quinta-feira, abril 10, 2008

Degradação venerável

Olavo de Carvalho, Jornal do Brasil

Num artigo publicado semanas atrás (www.olavodecarvalho.org/sema na/080314dce.html) expliquei que muitas incoerências aparentes da política oficial não são incoerências: são a aplicação de técnicas consagradas de estimulação contraditória, planejadas para induzir o público a um estado de estupor, de passividade atônita, de obediência robótica.

Não digo que haja sempre nisso premeditação maquiavélica. O emprego dessas técnicas é tão antigo e disseminado no movimento revolucionário, e tão bem amoldado aos hábitos do pensamento dialético, que em muitos líderes e ativistas elas se tornam uma rotina banal. O discurso duplo jorra das suas bocas, a conduta desnorteante flui das suas pessoas com a naturalidade de um bocejo, de um suspiro, de um pum.

Reduzem as Forças Armadas à míngua e alardeiam planos ambiciosos de defesa regional. Cortejam o apoio dos militares ao mesmo tempo que fomentam campanhas de ódio contra eles e engordam terroristas com indenizações milionárias.

Pavoneiam-se de uma grandiosa “política de segurança pública” e dão ajuda a organizações subversivas aliadas a quadrilhas de narcotraficantes, seqüestradores e assassinos.

Arrotam anti-imperialismo e entregam fatias inteiras do território nacional à administração estrangeira.

Asseguram que o Foro de São Paulo é um inofensivo clube de debates, enquanto seu líder máximo se gaba das vitórias políticas continentais dessa organização.

Em nenhum desses desempenhos tentam sequer camuflar a incongruência. Ostentam-na cinicamente, inibindo nos aparvalhados espectadores não só a coragem de denunciá-la, mas o desejo de percebê-la. Habituando-se a reprimir a própria consciência, o povo se perverte junto com seus governantes e acaba por atribuir a eles uma importância e uma autoridade infinitamente superiores a seus méritos reais.

Um contraste especialmente perturbador – tão contundente que o próprio Hitler o adotou no seu repertório de histrionismos – é a coexistência forçada do risível com o solene, da conduta grotesca com a exigência de consideração e respeito.

Ostentam amor xenófobo à língua pátria enquanto louvam o presidente que a destrói implacavelmente a cada novo discurso.

Dão apoio oficial ao deboche anticristão, e ao mesmo tempo querem ser tratados como pessoas digníssimas e santas, dando a entender que são mais respeitáveis que Jesus Cristo – pretensão demencial que o próprio senhor presidente ilustra em atos ao declarar-se homem sem pecado no instante mesmo em que comete sacrilégio com a cara mais bisonha do mundo.

Uma vez elevados a essas alturas celestes ao lado do seu chefe, um governador se esfrega em público na esposa de um ministro, enquanto outro ministro beija um cantor na boca, como se não lhe bastasse já ter desfilado de collant transparente num baile gay, encarnando triunfalmente aquilo que entende como cultura nacional.

São esses mesmos os que seguida se reúnem para decidir, como anciãos veneráveis, os destinos do povo. E o povo, reverente, acata seus mandamentos.

O rei da fábula desfilava nu porque não sabia que estava sem roupa. Nossos reizinhos despem-se de propósito, pelo prazer sádico de forçar a multidão a prosternar-se ante a solenidade do ridículo, ante a majestade do desprezível.

A cada vez que repetem a performance, rebaixam e atrofiam na população não só o senso moral, mas o respeito por si próprio e a capacidade de discernimento. Aviltam e estupidificam a nação inteira, e tiram proveito da ruína geral das consciências para aumentar o poder e a riqueza do seu partido, do seu grupo, da sua corja.

Só uma coisa pode libertar-nos da hipnose, da escravidão mental abjeta que esses bandidos impuseram ao país: recusar-lhes toda manifestação de respeito, mesmo casual e discreta, mesmo puramente formal e hipócrita. Conceder-lhes, no máximo, a obediência externa que as leis impõem e a força garante. Respeitá-los, nunca. Se querem deleitar-se na baixeza, na mentira e no crime, que o façam. Mas não precisamos ajudá-los a fingir que são muito louváveis por isso.

