terça-feira, abril 17, 2007

TOQUEDEPRIMA...

O quadrado mágico
De O Globo:

O loteamento de cargos de segundo escalão entre os partidos aliados começa a ser decidido pelo quarteto ministerial formado por Dilma Rousseff (Casa Civil), Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais), Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). Em reuniões entre hoje e amanhã, eles vão fechar a fórmula de "despetização" da Esplanada dos Ministérios e das estatais, de forma a acomodar os 11 partidos aliados. A meta é concluir o desenho do mapa do segundo escalão até quarta-feira, quando os partidos saberão quais indicações foram aceitas.

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2,4 milhões de jovens analfabetos
De O Globo:

A universalização do ensino fundamental não fechou a torneira do analfabetismo. Dos 15,5 milhões de brasileiros acima de 10 anos que não sabem ler nem escrever, 2,4 milhões — 15% — têm menos de 30 anos. Embora o problema atinja todas as regiões do país, 65% dos jovens analfabetos vivem no Nordeste.

Considerados apenas os jovens entre 15 e 29 anos, são 1,8 milhão de iletrados. São pessoas que chegam ao mercado de trabalho incapazes de ler a placa do ônibus ou anotar um número de telefone. Conseguir emprego fica difícil:

— É quase impossível. Não conseguem emprego estável, recebem baixos salários — resume o presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Simon Schwartzman, que presidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no governo Fernando Henrique.

COMENTANDO A NOTICIA: Vamos ver no que isso vai dar. No primeiro reinado, Lula lançou sob luzes, foguetórios e discursos cretinos, um programa de erradicação do analfabetismo que redundou num formidável fracasso, como tudo o que saiu de sua lavra. Agora, lança outro programa igual, esquecendo-se à moda Lula do programa anterior e das promessas não cumpridas. Repetindo o discurso, e renovando as promessas, além de toda cantilena formidável que só um tipo como ele é capaz de produzir. Claro que vamos torcer a favor, até porque quanto mais educado o povo, quanto mais bem informado com acesso universal à informação de qualidade, menos vulnerável se torna este povo a colocar no poder aventureiros deste tipo. Resta saber que este programa, como os demais, ficarão apenas na festa, discursos e holofotes, ou se haverá de fato vontade política de levados à cabo de forma satisfatória e atingindo os resultados propostos.

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Desgoverno
De João Ubaldo Ribeiro em O Globo:

Imagino que agora, depois de seis meses em que o presidente ordena que o apagão desapague sem que nada aconteça, o dito apagão não seja mais problema, até porque o presidente deixou que outros dessem as ordens e - são essas coisas curiosas da vida - aí as ordens foram atendidas. Mas não entendo bem dessas altas questões e só sei é que, em toda essa crise de quem a principal culpada deve ter sido a imprensa, o governo ainda teve tempo de pensar na área cultural e ofereceu um espetáculo muito superior a qualquer clássico dos Três Patetas (no governo há muito mais de três, vivemos uma era de fartura). Continuamos na venturosa posição de este ano não termos governo até o momento e, por conseguinte, também não termos de que nos queixar. Ninguém pode alegar que ele está fazendo alguma coisa e, por conseguinte, não há ações a criticar.

Até porque, leio nas folhas que, depois que o presidente aprendeu que os generais não têm por hábito chamar os sargentos de ''companheiros sargentos'', passou a ocupar-se de outras questões, entre as quais avulta o deslanchar impetuoso do PAC. E as folhas dizem também que a fuzarca desenvolvimentesca (novos tempos, novos termos) vai começar por estes dias, com intensa campanha de propaganda para divulgar que o PAC vai fazer e acontecer. Isso é muito necessário, para obter a compreensão e o apoio do povo, tanto assim que, novamente conto o que leio nos jornais, a verba de propaganda é bem maior do que a destinada ao principal projeto de educação. Pode não ter governo, mas propaganda do governo tem - não se pode querer tudo ao mesmo tempo, dr. Waldir Pires já disse, tem que ter paciência.

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Mudanças no jornalismo
Da Folha de S.Paulo:

A notícia da morte do jornal é um exagero (...) Ao menos é o que se conclui da leitura de três levantamentos recentes, o mais importante deles "O Estado da Mídia" ("State of the News Media 2007"), recém-divulgado.

O relatório afirma que o modelo no qual as empresas de comunicação se firmaram nas últimas décadas nos EUA está sendo revisto -e que o ritmo da mudança se acelerou no ano passado: "A transformação pela qual o jornalismo passa é histórica, tão importante quanto a invenção da televisão ou do telégrafo, talvez tanto quanto a invenção do processo de impressão em si", afirma o estudo, o mais amplo do tipo, feito anualmente por entidade ligada à Universidade Columbia, em Nova York.

Diz ainda que os jornais começam a se mexer mais rapidamente, embora não saibam ainda exatamente o caminho a seguir. Nesse sentido, ganham importância iniciativas como a integração de Redações das versões em papel e on-line do mesmo veículo, o uso maior dos recursos multimídia, a disseminação dos blogs e até a utilização do chamado "jornalismo cidadão", em que o leitor contribui com notícias ou imagens.

COMENTANDO A NOTÍCIA: É evidente que transformações acontecerão nos processos de informação. A tecnologia torna estas mudanças inevitáveis. Porém, é preciso não se cair no exagero de acharem que o jornal vai morrer. Não vai. Com o advento da televisão e da própria internet, o bom e velho rádio, continua aí, no ar e firme e forte. Do mesmo modo, a edição de livros, tendo sua leitura e vendagem, além dos lançamentos de novos títulos, sempre em curvas ascendentes, o jornal tradicional passará por remodelações para adaptar-se às novas dinâmicas do mercado, que não inevitáveis à sua sobrevivência. É claro que aqueles que insistirem no tradicional, não investirem nestas novas dinâmicas, tendem a ficar para trás e acabarem extintos. É da lei de mercado que sobrevivam os mais fortes e os mais bem adaptados.

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Caras mulheres

Sairão do nosso bolso R$ 1,1 milhão para o II Congresso Nacional de Políticas para as Mulheres, de 18 a 21 de agosto, em Brasília. O Palácio do Planalto abriu licitação para alugar 1.423 quartos em hotéis da capital.

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O Brasil em cima do muro
De O Estado de S.Paulo:

No polêmico debate sobre a liberdade da imprensa e o respeito às religiões, o Brasil opta por ficar em cima do muro. O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou resolução pedindo a proibição da difamação pública de religiões e reivindicando que a liberdade de expressão “seja exercida com responsabilidade” e, portanto, esteja “sujeita às limitações da lei”.

A proposta foi feita pelos países islâmicos e, mesmo com a oposição dos europeus, foi aprovada. O Brasil, que sofreu forte lobby dos países árabes para se unir ao projeto, preferiu a abstenção. O voto foi dado no final da semana passada, mas vem ganhando repercussão cada vez maior. Para organizações não-governamentais que combatem a resolução, os países que se abstiveram ajudaram indiretamente a aprovar a medida.

COMENTANDO A NOTICIA: Não foi a primeira vez nem tampouco será a última. E exatamente por conta disso, o Brasil não merece de modo algum assento no Conselho Permanente de Segurança da ONU, proposição que vem sustentando desde que Lula assumiu. Um país precisa deixar claro seus compromissos com a comunidade internacional, além de mostrar claramente sua ideologia. Como a nossa cheira ao mofo esquerdopata do século passado, e sempre que confrontado em tomar posição em defesa da segurança dos povos livres, o governo Lula tem agido de forma leviana, omissa e abstendo de votar. Com tal comportamento, fica cada vez mais distante a conquista da cobiçada cadeira. Nenhum país vai confiar em alguém que sabe apontar seu próprio lado da história.

Tunga na platéia

Diego Escosteguy , Revista Veja

A CPMF, tributo criado para durar pouco e arrecadar recursos para gastos emergenciais com saúde, sempre causou polêmica. Sigla para contribuição provisória sobre movimentação financeira, ela há muito deixou de ser provisória e tampouco pode ser chamada de contribuição. Quando o presidente Fernando Henrique Cardoso instituiu o tributo, em 1996, houve uma grita generalizada. O PT, por exemplo, disse que o tributo era inconstitucional e foi reclamar até no Supremo Tribunal Federal, sem sucesso. Seguiram-se quatro renovações, a última delas em 2003 – todas sob a estridente oposição dos setores produtivos da economia. Em dezembro deste ano, a CPMF perderá a validade, a não ser que o tributo seja prorrogado pela quinta vez. Para assegurar uma nova renovação, o governo botou o bloco na rua. Nos últimos dias, o presidente Lula fez acordos com governadores, prometeu dar uns caraminguás aos prefeitos e ameaçou demitir apaniguados da base aliada no governo – tudo para garantir que o Congresso aprove a prorrogação da CPMF até o fim de seu mandato, em 2010. O que mostra que, na reforma tributária, aquela que não existe, o único interesse do governo é sempre o mesmo: prorrogar a CPMF.

O governo tem motivos de sobra para tentar manter viva a contribuição. Atualmente, a CPMF responde por 8% de tudo o que a Receita Federal arrecada. Somente no ano passado, a contribuição rendeu 32 bilhões de reais aos cofres públicos. É o equivalente ao orçamento anual da Pasta da Saúde, o mais colossal da Esplanada dos Ministérios. Hoje, toda vez que uma pessoa ou empresa faz uma operação bancária, 0,38% do valor dessa transação vai parar nas contas do governo. A característica perversa da CPMF consiste em arrancar o mesmo 0,38% dos ricos e dos pobres, além de atingir todas as etapas da produção de um bem, como a fabricação, a distribuição e a revenda – o que encarece o preço final de qualquer produto. "A CPMF é um tributo injusto e deveria acabar, mas o estado se tornou refém dele", diz Gilberto Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. "O governo vai fazer de tudo para prorrogá-lo."

No mais recente lance desse vale-tudo, Lula prometeu, em discurso na semana passada para 3.000 prefeitos em Brasília, empenhar-se para que o Congresso aprove um aumento na participação dos municípios na arrecadação do governo federal – em troca, é claro, do apoio dos prefeitos para que a CPMF seja renovada. O agrado do presidente poderá render 1,3 bilhão de reais aos cofres das prefeituras. No mês passado, também em busca de apoio político, Lula já prometera aos governadores dividir parte da receita do tributo com os estados. Enquanto fazia promessas em público, o presidente distribuía ameaças nos bastidores. Numa reunião com aliados na segunda-feira, disse que não vai admitir vacilos na votação da CPMF no Congresso, sob pena de retaliar com demissões nos tão disputados cargos de indicação política do segundo escalão. Tanto esforço deverá resultar em mais cinco anos de tunga no bolso do contribuinte.

Onde anda o Ministério das Cidades?

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - Certas coisas, só no Brasil. Melhor dizendo, só no governo do presidente Lula. Retornam hoje aos seus municípios os mais de dois mil prefeitos reunidos na capital federal desde terça-feira. Voltam de mãos abanando, como acontece todos os anos, mas isso não constitui novidade.

O inusitado, o surpreendente, é que para dialogar com os prefeitos o presidente da República designou uma comissão formada por três ministros: Dilma Rousseff, da Casa Civil, Paulo Bernardo, do Planejamento, e Walfrido dos Mares Guia, da Coordenação Política. Onde o espanto?

No fato de existir um ministro das Cidades, que não foi ouvido nem mobilizado. E os prefeitos governam o que, senão as respectivas cidades? Dependem diretamente de que ministério, em seus pleitos rotineiros? Pois nem visitar o ministro Márcio Fortes eles visitaram. Também, se fossem ao seu gabinete, talvez não o encontrassem. Ou, quem sabe, recebessem o conselho de procurar o trio composto pelo presidente Lula...

