domingo, setembro 02, 2012

Sem educação não tem jeito

Adelson Elias Vasconcellos


Dois destaques da semana chamaram a nossa atenção: a condenação da primeira leva de réus do mensalão, dentre os quais João Paulo Cunha, deputado federal pelo PT e que foi condenado como corrupto pelas malvadezas cometidas ao tempo  em que exerceu a presidência da Câmara de Deputados.  E o segundo tema importante foi o anúncio do pibinho brasileiro relativo ao segundo trimestre do ano, índice baixíssimo que vem se repetindo há oito trimestres, que fez o país perder posto de 6ª economia do mundo. Pode-se dizer tudo sobre a crise, o seu peso relativo neste crescimento insignificante da nossa economia. Mas o certo é que ficamos na lanterna dentre os BRICs e abaixo de México e Chile, por exemplo, dentre os emergentes.  Se países com menos recursos e potencialidades conseguem, mesmo com a crise internacional, crescerem mais do que o Brasil, é sinal de que alguma coisa estamos fazendo de errado e que, sendo assim, precisamos rever nossa estratégia e refletir se não é hora de mudar os rumos da política econômica conduzida pelo governo Dilma.

Mas volto ao primeiro tema, o mensalão. Um dos destaques do voto do presidente do STF, ministro Carlos Ayres Brito, foi sua estupefação diante de um lei produzida especificamente para proteger os mensaleiros .E a grande surpresa foi a de que o projeto de lei era de autoria do atual ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, PT, e que recebeu em sua redação final a cereja do bolo da corrupção. Isto é demonstrativo de que o governo petista é sim, gostem ou não, concordem ou não, o governo organizado para o crime. As instituições são manipuladas estupidamente para proteger e dar guarida a um projeto de poder criminoso, que quer sufocar a qualquer custo e sob qualquer pretexto, as forças da sociedade contrárias a este projeto delinquente em que se deseja substituir o Estado e a Sociedade pelo partido único. Mais canalha impossível.

Quanto ao pibinho, dizer o quê? Faz tempo que alertamos aqui para o diagnóstico errôneo traçado pela equipe econômica e mais errôneas, ainda, as medidas que tem sido adotadas. Tudo e em tudo transparece claramente a falta de rumo, o improviso, a tentativa de obter resultados de curto prazo e com prazo de validade também muito pequeno, insignificante. 

Não há discurso que esconda a incompetência e a falta de habilidade da turma governista. Um governante vale e é julgado não pelas palavras, pelas frases bombásticas e de efeito, pela capacidade de exibir-se nos palcos e nos palanques feito vendedor de feira de periferia.  O que conta, o que tem importância são os resultados de suas ações, e neste sentido o governo Dilma tem se mostrado ruim de serviço. 

Por sorte, parte da nossa dinâmica econômica não depende de ações de governo para existir, subsistir e ir em frente. E a condição básica para este dinamismo foi dada a partir da estabilidade econômica, obra da década de 90 e contra a qual os petistas fizerem o possível e o impossível para impedir e sabotar.  Está também na excelência da nossa agropecuária contra quem não apenas petistas tentam subverter, mas ecoterroristas e boa parte da imprensa  não se cansam de detratar. É ela o grande amparo desta estabilidade,  e até do crescimento que só não é negativo por conta destes trabalhadores do campo tão mal vistos e destratados pelos governantes em geral, e parte da imprensa em particular. 

Governos  corruptos e incompetentes, estas têm sido as marcas dos governos petistas. Eles só não conseguem tornar o país mais irrelevante porque o limite de paciência das nossas instituições ainda não genuflexas à cretinice petista, parece ter acabado.  A resposta do STF no mensalão, até aqui, tem sido exemplar, com as exceção de praxe, não por outra, devidamente indicadas por Lula.

Certa vez sugeri que alguém se dispusesse em levantar o total do prejuízo causado ao Brasil fruto dos governos petistas desgovernados. E que o resultado fosse exibido ao povo,  o quanto este prejuízo poderia ter melhorado o nível de vida de todos os brasileiros. Duvido que Dilma chegasse à metade da popularidade de que goza hoje. 

Infelizmente, nossa oposição continua com o olhar jogado nos astros distraída, e não consegue achar o prumo e se dar conta da grandeza do papel que lhe cabe representar. É a oposição quem dá legitimidade à democracia, mas vá explicar isto para a turma do PSDB, DEM e outras siglas assemelhadas. Seus líderes não conseguem reunir-se nem para tomar cafezinho, quanto mais para discutir e convergir ideias. Imaginem então se o objetivo da reunião fosse para desenhar um projeto alternativo para o país...

Assim, a caravana vai seguindo sem rumo, perdida no tempo, conduzida ao arrepio de qualquer planejamento de longo prazo, improvisando ao sabor das pesquisas   de curto prazo. Enquanto o país não investir pesado em Educação, muito mais do que os 10% que ora se discute no Congresso e que já faz tremer a ala econômica do governo, enquanto esta não for a prioridade máxima do Brasil, dando ênfase, sobremaneira, aos ensinos médio e fundamental, não esperem que o Brasil saia da sua pasmaceira habitual. Podemos, se tudo correr a favor, ter um espirros de crescimento mais ou menor, de quando em vez, mas nada que tenha alguma sustentação virtuosa no tempo e no espaço.  

Desgovernado do jeito que está e vai, o Brasil continuará medíocre e irrelevante dentre as principais economias mundiais. Continuará sendo mero fornecedor de matéria prima para alimentar as riquezas dos países desenvolvidos, continuará analfabeto comandado por ignorantes e mafiosos, corruptos e degenerados.

O julgamento do mensalão no STF pode até nos dar algum alento de, num futuro distante, o país despertar desta letargia e mandar para o inferno esta tropa de gigolôs que exploram a nação sem dó nem piedade. Contudo, a grande reação para mudar este subdesenvolvimento que nos governa passa, OBRIGATORIAMENTE, por uma revolução educacional. Sem ela, o povo brasileiro continuará manada teleguiada pelos interesses corporativos e fisiológicos da máfia assentada no poder. 

Os exames de avaliação do ensino demonstram os séculos de distância que estamos para atingir este estágio. São mais de três milhões e setecentas mil crianças e adolescentes fora das escolas, uma geração inteira mergulhada na escuridão do atraso, vivendo nas trevas da nossa idade medieval. E esta leva é fruto do governo petista que já está no poder há dez anos e teve tempo, condições e recursos para mudar este quadro. Mas não há interesse. Povo escolarizado e com informação qualitativa é povo que não se deixa escravizar, e é na escravidão e nas trevas da ignorância que nossos gigolôs pretendem manter este povo para continuarem a reinar infames sobre nossa desgraça. 

As vozes de resistência ainda são poucas diante do exército de malfeitores que nos cercam, cerceiam da sociedade o direito de agir e pensar por si mesma. Dela, eles querem apenas subserviência, a obediência cega de um exército de zumbis sem luz e sem vontade. 

Educação, no Brasil, infelizmente, continua sendo a demagogia preferida das plataformas dos políticos e até dos governantes. E a tendência, pelo andar da carruagem, é esta demagogia se alongar por muito mais tempo. 

E não adianta inventar a roda quadrada: sem educação, não tem jeito. Vamos continuar sendo o país do futuro, sem eira nem beira, povo esfolado, escravizado e sem direito à verdadeira cidadania. Porque, senhores, cidadania num povo analfabeto e condenado às trevas da ignorância é mais do que desaforo. É heresia. É ficção. Não existe. Foi sonegada, foi exterminada.  E ele vai continuar fazendo do seu voto uma arma contra si mesmo, escolhendo para representá-lo nada além da escória, justamente pela falta de discernimento.

