domingo, setembro 02, 2012

Com nova queda, investimentos acumulam quatro trimestres no negativo


Pedro Soares
Folha de São Paulo

Com a queda de 0,7% no segundo trimestre na comparação com os três meses anteriores, os investimentos na economia brasileira acumularam quatro trimestres consecutivos com resultados negativos nessa base de comparação.

A contração de junho a abril, porém, foi menos intensa do que a registrada no primeiro trimestre, queda de 1,5%.

Em relação ao segundo trimestre de 2011, os investimentos recuaram num ritmo maior: 3,7%. Trata-se do pior resultado desde o terceiro trimestre de 2009 (-9%), quando a crise global fez empresários revisarem seus planos de investimento.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira que a economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre na comparação com o primeiro trimestre.

Pelos dados do IBGE, a taxa de investimento (valor dos investimentos sobre o valor total do PIB) ficou em 17,9% no segundo trimestre, menor patamar para tal período do ano desde os 17,2% do segundo trimestre de 2009.

Já a taxa de poupança --indicador "antecedente" da taxa de investimento e calculada com base no valor da poupança de famílias, governo e empresas em proporção ao total do PIB-- situou-se em 16,9%, também no mais baixo nível desde o segundo trimestre de 2009.

O fraco desempenho do investimento levou o governo a ampliar as medidas de estímulo, como empréstimos subsidiados do BNDES, que financiará o setor com juros de 2,5%, abaixo da inflação.

Segundo Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, a queda dos investimentos foi determinada pela menor produção doméstica de máquinas e equipamentos (bens de capital), já que a construção civil (outro componente dos investimentos) registrou um bom desempenho no segundo trimestre.

"Houve uma redução expressiva da fabricação nacional de máquinas e equipamentos. O investimento só não caiu mais por causa da construção civil e da importação de máquinas, que cresceram", disse.

Apesar do aumento das importações de máquinas, os setores que ampliaram mais as suas compras no exterior foram siderurgia, refino de petróleo (gasolina) e petroquímicos, plásticos e farmacêuticos. Esses ramos contribuíram para o crescimento das importações de 1,6% no segundo trimestre na comparação com o mesmo período de 2011.

Por seu turno, as exportações recuaram com mais força nos ramos de siderurgia, petróleo, metais, máquinas, café e veículos. Diante da retração desses e de outros setores, as vendas do país ao exterior caíram 2,5% na comparação com o segundo trimestre de 2011.

CONSUMO DO GOVERNO
Em ano eleitoral, o governo acelerou seus gastos, investimentos e contratações de pessoal, o que ampliou o consumo do governo, que registrou altas de 1,1% em relação ao primeiro trimestre e de 3,1% na comparação com o segundo trimestre.

"O primeiro ano de governo sempre é um período de ajuste. O consumo do governo tende sempre a crescer no segundo ano."