Dizia o saudoso Dr. Ulysses que ninguém mora na União, sequer nos estados. O cidadão mora no município. Na cidade. Vale repetir: é lá que as crianças vão à escola, os doentes aos hospitais e os trabalhadores ao emprego. Outro pranteado líder que também já nos deixou, Franco Montoro, passou a vida inteira defendendo a descentralização administrativa e o fortalecimento dos municípios. Mais atribuições, mais responsabilidade e mais recursos para as cidades, era o seu lema.

Infelizmente, vivemos o avesso dessa solução. O poder central monopoliza cada vez mais as verbas orçamentárias, avoca a realização de todas as políticas públicas e uniformiza a gestão de iniciativas que o bom senso mostra precisarem ser diferenciadas em cada um dos 5.954 municípios nacionais.

Quem sabe em que bairro deve ser implantada uma nova escola? Quem melhor decidirá a localização de um presídio? Quem identifica com mais precisão as propriedades improdutivas objeto de desapropriação? Quem conhece objetivamente as comunidades carentes de alimentação e emprego? São os prefeitos, sempre de chapéu na mão, à mercê de uma tecnocracia impessoal instalada em Brasília.

Voltando à infância
Aperta-se ainda mais o cerco sobre os fumantes. Agora vai ser proibido fumar em qualquer prédio, casa ou estabelecimento público ou privado. Já não se podia fumar em bares ou restaurantes, exceção dos que possuíam varandas ou calçadas. Pois nem nelas será permitido acender um cigarro. Houve tempo em que, ao entrarmos no avião, a aeromoça distribuía chicletes e cigarros. Aliás, hoje, só barra de cereal. Tudo bem, em recintos fechados a fumaça incomoda os não fumantes. Mas onde as janelas estão abertas e há espaço de sobra, é perseguição. Implicância.

Claro que o cigarro faz mal à saúde. Apressa o enfarte e até costuma dar câncer. Só que fuma quem quer, ou quem, durante décadas, foi induzido ao fumo através de monumental propaganda envolvendo rádio, televisão, cinema, imprensa escrita e tudo o mais. Determinada marca conduzia o fumante ao sucesso. Outra fazia o cidadão levar vantagem em tudo.

O mundo evoluiu, proibiu-se a propaganda de cigarro nos meios de comunicação social e limitou-se o hábito de fumar a locais específicos. Mas do jeito que as coisas vão, é demais. Daqui a pouco proibirão o fumo nas ruas, nos parques e nos jardins. Quem sabe em todo o território nacional, inclusive em nossas casas?

Já basta botar no bolso o que não queremos. Não se trata dos cigarros, mas dessas detestáveis fotografias impressas em todos os maços, ameaçando e amedrontando, além de seu profundo mau gosto.

Querem acabar com o cigarro? Então proíbam o funcionamento das fábricas. Fechem todas, ou obrigue-se cada uma à reciclagem: que passem a produzir chicletes ou barras de cereal, por exemplo. Nessa hora, calam-se todos, porque a indústria do fumo paga impostos aos montes, distribui propinas a mais não poder e financia candidatos de todos os partidos, em todas as eleições.

Só para concluir: nós, fumantes, estamos retroagindo à infância, quer dizer, voltamos a fumar escondido. Até ele, que jamais abandonou a cigarrilha...

Lula manda barrar CPI no Senado

O Globo

Antes de embarcar, domingo à noite, para viagem de dois dias à Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu ontem com os três líderes do governo no Congresso para avaliar os vários cenários da CPI do Apagão Aéreo e articular a estratégia da base governista. Cientes de que a CPI é praticamente inevitável, Lula e os líderes concluíram que é preciso abortar a investigação no Senado, onde a oposição é mais forte, e administrar a comissão na Câmara, onde a base governista já mostrou que tem força e votos.

Os líderes do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), passaram cerca de quatro horas no Planalto com Lula e o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. A ordem é que os líderes tentem evitar a CPI, mas, se não for possível, que briguem para que se restrinja à Câmara.

— O presidente não está montando uma tropa de choque para evitar a CPI, não vamos pedir a ninguém para retirar assinaturas. Tenho defendido que a CPI fique na Câmara, onde tudo começou, e onde está aquela quizumba de obstrução — disse Jucá.

COMENTANDO A NOTICIA: Que as oposições não tentem fazer papéis ridículos nesta história. No Senado há chances de pelo menos descobrirmos boa parte das falcatruas produzidas na Infraero ? Então que lá se instale a CPI. Nada de acordos, nada conchavos, nada de “acertos” subterrâneos. Está na hora da oposição começar a desempenhar seu papel de verdade. Não interessa que seja minoria, não interessa que Lula tenha mais de 60 % de aprovação. Interessa é marcar presença, e um meio de se fazer isto é mostrar à sociedade as “negociatas” que se cometem nos porões do governo. Mesmo que ninguém seja preso, mesmo que ninguém seja pelo menos processado. A oposições precisam afinar seu discurso e começar a arrancar a máscara de hipocrisia do governo Lula. Exibir para todo o país as mentiras, as leviandades, as desonestidades, as mistificações.. Estejam certo que, mais dia menos dia, Lula será cobrado pelo desgoverno que faz, pelas mentiras que conta, e pela que esconde.

Bem, obrigado

Carlos Sardenberg, Portal G1
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No curtíssimo prazo – para hoje, agora – a inquietação na economia mundial ainda vem da ata do banco central norte-americano, que aventou a possibilidade de alta dos juros por lá.
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Mas para o médio e longo prazo, o ambiente é claramente otimista. Praticamente todo dia sai um relatório, um documento prevendo a continuidade do crescimento da economia mundial.
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Ontem, foi o do FMI. Hoje, o presidente do BC europeu, Trichet, acaba de comentar que as condições atuais indicam “expansão sólida” na União Européia. Confirmou todas as linhas indicadas pelo FMI.
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Também a revista Economist que circula nesta semana indica o mesmo cenário: desaceleração nos EUA, mas suave e ainda com bom potencial de crescimento, e alguma modesta aceleração no Japão e Europa.
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Resumo geral: o mundo vai bem, obrigado.
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De novo, há desequilíbrios, mas até aqui, pelo menos, têm sido bem administrados.Os países espertos estão aproveitando a onda.

COMENTANDO A NOTÍCIA: E nós, por que não estamos aproveitando para “pegar” a onda ? Porque teimamos em não assumir o risco político de se fazer a coisa certa, ou seja, e no caso, as reformas tributária (é a única que tem consenso, menos no governo), previdenciária, trabalhista, judiciária (estrutural e do código penal), política.

Enquanto o Brasil insistir em retardar o que lhe compete fazer, mais distante se manterá os emergentes que o acompanham. Como não se vê nenhum movimento coeso e forte para forçar as mudanças, a pergunta que fica é: queremos mesmo mudar ?

TOQUEDEPRIMA...

Apetite do PMDB assusta até o PT
De O Globo:

A disputa pelos cargos federais de segundo escalão do governo Lula já começou. Os petistas não querem largar o osso e o PMDB chegou com uma fome de anteontem. A situação é tão delicada que o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, informou ontem que a negociação deve demorar de dois a três meses. Segundo ele é preciso tempo para avaliar as listas de indicações apresentadas pelos 11 partidos aliados. O governo quer ganhar tempo e ver como evoluem assuntos polêmicos no Congresso, entre eles a votação do PAC e a CPI do Apagão Aéreo.

Mares Guia disse que haverá uma mudança na composição do governo. Ele lembrou que, no primeiro mandato, a base do governo foi a aliança PT, PL e PCdoB. Por isso, os cargos foram concentrados nesses partidos, e só com o tempo foram atendidos o PMDB governista, o PSB e o PTB. Mas, segundo o ministro, com a ampliação da base no segundo mandato, será preciso abrigar todos os que estiveram no palanque de Lula.

COMENTANDO A NOTÍCIA: O PMDB trai duplamente o país: primeiro, porque desonra o mandato parlamentar, por encharcá-lo cada vez mais com a lama da imoralidade. Vende-se por cargos. Usa e abusa da lei do é “dando que se recebe”. E segundo, porque em troca destes favores de aluguel-bordel, acaba aprovando projetos de interesse do petê, mas não de interesse do país. Diante disto pode-se dizer que tornou-se a prostituta legislativa mais cara da Nação. E só porque Lula ainda tem interesse em preservar a promiscuidade até ver aprovados seus “projetos”, é que o petê suportará o papel de concubina abandonada. Mas é provisório: Lula sabe disto, o petê sabe disto, menos o PMDB, que vai se lambuzar na lama até se fartar e fizer os agrados que lhe são pedidos.

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País da burocracia

O inspetor Fernando Fráguas confirma que há quatro meses a Alfândega do Porto do Rio retém doações de Taiwan para crianças pobres do DF, mas culpa entidades destinatárias, por não apresentarem certidões legais.

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Os indivíduos e o partido
Reinaldo Azevedo

Alguns leitores estão estranhando que o deputado Luiz Bassuma (PT-BA) estivesse no protesto contra o aborto. Nesse caso, alguns detalhes fazem a diferença. Bassuma vem da militância sindical da Petrobras da Bahia, mas é espírita. Os espíritas são contra o aborto. E isso explica a sua posição, mesmo estando no PT. Há também, como se sabe, uma forte influência da Igreja Católica no partido, daí que não haja unanimidade em favor do aborto na legenda. Ok. As individualidades devem ser levadas em conta, é claro. Mas é preciso analisar a política pública do partido. E ela é inquestionavelmente pró-aborto, o que se pode verificar nas palavras do ministro da Saúde — não é do partido, mas é o representante de Lula na Saúde — e também na ação política da tal Secretaria das Mulheres.

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Governo vai propor renovação de CPMF e DRU nos termos atuais
Fonte: Reuters

O governo informou nesta segunda-feira a líderes partidários que vai elaborar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para prorrogar por quatro anos a CPMF e a Desvinculação das Receitas da União (DRU) nos termos atuais, informou o líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE). O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), afirmou que a idéia do governo é colocar a PEC em votação até setembro.

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia dito que "no futuro" o País terá de estudar a redução gradativa da alíquota da CPMF, hoje em 0,38%, e afirmou que isso pode ocorrer de maneira "seletiva". Mas, segundo ele, a prioridade é promover novas desonerações sobre tributos que afetem diretamente a produção: "neste momento, eu não acho que reduzir a CPMF é que vai ter esse impacto". "Em princípio, nós gostaríamos de renovar nos termos atuais para os próximos quatro anos", disse Mantega.

Após o encontro de Mantega com líderes partidários no Palácio do Planalto, Múcio afirmou que o governo estuda desonerar alguns setores. "Mas os líderes, na sua unanimidade (...), acham que é melhor uma desoneração horizontal, que atinja a todos (os setores)", disse. Segundo ele, Mantega afirmou que iria pensar no assunto e que possivelmente voltaria a tratar do tema na quinta-feira, quando há nova reunião agendada.

A DRU garante ao governo o direito de direcionar 20% das receitas orçamentárias livremente, sem o constrangimento das vinculações, e é considerada importante para a saúde fiscal do setor público. A CPMF rende aos cofres públicos mais de 30 bilhões de reais ao ano.

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Zero à esquerda

O cliente de TV por assinatura paga mensalidades caras e tem que aturar abuso de comerciais. O que a Agência Nacional de Telecomunicações diz a respeito? Como sempre, lava as mãos: "não regulamentamos conteúdo". Compreende-se: a eles interessam outro tipo de “regulamentação”, e dirigida justo para os veículos que não são do agrado do poder instalado em Brasília. É incrível como uma agência que deveria “regular” a atividade, simplesmente não regula. Existe prá quê então, para abrigar no cabide os empregos companheiros e assaltar com taxas exorbitantes aqueles a quem deveria fiscalizar e não fiscaliza ?