O ensino, senhores, não pode ser esta porcaria que o Brasil adota, insuflada ainda com ideologia política. Aliás, tem sido esta estupidez que tem feito o ensino brasileiro despencar em sua qualidade nos últimos dez anos. Nossa prioridade em termos de qualidade deve centrar-se nos ensinos fundamental e médio, e não ficar torrando dinheiro no ensino superior para absorver uma legião de semianalfabetos como atualmente ocorre. É nas primeiras fases que está e se faz toda a diferença. E claro, na competência de se utilizar os recursos com inteligência e eficácia.

O Brasil precisa deixar de ser teimoso. Se olhar para as fórmulas que deram certo no sudeste asiático, por exemplo, perceberá que os países atualmente detentores de excelente crescimento econômico, com avanço tecnológico estupendo, estavam, há 30 anos atrás, em situação pior do que a brasileira. Investiram pesadamente em educação, traçaram um planejamento estratégico de longo prazo, e saíram da miséria para uma condição de vida de primeira linha. Exemplo? Coréia do Sul.  Mas a base de tudo foi a educação. Primeiro passo para o progresso. Será que é tão difícil para a gente copiar os bons exemplos? Ou vamos permanecer teimando que nada temos a aprender? Está na hora de sairmos da era medieval e chegarmos ao século 21.

PIB foi afetado por investimento baixo e indústria fraca, dizem economistas


Bianca Ribeiro
Agência Estado

Atividade cresceu apenas 0,4% no segundo trimestre e analistas já projetam expansão infeior a 2% em 2012

SÃO PAULO - O desempenho das contas nacionais na passagem do primeiro para o segundo trimestre mostra a persistência de problemas relacionados ao baixo investimento e à resistência da indústria em mostrar recuperação, apontam especilistas. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou aumento de apenas 0,4% no período- resultado, contudo, melhor que o do trimestre anterior, de alta de 0,1%, segundo dado revisado.

Segundo o economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mauro Rochlin, o lado da demanda dentro do PIB está sendo minado pela baixa Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que caiu 0,7% na comparação com o primeiro trimestre deste ano e 3,7% perante o segundo trimestre de 2011.

"O número mostra que o governo tem uma missão a cumprir por meio de aumento em investimentos públicos, que ficaram estancados no segundo trimestre por problemas de gestão em ministérios e falta de projetos", avalia Rochlin.

Pelo lado da oferta, diz Rochlin, o PIB no período continuou sendo prejudicado pela anemia do setor industrial, que deu uma contribuição negativa para a conta do período, con retração de 2,5% perante os primeiros três meses deste ano. Na mesma base comparativa, o recorte da indústria de transformação apontou um tombo de 5,3%. Na avaliação do professor, o resultado ruim no setor continua sendo justificado pelo câmbio desfavorável, especialmente nos segmentos exportadores.

Para Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, o baixo investimento reflete, em parte, a incerteza com as regras no Brasil. O desempenho, segundo ele, está amparado essencialmente na baixa confiança dos empresários, não só pelos fatores de risco da crise externa, mas também pelas incertezas sobre as regras domésticas para investimentos produtivos. "O conjunto de regras muda muito rápido no Brasil e desestimula o investimento", diz Schwartsman.

Com a taxa de investimento tão baixa, a avaliação do economista é de que o PIB potencial do País, que é a capacidade da economia crescer sem pressão inflacionária, está ainda mais distante das taxas entre 4% e 4,5%. "Essa convicção não existe mais". O investimento reduzido, diz, também está associado à baixa qualidade dos desembolsos do governo, que amplia o gasto público corrente e tem menos espaço para aplicar.

Queda de exportações prejudica a atividade
O desequilíbrio da balança comercial também deu forte contribuição para o baixo crescimento do PIB no segundo trimestre. O economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, destaca a queda das exportações (-3,9% ante o primeiro trimestre), especialmente de itens manufaturados para a Argentina. "Esta questão vem sendo minimizada, mas agora ficou claro que está havendo um vazamento externo do PIB", diz Leal.

"Apesar da desvalorização importante em relação ao nível do dólar no início do ano, as exportações não reagem rapidamente", diz Rochlin, do Ibmec e da FGV, ao lembrar que relações comerciais que vêm sendo desfeitas pelo problemas de competitividade levam tempo para serem retomadas, mesmo em um cenário de moeda mais favorável.

Para Rochlin, o protecionismo do governo argentino teve influência negativa no PIB brasileiro, mas de maneira mais modesta do que o cenário internacional. "Conta mais a desaceleração global da demanda gerada pela crise na Europa e nos Estados Unidos", opina.

Economistas projetam PIB inferior a 2% em 2012
Mesmo com a piora dos números de investimento, PIB industrial e de contas externas entre os meses de abril e junho, Schwartsman mantém sua previsão de crescimento de 1,5% para o ano de 2012, mas avalia que essa taxa agora está no teto de suas estimativas e que aumentou a hipótese de que o PIB cresça menos do que isso neste ano.

A ajuda positiva, segundo ele, deverá vir do consumo das famílias. Apesar do crescimento de apenas 0,6% do primeiro para o segundo trimestre, Schwartsman avalia que o consumo das famílias vem mostrando um crescimento sustentado e tem espaço para crescer daqui para o final do ano, conforme se der também o recuo do inadimplência.

Já o economista-chefe da LCA, Braulio Borges, manteve sua projeção de expansão da economia de 1,7% para 2012. "Com os fortes estímulos fiscais anunciados pelo governo nesta semana, entre eles juros reais negativos para quem comprar caminhões, o PIB deve pegar tração no segundo semestre, puxado por investimentos", disse.

Com Ricardo Leopoldo, da Agência Estado 

Variação do PIB do Brasil fica abaixo de México e Chile


Maíra Teixeira e Pedro Soares
Folha de São Paulo

Com o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 0,4% no segundo trimestre na comparação com o primeiro trimestre, a economia brasileira registrou desempenho inferior a de países como o México (0,9%) e o Chile (1,7%).

Outras economias robustas patinam atreladas à estagnação na Europa. A Alemanha cresceu 0,3% e a França ficou com taxa zero no mesmo período, enquanto o Reino Unido recuou 0,5%.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil registrou crescimento anualizado de 1,2%, que também ficou abaixo do registrado na China (7,6%) e nos Estados Unidos (1,7%), de acordo com essa comparação.

A zona do euro busca maneiras de estimular o crescimento econômico em uma região cujas suas principais economias estão estagnadas. Na semana passada, foi divulgado que o PIB da região ficou inalterado no primeiro trimestre do ano na comparação trimestral e contraiu 0,2% no segundo.

Países importantes para a economia mundial registraram recuo na atividade, o que leva à expectativa de que o mundo demore ainda a se recuperar da crise mundial. No segundo trimestre, o PIB da Espanha teve queda de 0,4%, resultado melhor do que Itália (-0,7%) e Portugal (-1,2%).

Editoria de Arte/Folhapress
EVIDÊNCIAS
Evidências de uma forte desaceleração da economia afetam ainda o emprego na região, cujo índice de desocupação que atingiu nova máxima, de 11,3%, em julho.

A recessão europeia, refletida na queda da demanda da região que é o maior mercado de exportação da China, colocou a economia chinesa sob pressão, com os problemas agora sendo sentidos pelo leste asiático.

Por outro lado, a China vive uma desaceleração e para combatê-la o governo chinês vem tentando estimular a economia por meio de várias medidas, entre elas, dois cortes na taxa básica de juros e aumento dos gastos.

