interpretadas com cautela, elas reforçam a impressão que condições monetárias relativamente relaxadas associadas com pressão de alta sobre a moeda podem causar uma inflação mais elevada." O BIS salientou também que a influência dos investidores estrangeiros sobre os ativos dos mercados domésticos dos emergentes podem ser maiores do que os sinalizados pelos fluxos de investimentos que entram em cada país.

"Em parte, porque esse investidores podem ter aumentado sua participação no controle dos ativos emergentes", disse. "Além disso, o posicionamento em ativos emergentes via transações com derivativos pode não ter sido totalmente contabilizada." O relatório do BIS prevê que o crescimento dos países emergentes neste ano será um pouco mais moderado do que no ano passado, quando atingiu 7,4%. "Uma desaceleração limitada é esperada para algumas economias que têm registrado forte crescimento nos últimos anos, como a China, Índia e Argentina", disse.

"No Brasil, onde o persistente crescimento lento tem sido uma preocupação de médio prazo, o ritmo de atividade ganhou ritmo no ano passado e deve se fortalecer ainda mais em 2007." Segundo o BIS, há dois principais riscos para a perspectiva benigna para os emergentes. "Um claro desaquecimento na economia dos Estados Unidos poderia reduzir o crescimento substancialmente", disse. "O outro risco é de uma alta inflacionária." Entre os países cuja escalada dos preços causa preocupação, foram citados a Argentina, Rússia e Venezuela.

No caso do Brasil, o BIS salientou que houve uma nítida melhora da inflação. O BIS disse que um dos fatores importantes para se tentar avaliar se as pressões inflacionárias vão continuar é o "hiato na produção" de cada país. "Por exemplo, o Brasil, que recentemente teve desinflação, as taxa de capacidade de utilização têm sido comparativamente altas, na vizinhança dos 82%", disse. Na Índia, a taxa está próxima de 100% e em muitos países, o crescimento está acima de seu potencial.

"Políticas monetárias relativamente relaxadas poderiam aumentar os riscos de inflação futura em vários emergentes", alertou.

TOQUEDEPRIMA...

*** Consumo de drogas no Brasil aumentou, diz ONU
Agência Estado

O consumo de drogas aumentou no Brasil nos últimos anos, na contramão da tendência mundial de estabilidade. O país também se consolidou como centro de distribuição da cocaína colombiana e boliviana para os principais mercados consumidores. As conclusões estão em um relatório do Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) contra Drogas e Crime, que será divulgado nesta terça-feira (26).

Segundo o estudo, a proporção da população brasileira que consome cocaína cresceu de 0,4%, em 2001, para 0,7%, em 2005. Naquele ano, havia 14 milhões de consumidores no mundo, apenas 0,3% da população total. O consumo crescente no Brasil elevou os índices da América Latina. O percentual da população dessa região que diz ter consumido cocaína ao menos uma vez na vida passou de 2,3% para 2,9%, no mesmo intervalo.

Enquanto o consumo brasileiro aumentou, a produção de cocaína na América Latina sofreu uma queda de 2% entre 2005 e 2006, embora os números por país não sejam homogêneos. O cultivo de coca na Colômbia caiu 9%, mas aumentou 8% na Bolívia e 7% no Peru.

Mas foi o consumo de maconha o que mais cresceu no Brasil. Em 2001, 1% dos brasileiros entre 15 e 65 anos consumia a droga. O índice subiu para 2,6% em 2005. Por outro lado, a ONU indica que o número de consumidores de maconha no mundo caiu de 162 milhões, em 2004, para 159 milhões, em 2005.

Houve também aumento no consumo de anfetaminas, que chega a 0,7% dos brasileiros, e de ecstasy, consumido por 0,2% da população. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

*** Ministro quer distribuir pílula do dia seguinte
Veja online

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse em encontro realizado em São Paulo, nesta segunda-feira, que o governo pretende distribuir a pílula do dia seguinte nos programas de planejamento familiar. A distribuição, segundo o ministro, seria feita sem a necessidade de apresentar uma receita médica. A medida tem o objetivo de facilitar o acesso a métodos contraceptivos.

De acordo com Temporão, em encontro promovido pelo jornal Folha de S.Paulo, essa pílula é uma arma importante no sentido da prevenção da gravidez indesejada. "No programa que lançamos pressupõe receita médica, e a utilização da pílula do dia seguinte pressupõe a não necessidade de apresentar uma receita médica", disse. "Seria um disparate você ter que procurar um médico para prescrever."