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Palocci vive
Guilherme Fiúiza, Política & Cia., NoMínimo

Com todo desenvolvimentismo, com todo manteguismo, com todo PACismo, com toda a ladainha governista de crescimento e chororô anti-juros, o Beca está de volta.

Beca é Bernard Appy, homem forte de Antonio Palloci, aquele cuja era teve seu fim decretado por amigos de Lula como o ministro da Justiça, Tarso Genro.

Em pleno manteguismo (essa escola que levou a panfletagem acadêmica para dentro do Ministério da Fazenda), o preposto da Fiesp Julio Gomes de Almeida – que foi para o governo para acabar com a balela neoliberal e fazer o Brasil finalmente crescer – foi mandado para casa. Em seu lugar na secretaria de política econômica da Fazenda, está de volta o Beca.

De sobremesa, Guido Mantega foi instruído a elogiar o Banco Central e dizer que a política monetária – essa que o petismo vive dizendo que é ruinosa – está certa e é muito boa.

Conclusões tranqüilas:

1. Palocci vive.
2. Lula não é bobo.

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Ex-governador '90% honesto' quer a ECT

O ex-senador João Alberto, que afirmou ter feito um governo "90% honesto" no Maranhão no início dos anos 90, recebeu a promessa do chefe senador José Sarney (PMDB) de assumir o Banco Postal e a diretoria de Operações dos Correios, a ECT.

Lula se irrita com pressão dos aliados

O Globo

"Ao mesmo tempo que pede fidelidade e agilidade dos líderes governistas na Câmara para evitar o pior na provável CPI que vai investigar a crise no setor aéreo, o presidente Lula demonstrou ontem impaciência e irritação com a pressão dos aliados pelos cargos do segundo escalão. E mandou avisar, mais uma vez, que não está com pressa para fazer as mudanças no governo. Os líderes aliados, que não estão vendo seus pleitos por cargos serem atendidos, já estão retardando votações importantes, como as das medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ontem, em reunião com os líderes do governo no Congresso, Lula reagiu às cobranças:

— Não vou fazer as mudanças com pressa para mudar o segundo escalão. Vou analisar caso a caso. E só depois resolver com calma.

Apesar do discurso, o Planalto começou a receber as listas com os cargos cobiçados pelas bancadas. Mas o problema é que boa parte dos cargos é cobiçada por mais de um partido, além dos atuais titulares, que trabalham para permanecer no governo."

COMENTANDO A NOTICIA: Nenhuma razão para ficar irritado. Deveria o presidente saber primeiro, que o apetite por cargos no meio político não tem limites. Muitos são capazes de rifarem a própria para poder usufruir de uma escolha em qualquer cargo público. Segundo, que com uma base tão ampla – 11 partidos – e tão heterodoxa, as pressões são naturais. De um lado, Lula tem pressa em ver aprovados projetos de seu interesse, e usa isto para barganhar. De outro lado, as ratazanas exigem os cargos primeiro, para votarem depois. Nesta briga de foice, fica o país atravancado, esperando que eles se digladiem, sem pressa, sem vergonha na cara. Que o interesse dos cidadãos se danem: o importante é cada rato ser favorecido com o seu quinhão.

Lula conhece bem o meio, e deveria se precaver mais. Da forma como vem conduzindo estas “barganhas” é capaz de quebrar a cara diante de um porra louca que não será capaz de medir sua ganância, e sua falta de caráter, e de repente, escapa ao controle e sai fazendo e falando besteiras comprometedoras. Contudo, este é o caminho que Lula escolheu. Então, que trate de resolver logo esta putaria de nomeações indecorosas, e comece a governar o país de uma vez por todas.

Governo propõe ´adendo´ a projeto para mudar Emenda 3

Adriana Fernandes e Fabio Graner, Estadão online

BRASÍLIA - O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, informou nesta terça-feira que o governo vai encaminhar ao Congresso "um adendo" ao projeto de lei que pretende substituir a chamada Emenda 3. De acordo com o ministro, o projeto pretende "melhorar o texto" encaminhado anteriormente.

Mares Guia não deu detalhes, mas admitiu que o novo projeto deve admitir, em certos casos, a contratação de profissionais que formam pessoas jurídicas para prestar serviços a outras empresas.

"Entre o encaminhamento daquele substitutivo e hoje nós aprendemos um monte de coisas sobre como funciona o mundo real", disse Mares Guia. "Tem certo tipo de funcionário que você não pode contratar simplesmente na base da CLT, para dizer ´olha, estou te dando aviso prévio para você ir embora daqui a 30 dias´ ou ele chegar e dizer ´daqui a 30 dias vou embora´", acrescentou. " Então, essa questão da PJ foi entendida na sua essência".

Pesquisa de mercado
Segundo Mares Guia, o Ministério da Fazenda fez uma enorme pesquisa no mercado - entre empresas de engenharia, de serviço, de comunicação, agências de publicidade, e grandes empresas que têm diretores com salários altos, e reconhecidos no mercado, que têm mandato, não podem ir embora.

"A Receita entendeu isso, o ministro Guido (Mantega, da Fazenda) vai mandar um adendo ao projeto que está lá (no Congresso) para melhorar o projeto ainda mais, para poder estar do lado positivo e não do lado negativo do veto", disse o ministro.

Críticas
O representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sérgio Campinho, criticou sobretudo o projeto enviado pelo governo que regulamenta a "norma geral antielisão". Na sua avaliação, haveria conflito de interesse na ação da Receita ao ter o poder de desconsiderar pessoa, ato ou negócio jurídico.

Como órgão interessado em aumentar a arrecadação, disse Campinho, a Receita não teria a imparcialidade necessária para fazer a avaliação, atribuição que seria do Poder Judiciário.


COMENTANDO A NOTÍCIA: Reparem que somente após a polêmica levantada com o veto à Emenda 3, é que o governo ocupou-se em pesquisar sobre o assunto, além de informar-se de que como se dá esta relação de trabalho. Significa dizer que Lula vetou uma emenda sem ter a menor noção do que estava fazendo.

Compreende-se. Leitura nunca foi uma tarefa agradável para Lula. Tal o seu governo, Lula age por instinto, por impulso. Não por outra razão seu governo é feito de improvisações, de arranjos, e claro, de trapalhadas. Não se segue um plano de governo, até porque este não há, um certo roteiro estratégico pré-determinado. Se a questão a tratar representa um problema imenso, empurra-se com a barriga. Ou , se inventa uma história cretina qualquer e toca-se em frente.

Mas, voltemos à Emenda 3. Agora, diante da ameaça do Senado de derrubar seu veto, Lula acena com propostas, com adendos, com arranjos e desarranjos, sem contudo mexer no essencial, no enfoque que torna sua decisão inconstitucional. Fiscal foi feito para fiscalizar. Juiz para julgar. É da competência e da alçada da Justiça julgar as questões relativas as relações de trabalho. Lula não quer isso. Primeiro que, pela atual estrutura da justiça trabalhista, a questão demandaria muito tempo para ser julgada. Então, ao invés de adequar a Justiça para dar-lhe eficiência e celeridade em seu trabalho, burla-se a lei e resolva-se tudo no atropelo. Observem que os “acertos” deste projeto que o governo pretende enviar para aprovação pelo Congresso, não se mexe naquilo que torna a lei que criou a Super-Receita, a sua maior safadeza. Prefiro este termo “safadeza” a “malvadeza” por representar melhor a sacanagem do governo Lula para com as empresas prestadoras de serviços.

Claro que Lula não está nem aí para a dita sociedade organizada. Bom é sugar tudo o que puder e entregar esta gente que resolveu ser independente nas mãos da CUT. Sindicalize-se este pessoal. As centrais afinal, não podem dispensar estes “produtivos” contribuintes. Quantos eles são ? Cerca de 3,4 milhões. Tivesse este governo vergonha na cara, e ao invés de mexer no que está dando certo, preocupar-se-ia com os mais de 50,0 milhões de trabalhadores informais, sem seguro, sem benefícios sociais, sem assistência médica, sem direito a aposentadoria. Isto sim seria uma revolução. Mas dá trabalho mexer com toda esta gente. Melhor que seja com aqueles que não escondem a cara.

A marca deste desgoverno é sempre virar de cabeça para baixo setores da sociedade que levam a sério seu trabalho. Querem um bom exemplo desta verdade ? O setor de controle de tráfego é bem representativo. Enquanto o PT não chegou ao poder, nunca se tinha visto sequer rastro de turbulências. Bastou Lula a intrometer-se em sindicalizar a atividade e pronto: ninguém mais se entende, e o setor virou um caos total, uma bagunça.

Esta característica é sim um método. Na oposição o PT sempre apostou no quanto pior melhor. No poder, já se vê, o método continua o mesmo. Ou seja, continuam os cafajestes de sempre.

Lula e a cobra

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

O incomparável Joel Silveira, na década de 40, conquistou a justa fama de maior repórter do País, porque tratava os assuntos cruamente, sem medo e sem piedade. Começou uma série de reportagens sobre velhos dirigentes políticos. E acabava sempre dando algumas bordoadas nos coitados.

Um dia, foi procurar o lendário Antonio Carlos de Andrada, ex-governador de Minas e ex-presidente da Câmara dos Deputados. Mal entrou, Joel levou um susto. O velho Andrada começou a falar de Sergipe, do pai de Joel, dos amigos dele, das crônicas dele, dos livros dele, que citou um a um.

Joel ficou encantado, fez a entrevista. Na semana seguinte, "Diretrizes" publicava uma reportagem de Joel, muito simpática, sobre Antonio Carlos. Um amigo, surpreso, perguntou ao ex-governador como conseguiu aquilo. - Muito simples. Passarinho que não pode fugir de cobra fica voando em volta. Eu dei um vôo em torno dele, dos livros dele e ele amansou. Foi só jeito. Lula governa como passarinho fugindo de cobra. Só voando e falando.

Heróis
A "Folha" tinha feito uma enquete com 200 "personalidades" (jornalistas, escritores, professores, artistas, economistas, religiosos) para escolherem "o maior brasileiro de todos os tempos". Ganhou Getulio, depois Juscelino, Machado de Assis, Rui Barbosa, Tiradentes, Santos Dumont.

O jornal fez também uma votação pela internet: 66.303 pessoas. Ganhou "o povo" com 32%. Depois, Santos Dumont (18%), Juscelino (13%), Getulio (8%), Rui Barbosa (6%), Tiradentes (6%), Machado de Assis (5%), Niemeyer (4%), Pedro II (4%), Tom Jobim (3%), José Bonifácio (1%).

Não há apagão que apague Santos Dumont. Nem cassação que derrube Juscelino. E nenhum voto para general. Ao contrário da América Latina, o Brasil não é uma civilização militarizada. E Niemeyer é nosso herói vivo.

Piauí
Lula e o PT fizeram um carnaval de propaganda e um balaio de votos com os empréstimos e seguros consignados em folha de pagamento dos funcionários. Mas, às vezes eles mesmos descarregam a benemerência na cabeça do povo. No Piauí, está acontecendo uma história revoltante.

Até certo tempo, o Piauí era o único Estado que não tinha desconto em folha. O governador Hugo Napoleão, depois de uma série de exigências, liberou os descontos em folha para bancos e empresas que tinham solidez.

Veio o governo do PT: Wellington Dias. Os descontos continuaram e o governo do Estado recolhe o dinheiro dos funcionários e ainda cobra taxas das empresas para fazer os descontos em folha. Mas, em vez de repassar para os bancos, planos de saúde, seguradoras, associações de classe, o governo do PT começou a ficar com o dinheiro, que não é dele. Não paga nada. Pega tudo.
Está dando a maior confusão. O funcionário é descontado todo mês na folha de pagamento. Como o governo não repassa o dinheiro, os planos de saúde, seguros de vida, associações de pensões suspendem os atendimentos. E pior. Os bancos estão cobrando mais juros e processando os funcionários.Isso é coisa que se faça, governador? Que papelão! Logo você, do PT!

