O Globo
Pesquisa da Fundação Victor Civita conclui que o país prioriza as primeiras séries da educação
RIO — Um estudo divulgado nesta quinta-feira (30) pela Fundação Victor Civita mostra que as quatro últimas séries do ensino fundamental (6º ao 9º ano), em que estão matriculados cerca de 14 milhões de alunos, quase não recebem políticas públicas. A pesquisa, realizada em parceria com a Fundação Carlos Chagas, analisou programas educacionais formulados pelo Ministério da Educação e pelas secretarias estaduais ou municipais de Educação e concluiu que a maior parte das iniciativas se voltam para as séries iniciais (1º ao 5º anos) e não contemplam as necessidades de alunos e professores do segundo segmento fundamental.
— Os últimos quatro anos do ensino fundamental são vistos pela maior parte dos agentes da educação como uma fase de transição, uma fase menos relevante do que os anos iniciais e o Ensino Médio — afirma Angela Dannemann, diretora-executiva da Fundação Victor Civita. — Entretanto esse é um dos períodos mais complexos da vida escolar dos alunos, na maioria adolescentes entre 11 e 14 anos.
O estudo também aponta que os cursos de licenciatura trazem pouca informação sobre a prática na sala de aula aos futuros professores. Segundo a pesquisa, a dificuldade dos docentes de ter que lidar com as transformações dos estudantes nessa fase é aumentada pela falta de suporte acadêmico.
— Há poucos investimentos em uma formação continuada, que poderia abarcar as particularidades desse público adolescente. Com isso, a comunicação efetiva entre professor e alunos fica comprometida, o que influencia de forma negativa o desempenho da turma como um todo — diz Angela.