Os males do sigilo

Editorial Folha de São Paulo

Caso prevalecesse a regra da transparência nas despesas do Executivo, muito da crise do dossiê poderia ter sido evitado

DOS VÁRIOS enigmas que cercam o caso do dossiê de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, existe um especialmente relevante, que foge às atribuladas circunstâncias das investigações e desmentidos oficiais. Pode resumir-se numa questão: por que deveriam ser sigilosos os gastos pessoais de um presidente da República?

Em seu depoimento à CPI dos cartões corporativos, o ministro Jorge Félix, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), contribuiu pouco para esclarecer essa questão. Deveriam permanecer ocultos os gastos com alimentação e bebidas no avião presidencial? "Em princípio, sim", respondeu o ministro.

Todavia, parece razoável dizer que a atual crise política, que tantas energias e tempo tem consumido do Executivo e do Congresso, poderia ter sido evitada caso prevalecesse a regra de máxima transparência possível nas despesas palacianas.

Só por um espírito de demagogia elementar alguém diria que padrões elevados de consumo não se justificam numa residência presidencial. Não faz sentido esperar que o presidente do Brasil se aloje numa casa operária, ou que receba seus visitantes com uma dieta, digamos, à base de tapioca. Entre a despesa adequada ao cargo e o abuso principesco há, por certo, uma diferença, que só a ausência de sigilo permitiria dimensionar.

Se há risco para a segurança das autoridades, este residiria, em última hipótese, na informação sobre a origem dos fornecedores dos bens adquiridos, ou no que se poderia deduzir a respeito da agenda de deslocamentos do presidente da República e de sua comitiva. Nada que não pudesse, depois de um certo prazo, ser exposto ao conhecimento público, ou cercar-se de precauções técnicas mais sofisticadas que o sigilo absoluto.

Fonte muito maior de instabilidade e de prejuízo ao interesse público tem sido, em todo caso, a guerrilha de informações e vazamentos em que oposição e governo se emaranharam a propósito de despesas que, pelo que se conhece, nada tiveram de anormal. Depois de um abuso notório -o da ex-ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro-, o debate perdeu-se em diversos desvãos de insensatez.

Intentou-se até a exploração do preconceito contra Lula, um ex-sindicalista que agora tem sua rotina regada aos néctares reservados a outra classe. O governo reagiu com um dossiê destilado nos escaninhos menos límpidos da Casa Civil: que fosse apenas um expediente preventivo para reagir na mesma moeda, vá lá.

Mas que se pretenda a todo custo manter o sigilo do atual presidente, enquanto se jura inocência no caso do dossiê, eis uma contradição evidente do ponto de vista da ética política. Não há outra maneira de saná-la a não ser pela regra da mais ampla transparência. O país seria poupado, sem dúvida, dos lastimáveis efeitos de um entrevero que o paralisa, enquanto moralismos falsos e maquiavelismos de gabinete se engalfinham inextricavelmente.

Em pleno ano eleitoral, vem aí a Bolsa do Pingüim

Interessante o senhor Luiz Inácio: com todos os anos que tem à sua disposição para governar, seus principais programas “do bem” são lançados apenas em anos eleitorais.

Agora, em pleno ano eleitoral, que para seu partido é vital com vistas a sua força política para 2010, Lula lançará a Bolsa do Pingüim, destinados a famílias de baixa renda e que promete trocar uma geladeira velha por uma novinha. Nem faz um mês,e ele já lançara a Bolsa do Primeiro Voto, destinados a jovens de 15 a 17 anos, com um incentivo a que se mantenham na escola.

O programa Bolsa do Pingüim deverá ser lançado no segundo semestre deste ano, a cargo do Ministério das Minas e Energia. E sem que ninguém lhe perguntasse, o ministro ao anunciar o programa já se antecipou:

-Imagino que até setembro estará pronto. O programa ainda não tem nome. Não queremos fazer nenhuma ligação com as eleições. Se fizerem alguma ligação, adiaremos por um ou dois meses. Este é um programa social', disse Lobão, ao ser questionado se o projeto possuía caráter eleitoreiro.

Se diz que este é um programa social. Será? Desculpem até as boas intenções do governo federal (se é que elas existem), mas acredito que já esteja havendo um excesso neste campo de “programas sociais” . Já demonstramos aqui que, uma família de casal mais três filhos, média padrão de famílias pobres e baixa renda, mais vale a pena o sub-emprego do que aquele com carteira assinada. Alguém empregado, com salário de um salário mínimo, com tudo em cima, acaba ganhando menos.