Afonso Arinos
O ótimo livro do embaixador Afonso Arinos, filho ("Mirante", da Topbooks), que comentei aqui na terça, dá uma bela lição de espírito público. Quem escreve tem o dever de dizer o que pensa, doa a quem doer. Ele diz:

1 - "Fernando Henrique é, sem dúvida, o presidente mais preparado intelectualmente que o Brasil já teve até hoje. Organiza e racionaliza a administração do Estado, procura conceituar com lógica os atos de governo. Mas sua ação se compromete com negócios nebulosos, como o processo das privatizações, se desfazendo de empresas públicas estratégicas para nossa economia, e conduzindo a entrega de grandes ativos estatais aos consórcios privados, constituídos pela associação de grupos nacionais aos estrangeiros. Vende o patrimônio do Estado com financiamento do próprio Estado, sob o pretexto de abater a dívida pública - que até hoje só fez multiplicar-se".

2 - "As dimensões do território e da população do Brasil representariam por si só fonte inesgotavel de produção e enorme mercado de consumo, suficientes para nos tornarem um dos maiores países agrícolas e industriais do mundo. Isto se a economia brasileira não fosse gerida por ex-associados e antigos empregados de patrões estrangeiros mais atentos aos ditames de pátrias e matrizes distantes do que aos interesses nacionais".

Tarso Bobbio
Parece que os eflúvios jurídicos de Milton Campos, Mem de Sá, José Carlos Dias, Marcio Tomás Bastos e outros raros que passaram pelo Ministério da Justiça estão fazendo bem ao árdego leninista Tarso Genro. Depois que assumiu o ministério, começou a tomar juízo. Agora é "bobiano": "A genialidade de Norberto Bobbio (jurista e filósofo italiano) demonstra que, sem regras estáveis e previsíveis, o resultado é sempre pior para uma maioria. Se existe uma possibilidade verdadeira de socialismo, ela é, em primeiro lugar, uma questão democrática. Sem uma ordem jurídica legítima, sem obediência às regras do direito, a saída será sempre totalitária".

Reeleição, o falso dilema

Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

O transatlântico Brasil segue lentamente em alto mar. Tem problemas crônicos na casa de máquinas. O capitão e sua tripulação tomam providências: reúnem-se para discutir a faxina no convés e a arrumação dos móveis no salão de jogos.

A esquizofrenia do transatlântico chegou a um ponto quase folclórico. Nem se pode mais dizer que os problemas cruciais permanecem intocados por causa do conflito de interesses. Não é mais o falso debate sobre privatizações, em que um lado fica querendo parecer mais brasileiro do que o outro empunhando falsos dogmas de patriotismo. Agora a paralisia está no consenso.

Governo e oposição estão caminhando para a costura de um acordo que acaba com o instituto da reeleição. Um movimento gigantesco, uma mobilização descomunal de energia e tempo para mudar a mudança, para jogar fora a arte final e consagrar o rascunho – que depois de amanhã alguém provavelmente descobrirá que não serve (tanto que já não servia) e partirá para rasurar a rasura.

Não importa discutir se é o ideal ou não que os presidentes, governadores e prefeitos possam ter dois mandatos seguidos. O que importa é que o Brasil não é confiável para criar regras, porque não se acostuma a respeitá-las.

Talvez a reeleição seja mais problema que solução. Ou talvez seja o contrário. Quem pode afirmar categoricamente? A única certeza inquestionável é que, se o Brasil tem problemas na casa de máquinas, esse definitivamente não é o tema que vai destravá-lo, que mereça a prioridade de um difícil acordo nacional.
O país tem uma estrutura tributária absurda, caótica, que supostamente só beneficia os arrecadadores, mas nem isso, porque não se pode arrecadar bem de uma economia constrangida pela própria forma de arrecadação. O Brasil tem uma infra-estrutura doente de terra e ar, e mata seu futuro a cada dia negando dignidade a professores, policiais e produtores de ciência e cultura.

E o que faz o Brasil diante disso? Vai discutir a reeleição.

A premissa é de que um governo gasta boa parte do seu tempo e dos seus recursos trabalhando para reeleger o seu chefe. Não é possível que nesse transatlântico só haja marinheiros de primeira viagem. A luta pela permanência no poder nasceu no dia em que se criou a reeleição? Qual é exatamente essa diferença abismal entre tentar manter no cargo o mesmo governante e tentar eleger um sucessor aliado?

O que é melhor? Um bis de Maluf ou a invenção de um Celso Pitta?

É impressionante que um governo, um Congresso, enfim, as instituições políticas de um país com tudo por fazer estejam mobilizadas para rasurar mais uma vez uma regra que, na perspectiva do tempo histórico, acaba de ser mexida – e que tem muito pouco a ver com o bom funcionamento da casa de máquinas, do país real.

A reeleição pode ser boa, porque a continuidade na administração pública é um artigo raro. Se há imperfeições na forma como tem sido processada, que se busque as correções de rumo. É preciso livrar-se de uma vez por todas dessa síndrome adolescente de que avançar é criar regras novas a cada nascer do sol.

Numa agenda política tacanha, em que só há foco para discussão de crises, CPIs e outras trombadas, a celebração de um pacto entre governo e oposição para acabar com a reeleição compõe o quadro acabado de uma república com alma de rincão.

Para que botar ordem na tribo se podemos ficar aqui eternamente discutindo os mandatos dos caciques?

Jornalões & senzala

Xico Sá, NoMínimo

De impressionar, mais uma vez, o tratamento dado aos sem-teto, sem-terra ou qualquer criatura sem-qualquer-coisa-primária neste Bananão, como batizou o Ivan Lessa. Sempre um espanto, sempre foras-da-lei, mesmo no único lugar do mundo que ainda não fez uma reforma agrária, superado de longe pelos bravos hermanos paraguayos, cujos pangarés pastam mais livres do que muitos bípedes destas plagas.

Tudo que a imprensa sabe discutir nessas horas de invasões e ocupações em série, como no tal abril vermelho, que começa aqui no Pontal de Paranapanema e vai até a Casa-Grande de Pernambuco, é a grana que o governo deu para estes “vagabundos”, como diriam os neoliberais brasucas -porque até mesmo os bisnetos das capitanias hereditárias, que já liquidaram suas usinas à custa de dinheiro público e mandaram a bagaça para a Suíça, estão mais relax do que o pensamento refletido nos editoriais e nos blogs políticos, estes latifundiários do ar, em voga no momento!

COMENTANDO A NOTICIA: Pura tolice o que o Xico escreve sobre a reforma agrária, os movimentos do MST e demais movimentos dos sem nada. Primeiro, porque o que não faltou foram assentamentos, nem verbas nem tampouco um grande grau de passivismo da sociedade com a aura de que é preciso entender o movimento, etc.
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Ocorre que, no caso do MST, se a reivindicação fosse apenas terra para plantarem, nada, mas absolutamente nada justifica que se invadam propriedades privadas, áreas economicamente ativas, e em alguns casos, onde se faziam pesquisas para aprimorar produtos e produtividade. Como também nada justifica a total omissão e negligência do governo para com a violência, que é também injustificável., Nada é tolerável quando uma reivindicação justa vem acompanhada de atos de violência e de barbárie, deflagrando conflitos agrários absolutamente despropositados. Nada deve contrapor-se ao regime da lei. A lei está a serviço do cidadão, para delimitar direitos e deveres, e os de um não pode sobrepujar-se aos dos outros.
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O que “jornalões” noticiam é exatamente isto. O MST há muito tempo freqüenta muito mais páginas policiais do que os de política, política agrária no caso.
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Quanto a qualificação de “vagabundos”, com todo o respeito que o Xico merece, mas parece que ele não tem sido bem informado a cerca dos “componentes” do MST e congêneres. Grossa maioria quer terra não é para plantar. É para comercializar a posteriori, é para fazer renda. A grossa maioria sequer pegou numa enxada na vida. E além disso, o movimento se não se restringe a justa, repito, a justa reivindicação de terras para plantar. Por que vão além, e fazem política partidária, e sempre numa única direção ? Não deveria o movimento ao menos reconhecer quando foi melhor atendida em seus pleitos como no governo FHC, quando o número de crimes foi muito menor e os assentamentos foram muito maiores do que sob o império de Lula por exemplo ? Não seria o caso do movimento aplaudir quem lhe atendeu melhor seus interesses ? Além disto, segundo informa o próprio movimento, e apenas para exemplificar a visão paradoxal do MST, em 2003 havia cerca de 150.000 mil assentados aguardando por terra. Sabem em quanto chegam os atuais pretendentes ? Aos mesmos 150.000 de 2003. Ou seja, o governo Lula não avançou absolutamente nada no atendimento ao pleito do MST. E por que não se divulga isto ? Por que a cobrança com Lula é diferente da que fora com outros governos ? É por que Lula um dia (faz tempo) foi pobre também, foi trabalhador (tanto quanto os outros o foram), ou por que ele consegue ser mais cínico e mistificador do que os outros ? Sim, que os jornalões continuem a dar os nomes aos bois. O MST já há muito tempo tornou-se um movimento de bandoleiros, de predadores, de salteadores. Longe, muito longe, portanto, de suas intenções iniciais, que, vale frisar, são justas enquanto o movimento pede terra para plantar num país imenso com tanta terra nua e sem aproveitamento. Porém, é preciso não esquecer que isto não dá a ninguém o direito de dar um chute nas leis vigentes, e sair por aí invadindo terras produtivas e praticando uma destruição no patrimônio alheio sem sentido. Quem transgride a lei, caro Xico, em qualquer lugar do mundo, é bandido, é criminoso. E é neste sentido que os jornalões noticiam as invasões e ações de violência do grupo armado do MST e de outros movimentos que, por detrás do manto hipócrita e canalha da reivindicação por terras, por casas, por emprego, por alguma coisa melhor que lhes garanta sustento e melhor qualidade de vida, transgride a lei e assalta a propriedade alheia. Neste caso, a agressão os transforma nos bandidos como têm sido qualificados.
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Além disto, e a experiência pelo país todo demonstra, que muita áreas assentadas e regularizadas, poucas, muito poucas tem ainda seus ocupantes originais, e dedicados no plantio e na produção. Tomaram a terra, transferiram para terceiros, e estão de volta à bandidagem. É mais fácil serem sustentados pelo Estado, andando de um lado para outro, do que dedicarem-se ao trabalho honesto como os demais deste país.
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De outro lado, precisamos caro Xico, parar com esta história de tratar o movimento de pobres coitados, de que suas invasões descabidas não podem ser punidas por nada terem. E por que ? Porque muitos que lá estão, inclusive, são sim proprietários de imóveis, de carros. Porém, fica mais fácil receberem como no governo Lula, mais de 36,0 milhões de reais em doações para não fazerem absolutamente nada. Precisamos por de lado a irresponsabilidade que caracteriza muitos de seus membros, e entender que uma sociedade justa impõem a TODOS os seus cidadãos os mesmos deveres, e um destes por certo, está no cumprimento às leis, à ordem e os direitos dos outros. Propriedade é um direito ? Pois então a ninguém é dado o direito de transgredi-lo. Por tal razão é que se impõem primeiro, entender que o governo dos “pobres” como muitos jornalistas classificam o governo Lula, na verdade se trata muito mais de um governo pobre do que devotado à eles. Tratá-los como cidadãos aos quais deve haver em cada um o sentimento de amor ao trabalho e à construção de suas próprias vidas, fará por eles muito mais do que a política do “coitadinho” como são tratados, porque esta política os faz serem vassalos e massa de manobra para inescrupulosidade dos aventureiros “políticos” que os usam apenas pelo seus interesses particulares de autopromoção. A política do “coitadinho” os tornam muito mais escravos e dependentes do paternalismo, este sim, ranço que não lhes permite entender que cada um é responsável direto por si mesmo.Ao governo compete isto sim (no que Lula tem falhado estrepitosamente), em favorecer oportunidades de trabalho, no campo ou cidade, para que todos possam prosperar por seus próprios méritos. O que não é justo, é terem a oportunidade, não a aproveitarem, e desejarem como muitos membros do MST viverem ociosos às custas da sociedade.
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Porque no fundo, ao visitarmos qualquer um destes acampamentos, o que se vê são senhores. E considerando-se que é a sociedade que trabalha que os sustenta, pode-se dizer que na senzala vivemos nós, explorados por um estado infeliz, para o deleite dos aproveitadores que se vestem de movimento social quando na verdade nada mais são do que movimento de saqueadores dos bolsos e patrimônios alheios. Agitadores e chantagistas, que a feição dos terroristas, colocam covardemente crianças e mulheres na frente para que a polícia fique impedida deste modo de enquadrá-los como foras da lei.
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Para encerrar: leiam no post anterior, o artigo assinado por Ubiratan Iorio, no Jornal do Brasil, sobre o bonito exemplo de Marlene. Ali, o exemplo perfeito de que ser pobre é até possível, mas depende de cada um o progresso que pode ter ou não na vida. O segredo ? Apenas um: o de querer trabalhar para superar suas próprias dificuldades.