Apesar das medidas, os números da economia chinesa voltaram a decepcionar em julho, principalmente a produção industrial e a balança comercial. A meta oficial de avanço do PIB para este ano é de ao menos 7,5%. No segundo trimestre deste ano, o PIB cresceu 7,6%, o pior resultado em três anos.

Mas a China se mostra relutante em apresentar um pacote de estímulo massivo como fez em 2008. Em vez disso, optou por abrir mais setores ao capital privado para ajudar a financiar novos projetos de investimento.

Os Estados Unidos já conseguem vislumbrar uma melhora econômica, mas ainda dependente de medidas de estímulos, como a injeção de dinheiro na economia. Por outro lado, a economia já conseguiu sair do pior da crise e diminuir taxas de desemprego.

Embora a composição da atividade econômica seja favorável, o crescimento continua bem abaixo da taxa de 2% a 2,5% exigida em todo trimestre para deixar a taxa de desemprego estável.

BRASIL
Diante das medidas de estímulo do governo, o PIB esboçou uma leve reação e cresceu 0,4% no segundo trimestre na comparação livre de influências sazonais com o primeiro trimestre.

Nos primeiros seis meses do ano, a economia se expandiu 0,6% ante o mesmo período de 2011. Em valores, o PIB somou R$ 1,1 trilhão no segundo trimestre. Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira.

O crescimento da economia do primeiro para o segundo trimestre, ainda que não tenha sido expressivo, é o mais vigoroso desde o segundo trimestre de 2011, quando a expansão havia sido de 0,6%.

Já a taxa semestral registrou seu menor patamar desde o primeiro semestre de 2009. Naquele período, o PIB caiu 2,6%, também sob efeito da crise detonada no final de 2008.

O resultado entre abril e junho ficou próximo ao previsto pelo mercado, cujas expectativas apontavam para uma expansão de cerca de 0,5%. No primeiro trimestre do ano, a expansão tinha sido de 0,2% ante o período anterior, número que foi revisado pelo IBGE para 0,1%.

SETORES
A indústria caiu 2,5% de abril a junho ante o primeiro trimestre, já o setor de serviços, o de maior peso, avançou 0,7% na mesma base de comparação. A agropecuária registrou expansão de 4,9% do primeiro para o segundo trimestre.

Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias, item mais importante nessa leitura, subiu 0,6% na comparação com o primeiro trimestre. O investimento, por seu turno, caiu 0,7%. O consumo do governo avançou 1,1%.

Já as exportações caíram 3,9%, enquanto as importações (que são descontadas do cálculo do PIB, por refletiram uma produção realizada fora do país) cresceram 1,9%.

MESMO PERÍODO DE 2011
Em relação ao segundo trimestre de 2011, o PIB cresceu 0,5%, num ritmo menos intenso em razão da crise externa e do seu contágio na economia do país. Na mesma base de comparação, o primeiro trimestre havia registrado expansão de 0,8%.

Foi a menor marca desde o terceiro trimestre de 2009, quando a economia do país havia se retraído 1,5% ainda no embalo da crise inciada no fim de 2008.

O resultado reflete a queda de 2,4% da indústria, a expansão de 1,5% dos serviços e da alta de 1,7% da agropecuária. No que tange aos dados da demanda, o consumo das famílias teve alta de 2,4%. Já o investimento caiu 3,7%.

Já no indicador acumulado nos últimos 12 meses (quatro trimestres), os dados do IBGE mostram um crescimento de 1,2% da economia brasileira. O indicador mostra o quanto o PIB teria crescido se o ano se encerrasse em junho.

Prazo de validade


Celso Ming  
O Estado de S.Paulo

O governo Dilma anunciou, na quarta-feira, a prorrogação da isenção (ou da redução) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, máquinas, materiais de construção e aparelhos domésticos.

O objetivo imediato é estimular o consumo, para que o setor produtivo possa recuperar fôlego e, assim, apresentar algum resultado nos quatro meses restantes do ano.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez ampla defesa da decisão tomada. Chegou a dizer que, além de não prejudicar a solidez das finanças públicas, a renúncia tributária favorece a economia, na medida em que promove comércio que não aconteceria e é aplicada com a contrapartida de garantia de emprego.

No entanto, essa política de distribuição de favores a alguns setores da economia - e não a todos - tende a trazer mais incertezas do que benefícios.

Boa parte da elevação da nova procura de bens de consumo duráveis ou de bens de capital corresponde à antecipação de vendas. Quem aproveita uma redução de impostos para comprar um carro, uma geladeira, uma máquina ou materiais de construção não deve repetir tão cedo operação desse tipo. É também compra que não será feita quando o imposto voltar com era antes. O ministro Mantega reconhece que o mau desempenho do setor produtivo interno é consequência da grave crise global que, no entanto, deverá durar pelo menos por mais um ou dois anos. Enfim, o estímulo não pode funcionar como motor de arranque que coloque o veículo em movimento. Se a crise continuar segurando o setor produtivo, não há como esperar eficácia desse dispositivo. Em outras palavras, a recuperação da atividade econômica não parece, por si só, sustentável.

O segundo problema vem com a eleição arbitrária de favorecidos. Se todo o sistema produtivo enfrenta suas limitações e se todo o mercado de trabalho é prejudicado por uma crise, por que apenas meia dúzia de setores pode contar com desonerações ou reduções tributárias? Não há nenhuma razão especial para que o negócio de veículos ou o de aparelhos domésticos atraia em seu benefício um pedaço maior do salário ou do crédito do consumidor e que os demais setores (têxteis, calçados, alimentos, medicamentos, etc.) tenham tratamento menos favorecido. Por que é melhor para a economia que o consumidor gaste suas disponibilidades, por exemplo, com um fogão novo e não com o enxoval da filha? Nesse sentido, fica incompreensível que os líderes empresariais, representantes de todo o setor produtivo e não só de uma parte, aplaudam essas iniciativas temporárias e parciais.

São decisões que criam insegurança. Não é somente o planejamento da economia que exige condições de longo prazo. A saúde de qualquer negócio requer regras estáveis. Não pode depender da distribuição de antibióticos com prazo incerto de validade, sujeita à boa vontade de quem estiver no comando ou da força de reivindicação dos lobbies da hora. Como gerenciar um fluxo de caixa ou uma carteira de encomendas, se a cobrança de um tributo tão importante como o IPI pode ou não ser suspensa ou se determinadas isenções podem ou não ser prorrogadas?

Além disso, se esses benefícios tributários são tão bons como assegura o ministro, então é preciso pensar em torná-los permanentes.

Apesar de medidas de estímulo, indústria tem pior desempenho desde 2009


Pedro Soares
Folha de São Paulo

Apesar das medidas de estímulo do governo, como a desoneração de tributos de importantes setores, e com a estabilização do câmbio no patamar de R$ 2, o PIB industrial não reagiu no segundo trimestre.

O setor registrou queda de 2,5% do primeiro para o segundo trimestre de 2012. Foi o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2009, quando a crise global derrubou a atividade industrial no país, com retração de 6,5%.

Entre os subsetores da indústria, os destaques negativos ficaram com as indústrias de transformação (-2,5%) e extrativa mineral (-2,3%).

A primeira tem um peso maior no PIB e reage ao agravamento da crises externa, menor confiança de empresários e crédito mais restrito. Já a extrativa, que vinha de bons resultados, repercutiu a redução da produção de petróleo, item de maior impacto na atividade.

