Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
A realidade nacional pode ser resumida nesse espantoso caso do seqüestro de jornalistas de "O Dia". Seqüestrados, torturados, mantidos durante horas sob violência física e intimidação moral.
O fato aconteceu há 15 dias, o jornal assumiu o compromisso de não publicar nada, enquanto as autoridades tomavam providências. Passado o período do compromisso, a direção de "O Dia" divulgou a notícia através do "Jornal nacional", da Globo.
Durante esse tempo, o que aconteceu? Nada vezes nada. Perdão, o ministro da Justiça fez uma declaração que saiu em rádios, jornais e televisões. Afirmação pessoal de Tarso Genro: "Estamos preocupadíssimos com a situação e tomando providências para que o caso seja investigado e elucidado".
Resumindo a parte do ministro da Justiça: em 15 dias garantiu que "tudo estava sendo investigado e elucidado". Agora, sem nenhum resultado, com a população aterrorizada mais ainda, pois compreendeu que o pânico é total, o senhor Tarso Genro volta a público e garante: "Estamos muito preocupados". Se está preocupado é porque não resolveu coisa alguma. Investigou? Mas de que maneira?
Agora as providências do governador e do seu secretário de Segurança, pois esse fato altamente criminoso aconteceu no Estado do Rio. A direção do jornal "O Dia" comunicou o fato p-e-s-s-o-a-l-m-e-n-t-e ao governador, assim que ele voltou da sua "maratona de bicicleta" por Paris. O secretário Beltrame já sabia de tudo, deve ter se comunicado imediatamente com Sérgio Cabral. Em termos de comunicação, tecnicamente Paris está a 10 segundos de distância.
Tarso Genro foi viajar, deixou como interino um desconhecido Paulo Barreto, que disse espantosamente: "As atribuições são do governo estadual mas o Ministério da Justiça vê tudo com muita preocupação e tem o interesse de resolver". Mas como, se depois de 15 dias não fizeram nada, não descobriram nada, não têm nada para explicar à população, que não tem segurança nem em casa quanto mais nas ruas?
Taxativo, textual e definitivo foi o presidente da OAB-Nacional, Cesar Brito: "É um escândalo intolerável. O empenho em impedir o trabalho esclarecedor da imprensa mostra o temor de que a sociedade seja informada sobre a atuação das milícias".
Desde que elas surgiram do interior para disputar o filão rico das grandes favelas, escrevi aqui, imediatamente: "Esses MILICIANOS SÃO TÃO BANDIDOS QUANTO OS BANDIDOS DO TRÁFICO CHAMADOS DE GOVERNO PARALELO".
Sérgio Cabral afirma: "Vou mandar investigar a tortura". Agora? No comunicado lido pela TV Globo o governador sabia de tudo. O secretário de Segurança, delegado Beltrame, atribui a violência às milícias, o que é uma "revelação banal", pois as próprias milícias confessaram antes do seqüestro: "Por causa do noticiário da imprensa, ninguém mais quer pagar".
A extorsão é dos crimes mais sórdidos e revoltantes. Pois esses milicianos, quase todos policiais da ativa e da reserva, publicamente se queixam dos que não querem pagar. E o secretário Beltrame diz espantosamente: "Já identificamos os autores do seqüestro". A pergunta então é a mais singela possível: se os seqüestradores foram identificados, por que ainda não estão presos?
PS - Nisso tudo, meu respeito aos repórteres que diariamente enfrentam os bandidos dos três lados (os milicianos, os traficantes e os que deviam reprimir o crime), pois o trabalho deles é esse.
PS 2 - E minha solidariedade a Mauricio Azedo, presidente da ABI. Jornalista a vida toda, estava visivelmente constrangido. Preocupado pelos jornalistas, envergonhado com as autoridades.
A realidade nacional pode ser resumida nesse espantoso caso do seqüestro de jornalistas de "O Dia". Seqüestrados, torturados, mantidos durante horas sob violência física e intimidação moral.
O fato aconteceu há 15 dias, o jornal assumiu o compromisso de não publicar nada, enquanto as autoridades tomavam providências. Passado o período do compromisso, a direção de "O Dia" divulgou a notícia através do "Jornal nacional", da Globo.
Durante esse tempo, o que aconteceu? Nada vezes nada. Perdão, o ministro da Justiça fez uma declaração que saiu em rádios, jornais e televisões. Afirmação pessoal de Tarso Genro: "Estamos preocupadíssimos com a situação e tomando providências para que o caso seja investigado e elucidado".
Resumindo a parte do ministro da Justiça: em 15 dias garantiu que "tudo estava sendo investigado e elucidado". Agora, sem nenhum resultado, com a população aterrorizada mais ainda, pois compreendeu que o pânico é total, o senhor Tarso Genro volta a público e garante: "Estamos muito preocupados". Se está preocupado é porque não resolveu coisa alguma. Investigou? Mas de que maneira?
Agora as providências do governador e do seu secretário de Segurança, pois esse fato altamente criminoso aconteceu no Estado do Rio. A direção do jornal "O Dia" comunicou o fato p-e-s-s-o-a-l-m-e-n-t-e ao governador, assim que ele voltou da sua "maratona de bicicleta" por Paris. O secretário Beltrame já sabia de tudo, deve ter se comunicado imediatamente com Sérgio Cabral. Em termos de comunicação, tecnicamente Paris está a 10 segundos de distância.
Tarso Genro foi viajar, deixou como interino um desconhecido Paulo Barreto, que disse espantosamente: "As atribuições são do governo estadual mas o Ministério da Justiça vê tudo com muita preocupação e tem o interesse de resolver". Mas como, se depois de 15 dias não fizeram nada, não descobriram nada, não têm nada para explicar à população, que não tem segurança nem em casa quanto mais nas ruas?
Taxativo, textual e definitivo foi o presidente da OAB-Nacional, Cesar Brito: "É um escândalo intolerável. O empenho em impedir o trabalho esclarecedor da imprensa mostra o temor de que a sociedade seja informada sobre a atuação das milícias".
Desde que elas surgiram do interior para disputar o filão rico das grandes favelas, escrevi aqui, imediatamente: "Esses MILICIANOS SÃO TÃO BANDIDOS QUANTO OS BANDIDOS DO TRÁFICO CHAMADOS DE GOVERNO PARALELO".
Sérgio Cabral afirma: "Vou mandar investigar a tortura". Agora? No comunicado lido pela TV Globo o governador sabia de tudo. O secretário de Segurança, delegado Beltrame, atribui a violência às milícias, o que é uma "revelação banal", pois as próprias milícias confessaram antes do seqüestro: "Por causa do noticiário da imprensa, ninguém mais quer pagar".
A extorsão é dos crimes mais sórdidos e revoltantes. Pois esses milicianos, quase todos policiais da ativa e da reserva, publicamente se queixam dos que não querem pagar. E o secretário Beltrame diz espantosamente: "Já identificamos os autores do seqüestro". A pergunta então é a mais singela possível: se os seqüestradores foram identificados, por que ainda não estão presos?
PS - Nisso tudo, meu respeito aos repórteres que diariamente enfrentam os bandidos dos três lados (os milicianos, os traficantes e os que deviam reprimir o crime), pois o trabalho deles é esse.
PS 2 - E minha solidariedade a Mauricio Azedo, presidente da ABI. Jornalista a vida toda, estava visivelmente constrangido. Preocupado pelos jornalistas, envergonhado com as autoridades.