terça-feira, abril 17, 2007

Onde anda o Ministério das Cidades?

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - Certas coisas, só no Brasil. Melhor dizendo, só no governo do presidente Lula. Retornam hoje aos seus municípios os mais de dois mil prefeitos reunidos na capital federal desde terça-feira. Voltam de mãos abanando, como acontece todos os anos, mas isso não constitui novidade.

O inusitado, o surpreendente, é que para dialogar com os prefeitos o presidente da República designou uma comissão formada por três ministros: Dilma Rousseff, da Casa Civil, Paulo Bernardo, do Planejamento, e Walfrido dos Mares Guia, da Coordenação Política. Onde o espanto?

No fato de existir um ministro das Cidades, que não foi ouvido nem mobilizado. E os prefeitos governam o que, senão as respectivas cidades? Dependem diretamente de que ministério, em seus pleitos rotineiros? Pois nem visitar o ministro Márcio Fortes eles visitaram. Também, se fossem ao seu gabinete, talvez não o encontrassem. Ou, quem sabe, recebessem o conselho de procurar o trio composto pelo presidente Lula...

Dizia o saudoso Dr. Ulysses que ninguém mora na União, sequer nos estados. O cidadão mora no município. Na cidade. Vale repetir: é lá que as crianças vão à escola, os doentes aos hospitais e os trabalhadores ao emprego. Outro pranteado líder que também já nos deixou, Franco Montoro, passou a vida inteira defendendo a descentralização administrativa e o fortalecimento dos municípios. Mais atribuições, mais responsabilidade e mais recursos para as cidades, era o seu lema.

Infelizmente, vivemos o avesso dessa solução. O poder central monopoliza cada vez mais as verbas orçamentárias, avoca a realização de todas as políticas públicas e uniformiza a gestão de iniciativas que o bom senso mostra precisarem ser diferenciadas em cada um dos 5.954 municípios nacionais.

Quem sabe em que bairro deve ser implantada uma nova escola? Quem melhor decidirá a localização de um presídio? Quem identifica com mais precisão as propriedades improdutivas objeto de desapropriação? Quem conhece objetivamente as comunidades carentes de alimentação e emprego? São os prefeitos, sempre de chapéu na mão, à mercê de uma tecnocracia impessoal instalada em Brasília.

Voltando à infância
Aperta-se ainda mais o cerco sobre os fumantes. Agora vai ser proibido fumar em qualquer prédio, casa ou estabelecimento público ou privado. Já não se podia fumar em bares ou restaurantes, exceção dos que possuíam varandas ou calçadas. Pois nem nelas será permitido acender um cigarro. Houve tempo em que, ao entrarmos no avião, a aeromoça distribuía chicletes e cigarros. Aliás, hoje, só barra de cereal. Tudo bem, em recintos fechados a fumaça incomoda os não fumantes. Mas onde as janelas estão abertas e há espaço de sobra, é perseguição. Implicância.

Claro que o cigarro faz mal à saúde. Apressa o enfarte e até costuma dar câncer. Só que fuma quem quer, ou quem, durante décadas, foi induzido ao fumo através de monumental propaganda envolvendo rádio, televisão, cinema, imprensa escrita e tudo o mais. Determinada marca conduzia o fumante ao sucesso. Outra fazia o cidadão levar vantagem em tudo.

O mundo evoluiu, proibiu-se a propaganda de cigarro nos meios de comunicação social e limitou-se o hábito de fumar a locais específicos. Mas do jeito que as coisas vão, é demais. Daqui a pouco proibirão o fumo nas ruas, nos parques e nos jardins. Quem sabe em todo o território nacional, inclusive em nossas casas?

Já basta botar no bolso o que não queremos. Não se trata dos cigarros, mas dessas detestáveis fotografias impressas em todos os maços, ameaçando e amedrontando, além de seu profundo mau gosto.

Querem acabar com o cigarro? Então proíbam o funcionamento das fábricas. Fechem todas, ou obrigue-se cada uma à reciclagem: que passem a produzir chicletes ou barras de cereal, por exemplo. Nessa hora, calam-se todos, porque a indústria do fumo paga impostos aos montes, distribui propinas a mais não poder e financia candidatos de todos os partidos, em todas as eleições.

Só para concluir: nós, fumantes, estamos retroagindo à infância, quer dizer, voltamos a fumar escondido. Até ele, que jamais abandonou a cigarrilha...