terça-feira, abril 17, 2007

Ambiente: Pobres sofrerão mais com aquecimento

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As populações pobres serão as mais atingidas pelas mudanças climáticas em curso no planeta, apontou nesta sexta-feira o estudo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC), coordenado pela ONU e que reúne 400 cientistas. "Isto requer nossa atenção, pois os mais pobres são também os menos aptos para adaptar-se", comentou em Bruxelas o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, segundo a agência AFP.

Segundo o estudo, as temperaturas globais deverão subir entre 2° e 3° C, em comparação com os valores de 1990, devido à grande emissão de gases que provocam o efeito estufa. "É muito provável que todas as regiões registrem reduções dos lucros ou aumentos dos custos por causa de aumentos de temperatura superiores a 2° ou 3° C", destaca o relatório. "No entanto, algumas regiões polares e de baixas latitudes sofrerão custos líquidos mesmo com pequenos aumentos de temperatura", acrescenta o documento.

Extinção – Além do terrível efeito sobre o homem, o aquecimento trará conseqüências perversas para as demais espécies da Terra. "Entre 20% e 30% das espécies vegetais e animais terão um risco crescente de extinção se o aumento da temperatura mundial ficar entre 1,5° e 2,5° C em comparação a 1990", adverte o IPCC.

Os especialistas envolvidos com o projeto já identificaram sinais de mudança climática que afetam os animais e as plantas em todo o planeta. De acordo com o co-presidente do IPCC, Martin Parry, mais de 29.000 dados foram analisados para redigir o primeiro capítulo do documento do Painel da ONU dedicado aos impactos do aquecimento global.

A temperatura mundial aumentou 0,74° C no último século. Em alguns locais foram registradas elevações pontuais três vezes superiores. Segundo a Parte I do relatório do IPCC, divulgada em fevereiro em Paris, a temperatura média da Terra pode subir entre 1,1° e 6,4° C centígrados até 2100, em comparação a 1990. A melhor estimativa situa o aumento médio entre 2° e 4° C.