domingo, novembro 05, 2006

Sader: apologia ao ódio e ao racismo.

Abaixo, transcrevemos o texto imbecil de Emir Sader sobre uma frase de Jorge Bornhausen, no auge da safra de escândalos patrocinados pelo PT em 2005. E o que disse de tão repulsivo Jorge Bornhausen ? Eis a frase: "A gente vai se ver livre desta raça (sic), por, pelo menos, 30 anos."(Jorge Bornhausen, senador racista e banqueiro do PFL). O que se encontra entre parênteses, foi colocado pelo Sader. Ou seja, ele já começa errado.
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Onde há racismo ? Evidente que uma mente depravada e deprimente vai ler o que quiser, vai tirar a conclusão que bem entender, e quanto maior sua personalidade maldosa, quanto mais frívola sua concepção de bem e mal, e quanto mais abjeta sua relação com o mundo civilizado, pior será a sua conclusão. O fato é que o Sader, o Emir brasileiro, não teve em seu artigo um pingo de decência e o que é pior, para um professor, seu texto deveria servir muito antes da análise do conteúdo, mais fortemente pela forma e como prova indelével de sua falta de competência intelectual para a nobre missão do magistério. O sujeito que comete gritantes erros de sintaxe, de ortografia, de grafia, de concordância, não tem a menor competência para estar como professor em uma universidade, se ali o que se deseja ensinar é com elevado nível acadêmico os conhecimentos propostos.
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Seu erro, e crime, foi a tentativa torpe tanto quanto infundada de vestir o criminoso manto de “racista” em Bornhausen, sem retirar de si próprio o mesmo manto. Sader, por seu texto, demonstra não apenas seu racismo endêmico, mas também sua ignorância destilando uma maldade e um ódio incompatíveis com a profissão que exerce. Foi condenado pela justiça em ação movida por Jorge Bornhausen, além de prisão, com a perda da função pública. Agora, esta decisão está sendo contestada por manifesto comandado por José Dirceu que tenta mover os intelectuais (petistas é claro) esquerdo-mongolóide-debilóides para assinarem um "pedido" para que a justiça reverta sua decisão. Para a justiça, é bom que se diga, “racista” é injúria, “Senador racista” é calúnia. Assinar o manifesto de Dirceu, simbolicamente, é se tornar co-autor da acusação e dos dois crimes. Ah, claro que José Dirceu o deputado cassado por corrupção, age bem ao velho estilo delinqüente: faz os outros assinarem (e assim tornam-se cúmplices do condenado), mas ele próprio não assina o tal manifesto. Não é linda a transparência do Zé ? Mas claro que muitos intelectuais estão assinando um manifesto sem terem sequer tomado conhecimento do texto de Sader.
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O doloroso é saber que no Brasil figuras como o “professor” , não são poucas. São muitas. E todos estão espalhados por aí vertendo na sociedade brasileira este ranço venenoso de divisão, de racismo, entupindo nossos estudantes de um virulento ódio contra a “burguesia”, da qual Sader é integrante tanto quanto José Dirceu o é. Destilam seu veneno de forma quase incondicional, uma vez que se esquecem, por lhes ser conveniente, da sua própria condição. Ou será que eles vão querer ser eleitos como os novos pobres ? Mas o que aqui se lamenta mais ainda, é a condição ignorante e vil com que um texto crivado de mentiras tenta fazer ou produzir: vingar um ódio mortal para tudo o que se opõem ao regime fascista propagado sistematicamente pelo petê e seus adesistas. Ou por que dizer que Bornhausen é banqueiro, quando ele não é ? Ou por que criar uma revolta do restante do país para com os descendentes de alemães que vivem e moram em Santa Catarina, que com suor e trabalho honesto, construíram um estado próspero e rico ? O constrangedor do texto canalha, é saber-se que o ataque aos descendentes de Santa Catarina é gratuito, uma vez que Bornhausen, apesar de sua carreira política ter ocorrido naquele estado, é natural do Rio de Janeiro. Ou será que para Sader enriquece-se só pelo caminho do trabalho ordinário e criminoso ?
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Além disto, quem disse ao Sader que o povo brasileiro tornou-se propriedade das esquerdas retrógradas de que ele faz parte e é um defensor ferrenho ? Terá a esquerda que Sader defende com tanto assombro, mãos tão purificadas assim, tão límpidas que ele pode se arvorar como integrante de um partido santificado ? Ou será que Sader esqueceu dos tantos escândalos provocados pelo governo do petê não apenas na esfera federal, mas, também, nas prefeituras do interior de São Paulo que, por onde passou, os problemas de contas irregulares, licitações fraudulentas, contratos superfaturados, desvios de recursos públicos, e outras mazelas, são freqüentes e contínuos ? Ou será que Sader já enterrou o cadáver de Celso Daniel, caso nebuloso sobre o qual pairam suspeitas de simples "queima de arquivo" ? Não Sader, você não tem o direito de se indispor perante a lei, e achar que pode tudo, que pode acusar, vilipendiar, injuriar e caluniar à vontade, achando-se ileso e acima da lei ! Da mesma forma seu petê vermelho. Leia-se a entrevista do marqueteiro de Lula, publicada neste domingo, para se ter a dimensão exata do que seja um partido sem escrúpulos para assaltar o poder !
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E aos intelectuais que se sentirem tentados em caírem no conto do Emir assinando o manifesto decantado por Dirceu, primeiro leiam o que “este professor” escreveu. Reflitam nas palavras que ali se encontram e analisem se o que os senhores intelectuais desejam é fermentar e fomentar todo aquele ódio mortal que exala do folhetim sangrento que o Emir subscreve.
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O Brasil precisa, rápida e urgentemente, retornar à legalidade de suas relações. Não podemos mais conviver com o estado de selvageria que se distende entre nós. Ou retornarmos ao cumprimento da lei, do respeito civilizado que devemos manter com o próximo, ou nos afastaremos cada vez mais de um futuro promissor. Uma sociedade civilizada e progressista, não abre mão do estado de direito, não abre mão do cumprimento da lei em igual sentido para todos os seus cidadãos. Uma sociedade civilizada viverá sempre sob o império da ordem, da lei e da construção de ideais calcados em valores e princípios morais. O que não podemos entender é se desejar construir algo civilizado a partir da anarquia, do divisionismo da nação que o petê vem provocando há anos, ou alimentar entre as instituições o culto ao personalismo, ao ódio de classes e a total perda da noção da moral, da ética, da ordem. Pretensão esdrúxula, por não encontrar paralelo na história da humanidade.
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Vivemos um momento crítico em que se discute se o crime compensa, se a subversão é o caminho ideal, se a corrupção e promiscuidade nas relações do Estado não favorecem de modo mais rápido o caminho do progresso. Ou seja, tudo aquilo que trouxe a civilização ao seu atual estágio de progresso e evolução estamos aqui discutindo se valem ou não a pena. Santo Deus ! Estamos dando às costas para um futuro honrado e voltando-nos para os cultos medievais de atraso, barbárie e e decadência moral. Pessoas que redigem apologias ao ódio entre cidadãos estão sendo reverenciadas como os profetas dos novos tempos. E se louvam em seus apêndices de maldade e de corrupção de valores. Ultrajantes e decadentes, não se dão conta de que o lixo da qual foram paridos, os engolfa na mesma ressonância de visão estreita e de valores doentios e prevaricados. Dementes, dançam sob o influxo da indigência mental e da delinqüência moral.
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Cumpra-se a lei em todo o seu vigor e legitimidade. O País precisa rasgar os fios que o atam no marasmo e no caos. O Emir deve entender, assim como seus seguidores, que não poderão continuar incutindo e pregando esta filosofia ordinária de “mete medo” jogando as pessoas umas contra as outras e achando que, do caos instalado, brotará a luz. Para quem ocupa o cargo que ele ostenta, a obrigação primeira seria pregar o entendimento, a paz, a fraternidade, do que valer-se da distorção dos sentidos de um texto para subir no púlpito e pregar sua filosofia anarquista e racista. Mesmo que a contragosto para os esquerdistas, é preciso vingar no Brasil o comportamento rotineiro de que todos são iguais perante a lei, e de a ninguém é dado colocar-se acima dela. Do mesmo modo, a eleição de Lula, por mais votos que as urnas tenham lhe apontado, elas serviram apenas para sua reeleição, não para anistiá-lo de ilegalidades porventura ocorridas, fosse no exercício do primeiro mandato, tanto quanto ao longo da campanha eleitoral. Nem os esquerdistas de todas as vertentes, nem ao trabalhadores, banqueiros, comerciantes e imigrantes de qualquer nacionalidade. Este é o caminho verdadeiro do legítimo estado democrático.
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Não vamos confundir nossa amistosidade com permissividade para se fazer qualquer coisa. Não vamos consentir que o ódio, a intolerância sejam armas para destruir valores e princípios sem os quais viveríamos nas cavernas feito trogloditas. Não se pode permitir que os detratores do progresso, das liberdades, do trabalho seja a eles permitido destruir a união dos povos e das raças, mesmo que as ideologias os esteja a separar. Como, também, não se tem o direito para provocar a cizânia e vingar ações que articulam impor os ataques pessoais na forma da calúnia, da injúria, da perfídia, da mentira, da mistificação. Não podemos permitir, e a Justiça aí está para tanto, que as diferenças de ideologias políticas fomentem o cisma no seio da nação brasileira. Nem tampouco os liberais, os conservadores, os de direita e de esquerda tem tamanho poder. Quem apostar neste caos que trate de mudar de terra. O Brasil não tem esta vocação. Quem apostar nisto está destinado a ficar entalado nos esgotos da degenerescência.