Já a construção civil e as atividades de energia, gás e saneamento livraram a indústria de um resultado ainda pior no primeiro trimestre, com expansão de 1,5% e 4,3%, respectivamente, na comparação com o primeiro trimestre.

Na comparação com o segundo trimestre de 2011, a indústria registrou queda de 2,4%, também sob impacto da perda das indústrias de transformação (-5,3%) e extrativa (-1,8%).

Entre os ramos da indústria de transformação que mais puxaram a atividade para baixo, ficaram material eletrônico e de comunicações, veículos, vestuário e calçados e farmacêuticos --setores que sofrem mais concorrência externa ou acumularam estoques elevados em razão da freada do consumo.

RESULTADO
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira que a economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre na comparação com o primeiro trimestre.

Nos primeiros seis meses do ano, a economia se expandiu 0,6% ante o mesmo período de 2011. Em valores, o PIB somou R$ 1,1 trilhão no segundo trimestre.

O crescimento da economia do primeiro para o segundo trimestre, ainda que não tenha sido expressivo, é o mais vigoroso desde o segundo trimestre de 2011, quando a expansão havia sido de 0,6%.

Já a taxa semestral registrou seu menor patamar desde o primeiro semestre de 2009. Naquele período, o PIB caiu 2,6%, também sob efeito da crise detonada no final de 2008.

O resultado entre abril e junho ficou próximo ao previsto pelo mercado, cujas expectativas apontavam para uma expansão de cerca de 0,5%. No primeiro trimestre do ano, a expansão tinha sido de 0,2% ante o período anterior, número que foi revisado pelo IBGE para 0,1%.

Alta do PIB do Brasil é a menor entre os Brics no 2º tri, diz IBGE


Folha de São Paulo
Com informações do VALOR

O crescimento de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre em comparação com o mesmo período de 2011, divulgado nesta sexta-feira (31) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), colocou o Brasil na lanterna do crescimento entre os Brics.

A liderança coube à China, com alta de 7,6% na mesma base comparativa. A seguir vieram Índia, com 5,5%; Rússia, com 4%; e África do Sul, com 3,2%.

Em termos de PIB per capita, o Brasil, com US$ 11,6 mil, só ficou atrás da Rússia, com US$ 16,7 mil. A seguir vieram África do Sul, com US$ 11 mil; China, com US$ 8,4 mil; e Índia, com US$ 3,7 mil.

FINANCIAMENTO
O Brasil fechou o segundo trimestre com uma necessidade de financiamento de R$ 27,8 bilhões, a maior para um segundo trimestre desde o início da série histórica do IBGE, em 2000. No segundo trimestre do ano passado, a necessidade de financiamento havia sido de R$ 21,5 bilhões.

O aumento da necessidade de financiamento foi causado principalmente pelo saldo externo negativo de bens e serviços, que subiu R$ 9,2 bilhões na mesma base de comparação. Entre abril e junho deste ano, o deficit foi de R$ 14,4 bilhões, contra um deficit de R$ 5,2 bilhões em igual período do ano passado.

Em contrapartida, a renda líquida de propriedade enviada ao resto do mundo foi reduzida em R$ 1,9 bilhão em relação ao segundo trimestre do ano passado, passando de R$ 18,2 bilhões para R$ 16,3 bilhões. Essa redução foi causada pela remessa líquida de lucros e dividendos, que caiu R$ 3,9 bilhões, enquanto o pagamento líquido de juros subiu R$ 1,9 bilhões entre o segundo trimestre do ano passado e igual período deste ano.

Perdendo mercados na AL


O Estado de S.Paulo

A indústria brasileira continua perdendo mercado na América Latina, principal destino de suas exportações de manufaturados. Até na Argentina, o maior parceiro no Mercosul, fabricantes de outros países vêm tomando espaço antes ocupado por empresas do Brasil. A invasão ainda é liderada pelos chineses, mas é cada vez mais importante a presença de produtores de outras nacionalidades. Empresas de países emergentes, como Turquia e México, também têm aumentado sua presença na região, assim como companhias do mundo rico. É cada vez mais difícil - e irrealista - atribuir os infortúnios das empresas brasileiras às condições de competição da indústria chinesa, como o câmbio depreciado e os custos muito baixos e pouco transparentes. As dificuldades principais são de outra natureza e quem quiser observá-las deve olhar para dentro do País, em vez de buscar culpados no exterior.

Estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), por solicitação do jornal Valor, lançou mais luz sobre o grande problema comercial da indústria brasileira, tornou alguns detalhes mais visíveis e, afinal, confirmou um diagnóstico bem estabelecido há algum tempo. O produtor instalado no Brasil tem perdido competitividade. Mesmo quando consegue aumentar as vendas, sua participação no mercado pode diminuir, porque os concorrentes avançam mais rapidamente na exploração de oportunidades. No primeiro semestre deste ano, as vendas brasileiras para o Peru foram 2,7% maiores que as de um ano antes. Aumentos muito maiores foram conseguidos por China e Japão (25%), México (25%) e Alemanha (cerca de 50%), segundo informações da Comissão de Promoção para Exportação e Turismo, do Peru, citados na reportagem.

A valorização do real, mencionada frequentemente por empresários e até por técnicos da CNI, explica apenas parcialmente as dificuldades enfrentadas pelos fabricantes brasileiros fora do País e também no mercado interno. De fato, o câmbio valorizado encareceu o produto nacional durante alguns anos. A valorização decorreu de vários fatores, como o excesso de dólares no mercado internacional e as oportunidades de lucro abertas no Brasil ao aplicador estrangeiro. Mas o real desvalorizou-se amplamente desde o trimestre final do ano passado e as exportações brasileiras continuaram emperradas e chegaram a encolher nos últimos meses.

O problema, portanto, vai muito além do câmbio, embora alguns empresários continuem reclamando uma desvalorização maior. O dólar é hoje cerca de 15% mais caro do que em novembro do ano passado. A variação supera com folga 20%, quando a comparação se refere a momentos de maior valorização do real, quando a cotação da moeda americana oscilou entre R$ 1,50 e 1,60. Qual seria o câmbio que satisfaria o industrial brasileiro? Há quem mencione a cotação de R$ 2,60 por dólar. Levar a sério essa reivindicação seria um grande erro.

Quem atribui o poder de competição da indústria chinesa principalmente ao câmbio comete um grave engano. Esse fator é importante, mas é preciso levar em conta, entre outros fatores, a infraestrutura disponível nas áreas industriais da China, a oferta de mão de obra em condições de trabalhar nas fábricas, a incorporação de avanços tecnológicos e a qualidade do sistema tributário. Da mesma forma, é preciso considerar vários outros fatores, além do câmbio, para entender as vantagens competitivas de outros países, tanto emergentes quanto desenvolvidos.

A perda de espaço nos mercados latino-americanos começou há alguns anos. Os brasileiros deveriam ter dado atenção ao sinal de alerta muito mais cedo. Só no ano passado, teria vendido à América Latina US$ 5,5 bilhões a mais, se a sua participação fosse a mesma de 2008. Fatores políticos, como os acordos especiais com a Argentina, também afetaram o comércio. Não só o custo Brasil prejudica a economia nacional. Também a diplomacia em vigor a partir de 2003 impõe custos irracionais ao Brasil, porque submete os interesses comerciais a preconceitos ideológicos, a objetivos partidários e a fantasias de liderança regional.

Com nova queda, investimentos acumulam quatro trimestres no negativo


Pedro Soares
Folha de São Paulo

Com a queda de 0,7% no segundo trimestre na comparação com os três meses anteriores, os investimentos na economia brasileira acumularam quatro trimestres consecutivos com resultados negativos nessa base de comparação.

