Adelson Elias Vasconcellos
No post anterior, publicamos editorial do Estadão desta quinta-feira comentando algumas advertências feitas pelo FMI em relação à economia brasileira que, por aqui, poucos a tem levado a sério, o que é uma lástima.
E não é a primeira vez que o FMI nos alerta para uma excessiva expansão do crédito e o perigo que isto ocasiona, tendo em vista nossas altas taxas de juros.
Não é a primeira vez que critico esta “política” tão comemorada pelo governo Lula, de que a expansão do crédito agregado ao aumento dos programas sociais, estão sustentando a expansão do PIB brasileiro. Se isto num primeiro momento produz, de fato, um impacto positivo, por outro, no médio prazo, pode trazer problemas muito sérios.
Veja-se o caso do Tocantins, que foi alvo de reportagem do Jornal Nacional, ontem. Mais de um terço da população de sua capital, Palmas, é formada por funcionários públicos. Como praticamente a sua totalidade já fez empréstimos consignados e acabaram por esgotar sua capacidade de pagamento, hoje, as pessoas estão sem nenhuma condição de continuarem consumindo no volume dos últimos meses, a não ser no essencial. Conseqüência: o comércio local sentiu o impacto, as vendas despencaram, a retração vai obrigar a muitos comerciantes a dispensarem pessoal.
Esta política de consumo baseado em crédito e programas sociais, como já afirmei várias vezes, não passa de bolha de consumo. O que, efetivamente, garante que a expansão do PIB lastreado em consumo se sustente é aumento da massa salarial. Porque, para a fórmula do atual governo continuar dando certo, será necessário aumentar o efetivo de funcionários públicos, o que acarreta em aumentar as despesas correntes do Estado, e aumentar também seus salários. Ou seja, apenas uma parte, a que está atrelada ao governo, poderá se beneficiar. Mas, e a que custo? Aumento dos gastos públicos provoca ou redução de investimentos, indispensáveis para o crescimento econômico, ou aumento da carga tributária já acima do razoável.
Para a massa de salários é urgente que o governo siga justamente pelo caminho contrário. Ou seja: precisa reduzir seus gastos para ganhar o espaço necessário a uma redução da carga tributária. Deste modo, torna atraente os investimentos produtivos. Mais: do montante que arrecada, o governo deve investir de forma maciça em educação e em infra-estrutura. Somente deste modo, os investimentos em produção ganharam clima positivo. Com maior oferta de empregos, a tendência é o crescimento também da massa salarial.
Dentro da fórmula engendrada pelo governo, os resultados positivos que impactam o crescimento não são apenas provisórios: eles podem conduzir o país a uma cilada adversa, porque a capacidade desta política se sustentar é de pouca duração. O efeito imediato que advém chama-se recessão, ou estagnação.
Veja-se o caso pelo lado da inflação, e lá também há efeitos negativos que esta política provoca. Quando há uma rápida expansão do consumo, como agora, após longo período de estagnação, a capacidade de produção ociosa ainda administrará por algum tempo o aumento da demanda. Como aumentos da capacidade de produção não se conseguem da noite para o dia, novas plantas requerem um certo tempo entre o projeto e início operacional efetivo, a demanda não atendida provoca aumento nos preços, e em alguns casos, como no caso de automóveis, o retorno do famigerado ágio.
Enquanto o governo atual não despertar para esta lógica econômica, e insistir em festejar cegamente as pequenas conquistas que obteve na expansão do PIB através de políticas insustentáveis, mais rapidamente nos aproximaremos do perigo. Vejam por exemplo que, aumentos de demanda que provocam a elevação de preços são combatidos de duas maneiras: uma, pela elevação dos juros para conter o consumo, o que acaba se refletindo perversamente nos tomadores de empréstimos. Ou, elevação das importações, o que provoca desemprego aqui dentro, e redução de reservas internacionais.
É preciso entender que não existem fórmulas mágicas. As forças de mercado precisam andar juntas, sem desequilíbrios. Assim, todos ganham. Do contrário, quem perderá serão os menos favorecidos, no caso, os pobres. Tais bolhas podem até demorar para estourarem, e quanto mais tempo, pior as consequências. O caso americano se não nos afeta diretamente, como de resto não afetou a nenhum país emergente, deveria ao menos nos ensinar uma valiosa lição, a de que expansão econômica não se sustentam com políticas artificais.
Precisa o governo agir no sentido de reduzir o chamado “custo Brasil”, e para tanto tem que promover as reformas urgentes para tornar atraentes as atividades produtivas no país. Não podemos ser depositários apenas de capital especulativo atraídos pelos juros exorbitantes aqui praticados. Precisamos atrair capital para abertura de novas empresas ou ampliação das já instaladas. E, para tanto, o governo precisa dedicar-se a reduzir seus gastos para, fruto disto, investir mais com menos. E menos aqui, significa reduzir a carga tributária. Sem isso, a cilada nos obrigará a fazer o caminho de retorno, a um preço social ainda pior.