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Texto do Emir Sader:
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”A gente vai se ver livre desta raça (sic), por, pelo menos, 30 anos."(Jorge Bornhausen, senador racista e banqueiro do PFL).

O senador Jorge Bornhausen é das pessoas mais repulsivas da burguesia brasileira. Banqueiro, direitista, adepto das ditaduras militares, do governo Collor, do governo FHC, do governo Bush, revela agora todo o seu racismo e seu ódio ao povo brasileiro com essa frase, que saiu do fundo da sua alma - recheada de lucros bancários e ressentimentos.

Repulsivo, não por ser loiro, proveniente de uma região do Brasil em que setores das classes dominantes se consideram de uma raça superior, mas por ser racista e odiar o povo brasileiro. Ele toma o embate atual como um embate contra o povo - que ele significativamente trata de "raça".

Ele merece processo por discriminação, embora no seu meio - de fascistas e banqueiros - sabe-se que é usual referir-se ao povo dessa maneira - são "negros", "pobres", "sujos", "brutos", - em suma, desprezíveis para essa casa grande da política brasileira que é a direita - pefelista e tucana -, que se lambuza com a crise atual, quer derrotar a esquerda por 30 anos, sob o apodo de "essa raça".

É com eles que anda a "elite paulista", ultra-sensível com o processo de sonegação contra a Daslu, mas que certamente não dirigirá uma palavra de condenação a seu aliado estratégico (da mesma forma que a grande mídia privada). São os amigos de FHC e de seus convivas dos Jardins, aliados do que de mais atrasado existe no Brasil, ferrenhamente unidos contra a esquerda e o povo.Bom, é o delírio habitual. Bornhausen, Daslu, FHC...

Mas não se engane, senhor Bornhausen, banqueiro e racista, muito antes do que sua mente suja imagina, a esquerda, o movimento popular, o povo estarão nas ruas, lutarão de novo por uma hegemonia democrática, anti-racista, popular, no Brasil. Muito antes de sua desaparição definitiva da vida pública brasileira, banido pelo opróbio (sic), pela conivência com a miséria do país mais injusto do mundo, enquanto seus bancos conseguem os maiores lucros especulativos do mundo, sua gente será definitivamente derrotada e colocada no lugar que merece - a famosa "lata de lixo da história".

Não, senhor Bornhausen, nosso ódio a pessoas abjetas como a sua, não os deixará livre de novo para governar o Brasil como sempre fizeram - roubando, explorando, assassinando trabalhadores. O seu sistema , o sistema capitalista, se encarrega de reproduzir cotidianamente os que se opõem a ele, pelo que representa de opressão, de expoliação (sic), de desemprego, de miséria, de discriminação - em suma, de "Jorges Bornhausens".

Saiba que o mesmo ódio que devota ao povo brasileiro e à esquerda, a esquerda e o povo brasileiro devotam à sua pessoa - mesquinha, desprezível, racista. Ele nos fortalece na luta contra sua classe e seus lucros escorchantes (sic) e especulativos, na luta por um mundo em que o que conte seja a dignidade e a humanidade das pessoas e não a "raça" e a contra bancária.Obrigado por realimentar no povo e na esquerda o ódio à burguesia.Emir Sader

Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História".

Rir é o melhor remédio...

O Garoto Entusiasmado

O garoto de quinze anos chega na farmácia e pede uma camisinha.O farmacêutico olha para o rapaz com olhar indignado.
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— É que eu vou jantar na casa da minha namorada - justifica-se o garoto — e nunca se sabe... de repente, pode rolar um clima...
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O farmacêutico entrega o preservativo para o rapaz, este paga e vai embora. Cinco minutos depois está de volta e pede outra camisinha.
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— Lembrei-me que a prima da minha namorada também vai estar lá... e ela é muito bonita! Talvez ela se interesse por mim... acho melhor garantir!
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O rapaz embolsa a segunda camisinha e vai embora. Logo depois está de volta.
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— Sabe, moço! Eu estive pensando e acho que seria melhor eu levar mais uma. Eu ouvi que a mãe dela gosta de rapazes novos e quem sabe ela também se interesse por mim.
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À noite, no jantar com a namorada, a família toda reunida à mesa, o rapaz permanece o tempo inteiro no mais absoluto silêncio. A certa altura, a menina cochicha para o rapaz:
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— Puxa, querido! Você não falou uma palavra! Não sabia que você era tão tímido!
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— E nem eu sabia que o seu pai era farmacêutico!
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Brasil versus EUA
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Um brasileiro está calmamente tomando o café da manhã quando um americano típico, mascando chicletes, senta-se ao lado dele. O brasileiro ignora o americano que, não se conformando, começa a puxar conversa:
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— Você come esse pão inteirinho?
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— Claro! — responde o brasileiro de mal humor.
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— Nós não. Nós comemos só o miolo, a casca nós vamos juntando num container, depois processamos, transformamos em croissant e vendemos para o Brasil.
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O brasileiro ouve calado.
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— Você come esta geléia com o pão? - insiste o americano.
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— Claro!
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— Nós não. Nós comemos frutas frescas no café da manhã, jogamos todas as cascas, sementes e bagaços em containers, depois processamos, transformamos em geléia e vendemos para o Brasil.
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O brasileiro já de saco cheio diz:
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— E o que vocês fazem com as camisinhas depois de usadas?
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— Jogamos fora, claro!
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— Nós não. Vamos guardando tudo em containers processamos, transformamos em chicletes e vendemos para os Estados Unidos.
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A Freirinha do Ônibus
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O cara, de cabelo comprido, está no ônibus, sentado, quando entra no coletivo uma freirinha excepcionalmente gostosa. Ela escolhe sentar justamente do lado do sujeito.
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Depois de passar toda a viagem olhando a freira de cima a baixo, o homem não se controla e, com toda a cara-de-pau do mundo, convida a religiosa para uma noite de sexo.
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Assustada, a freirinha recusa veementemente o convite e desce no ponto seguinte.
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O cobrador, que ouviu todo o diálogo, chama o cabeludo e diz:
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— Eu sei como você pode transar com essa freira!
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O passageiro, curioso, pergunta qual é a receita. E o cobrador responde:
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— Toda quarta-feira à noite, ela vai ao cemitério rezar. Aproveite que você tem esse cabelo comprido, vista uma túnica e cubra um pouco o rosto. Vá até lá e diga que é Jesus Cristo. E, claro, ordene que ela transe com você.
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No dia e hora marcados, lá estava o cabeludo no cemitério esperando a freira. Assim que ela chega, ele salta de trás de um túmulo e diz:
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— Eu sou Jesus! Todas as suas preces serão atendidas, mas com uma condição: você terá que transar comigo!
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A freira concorda, porém pede que eles façam sexo anal, pois ela deve manter o voto de castidade.O falso Jesus concorda e eles passam mais de duas hora transando sobre a lápide.Assim que termina, o cabeludo não resiste a sacanear, ainda mais, a freira. Tira a túnica do rosto e grita:
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— Há, há, há! Eu sou o cara do ônibus!
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A freira tira o véu e diz:
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— Há, há, há! E eu sou o cobrador!

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Ligação Telefônica
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O Bush, o Bin Laden e o Roberto Jefferson morreram e foram para o inferno.
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Bush pediu ao diabo uma autorização para fazer uma ligação para os Estados Unidos, para saber como ficou o país depois da sua partida.
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O diabo permitiu a chamada e Bush falou durante dois minutos.Quando terminou, o diabo disse que a chamada custava três milhões de dólares.O Bush fez um cheque e pagou.
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Quando o Bin Laden soube, quis fazer o mesmo e ligou para o Afeganistão, mas conversou durante cinco minutos.O diabo passou a conta, que foi de dez milhões de dólares, que foram pagos em ouro.
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O Roberto Jefferson se assanhou e também quis ligar para o Brasil para ver como havia ficado o país e conversou por mais de três horas com os seus correligionários do PTB.
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Quando desligou, o diabo disse que o preço da ligação era dois dólares.
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O próprio Jefferson ficou bobo, depois das ligações anteriores que duraram muito menos tempo.
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Sem entender nada, perguntou ao diabo porque custava tão pouco ligar para o Brasil?O diabo respondeu:
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— De inferno para inferno, a chamada é local.
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PT na Cama
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Depois de se conhecerem em uma festa, o casal acorda no dia seguinte com ar apaixonado.
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- Foi uma noite maravilhosa! - diz o rapaz. - Aposto que você é veterinária!
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- Como adivinhou? - pergunta ela surpresa.
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- É que você soube cuidar bem do meu bichinho.
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- E eu aposto que você é petista! - devolveu ela.
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- Petista?- Sim, quando estava por baixo ficava gritando o tempo todo e quando estava por cima, não sabia o que fazer.

