terça-feira, junho 03, 2008

O velho e já muito gasto disco dos subsídios

Adelson Elias Vasconcellos

Lula chegou na Europa com dois discursos prontos na algibeira: o etanol não é culpado pela inflação dos alimentos, e que os subsídios que europeus e norte-americanos concedem aos seus agricultores estrangulam os pequenos.

Quanto ao etanol, nenhum “porém”. Lula faz o que lhe compete fazer: não há nenhuma prova de que o etanol brasileiro seja responsável pela inflação dos preços dos alimentos pelo mundo todo. As causas, já se disse, batem em outras portas, sem sequer chegarem perto do etanol brasileiro. Aqui, contudo, abro um parênteses: pegou mal o presidente querer igualar as condições dos trabalhadores brasileiros nos canaviais com os mineradores de carvão da Inglaterra há mais de cem anos atrás. Fica feio o presidente ir lá fora desfiar sua ignorância sobre história. Aqui dentro ainda vá lá, muitos até já se acostumaram e fazem disto uma espécie de folclore. Mas na Europa, o tipo de comparação soa como cretinice e bestialidade.

Primeiro, que são tempos diferentes. Segundo, que a mecanização das lavouras é um ótimo meio de se evitar a degradação das condições de trabalho no campo. E, por fim, o fato de que os trabalhadores precisam de “emprego” é ridículo. Além do governo dispor de recursos para promover intenso programa de qualificação e requalificação de mão de obra, nada justifica o trabalho em condições de “escravidão” e sub-humanas como as existentes em muitos dos nossos canaviais. Senão se chegará ao ponto de querer justificar a escravidão... Em outras palavras, Lula perdeu uma boa oportunidade de ficar quieto e não dizer besteira !

Quanto aos subsídios, este disco já gastou. Se Lula pretende convencer os países europeus a se dobrarem aos apelos e argumentos para acabarem com os “subsídios’’ concedidos aos agricultores de lá, melhor arranjar outra coisa para reclamar. E melhor faria se usasse para si mesmo a mesma receita que tentar impor aos outros. Um exemplo disto foi o recente pacote concedido à agricultores no país, onde se “perdoou” cerca de R$ 75,0 bilhões em dívidas vencidas. Anualmente, o governo anuncia pacotaços de recursos para agricultura a juros e condições especiais, que outra coisa não são senão “subsídio”. Pode até ser legal do ponto de vista das regras da OMC. Mas ainda assim subsídio E não está errado, não. Assim deve agir todo e qualquer governo para proteger seus produtores internos.

E reparem num detalhe: apesar de todo o subsídio concedido lá fora aos agricultores, ainda assim os produtos brasileiros chegam no mercado internacional com condições de competir e ganhar a parada. Por quê? Por causa de nossa capacidade de pesquisa agronômica (viva a EMBRAPA!), por conta também das condições especialíssimas que o Brasil reúne de terra abundante, sol e chuva, fartura de água, difíceis de se encontrar em outro país. E nossas vantagens só não são maiores justamente por culpa do próprio governo federal, por não investir o que se precisa na infra-estrutura para escoar esta produção com um mínimo de perdas.

Assim, nossa melhor resposta ao reclame mundial contra o etanol está na quantidade de grãos que produzimos, quantidade crescente e que jamais provocou desabastecimento no mercado interno de alimentos, a não ser por conta de fatores climáticos como geadas, enchentes e secas.

Melhor faria o governo, portanto, se pudesse aliar-se aos produtores nacionais oferecendo-lhes não os mesmos subsídios que europeus e norte-americanos concedem aos seus produtores. Porém, ajaudaria muito ter melhores estradas e portos, menor burocracia aeroportuária, menos impostos, juros menores, além de por um freio e um basta na ação dos movimentos de sem-terra. Fizesse isto e não teria mesmo porque se queixar dos outros.

Se o desejo é posar como “grande nação” precisamos por de lado o velho disco gasto de se reclamar dos subsídios dos outros, porque nossa economia não é tão aberta assim. E, claro, fazer o nosso dever de casa com a competência que já temos, faltando apenas que o governo também faça a sua parte.

Hoje se sabe que 2/3 da balança comercial brasileira está assentada no agronegócio. Contudo, e apesar do que isto representa para o desenvolvimento econômico e social do país, ainda há, dentro do próprio governo, quem torça o nariz para o “agronegócio”, demonizando a atividade como maléfica ao interesse do país. São os mesmos que incentivam a ação terrorista dos sem terra, com invasões, depredações e violência. São os mesmos que querem imensos latifúndios para meia dúzia de índios, expulsando de terras produtivas quem nela vive e produz há décadas.

Foi graças ao agronegócio que o interior do Brasil foi ocupado, se desenvolveu e se tornou próspero. O país é um celeiro e deve se portar como tal, e disto tirar o melhor proveito para si e seu povo. Não é nenhum desdouro sermos um país agrícola se pudermos tirar partido desta imensa riqueza e de todo o potencial que o Brasil possui para, a partir dela, se desenvolver e oportunizar melhor qualidade de vida para sua imensa população. E, a partir da atividade agropecuária, virá por certo toda a agroindústria, agregando maior valor econômico à produção primária, depois virão as indústrias de máquinas e outras. É uma cadeia com infinitas oportunidades de geração de renda e riqueza.

Portanto, urge que o governo também tome iniciativas no sentido de fortalecer nossa vocação e dela tirar proveito em razão da maior demanda mundial por alimentos. E mais: Lula precisa aprender que, na medida em que o Brasil se desenvolve e se fortalece economicamente, provocará de parte da comunidade internacional certa ciumeira. Assim, pressões advirão naturalmente. E não é no discurso com ataques inconseqüentes como fez na Itália aos mineradores de carvão europeus, do início do século passado, que ele convencerá ou evitará estas pressões. A melhor resposta é incentivando e fortalecendo nossos produtores internamente, oferecendo-lhes reais condições para produzirem mais, melhor e em segurança. Comparar escravidão de ontem com a escravidão de hoje é pura cretinice.

E sempre que algum país extrapolar as regras internacionais estabelecidas, o fórum adequado é a Organização Mundial de Comércio, onde por sinal o Brasil tem tido vitórias importantes como ainda hoje mesmo, no caso do algodão norte-americano. Não basta ser um grande país, é preciso comportar-se, também, como tal.

ENQUANTO ISSO...

'Maggi foi derrotado', diz Minc
O Globo Online


RIO - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse neste domingo que o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), está isolado, sem apoio dos colegas de outros estados, na guerra contra a proibição de financiamentos a desmatadores. Segundo reportagem de Rodrigo Taves publicada na edição desta segunda-feira do jornal "O Globo", Maggi fracassou em seu objetivo de convencer todos os governadores a incluírem na Carta da Amazônia a exigência de revogação da medida. A Carta não contém nenhuma crítica à resolução, que entra em vigor em 1º de julho:

O ministro disse que, diante do isolamento de Maggi, não admitirá qualquer mudança na medida contra produtores que não têm licença ambiental na Amazônia. Deu a entender que poderia deixar o ministério caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reveja o prazo de início de vigência da nova regra.

