terça-feira, abril 17, 2007

TOQUEDEPRIMA...

O quadrado mágico
De O Globo:

O loteamento de cargos de segundo escalão entre os partidos aliados começa a ser decidido pelo quarteto ministerial formado por Dilma Rousseff (Casa Civil), Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais), Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). Em reuniões entre hoje e amanhã, eles vão fechar a fórmula de "despetização" da Esplanada dos Ministérios e das estatais, de forma a acomodar os 11 partidos aliados. A meta é concluir o desenho do mapa do segundo escalão até quarta-feira, quando os partidos saberão quais indicações foram aceitas.

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2,4 milhões de jovens analfabetos
De O Globo:

A universalização do ensino fundamental não fechou a torneira do analfabetismo. Dos 15,5 milhões de brasileiros acima de 10 anos que não sabem ler nem escrever, 2,4 milhões — 15% — têm menos de 30 anos. Embora o problema atinja todas as regiões do país, 65% dos jovens analfabetos vivem no Nordeste.

Considerados apenas os jovens entre 15 e 29 anos, são 1,8 milhão de iletrados. São pessoas que chegam ao mercado de trabalho incapazes de ler a placa do ônibus ou anotar um número de telefone. Conseguir emprego fica difícil:

— É quase impossível. Não conseguem emprego estável, recebem baixos salários — resume o presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Simon Schwartzman, que presidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no governo Fernando Henrique.

COMENTANDO A NOTICIA: Vamos ver no que isso vai dar. No primeiro reinado, Lula lançou sob luzes, foguetórios e discursos cretinos, um programa de erradicação do analfabetismo que redundou num formidável fracasso, como tudo o que saiu de sua lavra. Agora, lança outro programa igual, esquecendo-se à moda Lula do programa anterior e das promessas não cumpridas. Repetindo o discurso, e renovando as promessas, além de toda cantilena formidável que só um tipo como ele é capaz de produzir. Claro que vamos torcer a favor, até porque quanto mais educado o povo, quanto mais bem informado com acesso universal à informação de qualidade, menos vulnerável se torna este povo a colocar no poder aventureiros deste tipo. Resta saber que este programa, como os demais, ficarão apenas na festa, discursos e holofotes, ou se haverá de fato vontade política de levados à cabo de forma satisfatória e atingindo os resultados propostos.

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Desgoverno
De João Ubaldo Ribeiro em O Globo:

Imagino que agora, depois de seis meses em que o presidente ordena que o apagão desapague sem que nada aconteça, o dito apagão não seja mais problema, até porque o presidente deixou que outros dessem as ordens e - são essas coisas curiosas da vida - aí as ordens foram atendidas. Mas não entendo bem dessas altas questões e só sei é que, em toda essa crise de quem a principal culpada deve ter sido a imprensa, o governo ainda teve tempo de pensar na área cultural e ofereceu um espetáculo muito superior a qualquer clássico dos Três Patetas (no governo há muito mais de três, vivemos uma era de fartura). Continuamos na venturosa posição de este ano não termos governo até o momento e, por conseguinte, também não termos de que nos queixar. Ninguém pode alegar que ele está fazendo alguma coisa e, por conseguinte, não há ações a criticar.

Até porque, leio nas folhas que, depois que o presidente aprendeu que os generais não têm por hábito chamar os sargentos de ''companheiros sargentos'', passou a ocupar-se de outras questões, entre as quais avulta o deslanchar impetuoso do PAC. E as folhas dizem também que a fuzarca desenvolvimentesca (novos tempos, novos termos) vai começar por estes dias, com intensa campanha de propaganda para divulgar que o PAC vai fazer e acontecer. Isso é muito necessário, para obter a compreensão e o apoio do povo, tanto assim que, novamente conto o que leio nos jornais, a verba de propaganda é bem maior do que a destinada ao principal projeto de educação. Pode não ter governo, mas propaganda do governo tem - não se pode querer tudo ao mesmo tempo, dr. Waldir Pires já disse, tem que ter paciência.