Em defesa do Estado Democrático

Por Sônia van Dijck
Edição de Artigos do Alerta Total

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Que os petistas detestam a imprensa livre não é segredo para ninguém. A situação se tornou mais grave desde que a corrupção no governo petista passou a ser noticiada. Graças à imprensa, o PT não pôde continuar escondendo debaixo do tapete o mensalão e outros crimes. E o Brasil acompanhou, através da revistas, jornais e emissoras de televisão, cada denuncia e os nomes dos envolvidos. O Brasil pôde ver os assessores, companheiros, amigos, marqueteiro e churrasqueiro do Presidente Lula envolvidos nos escândalos de corrupção. Também pôde saber o acontecido com o jornalista Boris Casoy.
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O PT tem um conceito particular de imprensa livre, de liberdade de expressão: não noticiar a corrupção petista, não divulgar os nomes dos corruptos - imprensa que fala da corrupção do governo é imprensa burguesa, golpista, reacionária.Todavia, quando os petistas decidiram forjar um dossiê fajuto, como forma de luta para reeleger Lula e eleger Mercadante, negociaram com a revista ISTO É uma entrevista, imediatamente desmascarada pelo noticiário veiculado pelos demais órgãos noticiosos. Ficara na historia aquela entrevista do Presidente Lula, sob o ciel bleu de Paris, quando descriminalizou o caixa 2. Dessa imprensa, que negocia armação de entrevista, os petistas gostam: imprensa a serviço de seus projetos de dominação da sociedade brasileira.
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Terminado o 2. turno das eleições, as manifestações do fascismo petista passaram a acontecer à luz do dia, seja na forma de agressões a repórteres e jornalistas, seja na forma de intimidação de profissionais. E começam a circular, nas publicações petistas e na internet, textos de petistas, falando em "democratizar a imprensa"; ou seja: cerceamento da liberdade de informação e expressão, quando se tratar de matéria sobre os desmandos dos petistas ou do governo petista.
Com isso, espera o governo Lula poder esconder todos os crimes petistas embaixo do tapete, atrás da porta, dentro das gavetas, em salas fechadas aos olhos dos brasileiros.
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Já não se fala dos crimes denunciados em 2005 e vários daqueles neles envolvidos acabam de ser eleitos. Já não se fala de contas clandestinas mantidas no estrangeiro. Já não se fala da violação da Constituição, com a invasão da conta bancaria do trabalhador Francenildo. Já não se fala da verdadeira face do PT. Com esse manto de silêncio, que vai, pouco a pouco, escondendo da opinião publica a forma petista de governar, já nem se fala em investigar de onde veio a dinheirama do caso do dossiê fajuto contra os tucanos.Pelo contrario: interessada em dar sua contribuição à impunidade, a PF resolve intimidar profissionais da imprensa. E o noticiário deu sua cota de silêncio como contribuição para o fim da liberdade de expressão, na construção da tal imprensa democrática de que os petistas estão falando. Em breve, a internet estará monitorada pelos vigilantes petistas, e quem na fila do caixa do supermercado reclamar dos altos impostos do governo Lula será chamado a depor na PF.
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Por outro lado, os escândalos do governo Lula já foram tantos que terminaram por banalizar a corrupção. A cada denuncia, os petistas mentiram tanto, seus advogados criminalistas foram tão competentes na defesa dos denunciados por corrupção, que os petistas envolvidos e alguns velhos amigos do Presidente Lula, cujos nomes eram desconhecidos do grande publico, tornaram-se celebridades.O Presidente Lula disse tanto que não sabia de nada quanto recentemente se diz empenhado na apuração dos crimes denunciados.
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O Presidente Lula, em várias ocasiões, hostilizou a imprensa, dando aval ao discurso fascista de seus correligionários revoltados com o noticiário, como se os jornais, as revistas, as TVs, tivessem inventado o mensalão, a mansão da republica de Ribeirão Preto, a máfia do lixo de Ribeirão Preto, a invasão e a depredação do Congresso Nacional pelo MLST, a expropriação da Petrobras na Bolívia, o enriquecimento mágico do filho do Presidente, os dólares na cueca, o dossiê fajuto, a entrevista negociada com a ISTO É, a cafetina-mor, que anda desaparecida de qualquer investigação sobre os tais envelopes que se disse terem sido levados por suas "meninas" a figurões da Republica, a denúncia do Procurador da Republica, que fala em "quadrilha" no governo e lista 40 nomes de envolvidos na corrupção, a grana apreendida pela PF com os petistas presos no Hotel Ibis (São Paulo), cujas fotos estavam proibidas de serem mostradas à opinião publica, a misteriosa origem dessa dinheirama.
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O PT quer fazer os brasileiros acreditarem que a imprensa inventou todos os fatos escandalosos do petismo, apenas para dar noticia, porque não é imprensa democrática.
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O PT quer fazer de conta que petistas nunca foram presos, não estão sendo investigados, não estão indiciados, não são corruptos - tudo não passa de invenção da imprensa que não é democrática.
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Quem não se comprometeu com o fascismo petista pôde verificar que, na recente campanha eleitoral, o tema mais quente dos debates foi a corrupção do governo Lula. Mas, a corrupção foi banalizada pela freqüência e pela quantidade dos escândalos. Corrupção banalizada pela assegurada inocência do Presidente e pela arrogância com que vários dos implicados continuaram/continuam circulando nos espaços da Republica e nos labirintos do PT. Corrupção banalizada quando se admitiu que o Presidente pudesse não saber das ações de seus principais auxiliares, de membros da cúpula de seu partido, de pessoas de sua maior confiança, e com essa inocentarão atribuiu-se ao Presidente isenção de responsabilidade sobre atos daqueles que ele levou ao Planalto ou mesmo a cargos de direção em instituições bancarias.Corrupção banalizada quando ao se falar do mágico enriquecimento do filho do Presidente a noticia foi tratada como invasão de privacidade. Corrupção banalizada quando se instituiu como principio moral o "sempre se roubou neste país, portanto os petistas não estão fazendo nada que seja novidade.E o resultado foi um certo esgarçamento dos princípios morais da sociedade brasileira, tanto que não só novos acusados de corrupção foram eleitos, como também velhos conhecidos da roda do crime, que até já estiveram nas estiveram nas dependências da policia como "convidados" ou como "hospedes".Para completar a obra, o PT pretende estabelecer uma ética democrática para a imprensa: não noticiar qualquer ação corrupta de petistas, pois "sempre houve corrupção" e não cabe à imprensa negar aos petistas o direito de serem corruptos.Se for preciso agredir profissionais da imprensa, os petistas fazem o serviço; se for preciso criticar o noticiário sobre as ações petistas, conta-se com a autoridade de ministros de Estado. Faz-se necessário intimidar, ameaçar, acusar de golpista a imprensa que fizer oposição ao governo.Para intimidar jornalistas, a PF tem a força, capaz de assustar qualquer jornalista ou cidadão (exemplo: Francenildo).
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O PT esta confundindo a vitória da reeleição de Lula com aval para implantação de um projeto autoritário.
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Os eleitores votaram em Lula e em vários acusados de corrupção; mas, fizeram isso conforme a vigência de Estado democrático e, obviamente, de direito.E democracia não sobrevive sem liberdade de opinião, sem imprensa livre, sem as garantias constitucionais que dão segurança ao cidadão, no uso de seus direitos e no cumprimento de seus deveres.
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Ou defendemos a liberdade de imprensa ou estaremos começando a abrir mão de muitas outras liberdades - até mesmo desta minha liberdade de mandar para meus amigos (e eles para os seus) essas minhas considerações, como correspondência internética entre amigos, permitida pela legislação atual.
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Os eleitores votaram de acordo com a Republica e não estiveram aprovando um estado fascista, até pelo fato de tal proposta não ter sido claramente proferida como programa de governo.
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Lula foi reeleito Presidente - pela atual legislação. Lula não foi nomeado ditador, salvo melhor juízo.
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Sônia van Dijck é professora universitária aposentada.