- Disse à ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil), que para mim este assunto está liquidado. Maggi está isolado, quero deixar bem claro que qualquer mexida nisso é insustentável. Não há possibilidade de a medida ser revogada.
Minc admitiu, porém, ter recebido do presidente a advertência de que, se todos os governadores apoiassem a reivindicação de Maggi, o governo federal seria obrigado a renegociar a resolução e a fazer alguma concessão. Além de não endossar o texto da Carta da Amazônia sugerido por Maggi, os governadores se recusaram a assinar um documento de desagravo ao governador de Mato Grosso por declarações de Minc de que ele seria capaz de plantar soja até nos Andes.

*
Enquanto isso...

Minc anuncia R$ 1 bilhão para produtores rurais recuperarem reservas na Amazônia
Agência Brasil; O Globo Online; CBN

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou nesta sexta-feira, para os governadores da Amazônia Legal, que o governo vai destinar R$ 1 bilhão para recomposição de reservas legais na Amazônia. Na prática, o governo vai conceder crédito, a juros de 4% ao ano, segundo Minc, aos produtores que desmataram além do permitido pela legislação e são obrigados a recompor a floresta. No mesmo encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não admite a interferência de países poluidores na questão ambiental brasileira.

- Uma coisa é você obrigar, outra coisa é você dar meios para, essa é a verdadeira questão. É uma obrigação legal, mas agora os recursos vão garantir que ela seja cumprida. É o cumpra-se da reserva legal - justificou Minc, durante o 1° Fórum de Governadores da Amazônia Legal.

De acordo com ministro, o financiamento anunciado nesta sexta está incluído na Medida Provisória 432, que trata da renegociação da dívida agrícola, publicada na última quarta-feira no Diário Oficial da União.

Minc também anunciou outra medida que vai beneficiar quem já desmatou ilegalmente a floresta: o Ministério do Meio Ambiente vai garantir recursos para a regularização fundiária de propriedades rurais na Amazônia.

- Vamos fazer essa regularização coletiva, não um por um, cada um vai o seu GPS é caro, vamos fazer isso em conjunto. O MMA vai dar 30% dos recursos para acelerar, numa força tarefa, a regularização ambiental daqueles que queiram realmente se regularizar - adiantou.

Ao listar o que chamou de "boas notícias" para a Amazônia, Minc também citou a garantia de preços mínimos para os produtos extrativistas, segundo ele, também incluída na MP 432.

- Os produtos agrícolas, como arroz, feijão, sempre tiveram preço mínimo; os produtos florestais não tinham essa garantia. Desde anteontem [data de publicação da MP], têm - disse o ministro Carlos Minc.

Minc negou que o governo tenha flexibilizado a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que proíbe a concessão de empréstimos públicos aos produtores dos municípios apontados como os que mais desmatam na Amazônia. De acordo com portaria assinada nesta sexta por Minc, nem todas as propriedades localizadas em municípios do bioma amazônico serão punidas. A restrição vai valer apenas para aquelas que ficam em áreas de floresta. As áreas de cerrado não deverão seguir regras tão rígidas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a data para a entrada da vigor continua a mesma: 1º de julho. Governadores querem adiar esta data.

- Não voltamos atrás, não flexibilizamos. Eu nem tenho poder para mexer numa resolução do Banco Central. Apenas expliquei na portaria como poderá ser comprovado aqueles que estão dentro ou fora do bioma amazônico - disse o ministro, durante o 1º Fórum de Governadores da Amazônia Legal.

Segundo Minc, as mudanças vão ajudar a orientar os bancos que concedem o financiamento agrícola:

- A restrição só vale para o bioma amazônico. Tem vários municípios em que parte das propriedades está dentro do bioma amazônico e outra parte fora (cerrado e área de transição). A parte fora já estava de fora da resolução, mas não tinha como explicar isso aos bancos.

O ministro também negou desentendimentos com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi.

" Nunca briguei, apenas fiz declarações um pouco ousadas, mas agora estamos juntos trabalhando dentro da lei "

- Nunca briguei, apenas fiz declarações um pouco ousadas, mas agora estamos juntos trabalhando dentro da lei. O que eu não posso é atender o pedido dele e adiar a resolução do CMN.

Antes de tomar posse, Minc anunciou que o Mato Grosso liderou o desmatamento na Amazônia no mês de abril, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que serão divulgados segunda-feira.

Um dos maiores produtores de soja do país, Maggi tem sido o principal opositor do corte de financiamentos públicos desde que a medida foi anunciada, em janeiro, pela então ministra Marina Silva. A receptividade de suas idéias no Palácio do Planalto foi apontada como um dos motivos do pedido de demissão de Marina.


***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Antes de assumir afirmei aqui: Minc, além de falar demais, é encrenqueiro. E isto está se provando dia a dia. Vejam só: para ficar bem na foto, ele declara que “Maggi está derrotado”. Adoraria que o ministro me apontasse de que forma se deu esta derrota. Porque o que se viu foi justamente o contrário. Houve, não hã como negar, uma recuo por parte do governo. E bota recuo nisto, porque além de suspender a vigência de uma norma do CMN quanto a suspensão de financiamento dos “desmatadores”, ainda abriu a bolsa com R$ 1,0 bilhão para recuperação de áreas degradas. Portanto, se comparado com os discursos dos primeiros dias, Minc é que deveria sentir-se derrotado.

Ao anunciar o novo mapa do desmatamento hoje, ameaçou seqüestrar bois e grãos em áreas desmatadas. Pois bem, perguntinha: e a madeiras das serraria que são, efetivamente, quem primeiro desmatam a floresta, em busca de madeiras de maior valor comercial, deixando o resto podrecendo, conforme vemos na foto acima?

Há muito tempo venho dizendo que os “maiores predadores” da floresta e de seu meio ambiente são pela ordem, madeireiros e a atividade de garimpo que simplesmente devastam tudo a sua volta. Contra estes o governo vai fazer o quê? Nada? Agora a culpa é do boi? Ora, vá se danar, Minc, boi não come árvore, ele só chega depois que as dezenas de madeireiras ilegais que atuam na Amazônia, a maioria asiática, destruíram a floresta para dela retirar a parte mais nobre de madeiras, deixando um rastro de destruição e muita árvore destruída, apodrecendo, por terem baixo valor comercial. Vá catar os garimpos que envenenam os rios e córregos, quando não destroem simplesmente os mananciais e as nascentes.

Assim, bem oportuno comentário de Claudio Ângelo, editor de ciência da Folha de São Paulo, na edição de hoje. Sem dúvida, ao definir o ministro como um fanfarrão, melhor escolha por certo não haveria. Segue o comentário:

Senhor Minc, o senhor é um fanfarrão
O novo dado de desmatamento comprova: Marina Silva abandonou o barco do Meio Ambiente no momento certo. A cifra final, a sair em agosto (o mês do desgosto, como dizem), será um arraso sobre a floresta. E essa conta será de Lula e de seus "heróis" do agronegócio, encarnados na figura de Blairo Borges Maggi.