Um bonito exemplo

Ubiratan Iorio, economista, Jornal do Brasil

Nestes tempos inacreditáveis, em que uma ministra que ganha para promover uma "igualdade racial" que já existe constitucionalmente, manda às favas o seu cargo de "heroína" - que, sobre ser redundante, também é caro para os contribuintes - para semear nos nossos irmãos negros o ódio contra os brancos; em que, a pretexto de uma "igualdade na chegada", muitos, inclusive magistrados, justificam crimes bárbaros pelas "desigualdades"; em que se pretende premiar famílias de bandidos com "bolsas"; em que um rabino esquerdista tisna a respeitável tradição moral judaica furtando gravatas (caras, pois ele não é bobo); em que "teólogos" que se dizem católicos atacam o papa e exaltam hereges da Teologia da Libertação; em que a hierarquia militar é desrespeitada pelos controladores de vôo e o governo cede à insubordinação, só recuando por pressão; em que os deputados decidem que não trabalharão mais em Brasília às segundas-feiras; em que a mediocridade é enaltecida e a inteligência execrada; nestes tempos incríveis, o exemplo - real - de Marlene é uma lufada de ar fresco no ambiente moral podre que nos circunda e um veemente desmentido às teses sociológicas e antropológicas das "esquerdas".

Moradora de um morro carioca em área bastante violenta (que redundância!), abandonada pelo marido com quatro filhos ainda crianças, pobre, mas digna, não buscou as bolsas-esmolas que os governos distribuem em troca de votos e de adesão compulsória à seita do mau pastor de plantão que detém sua partilha. Pelo contrário, olhou para dentro de si e enxergou-se uma mulher de fibra, valente, honesta, trabalhadora e, sobretudo, empreendedora.

Esperar pelos governos? Para que? Reclamar? Nada disso! E Marlene foi à luta, sozinha. Primeiro, voltou a estudar, no supletivo de uma escola estadual, perto do pé do morro. Esforçada e sempre com um sorriso para oferecer, despertou a simpatia de professoras dedicadas, verdadeiras heroínas como ela e abandonadas como ela pelos governantes. Abriu uma tendinha ao lado de sua casa, onde vendia café e média com pão e manteiga, feitos com esmero e carinho, mostrando que qualquer trabalho honesto, por mais humilde que seja, deve ser realizado com dedicação. Em meses, passou a vender também sanduíches, com grande saída, porque, além de bem feitos, tinham preços justos.

Soube ser firme com os filhos: nenhum deles envolveu-se com o tráfico que domina o morro e que, diversas vezes ao ano, "ordena" que a escola seja fechada. O mais velho, inclusive, está terminando o segundo grau, prepara-se para prestar vestibular no segundo semestre deste ano e vai ganhar um computador da mãe, comprado a prazo, ainda neste mês.

Vendo que seu negócio ia bem, matriculou-se em um curso gratuito de preparação de salgadinhos, que já sabia fazer, mas sem aquela arte que, segundo ela, cativaria os consumidores. Assim que se sentiu em condições, passou a vendê-los em sua tendinha, sempre com limpeza, capricho, ingredientes de boa qualidade e preços bons.

A demanda, naturalmente, foi grande, o que a conduziu, com seu espírito de iniciativa, à quarta etapa, a de preparar refeições "quentinhas", vendidas, primeiro, no morro, mas, logo, a famílias do asfalto, atraídas pela fama, já corrente, de limpeza, qualidade e bom preço. Hoje, Marlene vive a quinta fase de seu empreendimento: fornece refeições para alguns restaurantes e, como a procura tem sido grande, já conta com quatro auxiliares de cozinha, que, com olho na qualidade, orienta em tempo integral.

Segue firme na escola, sempre com bons conceitos e notas. E a sexta etapa já sabe qual será: abrir uma loja no asfalto, daqui a um ou dois anos.

Que Deus abençoe você, Marlene, que não é "pobre por vocação", pois nunca esperou que os governos fizessem chover o maná! Houvesse muitas e muitos com a sua têmpera, os políticos populistas que preferem manter a pobreza, ao invés de atacar suas causas, morreriam de fome.

Lula acusa antecessores de subserviência

Lula participou da solenidade de assinatura dos contratos para a construção de nove navios petroleiros pelo estaleiro Rio Naval, localizado no Caju, Zona Portuária. Ao criticar a "subserviência" de governos passados em negociações internacionais, o presidente brincou, em discurso proferido ontem, com seus próprios erros de português.

"Me lembro da primeira vez que fui ao G8 e cumprimentei todo mundo. Como vocês sabem, não falo nenhuma língua, falo muito mal o português, tinha um intérprete atrás de mim", afirmou o presidente, para depois emendar que, após a chegada de um líder mundial, não se levantou para cumprimentá-lo, como fizeram os outros presentes. "Ninguém se levantou quando eu cheguei, também não me levanto."

O presidente fez um longo discurso de tom nacionalista, defendendo o uso social da Petrobras, criticando as privatizações e acusando seus antecessores de não terem coragem para reduzir a dependência com relação aos países desenvolvidos.

E usou a indústria naval, desmantelada durante os anos 90, como exemplo: quase três anos após seu lançamento, o governo conseguiu finalmente contratar a construção de 26 petroleiros no Brasil. "Não é possível que os homens que dirigiram este país não percebam que um país que teve competência para construir a Embraer, que teve competência para construir a CSN ou para fazer um combustível renovável como o álcool, não tenha condições de ter uma indústria naval competitiva", afirmou.

A Transpetro ainda aguarda negociações com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para assinar os contratos de sete embarcações pelos estaleiros Mauá Jurong, no Rio, e Itajaí, em Santa Catarina.

Depois disso, a empresa pretende licitar outros 18 navios, sendo que dois são grandes petroleiros de 320 mil toneladas de porte bruto. Segundo o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, os navios da primeira etapa ficarão 1% mais caros do que no mercado internacional.

Em seu discurso, Lula defendeu a contratação de embarcações no Brasil, mesmo que sejam mais caras. "Pensar apenas no lado econômico, em função do resultado da empresa é muito pequeno. No meio disso, há famílias que precisam trabalhar, pagar impostos. Pode ficar mais barato para a empresa, mas fica mais caro para o Brasil."

E depois avisou: a Petrobras terá de seguir as políticas do governo. "Com todo o respeito de anos em que conheço o presidente (José Sérgio Gabrielli), que hoje comanda a Petrobras: se ele me dissesse que discorda dessa estratégia do governo, ou que pretendia construir (os navios) lá fora, eu iria pedir que ele se despedisse de mim imediatamente e deixasse o cargo", disse o presidente, se dirigindo diretamente a Gabrielli, que estava ao seu lado no palanque do evento e já havia defendido, em seu discurso, o apoio à indústria naval brasileira. "A Petrobras é controlada pelo governo e tem que se enquadrar."

COMENTANDO A NOTICIA: Este é Lula. Logo após a proclamação do resultado do segundo turno, prometera não mais criticar ou falar mal dos governos anteriores, ou seja, não mais falaria mal de FHC, que é, rigorosamente, o único presidente que Lula ataca e fala mal. Parece que FHC foi o único presidente brasileiro. Ou o único a cometer erros.

Primeiro, Lula parece não enxergar-se no próprio espelho. Além disso, parece que Lula não sabe de como foi a estratégia usada por Malan, por exemplo, para recompor a credibilidade no Brasil por parte dos banqueiros. Não leu nada a respeito, até porque sua preguiça, física e mental, o faz agir de forma medíocre. Isto é, fala do que não sabe, e arrota sobre o que não se informou. Mais: EMPRESAS FORAM FEITAS PARA DAR LUCRO. Ou como condenarmos aquelas que podendo comprar mais barato no exterior, não deixam de fazê-lo? Como justificar a quebra de uma empresa apenas por que preferiu comprar mais caro no Brasil por absoluto patriotismo ? Ou seja, a empresa quebra, mas o empresário falido dorme enrolado na bandeira nacional! Ora faça o favor, mais ridículo, impossível.

E quanto a “subserviência” , se não for possível evitá-la, em razão do interesse maior em favor do país, é preferível ser subserviente aos Estados Unidos, por exemplo, do que ao índio cocaleiro da Bolívia, Evo Morales, ou ao miliquinho metido a ditador da Venezuela , Hugo Chavez, ou ao tirano cubano Fidel Castro, como, regra geral, Lula é a eles todos subserviente. E quanto a subserviência ainda, preferível é dever para o FMI 20 bilhões de dólares a 6 % ao ano, do que trocar esta dívida por outra interna, ao custo de 20%. Portanto, a sabedoria do metalúrgico está muito longe de querer botar banca de “independente”, sentando em cima da própria imundície.

TOQUEDEPRIMA...

Partido do Aborto
Reinaldo Azevedo

Há petistas contrários ao aborto? Certamente, como se vê abaixo. Mas então fazem o quê num partido “abortista”? Cabe essa qualificação ao PT?. Sim. Segundo palavras da própria legenda, não minhas. Se você clicar aqui, encontrará o pensamento dos valentes sobre o tema, de que destaco alguns trechos abaixo:
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"Foi com essa compreensão, expressa em diversas resoluções de nosso Partido, que temos trabalhado nas ultimas décadas na luta para a libertação das mulheres. Uma das importantes bandeiras é a descriminalização do aborto. Neste sentido sempre defendemos o direito da mulher decidir sobre seu corpo e sua vida. Nenhuma mulher é obrigada a fazer aborto, cada uma segue seus valores e religião. Mas aquelas que tiverem uma gravidez indesejada devem ser respeitadas na sua decisão de fazer aborto, sem correr risco de morte ou de ir para a cadeia, sendo asseguradas pelo Estado as políticas públicas que respondam ao atendimento adequado das mulheres nestes casos.""Nós, delegados e delegadas ao 13º Encontro Nacional do PT, reafirmamos as posições de encontros anteriores e indicamos que os/as parlamentares de nosso Partido não se somem a conservadores e reacionários para criar uma Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto, demonstrando total desconhecimento da causa e, mais grave, absoluto desrespeito pelas mulheres."
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Atenção: o documento traz a seguinte observação no rodapé: “Moção apresentada pela Secretaria Nacional de Mulheres, com apoio da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo e aprovada pela maioria das/os delegadas e delegados do 13º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores”.

