domingo, setembro 02, 2012

Sem educação não tem jeito

Adelson Elias Vasconcellos


Dois destaques da semana chamaram a nossa atenção: a condenação da primeira leva de réus do mensalão, dentre os quais João Paulo Cunha, deputado federal pelo PT e que foi condenado como corrupto pelas malvadezas cometidas ao tempo  em que exerceu a presidência da Câmara de Deputados.  E o segundo tema importante foi o anúncio do pibinho brasileiro relativo ao segundo trimestre do ano, índice baixíssimo que vem se repetindo há oito trimestres, que fez o país perder posto de 6ª economia do mundo. Pode-se dizer tudo sobre a crise, o seu peso relativo neste crescimento insignificante da nossa economia. Mas o certo é que ficamos na lanterna dentre os BRICs e abaixo de México e Chile, por exemplo, dentre os emergentes.  Se países com menos recursos e potencialidades conseguem, mesmo com a crise internacional, crescerem mais do que o Brasil, é sinal de que alguma coisa estamos fazendo de errado e que, sendo assim, precisamos rever nossa estratégia e refletir se não é hora de mudar os rumos da política econômica conduzida pelo governo Dilma.

Mas volto ao primeiro tema, o mensalão. Um dos destaques do voto do presidente do STF, ministro Carlos Ayres Brito, foi sua estupefação diante de um lei produzida especificamente para proteger os mensaleiros .E a grande surpresa foi a de que o projeto de lei era de autoria do atual ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, PT, e que recebeu em sua redação final a cereja do bolo da corrupção. Isto é demonstrativo de que o governo petista é sim, gostem ou não, concordem ou não, o governo organizado para o crime. As instituições são manipuladas estupidamente para proteger e dar guarida a um projeto de poder criminoso, que quer sufocar a qualquer custo e sob qualquer pretexto, as forças da sociedade contrárias a este projeto delinquente em que se deseja substituir o Estado e a Sociedade pelo partido único. Mais canalha impossível.

Quanto ao pibinho, dizer o quê? Faz tempo que alertamos aqui para o diagnóstico errôneo traçado pela equipe econômica e mais errôneas, ainda, as medidas que tem sido adotadas. Tudo e em tudo transparece claramente a falta de rumo, o improviso, a tentativa de obter resultados de curto prazo e com prazo de validade também muito pequeno, insignificante. 

Não há discurso que esconda a incompetência e a falta de habilidade da turma governista. Um governante vale e é julgado não pelas palavras, pelas frases bombásticas e de efeito, pela capacidade de exibir-se nos palcos e nos palanques feito vendedor de feira de periferia.  O que conta, o que tem importância são os resultados de suas ações, e neste sentido o governo Dilma tem se mostrado ruim de serviço. 

Por sorte, parte da nossa dinâmica econômica não depende de ações de governo para existir, subsistir e ir em frente. E a condição básica para este dinamismo foi dada a partir da estabilidade econômica, obra da década de 90 e contra a qual os petistas fizerem o possível e o impossível para impedir e sabotar.  Está também na excelência da nossa agropecuária contra quem não apenas petistas tentam subverter, mas ecoterroristas e boa parte da imprensa  não se cansam de detratar. É ela o grande amparo desta estabilidade,  e até do crescimento que só não é negativo por conta destes trabalhadores do campo tão mal vistos e destratados pelos governantes em geral, e parte da imprensa em particular. 

Governos  corruptos e incompetentes, estas têm sido as marcas dos governos petistas. Eles só não conseguem tornar o país mais irrelevante porque o limite de paciência das nossas instituições ainda não genuflexas à cretinice petista, parece ter acabado.  A resposta do STF no mensalão, até aqui, tem sido exemplar, com as exceção de praxe, não por outra, devidamente indicadas por Lula.

Certa vez sugeri que alguém se dispusesse em levantar o total do prejuízo causado ao Brasil fruto dos governos petistas desgovernados. E que o resultado fosse exibido ao povo,  o quanto este prejuízo poderia ter melhorado o nível de vida de todos os brasileiros. Duvido que Dilma chegasse à metade da popularidade de que goza hoje. 

Infelizmente, nossa oposição continua com o olhar jogado nos astros distraída, e não consegue achar o prumo e se dar conta da grandeza do papel que lhe cabe representar. É a oposição quem dá legitimidade à democracia, mas vá explicar isto para a turma do PSDB, DEM e outras siglas assemelhadas. Seus líderes não conseguem reunir-se nem para tomar cafezinho, quanto mais para discutir e convergir ideias. Imaginem então se o objetivo da reunião fosse para desenhar um projeto alternativo para o país...