E, quanto mais o governo vai dando, menos motivos terá alguém para tentar se melhoar, ou ter atividade devidamente formalizadas. È mais compensador ficar em baixo do que tentar subir na vida. Ao subir um pouquinho, as pessoas acabam deixando de ganhar todos os benefícios oficiais, e com um preço piorado: precisará trabalhar.

Esta é a razão pela qual se diz que o conjunto dos programas patrocinados pelo governo Lula, claro que à custas do restante da sociedade, acaba criando um vínculo quase eterno entre os pobres e o estado, além de servir de um incentivo negativo, porque não há incentivo para as pessoas melhorarem, e sim estamos diante de incentivo negativo para as pessoas se manterem às custas do Estado paternalista, que nada lhes cobra, a não ser, o respectivo voto nas próximas eleições.

E reparem: o governo não está minimamente preocupado com o que ou no que as pessoas aplicam os recursos que recebem, sequer recebem alguma forma de orientação. No resumo final deste enredo a verdade é que, no conjunto da obra, faz muito tempo que este governo deixou de trabalhar pelo social. Isto tem um nome, e não é nenhum pouco nobre...

A reportagem é da Agência Reuters.

Programa do governo vai trocar geladeira velha por nova

RIO DE JANEIRO - O governo federal pretende estimular a troca de 10 milhões de geladeiras antigas em todo o país por meio de um programa que será lançado ainda esse ano voltado para a população de baixa renda, afirmou nesta quinta-feira o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Segundo o ministro, a idéia é que o governo reduza ou elimine os impostos federais que incidem na produção do eletrodoméstico para facilitar a troca por equipamentos mais novos:

-Essa é uma idéia do presidente Lula, ele insiste que se avance neste programa ... Esse é um programa com objetivo social, mas atende também à racionalização de energia', disse Lobão, ao lembrar que o consumo de uma geladeira antiga nas famílias de baixa renda representa cerca de 27 por cento do gasto total de eletricidade.

Segundo Lobão, o consumidor poderia dar a geladeira velha como entrada e o restante do valor seria financiado pela Caixa Econômica Federal:

-Vamos fazer um programa centralizado no governo. Grandes redes de supermercados e revendedores recebem a geladeira antiga, vendem a nova e fazem prestações módicas para o consumidor, com financiamento da Caixa.

Os detalhes do programa serão apresentados nos próximos dois meses e o lançamento deve ocorrer no segundo semestre:

-Imagino que até setembro estará pronto. O programa ainda não tem nome. Não queremos fazer nenhuma ligação com as eleições. Se fizerem alguma ligação, adiaremos por um ou dois meses. Este é um programa social', disse Lobão, ao ser questionado se o projeto possuía caráter eleitoreiro.

Comunicação é diálogo

Eugênio Bucci (*), Estadão

Ninguém é dono da razão final a priori. A razão não se impõe pela propaganda, pelo monólogo do proselitismo. Ela só adquire validade quando faz sentido natural para o conjunto dos interlocutores - e comunicar é justamente isto: tecer o sentido comum. Comunicar é buscar pontes de entendimento. É dialogar.

Os responsáveis pela mediação do debate público não podem mais ignorar o fato de que nada é mais danoso - e enganoso - do que pôr os meios de comunicação a serviço de ideários prontos e fechados. Esse tipo de prática - em meios públicos ou privados, tanto faz - não constrói confiança, não estimula a divergência e a participação crítica, não emancipa o cidadão. Nos dias atuais, de inovações tecnológicas e políticas que não cessam, nenhuma sociedade gera um espaço público saudável na base da obediência e da concordância. Foi-se o tempo em que comunicação era um alto-falante na pracinha da província. Foi-se o tempo em que a receita era adestrar as massas.

As técnicas de massificação corroem a credibilidade dos próprios meios. Não promovem o encontro de opiniões complementares, não respeitam nem assimilam os pontos de vista alternativos - apenas militam para fazer prevalecer o interesse de quem exerce poder econômico ou político sobre a mediação do debate. Não raro, poder abusivo. A massificação até consegue potencializar fanatismos de diversas naturezas, mas não gera sabedoria compartilhada. Pode compactar as maiorias em momentos específicos, mas no longo prazo conduz à destruição. O século 20 é pródigo em exemplos trágicos - e, no século 21, ainda há quem insista em retomar e reeditar as fórmulas ultrapassadas.Aos mais ansiosos os três parágrafos acima talvez soem genéricos, abstratos, descolados das atualidades ditas jornalísticas, dos dossiês da vida, da dengue desgovernada, dos congestionamentos. E, no entanto, essas palavras, assim mesmo, aparentemente vagas, tocam no âmago da qualidade do debate público e na capacidade que ele tem ou não tem de encarar e superar seus impasses. Eis aqui um dos temas mais graves dos nossos tempos. Um dos mais urgentes, também. Eis aqui um tema visceralmente jornalístico.