Estado Policial Fascista

Por Geraldo Almendra
Publicado no Alerta Total
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Primeiro as ameaças e constrangimentos aos jornalistas da Veja, agora a perseguição política ao Jornalista Carlos Chagas. Este é o Estado Policial Fascista que o povo escolheu para governar o país. Vamos todos pagar o preço por essa insanidade.
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Diz o último parágrafo de um editorial da Folha de S.Paulo sobre a agressão aos jornalistas: “O que essas manifestações de hostilidade ameaçam é muito mais do que a imprensa: é o direito da sociedade de ter livre acesso à informação e à opinião. A pretexto da vitória legítima de Lula, tentam silenciar o jornalismo crítico. As urnas não outorgaram nenhum tipo de anistia para os crimes cometidos pelos companheiros do presidente. Ainda há muito a esclarecer”.Na nossa opinião onde se lê legítima, leia-se ilegítima, caso no nosso país vigorasse uma verdadeira Justiça.
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Neste momento a máquina policial fascista deve estar a pleno vapor à procura dos “inimigos” do presidente reeleito, para puní-los da forma possível através do exercício do poder ditatorial nos meandros sub-reptícios da burocracia estatal, e com o poder repressor das milícias oficiais colocado à disposição do desgoverno petista na consolidação do seu projeto de captura perpétua do Estado.Os fatos e as atitudes recentes de próceres do fascismo filhote do socialismo democrático de mentirinha, denunciam o início das operações de um provável Estado Novo Petista contra todos os que exerceram ou estão exercendo o direito à liberdade de expressão.
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Em breve começaremos a ser interrogados sob nossas atitudes de crítica e, provavelmente, duramente ameaçados por atentarmos contra a “dignidade” da corrupção e da prostituição da política, diante da nova ordem relativista aceita pela Justiça em nosso país, que pune duramente os “francenildos” e blinda sistematicamente os cúmplices e lacaios da corrupção das relações públicas-privadas.Diante de um Poder Judiciário que tem se mostrado protetor de todos os amigos do Príncipe da prostituição da política, e das Forças Armadas, que escolheram o caminho de permitir a destruição do Estado Democrático de Direito pelos frutos apodrecidos do maior estelionato eleitoral de nossa história, como forma de deixar a “democracia” da nova burguesia petista determinar os destinos do país, todos nós estamos sendo colocados na beira da vala comum dos inimigos do fascismo prostituto da política, vencedor majoritário das eleições de 2006.
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A oposição política já começa a se acovardar, e vemos parlamentares da “oposição” na mídia expressando um ridículo reconhecimento de incompetência passada, apenas como um bordão covarde, arriando as calças diante de outros parlamentares do PT. Somente falta pedirem desculpas por serem da oposição ou se filiarem ao PT.
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As caras-pintadas de ontem agora aceitam a coligação Collor-Lulla, demonstrando a “profundidade” fascista das “reflexões culturais” do nosso ensino superior público-privado diante do assistencialismo que premia a incompetência acadêmica e a oferta de sinecuras para “mestres e doutores” correndo solta, além da distribuição de verbas públicas para calar a boca dos estudantes mais críticos.
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Alunos do ensino médio já começam a dizer em sala de aula que estudarão para serem espertos e corruptos já que este é o caminho do sucesso garantido em nosso país com a reeleição do petismo.
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Os atos e as vozes da ditadura fascista já começam a ser denunciadas na mídia através da transcrição de advertências do tipo “Olha bem o que você vai fazer. Está mexendo com peixe grande. Tudo o que fizer será responsabilidade sua”. (diretor da PF para um delegado que investigava o dossiê criminoso contra o PSDB, conforme denúncias publicadas na internet). Quem será o peixe grande?
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Também divulgada na internet declaração de um delegado da PF afirmando a posição do ministro da Justiça, que se mostrava apreensivo com a eventual menção, nos depoimentos, de qualquer coisa que pudesse “sugerir” uma ligação entre os presos e o presidente Lulla (caso dossiê).
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Esta denúncia de perseguição ao jornalista Carlos Chagas demonstra, claramente, o que podem esperar os cidadãos que não sejam os simpatizantes da nova “democracia” petista, ou seja, para os amigos do corporativismo fascista serão oferecidas todas as atenções e “benefícios” da máquina pública, e para os críticos, o poder achacador da burocracia e das ameaças das milícias oficiais.Depois do “ame-o ou deixe-o”, está inaugurada no país a era do cale-se ou sofra para sempre. É a versão real do jeito de ser do “lulinha paz e amor”. Um “exemplo de democracia” para o mundo.
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'Se vocês não derem uma solução, eu vou dar.' Esse é o aviso do candidato a ditador fascista, depois de dar socos na mesa, “comemorando” o início do seu projeto de poder perpétuo, ao cobrar da burrocracia estatal uma explicação para o caso dos controladores de vôo. É claro que o deficiente mental, físico e auditivo vai dizer que não sabia de nada caso se confirmem as denúncias que o acidente com o avião da empresa Gol que matou 154 pessoas foi de responsabilidade do próprio processo de controle aéreo que é de responsabilidade do desgoverno federal.
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Atenção cidadãos! Coloquem a estrela do PT pregada no peito quando forem a uma repartição pública senão vocês correm o risco de serem interrogados pelos fascistas, ou então terem perdido seus direitos adquiridos.
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Geraldo Almendra é ensaísta.

O eixo do atraso

Por Kennedy Alencar
Publicado na Folha de São Paulo

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Reeleito com 60,83% dos votos válidos no domingo (29/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contava com dificuldades provocadas pela oposição já no dia seguinte. Ledo engano.
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Vieram do próprio campo político os petardos que provocaram o primeiro tremor pós-reeleição: nova tentativa de um grupo de ministros e de dirigentes petistas de levar Lula a mudar a política econômica mais do que deseja e mais do que já fez.
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Batizado por críticos do próprio governo de "eixo do atraso", os expoentes desse grupo são os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Tarso Genro (Relações Institucionais) e Guido Mantega (Fazenda), além do presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, também assessor especial de Lula para assuntos internacionais.
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Para esse grupo, o único problema da economia são os juros altos. Bastaria acelerar a queda da taxa básica, a Selic, hoje em 13,75% anuais, para o desejado crescimento de 5% anual do PIB (Produto Interno Bruto) virar realidade.
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Ora, os juros são, sim, um grande problema da nossa economia. Continuam os mais altos do mundo. Será que isso acontece porque o Banco Central é míope, malvado, incompetente?
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São altos porque temos uma dívida pública acima do R$ 1 trilhão que precisa ser refinanciada constantemente. São altos porque tem predominado uma visão "financista", digamos assim, nas equipes econômicas desde que o tucano Fernando Henrique Cardoso editou o Plano Real, em 1994.Essa é uma boa discussão. E merece ser feita. É fácil falar em corte de gastos. Difícil fazê-lo com o máximo possível de justiça, pois é inevitável que afete a área social. O debate, portanto, vai além do chavão de que bastaria vontade política de reduzir juros caírem e da receita tradicional de passar a faca nas despesas públicas.
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No entanto, num gesto de inabilidade política, Tarso decretou no domingo, enquanto ainda corria a votação, o "fim da era Palocci". Dilma deu eco às suas declarações. Mantega e Garcia também.
Lula soltou os cachorros internamente. Lembrou que o trabalho de Palocci foi necessário e aprovado por ele. Disse que existe política de governo, não de ministros. E afirmou que ninguém anuncia antes do tempo que fará mudanças na economia _e ele não pretende dar uma guinada, registre-se.O "eixo do atraso" apenas conseguiu elevar a previsão dos juros futuros.
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Sacrificou crescimento, no jargão econômico. Provocou uma expectativa negativa que afeta decisões de investimento etc. Mais: há diretores do Banco Central que desejam sair. Haverá uma janela natural para substituição na virada do primeiro para o segundo mandato. No entanto, sob a pressão do "eixo do atraso", a leitura a respeito de eventuais trocas poderá gerar expectativas negativas no mercado. E, então, dificultá-las ou inviabilizá-las.Como diz o ex-ministro Delfim Netto, o crescimento econômico é também um "estado de espírito". É preciso que todos acreditem nele. Nesse sentido, ajuda Lula falar que o país está pronto para crescer 5%, ainda que isso não seja completamente verdadeiro. Todo presidente deve procurar criar um clima de otimismo.
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Mas não será falando em "fim da era Palocci" ou em renegociação de dívidas dos Estados e municípios que Lula criará esse clima e colherá bons frutos na economia. Já há um movimento capitaneado pelo presidente da Comissão de Orçamento do Congresso, o deputado federal Gilmar Machado (PT-MG), para aumentar o limite de endividamento de Estados e municípios. Machado defende alterações na Lei de Responsabilidade Fiscal, uma dura conquista do país e uma boa herança do governo FHC.
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Lula corre mais riscos de cometer erros se ouvir aliados do que oposicionistas. Isso já não é novidade. Mas é pena que o PT, depois de tantos escândalos e percalços, ainda não tenha aprendido a lição. Poderá levar o presidente a adotar ações conservadoras na economia para equilibrar destemperos verbais e articulações equivocadas.