Afigura-se a realidade arrepiante de um desmatamento na casa dos 20.000 km2 de agosto de 2007 a julho de 2008. Para dar uma idéia do que isso significa, em 150 anos, de 1700 a 1850, toda a produção de açúcar na mata atlântica ceifou 7.500 km2.

Em resposta ao desastre imposto pela alta nas commodities, Carlos Minc, o "performer" que substitui Marina no ministério, anuncia que vai mandar prender... os bois! Isso mesmo: os bois, cujo único crime é pastar em áreas embargadas cuja floresta algum humano derrubou -com crédito oficial e estímulo político.

Ora, não seria mais efetivo prender os donos das terras onde pastam os bois?

Certamente. Mas isso o governo não faz, por duas razões. Primeiro, para não criar caso com aliados em ano de eleição.

Depois, porque nem Minc nem ninguém sabe quem é dono da terra na Amazônia. A única medida que poderia ser definitiva contra o desmate, o ordenamento fundiário, foi um fiasco. Só 20% dos proprietários aderiram ao cadastro de terras imposto pelo governo. E, com o orçamento pífio dedicado a esse reordenamento pelo Plano Amazônia Sustentável, nada vai mudar.

Vai ser engraçado ver o ministro, entre uma coletiva e outra, correndo atrás de boizinhos e vaquinhas no pasto. São 80 milhões de cabeças na Amazônia, senhor ministro. Haja colete para suar.

TOQUEDEPRIMA...

***** Vá entender: para vice Alencar, é possível financiar a saúde sem a nova CPMF, para Temporão, ela não é "primordial" para Saúde.
Renata Giraldi, da Folha Online, em Brasília

O presidente da República em exercício, José Alencar, reconheceu nesta segunda-feira que é possível financiar o sistema de saúde sem a criação do novo tributo, a CSS (Contribuição Social para a Saúde). Mas para Alencar, é necessário pensar que "nunca é demais" investir em saúde pública no país. O comentário dele ocorre no momento em que aliados do governo federal buscam apoio para recriar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e esbarram nas resistências da oposição e até de governistas.

"É claro que tem condição de administrar a saúde sem recursos, porém, é preciso que tenhamos em mente que nunca é demais cuidar da saúde pública", afirmou Alencar após cerimônia no Palácio do Planalto em que o governo regulamenta o ensino das disciplinas de Sociologia e Filosofia no ensino médio.

De acordo com aliados, a aprovação da emenda 29 (que amplia os recursos para a saúde) está vinculada à votação da CSS. Pelo projeto de lei complementar elaborado pelos governistas, a alíquota da nova contribuição será de 0,10% sobre as operações bancárias. Anualmente, a arrecadação será de cerca de R$ 10 bilhões, segundo cálculos da base que apóia o governo.

O próprio ministro da Saúde de Lula, José Gomes Temporão, admitiu nesta segunda-feira que a Contribuição Social da Saúde – a nova versão da CPMF –, não é "primordial" para garantir recursos à Saúde. "Para mim, o importante é que a questão financeira se resolva. Nós temos alternativas, como a questão do cigarro. Temos um dos cigarros mais baratos do mundo. Tem também a tributação das bebidas alcóolicas e da indústria de armas", explicou o ministro em um evento do setor no RJ.

***** Lojistas vão espalhar outdoors com nomes dos deputados que aprovarem a nova CPMF
Está sendo preparado para a próxima quarta-feira (04.06) em Brasília um grande protesto contra a criação da CSS (Contribuição Social da Saúde) – um verdadeiro 'Frankenstein' da extinta CPMF. A organizadora da manifestação, a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, promete ainda divulgar em outdoors os nomes dos deputados que votarem a favor do novo imposto."Vamos manter a sociedade informada. Se a votação for na quarta-feira, na quinta os painéis estarão espalhados pelo Brasil afora", afirmou o presidente da CNDL, Roque Pelizzaro Júnior. O presidente da CDL Porto Alegre, Vilson Noer, confirmou participação no protesto. Esta semana será criada também a Frente Parlamentar do Varejo no Congresso Nacional.

***** Abril: área desmatada da Amazônia é do tamanho do Rio de Janeiro
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou hoje à tarde os dados sobre o desmatamento na Amazônia Legal, referentes ao mês de abril. O sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) identificou um aumento dos alertas de desmatamento na região: em março de 2008, foram 145 km² de alerta de desmatamento; em abril, este número passou para 1.123 km², área equivalente à cidade do Rio de Janeiro (1.182 km²).

***** Extravagâncias com dinheiro público
Além de fixar vencimentos superiores aos do governador, a diretoria da BrasíliaTur, empresa pública de turismo do Distrito Federal, promoveu gastos extravagantes, como o patrocínio de R$ 300 mil ao Rock in Rio Lisboa 2008, a ser realizado no outro lado do Oceano. O governador José Roberto Arruda cancelou os contratos, abriu auditoria e espera que o vice Paulo Octavio retire apoio à diretoria da BrasíliaTur, que indicou.

***** Lula compra 2 jatos a R$ 211 milhões para “autoridades”
O brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, assinou hoje na Embraer, em São José dos Campos (SP), o contrato de compra dos dois jatos EMB-190/195, versão executiva, para servir ao presidente Lula. Vão substituir os "Sucatinhas", velhos Boeing 737-200 com cerca de 34 anos de uso, utilizados como reservas do Airbus 319 presidencial. Cada um custará R$ 84 milhões mais o apoio logístico inicial, o que eleva o valor do "pacote" para R$ 211 milhões. A previsão é de que a primeira aeronave seja entregue em março de 2009 e a segunda em novembro do mesmo ano. Segundo Saito, a substituição deve-se ao desgaste natural dos aviões do governo, que têm gerado um elevado custo operacional.

***** Número de apreensões de CNHs por embriaguez dispara 173,13%
Explodiu no verão de 2008 o número de casos de apreensão de carteiras de motorista por embriaguez ao volante. Na comparação entre 1º de janeiro e 31 de maio deste ano com o mesmo período de 2007, o Comando Rodoviário da Brigada Militar registrou aumento de nada menos que 173,13%.

Nos cinco primeiros meses do ano foram fiscalizados 556.536 veículos, um aumento de 6,20% em relação a 2007.