No universo da comunicação social brasileira, temos vivido sob o risco crescente da polarização extremada e suas deturpações inerentes: a desqualificação de quem diverge, a tentativa de dizimar a reputação alheia, a agressividade que se volta contra a pessoa sem se ocupar dos argumentos, as manipulações deliberadas. O mesmo risco pesa de modo particular sobre o jornalismo. Embora não caiba, aqui, nenhum tipo de generalização, é possível notar, em alguns episódios, que notícias e manchetes são moldadas, voluntária ou involuntariamente, segundo uma lógica que tende a submeter o significado dos fatos a uma disputa meramente partidária e ocasional. Aí, o relato dos acontecimentos vira um acessório no embate oposição versus situação e o noticiário se reduz a um ringue em que se enfrentam as vaidades da esquerda, ou do que se diz esquerda, e da direita, ou daquilo que se supõe ser a direita. De um lado, é notícia o que fere o governo. Do outro lado, é notícia o que desmoraliza a oposição. Onde estão os fatos? Onde estão as discussões de fundo? Onde está a realidade complexa e surpreendente? Será que o que define a essência de um veículo jornalístico, então, é isto: saber se ele é contra ou a favor desse ou daquele governo?

O jornalismo - assim como a comunicação social - não funciona adequadamente quando se deixa reger pelos parâmetros da lógica partidária. Ao se render a esses parâmetros, a imprensa renuncia a seu campo próprio e se converte em instrumento de causas estranhas ao direito à informação. A própria política - a política em seu sentido mais alto - sai prejudicada.

Em vez de operar segundo ditames partidários de ocasião, cabe à imprensa observar e cobrir os partidos e suas escaramuças, vendo-os de fora. Os interesses dos partidos e dos governos devem representar, para os encarregados da comunicação social, não uma baliza para alinhamentos ou combates sistemáticos, mas um fenômeno externo. Infelizmente, contudo, se observarmos com cuidado, veremos que esse tipo de desvio ainda não foi totalmente superado. Entre nós ainda sobrevive uma concepção excessivamente instrumental dos meios de comunicação, que são vistos - e, por vezes, são administrados - como porta-vozes da corrente A ou B e nada mais.Ora, sem prejuízo das visões de mundo que toma como missão - visões que jamais se deveriam rebaixar a programas partidários -, um órgão de imprensa alcança sucesso quando presta serviços e dá voz a seu público e quando abre novos canais entre os cidadãos. Sobretudo agora, com as novas tecnologias, o diálogo passa a ser o centro do sistema nervoso da comunicação. Os veículos ganham mais vitalidade quanto mais escapam da opacidade, quanto mais refletem a diversidade e quanto menos pretendem ser, eles mesmos, uma posição fechada a ser seguida pelo rebanho.

O Brasil precisa de pontes de diálogo - e só poderá obtê-las da qualidade de sua comunicação social, não das querelas partidárias. Há bons pensadores de um lado e de outro. Há homens públicos de valor dentro e fora do governo. Que suas idéias dialoguem no espaço público. Se a comunicação social e o jornalismo se deixarem formatar e organizar pelas trincheiras que partidos raivosos tentam imprimir sobre a realidade, não serão capazes de erguer as pontes necessárias. Continuarão, eles mesmos, entrincheirados. Abdicarão de seu compromisso com o público e com a busca da verdade - que, a propósito, não é monopólio nem de governos nem da oposição.
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(*) Eugênio Bucci, formado em Jornalismo e Direito pela USP, doutor em Ciências da Comunicação pela mesma universidade

Por enquanto está tudo bem, mas pode ficar pior.

Adelson Elias Vasconcellos

No post anterior, publicamos editorial do Estadão desta quinta-feira comentando algumas advertências feitas pelo FMI em relação à economia brasileira que, por aqui, poucos a tem levado a sério, o que é uma lástima.