"Lula substitui coronéis"

Por Fabiano Angélico
Publicado no /terra Magazine
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Dúvidas que assolam muitos brasileiros neste pós-eleições - "O segundo mandato de Lula será mais desenvolvimentista?" ou "O novo governo de Lula terá uma atuação mais à esquerda?" ou ainda "A Era Palocci chegou ao fim?" - não tiram o sono do cientista político Fernando Massote, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
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"A Era Palocci chegou ao fim? Nem sonhando!", diz, convicto, o doutor em Filosofia pela Universidade de Urbino (Itália) e autor do recém-lançado "A História pela Metade - Cenários de Política Contemporânea" (Editora CEFET-MG).
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"O governo Lula tem compromissos com a estrutura de poder, com os interesses do 'establishment' nacional e internacional neoliberal. Ele não tem, contrariamente, nenhuma sustentação política capaz de apoiar qualquer veleidade política alternativa ao quadro geral desses interesses", afirma Massote.
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Para o cientista político, posições como a do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro - autor da já desautorizada frase "a Era Palocci acabou" -, servem para fazer afagos a setores da esquerda. "Tarso Genro é uma das cerejas do bolo de que Lula se vale para neutralizar as posições de centro-esquerda. Tarso Genro que se cuide, sobretudo agora, diante da derrota tão contundente que o seu partido sofreu no seu próprio Estado, o Rio Grande do Sul."
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Se o ministro gaúcho é a cereja, o bolo, na avaliação do especialista, são as ações sociais do governo Lula. "As chamadas políticas sociais - que na verdade são medidas compensatórias recomendadas, aliás, pelos organismos internacionais como FMI e o Banco Mundial - visam proteger os interesses dominantes das explosões sociais que estas mesmas políticas causam".
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Para o professor da UFMG, as políticas de transferência de renda ajudaram o presidente reeleito e o Partido dos Trabalhadores a substituír os coronéis das velhas oligarquias sem alterar as estruturas de poder. Diz o professor:
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- Com as políticas compensatórias, que os 'neo-pelegos' e Lula tentam apresentar como algo mais orgânico e consistente, eles, PT e Lula, se tornaram o partido e o governo do neo-coronelismo. Com estas políticas ditas sociais todos os coronéis estão, agora, ameaçados. Hoje o velho coronel que quiser sobreviver vai ter que pedir a benção de Lula.
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Mas como governar sem ter o apoio de setores mais conservadores e de organismos internacionais? Na avaliação do cientista político, as forças sociais que ele chama de "sadias" precisam se organizar e se articular em torno de um denominador comum, que realize "uma mudança política em defesa do povo e do País".
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Essas forças, segundo Massote, podem encontrar um campo de atuação junto às famílias atendidas pelas políticas de transferência de renda, que vão lutar para não perder esse benefício. "As forças mais progressistas têm aí um espaço no qual se inserir", avalia.
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"A política, hoje, em todos os lugares, está amarrada a estreitas posições de poder. É necessário desamarrá-la e fazer com que ela se volte para a defesa dos interesses da população, dos trabalhadores, das mulheres, dos jovens e que resolva os problemas enormes que estão aí em todas as áreas".
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Para realizar essa "desamarração", seria importante a participação de setores do sindicalismo e dos movimentos sociais. O professor, porém, ainda vê com reservas a possibilidade de atuação mais contundente dessas forças, que foram importantes na reeleição do atual presidente.
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"Lula recorreu ao socorro salarial de última hora para reconquistar o apoio do funcionalismo público que o estava abandonando velozmente com a Reforma da Previdência e todo o elenco de políticas neoliberais", diz.
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"Ganhou, com isto, o apoio de ambientes sindicais que atuaram fundamentalmente a seu favor nestas eleições, funcionando como caixa de ressonância das diretrizes eleitorais do PT e Lula contra seus adversários, sobretudo tucanos".
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"As estruturas montadas ao longo de tantos anos pelo PT junto aos sindicatos e aos movimentos sociais e, do mesmo modo, pelo PCdoB, ajudaram muito esta programação de cobertura popular para a campanha eleitoral de Lula. Atuaram também, muito, em favor de Lula, os ideólogos da Teologia da Libertação comprometidos com as posições de poder do PT, como Frei Betto, e outros movimentos de base ligados à Igreja".
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Massote, porém, não crê que o governo atual apóie demandas populares ou dialogue com posições progressistas.
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- Não espero que o PT e o governo Lula vão manter este espaço aberto. Como poderá, de fato, o PT fazer qualquer mobilização social e política no Amapá, no Maranhão, que são quintais de Sarney, ou no Pará de Jader Barbalho?
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A grande questão que o professor deixa, para este segundo mandato, é de que forma vão atuar os setores que foram fundamentais para a reeleição de Lula.
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"Como é que esta estrutura de apoio mais popular vai reagir às contradições que vão se abrir com as políticas conservadoras preparadas pelo novo governo Lula é que são elas...".
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Fabiano Angélico, 30, é jornalista da PrimaPagina (www.primapagina.com.br), onde atua como editor da agência européia de notícias Lusa. (www.agencialusa.com.br). Trabalhou nos jornais Agora São Paulo, Estado de Minas e Hoje em Dia e na EPTV (afiliada TV Globo).

Texto completo aqui

Sem novidades, exceto as piores

por Olavo de Carvalho
© 2006 MidiaSemMascara.org
Publicado pelo Diário do Comércio

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Resumo: Duas mentiras colossais, consagradas como opinião geral, bastam para destruir completamente a capacidade de julgamento moral de um povo.
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Com a reeleição de Lula, o Brasil continuará sendo governado diretamente das assembléias e grupos de trabalho do Foro de São Paulo, sem a mínima necessidade de consultar o Parlamento ou dar satisfações à opinião pública; o direito da esquerda ao crime e à mentira, já exercido sem maiores restrições, será consagrado como cláusula pétrea da moral política nacional, e os que a infringirem se sentirão pecadores e réprobos; os representantes das Farc e do Mir continuarão circulando livremente pelo território onde vendem drogas e seqüestram brasileiros; os cinqüenta mil homicídios anuais subirão para sessenta ou setenta, mas a liquidação de quadrilhas locais concorrentes da narcoguerrilha colombiana continuará sendo apresentada como vitória esplêndida da lei e da ordem; o MST continuará ditando a política agrária federal; e os empresários que não participem de mensalões ou esquemas similares continuarão sendo criminalizados pela Receita. Até aí, tudo será como antes, exceto do ponto de vista quantitativo, no sentido de que o ruim ficará incalculavelmente pior. As únicas novidades substantivas previsíveis são as seguintes:
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(1) Nossas Forças Armadas, que até agora conseguiram adiar um confronto com a realidade, terão de escolher entre continuar definhando ou integrar-se alegremente na preparação de uma guerra continental contra os EUA, ao lado das Farc e sob o comando de Hugo Chávez.
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(2) Como Lula promete para o seu segundo mandato a “democratização dos meios de comunicação”, os órgãos de mídia que se calaram quanto aos crimes maiores do presidente serão recompensados mediante a oficialização da mordaça. Não deixa de ser um upgrade.
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(3) Alguns políticos com veleidades legalistas, que faziam alarde de querer punir os crimes do PT, partirão para o adesismo retroativo e inventarão para isso justificativas sublimes. Tudo o que ficou impune será esquecido ou premiado.
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Geraldo Alckmin perdeu porque sacrificou sua candidatura, sua consciência e até sua religião ao voto de silêncio no que diz respeito ao abortismo, ao Foro de São Paulo, às ligações de Lula com as Farc e do PT paulista com o PCC. No último debate, uma insinuação velada – ou ato falho – mostrou que ele estava bem avisado pelo menos quanto a este último ponto, mas não queria passar a informação aos eleitores. Gastou seus quinze minutos de fama empregando nisso o melhor da sua covardia, e não se pode dizer que se esforçou em vão. Simultaneamente, um artigo meu sobre o Foro de São Paulo era censurado na Zero Hora de Porto Alegre e o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh fazia o que podia para calar o jornal eletrônico Mídia Sem Máscara . No tópico do abortismo, pela primeira vez na história das eleições no mundo um partido proibiu, com sucesso, toda menção pública a um item do seu próprio programa oficial. Os que violaram o voto de censura pagaram pela audácia: o arcebispo do Rio de Janeiro teve sua casa invadida pela polícia e, em Belo Horizonte, dois jovens foram presos por distribuir folhetos sobre o compromisso firmado por Lula no sentido de legalizar o aborto no país. Nunca um partido teve um controle tão completo sobre a lista dos argumentos permitidos e proibidos na propaganda eleitoral. Os últimos dias da campanha deram uma amostra do que o segundo mandato de Lula promete ao Brasil.
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A auto-estupidificação moral de um povo
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Se julgar da culpa ou inocência alheia fosse habilidade natural e espontânea do ser humano, todos seríamos magistrados de nascença. Desde que o mundo é mundo, porém, a sabedoria das civilizações reconheceu as tremendas responsabilidades do ato de julgar, delegou essa tarefa a indivíduos especialmente dotados e, ao longo dos séculos, veio aprimorando os meios de exercê-la e acumulando o imenso patrimônio intelectual da ciência jurídica.
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Inversamente, escolher entre dois pretendentes ao mando aquele a quem se prefere obedecer é decisão de foro íntimo que cada um tem de tomar por si mesmo, livremente, valendo aí os conselhos dos sábios e o testemunho das ciências tão-somente como sugestões, sem nenhum poder determinante.

É mais fácil, em suma, escolher um governante do que decidir se um réu é culpado, e qual a pena que lhe cabe. Por isso, a diferença entre decisão eleitoral e decisão judicial é um dos pilares da ordem democrática e da própria racionalidade nos debates públicos.

Por duas vezes, já, o Brasil desprezou essa diferença. Primeiro, quando julgou e condenou Fernando Collor antes de ter uma certeza juridicamente consistente quanto aos crimes que lhe imputavam. Segundo, quando protelou toda iniciativa judicial contra Lula até transferir aos eleitores, hoje, a decisão quanto à culpa ou inocência do acusado.

No primeiro caso, o réu foi absolvido, depois de desgraçado politicamente, nos 103 processos movidos contra ele na Justiça. Como é impossível uma nação inteira arrepender-se de haver condenado um inocente, a mídia e a opinião pública desprezam solenemente a decisão da Justiça e continuam a tratar Collor como se fosse culpado.