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Mudanças no jornalismo
Da Folha de S.Paulo:

A notícia da morte do jornal é um exagero (...) Ao menos é o que se conclui da leitura de três levantamentos recentes, o mais importante deles "O Estado da Mídia" ("State of the News Media 2007"), recém-divulgado.

O relatório afirma que o modelo no qual as empresas de comunicação se firmaram nas últimas décadas nos EUA está sendo revisto -e que o ritmo da mudança se acelerou no ano passado: "A transformação pela qual o jornalismo passa é histórica, tão importante quanto a invenção da televisão ou do telégrafo, talvez tanto quanto a invenção do processo de impressão em si", afirma o estudo, o mais amplo do tipo, feito anualmente por entidade ligada à Universidade Columbia, em Nova York.

Diz ainda que os jornais começam a se mexer mais rapidamente, embora não saibam ainda exatamente o caminho a seguir. Nesse sentido, ganham importância iniciativas como a integração de Redações das versões em papel e on-line do mesmo veículo, o uso maior dos recursos multimídia, a disseminação dos blogs e até a utilização do chamado "jornalismo cidadão", em que o leitor contribui com notícias ou imagens.

COMENTANDO A NOTÍCIA: É evidente que transformações acontecerão nos processos de informação. A tecnologia torna estas mudanças inevitáveis. Porém, é preciso não se cair no exagero de acharem que o jornal vai morrer. Não vai. Com o advento da televisão e da própria internet, o bom e velho rádio, continua aí, no ar e firme e forte. Do mesmo modo, a edição de livros, tendo sua leitura e vendagem, além dos lançamentos de novos títulos, sempre em curvas ascendentes, o jornal tradicional passará por remodelações para adaptar-se às novas dinâmicas do mercado, que não inevitáveis à sua sobrevivência. É claro que aqueles que insistirem no tradicional, não investirem nestas novas dinâmicas, tendem a ficar para trás e acabarem extintos. É da lei de mercado que sobrevivam os mais fortes e os mais bem adaptados.

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Caras mulheres

Sairão do nosso bolso R$ 1,1 milhão para o II Congresso Nacional de Políticas para as Mulheres, de 18 a 21 de agosto, em Brasília. O Palácio do Planalto abriu licitação para alugar 1.423 quartos em hotéis da capital.

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O Brasil em cima do muro
De O Estado de S.Paulo:

No polêmico debate sobre a liberdade da imprensa e o respeito às religiões, o Brasil opta por ficar em cima do muro. O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou resolução pedindo a proibição da difamação pública de religiões e reivindicando que a liberdade de expressão “seja exercida com responsabilidade” e, portanto, esteja “sujeita às limitações da lei”.

A proposta foi feita pelos países islâmicos e, mesmo com a oposição dos europeus, foi aprovada. O Brasil, que sofreu forte lobby dos países árabes para se unir ao projeto, preferiu a abstenção. O voto foi dado no final da semana passada, mas vem ganhando repercussão cada vez maior. Para organizações não-governamentais que combatem a resolução, os países que se abstiveram ajudaram indiretamente a aprovar a medida.

COMENTANDO A NOTICIA: Não foi a primeira vez nem tampouco será a última. E exatamente por conta disso, o Brasil não merece de modo algum assento no Conselho Permanente de Segurança da ONU, proposição que vem sustentando desde que Lula assumiu. Um país precisa deixar claro seus compromissos com a comunidade internacional, além de mostrar claramente sua ideologia. Como a nossa cheira ao mofo esquerdopata do século passado, e sempre que confrontado em tomar posição em defesa da segurança dos povos livres, o governo Lula tem agido de forma leviana, omissa e abstendo de votar. Com tal comportamento, fica cada vez mais distante a conquista da cobiçada cadeira. Nenhum país vai confiar em alguém que sabe apontar seu próprio lado da história.