E não é a primeira vez que o FMI nos alerta para uma excessiva expansão do crédito e o perigo que isto ocasiona, tendo em vista nossas altas taxas de juros.

Não é a primeira vez que critico esta “política” tão comemorada pelo governo Lula, de que a expansão do crédito agregado ao aumento dos programas sociais, estão sustentando a expansão do PIB brasileiro. Se isto num primeiro momento produz, de fato, um impacto positivo, por outro, no médio prazo, pode trazer problemas muito sérios.

Veja-se o caso do Tocantins, que foi alvo de reportagem do Jornal Nacional, ontem. Mais de um terço da população de sua capital, Palmas, é formada por funcionários públicos. Como praticamente a sua totalidade já fez empréstimos consignados e acabaram por esgotar sua capacidade de pagamento, hoje, as pessoas estão sem nenhuma condição de continuarem consumindo no volume dos últimos meses, a não ser no essencial. Conseqüência: o comércio local sentiu o impacto, as vendas despencaram, a retração vai obrigar a muitos comerciantes a dispensarem pessoal.

Esta política de consumo baseado em crédito e programas sociais, como já afirmei várias vezes, não passa de bolha de consumo. O que, efetivamente, garante que a expansão do PIB lastreado em consumo se sustente é aumento da massa salarial. Porque, para a fórmula do atual governo continuar dando certo, será necessário aumentar o efetivo de funcionários públicos, o que acarreta em aumentar as despesas correntes do Estado, e aumentar também seus salários. Ou seja, apenas uma parte, a que está atrelada ao governo, poderá se beneficiar. Mas, e a que custo? Aumento dos gastos públicos provoca ou redução de investimentos, indispensáveis para o crescimento econômico, ou aumento da carga tributária já acima do razoável.

Para a massa de salários é urgente que o governo siga justamente pelo caminho contrário. Ou seja: precisa reduzir seus gastos para ganhar o espaço necessário a uma redução da carga tributária. Deste modo, torna atraente os investimentos produtivos. Mais: do montante que arrecada, o governo deve investir de forma maciça em educação e em infra-estrutura. Somente deste modo, os investimentos em produção ganharam clima positivo. Com maior oferta de empregos, a tendência é o crescimento também da massa salarial.

Dentro da fórmula engendrada pelo governo, os resultados positivos que impactam o crescimento não são apenas provisórios: eles podem conduzir o país a uma cilada adversa, porque a capacidade desta política se sustentar é de pouca duração. O efeito imediato que advém chama-se recessão, ou estagnação.

Veja-se o caso pelo lado da inflação, e lá também há efeitos negativos que esta política provoca. Quando há uma rápida expansão do consumo, como agora, após longo período de estagnação, a capacidade de produção ociosa ainda administrará por algum tempo o aumento da demanda. Como aumentos da capacidade de produção não se conseguem da noite para o dia, novas plantas requerem um certo tempo entre o projeto e início operacional efetivo, a demanda não atendida provoca aumento nos preços, e em alguns casos, como no caso de automóveis, o retorno do famigerado ágio.

Enquanto o governo atual não despertar para esta lógica econômica, e insistir em festejar cegamente as pequenas conquistas que obteve na expansão do PIB através de políticas insustentáveis, mais rapidamente nos aproximaremos do perigo. Vejam por exemplo que, aumentos de demanda que provocam a elevação de preços são combatidos de duas maneiras: uma, pela elevação dos juros para conter o consumo, o que acaba se refletindo perversamente nos tomadores de empréstimos. Ou, elevação das importações, o que provoca desemprego aqui dentro, e redução de reservas internacionais.

É preciso entender que não existem fórmulas mágicas. As forças de mercado precisam andar juntas, sem desequilíbrios. Assim, todos ganham. Do contrário, quem perderá serão os menos favorecidos, no caso, os pobres. Tais bolhas podem até demorar para estourarem, e quanto mais tempo, pior as consequências. O caso americano se não nos afeta diretamente, como de resto não afetou a nenhum país emergente, deveria ao menos nos ensinar uma valiosa lição, a de que expansão econômica não se sustentam com políticas artificais.