Quanto a Lula, as provas existentes da sua culpabilidade já são tão volumosas, que dificilmente ele escapará de uma condenação se elas forem levadas à Justiça. Então, pela lógica da história recente, não restará alternativa senão continuar tratando o culpado como inocente.

Duas mentiras colossais, consagradas como opinião geral, bastam para destruir completamente a capacidade de julgamento moral de um povo. Por meio delas, a nação inteira tornou-se culpada de injustiça, e, reprimindo em si própria a compreensão do que fez, não há de reencontrar tão cedo o sentido do que é consciência moral.

E somos nós os culpados?

Por Pedro Oliveira - Jornalista e presidente do Instituto Cidadão.
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O Brasil inteiro sabe, todo mundo acredita e ninguém duvida de que nunca se roubou tanto do erário quanto no atual governo, o que nos leva a crer que no futuro nada será diferente. Foram os imundos mensalões, o roubo descarado nos Correios, os sanguessugas, os dólares nas cuecas, o dossiê imoral que até agora a Policia Federal não quis apurar, as denúncias envolvendo familiares do presidente, as evidencias de que a lama chegou como um tufão ao Palácio do Planalto e ao Partido dos Trabalhadores.
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O Brasil estarrecido, mas não surpreso, assistiu o procurador Geral da República chamar de “quadrilha” o grupo de acusados formado pelas principais figuras da “República Petista” e do governo do presidente Lula, denunciados por evasão de divisas, corrupção, irresponsabilidade administrativa, formação de quadrilha e outros vários crimes.
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A sociedade brasileira se viu ferida no íntimo de suas esperanças frustradas com a ação comprovada de vândalos ensandecidos que atacaram frontalmente a ética e os bolsos dos miseráveis levando o dinheiro da merenda das crianças pobres, dos remédios e das ambulâncias dos hospitais.
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O Tribunal de Contas da União escancarou a indecente conduta de agentes públicos sediados no mesmo local de trabalho do presidente da República e seus principais assessores envolvidos no superfaturamento do preço e na farsa da quantidade de “cartilhas” confeccionadas e ainda na manobra supostamente montada pelo próprio governo e o Partido dos Trabalhadores. O mesmo Tribunal de Contas que suspeitou e está investigando superfaturamento em obras dos aeroportos, das estradas federais e em outros órgãos e programas da administração petista.
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Na tribuna do Senado Federal o filho do presidente eleito e reeleito, o “genial” Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) foi acusado de transações suspeitas, de enriquecimento no mínimo estranho e tráfico de influência nas altas esferas do governo do seu pai. No mesmo plenário respeitável, o integro e combativo senador Heráclito Fortes (PFL/PI) revelou que a filha do presidente Lula, Lurian, mantinha negócios suspeitos com o churrasqueiro de seu pai, Jorge Lorenzetti, através de uma ONG que haveria recebido milhões dos cofres do Governo Federal.
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Os fatos estão ai, ninguém os fabricou. A imprensa ética e comprometida com a informação à sociedade publicou. A revista Veja, destemida e sem compromisso com a corrupção e a falta de descaramento dos ladrões foi a fundo, investigou, ouviu e entregou aos seus leitores matérias lúcidas e imparciais. Cumpriu o seu papel.
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Menos de 48 horas após o segundo turno da disputa presidencial, a Polícia Federal, comandada pelo advogado de Lula, Márcio Thomaz Bastos, em uma atitude clara de retaliação intimou três repórteres de Veja para depor sobre matérias publicadas, como se ainda estivéssemos sob o julgo dos ditadores facínoras. Segundo os três jornalistas Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, o delegado Moysés Ferreira não os tratou com “cortesia e urbanidade” como disse. Os acusou de publicar “falácias” (olha o chefe fazendo escola), insinuou que o editor da revista recebeu dinheiro e ainda o ameaçou.
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Em seguida militantes petistas pagos pelo governo hostilizaram jornalistas e veículos de imprensa em manifestação que comemorava a volta de tudo. Alguns profissionais foram agredidos fisicamente e ouviram xingamentos ameaças graves. A truculência ameaçadora não intimidará nem fará com que a sociedade deixe de ser informada das trapalhadas e dos erros cometidos por agentes da bandalheira petista.
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Não temos culpa se o governo vai mal, não temos culpa se dentro desse governo se montou um aparelho do crime, da corrupção e atitude politicamente incorreta. O Senado se movimenta para convocar o ministro da Justiça para explicar a intimidação descabida a jornalistas, considerada um evidente atentado à liberdade de imprensa, pelo senador Arthur Virgilio.
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Não seria o fim de um governo que começa, já anunciando como será o seu fim?

A pasta de dentes não volta para o tubo

Por Carlos Chagas
Publicado na Tribuna da Imprensa

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Por que Lula venceu? Porque teve mais votos do que Alckmin, é óbvio. Haverá, porém, que garimpar a vitória do presidente. Ele chegou a tirar votos do adversário, dados no primeiro turno, da mesma forma como se tornou o herdeiro quase único dos votos de Heloísa Helena e Cristovam Buarque.

O principal fator da reeleição surge como conseqüência. Lula venceu porque as eleições dividiram o País em dois: os pobres votaram nele e os ricos, em Alckmin. A divisão pode ser notada até na geografia. O Norte, o Nordeste e as regiões mais pobres do Centro-Oeste e do Sudeste ficaram com o candidato do PT. O Sul e a maior parte do Sudeste preferiram o ex-governador de São Paulo.

Resultado foi óbvio

Trata-se de uma divisão perigosa. Os pobres identificaram no presidente Lula alguém como eles. Os ricos buscaram um candidato que pode não ser necessariamente rico, em termos pessoais, mas veio identificado com as elites.

Aliás, ironicamente, Lula deve ser classificado como um ex-pobre, tendo em vista que possui três apartamentos e investimentos na bolsa de valores. Alckmin jamais pronunciou uma palavra contra as elites, ainda que tentasse cooptar as massas. Já Lula desenvolveu toda a campanha do segundo turno batendo firme nos ricos, dizendo até que a Avenida Paulista era o reduto de seu adversário.

Como as massas empobrecidas são maioria, o resultado foi óbvio. Mesmo tentando desmentir ter criado essa divisão, o presidente reeleito não conseguiu livrar-se dela. Nos dois discursos feitos logo após a proclamação da vitória, foi claro ao acentuar que governaria para o andar de baixo, não para o de cima.

Nada há a opor, diante da disposição de fazer mais pelos desafortunados, mas a pergunta que fica é se a nação está disposta a esquecer essa exposição explícita de suas entranhas. Mesmo vinda dos tempos de Pedro Álvares Cabral, a divisão entre ricos e pobres aflorou através da campanha da reeleição.

Algumas conseqüências advirão breve. Os pobres vão cobrar, senão diretamente, pelo menos através dos movimentos sociais. Os sem-terra saíram na frente, até rompendo o pacto de não invadir propriedades antes das eleições. Outros similares já se preparam, como os sem-teto, os sem-emprego e, mesmo, os sem-esperança. Apesar do recolhimento da CUT, as outras centrais sindicais já esquentam os motores para botar os operários na rua, estimulando greves.

No reverso da medalha, defendem-se as elites. Será o novo Lula renascido das urnas diferente daquele que as beneficiou durante quatro anos? E se for, como reagirão? Que efeitos causaria nelas uma reforma fiscal capaz de sacrificar ainda mais as classes favorecidas, a começar pelos bancos e os especuladores? Fará o que o presidente? É impossível fazer voltar a pasta de dentes, depois que ela sai do tubo. Dizer que tudo não passou de um expediente eleitoral não dá.

Sem adversários?

Declarou Lula, conhecidos os resultados da eleição, que não terá mais adversários. Pediu a compreensão das oposições e se disse disposto a conversar com todos. Não haverá partido político que ele deixe de procurar. Até dezembro, terá dialogado com todos os segmentos da sociedade, para compor uma agenda nacional focando o crescimento econômico e a justiça social.

Não vetará ninguém, e quem não quiser que explique por quê. A teoria é perfeita, falta esperar pela prática. O "alto tucanato" não parece disposto a aceitar a trégua, muito menos os caciques liberais. É verdade que se arriscam a ficar pendurados no pincel, porque suas bases pensam diferente.

Mas é preciso saber se o presidente aceitará de fato sugestões ou se tentará impor pratos-feitos a seus interlocutores. Não se conversa sem uma agenda prévia um roteiro de decisões a tomar, esperando-se que já não tenham sido tomadas no Planalto ou, pior, nos conciliábulos do que sobrou do PT.

Quando, no auge da euforia eleitoral, o ministro Tarso Genro apregoou ter "acabado a era Palocci", terá desagradado muito mais as oposições do que o próprio presidente Lula, que, aliás, não gostou da frase. Se for para mudar o modelo econômico, o novo governo pode esperar a elevação da temperatura. Mas se for para preservá-lo integralmente, como explicar ao eleitorado?