***** Irregularidades fazem Anac proibir OceanAir de vender passagens aéreas
A Agência Nacional de Aviação Civil enviou ofício à empresa aérea OceanAir, nesta segunda-feira, proibindo-a de vender passagens para vôos com destino ao Aeroporto de Ipatinga (MG). A empresa foi autuada quatro vezes e a Anac alegou a necessidade de proteger os consumidores, já que empresa não estaria comunicando ao público sua impossibilidade de utilizar o aeroporto daquela cidade mineira desde 29 de maio. A OceanAir operava o vôo direto Congonhas (SP)-Ipatinga com uma aeronave Fokker 50, com capacidade de 60 passageiros, mas, sem nenhum prévio aviso à Anac, passou a utilizar um Fokker 100, com 108 assentos. Pela legislação, aeroportos que recebem aviões com capacidade superior a cem pessoas são obrigadas a realizar inspeção de bagagem, seja por equipamentos de raio-X ou inspeção manual. O aeroporto de Ipatinga não dispõe desse serviço.

***** Mulher de guerrilheiro das Farc levou mais R$ 4,7 mil do governo Lula
Além de ter sido contratada pelo governo Lula, a mulher do guerrilheiro das Farc Olivério Medina, preso no Brasil em 2005, recebeu R$ 4,7 mil "extras" dos cofres públicos. Segundo dados oficiais do "Portal da Transparência", Ângela Maria Slongo recebeu R$ 1,9 mil apenas para pagar diárias e R$ 2,3 mil por "indenizações e restituições".

A mulher de Medina foi nomeada em 2007 pelo ministro de Pesca, Altemir Gregolin, para o cargo de "oficial de gabinete II". Em função disso, Ângela recebeu mais uma "ajuda de custo" no valor de R$ 2,3 mil.

***** Peluso será o relator do caso Paulinho
O ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado para relatar o Inquérito em que o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, pede autorização da Corte para investigar o suposto envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, no esquema que fraudava financiamentos do BNDES e que foi desbaratado pela Operação Santa Teresa, da Polícia Federal. Paulinho tem prerrogativa de foro no STF.

***** OMC dá ganho de causa ao Brasil em disputa com os EUA sobre subsídios ao algodão
Foi confirmada nesta segunda-feira pelo tribunal da Organização Mundial do Comércio a vitória do Brasil em uma disputa envolvendo a legalidade dos subsídios norte-americanos ao algodão. Com a decisão, o País pode retaliar os Estados Unidos suspendendo direitos de patentes e interrompendo até parte do comércio do produto.

O questionamento brasileiro já durava cinco anos – desde 2003 o Brasil se queixava de que os incentivos agrícolas dos EUA ao algodão estavam prejudicando os produtores daqui.

***** Justiça quebra sigilo de líderes da Igreja Universal suspeitos de 'lavar' dízimo dos fiéis no exterior
Foi decretada pela Justiça de São Paulo a quebra dos sigilos bancário e fiscal de duas empresas e de sete pessoas alegadamente envolvidas em esquema de lavagem de dinheiro da "Igreja Universal do Reino de Deus". O Ministério Público Estadual apurou o envio de dinheiro a offshores em paraísos fiscais no Caribe para serem recambiadas ao País e aplicadas em empresas controladas pelos evangélicos. Burlando a Receita Federal, a Universal escondia, de acordo com as investigações, o desvio do dízimo pago pelos fiéis.

Os promotores paulistas tentaram ainda quebrar o sigilo do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Como ele tem direito a foro privilegiado, o Supremo Tribunal Federal negou o pedido.

***** Vandalismo: evangélicos invadem e depredam centro de umbanda no Catete
JB Online

Um grupo de evangélicos invadiu agora há pouco, um centro de Umbanda que funciona na Rua Bento Lisboa, 144, no Catete, Zona Sul do Rio, próximo ao Largo do Machado. Segundo policiais do 2º BPM (Botafogo), os religiosos deprederam móveis e a confusão se estendeu para a rua, onde os envolvidos entraram em confronto. Várias viaturas foram acionadas para o local para conter o tumulto. Os dois grupos estão na 9ª DP (Catete) onde a ocorrência está sendo registrada. Ainda não se sabe o motivo da invasão do centro.

***** Democratas cobra governo Lula sobre contratação de mulher das Farc
O Democratas quer esclarecimentos do presidente Lula sobre a contratação de Ângela Maria Slongo, mulher de Olivério Medina, braço das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia no Brasil. "Precisamos saber se a mulher do representante das Farc forma parte da administração pública federal e, se a resposta for sim, quais as funções delegadas a ela pelo governo do presidente Lula", informa o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).

A denúncia sobre a incorporação de Ângela pelo governo Lula foi divulgada na coluna de Diogo Mainardi na revista VEJA desta semana. Olivério Medina, ou Padre Medina, tem o papel no Brasil de "trocar cocaína por armas e fazer o recrutamento de simpatizantes".

***** Governo terá de divulgar contratos com entidades na internet
Os convênios entre o governo federal e as entidades públicas e privadas sem fins lucrativos terão de ser divulgadas, a partir do próximo dia 1º de julho, no "Portal de Convênios". As novas regras de transparência e fiscalização foram determinadas em portaria publicada na última sexta-feira (30.05) no Diário Oficial da União.

Todos os órgãos federais deverão registrar a assinatura dos contratos, o acompanhamento de ações e a prestação de contas – atualmente, só alguns ministérios divulgam essas transações no portal.

***** Quadrilha brasileira é presa na Espanha
Dez brasileiros foram presos hoje na Espanha acusados de falsificação de documentos. Os documentos ilegais asseguravam aos trabalhadores brasileiros direitos a seguridade social, seguro-desemprego e todos os benefícios sociais existentes comuns nos países da União Européia. A Unidade Contra Redes de Imigração e Falsificação de Documentos da Polícia Espanhola chegou até a quadrilha brasileira depois de achar um dos falsificadores na rua. O falsificador foi parado em uma blittz de trânsito e, segundo a polícia, ele demonstrou tanto nervosismo que acabou chamando a atenção. Ao revistar a mochila do brasileiro, foram encontrados 78 documentos de identidade portugueses falsos.

***** Argentina também culpa subsídios internacionais pela alta dos alimentos
A Argentina vai defender amanhã na Conferência de Alto Nível sobre a Segurança Alimentar Mundial da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) a mesma posição do Brasil, que responsabiliza os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos em seus mercados pela crise de alimentos no mundo. A informação é do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana. O presidente Lula também discursará amanhã na abertura da conferência quando deverá fazer a defesa dos biocombustíveis e condenar os subsídios agrícolas.

***** Bolívia dividida: mais dois departamentos querem a secessão
Os departamentos (estados) bolivianos de Beni e Pando realizaram ontem um referendo sobre o estatuto de autonomia em relação ao governo boliviano. A proposta foi aprovada por 86% da população em Beni e 85% em Pando. A consulta popular, entretanto, foi declarada ilegal pelo presidente Evo Morales. Durante o referendo, ocorreram conflitos em ambos os departamentos, que provocaram uma morte. Além disso, dezenas de urnas foram queimadas e houve denúncias de fraude durante as votações. No último dia 4 de maio o departamento de Santa Cruz de la Sierra aprovou, também com mais de 80% de aceitação, uma proposta para se separar do restante da Bolívia. O problema começou quando a Constituição boliviana – aprovada em dezembro – passou a ser questionada por algumas províncias que não têm interesses representados no texto e propuseram a realização dos referendos de autonomia. As informações são da agência argentina Telam.

