Por Marta Salomon na Folha. Volto em seguida:
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O bilionário mercado das cervejas está na mira das novas regras para a propaganda de bebidas alcoólicas que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) prepara para aprovar nas próximas semanas, um ano e cinco meses depois de a primeira proposta de restrições à publicidade ser lançada a consulta pública.
O bilionário mercado das cervejas está na mira das novas regras para a propaganda de bebidas alcoólicas que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) prepara para aprovar nas próximas semanas, um ano e cinco meses depois de a primeira proposta de restrições à publicidade ser lançada a consulta pública.
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Além de sofrer limites nos horários de veiculação no rádio e TV -ficaria proibida entre 8h e 20h-, a propaganda de bebidas com mais de 0,5 grau de teor alcoólico nos meios de comunicação em geral (jornais, revista, internet) terá de ser acompanhada por alertas.
Além de sofrer limites nos horários de veiculação no rádio e TV -ficaria proibida entre 8h e 20h-, a propaganda de bebidas com mais de 0,5 grau de teor alcoólico nos meios de comunicação em geral (jornais, revista, internet) terá de ser acompanhada por alertas.
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Eles associam o consumo de álcool a acidentes de trânsito com vítimas, má-formação de bebês e até ao abuso sexual e episódios de violência, prevê a última versão do regulamento.
Eles associam o consumo de álcool a acidentes de trânsito com vítimas, má-formação de bebês e até ao abuso sexual e episódios de violência, prevê a última versão do regulamento.
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São 13 frases de advertência do Ministério da Saúde que deverão substituir o atual enunciado "Beba com moderação". A medida não afeta os rótulos. No caso da televisão, as advertências deverão ser veiculadas, por meio de texto e voz, imediatamente após a mensagem publicitária. As frases também deverão ser veiculadas nas propagandas na internet.
São 13 frases de advertência do Ministério da Saúde que deverão substituir o atual enunciado "Beba com moderação". A medida não afeta os rótulos. No caso da televisão, as advertências deverão ser veiculadas, por meio de texto e voz, imediatamente após a mensagem publicitária. As frases também deverão ser veiculadas nas propagandas na internet.
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O tamanho das frases vai variar de acordo com a mídia. Em jornais, dependendo do tamanho do anúncio, a frase será grafada em corpo 7 a 12, sempre em letra de cor preta, maiúsculas, sobre fundo branco."Garanto que isso [a votação] ocorre nas próximas semanas", disse ontem Dirceu Raposo, presidente da Anvisa. A proposta será analisada pela diretoria da Anvisa, mas já há consenso. Há três diretores em exercício -outras duas vagas estão abertas.
O tamanho das frases vai variar de acordo com a mídia. Em jornais, dependendo do tamanho do anúncio, a frase será grafada em corpo 7 a 12, sempre em letra de cor preta, maiúsculas, sobre fundo branco."Garanto que isso [a votação] ocorre nas próximas semanas", disse ontem Dirceu Raposo, presidente da Anvisa. A proposta será analisada pela diretoria da Anvisa, mas já há consenso. Há três diretores em exercício -outras duas vagas estão abertas.
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Raposo adiantou que a disposição do governo é alcançar, no regulamento, bebidas de menor teor alcoólico, como cervejas e os coolers, consumidos pela população mais jovem.
Raposo adiantou que a disposição do governo é alcançar, no regulamento, bebidas de menor teor alcoólico, como cervejas e os coolers, consumidos pela população mais jovem.
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Voltei
Voltei
O governo está certíssimo. Se a propaganda não estimulasse o consumo, não seria necessária. Se servisse apenas para o consumidor selecionar uma entre várias marcas, seu viés seria sempre comparativo. A proposta não é proibir a propaganda de cerveja, mas tentar, ao menor, diminuir o acesso das crianças e dos mais jovens ao estímulo. Tratar a cerveja como bebida não alcoólica é ridículo. Fumo, como já disse, e bebo — acho que socialmente. Respondo pelas minhas escolhas, inclusive as erradas.
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TVs são concessões públicas. Adultos podem perfeitamente discernir o certo do errado. Com crianças e adolescentes, as coisas se complicam um tanto, como sabemos. Mais do que as drogas, o alcoolismo é um verdadeiro flagelo social no Brasil. Responde, se não sabem, por boa parte dos homicídios banais que acontecem no país. A limitação à propaganda não vai curar nenhum alcoólatra, mas, ao menos, vai diminuir a exposição ao estímulo dessa parte do público ainda incapaz de escolher com plena responsabilidade.
