quinta-feira, setembro 27, 2007

O horror em estado de riso

Fausto Wolff, Jornal do Brasil

Houve época em que os japoneses não roubavam. Segundo a tradição, porque eram homens honrados. Sem duvidar da honra, diria que roubavam tão bem que jamais foram apanhados com a botija na boca. Ficamos assim, portanto: roubavam pouquíssimos e os que o faziam raramente eram descobertos. Imaginem que há alguns anos uma japonesa que trabalhava numa agência do BB em Tóquio tentou o suicídio. Motivo: "Como poderia encarar seus colegas de frente quando soubessem que seu tio - alto funcionário do governo japonês - havia metido a mão numa grana que não era dele? Quando a turma do F.C. de M, F. H. do Vosso C. e do sr. Luiz Silva soube do caso, riu durante duas horas.

Fujimori foi muito cedo para o Peru e não deve ter aprendido a lição de casa. Para ele, todos os peruanos eram trouxas. Depois de ganhar as eleições para a presidência do Peru, começou a depenar o bicho até que alguém descobriu e ele fugiu com a família para o Japão, onde tentou aplicar o golpe do Peru sem sucesso. Fujiu para o Chile. Mais uma vez tentou o golpe mas o peru já era muito conhecido e Fuji não vai poder fujir de novo. Será extraditado para o Peru e, depois, para o Japão, onde querem saber o que há com o peru dele e qual será seu destino.

Deixando o Peru de lado, dona Dilma Rousseff tem um rosto que não inspira simpatia à 23ª vista. Talvez seja exigência do cargo, antes ocupado por J.Dirceu e seu Conjunto Voador. Segundo ela, que também é chegada a um humorismo saudável, desde 1970 o Brasil não passa por melhor período econômico. Apesar dos 30 milhões de pessoas que insistem em não comer, vestir andrajos e morar na rua, o Plano do Pacote vai de vento em popa ou vice-versa. Diante deste quadro ionesquiano, as más-línguas estão dizendo que o Plano do Paco é mesmo do Leitão de Abreu e do Delfim, ministros do Gabinete Civil e da Fazenda do Médici na aludida época. Talvez eles possam colaborar. Leitão já está em outros campos, mas Delfim, depois da foto que o sr. Luiz Silva tirou, sorridente ao lado do F.H. do Vosso C., tem esperanças de - como se diz mesmo? - voltar a servir a pátria. Uma coisa, porém, é verdade: que dona Dilma tenha sido nomeada para dar um tapa na mão do presidente sempre que ele tentar levar o dedo indicador ao nariz.

Mas, deixando de lado as pesbequices, a verdade é que não é função do Estado dar emprego aos cidadãos. A função do Estado é dar condição a seus filhos e filhas para que sejam bons cidadãos e cidadãs, e isso ele deve fazer através de casa, comida, escola, saúde, transporte e emprego. Os seres humanos não nasceram para trabalhar para um patrão explorador. Talvez não tenham sido criados por Deus para serem tratados como intocáveis. Uma coisa, posso lhes garantir: os homens, se não forem loucos, não gostam de pedir esmolas, de roubar, de assaltar. Tanto isso é verdade que citam felizes qualquer emprego.

Quando grã-finos, moradores de ruas nobres da Zona Sul, decidem contratar milícias legais ou ilegais é porque o Estado quebrou. Não responsabilizo o Serginho Cabral, que chegou há pouco e parece acreditar que pobres fardas trocando tiros com pobres civis resolverá alguma coisa. O maior responsável por isso tudo é o Moreira Francamente Moreira, que fechou os Cieps, pois estes ameaçavam formar cidadãos e não delinqüentes.

A culpa é do Estado nos três planos, que tem obrigação de servir à população, mas só serve aos próprios bolsos. A culpa é dos latifundiários, banqueiros, políticos e empresários que mandam dinheiro o ano inteiro para as mais diversas lavanderias do exterior, cometendo o crime de genocídio sem que nada lhes aconteça. Se o pessoal que deu o golpe no Banco do Nordeste, no Banco da Amazônia, no Banestado, está mais livre do que táxi, por que Luiz Silva se preocuparia com o Banco Rural? Entre milionários nascidos no Brasil a noção de patriotismo só vem à tona quando o Brasil ganha uma Copa do Mundo.

Enquanto isso, as milícias se infiltram em oito batalhões da PM do Rio. São grupos formados por ex-policiais civis e militares que conhecem todas as mumunhas. É a guerra civil. Quem acha que é exagero deve passar pelos hospitais públicos do Rio, cujas paredes, tetos, assoalhos, portas e janelas parecem ter sido pintados de vermelho. Dois jovens médicos alemães que estiveram com a Cruz Vermelha no Iraque disseram jamais ter visto coisa semelhante.

Ainda bem que o sr. Luiz Silva tem 149 homens à sua disposição, noite e dia. Bush só tem 32. Os motivos: Luiz Silva gosta de companhia em suas longas viagens pelo mundo, e Bush tem homens no mundo inteiro, até mesmo no Palácio do Planalto, revelou recentemente a mãe-de-santo Três Cocadas de Vergonha.

Quanta eminência, quanta excelência, quanta reverência nos cordões eleitorais. Quem está na frente vai ficando para trás e o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais.