Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Imaginem o seguinte quadro: 10 mil pessoas ganham até R$ 100 por mês. E aí você cria uma tabela dizendo que, até o limite de R$ 100,00, a pessoa com tal rendimento será considerada “miserável”. Tempos depois, você vai e reduz o limite para algo em torno de R$ 75,00. E diz: até o imite de R$ 75,00 por mês, a pessoa com tal rendimento será considerada ou enquadrada como miserável. Provavelmente, a primeira conseqüência que se terá será a redução dos dez mil da tabela anterior para algo em torno de 6, 7 mil. E aí você anuncia com todas as letras: reduzimos os miseráveis do país em 30%, no espaço de um ano. E o mundo todo, desconhecendo a esperteza na mudança dos critérios de análise, vai fazer um “oh!” de espanto e admiração. Você será considerado um gênio, um mágico, um governante lúcido e capaz, preocupado com o social. E que fez muito mais, em menos tempo, do que todos os outros em maior tempo.
Desde que o governo Lula mudou os critério no cálculo do PIB, e que, num passe de mágica teve o dom de fazer aumentar a média de crescimento da era Lula em um ponto percentual a cada ano, estamos dizendo que o governo está copiando a manipulação que se usava no tempo da ditadura militar, com o propósito específico de vender uma imagem positiva de sua gestão. De forma falsa, de repente, quem ganha ou ganhava cerca de três ou quatro salários mínimos por mês, passou a ser legitimado na classe “média”. E, qualquer coisa acima de R$ 125,00, que é o limite de renda para o Bolsa Família, deixou de ser miserável.
Portanto, sem que se acrescentasse um mísero centavo, milhões saíram da condições de miseráveis para pobre, e de pobre milhões ingressaram na tão desejada classe média. E quem era classe média, e que perdeu renda, caiu para a vala comum dos pobres, e pior: a dos trouxas que sustentam o país com a maior carga tributária de toda a nossa história, para não se dizer do planeta.
Inadmissível é que a média dos analistas, ao invés de manterem uma posição crítica contra este artifício falso e delinqüente, saiu a escrever versos de louvor o governo, comemorando um fato que não é fato, um número mistificado e manipulado e que agride qualquer bom senso.
Há questão de duas semanas, provamos aqui que a redução da pobreza no Brasil, nos últimos 25 anos, se deve dois terços ao Plano Real, ficando o restante com os programas sociais que existem desde SARNEY, e que foram intensificados com Fernando Henrique. Lula, rigorosamente e isto é um fato histórico incontestável, não criou programa algum. E para ser rigoroso ainda mais, Lula é sim o herdeiro da estabilidade econômica para a qual apenas contribuiu em não mexer nos fundamentos básicos, como ainda é herdeiro de um programa social que descobriu através dos cartões, uma forma inteligente de cadastro. Deveria ele ser grato à herança e os benefícios dela advindos, porém, seja pelo discurso, como ontem se viu na ONU, seja pela propaganda oficial, insiste grotescamente em posar como o inventor da pólvora.
Na edição de hoje, publicamos um excelente artigo do Pedro do Coutto da Tribuna da Imprensa e que merece ser analisado com muita atenção. O jornalista, prova de forma inequívoca, a mistificação das “leituras” feitas a partir de dados do IBGE. E atenção: ele apenas usou os mesmos números e os confrontou para chegar a uma conclusão completamente inversa da que se tem divulgado. Fez o mesmo que fizemos em relação a queda na pobreza, a partir de dados oficiais, portanto, incontestáveis.
O impressionante no caso é a forma como se manipula a informação no Brasil para se “vender” idéias distorcidas e falsas. Além do caso na queda da pobreza e suas razões, temos aí o tal ‘aumento” na renda do trabalhador, como também no caso dos assentamentos da reforma agrária, e ainda ontem também noticiamos outro “erro” na divulgação no número de doentes acometidos por lepra.
É importante que as pessoas fiquem atentas a este tipo de canalhice. Ela tem sido comum no terreno político. E a forma como podemos nos manter imunes à pregação mentirosa e falaciosa é sim a informação, quanto mais melhor. Mesmo que a informação tenha lá suas distorções, mas na medida em que ampliamos o campo de leitura, mais é possível perceber de que lado está a verdade. Como por exemplo no caso do gás boliviano, que Lula insiste em manter os olhos fechados para Morales, enquanto este insiste em nos agredir e não cumprir com tratados internacionais. Sequer em cumprir com o combinado com o próprio Lula. Por conta de sua cretinice, cortou e suspendeu por tempo indeterminado, sem nenhuma razão para tanto, o fornecimento de gás para o Estado do Mato Grosso. Moral: a termelétrica está parada desde abril. Agora se estuda a possibilidade de se empregar diesel, mais poluidor e mis caro. E, está visto, que a conta se apresentada aos consumidores.