TVs são concessões públicas. Adultos podem perfeitamente discernir o certo do errado. Com crianças e adolescentes, as coisas se complicam um tanto, como sabemos. Mais do que as drogas, o alcoolismo é um verdadeiro flagelo social no Brasil. Responde, se não sabem, por boa parte dos homicídios banais que acontecem no país. A limitação à propaganda não vai curar nenhum alcoólatra, mas, ao menos, vai diminuir a exposição ao estímulo dessa parte do público ainda incapaz de escolher com plena responsabilidade.
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A recomendação “Beba com moderação” dos comerciais de TV chega a soar como ironia, já que todo o, vamos dizer, “enredo” sugere justamente o contrário. Todas as escolhas são feitas mirando o jovem consumidor — com linguagem que apela, com freqüência, ao desenho animado. E aí se está falando é com crianças mesmo. Isso não tem nada a ver com liberdade de expressão ou censura, mas com adequação e decoro. E nós precisamos das duas coisas para viver em sociedade.
A recomendação “Beba com moderação” dos comerciais de TV chega a soar como ironia, já que todo o, vamos dizer, “enredo” sugere justamente o contrário. Todas as escolhas são feitas mirando o jovem consumidor — com linguagem que apela, com freqüência, ao desenho animado. E aí se está falando é com crianças mesmo. Isso não tem nada a ver com liberdade de expressão ou censura, mas com adequação e decoro. E nós precisamos das duas coisas para viver em sociedade.
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Se algo deve ser criticado na proposta é a sua timidez. As crianças de hoje não vão mais para a cama às 20h. A propaganda de bebida alcoólica deveria ser liberada, entendo, a partir das 22h. Pra que comprar meia-briga? Todo o mundo civilizado, a começar dos Estados Unidos, impõe restrições muito mais severas à propaganda do que estas propostas pela Anvisa.
COMENTANDO A NOTICIA: Olhem: esta restrição já deveria ter sido promovida em conjunto com a dos cigarros. É incalculável o prejuízo que o álcool causa para a sociedade como um todo. Além da violência, o trânsito tem sido uma das vítimas preferenciais.
E a campanha não pode ser muito tímida, não. Se é para produzir resultados, deve ser incisiva. Preferencialmente, melhor se faria se a propaganda ficasse restrita e liberada a partir das 24 horas. Da mesma forma, a comercialização de bebidas alcoólicas deve seria ser restrita. Menor de idade deveria ser proibido de comprar bebida alcoólica. Isto é assim em grande parte dos países do primeiro mundo. E ai de quem desobedecer. Tem o estabelecimento fechado e responderá a processo. Precisamos entender de uma vez por outras que o progresso com que tanto sonhamos só será possível a partir do instante em que nos conscientizarmos que lei e ordem é para o bem de todos. Enquanto alimentarmos esta “liberalidade”, continuaremos na retaguarda.
Se algo deve ser criticado na proposta é a sua timidez. As crianças de hoje não vão mais para a cama às 20h. A propaganda de bebida alcoólica deveria ser liberada, entendo, a partir das 22h. Pra que comprar meia-briga? Todo o mundo civilizado, a começar dos Estados Unidos, impõe restrições muito mais severas à propaganda do que estas propostas pela Anvisa.
COMENTANDO A NOTICIA: Olhem: esta restrição já deveria ter sido promovida em conjunto com a dos cigarros. É incalculável o prejuízo que o álcool causa para a sociedade como um todo. Além da violência, o trânsito tem sido uma das vítimas preferenciais.
E a campanha não pode ser muito tímida, não. Se é para produzir resultados, deve ser incisiva. Preferencialmente, melhor se faria se a propaganda ficasse restrita e liberada a partir das 24 horas. Da mesma forma, a comercialização de bebidas alcoólicas deve seria ser restrita. Menor de idade deveria ser proibido de comprar bebida alcoólica. Isto é assim em grande parte dos países do primeiro mundo. E ai de quem desobedecer. Tem o estabelecimento fechado e responderá a processo. Precisamos entender de uma vez por outras que o progresso com que tanto sonhamos só será possível a partir do instante em que nos conscientizarmos que lei e ordem é para o bem de todos. Enquanto alimentarmos esta “liberalidade”, continuaremos na retaguarda.