Assim, a caravana vai seguindo sem rumo, perdida no tempo, conduzida ao arrepio de qualquer planejamento de longo prazo, improvisando ao sabor das pesquisas   de curto prazo. Enquanto o país não investir pesado em Educação, muito mais do que os 10% que ora se discute no Congresso e que já faz tremer a ala econômica do governo, enquanto esta não for a prioridade máxima do Brasil, dando ênfase, sobremaneira, aos ensinos médio e fundamental, não esperem que o Brasil saia da sua pasmaceira habitual. Podemos, se tudo correr a favor, ter um espirros de crescimento mais ou menor, de quando em vez, mas nada que tenha alguma sustentação virtuosa no tempo e no espaço.  

Desgovernado do jeito que está e vai, o Brasil continuará medíocre e irrelevante dentre as principais economias mundiais. Continuará sendo mero fornecedor de matéria prima para alimentar as riquezas dos países desenvolvidos, continuará analfabeto comandado por ignorantes e mafiosos, corruptos e degenerados.

O julgamento do mensalão no STF pode até nos dar algum alento de, num futuro distante, o país despertar desta letargia e mandar para o inferno esta tropa de gigolôs que exploram a nação sem dó nem piedade. Contudo, a grande reação para mudar este subdesenvolvimento que nos governa passa, OBRIGATORIAMENTE, por uma revolução educacional. Sem ela, o povo brasileiro continuará manada teleguiada pelos interesses corporativos e fisiológicos da máfia assentada no poder. 

Os exames de avaliação do ensino demonstram os séculos de distância que estamos para atingir este estágio. São mais de três milhões e setecentas mil crianças e adolescentes fora das escolas, uma geração inteira mergulhada na escuridão do atraso, vivendo nas trevas da nossa idade medieval. E esta leva é fruto do governo petista que já está no poder há dez anos e teve tempo, condições e recursos para mudar este quadro. Mas não há interesse. Povo escolarizado e com informação qualitativa é povo que não se deixa escravizar, e é na escravidão e nas trevas da ignorância que nossos gigolôs pretendem manter este povo para continuarem a reinar infames sobre nossa desgraça. 

As vozes de resistência ainda são poucas diante do exército de malfeitores que nos cercam, cerceiam da sociedade o direito de agir e pensar por si mesma. Dela, eles querem apenas subserviência, a obediência cega de um exército de zumbis sem luz e sem vontade. 

Educação, no Brasil, infelizmente, continua sendo a demagogia preferida das plataformas dos políticos e até dos governantes. E a tendência, pelo andar da carruagem, é esta demagogia se alongar por muito mais tempo. 

E não adianta inventar a roda quadrada: sem educação, não tem jeito. Vamos continuar sendo o país do futuro, sem eira nem beira, povo esfolado, escravizado e sem direito à verdadeira cidadania. Porque, senhores, cidadania num povo analfabeto e condenado às trevas da ignorância é mais do que desaforo. É heresia. É ficção. Não existe. Foi sonegada, foi exterminada.  E ele vai continuar fazendo do seu voto uma arma contra si mesmo, escolhendo para representá-lo nada além da escória, justamente pela falta de discernimento.

O ensino, senhores, não pode ser esta porcaria que o Brasil adota, insuflada ainda com ideologia política. Aliás, tem sido esta estupidez que tem feito o ensino brasileiro despencar em sua qualidade nos últimos dez anos. Nossa prioridade em termos de qualidade deve centrar-se nos ensinos fundamental e médio, e não ficar torrando dinheiro no ensino superior para absorver uma legião de semianalfabetos como atualmente ocorre. É nas primeiras fases que está e se faz toda a diferença. E claro, na competência de se utilizar os recursos com inteligência e eficácia.

O Brasil precisa deixar de ser teimoso. Se olhar para as fórmulas que deram certo no sudeste asiático, por exemplo, perceberá que os países atualmente detentores de excelente crescimento econômico, com avanço tecnológico estupendo, estavam, há 30 anos atrás, em situação pior do que a brasileira. Investiram pesadamente em educação, traçaram um planejamento estratégico de longo prazo, e saíram da miséria para uma condição de vida de primeira linha. Exemplo? Coréia do Sul.  Mas a base de tudo foi a educação. Primeiro passo para o progresso. Será que é tão difícil para a gente copiar os bons exemplos? Ou vamos permanecer teimando que nada temos a aprender? Está na hora de sairmos da era medieval e chegarmos ao século 21.