Precisa o governo agir no sentido de reduzir o chamado “custo Brasil”, e para tanto tem que promover as reformas urgentes para tornar atraentes as atividades produtivas no país. Não podemos ser depositários apenas de capital especulativo atraídos pelos juros exorbitantes aqui praticados. Precisamos atrair capital para abertura de novas empresas ou ampliação das já instaladas. E, para tanto, o governo precisa dedicar-se a reduzir seus gastos para, fruto disto, investir mais com menos. E menos aqui, significa reduzir a carga tributária. Sem isso, a cilada nos obrigará a fazer o caminho de retorno, a um preço social ainda pior.

O Brasil e as advertências do FMI

Estadão

Avaliando o estado da economia mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI)considera que o Brasil, entre os países emergentes, é um dos mais capazes de resistir aos impactos negativos da crise criada pelos EUA. Insiste, todavia, em duas preocupações: a necessidade de o País controlar a expansão excessivamente rápida do crédito e de restringir os gastos do governo.

A baixa relação do volume de crédito com o PIB, no Brasil, leva muita gente a dizer que o País usa pouco o crédito. Mas é preciso levar em conta a distribuição de renda, muito negativa no País, assim como a taxa de juros, a mais alta do mundo, que afasta as empresas do crédito, ao mesmo tempo que os amplos prazos ocultam, para as pessoas físicas, esse custo.

O crédito às pessoas físicas cresceu 24,8% em 2006 e 33,4% no ano passado. Se consideramos a relação do crédito com o consumo das famílias, que aparece nos dados das Contas Nacionais, verifica-se que passou de 16,4% em 2006 para 20,4% no ano passado.

O crédito deve ser avaliado em razão, em primeiro lugar, do crescimento do PIB, que foi de 3,8% em 2006 e de 5,4% em 2007 - "per capita" os valores são, respectivamente, de 2,3% e de 4%. Enquanto em valor nominal o PIB cresceu 9,68% no ano passado, o crédito para as pessoas físicas aumentou 33,4% e o prazo médio, 19,3%. É essa evolução que justifica certa preocupação do FMI.

É normal, no entanto, que se procure avaliar esse crescimento do crédito às famílias em razão de dois parâmetros importantes: o crescimento do emprego e dos rendimentos. Os dados disponíveis para isso são apenas os da indústria. Em fevereiro, considerando os últimos 12 meses, houve aumento de 2,5% do emprego e de 2,8% dos salários reais (com uma inflação em torno de 5,4%). Tem-se de levar em conta que os empréstimos hipotecários foram os de maior crescimento e que, no 1º trimestre deste ano, as transações com cartões de crédito somaram R$ 1,3 bilhão, com aumento de 21% no período.

O FMI considera que a política fiscal pode ajudar os países emergentes a evitarem um aquecimento excessivo da demanda. Cumpre notar que no bimestre os gastos do governo federal cresceram 15,1% em termos nominais (10,4% em termos reais) com aumento de 14,2% nas despesas de pessoal e de 16,8% nas de custeio e capital, mas isso sem aumento da produtividade, ao contrário do que se verificou no setor industrial.

Do bric-a-brac Brasil

Adelson Elias Vasconcellos

Pelo menos o STF tem juízo
O juízo que faltou ao governo Lula e seus ministros, teve o STF ao conceder uma liminar suspendendo a ação da Polícia Federal na Reserva Raposa do Sol que estava sob a ameaça de uma guerra civil de proporções inimagináveis.

Pelo menos por hora os brasileiros moradores daquela região poderão respirar um pouco mais aliviados. Porém, a ameaça ainda persiste. Diante de um governo incapaz e irresponsável, tudo é possível, principalmente as piores decisões.

Contudo, uma questão permanece em aberto: o que levou o governo federal a agir de forma tão anti-patriótica, colocando em risco a vida de brasileiros que não são criminosos, que trabalham honestamente para sustentarem a si e às suas famílias, enquanto permite que os bandoleiros do MST, uma vez mais, em total desacato à uma ordem judicial, levem para o interior do Pará, o clima de terror e insegurança, sem que se observe uma única medida para evitar que bandidos quebrem todas as regras de civilidade, ignorem simplesmente os mais comezinhos mandamentos do bom senso, da lei e da ordem, e ameacem toda uma região com invasões e depredações contra uma empresa que é uma das maiores do mundo e que nada deve a estes vagabundos?

Quem do governo Lula está ganhando alguma coisa para, de uma lado, intimidar centenas de brasileiros com despejo através do emprego de força policial, e para outros tudo lhes é permitido?