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Brasil poderá exportar navios


SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente", defendeu a indústria naval do País e afirmou que o Brasil pode passar de importador a exportador de navios.

"Eu acredito que o Brasil pode produzir não apenas os navios que nós precisamos e as plataformas que nós precisamos, mas o Brasil pode ser exportador de navios produzidos dentro do Brasil e de plataformas produzidas dentro do Brasil."

Ele salientou que não tem nada contra outros países, "mas é bem melhor investir o dinheiro dentro do Brasil, gerar empregos". Ele lembrou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê a construção de 42 navios.

"Estamos começando com 19, já assinamos um contrato de 10 no Porto de Suape, em Pernambuco, e nesta próxima quarta-feira (amanhã) irei ao Rio de Janeiro assinar contrato para mais nove navios."

Lula enfatizou que o aumento da frota vai tornar o Brasil um país competitivo na produção de navios de plataforma. "Se nós tivermos uma indústria naval forte, com uma Marinha Mercante forte, com uma boa frota de navios, vamos poder viajar pelo mundo, vendendo produtos brasileiros e exportando produtos estrangeiros com navios brasileiros, com trabalhadores brasileiros, com a bandeira brasileira."

COMENTANDO A NOTICIA: A diferença (e isto Lula, espertamente, escondeu no discurso), é que a produção local custa cinco vezes o preço dos estaleiros internacionais. A Petrobrás que o diga. Vai ser difícil convencer alguém lá fora a comprar navios superfaturados como os que o governo insiste em comprar no país. Diferentemente do Brasil, lá fora se tem respeito pelo dinheiro do contribuinte !!!

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Acre piorou com Viana

As duas gestões do ex-governador petista Jorge Viana (1999-2006) não melhoraram a situação do Acre, diz o estudo "A Amazônia e os objetivos do milênio", dos professores Danielle Celentano e Alberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente (site www.amazonia.org.br). O Acre manteve "situação crítica" em relação à pobreza, incidência de malária, mortalidade materna, acesso à água e esgoto, aids e desmatamento.

O estudo sobre a dramática situação do Acre, agora pior, decorre dos "Objetivos de Desenvolvimento do Milênio" estabelecidos pela ONU.

COMENTANDO A NOTICIA: Aliás, é bom lembrar que por onde o PT passou, a situação das administrações foi deixadas em situação vexatória. Assim foi no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul, apenas para lembrar algumas. O que dizer ainda das prefeituras ! Atualmente, é bom ficarem de olho no governo do Pará e na prefeitura de Fortaleza. Pelo andar da carruagem, A herança maldita não tem data para acabar ! E a única razão para estes picaretas continuarem a fazer festa com o dinheiro público, é o estado lastimável da educação do povo brasileiro. Tivessem os brasileiros maior e melhor acesso à informação, sem dúvida, que esta gente já estaria afastada do poder há muito tempo.

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Líderes da oposição tentam apressar instalação da CPI do Apagão Aéreo

Parlamentares da oposição se reuniram nesta terça-feira com o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para tentar apressar a decisão sobre a instalação da CPI do Apagão Aéreo. Foi pedido ao procurador que encaminhe em breve ao STF (Supremo Tribunal Federal) seu parecer sobre o mandado de segurança proposto pelos partidos de oposição para instalar a CPI na Câmara. O STF precisa da decisão para poder julgar a questão. “Ele nos disse de maneira muito clara que essa matéria é uma matéria pacificada, é direito de minoria, e que cabe ao Poder Judiciário tutelar esse direito e garantir que esse direito seja cumprido. Nós temos tranqüilidade, saímos daqui muito otimistas. Ele vai rapidamente fornecer o seu relatório, irá para a mesa do ministro Celso de Mello [relator da ação] na próxima semana e faltará apenas o ministro pedir a pauta para colocar em votação”, disse o líder dos Democratas, deputado Onyx Lorenzoni (RS). Os oposicionistas informaram que o procurador prometeu enviar o parecer ao Supremo em cinco dias.
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A oposição já esteve reunida com o então presidente interino do STF, ministro Gilmar Mendes, para pedir que o assunto entre em pauta logo após a resposta do procurador. “Quanto mais difícil tem sido a nossa luta, mais isso mostra que essa CPI é necessária. A própria base governista entende que a CPI é inexorável, ela virá. Isso, mais do que nunca, justifica nosso empenho”, disse o líder do PSDB, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP).
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Onyx afirmou que não vê impedimentos para que a CPI seja instalada no Senado, em caso de fracasso na Câmara. “As questões que envolvem o tráfego aéreo no Brasil não são apenas de responsabilidade da Câmara, são de responsabilidade de todo o Congresso. Se os senadores julgarem que têm condições de caminhar nessa direção, é um reforço. Não temos disputa de espaço, nossa missão é investigar em nome da sociedade brasileira”, declarou.

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Para a TAM, insubstituível é o lucro

Cliente da TAM com mala extraviada no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, vê no "Baggage Claim" um quadro com os mandamentos da empresa. "Nada substitui o lucro" é o primeiro. A TAM ainda descobrirá, desolada que nada substitui o passageiro.

Da selva para a estratosfera

Augusto Nunes, Sete Dias, Jornal do Brasil

Apreciador da obra de Wolfgang Amadeus Mozart, sobretudo dos bemóis e sustenidos de A flauta mágica, o patriarca dos Cavalcanti da floresta resolveu homenageá-lo no começo do século passado. E usou o sobrenome do gênio da música clássica para compor o nome do primeiro filho.
Convencido de que o pai tivera uma boa idéia, Mozart Cavalcanti resolveu estendê-la ao primogênito nascido em 1944, mas com retoques sugeridos pelas circunstâncias. Naqueles confins da Amazônia, deduziu, teria mais chances de subir na vida um prenome que suavizasse o forte acento austríaco com o melodioso sotaque da selva. Por isso, o menino se chamaria Mozarildo. Mozarildo Cavalcanti.
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Funcionou. Diplomado em medicina, o jovem doutor não demorou a descobrir o mundo encantado da política. No consultório montado em Rio Branco, aprendeu o truque que faz receita virar voto. Em 1983, Mozarildo tornou-se deputado federal por Roraima, aos 39 anos. Reeleito em outubro passado, está no começo do segundo mandato como senador pelo PTB.
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Como o pai, tanto gosta do próprio nome que o repassou ao único filho homem. Como o avô, parece gostar de música: um dos projetos apresentados pelo parlamentar isenta do pagamento de impostos os interessados na importação de qualquer espécie de instrumento fabricado no exterior.
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Graças a essa idéia do senador, ficaram mais baratas viagens sonoras a bordo de violinos, oboés ou fagotes estrangeiros. Graças a outra, poderão ficar ainda mais caras as viagens de avião. A primeira matou uma taxa. A segunda cria um tributo. A mão que afaga é a mesma mão que tunga.
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No fim de março, com a discrição de gatuna veterana, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, e remeteu à deliberação do plenário, o projeto que acrescenta outra estação ao calvário dos flagelados dos aeroportos. No Brasil, o que parece insuportável sempre pode piorar.
Nos próximos 12 anos, determina o texto, todos os passageiros de todos os vôos nacionais pagarão uma tarifa que varia de R$ 3 a R$ 14 (depende da distância percorrida). Essa bolada adicional financiaria um Programa de Estímulo à Malha de Integração Aérea Nacional (o Pemian). Em matéria de nomes, os Cavalcanti continuam bastante inventivos.
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"Esse dinheiro é necessário para a manutenção, no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste, de linhas aéreas que dão prejuízo", informa o senador com a candura de um inimputável. No mundo inteiro, só existem rotas aéreas se os interessados em utilizá-la bastam para pagar a conta do vôo. No Brasil redesenhado pela imaginação de Mozarildo, uma decolagem em Congonhas patrocinará um pouso na clareira no meio da mata.
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O vírus da abulia degenerativa, que se alastrou pelos aeroportos em seis meses de apagão, mantém o rebanho mansamente à espera do vôo que não haverá. Ovelhas permanecem imóveis, mozarildos agem. Aviões seguem em terra. O preço da viagem continua a subir normalmente.

Cabôco Perguntadô
A secretária nacional da Habitação, Inês Magalhães, explica por que acha "legítimas" as invasões promovidas pelos sem-teto: "Não pode haver gente sem moradia num país onde outros têm imóveis demais". O advogado Roberto Teixeira, exemplifica o Cabôco, tem tantos que seu amigo Lula morou num deles, sem pagar aluguel, durante oito anos.
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E sugere: se a companheira Inês quer tirar dos que têm muito para dar a quem nada tem, que tal começar pelo compadre do presidente?

Waldir é assim desde menino
Instado por parlamentares da oposição a exercer efetivamente as funções de ministro da Defesa, e cumprir com maior aplicação os deveres impostos pelo cargo, o habitualmente polido e tranqüilo Waldir Pires descontrolou-se. Deu socos na mesa, ergueu a voz, transferiu responsabilidades para a Aeronáutica, culpou subordinados, acusou meio mundo.

Homem de maneiras gentis, o bom baiano só perde a calma quando alguém lhe diz que é hora de trabalhar. Waldir é assim desde menino.

Vadiagem epidêmica
Quase um ano depois de denunciados pelo procurador-geral Antônio Fernando Souza, dezenas de integrantes da grande quadrilha federal - uma "organização criminosa sofisticada", na definição impecável do acusador - estão livres como táxis noturnos e, embora sem emprego fixo, cada vez mais ricos. O ministro Joaquim Barbosa, do STF, nem terminou de ler a papelada. Não seria má idéia enquadrá-los - todos - no Código das Contravenções Penais. Por vadiagem.

Réu ansioso por um banco
Na presidência da Infraero, o deputado Carlos Wilson (PT-PE) desperdiçou na construção de shopping centers os bilhões reclamados por carências urgentíssimas - equipamentos anacrônicos, pistas insuficientes, controladores de vôo insatisfeitos. Em vez de ressuscitar Viracopos, fez de Congonhas um cemitério de escrúpulos. Mas o ex-comandante da Infraero tem defendido enfaticamente a CPI do Apagão. Pelo que fez, tem culpa no cartório. Pelo que diz, medo de cadeia não tem.

Yolhesman Crisbelles
O troféu da semana vai para o gaúcho Milton Zuanazzi, presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, por ter revogado durante audiência no Congresso, com duas frases (e mais de dois anos de antecedência), o apagão que há seis meses atormenta multidões de passageiros:
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A crise no transporte aéreo brasileiro está longe de ser uma crise. Nós já a superamos em 2004.
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Mudanças importantes decerto ocorreram naquele ano. Não na aviação civil. Só no cérebro de Zuanazzi.