Veja-se o caso do desmatamento. Lula discursou na ONU para uma platéia internacional, e que não tinha números oficiais para contesta-lo. Deste modo, anunciou com todas as letras, como já houvera feito em solenidade no Planalto, que o desmatamento na Amazônia fora reduzido em 25%, etc, etc, etc.
Será? Aqui mesmo já o desmentíramos, dando conta que, ao contrário do anunciado, o desmatamento houvera, em 2007, aumentado principalmente nos Estados do Amazônia, Pará, Rondônia e Mato Grosso. Hoje, o jornal O Estado de São Paulo traz uma reportagem justamente enfocando e demonstrando o contrário do que Lula afirmou. Ou seja, Lula está desatualizado, e seus dados são, no mínimo, defasados.
É triste constatar o quanto o país está regredindo neste terreno da informação. Mais duro é saber que poucos se sentem encorajados para contestar e desmentir as fantasias oficiais planaltinas. Há como que uma total degeneração nos usos e costumes, e o país como um todo está aceitando que a corrupção na política é coisa normal, e que presidente da República mentir abusivamente é coisa rotineira. Neste ritmo, não é surpresa ver como estamos na lanterna dentre os quatros emergentes mais destacados. Um país se consolida como próspero na medida em que refina a atuação de seus dirigentes. Não que se espere que a mentira de governantes seja zerada, mas quando acontece e ela é conhecida, o repúdio da sociedade se faz de forma tão indigna que ao governante não resta outra alternativa a não ser a renúncia. O mundo civilizado está cheio de casos que se repetem todos os dias. E duas instituições são soberanas neste quesito: de um lado, o Poder Judiciário, com sua independência a defender e fiscalizar e cobrar que o estado de direito não seja aniquilado. E de outro, a imprensa, fiscalizadora em tempo integral dos atos e das falas, e a sua imediata divulgação. Talvez esteja aí o rescaldo autoritário do petê e de Lula, eles simplesmente não aceitam esta “liberdade” de informar, e sempre que possível, apresentam projetos no sentido de podar o direito à livre manifestação do pensamento e da informação. E isto tem cheiro de qualquer coisa, menos de democracia...
Imaginem o seguinte quadro: 10 mil pessoas ganham até R$ 100 por mês. E aí você cria uma tabela dizendo que, até o limite de R$ 100,00, a pessoa com tal rendimento será considerada “miserável”. Tempos depois, você vai e reduz o limite para algo em torno de R$ 75,00. E diz: até o imite de R$ 75,00 por mês, a pessoa com tal rendimento será considerada ou enquadrada como miserável. Provavelmente, a primeira conseqüência que se terá será a redução dos dez mil da tabela anterior para algo em torno de 6, 7 mil. E aí você anuncia com todas as letras: reduzimos os miseráveis do país em 30%, no espaço de um ano. E o mundo todo, desconhecendo a esperteza na mudança dos critérios de análise, vai fazer um “oh!” de espanto e admiração. Você será considerado um gênio, um mágico, um governante lúcido e capaz, preocupado com o social. E que fez muito mais, em menos tempo, do que todos os outros em maior tempo.
Desde que o governo Lula mudou os critério no cálculo do PIB, e que, num passe de mágica teve o dom de fazer aumentar a média de crescimento da era Lula em um ponto percentual a cada ano, estamos dizendo que o governo está copiando a manipulação que se usava no tempo da ditadura militar, com o propósito específico de vender uma imagem positiva de sua gestão. De forma falsa, de repente, quem ganha ou ganhava cerca de três ou quatro salários mínimos por mês, passou a ser legitimado na classe “média”. E, qualquer coisa acima de R$ 125,00, que é o limite de renda para o Bolsa Família, deixou de ser miserável.
Portanto, sem que se acrescentasse um mísero centavo, milhões saíram da condições de miseráveis para pobre, e de pobre milhões ingressaram na tão desejada classe média. E quem era classe média, e que perdeu renda, caiu para a vala comum dos pobres, e pior: a dos trouxas que sustentam o país com a maior carga tributária de toda a nossa história, para não se dizer do planeta.
Inadmissível é que a média dos analistas, ao invés de manterem uma posição crítica contra este artifício falso e delinqüente, saiu a escrever versos de louvor o governo, comemorando um fato que não é fato, um número mistificado e manipulado e que agride qualquer bom senso.