Sem dúvida, eis uma posição bastante suspeitada parte de quem jurou cumprir e fazer cumprir a constituição do país !!!

Perdendo oportunidades
Na sessão da CPI mista, aquele circo escandaloso, montado para investigar os gastos com cartões pela presidência da república, lá estava a senadora Marisa Serrano comandando os trabalhos. O que esta senhora está ainda fazendo nesta palhaçada? Deveria era, tão logo iniciaram-se os trabalhos, ter-se levantado, acusar os governistas de sua obstrução sistemática, porque tantos eles quanto Lula, tem um verdadeiro pavor que se descubra a podridão que se esconde no uso destes cartões !!! E, mansamente, ter tomado rumo e ido embora!
E, por certo, o assunto do dia e da semana, seriam suas acusações e o ato de coragem e desapego, retirando-se com os demais oposicionistas de uma CPI marcada pela lama com a qual se tenta apagar os crimes praticados com dinheiro público pelo atual governo. Tal ação, aianda, colocaria um pouco de pressão sobre os senadores governistas que participarão da outra CPI.

Esta foi uma excelente oportunidade que a oposição perdeu para marcar sua presença frente à opinião pública.

Nem na emergência, esta gente consegue ser competente
Passam de 70 o número de mortos no Rio de Janeiro por conta da dengue. Porém, tem-se observado um fenômeno esquisito na ação comandada pelo Ministério da Saúde: os hospitais públicos permanecem cheios, mal conseguindo dar conta do volume de pessoas que os procuram. De outro lado, contudo, as tais tendas montadas pelas Forças Armadas para desafogar a rede hospitalar muita se encontram vazias. Hoje, o secretário estadual da saúde, Sérgio Cortês, declarou que se irá estudar a possibilidade das tendas ficarem mais próximos dos hospitais,no sentido de desafoga-los! Santo deus, como será que esta gente não notou isto antes?

Brinde às custas de quem?
Ontem, os sindicalistas, nova classe de gigolôs do país, fizeram um brinde com os parlamentares, em comemoração a lei que lhes garante o achaque ao bolso do trabalhador, e do qual boa parte lhes está assegurada, e sem a obrigação de prestarem contas do que farão com o dinheiro.

Bem sabemos que boa parte desta bufunfa vai irrigar muita campanha política Brasil afora, deles próprios, e dos políticos a eles simpáticos e aliados. Além de ser um acinte , é a demonstração inequívoca do quanto de degradação moral vive o país.

Reparem que TODOS os convidados são sustentados pelo Brasil que trabalha e paga impostos. Ali, aliou-se num ato solene os gigolôs da políticas e os gigolôs do sindicalismo pelego. O gigolô faz as leis que lhes garante a continuidade na expropriação da população, criando castas invulneráveis à ação da justiça. A outra, empina a bandeira em defesa do trabalhador, mas que é arriada na hora de lhes assaltar o bolso.

E, além de serem sustentados por todos nós, os vagabundos ainda se fartam com uísque, entre sorrisos, abraços e delinqüência, regando indecência no uísque que ninguém quem pagou. Mas nem seria preciso. A Nação de luto sabe qual bolso arcou com o deboche.

O que ele quer saber é quem foi o dedo-duro que denunciou
O que disse Lula sobre o dossiê. Isto, leiam:

O que quero é saber quem vazou! Não me interessa se foi um ministro ou um funcionário humilde. Quero saber, porque essa pessoa pode vazar outras coisas importantes do governo.”

É evidente que a ele não interessa saber quem montou e quem ordenou a montagem do dossiê. Disto, aliás, ele mais do que todos nós, sabem perfeitamente bem.

A ele não interesse o crime e os criminosos. Sua única preocupação é conhecer quem foi o dedo-duro quem denunciou o esquema parido pelo seu governo (mais um!). Por quê? Porque o pentelho pode, de repente, vazar as contas de Lula, ou melhor, os gastos do fausto e sua corte de perdulários. E, neste caso, diante da podridão que se esconde, sua máscara perante a opinião pública pode derreter. Isto fica claro quando menci0na que o dedo-duro pode "vazar outras coisas importantes" do governo dele. Por "coisas importantes" leia-se os crimes cometidos que permanecem resguardos sob o selo de "sigiloso". Só isso.