O presidente-camaleão

Estadão

Todo político bem-sucedido, nos quatro cantos do mundo, tem algo de Zelig, o célebre personagem-título do filme de Woody Allen, dotado da capacidade inata de se transformar de corpo e espírito naqueles de que se acercava, o que lhe permitia adaptar-se perfeitamente a qualquer situação. Pode-se dizer que essa aptidão, em escala comedida, decerto, é um requisito darwiniano para a sobrevivência e o triunfo sobre os adversários na implacável competição pelo poder. Mas talvez nunca antes neste país se tenha visto um presidente da República se assemelhar tanto a um Zelig como Luiz Inácio Lula da Silva. E, certamente, nunca antes se viu um presidente gabar-se com tamanha espontaneidade dos seus recursos para adaptar-se. Foi o que Lula fez, no ambiente perfeito para tal - o jantar de confraternização, quarta-feira, com 180 membros da elite da corporação política que é a sócia maior da coalizão lulista de governo, o PMDB.
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Cobrindo-se de glórias por ter alcançado o “ápice de um ser humano”, como considera, significativamente, o seu cargo - “não tem nada além disso”, exultou -, Lula fez uma apologia digna de figurar com destaque na sua biografia do mais desbragado pragmatismo. “São as circunstâncias históricas”, filosofou, “que permitem (permitem, e não, obrigam) que, em determinados momentos, a gente seja mais progressista, mais conservador, que a gente seja amarelo ou seja verde.” E emendou: “Quem faz política não pode ser que nem a parede de uma hidrelétrica, ‘imexível', como diria o Magri” (numa alusão ao antigo ministro do Trabalho Antonio Rogério Magri). Não pode ser, de fato. Mas não devia ser “que nem” um camaleão. Lula se desfez em palavras compassivas com figuras que fizeram história no MDB da oposição à ditadura e no PMDB, dessa vez pela notória oposição à ética na política.
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Ele anistiou o ex-governador paraense Jader Barbalho, que em 2002 renunciou à cadeira no Senado para escapar à cassação por quebra de decoro parlamentar diante das evidências gritantes de seu envolvimento em grossas maracutaias - em outras circunstâncias históricas, Lula costumava usar essa palavra - na Sudam. Concedeu indulgência plena também ao paulista Orestes Quércia, que na campanha presidencial de 1994 disse que Lula nunca tinha dirigido nem sequer um carrinho de pipoca, para ouvir dele que também nunca roubara pipoca. Pudera. Depois de receber em palácio e se deixar fotografar sorridente ao lado do hoje senador Fernando Collor - que em 1989 pagou a uma ex-namorada de Lula para contar que ele quis que ela abortasse, quando soube que estava grávida -, o presidente confraternizou no Planalto com o senador Antonio Carlos Magalhães, que há muito menos tempo, no ano passado, o chamou da tribuna de “ladrão”.
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A própria celebração com os peemedebistas casa-se com o discurso de Lula. Afinal, eles o convidaram para demonstrar uma unidade de fato sem precedentes desde que o partido se tornou uma confederação de caciquias, onde convivem, diria Lula, amarelos, verdes e quaisquer outros matizes entre esses. A união deu-lhes a força para abocanhar 5 Ministérios e lhes dá o fôlego para passar a mão nas jóias da coroa federal, muitas delas trancadas nos cofres petistas: cargos na alta direção do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobrás, Eletrobrás, Furnas, Correios… Não é à toa que o governador peemedebista do Paraná, Roberto Requião, comentou que os correligionários iriam aproveitar a festiva noitada com o presidente para promover o “bingão do segundo escalão”. Claro que os anfitriões não perderam a compostura a esse ponto, naquela ocasião. A rigor, nem precisariam.
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Afinal, sabem eles que mudaram a seu favor as circunstâncias históricas desde o início do primeiro mandato - sai de cena o aparelhamento em benefício dos companheiros, entra o arrendamento do Estado entre os 10 outros parceiros da coalizão -, a cada um, evidentemente, segundo a sua contribuição para o projeto de poder que pretende que não se esgote na eleição do seu sucessor em 2010. Este como que guardará o lugar para a volta de Lula no pleito seguinte - extinta a reeleição e ampliado o mandato único para 5 anos. Quando se tem o apoio de 2/3 dos brasileiros e uma oposição “aniquilada”, pode se sonhar o que se queira.

Disque "diogo" para fazer lobby

por Diogo Mainardi, na VEJA
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Ninguém mais quer derrubar o Lula. Eu quero. Eu o derrubaria todas as semanas. Em vez de perder tempo comigo, leia atentamente a reportagem sobre Jader Barbalho. Se dependesse de mim, o caso derrubaria o presidente agora mesmo. O que falta para pedir a abertura de uma CPI da Bandeirantes? O que falta para responsabilizar Lula pelo rolo de 80 milhões de reais?
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Deve ser bom derrubar um presidente. Deve ser bom derrubar qualquer político. Apesar de meu fervor golpista, só tenho o poder de nomeá-los. Eu nomeei Franklin Martins. Ele virou ministro porque foi afastado da Rede Globo. E ele foi afastado da Rede Globo porque mostrei que sua mulher era assistente parlamentar do então líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante.
Outro dia a mulher de Franklin Martins me telefonou. Eram 10 da noite. Falamos por mais de uma hora. Muito educadamente, ela me apresentou seu curriculum vitae e perguntou que cargo eu autorizaria que ela ocupasse a partir de agora, com a ida de Franklin Martins para o ministério de Lula. Respondi que ela poderia ocupar qualquer cargo no funcionalismo público, menos um cargo comissionado, como o que tinha no gabinete de Aloizio Mercadante. Ela achou ruim. Muito ruim. Para lá de ruim. Ponderou que, sem um cargo de comando, à altura de sua capacidade profissional, acabaria limpando as botas dos apadrinhados dos políticos. Repliquei que ela teria de se contentar em limpar as botas dos apadrinhados dos políticos enquanto seu marido fosse ministro. É isso: sou um fracasso na hora de derrubar o presidente, mas posso decidir o emprego do ministro e da mulher do ministro. Já tenho um futuro como lobista. No melhor dos casos, serei parceiro de Lulinha. No pior, de Vavá, o irmão de Lula.
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A popularidade de Lula impediu até hoje que ele fosse derrubado. Eu refletia a respeito do assunto enquanto lia Os Homens que Mataram o Facínora, livro que narra a história dos soldados que perseguiram, assassinaram e degolaram Lampião. O fato de refletir a respeito de Lula durante a leitura de um ensaio sobre cangaceiros pode indicar uma certa obsessão de minha parte. É verdade. Ocupei-me de Lula por tanto tempo que o caso já se tornou patológico. Vejo sua imagem estampada em todos os lugares. Vejo-a na mancha de café do sofá da sala. Vejo-a no bolor do queijo parmesão. Vejo-a na marca de suor da camisa do porteiro. É meu sudário blasfemo.
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Sociedades arcaicas tendem a cultuar o banditismo. Foi assim na Inglaterra do século XIV. Foi assim na Itália do século XVI. A gente ainda está estacionado nessa fase. Por isso os cangaceiros entraram para o imaginário nordestino. Por isso Lula foi reeleito. Mas um dia tudo muda. Como eu sei? A marca de suor na camisa do porteiro mostrava uma cabeça degolada.

Propaganda com moderação

Reinaldo Azevedo

Por Marta Salomon na Folha. Volto em seguida:
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O bilionário mercado das cervejas está na mira das novas regras para a propaganda de bebidas alcoólicas que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) prepara para aprovar nas próximas semanas, um ano e cinco meses depois de a primeira proposta de restrições à publicidade ser lançada a consulta pública.
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Além de sofrer limites nos horários de veiculação no rádio e TV -ficaria proibida entre 8h e 20h-, a propaganda de bebidas com mais de 0,5 grau de teor alcoólico nos meios de comunicação em geral (jornais, revista, internet) terá de ser acompanhada por alertas.
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Eles associam o consumo de álcool a acidentes de trânsito com vítimas, má-formação de bebês e até ao abuso sexual e episódios de violência, prevê a última versão do regulamento.
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São 13 frases de advertência do Ministério da Saúde que deverão substituir o atual enunciado "Beba com moderação". A medida não afeta os rótulos. No caso da televisão, as advertências deverão ser veiculadas, por meio de texto e voz, imediatamente após a mensagem publicitária. As frases também deverão ser veiculadas nas propagandas na internet.
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O tamanho das frases vai variar de acordo com a mídia. Em jornais, dependendo do tamanho do anúncio, a frase será grafada em corpo 7 a 12, sempre em letra de cor preta, maiúsculas, sobre fundo branco."Garanto que isso [a votação] ocorre nas próximas semanas", disse ontem Dirceu Raposo, presidente da Anvisa. A proposta será analisada pela diretoria da Anvisa, mas já há consenso. Há três diretores em exercício -outras duas vagas estão abertas.
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Raposo adiantou que a disposição do governo é alcançar, no regulamento, bebidas de menor teor alcoólico, como cervejas e os coolers, consumidos pela população mais jovem.
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Voltei
O governo está certíssimo. Se a propaganda não estimulasse o consumo, não seria necessária. Se servisse apenas para o consumidor selecionar uma entre várias marcas, seu viés seria sempre comparativo. A proposta não é proibir a propaganda de cerveja, mas tentar, ao menor, diminuir o acesso das crianças e dos mais jovens ao estímulo. Tratar a cerveja como bebida não alcoólica é ridículo. Fumo, como já disse, e bebo — acho que socialmente. Respondo pelas minhas escolhas, inclusive as erradas.
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TVs são concessões públicas. Adultos podem perfeitamente discernir o certo do errado. Com crianças e adolescentes, as coisas se complicam um tanto, como sabemos. Mais do que as drogas, o alcoolismo é um verdadeiro flagelo social no Brasil. Responde, se não sabem, por boa parte dos homicídios banais que acontecem no país. A limitação à propaganda não vai curar nenhum alcoólatra, mas, ao menos, vai diminuir a exposição ao estímulo dessa parte do público ainda incapaz de escolher com plena responsabilidade.
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A recomendação “Beba com moderação” dos comerciais de TV chega a soar como ironia, já que todo o, vamos dizer, “enredo” sugere justamente o contrário. Todas as escolhas são feitas mirando o jovem consumidor — com linguagem que apela, com freqüência, ao desenho animado. E aí se está falando é com crianças mesmo. Isso não tem nada a ver com liberdade de expressão ou censura, mas com adequação e decoro. E nós precisamos das duas coisas para viver em sociedade.
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Se algo deve ser criticado na proposta é a sua timidez. As crianças de hoje não vão mais para a cama às 20h. A propaganda de bebida alcoólica deveria ser liberada, entendo, a partir das 22h. Pra que comprar meia-briga? Todo o mundo civilizado, a começar dos Estados Unidos, impõe restrições muito mais severas à propaganda do que estas propostas pela Anvisa.

COMENTANDO A NOTICIA: Olhem: esta restrição já deveria ter sido promovida em conjunto com a dos cigarros. É incalculável o prejuízo que o álcool causa para a sociedade como um todo. Além da violência, o trânsito tem sido uma das vítimas preferenciais.

E a campanha não pode ser muito tímida, não. Se é para produzir resultados, deve ser incisiva. Preferencialmente, melhor se faria se a propaganda ficasse restrita e liberada a partir das 24 horas. Da mesma forma, a comercialização de bebidas alcoólicas deve seria ser restrita. Menor de idade deveria ser proibido de comprar bebida alcoólica. Isto é assim em grande parte dos países do primeiro mundo. E ai de quem desobedecer. Tem o estabelecimento fechado e responderá a processo. Precisamos entender de uma vez por outras que o progresso com que tanto sonhamos só será possível a partir do instante em que nos conscientizarmos que lei e ordem é para o bem de todos. Enquanto alimentarmos esta “liberalidade”, continuaremos na retaguarda.

Pegando a onda, perdendo chances

Carlos Sardenberg, Portal G1
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Se confirmados os prognósticos do FMI, a economia mundial completará em 2007 um período de cinco anos seguidos de forte expansão, na média de 5% anuais. É simplesmente espantoso.
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O período mais recente perto disso foi a quadra 1970/73, de grande euforia, mas que terminou numa sequência de desastres: alta do preço do petróleo, inflação, recessão. A inflação nos EUA passou dos 10% ao ano. O mundo levou todo o restante da década de 70 para se aprumar.
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Assim, o atual período é mais brilhante. Já vai para cinco anos e não há crise à vista. Há riscos, como o déficit enorme e a inflação um pouco elevada nos EUA, mas parece que isso tudo pode ser resolvido sem políticas recessivas.
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Além disso, por efeito da globalização, todas as regiões do mundo estão em expansão. O comércio mundial se expande na base de 10% ao ano. Vende-se de tudo.
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O Brasil se beneficia amplamente desse crescimento, mas perde oportunidades. Está perdendo a chance de aumentar os investimentos públicos e privados e gerar capacidade de crescimento sustentado.
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O governo Lula está surfando na onda, gostosamente, mas não está criando capacidade nova. Precisaria de reformas, mas isso dá trabalho.