***** Senado discrimina terceirizados
Somente os funcionários terceirizados do Senado Federal são obrigados a se submeter ao sistema de detectadores de metal, por decisão de sua segurança. Os servidores efetivos são dispensados da obrigatoriedade de provar que não transportam armas, por exemplo.

***** Indústria Automobilística: O melhor maio da história
A indústria automobilística vendeu 242 021 veículos em maio - um volume 14,7% maior do que em maio de 2007. Foi o melhor maio da história das montadoras e um sinal de que o setor continua aquecido. Houve, porém, uma ligeira queda em relação a abril, quando foram vendidos 262 200 veículos. Para as montadoras, o menor número de dias úteis de maio em relação a abril explicaria essa diferença. Esse fator contribuiu, é certo. Mas o setor já começa a conviver com um problema insolúvel a curto prazo: várias fábricas chegaram ao limite de suas capacidades de produção. Para vários modelos de automóveis há esperas que podem chegar a 90 dias. Ou seja, nos próximos meses novos recordes dificilmente acontecerão. De qualquer forma, de janeiro a maio as vendas cresceram 30,3%. É um percentual para ninguém botar defeito.Entre as montadoras, a Fiat continua na liderança, com 23,8% do mercado. É seguida pela VW, com 22,38%. Em terceiro lugar aparece a GM, com 20,45%, e em quarto a Ford, com 9,6%. A GM, aliás, é a única das quatro grandes que, nestes cinco meses, registrou um crescimento acima da média do mercado.

***** Mato Grosso responde por 70% do desmatamento na Amazônia
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais informou hoje que 1.123 km² da Floresta Amazônica sofreram, em abril, corte raso ou degradação progressiva. O sistema Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) indicou que, desse total, 794 km² foram devastados somente no estado do Mato Grosso. Em março, o mesmo sistema havia registrado destruição de 112 km² de floresta no estado do Centro-Oeste. Mas naquele mês, 69% do Mato Grosso não pôde ser observado pelos satélites por causa da presença de nuvens. O Deter apura apenas desmatamentos com área maior que 25 hectares.

Caminho virtuoso

Xico Graziano, Estadão

Agricultura sustentável. Assim se denomina a filha do casamento entre o ruralismo e o ambientalismo. Seu bonito nome, futurista, carrega enorme desafio: compatibilizar a produção rural com o meio ambiente. Será possível?

O assunto começa controverso. Acontece que, historicamente, o avanço da agricultura sempre exigiu o aniquilamento de áreas naturais, surrupiadas para servir à produção humana. Não havia, nem se conhecia, outra forma de expansão. Assim, o progresso da humanidade somente pôde ocorrer com o domínio do território virgem, transformando-o por meio do cultivo da terra. O desmatamento, portanto, pertence à antropologia.

Há 10 mil anos se processa a domesticação do mundo selvagem, livrando a espécie humana do nomadismo. Inicialmente, o efeito deletério para a natureza se resume à supressão de vegetação. O fogo ajuda na coivara, pântanos são drenados. Milênios se passam, a população explode. Até chegar à moderna civilização.
Descobre-se, então, novo e perverso fenômeno ecológico: a perda da biodiversidade. Aí se complica a produção rural. Ocorre que os agroecossistemas, ao serem implantados, simplificam o ambiente, rompendo as cadeias produtivas da natureza. E cada perda de complexidade significa tendência à maior instabilidade. Por isso, em decorrência da alteração causada pela força do homem, surgem pragas e doenças. Tal problema inexiste, salvo ocasionalmente, nos ecossistemas originais. Quem garante são os predadores naturais, que controlam a população das espécies. Chama-se homeostase tal clímax.
Como se percebe, o problema ecológico da agropecuária reside, exatamente, em seu próprio berço. Primeiro, pela necessária supressão da vegetação nativa. Segundo, porque a implantação de sistemas produtivos tende a elevar, permanentemente, a instabilidade do processo. Vencer esse endêmico obstáculo é o papel fundamental da agronomia, a ciência da terra. Como? Por meio da tecnologia.

Vejam as pragas e doenças. Num primeiro momento, venenos terríveis se utilizam no combate a elas. Funcionam, entretanto, por breve tempo. Novas espécies de dano surgem, resistentes aos agrotóxicos. Mais tarde, utilizando-se nova geração de defensivos agrícolas, avista-se o controle integrado de pragas. Neste se alterna o controle químico com práticas culturais. A inovadora idéia, viabilizada com o avanço no conhecimento, minimiza os impactos ambientais da agropecuária.

Pensando assim, nasceu, muito antes, a agricultura orgânica. Vinculada aos movimentos religiosos ou naturalistas, no Japão e na Alemanha especialmente, grupos de agricultores alternativos se propuseram a desenvolver sistemas de produção rural pouco agressivos à natureza. Embora menos produtivos, avançaram e conquistaram sucesso. Foram rotulados de ''agricultura alternativa''.
Empurrados pelo mercado, recentemente se aproximam a agricultura comercial e a produção orgânica. Aquela, buscando qualidade; esta, ganhando eficiência. Ambas experimentam movimentos renovadores e, certamente, a nova fronteira despertada pela biotecnologia irá sedimentar sua integração. Espera-se que a engenharia genética, ao criar plantas resistentes, dispense o uso de agroquímicos e favoreça a agricultura ''natural''. Ironia da história.

Tiro no pé. Com a evolução tecnológica, o desmatamento, especialmente nas regiões tropicais, passou a ser visto como empecilho ao desenvolvimento rural. Chega o conceito da sustentabilidade, exigindo visão de futuro. O corte raso, ou o correntão, aquele que tudo destrói, acabou condenado. Após anos surrupiando a beirada do rio, com medo da malária, surge a recuperação da mata ciliar. Começa a proteção dos mananciais.

Ao contrário de antigamente, defender agora o desmatamento soa atrasado. A grande vantagem está na tecnologia, que permite elevar a produção na mesma área. Ou sem área alguma, como na hidroponia. Na pecuária, a produtividade cresce de forma sensacional, liberando antigas pastagens. Resultado: o Brasil não precisa mais derrubar nenhuma árvore para aumentar sua produção agropecuária.
Em 5 de junho se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. A agenda é complexa, do combate à poluição à proteção das florestas. Mesmo difícil, avança o tema do desenvolvimento sustentável. A cada ano aumenta a consciência coletiva sobre a necessidade de conciliar o crescimento econômico com a preservação. Pudera, no aquecimento global se vislumbra a tragédia.

A agricultura, se enfrentar a peleja, ajuda na solução. Florestas se plantam facilmente. Árvores seqüestram carbono da atmosfera para respirar na fotossíntese. Sua energia se renova no alimento que gera. Falta acertar o passo na história, rever o passado, construir um futuro de maior sintonia com a natureza. Produzir conservando, conservar produzindo.