Hegemonia: o próximo passo do poder petista

por Paulo G. M. de Moura, cientista político
Publicado no Diego Casagrande

Confirmada a vitória de Lula, a tarefa agora não é a de procurar culpados ou de brigar pela propriedade da razão crítica sobre as causas da derrota de Alckmin. O importante agora é tentar projetar os cenários do virtual segundo governo Lula. Já iniciei essa reflexão no artigo “E se Lula vencer?”, publicado em 18/10/2006. Nessa direção, creio que o foco de observação da cena política deve se voltar, no primeiro momento, para a tentativa do PT constituir base parlamentar para sustentar o governo. O poder de cooptação que o Estado confere ao presidente da República num país de cultura patrimonialista e autoritária é incomensurável. A possibilidade de Lula obter sucesso em sua empreitada não pode ser menosprezada.
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O primeiro grande movimento de Lula, já insinuado desde o início da corrida eleitoral, será em direção ao gelatinoso e absorvente PMDB. Políticos fisiológicos de todos os quadrantes do sistema partidário já começam a ensaiar seus passos em direção à porta do ônibus peemedebista. O partido saiu fortalecido das urnas e seu posicionamento centrista - do ponto de vista da condição de jogo e não da doutrina, que inexiste -, torna-se um leito confortável para qualquer indivíduo que esteja na política a negócio. É possível, inclusive, que a virtual maioria que a oposição conquistou no Senado seja ameaçada pela cooptação de senadores de “oposição” pelo PMDB. Não se deve menosprezar, também, a possibilidade de que os setores do PMDB que foram ligados ao governo FHC e opuseram resistência à adesão da legenda ao governo Lula, baixem a guarda e cedam ao sedutor canto da sereia dos cargos e ministérios. Na imprensa especula-se que o preço da adesão completa dos peemedebistas seria de sete ministérios de porteira fechada. Aos incomodados restará se retirar. Ou não. No PMDB sempre tem lugar para mais um.
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Outro dado importante. Imaginava-se que com a cláusula de desempenho o sistema partidário se consolidaria em torno de cerca de sete grandes partidos, reduzindo-se, com isso, o poder de barganha das pequenas legendas fisiológicas. Essa expectativa não está se confirmando. Recorrendo às fusões ou apostando na aprovação de uma lei que permita a criação de uma federação de partidos, os nanicos de todos os tipos vão driblando as regras do jogo. O número de partidos deve diminuir, mas restarão no tabuleiro algumas legendas fisiológicas às quais Lula poderá recorrer para compor sua maioria, de forma mais controlada do que aquela bandalheira do mensalão no varejo das almas do primeiro mandato. Resta saber maioria para quê? Tudo indica que, para nada fazer.
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Um terceiro fator relevante é a conduta do PSDB e do PFL como partidos de oposição. Ambos viram suas bancadas encolherem na saída das urnas. Talvez elas encolham ainda mais com as tentativas de cooptação de governo. O caso do PSDB me parece mais crítico, pelo menos por duas razões. Os tucanos têm vocação centrista e espinha flexível. Foram eles que contiveram o PFL nas tentativas de radicalizar a oposição ao Lula, pois sonhavam com a vitória fácil que, parece, não virá. Lula acena com o armistício com o canto da sereia da possível participação dos tucanos no governo.
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Além disso, temos o mineiro Aécio Neves. Três tucanos saem das urnas com plumagem de pavões: Serra; o próprio Aécio e, por que não, Alckmin, que se saiu melhor do que Serra como adversário de Lula. Sem governo importante para comandar, Alckmin deve buscar a presidência nacional do PSDB. Serão, portanto, três bicudos disputando a vaga de adversário do candidato de Lula em 2010. Nos meios políticos, têm-se como certa a ida de Aécio para o PMDB, o que pode se confirmar se ele avaliar que não conseguirá garantir a vaga para si. Não obstante, Aécio defende que a “oposição” do PSDB ao governo Lula seja tão light quanto já vinha sendo da parte dele. Aécio sonha um sonho impossível. Imagina que Lula e o PT apoiariam um nome que não seja do próprio PT à sucessão de Lula.
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Chegou a vez do PFL. Os pefelistas anunciaram que tomariam seu rumo e se distanciariam do PSDB caso Alckmin perdesse a eleição para Lula. Mais do que isso, o PFL precisa rever-se e revolucionar-se se quiser sobreviver. Há um evidente espaço a ser ocupado por um partido conservador moderno no espectro político brasileiro. A nova cara do PFL deve passar por Afif Domingos (SP), Rodrigo Maia (RJ), Onyx Lorenzoni (RS), Paulo Afonso Feijó (vice de Yeda Crusius no RS) e outras lideranças emergentes nos grandes centros urbanos do Brasil moderno.
O PFL precisará aprender a fazer política fora do governo; talvez menor, mas mais apegado à diretrizes ideológicas opostas ao petismo e ao estatismo. O povo brasileiro é conservador. Há um núcleo reduzido, mas consistente, de intelectuais liberais no país que se sentem órfãos de representação política. Se quiser fazer essa alquimia e apostar numa estratégia de poder longo prazo, demarcando suas claras diferenças com o PSDB – aliado circunstancial e não mais automático - e, com o PT, ao qual deve fazer oposição sistemática e intransigente.O próximo passo da estratégia de poder do PT é a conquista da hegemonia; isto é, da preservação do poder de Estado que os petistas conquistaram e não largarão com a facilidade que o PSDB e o PFL largaram. Quem não entender isso corre o risco de ser cooptado e de cair na irrelevância política. Mas a hegemonia petista não se restringirá à conquista do Estado. Seu objetivo é a consolidação de bases sociais sólidas. Para isso, terá de reconquistar a classe média, evitando seu confinamento nos grotões.
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O mau sinal das urnas para o PFL e o PSDB, é o indicador de que os benefícios econômicos concedidos na reta final do primeiro mandato e a recuperação parcial da imagem de um partido preocupado com o social, que o marketing do “bolsa-esmola” permitiu a Lula, pode estar sinalizando o início dessa reconciliação com a classe média na estratégia de poder do PT. Parte da classe média abriu a porta de casa e deixou Lula entrar outra vez. A luta nesse terreno é ideológica e de longo prazo. A oposição, a menos que venda a alma para o diabo, tem um longo e difícil caminho pela frente.
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Finalmente, o mais grave de todos os problemas. As instituições brasileiras – Parlamento, Justiça, Partidos, Sociedade Civil, Igreja, Entidades Representativas, e outras – mostraram que também têm a espinha flexível e valores morais frouxos na hora de tomarem posição contra a corrupção e a defesa da Democracia.
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O IBGE por testemunha

Por Pedro do Coutto
Publicado na Tribuna da Imprensa

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Reeleito nas urnas de ontem por larga margem de votos, que obteria no primeiro turno não fosse sua ausência no debate inicial da Globo e o dossiê contra José Serra, a luta agora do presidente Lula não é mais contra Alckmin, mas contra o IBGE. Claro. A partir de janeiro, Luís Inácio da Silva defronta-se com os compromissos que assumiu na campanha. No Rio de Janeiro, o mesmo se aplica a Sérgio Cabral. A sociedade está na obrigação implícita de cobrar de ambos as promessas feitas, principalmente para que não se percam no reino da fantasia, como disse o poeta, num sonho de uma noite de verão.
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Os vencedores devem começar desde logo apontar como e onde vão obter os recursos indispensáveis para os projetos que anunciaram. Sobretudo levando em conta que toda oferta adicional de serviços ou bens gera uma demanda igualmente crescente. O IBGE será o aferidor do que vai ser concretizado. E, também, do que ficará nas palavras e nas intenções. Aliás é fundamental que a legislação estabeleça, em relação a todos os governantes, a obrigação de informar como recebem o poder quando assumem e como o deixam no término de seus mandatos.
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No meio, a obrigação lógica de prestarem contas anualmente à população. Nada mais importante, portanto, do que, no momento, as radiografias do País e do Estado do Rio. Com base nos dados estatísticos, a opinião pública poderá acompanhar o ritmo de cada governo. E os problemas com que cada um mais se defronta.
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No País, por exemplo, existe o desafio da dívida interna que atingiu 1 trilhão e 61 bilhões de reais, equivalendo a 57 por cento do orçamento da União e algo em torno de 54 por cento do Produto Interno Bruto. No Rio de Janeiro, a dívida interna estadual, com base no levantamento publicado no Diário Oficial de 24 de março pela Secretaria de Finanças, atinge 42 bilhões, correspondendo a 130 por cento da lei de meios. Como Lula e Sérgio Cabral pretendem enfrentar tais situações? Afinal de contas, os endividamentos acarretam enormes despesas com o pagamento de juros. No plano federal, este ano, são 179,5 bilhões, como revela Carlos Kawall, Secretário do Tesouro, em balanço publicado no DO de 29 de setembro. No RJ, de quanto será a despesa com juros e serviços da dívida?
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No plano federal, é importante saber o que Luís Inácio da Silva, consagrado pelo voto, vai fazer para ampliar os investimentos públicos, sem os quais a retomada do desenvolvimento econômico é praticamente impossível. Este ano, 2006, as aplicações de capital do governo estão previstas na escala de 49 bilhões de reais. Muito pouco. Equivalem a apenas 3 por cento do teto orçamentário. No RJ, difícil identificar onde está o dinheiro para investir, já que o Rioprevidência, que tem a seu cargo o pagamento de 130 mil aposentados e pensionistas, apresentou um déficit de 662 milhões em 2005.
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A própria Secretaria de Finanças, como vimos em artigo recente, revelou que, não fossem os royalties do petróleo que a Petrobras repassa ao Estado, este pagamento já estaria atrasado. No ano passado, a Petrobras repassou 1 bilhão e 400 milhões de reais à administração Rosinha Garorinho. O volume de recursos, ao que tudo indica, vai se repetir este ano. Ainda bem. Caso contrário, seria a falência. O descalabro administrativo é total. Os números são da Secretaria de Fazenda. A receita cresce menos que a inflação, como ocorreu no ano passado.
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Enquanto isso, o endividamento estadual aumentou 5 por cento em 2005. A arrecadação avançou nominalmente 3 por cento. Comparando-se com a taxa inflacionária, na realidade recuou 2 pontos. Mas temos que considerar também o crescimento da população. A cada ano, nascem 350 mil crianças no Estado. No País, 2 milhões. O índice demográfico, para os dois casos, é de 1,3 por cento a cada doze meses.
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Estou citando o RJ porque em relação a ele obtive os dados lendo o Diário Oficial. O problema do crescimento populacional, na verdade, pertence ao país e a todas as unidades da Federação. No Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, inclusive, é um pouco maior que 1,3 por cento. Isso em conseqüência das migrações internas que se deslocam para os pólos que naturalmente exercem maior poder de atração.
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Em todos os casos, a radiografia administrativa é fundamental. Inclusive torna-se um fator coadjuvante dos governos que, com base em informações corretas, podem melhor realizar seus planejamentos. Existem diversos fundos nacionais e internacionais que oferecem recursos para projetos de desenvolvimento, mas desde que sejam bem elaborados e viáveis.
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O Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, desde o período Anthony Garotinho, que assumiu em janeiro de 99, vinha recebendo financiamento do Banco Mundial para a despoluição da Baía de Guanabara. Empresas privadas japonesas que assumiram contratos para a tarefa enfrentaram problemas sérios com os pagamentos e a renovação dos cronogramas da obra.
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Creio que o projeto não avançou. No caso, inclusive, porque despoluir a Baía de Guanabara, obra fundamental, não é uma questão somente de engenharia. É um problema social. Enquanto existirem favelas à margem, nada feito. Despolui-se num dia, a poluição retorna no outro. Tudo isso tem que ser levado em conta. Não é fácil.

