quarta-feira, junho 27, 2007

Outros emergentes lançam plano e dividem G20

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Na tentativa de tentar destravar as negociações da Rodada Doha, um grupo de oito países emergentes apresentou para a Organização Mundial do Comércio (OMC) uma nova proposta que destoa das posições defendidas por Brasil e Índia. A iniciativa apresentada nesta segunda-feira, em Genebra, é um "meio-termo" na liberalização dos mercados mundiais e pode minar a influência do Brasil no acordo, já que parte desses países são filiados ao G20, grupo liderado pelo Brasil nas negociações agrícolas.

A proposta, feita por cinco países da América Latina (México, Peru, Colômbia, Chile e Costa Rica), e por três países asiáticos (Hong Kong, Tailândia e Cingapura), representa uma espécie de racha entre os países emergentes. Eles defendem uma taxa de corte máximo nas tarifas de importação em até 60%, enquanto que para o Brasil essa taxa não deverá ultrapassar 50%.

Além de propor um corte maior nas tarifas, o grupo pretende que os países ricos elevem os cortes para mais de 75% em suas próprias tarifas de importação. "Chegou o momento de todos mostrarem a flexibilidade necessária para concluir as negociações no mais tardar até o início de 2008", afirma o documento.

Diante da recusa brasileira em aceitar cortes mais profundos em suas tarifas em uma conferência da organização realizada em Potsdam na semana passada, o grupo conhecido como G4 (Brasil, Índia, Estados Unidos e Europa) fracassou em obter um acordo. Segundo o chanceler Celso Amorim, a recusa se deu porque a proposta de abertura dos mercados agrícolas foi considerada insuficiente.

Supostamente, a rejeição teria sido em nome de todos os países emergentes que são representados por Brasil e Índia. Enquanto Venezuela, Cuba e África do Sul apoiaram o Brasil, outras economias lançaram sua própria estratégia. Para diplomatas em Genebra, a atitude mostra que "o Itamaraty não estará sempre no centro das atenções e nem sempre será o fator de convergência".

Colapso - "O tempo está acabando, por isso precisamos encorajar nossos membros a mostrar flexibilidade nos próximos dias", conclui o documento que deverá ser analisado pelos 150 membros da organização. O presidente das negociações agrícolas da OMC, Crawford Falconer, disse que apresentará sua proposta final na próxima semana e garantiu que levará em consideração todos os pontos de vista.

Se não houver um consenso sobre como deverá ocorrer o corte das tarifas de importação de bens industriais até o final de julho, toda a Rodada Doha poderá entrar em colapso. Ela foi lançada em 2001 e está paralisada desde 2006.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Na verdade, pegou muito mal a atitude pouco amistosa, e muito menos amistosa, do ministro Celso Amorim que, em conjunto com o representante da Índia, simplesmente abandonaram a reunião do G-4, quando se tentava encontrar um caminho em relação à Rodada de Doha.

Você pode ser duro e até inflexível em uma negociação de interesses. O que você não pode é simplesmente chutar o balde e dar às costas aos demais negociadores como fez Amorim.

Grosserias que podem nos custar caro, inclusive colocando em cheque a liderança que exercíamos no âmbito do G-20. Em ocasiões como esta, atitudes de confronto não levam, geram animosidade, e acabam perturbando um ambiente já por si só tenso. Faltou a Amorim equilíbrio emocional. Faltou-lhe a grandeza que discutia um assunto de interesse mundial, e não picuinhas no âmbito do inexpressivo Mercosul.

A moral da história é a seguinte: com a política externa patrocinada por Lula, o Brasil cada vez mais se isola. E isto é prejudicial para os nossos interesses. O conjunto de países em condições de importar nossos produtos não são tantos assim, seja em termos de volume, ou de valores, ou até de diversidade.

Porém precisamos desesperadamente receber investimentos e tecnologia. De quem iremos comprar, da Nigéria ? De Botsuana? Seria bom o país tentar deixar um caminho aberto para que as negociações possam prosseguir. Seria uma aberração ficarmos dependentes com exclusividade do Mercosul.