A chave do caminho virtuoso está na educação ambiental. Os produtores rurais passam por um duro aprendizado. Suas tradições, recolhidas na recente história familiar, os ensinaram a abrir florestas e campos, ocupando várzeas e veredas, pois a expansão da cidade exigia comida farta e barata. Em duas gerações, de heróis do desenvolvimento os desbravadores viraram vilões do desmatamento.
Não será longa, nem difícil, a transição produtiva na agropecuária se aos homens do campo for dado o direito ao conhecimento, para que entendam corretamente o apelo ecológico da sociedade atual. E consigam descobrir, pela tecnologia, como vencer o desafio inato do usufruto da terra. Proativo, participante, respeitado, o agricultor poderá ser o ambientalista do amanhã. E o ecologista agradecerá ao ruralista pelo alimento saudável na mesa.
Tomara.

O gargalo é o governo

Editorial Estadão

Grandes investimentos em infra-estrutura estão novamente na agenda nacional, com grandes projetos de usinas hidrelétricas, exploração de petróleo, construção de rodovias e ferrovias, ampliação e modernização de portos já em andamento ou programadas para execução nos próximos anos. Desde os anos 80, poucos grandes empreendimentos foram iniciados. O potencial produtivo da agropecuária e da indústria cresceu nesse período, em parte por iniciativa dos empresários, em parte por necessidade, porque o mercado nacional se abriu e os produtores nacionais foram expostos à concorrência global. Mas a transformação das fazendas e das fábricas não foi acompanhada pela modernização e pela ampliação dos sistemas de transportes e de suprimento de energia. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado no começo de 2007 pelo governo, foi concebido para eliminar esse descompasso e afastar o risco de gargalos nos próximos anos. Mas, até agora, só o setor privado conseguiu avançar na execução dos investimentos - quando seus projetos não ficaram emperrados nas filas de licenciamento ambiental.

O setor de infra-estrutura deve receber neste ano investimentos de R$ 85 bilhões, segundo levantamento da Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib). No próximo ano o valor poderá chegar a R$ 100 bilhões, de acordo com o presidente da entidade, Paulo Godoy. Mas ele não discriminou, na divulgação desses números, a parte correspondente às ações previstas para o governo e a fatia do setor empresarial. Nos dois anos anteriores, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), as empresas privadas foram responsáveis por mais de 60% do total investido.

A parcela do governo federal tem sido certamente pouco significativa. Dos R$ 15,8 bilhões previstos para o PAC no Orçamento-Geral da União deste ano foram desembolsados apenas R$ 116,7 milhões, 0,74% do total. Outros R$ 2,8 bilhões de restos a pagar (dinheiro do orçamento de 2007) foram liquidados nesse período. Somadas as duas parcelas, chega-se a R$ 2,9 bilhões, 18,6% do total orçado para o ano, embora já tenham decorrido cinco meses.

O governo federal operou até março sem orçamento aprovado. As autoridades podem até invocar esse fato para justificar a lentidão dos desembolsos, mas a alegação não será muito convincente. Afinal, estavam disponíveis R$ 9,8 bilhões de recursos correspondentes a restos a pagar.

O governo também poderá alegar um desempenho melhor que o do ano passado na execução do PAC. De janeiro a maio de 2007, foram pagos R$ 112,9 milhões do total autorizado para o ano. Incluído o desembolso de restos a pagar, o total chegou a R$ 1,4 bilhão, menos de metade do total desembolsado nos primeiros cinco meses de 2008. Mas o PAC havia sido lançado no começo do ano e isso distorce a comparação. Ao longo do ano passado, no entanto, as deficiências na execução do programa ficaram evidentes. Dos R$ 16,6 bilhões autorizados para todo o período, foram empenhados R$ 16 bilhões e desembolsados somente R$ 4,5 bilhões, ou R$ 7,3 bilhões, incluída a parcela de restos a pagar. Em outras palavras, mesmo com a inclusão dessa parcela, os desembolsos ficaram em 43,9% da despesa orçada.Não há muito mistério nesse quadro. O governo federal está despreparado para executar um grande programa de investimentos em infra-estrutura. Para começar, há dificuldades na elaboração de projetos, como foi reconhecido, no ano passado, pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Além disso, a burocracia federal é ineficiente e a máquina administrativa move-se muito devagar.
Enfim, o governo tropeça nos próprios pés, incapaz de coordenar as políticas de investimento e as de licenciamento ambiental. O problema não consiste em subordinar o licenciamento ao objetivo de realização de obras, mas de articular com bom senso as duas funções.

O surto de investimentos em infra-estrutura é uma boa notícia, mas será insuficiente para eliminar o risco de gargalos nos próximos anos, se o governo federal não for mais eficiente na execução de seu programa e mais ágil na análise dos efeitos ambientais dos projetos - tanto públicos quanto privados. O principal gargalo, neste momento, é o próprio governo.

Jornalisticamente o Iraque é aqui: notícia escrita com o sangue dos repórteres

Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa

A realidade nacional pode ser resumida nesse espantoso caso do seqüestro de jornalistas de "O Dia". Seqüestrados, torturados, mantidos durante horas sob violência física e intimidação moral.

O fato aconteceu há 15 dias, o jornal assumiu o compromisso de não publicar nada, enquanto as autoridades tomavam providências. Passado o período do compromisso, a direção de "O Dia" divulgou a notícia através do "Jornal nacional", da Globo.

Durante esse tempo, o que aconteceu? Nada vezes nada. Perdão, o ministro da Justiça fez uma declaração que saiu em rádios, jornais e televisões. Afirmação pessoal de Tarso Genro: "Estamos preocupadíssimos com a situação e tomando providências para que o caso seja investigado e elucidado".

Resumindo a parte do ministro da Justiça: em 15 dias garantiu que "tudo estava sendo investigado e elucidado". Agora, sem nenhum resultado, com a população aterrorizada mais ainda, pois compreendeu que o pânico é total, o senhor Tarso Genro volta a público e garante: "Estamos muito preocupados". Se está preocupado é porque não resolveu coisa alguma. Investigou? Mas de que maneira?

Agora as providências do governador e do seu secretário de Segurança, pois esse fato altamente criminoso aconteceu no Estado do Rio. A direção do jornal "O Dia" comunicou o fato p-e-s-s-o-a-l-m-e-n-t-e ao governador, assim que ele voltou da sua "maratona de bicicleta" por Paris. O secretário Beltrame já sabia de tudo, deve ter se comunicado imediatamente com Sérgio Cabral. Em termos de comunicação, tecnicamente Paris está a 10 segundos de distância.

Tarso Genro foi viajar, deixou como interino um desconhecido Paulo Barreto, que disse espantosamente: "As atribuições são do governo estadual mas o Ministério da Justiça vê tudo com muita preocupação e tem o interesse de resolver". Mas como, se depois de 15 dias não fizeram nada, não descobriram nada, não têm nada para explicar à população, que não tem segurança nem em casa quanto mais nas ruas?