As privatizações foram benéficas para o Brasil

por Félix Maier, em escritor em Mídia sem Máscara
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As privatizações realizadas por FHC foram benéficas para o povo brasileiro, embora os petistas, durante o segundo turno da eleição presidencial, pronunciassem a dita cuja como se fosse um palavrão. Alckmin caiu no alçapão petista. Em vez de defender as privatizações feitas pelo governo tucano, apresentando os números disponíveis abaixo, o candidato passou a maior parte de seu precioso tempo na TV explicando que não iria privatizar a Petrossauro, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. E ainda ostentou a camisa do Banco do Brasil que os petistas vestiram nele...
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Também, não se podia esperar outra coisa: Alckmin, um cara com jeito de seminarista recém-saído do colégio interno, tendo que enfrentar, sozinho, as meninas de Jeanne Córner da Daspu petista. Deu no que deu.
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Antes das privatizações, um telefone fixo custava, em média, o equivalente a R$ 6 mil no Rio de Janeiro. Na Ilha do Governador custava R$ 13 mil, na Barra da Tijuca, R$ 15 mil. Como funcionava isso? Você pagava um carnê da Telerj, p. ex., em 24 prestações e depois ainda tinha que esperar anos, anos e anos para que instalassem a linha. Em Brasília, no Plano Piloto, no início de 1992, eu comprei uma linha equivalente, hoje, a R$ 2 mil.
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Depois das privatizações, você não paga mais pelo uso da linha, tanto no telefone fixo, quanto no celular. No fixo, hoje, você paga apenas a taxa de instalação, não mais a linha em si. Em ambos os sistemas - fixo e celular - você paga pelo que consome (no fixo existe uma taxa mínima, com o título de “serviços mensais”). No Brasil pós-privatização, todos os brasileiros têm condições de comprar um telefone, mesmo uma empregada doméstica, um faxineiro e até um desempregado que faz “bicos”. É incalculável o benefício que o celular trouxe para milhões de brasileiros, profissionais liberais ou autônomos, que podem distribuir cartões com seu celular, para angariar uma infinidade de novos clientes. Tudo graças à entrada de capital nacional e estrangeiro que acarretou a criação de inúmeras empresas de telefonia. Ou seja, tudo isso é benefício trazido pela privatização das telecomunicações.
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Com a Embraer, ocorreu o mesmo. De uma empresa quase falida, depois da privatização triplicou o número de funcionários e é, hoje, um dos carros-chefe das exportações brasileiras. Atualmente, a Embraer é uma multinacional próspera, está criando plantas industriais na China e no Sudeste asiático.E com a Vale do Rio Doce, o que aconteceu? A última edição da revista Veja (1º/11/2006) traz números que só provam que as privatizações foram benéficas para o País, não maléficas, como os embusteiros petistas apresentaram durante a campanha presidencial.
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No artigo de Veja, pg. 88 a 89, lê-se que "A privatização foi decisiva para o crescimento da Vale do Rio Doce, que, com a compra da Inco (por US$ 13,3 bilhões), se tornou a segunda maior mineradora do mundo" (pg. 88)...

Números da Vale:
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Vendas de minério de ferro e pelotas (em milhões de toneladas):
1997: 100
2005: 252,2
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Número de funcionários (diretos):
1997: 11.000
2005: 39.000
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Lucro líquido:
1997: 350 milhões de dólares
2005: 4,8 bilhões de dólares
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Valor de mercado:
1997: 9 bilhões de dólares
2006: 77 bilhões de dólares
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Números de países em que está presente:
1997: 7
2006: 18
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Fonte: revista Veja, pg. 88 e 89)
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"A Vale, criada em 1942, constituía uma exceção à infeficiência reinante nas estatais. Desde 1974 era a maior exportadora de minério de ferro do mundo.
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Mas o Estado funcionava como um freio que impedia seu pleno desenvolvimento. A companhia era competitiva internacionalmente. No Brasil, entretanto, submetia-se aos órgãos de controle de preço do governo. E, a partir de 1979, quando foi criada a Secretaria de Controle de Empresas Estatais (Sest), perdeu completamente a autonomia. Não podia gastar, ainda que fosse para gerar mais receita. Estava, portanto, condenada ao sucateamento, num processo estimulado também por focos de ineficiência típicos de empresas estatais. Os processos de licitação eram burocratizados, havia restrições à contratação de pessoal e limites a reajustes salariais, sem falar na nefasta ingerência política na nomeação de diretores. Hoje a companhia tem uma política de incentivos que permite a contratação de profissionais de primeira linha, o que contribui para aumentar sua eficiência. 'A privatização deu à Vale liberdade de gestão, e isso é o que está por trás do desempenho atual', resume Tito Martins, diretor de Assuntos Corporativos da empresa" (Veja, pg. 88 e 89)."Um outro estudo, de 1996, feito pelo BNDES pelo economista Armando Castelar, mostra que, no conjunto de 46 empresas privatizadas entre 1981 e 1994, o faturamento cresceu 27%, as vendas por funcionários subiram 83%, o patrimônio triplicou e o investimento quadruplicou" (Veja, pg. 89).Portanto, nacionalisteiros babacas e socialistas retrógrados: deixem de ser embusteiros. Vocês, petistas, sabem muito bem que as privatizações beneficiaram o Brasil, porém colocaram o dualismo "direita x esquerda" na televisão para enganar os incautos, prejudicando o candidato Alckmin que engoliu a isca. Privatização, na maioria dos casos, só traz benefícios ao país, por eliminar o fator político de sua administração e estancar a hemorragia de verbas desviadas pela corrupção, desgraça inerente a toda empresa estatal. Prova disso são os escândalos recentes apresentados pelos Correios, Banco do Brasil (Visanet), CEF e Petrobrás, todos mastodontes federais a serviço da ladroagem petista durante os quatro anos de Lula.
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Se a Petrossauro não fosse uma empresa estatal, se em 1953 os nacionalisteiros babacas e os socialistas retrógrados não tivessem vencido a queda de braço "o petróleo é nosso", criando um monopólio estatal, por certo hoje estaríamos pagando uma gasolina muito mais barata. A Argentina, p. ex., que começou a explorar o petróleo na mesma época que o Brasil, não caiu na armadilha xenófoba e nacionalisteira, deixando que várias empresas, nacionais e estrangeiras, tocassem o negócio. Em 5 anos, eles estavam exportando petróleo. Hoje, na Argentina se paga a metade do preço por um litro de gasolina, se comparado com o Brasil. Os espertos petistas convenceram 58 milhões de cleptomaníacos em potencial que é bom o brasileiro pagar o dobro pelo litro da gasolina. Tudo em nome de nossa República Socialista Bananeira, a maior cleptocracia do mundo.
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Nacionalisteiros babacas e socialistas retrógrados são os verdadeiros males do Brasil! No Brasil, infelizmente, há também muitos militares que se apresentam como nacionalistas, porém são apenas babacas inocentes úteis, por contribuírem com o pensamento da ideologia esquerdizóide, em prejuízo de toda a sociedade brasileira.