A pílula do dia seguinte, ou "pílula para contracepção de emergência", legalizada no Brasil desde 1999 e disponível em farmácias, deve ser administrada até 72 horas após a relação desprotegida ou acidental visando evitar a gravidez. Usada até 24 horas depois da relação tem um índice de falha de 5 %. Entre 25 e 48 horas o índice de falha aumenta para 15 % e entre 49 e 72 horas o índice chega a 42 % de falhas. Isto significa que quanto mais rapidamente ela for ingerida, maior sua segurança na contracepção.

Religiosos - Grupos religiosos e antiabortistas criticaram a disposição do ministro de facilitar o acesso à pílula do dia seguinte, inclusive dispensando a necessidade de receita médica. Os militantes antiabortistas consideram-na um instrumento para o chamado "aborto químico" porque entendem que a vida se inicia tão logo acontece a fecundação do óvulo pelo espermatozóide.

A bióloga e biomédica Lilian Piñero Eça, professora doutora da Universidade Federal de São Paulo e membro do Núcleo Científico do Movimento Nacional em Defesa da Vida - Brasil sem Aborto, disse em enrevista à Folha de S.Paulo que "a pílula do dia seguinte nada mais é do que uma bomba hormonal que provoca um aborto".

*** Confiança do consumidor com economia do País sobe 0,6%
Reuters

O consumidor brasileiro ainda está confiante na situação econômica do País, mas o ritmo de crescimento deste otimismo já não é o mesmo. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas subiu 0,6% de maio para junho, passando de 108,5 para 109,1.

"É o terceiro mês consecutivo de crescimento do índice, embora a variação desta vez tenha ficado bem abaixo dos 2,6% registrados em maio", informou a FGV em comunicado divulgado nesta terça-feira.

Houve uma melhora na avaliação dos consumidores sobre a situação presente, mas estabilidade em relação às expectativas para os próximos meses.

A sondagem de expectativas do consumidor é realizada com base numa amostra de mais de 2 mil domicílios em sete das principais capitais do País. A coleta de dados para a edição de junho foi realizada entre os dias 31 de maio e 21 de junho.

*** Polêmica à vista
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Representantes de ONGs ligadas aos direitos humanos prometem fazer barulho hoje na reunião da CCJ da Câmara. Mas nada relacionado à reforma política, que começará a ser tratada na comissão. O que elas querem é evitar a aprovação de um projeto permitindo a quebra do sigilo das correspondências dos internos do sistema prisional brasileiro. A violação, claro, precisará ser aprovada antes pelo Judiciário. O projeto, que está desde o ano passado esperando aprovação, já tem parecer favorável do relator, deputado Nelson Trad (PMDB- RS).

*** MST: "Preso custa mais para governo do que assentado"

SOROCABA (SP) - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, Wesley Mauch, rebateu ontem a afirmação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) de que a reforma agrária é cara. Para ele, caros são os presídios. "Um preso custa muito mais para o governo e para a sociedade do que um assentado", comparou.

Em palestra no 1º Diplomado da Juventude do PSDB, sábado, Serra afirmou que a reforma agrária bem feita envolve um componente econômico insuportável. "É impossível pelo custo", disse.

Para Mauch, o raciocínio do governador está equivocado. Segundo ele, os últimos cálculos feitos pelo governo federal revelam que o assentamento de uma família custa em média R$ 31 mil. "Cada família assentada significa de 4 a 5 pessoas empregadas no meio rural." Ele disse que o movimento acaba fazendo o papel do Estado na inclusão social e na qualificação dessas pessoas. "Duvido que a reforma agrária no Pontal custe mais do que a manutenção dos 33 presídios que o governo do PSDB instalou na região", desafiou.

Segundo Mauch, o movimento entende que o projeto de Serra para regularizar as áreas com mais de 500 hectares prejudica a reforma agrária. "São terras que o próprio Estado considera devolutas e a lógica manda que sejam usadas para atender a demanda por assentamentos." Ele disse que a região tem pelo menos 3 mil famílias de sem-terra em barracos de lona.

O diretor executivo da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), Gustavo Ungaro, defendeu o projeto de Serra. Segundo ele, é uma medida que objetiva resolver conflitos e deveria ter apoio dos movimentos sociais. O projeto, enviado à Assembléia Legislativa, prevê a destinação de uma parte das terras para a realização de novos assentamentos ou o pagamento em valor equivalente a um fundo de desenvolvimento da região.

Durante reunião realizada ontem em Presidente Prudente, ruralistas ligados à UDR aplaudiram a declaração de Serra, de que a reforma agrária "é impossível pelo custo", mas se declaram contrários ao teor do projeto.