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Na tentativa de tentar destravar as negociações da Rodada Doha, um grupo de oito países emergentes apresentou para a Organização Mundial do Comércio (OMC) uma nova proposta que destoa das posições defendidas por Brasil e Índia. A iniciativa apresentada nesta segunda-feira, em Genebra, é um "meio-termo" na liberalização dos mercados mundiais e pode minar a influência do Brasil no acordo, já que parte desses países são filiados ao G20, grupo liderado pelo Brasil nas negociações agrícolas.
A proposta, feita por cinco países da América Latina (México, Peru, Colômbia, Chile e Costa Rica), e por três países asiáticos (Hong Kong, Tailândia e Cingapura), representa uma espécie de racha entre os países emergentes. Eles defendem uma taxa de corte máximo nas tarifas de importação em até 60%, enquanto que para o Brasil essa taxa não deverá ultrapassar 50%.
Além de propor um corte maior nas tarifas, o grupo pretende que os países ricos elevem os cortes para mais de 75% em suas próprias tarifas de importação. "Chegou o momento de todos mostrarem a flexibilidade necessária para concluir as negociações no mais tardar até o início de 2008", afirma o documento.
Diante da recusa brasileira em aceitar cortes mais profundos em suas tarifas em uma conferência da organização realizada em Potsdam na semana passada, o grupo conhecido como G4 (Brasil, Índia, Estados Unidos e Europa) fracassou em obter um acordo. Segundo o chanceler Celso Amorim, a recusa se deu porque a proposta de abertura dos mercados agrícolas foi considerada insuficiente.
Supostamente, a rejeição teria sido em nome de todos os países emergentes que são representados por Brasil e Índia. Enquanto Venezuela, Cuba e África do Sul apoiaram o Brasil, outras economias lançaram sua própria estratégia. Para diplomatas em Genebra, a atitude mostra que "o Itamaraty não estará sempre no centro das atenções e nem sempre será o fator de convergência".
Colapso - "O tempo está acabando, por isso precisamos encorajar nossos membros a mostrar flexibilidade nos próximos dias", conclui o documento que deverá ser analisado pelos 150 membros da organização. O presidente das negociações agrícolas da OMC, Crawford Falconer, disse que apresentará sua proposta final na próxima semana e garantiu que levará em consideração todos os pontos de vista.
Se não houver um consenso sobre como deverá ocorrer o corte das tarifas de importação de bens industriais até o final de julho, toda a Rodada Doha poderá entrar em colapso. Ela foi lançada em 2001 e está paralisada desde 2006.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Na verdade, pegou muito mal a atitude pouco amistosa, e muito menos amistosa, do ministro Celso Amorim que, em conjunto com o representante da Índia, simplesmente abandonaram a reunião do G-4, quando se tentava encontrar um caminho em relação à Rodada de Doha.
Você pode ser duro e até inflexível em uma negociação de interesses. O que você não pode é simplesmente chutar o balde e dar às costas aos demais negociadores como fez Amorim.
Grosserias que podem nos custar caro, inclusive colocando em cheque a liderança que exercíamos no âmbito do G-20. Em ocasiões como esta, atitudes de confronto não levam, geram animosidade, e acabam perturbando um ambiente já por si só tenso. Faltou a Amorim equilíbrio emocional. Faltou-lhe a grandeza que discutia um assunto de interesse mundial, e não picuinhas no âmbito do inexpressivo Mercosul.
A moral da história é a seguinte: com a política externa patrocinada por Lula, o Brasil cada vez mais se isola. E isto é prejudicial para os nossos interesses. O conjunto de países em condições de importar nossos produtos não são tantos assim, seja em termos de volume, ou de valores, ou até de diversidade.
Porém precisamos desesperadamente receber investimentos e tecnologia. De quem iremos comprar, da Nigéria ? De Botsuana? Seria bom o país tentar deixar um caminho aberto para que as negociações possam prosseguir. Seria uma aberração ficarmos dependentes com exclusividade do Mercosul.