A contração de junho a abril, porém, foi menos intensa do que a registrada no primeiro trimestre, queda de 1,5%.

Em relação ao segundo trimestre de 2011, os investimentos recuaram num ritmo maior: 3,7%. Trata-se do pior resultado desde o terceiro trimestre de 2009 (-9%), quando a crise global fez empresários revisarem seus planos de investimento.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira que a economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre na comparação com o primeiro trimestre.

Pelos dados do IBGE, a taxa de investimento (valor dos investimentos sobre o valor total do PIB) ficou em 17,9% no segundo trimestre, menor patamar para tal período do ano desde os 17,2% do segundo trimestre de 2009.

Já a taxa de poupança --indicador "antecedente" da taxa de investimento e calculada com base no valor da poupança de famílias, governo e empresas em proporção ao total do PIB-- situou-se em 16,9%, também no mais baixo nível desde o segundo trimestre de 2009.

O fraco desempenho do investimento levou o governo a ampliar as medidas de estímulo, como empréstimos subsidiados do BNDES, que financiará o setor com juros de 2,5%, abaixo da inflação.

Segundo Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, a queda dos investimentos foi determinada pela menor produção doméstica de máquinas e equipamentos (bens de capital), já que a construção civil (outro componente dos investimentos) registrou um bom desempenho no segundo trimestre.

"Houve uma redução expressiva da fabricação nacional de máquinas e equipamentos. O investimento só não caiu mais por causa da construção civil e da importação de máquinas, que cresceram", disse.

Apesar do aumento das importações de máquinas, os setores que ampliaram mais as suas compras no exterior foram siderurgia, refino de petróleo (gasolina) e petroquímicos, plásticos e farmacêuticos. Esses ramos contribuíram para o crescimento das importações de 1,6% no segundo trimestre na comparação com o mesmo período de 2011.

Por seu turno, as exportações recuaram com mais força nos ramos de siderurgia, petróleo, metais, máquinas, café e veículos. Diante da retração desses e de outros setores, as vendas do país ao exterior caíram 2,5% na comparação com o segundo trimestre de 2011.

CONSUMO DO GOVERNO
Em ano eleitoral, o governo acelerou seus gastos, investimentos e contratações de pessoal, o que ampliou o consumo do governo, que registrou altas de 1,1% em relação ao primeiro trimestre e de 3,1% na comparação com o segundo trimestre.

"O primeiro ano de governo sempre é um período de ajuste. O consumo do governo tende sempre a crescer no segundo ano."

Terapia de curto alcance


O Estado de S.Paulo

Diante da recuperação ainda lenta da economia brasileira, o governo decidiu prolongar a terapia usada até agora e destinada principalmente a estimular o consumo, como se a retração do mercado interno fosse o maior entrave ao crescimento. Como se previa, a notícia foi recebida com aplausos por alguns setores da indústria e do comércio varejista, já beneficiados pelo corte de impostos. Também foram prorrogados incentivos fiscais e de crédito ao setor de máquinas e equipamentos e à construção de residências. No mesmo dia, os juros básicos foram cortados pela nona vez consecutiva, agora de 8% para 7,5% ao ano, pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. De modo geral, as autoridades anunciaram o famigerado "mais do mesmo". Nenhuma figura do primeiro escalão parece ter perguntado, nos últimos dias, por que esse conjunto de medidas produziu até agora efeitos tão modestos para o conjunto da produção industrial.

Não houve surpresa na prorrogação dos benefícios fiscais. A opinião pública só hoje vai conhecer os números globais do segundo trimestre, com a divulgação das novas estimativas do Produto Interno Bruto (PIB), mas os dados já disponíveis indicam um nível geral de produção ainda baixo. O pior desempenho tem sido o da indústria de transformação. No mês passado, segundo informou ontem a Fiesp, o nível de atividade da indústria paulista foi 0,3% superior ao de junho, com ajuste sazonal, mas 5,2% inferior ao de julho do ano passado. De janeiro a julho, foi 6,4% mais baixo que o de igual período de 2011.

A manutenção dos incentivos era esperada, também, por causa da conhecida inclinação do governo para atender aos reclamos da indústria automobilística, um dos segmentos mais beneficiados pelo corte do IPI e pelo protecionismo comercial. A maior parte do setor manufatureiro, no entanto, continua em marcha lenta.

O governo tem-se mostrado disposto, no entanto, a incluir algo novo no receituário. O anunciado plano de investimentos em transportes, com participação do setor privado, é promissor, mas falta cuidar do processo de concessões e de parcerias. O Executivo federal tem tropeçado com frequência nas licitações e na administração de projetos.

Outra novidade potencialmente importante é a promessa de redução de encargos sobre a conta de eletricidade. Se confirmada, a iniciativa será boa tanto para os consumidores residenciais como para as indústrias e, portanto, para o crescimento econômico. A energia elétrica é um insumo absurdamente caro no Brasil. O País dispõe de abundantes fontes de geração, mas a oferta cresce lentamente, porque o investimento é emperrado, e, além disso, a conta é onerada por impostos pesados e taxas injustificáveis.

As duas promessas - de mais ação na política de transportes e de barateamento da eletricidade - indicam a disposição do governo de cuidar de questões estruturais e importantes para o crescimento no longo prazo. Também o repertório das autoridades começa a mudar. Durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ontem, a presidente Dilma Rousseff indicou a preocupação com ações de alcance mais que conjuntural. Foi além disso e tocou no desafio da competitividade. Até há pouco tempo, esse tema era quase ignorado em Brasília, sendo lembrado quase exclusivamente quando se falava sobre a indesejável valorização do real e sobre os juros internos muito altos.

A atenção deslocou-se lentamente para fatores estruturais de competitividade, como os encargos sobre a folha de salários, as deficiências logísticas e o custo da eletricidade, uma lista ainda curta. Implantar estratégias de longo alcance, no entanto, é mais complicado, politicamente, do que oferecer benefícios fiscais restritos e ampliar a oferta de crédito, principalmente para o consumo. Mas essa política fácil é duplamente limitada - por seus efeitos, de curto alcance, e por suas consequências orçamentárias. A presidente parece estar descobrindo a urgência de ampliar o arsenal da política econômica. É esta, por enquanto, a novidade mais importante.

Superávit fiscal brasileiro cai devido à crise mundial


Exame.com
Com informações Agência EFE

A queda da poupança nas contas públicas foi atribuída pela autoridade monetária à menor atividade econômica como consequência da crise mundial

A poupança dos últimos 12 meses até julho somou R$ 108 bilhões, 
valor 22,77% inferior ao pretendido para todo este ano

Rio de Janeiro - O Brasil acumulou nos sete primeiros meses do ano um superávit fiscal primário de R$ 71 bilhões, 22,56% inferior ao do mesmo período no ano passado, informou nesta sexta-feira o Banco Central (BC).

A queda da poupança nas contas públicas foi atribuída pela autoridade monetária à menor atividade econômica como consequência da crise mundial e à queda da arrecadação tributária devido aos incentivos fiscais concedidos pelo governo.

O superávit fiscal primário é a diferença entre as receitas e as despesas do setor público, incluindo os gastos dos governos regionais e municipais assim como os das empresas estatais, mas sem levar em conta os recursos destinados ao pagamento de juros da dívida.

O governo adotou há mais de uma década uma política de metas de superávit fiscal primário para demonstrar sua capacidade de pagamento da dívida.

A meta do governo é terminar este ano com um superávit fiscal primário de R$ 139 bilhões, número que equivale a quase o dobro do que foi obtido até julho.