Brasil queima os dedos em negócios da Petrobras no Oriente Médio

William Waack, G1
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Não há negócios sem significado político em lugares como o Oriente Médio, e por isso não é surpresa a pressão americana para a Petrobras cancelar projetos de perfuração de petróleo no Irã. As empresas americanas estão proibidas de atuar no Irã e podem ser punidas, mas o Congresso em Washington hesita em estender o mesmo tratamento a companhias estrangeiras.Não é surpresa também a resposta que o presidente Lula deu em Washington quando indagado sobre as pressões americanas. O Brasil se recusa a ceder. É a tradicional resposta de governos brasileiros nos últimos 30 anos, pelo menos. É bom para a soberania, mas nem sempre foi bom para os negócios – a Petrobras tem larga experiência nisso.
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Ela foi garfada por Saddam Hussein quando descobriu um dos melhores campos de petróleo no Iraque, nos anos 80. Saddam deveria ter mostrado alguma gratidão à Petrobras, mas o ditador iraquiano seguia fielmente o que seu ídolo, Josef Stálin, dizia sobre gratidão: “é uma doença de cachorro”. Quando invadiu o Kuwait, em 1990, e viu empresas brasileiras querendo cair fora da confusão, Saddam fez reféns cerca de 300 peões de uma empreiteira com sede em Minas Gerais.
Como já aconteceu com muita freqüência, foi o contribuinte brasileiro, via Banco do Brasil, quem acabou pagando o prejuízo da empreiteira privada. Na época, outros empreendimentos nas mãos de particulares – como o projeto de construir mísseis ar-ar para Saddam – causaram consideráveis dores de cabeça em termos de política externa, e delas ficou uma lição que os diplomatas brasileiros conhecem bem: é difícil meter-se em negócios no Oriente Médio sem queimar os dedos.
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Um dos campos iranianos nos quais a Petrobras também vai trabalhar (junto da espanhola Repsol) fica no Mar Cáspio, que hoje ocupa um lugar central na geopolítica do petróleo. Para chegar aos principais centros consumidores do planeta, o petróleo do Cáspio (dividido entre vários países) precisa ser levado via o conturbado Cáucaso, ou o ainda mais conturbado Golfo Pérsico. Não há como escapar a fazer parte de algum conflito – simplesmente não existe escolha “certa”.
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Para a Petrobras, os riscos são empresariais, e não há como evitá-los, se ela quiser permanecer sendo uma empresa de ponta internacional. Para o governo brasileiro, os riscos são políticos, e o problema é saber em que escala. O Brasil é um país pequeno demais, em termos de política internacional, para jogar qualquer tipo de “peso” num conflito como o do Oriente Médio – seja para proteger, seja para promover o que fazem empresas nossas por lá.
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Tem sido nossa política tradicional, no Oriente Médio, do ponto de vista empresarial, encontrar nichos e explorá-los da maneira mais discreta possível. Foi assim inclusive com a já falida indústria bélica nacional – e tem sido assim com a exportação de carne de frango, móveis, sapatos ou aviões.
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uriosamente, o Brasil é um dos poucos países do mundo que desfrutam de indiscutível simpatia em qualquer lugar do Oriente Médio. O futebol é um dos esportes coletivos sancionados mesmo nos regimes islâmicos mais estritos (Bin Laden, por exemplo, adora futebol, que usava como preparação física para terroristas em treinamento no Afeganistão, exigindo apenas que usassem calças compridas)e em qualquer país da região é imediata a associação Brasil – bola – alegria – harmonia.
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Essa boa imagem verde (aliás, a cor do Islã) e amarela é reforçada também pelo fato de que as grandes comunidades em conflito por lá (árabes e israelenses) têm uma convivência extraordinariamente pacífica e tranqüila por aqui. Isso é bom para diplomatas, empresários e jornalistas em missão no Oriente Médio. Mas seria possível transformar um dado tão positivo em peso político maior?
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Dificilmente. Tanto diplomatas israelenses quanto de vários países árabes queixam-se de que o Brasil é “ausente” – e talvez não pudesse ser mesmo diferente. Nossos interesses comerciais não são de tamanho suficiente para que um governo brasileiro, qualquer governo, se transforme em ator importante no conflito. Terrorismo não é um problema para o Brasil, apesar do que se diz (sem provas contundentes) sobre a Tríplice Fronteira. A questão religiosa está longe de mobilizar nosso cotidiano político.
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Mesmo assim, é difícil escapar às armadilhas. Escolher parceiros no Oriente Médio simplesmente por serem “anti-americanos”, ou “progressistas”, é arriscar-se a cair em más companhias. Aliás, é bastante complicada a definição do que seja um “moderado” no Oriente Médio (vale para quem apóia políticas americanas por um lado e financia radicais islâmicos por outro?), do que seja um “regime democrático” (em se tratando de países árabes), do que seja uma “atitude transigente” (a de Israel em relação aos palestinos é?).
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Nesse sentido, talvez nosso pequeno peso político seja uma dádiva. E a Petrobras que se vire – ela sabe onde está se metendo.

Torrando 10 milhões na farra da hora extra

Jornal do Brasil

As providências anunciadas pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) para reduzir gastos extras com pessoal, ou ainda não estão em vigor ou se mostraram ineficientes até agora. Em dois meses e meio - parte de dezembro e meses de fevereiro e março -, a Câmara gastou R$ 10 milhões para pagar horas extras a pouco mais de cinco mil assessores parlamentares, segundo dados da Ong Contas Abertas. Isso representa um ganho médio de R$ 2 mil por servidor.

Desde que assumiu o comando da Câmara, Chinaglia estabeleceu uma série de regras para aumentar a produtividade da Casa e, com isso, melhorar a imagem do Legislativo, abalada pelas sucessivas crises políticas dos últimos anos. Entre as novas regras, Chinaglia determinou que as sessões, sempre que possível, terminem às 19h. Também exige o rígido cumprimento dos tempos de discursos. Os cortes das falas dos deputados, inclusive, já vem causando mal estar entre os parlamentares.

Em 2006, o gasto com horas extras chegou a R$ 56,5 milhões, segundo informações do site da Ong Contas Abertas, o equivalente a 2,4% dos gastos com pessoal naquele ano.

Ainda segundo o site, os servidores recebem a hora extra quando a sessão passa das 19h e, por, no máximo, duas horas, mesmo que o número de horas extras trabalhadas seja maior. De acordo com cálculos feitos pela Ong, um secretário parlamentar que recebe R$ 1.200,00, ganha R$ 40,00 por sessão que acompanhar após as 19h. Já os outros servidores ganham um acréscimo no salário de 50% da hora normal trabalhada para cada sessão noturna.

Para as sessões extraordinárias que aconteçam entre 22h e 5h, o adicional é de 25% da hora normal trabalhada. A Ong revela que, com estas horas extras, o chamado adicional noturno, a Câmara gastou no ano passado mais de R$ 1 milhão, e que em 2007, o valor já chega a R$ 229 mil.

Em entrevista ao site do Contas Abertas, o primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), disse que o trabalho que muitas vezes vem sendo realizado após o expediente, poderia e deveria, ser executado no horário normal.
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- É claro que o objetivo é reduzir os custos, racionalizar gastos - explicou.

Atualmente, a Câmara possui 20.334 pessoas na folha de pagamentos entre funcionários da ativa, aposentados e pensionistas. No ano passado, a Câmara gastou R$ 2,4 bilhões em despesas com pessoal e encargos sociais. De janeiro a abril deste ano, os gastos já somam R$ 544 milhões.

Ontem, a sessão da Câmara que estava prevista para acontecer pela manhã foi cancelada devido à ausência de parlamentares na Casa. Dos 513 deputados, apenas 15 estavam presentes, quorum bem abaixo dos 51 necessários para abrir uma sessão.

A Mesma Chance

Cristovam Buarque , Blog do Noblat

Há duas semanas, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) completou 85 anos. A República tinha apenas 33 anos e a Abolição, 34, quando o partido foi criado, carregando a certeza da utopia comunista e uma estratégia revolucionária: tomar o poder e estatizar os meios de produção para construir uma sociedade igualitária.

Em torno dessa utopia e dessa revolução, o Brasil teve uma militância atuante. Graças à utopia e à militância, o PCdoB, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e os grupos de esquerda ligados a Igreja Católica foram decisivos na formação política de gerações inteiras de brasileiros, mesmo daqueles que não concordavam com aquelas idéias.

Foi por meio desses sonhos e dessa combatividade que uma geração conheceu e se posicionou a favor ou contra o marxismo, a teologia da libertação, o desenvolvimentismo e até, por oposição, ao capitalismo global que hoje prevalece.

Mas a utopia deu lugar à perplexidade e a revolução, ao acomodamento. No começo do século XXI, os heróis se fizeram funcionários, a militância se transformou em filiação, a trincheira virou cargo, os partidos tornaram-se siglas, a história ficou presa à política. Os filiados de hoje em partidos chamados de esquerda caíram na perplexidade e no acomodamento. Nas comemorações de seus 85 heróicos anos, o PCdoB não é exceção: PT, PPS, PSB e o meu PDT também caímos na perplexidade e no acomodamento.

Nosso grau de desafio é retirar a juventude da indiferença, dar-lhe outra vez uma utopia e uma revolução. Tirá-la do desencanto ou, pior, da briga mesquinha, limitada a cargos e salários ou, ainda pior, da droga e da criminalidade.

A utopia não é mais o socialismo ou o comunismo. Nem é tampouco a simples continuidade do desenvolvimento econômico, que hoje aquece o planeta e é responsável pela apartação: depredador da natureza e concentrador de oportunidades e renda.

Na nossa realidade, a máxima utopia é a garantia de “mesma chance” para cada brasileiro: sonho de que todo cidadão, ao nascer, receberá oportunidade igual para desenvolver seu potencial. Utilizar o seu esforço com a mesma chance, independente da renda da família em que nasceu, do gênero, da raça, até mesmo de deficiências físicas e mentais que possam ser compensadas.

Alguns terão mais sucesso que outros, graças à vocação, ao talento e à persistência. Mas todos terão a mesma chance. O caminho para esta utopia é a educação: uma revolução na educação capaz de fazer, em pouco tempo, com que as escolas dos pobres nas favelas sejam equivalentes em qualidade às escolas dos ricos em condomínios. Quando isso acontecer, as favelas já não serão pobres e os condomínios não precisarão de muros. O Brasil terá derrubado o muro da sua desigualdade interna e o muro do atraso em relação aos países desenvolvidos.

Ainda mais. Será a escola que conseguirá garantir a mesma chance entre a geração de hoje e as gerações futuras, educando para impedir a monumental tragédia do aquecimento global. É a educação que permitirá mudanças nos hábitos de consumo e oferecerá as técnicas para a revolução científica e tecnológica que poderá reverter o desastre ecológico.

A mesma chance, pela educação. Essa é a única utopia e uma boa utopia, democraticamente realizada, sem exigir irresponsabilidade econômica ou fiscal, sem autoritarismo, sem quebra de regras. Possível, mas difícil por causa do vício das velhas utopias, abandonadas pelo acomodamento da militância, mas ainda alardeadas em teorias como forma de iludir o acomodamento. Palavras antigas escondendo a passividade.

Nós já enganamos nossos filhos com as promessas da igualdade comunista, já jogamos nossos filhos na desesperança e no acomodamento. Talvez ainda haja esperança de despertar nossos netos para a luta por uma revolução educacional que ofereça a utopia da mesma chance para todos.