Na tentativa de tentar destravar as negociações da Rodada Doha, um grupo de oito países emergentes apresentou para a Organização Mundial do Comércio (OMC) uma nova proposta que destoa das posições defendidas por Brasil e Índia. A iniciativa apresentada nesta segunda-feira, em Genebra, é um "meio-termo" na liberalização dos mercados mundiais e pode minar a influência do Brasil no acordo, já que parte desses países são filiados ao G20, grupo liderado pelo Brasil nas negociações agrícolas.
A proposta, feita por cinco países da América Latina (México, Peru, Colômbia, Chile e Costa Rica), e por três países asiáticos (Hong Kong, Tailândia e Cingapura), representa uma espécie de racha entre os países emergentes. Eles defendem uma taxa de corte máximo nas tarifas de importação em até 60%, enquanto que para o Brasil essa taxa não deverá ultrapassar 50%.
Além de propor um corte maior nas tarifas, o grupo pretende que os países ricos elevem os cortes para mais de 75% em suas próprias tarifas de importação. "Chegou o momento de todos mostrarem a flexibilidade necessária para concluir as negociações no mais tardar até o início de 2008", afirma o documento.
Diante da recusa brasileira em aceitar cortes mais profundos em suas tarifas em uma conferência da organização realizada em Potsdam na semana passada, o grupo conhecido como G4 (Brasil, Índia, Estados Unidos e Europa) fracassou em obter um acordo. Segundo o chanceler Celso Amorim, a recusa se deu porque a proposta de abertura dos mercados agrícolas foi considerada insuficiente.
Supostamente, a rejeição teria sido em nome de todos os países emergentes que são representados por Brasil e Índia. Enquanto Venezuela, Cuba e África do Sul apoiaram o Brasil, outras economias lançaram sua própria estratégia. Para diplomatas em Genebra, a atitude mostra que "o Itamaraty não estará sempre no centro das atenções e nem sempre será o fator de convergência".
Colapso - "O tempo está acabando, por isso precisamos encorajar nossos membros a mostrar flexibilidade nos próximos dias", conclui o documento que deverá ser analisado pelos 150 membros da organização. O presidente das negociações agrícolas da OMC, Crawford Falconer, disse que apresentará sua proposta final na próxima semana e garantiu que levará em consideração todos os pontos de vista.
Se não houver um consenso sobre como deverá ocorrer o corte das tarifas de importação de bens industriais até o final de julho, toda a Rodada Doha poderá entrar em colapso. Ela foi lançada em 2001 e está paralisada desde 2006.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Na verdade, pegou muito mal a atitude pouco amistosa, e muito menos amistosa, do ministro Celso Amorim que, em conjunto com o representante da Índia, simplesmente abandonaram a reunião do G-4, quando se tentava encontrar um caminho em relação à Rodada de Doha.
Você pode ser duro e até inflexível em uma negociação de interesses. O que você não pode é simplesmente chutar o balde e dar às costas aos demais negociadores como fez Amorim.
Grosserias que podem nos custar caro, inclusive colocando em cheque a liderança que exercíamos no âmbito do G-20. Em ocasiões como esta, atitudes de confronto não levam, geram animosidade, e acabam perturbando um ambiente já por si só tenso. Faltou a Amorim equilíbrio emocional. Faltou-lhe a grandeza que discutia um assunto de interesse mundial, e não picuinhas no âmbito do inexpressivo Mercosul.
A moral da história é a seguinte: com a política externa patrocinada por Lula, o Brasil cada vez mais se isola. E isto é prejudicial para os nossos interesses. O conjunto de países em condições de importar nossos produtos não são tantos assim, seja em termos de volume, ou de valores, ou até de diversidade.
Porém precisamos desesperadamente receber investimentos e tecnologia. De quem iremos comprar, da Nigéria ? De Botsuana? Seria bom o país tentar deixar um caminho aberto para que as negociações possam prosseguir. Seria uma aberração ficarmos dependentes com exclusividade do Mercosul.