A poupança dos últimos 12 meses até julho somou R$ 108 bilhões, valor 22,77% inferior ao pretendido para todo este ano.

A queda do superávit fiscal foi agravada pelo resultado de julho, quando as receitas públicas só superaram as despesas em R$ 5,5 bilhões.

A poupança de julho foi muito inferior a do mesmo mês no ano passado de R$ 13,7 bilhões.

O superávit acumulado até julho não foi suficiente para cobrir os R$ 128 bilhões que o Brasil gastou em juros da dívida nos sete primeiros meses do ano, por isso o país acumulou um déficit fiscal nominal de R$ 57 bilhões.

PIB fraco faz Brasil perder posto de 6ª economia do mundo


Ana Clara Costa
Veja online

Segundo dados da Economist Intelligence Unit, PIB acumulado dos últimos doze meses mostra queda do Brasil e volta do Reino Unido ao posto

(Luiz Maximiano/VEJA) 
Mesmo com esforços de Dilma para estimular o consumo, 
economia perde lugar no ranking

O fraco resultado da economia brasileira no segundo trimestre sepultou a permanência do Brasil como sexta maior economia do mundo – posto que havia sido atingido no início do ano com o anúncio dos resultados econômicos de 2011, desbancando o Reino Unido. Ainda que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostre um estranho otimismo em relação aos próximos trimestres, o resultado atual – alta de 0,5% no PIB no primeiro semestre – coloca o país de volta à sétima posição, atrás de Grã-Bretanha, França, Alemanha, Japão, China e Estados Unidos.

Segundo dados da Economist Intelligence Unit (EIU), centro de estudos econômicos ligado à tradicional revista britânica The Economist, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil nos últimos doze meses soma 2,391 trilhões de dólares, ante 2,415 trilhões de dólares da Grã-Bretanha. No ano passado, a economia brasileira produziu riquezas que totalizaram 2,48 trilhões de dólares, enquanto o país europeu somou 2,26 trilhões de dólares.

Segundo o analista da EIU, Robert Wood, além da desaceleração econômica, a desvalorização do real foi crucial para a queda no ranking. "Desde março, o real enfrenta expressiva queda ante o dólar e isso afetou, parcialmente, o PIB brasileiro na comparação mundial", afirma Wood. Em março de 2012, a moeda americana era cotada a 1,71 real, enquanto, no final de junho, estava em 2,03 reais – mesmo cotação desta sexta-feira. "O desempenho da economia britânica é muito fraco, mas a libra tem se mantido estável em relação ao dólar", acrescenta o economista.

Em abril deste ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já havia alertado, em seu relatório trimestral, que o Brasil perderia o posto de sexta economia devido ao enfraquecimento do real. De acordo com o FMI, a economia brasileira deve encerrar o ano com um PIB de 2,449 trilhões de dólares, enquanto o da Grã-Bretanha deve chegar a 2,452 trilhões de dólares. 

O resultado frustrante ocorre mesmo após as inúmeras medidas de estímulo anunciadas pelo governo federal: o Planalto tem tentado aquecer a economia com medidas que vão do protecionismo para estimular a indústria nacional até a pressão para o corte de juros e expansão do crédito por parte dos bancos públicos e privados. Por último, a presidente Dilma decidiu apelar para o que realmente impulsiona o crescimento sustentável do país: os investimentos em infraestrutura por meio de um agressivo plano de privatizações: o PAC das Concessões. Contudo, o anúncio veio tarde demais para salvar o PIB de 2012.

Economia desafiadora


Miriam Leitão
O Globo

O PIB cresceu pouco no segundo trimestre: 0,4%. O que cresceu foi puxado pela agropecuária, que subiu 4,9%, mas tem baixo peso na fórmula de cálculo do IBGE. Pesou mais o encolhimento da indústria, de 2,5%.

O investimento diminuiu, e o consumo aumentou, tanto das famílias quanto do governo. Apesar de todos os estímulos, o país cresceu apenas 1,2% nos últimos 12 meses.

Durante um ano o Banco Central derrubou os juros. O primeiro corte foi em primeiro de setembro de 2011. Em 12 meses, a Selic caiu de 12,5% para 7,5%, numa redução de cinco pontos que levou o país aos juros mais baixos da história. Ainda assim, a economia esfriou.

No acumulado de 4 trimestres, há uma desaceleração contínua: no terceiro trimestre de 2010 o país estava crescendo a 7,6%; no dado de ontem, foi para 1,2%.

Os 7,6% foram um ponto fora da curva, pelos excessivos estímulos na eleição presidencial de 2010. O 1,2% atual também se espera que seja um ponto fora da curva. A desaceleração foi maior do que se imaginava. O que intriga é a resistência da economia, que permanece fria apesar de tantos estímulos monetários e fiscais.

A desaceleração foi em parte resultado da piora da crise internacional. Mas isso não explica tudo. A inflação caiu fortemente pelo desaquecimento interno, pela queda do preço de algumas commodities, como resultado da crise externa. A inflação foi de 7,3% em setembro passado para 4,9%. Depois voltou a subir para 5,2%. O cenário econômico está se complicando: a economia está fria, apesar dos estímulos, e a inflação já está subindo.

A alta da inflação é em grande parte efeito do choque agrícola que o mundo está vivendo pela seca nos Estados Unidos. Outra parte é impacto do dólar. O ritmo de crescimento deve melhorar até o fim do ano. O risco é a indústria aproveitar o bom momento e repassar aos preços o impacto do câmbio.

Os IGPs já estão subindo. O acumulado em 12 meses do IGP-M estava em 8% em agosto passado, caiu para 3,3% e agora está em 7,7%. Só no mês passado, o preço agrícola no atacado subiu 6%.

Não é trivial a tarefa que o BC tem pela frente. Precisará, como avisou, ter “a máxima parcimônia” nos estímulos monetários daqui para diante.

Os empréstimos e os calotes permanecem em alta. O estoque de crédito na economia subiu novamente em julho e atingiu 50,7% do PIB, num ritmo de crescimento de 17,7% em 12 meses. Em julho do ano passado, estava em 46,1%.

A inadimplência das pessoas físicas voltou a 7,9%, mesmo com a queda dos juros e o aumento dos prazos para pagamento.

Difícil achar que esse ritmo de alta do crédito seja sustentável, mesmo que caia para um nível de 15%, que o Banco Central considera como “moderado”. O estoque das dívidas em atraso é de R$ 83 bilhões, com uma alta de 28% nos últimos 12 meses. O crédito podre subiu 20% em um ano e já soma R$ 68 bilhões.

A presidente Dilma Rousseff chegará à metade do seu mandato, no fim do ano, com dois números anuais magros de crescimento econômico e sem pousar a inflação no centro da meta.

O desafio dos condutores da economia não é fácil. O nível de atividade vai responder mais positivamente no segundo semestre aos estímulos, mas isso tem que acontecer sem aumentar a inflação. Num quadro de aceleração, será mais fácil manter o que tem sido a boa notícia que é o mercado de trabalho aquecido.

Apesar da alta do dólar, as exportações caíram no PIB do segundo trimestre. O incentivo via crédito está claramente se esgotando. O segredo tem que ser aumentar o investimento. Com mais investimento o país pode ter em 2013 um ritmo mais forte de crescimento.

Há oito trimestres Brasil cresce menos de 1%


Gustavo Patu e Pedro Soares
Folha de São Paulo

A despeito da série de medidas de estímulo fiscal adotada pelo governo, a economia mostra reação débil, sem superar os efeitos da crise internacional sobre a indústria e os investimentos.