Há questão de duas semanas, provamos aqui que a redução da pobreza no Brasil, nos últimos 25 anos, se deve dois terços ao Plano Real, ficando o restante com os programas sociais que existem desde SARNEY, e que foram intensificados com Fernando Henrique. Lula, rigorosamente e isto é um fato histórico incontestável, não criou programa algum. E para ser rigoroso ainda mais, Lula é sim o herdeiro da estabilidade econômica para a qual apenas contribuiu em não mexer nos fundamentos básicos, como ainda é herdeiro de um programa social que descobriu através dos cartões, uma forma inteligente de cadastro. Deveria ele ser grato à herança e os benefícios dela advindos, porém, seja pelo discurso, como ontem se viu na ONU, seja pela propaganda oficial, insiste grotescamente em posar como o inventor da pólvora.
Na edição de hoje, publicamos um excelente artigo do Pedro do Coutto da Tribuna da Imprensa e que merece ser analisado com muita atenção. O jornalista, prova de forma inequívoca, a mistificação das “leituras” feitas a partir de dados do IBGE. E atenção: ele apenas usou os mesmos números e os confrontou para chegar a uma conclusão completamente inversa da que se tem divulgado. Fez o mesmo que fizemos em relação a queda na pobreza, a partir de dados oficiais, portanto, incontestáveis.
O impressionante no caso é a forma como se manipula a informação no Brasil para se “vender” idéias distorcidas e falsas. Além do caso na queda da pobreza e suas razões, temos aí o tal ‘aumento” na renda do trabalhador, como também no caso dos assentamentos da reforma agrária, e ainda ontem também noticiamos outro “erro” na divulgação no número de doentes acometidos por lepra.
É importante que as pessoas fiquem atentas a este tipo de canalhice. Ela tem sido comum no terreno político. E a forma como podemos nos manter imunes à pregação mentirosa e falaciosa é sim a informação, quanto mais melhor. Mesmo que a informação tenha lá suas distorções, mas na medida em que ampliamos o campo de leitura, mais é possível perceber de que lado está a verdade. Como por exemplo no caso do gás boliviano, que Lula insiste em manter os olhos fechados para Morales, enquanto este insiste em nos agredir e não cumprir com tratados internacionais. Sequer em cumprir com o combinado com o próprio Lula. Por conta de sua cretinice, cortou e suspendeu por tempo indeterminado, sem nenhuma razão para tanto, o fornecimento de gás para o Estado do Mato Grosso. Moral: a termelétrica está parada desde abril. Agora se estuda a possibilidade de se empregar diesel, mais poluidor e mis caro. E, está visto, que a conta se apresentada aos consumidores.
Veja-se o caso do desmatamento. Lula discursou na ONU para uma platéia internacional, e que não tinha números oficiais para contesta-lo. Deste modo, anunciou com todas as letras, como já houvera feito em solenidade no Planalto, que o desmatamento na Amazônia fora reduzido em 25%, etc, etc, etc.
Será? Aqui mesmo já o desmentíramos, dando conta que, ao contrário do anunciado, o desmatamento houvera, em 2007, aumentado principalmente nos Estados do Amazônia, Pará, Rondônia e Mato Grosso. Hoje, o jornal O Estado de São Paulo traz uma reportagem justamente enfocando e demonstrando o contrário do que Lula afirmou. Ou seja, Lula está desatualizado, e seus dados são, no mínimo, defasados.
É triste constatar o quanto o país está regredindo neste terreno da informação. Mais duro é saber que poucos se sentem encorajados para contestar e desmentir as fantasias oficiais planaltinas. Há como que uma total degeneração nos usos e costumes, e o país como um todo está aceitando que a corrupção na política é coisa normal, e que presidente da República mentir abusivamente é coisa rotineira. Neste ritmo, não é surpresa ver como estamos na lanterna dentre os quatros emergentes mais destacados. Um país se consolida como próspero na medida em que refina a atuação de seus dirigentes. Não que se espere que a mentira de governantes seja zerada, mas quando acontece e ela é conhecida, o repúdio da sociedade se faz de forma tão indigna que ao governante não resta outra alternativa a não ser a renúncia. O mundo civilizado está cheio de casos que se repetem todos os dias. E duas instituições são soberanas neste quesito: de um lado, o Poder Judiciário, com sua independência a defender e fiscalizar e cobrar que o estado de direito não seja aniquilado. E de outro, a imprensa, fiscalizadora em tempo integral dos atos e das falas, e a sua imediata divulgação. Talvez esteja aí o rescaldo autoritário do petê e de Lula, eles simplesmente não aceitam esta “liberdade” de informar, e sempre que possível, apresentam projetos no sentido de podar o direito à livre manifestação do pensamento e da informação. E isto tem cheiro de qualquer coisa, menos de democracia...