No post anterior, publicamos editorial do Estadão desta quinta-feira comentando algumas advertências feitas pelo FMI em relação à economia brasileira que, por aqui, poucos a tem levado a sério, o que é uma lástima.
E não é a primeira vez que o FMI nos alerta para uma excessiva expansão do crédito e o perigo que isto ocasiona, tendo em vista nossas altas taxas de juros.
Não é a primeira vez que critico esta “política” tão comemorada pelo governo Lula, de que a expansão do crédito agregado ao aumento dos programas sociais, estão sustentando a expansão do PIB brasileiro. Se isto num primeiro momento produz, de fato, um impacto positivo, por outro, no médio prazo, pode trazer problemas muito sérios.
Veja-se o caso do Tocantins, que foi alvo de reportagem do Jornal Nacional, ontem. Mais de um terço da população de sua capital, Palmas, é formada por funcionários públicos. Como praticamente a sua totalidade já fez empréstimos consignados e acabaram por esgotar sua capacidade de pagamento, hoje, as pessoas estão sem nenhuma condição de continuarem consumindo no volume dos últimos meses, a não ser no essencial. Conseqüência: o comércio local sentiu o impacto, as vendas despencaram, a retração vai obrigar a muitos comerciantes a dispensarem pessoal.
Esta política de consumo baseado em crédito e programas sociais, como já afirmei várias vezes, não passa de bolha de consumo. O que, efetivamente, garante que a expansão do PIB lastreado em consumo se sustente é aumento da massa salarial. Porque, para a fórmula do atual governo continuar dando certo, será necessário aumentar o efetivo de funcionários públicos, o que acarreta em aumentar as despesas correntes do Estado, e aumentar também seus salários. Ou seja, apenas uma parte, a que está atrelada ao governo, poderá se beneficiar. Mas, e a que custo? Aumento dos gastos públicos provoca ou redução de investimentos, indispensáveis para o crescimento econômico, ou aumento da carga tributária já acima do razoável.
Para a massa de salários é urgente que o governo siga justamente pelo caminho contrário. Ou seja: precisa reduzir seus gastos para ganhar o espaço necessário a uma redução da carga tributária. Deste modo, torna atraente os investimentos produtivos. Mais: do montante que arrecada, o governo deve investir de forma maciça em educação e em infra-estrutura. Somente deste modo, os investimentos em produção ganharam clima positivo. Com maior oferta de empregos, a tendência é o crescimento também da massa salarial.
Dentro da fórmula engendrada pelo governo, os resultados positivos que impactam o crescimento não são apenas provisórios: eles podem conduzir o país a uma cilada adversa, porque a capacidade desta política se sustentar é de pouca duração. O efeito imediato que advém chama-se recessão, ou estagnação.
Veja-se o caso pelo lado da inflação, e lá também há efeitos negativos que esta política provoca. Quando há uma rápida expansão do consumo, como agora, após longo período de estagnação, a capacidade de produção ociosa ainda administrará por algum tempo o aumento da demanda. Como aumentos da capacidade de produção não se conseguem da noite para o dia, novas plantas requerem um certo tempo entre o projeto e início operacional efetivo, a demanda não atendida provoca aumento nos preços, e em alguns casos, como no caso de automóveis, o retorno do famigerado ágio.
Enquanto o governo atual não despertar para esta lógica econômica, e insistir em festejar cegamente as pequenas conquistas que obteve na expansão do PIB através de políticas insustentáveis, mais rapidamente nos aproximaremos do perigo. Vejam por exemplo que, aumentos de demanda que provocam a elevação de preços são combatidos de duas maneiras: uma, pela elevação dos juros para conter o consumo, o que acaba se refletindo perversamente nos tomadores de empréstimos. Ou, elevação das importações, o que provoca desemprego aqui dentro, e redução de reservas internacionais.
É preciso entender que não existem fórmulas mágicas. As forças de mercado precisam andar juntas, sem desequilíbrios. Assim, todos ganham. Do contrário, quem perderá serão os menos favorecidos, no caso, os pobres. Tais bolhas podem até demorar para estourarem, e quanto mais tempo, pior as consequências. O caso americano se não nos afeta diretamente, como de resto não afetou a nenhum país emergente, deveria ao menos nos ensinar uma valiosa lição, a de que expansão econômica não se sustentam com políticas artificais.
Precisa o governo agir no sentido de reduzir o chamado “custo Brasil”, e para tanto tem que promover as reformas urgentes para tornar atraentes as atividades produtivas no país. Não podemos ser depositários apenas de capital especulativo atraídos pelos juros exorbitantes aqui praticados. Precisamos atrair capital para abertura de novas empresas ou ampliação das já instaladas. E, para tanto, o governo precisa dedicar-se a reduzir seus gastos para, fruto disto, investir mais com menos. E menos aqui, significa reduzir a carga tributária. Sem isso, a cilada nos obrigará a fazer o caminho de retorno, a um preço social ainda pior.