Divulgados ontem pelo IBGE, os resultados da produção e da renda no segundo trimestre mostram que, embora longe de recessões e turbulências do passado, o país vive o mais longo ciclo de crescimento baixo ou medíocre desde o Plano Real.

São oito trimestres consecutivos -dois anos inteiros- em que a expansão do Produto Interno Bruto não supera 1%, o mínimo necessário para as desejadas taxas anuais acima de 4%.

Entre abril e junho, a alta foi de 0,4% sobre os três meses anteriores, numa modesta melhora sobre o 0,1% medido de janeiro a março.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress
A aceleração era esperada, mas sua intensidade deu razão às apostas menos otimistas por parte de analistas e de investidores.

Torna-se cada vez mais consensual a estimativa feita inicialmente pelo banco Credit Suisse de crescimento de apenas 1,5% neste ano, chamada há apenas dois meses de "piada" pelo ministro Guido Mantega, da Fazenda.

Diante de números tão fracos, também há poucas dúvidas de que as perspectivas são de melhora a partir deste segundo semestre.

No entanto, não está no horizonte visível o retorno a taxas capazes de recolocar o Brasil entre os líderes do crescimento mundial, como as do segundo governo Lula.

DESEMPENHO FRACO
Depois da recuperação fulminante após a recessão de 2009, o desempenho atual do país está entre os piores fora da Europa em crise.

Em especial, é muito inferior aos dos gigantes Rússia, Índia e China, seus companheiros no acrônimo Bric-cunhado na década passada para designar novos motores da economia global.

Com juros em níveis historicamente baixos, gastos públicos em alta e desonerações tributárias, o máximo que o governo Dilma Rousseff ambiciona é crescimento de 4,5% em 2013, bem abaixo dos 6,5% projetados para o período no início do mandato da presidente.

O potencial de expansão foi afetado pela sequência de quatro trimestres seguidos de queda dos investimentos necessários para ampliar a capacidade produtiva.

E o consumo das famílias, embora se mantenha em alta devido aos baixos patamares do desemprego, não exibe mais o ritmo impulsionado pela multiplicação do crédito no período pré-crise.




Desaceleração em 2011 e 2012 é estrutural ou conjuntural?


Bráulio Borges
Especial para a FOLHA

O IBGE revelou que o PIB brasileiro cresceu menos de 1% no primeiro semestre de 2012 comparativamente ao mesmo período de 2011, resultado ainda mais fraco do que a expansão de apenas 1,7% verificada no segundo semestre de 2011 (sobre igual período de 2010).

Ou seja: completamos praticamente um ano com expansão pífia da economia.

As razões por detrás dessa evolução devem ser encontradas tanto em políticas implementadas internamente no final de 2010 e no começo de 2011 como na piora do quadro internacional da segunda metade de 2011 em diante, sobretudo na Europa e na Argentina.

editoria de arte/folhapress
O excesso de otimismo com relação à recuperação da economia mundial observado no final de 2010 e no começo de 2011 também contribuiu para esse desempenho frustrante do Brasil, à medida que muitas empresas tomaram decisões de produção vislumbrando um cenário róseo no final de 2011 --que acabou não se concretizando, gerando estoques excessivos que pesaram negativamente sobre nossa atividade fabril até poucos meses atrás.

Mas essa desaceleração do crescimento, de taxa próxima de 4% na primeira metade de 2011 para um ritmo de 1% a 2% no restante do ano passado e na primeira metade deste ano, suscitou um debate sobre sua natureza: seria ela conjuntural, associada principalmente aos fatores elencados acima, ou estrutural, por conta de eventual esgotamento do modelo de crescimento dos anos anteriores?

A ideia de que o modelo dos anos anteriores estaria esgotado não me convence.

Primeiro, porque aqueles que advogam essa tese apontam que esse modelo teria se esgotado por ser baseado apenas em expansão do consumo, sem a contrapartida do investimento.

Mas os próprios dados do IBGE mostram que esse não foi o caso: o peso do investimento no PIB, que foi de pouco mais de 16% na média de 2000 a 2007, saltou para cerca de 19% na média de 2008 a 2011 (mantendo-se nesse patamar quando se inclui a expectativa para 2012).

Já a participação do consumo familiar no PIB, que foi de pouco mais de 61% em 2000/2007, recuou para pouco mais de 60% em 2008/2011.

Em segundo lugar, as estimativas de PIB potencial (isto é, o crescimento sustentável da economia brasileira, compatível com inflação controlada no longo prazo) apontam que ele segue próximo de 4% ao ano, sugerindo que a desaceleração do crescimento brasileiro no biênio 2011/12 foi muito mais conjuntural do que estrutural.

O lado bom dessa desaceleração cíclica um pouco mais prolongada é que ela fez com que o governo se mexesse, tomando uma série de medidas importantes.

Embora algumas delas sejam estritamente de curto prazo e focadas no consumo, muitas outras são voltadas mais para o médio e o longo prazos, ao visarem um aumento ainda maior da capacidade de oferta, bem como uma melhora da competitividade.

Destaco a desoneração da folha de pagamentos para quase 20 setores, o término da chamada "guerra dos portos" (que gerava concorrência desleal de produtos importados), a desoneração das PPPs de recolher PIS/Cofins e IR, a retomada da agenda de concessões e o aumento do endividamento dos Estados em R$ 42 bilhões para investir em infraestrutura.

E outras estão no prelo, como a desoneração do custo da energia elétrica e a simplificação da legislação do PIS/Cofins, além da extensão da desoneração da folha para outros setores.

Outro legado positivo dessa desaceleração um pouco mais prolongada é que ela acelerou o processo de convergência da taxa de juros real brasileira em direção a níveis "civilizados".

Embora seja difícil imaginar que o juro real vá ficar estável, no longo prazo, nos níveis atuais (em torno de 2% ao ano), o fato é que as projeções hoje sugerem que ele deve se estabilizar em cerca de 4% ao ano na média dos próximos anos, quase metade do que tivemos nos últimos anos.

Em resumo: a despeito de o crescimento do PIB caminhar para se situar em apenas 2% ao ano no biênio 2011/12, a economia brasileira tem toda a capacidade de voltar a crescer em ritmo de cerca de 4% ao ano nos próximos anos --já neste semestre deveremos ter expansão nessa velocidade.

E a capacidade de sustentar esse ritmo (ou eventualmente até um pouco mais) foi reforçada por uma série de políticas tomadas ao longo dos últimos meses.

(*) Bráulio Borges é economista-chefe da LCA Consultores.

Importação de derivados de petróleo custará US$ 146 bi ao Brasil até 2017


Mauro Zafalon 
Folha de São Paulo

Mesmo com a recuperação da produção de cana prevista para a próxima safra e o aumento na produção de álcool, o Brasil precisará continuar importando combustíveis para atender a demanda.

O país gastará US$ 146 bilhões até 2017 com importações de derivados de petróleo, segundo projeção da LCA Consultores. Neste ano, a gasolina e o diesel respondem por metade das compras externas de derivados.

O auge das importações ocorrerá em 2014, quando o país será obrigado a buscar, no exterior, US$ 26,3 bilhões em derivados de petróleo -aumento de 23% em relação ao estimado para este ano.

A partir de 2015, quando a Petrobras começa a operar novas refinarias, as importações cederão, diz o economista Rodrigo Nishida, da LCA.

Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress
Mas, já em 2017, devido ao crescente consumo, a necessidade de compras no exterior voltará a subir.

O comportamento das importações de derivados de petróleo é uma das razões para o aumento do deficit da balança comercial.