Taxativo, textual e definitivo foi o presidente da OAB-Nacional, Cesar Brito: "É um escândalo intolerável. O empenho em impedir o trabalho esclarecedor da imprensa mostra o temor de que a sociedade seja informada sobre a atuação das milícias".

Desde que elas surgiram do interior para disputar o filão rico das grandes favelas, escrevi aqui, imediatamente: "Esses MILICIANOS SÃO TÃO BANDIDOS QUANTO OS BANDIDOS DO TRÁFICO CHAMADOS DE GOVERNO PARALELO".

Sérgio Cabral afirma: "Vou mandar investigar a tortura". Agora? No comunicado lido pela TV Globo o governador sabia de tudo. O secretário de Segurança, delegado Beltrame, atribui a violência às milícias, o que é uma "revelação banal", pois as próprias milícias confessaram antes do seqüestro: "Por causa do noticiário da imprensa, ninguém mais quer pagar".

A extorsão é dos crimes mais sórdidos e revoltantes. Pois esses milicianos, quase todos policiais da ativa e da reserva, publicamente se queixam dos que não querem pagar. E o secretário Beltrame diz espantosamente: "Já identificamos os autores do seqüestro". A pergunta então é a mais singela possível: se os seqüestradores foram identificados, por que ainda não estão presos?

PS - Nisso tudo, meu respeito aos repórteres que diariamente enfrentam os bandidos dos três lados (os milicianos, os traficantes e os que deviam reprimir o crime), pois o trabalho deles é esse.

PS 2 - E minha solidariedade a Mauricio Azedo, presidente da ABI. Jornalista a vida toda, estava visivelmente constrangido. Preocupado pelos jornalistas, envergonhado com as autoridades.

Lula fala muito e não convence

Estadão

Na sexta-feira passada, em Belém, e domingo, em Roma, um exaltado presidente Lula voltou a bater na tecla de que os críticos das falhas da política do governo brasileiro de proteção da Amazônia contra o desmatamento não têm autoridade moral para se manifestar porque são cidadãos de países onde, em eras priscas, a destruição da natureza foi maior. ''Não vamos admitir que quem mais desmatou venha a dar palpite sobre o Brasil'', advertiu em discurso, andando de um lado para o outro, no lançamento de uma obra do PAC no Pará (o último evento do gênero de que participará numa capital até as eleições municipais, avisou). Já na Itália, onde falará hoje na abertura da Cúpula de Chefes de Estado da FAO, diante de 60 outros líderes nacionais, insistiu no argumento, numa entrevista informal com jornalistas que o acompanham. ''A União Européia só tem 0,3% de sua mata original'', comparou. ''Então, quando falar com o Brasil'', disse como se estivesse se dirigindo a um crítico imaginário, ''primeiro olhe o seu mapa.''

Perguntado sobre as denúncias da Anistia Internacional de que as condições de trabalho nos canaviais brasileiros lembram as da escravidão, Lula enveredou por outras analogias igualmente defensivas. Primeiro, fez uma equiparação absurda entre a faina dos cortadores de cana e a ''de um balconista que fica atendendo a gente, correndo dentro de um balcãozinho das 6 da manhã à meia-noite (sic)''. Em seguida, ocorreu-lhe aproveitar a deixa para mais uma estocada nos europeus. ''Agora (o trabalho no canavial) não é mais duro do que o trabalho em uma mina de carvão, que foi a base do desenvolvimento da Europa. Pegue um facãozinho e passe um dia cortando cana e desça numa mina a 90 metros de profundidade para explodir dinamite para ver o que é melhor'', sugeriu, como se não houvesse minas de carvão no Brasil ou não estivessem sujeitas a acidentes (no começo de maio, uma explosão matou dois mineiros em Santa Catarina).

As tiradas do presidente são dispensáveis. As culpas dos países ricos pela crise ambiental estão fartamente demonstradas, assim como ninguém ignora os imensos sacrifícios humanos que tornaram possível a sua prosperidade. Mas isso não altera a questão que desafia o Brasil: promover o progresso da Amazônia sem devastá-la. Ou, no caso da cana - sobretudo agora que o etanol dela extraído está no centro dos debates mundiais sobre a alta dos preços dos alimentos e o papel dos biocombustíveis no combate ao aquecimento global -, desenvolver o setor, assegurando aos seus trabalhadores as condições de produção e segurança a que têm direito. O próprio Lula mencionou iniciativas nesse sentido, reconhecendo implicitamente que o problema existe, e chamou a atenção para um dilema correlato: a mecanização do corte da cana (uma máquina pode substituir até 90 cortadores) expõe ao desemprego mais de 1 milhão de pessoas.

Acontece que os erros alheios, passados e presentes - ou ainda a hipocrisia dos críticos -, não justificam os nossos, muito menos deveriam ser invocados para encobrir a falta de pulso do governo para deter a marcha das motosserras. No fim da semana, por exemplo, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou que os desmatadores nas áreas limítrofes da floresta com o cerrado, em Mato Grosso e Tocantins, não serão punidos com cortes de financiamentos. Anunciou também o aporte de R$ 1 bilhão em créditos a juros de 4% ao ano aos produtores da Amazônia que desmataram mais do que o permitido e precisam replantar a floresta. A desqualificação das preocupações com a preservação da Amazônia, imputando-lhe vícios de origem, sugere uma atitude complacente diante do negócio da terra arrasada. Lembra, guardadas as proporções, o que Lula disse à época do mensalão: ''O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente.''

O pior é que isso pode ser contraproducente, no momento em que poderosos interesses se voltam contra o etanol brasileiro, como se tivesse parte com a inflação alimentar mundial - o que o presidente faz bem em denunciar, lembrando que o Brasil produz mais biocombustível e mais alimentos, e ressaltando o impacto da alta do petróleo sobre o custo dos fertilizantes e do transporte de alimentos.

Volume de crédito supera massa de salários

Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa

Absolutamente fantástico. Reportagem de Henrique Gomes Batista, "O Globo" de 28/05, com base nos dados do próprio Banco Central, revela que o volume de crédito no País atingiu 1 trilhão e 17 bilhões de reais, no início de maio, superando a massa salarial do País que, praticamente um terço do PIB, oscila entre 700 bilhões e 750 bilhões de reais por ano. O crescimento da oferta de crédito é considerável, pois em dezembro de 2007 atingia 936 bilhões.

O que já era um patamar dos mais elevados ficou ainda mais alto. O próprio presidente Lula, há poucos meses, apresentou este processo como destinado a incluir as camadas de menor renda no mercado de consumo. Por sua vez, a maior elasticidade financeira parte de crediários fixados em maior números de meses. O caso dos automóveis, por exemplo. O presidente do Banco Central, Henrique Meireles, acentua a reportagem, considerou a expansão do crédito um fator de inclusão social.

