quinta-feira, setembro 27, 2007

O genérico Jobim e um estilo vesgo

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O Ministro de Defesa, Nelson Jobim, está confundindo autoridade com truculência. E uma truculência delinqüente, do tipo que semeia crises e arma verdadeiras bombas-relógios.

O exercício de qualquer autoridade impõem serenidade, postura, equilíbrio emocional. Com tais ferramentas torna-se muito fácil que a autoridade seja exercida, mas é indispensável para que seja aceita e acatada. Jobim está longe disto. Não é preciso vestir fardamento de general, que ele não é nem nunca foi, para ser respeitado pelos militares. Basta que ele abra canal de diálogo, e não parta para o confronto, para a imposição, para exigências esdrúxulas na base do chute na canela. Agir da forma como está fazendo, seja no sentido de debelar a crise aérea que já encontrou instalada, seja como ministro chefe das Forças Armadas, tornará seus dias mais difíceis e acabará criando em torno de si um clima de antagonismo desnecessário e totalmente imprudente.

Esta é a segunda vez que tocamos neste assunto. Nos parece que Jobim ainda não se deu conta de seu real papel, e está não apenas atormentando a vida daquelas a quem lhe cabe comandar, como também está se defrontando contra autoridades que, queira ele ou não, tem responsabilidades, tem comando, tem autoridades previstas na própria constituição. Indispor-se da forma grotesca e truculenta como tem feito, acabará criando uma situação insustentável para si mesmo.

Com arrogância não se chega a lugar algum, ainda lidando com pessoas que de não são nem idiotas tampouco imbecis. E um exemplo de como o genérico Jobim não deve se portar diz respeito a repressão que está querendo obrigar ao Exército executar na reserva indígena Raposa do Sol. Precisa Jobim entender que, do outro lado, estão brasileiros nascidos em território nacional, que trabalham, vivem e moram naquela região. Portanto, não se compreende quais os sentimentos que movem o governo Lula através do seu ministro de Defesa a querer a qualquer preço expulsar aquelas famílias das terras em que nasceram.

Sei que muitos até poderão recriminar o que vou dizer, mas minha obrigação é dizer o penso de acordo com a minha consciência e sempre em respeito à verdade: o Estado brasileiro já deu terras demais para os povos indígenas. Terras que eles sequer conseguem cuidar, vigiar e respeitar. E se o governo brasileiro estivesse minimamente interessado, investigaria e descobrir que, por detrás dos “povos indígenas” há muita ONG sacana financiando e incentivando à exigência por mais terras. E para quê? Para que possam contrabandear riquezas vegetais e minerais para fora de nossas fronteiras. Tem muito índio falando outras “línguas” que não o português, e cometendo todo o tipo de safadeza sob o comando de “homem branco” de outras praças. Madeiras e pedras preciosas e semi-preciosas fazem parte do extenso cardápio do que surrupiado do país.

Assim, não se entende por quis razões o governo Lula deseja tanto liberar as terras ao longo das fronteiras do estado de Roraima, que hoje dispõem de apenas 12,0% de sua extensão geográfica para uso econômico. O restante é só reserva. Recomenda-se justamente o contrário para impedir a entrada ilegal em nosso território, que é o que mais tem acontecido. A lembrar, a fronteira de Roraima com o continente é a Venezuela, do “muy amigo” Chávez. Mas voltaremos a este assunto ainda. Há muitos mistérios para serem desvendados.

No Blog Alerta Total, do Jorge Serrão, ele publicou um artigo sobre este estilo vesgo de Jobim conduzir-se à frente de sua pasta no ministério. A continuar se portando na base da truculência como tem feito desde asumiu, Jobim logo logo terá de trocar a farda de general por uma de pirata. E com tampão num dos olhos. Ele, como genérico, está mais para pirata pilantra do que para general...

Leiam a seguir o artigo do Serrão.

Crise fardada: Exército não aceita reprimir fazendeiros em Roraima e reage, nos bastidores, contra o caso Araguaia
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Não tem choro de Nelson Jobim, e nem vela para guerrilheiro desaparecido. Os militares já mandaram avisar ao presidente Lula da Silva que não vão alimentar o clima de guerra civil que já reina em Roraima. Os integrantes do Alto Comando do Exército, a diferentes interlocutores nos bastidores, asseguram que não mandarão tropas para auxiliar 500 agentes da Polícia Federal na retirada de fazendeiros brasileiros (plantadores de arroz) da região criminosamente demarcada da reserva indígena Raposa do Sol – cuja área, apenas por coincidência, é idêntica aos mapas oficiais de recursos e riquezas minerais daquele estado amazônico.

O governo Lula já entornou o caldo com os militares. Mas as Legiões se mantêm na ordem. Reclamações só nos bastidores. A crise militar está formada. Três imposições do governo motivaram a insatisfação na caserna. Primeiro, pelo lançamento do livro da Comissão de Desaparecidos do Ministério da Justiça no qual os militares são classificados de assassinos e torturadores. Segundo, pela interferência direta de Nelson Jobim para obrigar o Exército a colaborar na operação para expulsar brasileiros não-índios da Raposa do Sol. Terceiro, pela ordem do Palácio do Planalto para que se investigue, oficialmente, o caso dos desaparecidos do PC do B na guerrilha do Araguaia, na década de 70.

Novas baixas podem ocorrer no Alto Comando do Exército ou no Ministério da Defesa. Nelson Jobim já conseguiu derrubar o general Maynard Santa Rosa. Ele declarou que o Exército não recomendava a invasão de Roraima, e acabou exonerado do cargo de secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa. Também foi detonado do ministério o general Rômulo Bini Pereira, por motivos idênticos. A mão pesada do genérico Nelson Jobim também atingiu a Agência Brasileira de Inteligência. Foram destronados de lá o Diretor-Geral, Marcos Buzanelli, e o gerente em Roraima, Coronel Gélio Fregapani, todos por serem contrários à intervenção na Raposa do Sol.

Agora, o alvo da ira de Nelson Jobim na área militar é o atual chefe do Estado Maior do Exército, general Luiz Edmundo Maia Carvalho. Jobim até agora não engoliu a posição clara e firme do general para expressar a insatisfação do Alto Comando do Exército com o livro “Direito à Memória e à Verdade”. Resta saber como Jobim irá manipular seu arsenal de bastidores para conseguir que o General Carvalho seja derrubado.