No entanto, a herança do setor para a conta de comércio será positiva no longo prazo, devido ao petróleo bruto.

Caso as previsões de produção da Petrobras e de outras petrolíferas se confirmem, o país exportará US$ 65,2 bilhões em óleo em 2017, ante US$ 23,5 bilhões estimados para este ano.

Com o aumento, de 177%, a balança comercial de petróleo e derivados passaria do deficit de US$ 2,9 bilhões em 2012 para superavit de US$ 35,2 bilhões em seis anos.

Tudo dependerá do sucesso na exploração do pré-sal, que ainda é uma incógnita.

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ESTOQUE GLOBAL DE AÇÚCAR SOBE 13% NA SAFRA 2012/13
O período de baixos estoques está perto do fim no mercado de açúcar. É o que indicam as primeiras estimativas para a safra 2012/13.

Segundo a Organização Internacional do Açúcar (ISO), a oferta superará a demanda em 5,9 milhões de toneladas na próxima safra e os estoques serão 13% maiores do que na safra 2011/12.

A produção mundial deve ficar em 177 milhões de toneladas (aumento de 2%) devido à recuperação do Brasil.

O país deve produzir 38,1 milhões de toneladas -3,9 milhões a mais do que na safra 2011/12. Apesar do avanço, ainda falta um bom caminho para recuperar o recorde de 40,9 milhões de toneladas da safra 2009/10.

A fragilidade econômica afeta as contas públicas


O Estado de S.Paulo

As contas do setor público consolidado (União, Estados, municípios, Banco Central e estatais) se deterioraram em julho: o superávit primário caiu de 3,91% do PIB, nos primeiros sete meses de 2011, para 2,83%, no mesmo período deste ano; e o déficit nominal cresceu. Os resultados mostram que as despesas correntes continuaram aumentando mais do que a arrecadação, enquanto os investimentos diminuíram.

A fragilidade da recuperação da economia e as medidas de desoneração tributária afetaram as receitas do Tesouro, que cresceram apenas 4,9%, entre os primeiros sete meses de 2011 e de 2012, enquanto as despesas aumentaram 11,5%. Mais inquietante é o ritmo dos investimentos, cuja queda dificultará novos esforços para a recuperação da economia.

O superávit primário de julho (resultado das contas, excluídos juros) foi de apenas R$ 5,57 bilhões, ante R$ 13,78 bilhões, em julho do ano passado. Também caiu em períodos de 12 meses: de 2,71% do PIB, em junho, para 2,51%, em julho.

A redução da taxa básica de juros, de 12,5% para 7,5%, entre o ponto mais alto de 2011 e o mais baixo deste ano, ainda tem impacto limitado sobre as contas públicas. Em julho, os gastos com juros foram R$ 1,3 bilhão superiores aos de junho, passando de R$ 16,1 bilhões para R$ 17,4 bilhões. Proporcionalmente, o gasto com juros caiu de 5,89% do PIB, nos primeiros sete meses de 2011, para 5,1% do PIB, neste ano. Mas a dívida líquida do setor público caiu ainda mais: de 39,1% do PIB, em 2010, para 36,4%, em 2011, e 34,9%, em 2012.

Piorou, ainda, o comportamento do déficit nominal (resultado das contas, inclusive juros), que aumentou de janeiro a julho, de R$ 46,5 bilhões, em 2011 (1,98% do PIB), para R$ 57,2 bilhões (2,27%), neste ano.

Na avaliação do chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, as contas públicas deverão se beneficiar, nos próximos meses, com a diminuição do peso dos juros, até o nível de 4,5% do PIB, no final do ano, o mais baixo da história. O alívio em relação à situação atual será da ordem de 0,7 ponto porcentual do PIB. É significativo, mas, ainda assim, o cumprimento da meta de superávit primário depende de outros fatores, inclusive do (pífio) crescimento projetado para este ano, de 1,73%, segundo o Boletim Focus.

As contas fiscais deveriam depender mais da recuperação robusta da economia, com seus efeitos sobre a receita - hoje dependente da pesada tributação sobre as pessoas físicas, apesar das desonerações localizadas.

PIB: Brasil tem 20º crescimento entre principais economias


Beatriz Olivon
Exame.com  

Economia cresceu 0,5% em relação ao igual período do ano passado, à frente da França e do Reino Unido segundo ranking elaborado pela Austing Rating

AFP
Líderes dos BRICs: crescimento dos BRICs no segundo trimestre
 em relação ao mesmo de 2011 foi de 4,4%

São Paulo – O crescimento de 0,5% do PIB brasileiro no segundo trimestre desse ano em relação ao mesmo período de 2011 coloca o país em 20º no ranking elaborado pela agência de classificação de risco Austin Rating. 

O PIB divulgado hoje pelo IBGE coloca o Brasil atrás de Rússia, Índia e China (integrantes dos BRICs, assim como o Brasil) e do Estados Unidos, México e Chile, entre outros. Ficaram para trás países como Grécia, Portugal e Espanha e também França e Reino Unidos.

A lista compila dados de 35 países. O crescimentodos BRICs no segundo trimestre em relação ao mesmo de 2011 foi de 4,8%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, o aumento foi de 4,5%. Os PIIGs, por sua vez (com exceção da Irlanda, cujos dados não foram divulgados), registraram queda de 3,3% na comparação com o 2º trimestre de 2011 e de 3,1% em relação ao primeiro trimestre. O crescimento geral dos 35 países do ranking foi de 2,0% na comparação com o segundo trimestre do ano passado e de 1,7% em relação ao primeiro desse ano. 

Veja a tabela com a posição dos países segundo a taxa de crescimento do PIB no segundo trimestre de 2012 em relação ao mesmo período de 2011, com a taxa anualizada:

Ranking
País
2º T12 / 2º T11
2º T12 / 1º T12
(taxa anualizada)
China
7,60%
7,40%
Indonésia
6,40%
n.d.
Chile
5,50%
7,10%
Índia
5,50%
n.d.
Malásia
5,40%
n.d.
Venezuela
5,40%
2,20%
Letônia
5,10%
1,00%
Noruega
5,00%
4,70%
Tailândia
4,20%
13,90%
10º
México
4,10%
3,50%
11º
Rússia
4,00%
n.d.
12º
Japão
3,50%
1,40%
13º
Israel
3,30%
3,20%
14º
Ucrânia
3,00%
5,20%
15º
Eslováquia
2,70%
1,80%
16º
Coreia do Sul
2,40%
1,50%
17º
Estados Unidos
2,30%
1,70%
18º
Suécia
2,20%
5,70%
19º
Lituânia
2,10%
3,20%
20º
Brasil
2,00%
1,60%
21º
Estônia
2,00%
1,60%
22º
Cingapura
2,00%
-0,70%
23º
Hong Kong
1,10%
-0,20%
24º
Alemanha
0,50%
1,10%
25º
França
0,30%
-0,20%
26º
Taiwan
-0,20%
3,50%
27º
Euro Area
-0,40%
-0,70%
28º
Bélgica
-0,40%
-2,40%
29º
Holanda
-0,50%
0,70%
30º
Reino Unido
-0,80%
-2,80%
31º
Espanha
-1,00%
-1,60%
32º
Hungria
-1,20%
-4,70%
33º
Itália
-2,50%
-2,90%
34º
Portugal
-3,30%
-4,70%
35º
Grécia
-6,20%
n.d.

Média
2º T12 / 2º T11
2º T12 / 1º T12
(taxa anualizada)
PIIGS
-3,30%
-3,10%
BRICs
4,80%
4,50%
GERAL
2,00%
1,70%