Poderia haver esta interpretação, não fossem os juros tão altos como são. Os aplicados ao mercado de carros até que são os mais baixos, mas, mesmo assim, estão em torno de 1,2 por cento ao mês para uma taxa inflacionária que o IBGE calcula em 5 por cento para os últimos doze meses. A diferença é grande, como se constata. Mas que dizer dos juros mensais de 5 ou 6 por cento, cobrados pelos bancos e pelo comércio com crédito pessoal ou no crédito chamado direto. Neste caso, os juros, como são compostos, juros em cima de juros, atingem mais de 80 por cento ao ano.

Dezesseis vezes a inflação oficial. Ou então, traduzindo-se de outro modo, na estratosfera de 1.600 por cento reais. O mercado consumidor continua usando o crédito. É irresistível, sem dúvida, pois, no fundo da questão, todas as sociedades estão sempre intensamente voltadas para o consumo. Existe também a influência lógica da publicidade. Mas até quando poderá ser assim como está sendo hoje?

Enquanto os juros - não vamos nem citar os dos cheques especiais e do refinanciamento dos cartões de crédito, que vão a 150 por cento ao ano - são dez vezes maiores que os índices de atualização monetária, os percentuais que corrigem os salários apenas empatam com a inflação. E como o consumo prossegue, o endividamento continua também no mesmo ritmo que marca a expansão do crédito. Chegou aos supermercados.

Quantas vezes vi pessoas de menor renda fazendo compras com a moeda de plástico, que gira sempre na direção do futuro. Tem que haver um limite para as dívidas. Elas não podem se eternizar. Tem um ponto de partida, outro de chegada. Onde estará este? É pergunta que se impõe, sobretudo porque os salários passaram a empatar com o IBGE no governo Lula, digo os salários dos trabalhadores particulares e das empresas estatais. Faço a ressalva porque o funcionalismo federal continua não vendo a cor de aumento nominal que seja. E se não há aumento nominal, evidentemente não existe acréscimo real.

Ao contrário. Há decréscimo, pois um meio de se reduzir vencimentos - está claro - é não reajustá-lo ao nível inflacionário. A situação dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro ajusta-se à que domina os funcionários federais. O processo de declínio, portanto de retrocesso, começou a partir de janeiro de 95, quando FHC assumiu a presidência da República. Os prejuízos acumulados são enormes. Não há perspectiva, muito menos hipótese, de recuperação. O funcionalismo tenta sair em busca do tempo perdido. Fica na intenção. Fica na promessa eleitoral dos candidatos.

Se alguém quiser comprovar o que estou dizendo, é só acessar a série histórica inflacionária registrada pelo IBGE de janeiro de 95 até hoje. Vai se deparar com uma verdadeira torrente acumulada de perdas. Diluída no tempo e anestesiada pelas injeções de crédito. Mas, de fato, não representa uma inclusão social efetiva. Dívidas têm que ser pagas. Hoje ou amanhã. Amanhã ou depois. Mas são pagas. O consumo pode, com isso, seguir em frente aquecido, mas os degraus de um avanço sócio-econômico concreto permanecem congelados.

Os assalariados que se endividam pagam a conta da estabilização monetária que realmente está acontecendo. Para o futuro próximo, nem tanto. Basta examinar o Índice de Preços Por Atacado, da FGV, na escala de 12 por cento de maio de 2007 a maio de 2008. Se houver aumento de preços no atacado, evidentemente ele vai ser repassado ao varejo. E do varejo, final de linha, a todos nós, consumidores. Reflete nos aluguéis. E existem aproximadamente 7 milhões de imóveis alugados no País. O indexador das locações é o IGPM, também da Fundação Getúlio Vargas.

Os locatários, portanto, que se preparem. As tarifas públicas encontram-se indexadas a algum termômetro de reposição inflacionária. Eu disse todos? Então errei. Há um que não possui indexação alguma: o contrato de trabalho. Com isso a dualidade e a contradição entre capital e trabalho prosseguem. E não há saída. Sobretudo porque existem no Brasil pelo menos duas moedas dividindo nitidamente os campos.

Uma, a destinada ao capital, que até supera a inflação oficial. Outra, a destinada ao salário, que perde para esta taxa. A diferença entre um lado e outro reflete-se na favelização, na falta de saneamento, na carência dos serviços públicos de saúde, na escalada da violência. Por falar em violência, ela está cada vez maior.

ENQUANTO ISSO...

FAO afirma que biocombustíveis agravam crise alimentar global

Segundo o relatório da FAO, órgão da Organização das Nações Unidas para alimentação e agricultura, a expansão dos biocombustíveis está agravando a crise alimentar global e ameaça expulsar os pequenos lavradores de suas terras, devido á demanda por cultivos intensivos para fins energéticos. De terça (3) à quinta-feira (5), em Roma, a FAO realiza uma cúpula sobre segurança alimentar onde o principal tema será os riscos sociais e ambientais dos biocombustíveis. O diretor da FAO, Jacques Diouf, disse em entrevista publicada no jornal "Financial Times" que a única maneira de enfrentar a alta mundial dos alimentos em escala global é aumentando a produção, em terras utilizadas pelos biocombustíveis.

Enquanto isso...

Os verdadeiros destruidores de floresta são os mesmos que acusam o Brasil

Enquanto a Europa, hoje tem 0,3% de suas florestas, o Brasil desmatou apenas 17% de toda a Amazônia.

É falso afirmar que a produção do álcool ocupa área que deveria produzir alimentos. A cana-de-açúcar usa apenas 1% da área agricultável do País.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

A grande verdade é a seguinte: até alguns meses atrás, os ongueiros do apocalipse se entretinham em arrancar dinheiro dos “patrocinadores” com o alarme sobre o “aquecimento global”. Como, ao que consta, isto tem controvérsias, o tal fim dos tempos cantado em prosa e verso vai demorar por conta que se provou que o aquecimento tem sido cíclico, além do fato incontestável de que são os “grandes” os que mais poluem, então trataram de arranjar outra “causa” para continuar iludindo os incautos.

Assim, vemos gente defendendo as florestas, as minhocas,os jacarés, etc. Aliás, tem gente que considera a minhoca mais importante do que o ser humano. Pode? Mas os ongueiros apocalípticos estão lá, firmes e fortes na sua incansável luta para arrancar dinheiro para as suas “causas”. No fundo, a ‘causa” é o próprio bolso, usando como bandeira qualquer porcaria como instrumento.

Que tal atribuírem como causa para a inflação dos preços dos alimentos, a enorme especulação que tem sido praticada com comodities mundo afora ? Que tal culparem um pouco os produtores de petróleo, cujo preço variou nos últimos dois anos cerca de 350% ? Ou a economia americana que, em nome de seu déficit, tem promovido a desvalorização de sua moeda para financiar este déficit? Que tal, só prá variar, não se fala a verdade ao menos uma vez, ao invés de praticarem este terrorismo ideológico sem pé nem cabeça, e vagabundo por excelência?