Adelson Elias Vasconcellos
Seria prudente que o governo Dilma colocasse algumas lâmpadas para iluminar os postes atravessados no meio do caminho. Alguém pode se machucar andando no escuro...
Nos dez anos de PT, o que não tem faltado
é apagão em todos os serviços públicos básicos
Movido pela eleição de Dilma e, ao que tudo indica, se encaminhando a de Fernando Haddad (arre!) para a prefeitura de São Paulo, ambos considerados verdadeiros postes no início das campanhas, um empolgado Lula em comício (sua plataforma predileta), afirmou que “De poste em poste, Brasil fica iluminado”. O diabo é que, no poder, os petistas tem a eterna mania de roubarem a lâmpada e superfaturarem a conta...
Mas seria recomendável que Lula não fosse com tanta sede ao pote. É que o que mais tem acontecido nos governos petistas é justamente apagões, de toda a espécie. Com ele mesmo, a saúde e o tráfego aéreo provocaram vítimas fatais. Gente que, mesmo com ordem judicial, não conseguiu ser atendida na rede pública de saúde e morreram às portas dos hospitais públicos. E no aéreo, bem ali foram mais de 300 mortos.
Outro apagão que há anos atormenta a vida dos brasileiros é o que se dá na infraestrutura geral do país. Trafegar nas estradas ou frequentar saguões de aeroportos é um inferno. Quanto aos portos, perguntem aos empresários importadores e exportadores de qualquer coisa o calvário que precisam enfrentar.
Podemos acrescentar a da educação: pior creio não ser possível. E a tal isto é um fato inconteste é que, muitas empresas de alta tecnologia, por não encontrarem profissionais qualificados no Brasil, estão importando mão de obra. E isto num país rico e com uma população com cerca de 200 milhões! É o cúmulo.
Em seu discurso às vésperas do 7 de setembro, a presidente Dilma fez um bombástico anúncio de um plano energético que, dentre outras pérolas, pretende reduzir as tarifas de energia. Foi tão espetaculoso o anúncio, e em plena campanha eleitoral, para medidas que vigorarão apenas a partir de janeiro de 2013, afora o contorno de inúmeras dificuldades ainda sem resposta, que a própria CEMIG tenciona ir à justiça dado que, mesmo que o Planalto negue, haverá sim quebra de contrato. Ah, e quanto às tarifas, até agora não se sabe se serão apenas as concessionárias que arcarão com o prejuízo, ou se os governos estaduais e federal também contribuirão com redução de encargos (que em alguns casos ultrapassam 40% do total cobrado dos usuários). Só que o efeito no povão, de que o governo vai reduzir a tarifa de energia, provocou o resultado esperado: o PT foi o partido mais votado nas eleições municipais, computado os votos de todo o país.
Mas em seu discurso, dona Dilma não perdeu a oportunidade de descer o pau no apagão ocorrido no governo FHC. E aproveitou para lançar seu veneno mentiroso de que Lula ao assumir encontrou o setor energético em estado de caos. Pelo contrário, o apagão de 2001 já tinha sido revertido completamente.
Como o castigo dos céus vem a cavalo, não precisou muito tempo para que a presidente precisasse morder a língua. Apagões começaram a ocorrer em profusão, e a tal ponto que, na semana passada, dona Dilma mudou o tom do discurso. Em 15 dias, só Brasília e o Distrito Federal ficaram às escuras duas vezes, e a este fato se juntam outros apagões recentes no norte, nordeste, centro-oeste e sudeste. Brasília é um fato que se repete. Norte, principalmente, a grande Manaus, pessoas e empresas já se habituaram aos apagões. No Amapá, de dia falta gasolina, de noite falta luz: a “precária situação” que “penaliza a população” da Companhia de Eletricidade do Amapá será alvo de inquérito do Ministério Público Federal: a CEA estaria devendo mais de R$1 bilhão à Eletronorte, e poderia perder a concessão. O MPF critica o rumo da empresa estadual, que não foi privatizada ou federalizada e há dez anos está “sucateada”. O MPF quer a lista de funcionários e terceirizados, empresas parceiras, dos bens e despesas da companhia, e negociações com a Eletronorte, conforme informa Cláudio Humberto.
Gasolina também faltou recentemente no Mato Grosso e, na semana passada, aconteceu no Rio Grande do Sul. E se dizia que o país já atingira a autossuficiência... A mentira se verifica no fato de que as importações de gasolina não param de crescer, a Petrobrás está precisando cortar gastos e investimentos pela política de subsídios praticada pelo governo Dilma em prejuízo à própria sanidade econômica e financeira da estatal Petrobrás...
O fato, senhores, é que o país vive apagões em todas as direções por onde o partido no poder põe sua pesada e onerosa mão. Críticos do programa de concessões e privatizações do governo FHC, agora tentam a qualquer custo encontrar investidores para seus programas de concessões de aeroportos e amargam o desprezo dado às regras insufladas de ideologia besuntada de ranço do atraso.
A consequência ruim desta falta de projeto racional de desenvolvimento, é que o país sequer pode imaginar crescer acima de 5 % (e olhe lá!), por dois ou três anos consecutivos, que se deparará com uma total desorganização interna, a começar pelos problemas estruturais que, dez anos depois, o PT não conseguiu resolver e os abandonou às calendas.
Desde 2006, o blog critica a associação maldosa de juros altos e câmbio excessivamente apreciado. O resultado, como sempre fizemos questão de demonstrar, foi uma imensa desnacionalização e desindustrialização. Em sentido inverso, o governo jamais se comoveu com o quadro assustador. Os números acabaram nos dando razão. E apenas para ilustrar, vale informar que, em 2006, o déficit de manufaturados na balança comercial brasileira era de 5 bi e saltou para 90 bilhões em 2012. Um salto gigantesco que comprova a razão pela qual grande número de indústrias, para sobreviver, transformou-se em distribuidoras de importados. E, pelo lado da demanda, o crescimento vertiginoso graças aos programas de distribuição de renda, crescimento real de salários, política de crédito subsidiado e aumento no número de empregados, teve 85% deste aumento bancado com importados. Ou seja, o crescimento brasileiro gerou emprego e renda lá fora e perda de competitividade aqui dentro. Substituímos empregos de alta especialização por empregos menores, sem qualificação e com menores salários. Sem falar dos muitos bilhões continuam gastando no exterior, comprando quinquilharias de todo o gênero por serem bem mais baratas do que as similares nacionais.
Ontem, editamos aqui texto informando que os brasileiros, em 2012, já pagaram mais de 1,2 TRILHÃO em impostos. Pois bem: sem considerar o que está previsto em orçamento e não foi cumprido, isto é, imaginando-se que o governo Dilma tenha realizado a totalidade dos investimentos projetados para o ano, sabem a quanto monta o que o governo pretendia retornar em investimentos para a sociedade? Apenas 53 bilhões, portanto, menos de 5%. E este governo ainda sonha em chegar a 20%. Delírio!!!
Assim, não basta colocar postes com lâmpadas se não houver instalação da rede elétrica. Ou, mesmo que esta lá esteja bonitinha e bem esticadinha, se depois roubarem a lâmpada. O poste permanecerá inútil. Ou, em outras palavras, de nada adianta colocar gente para governar desacompanhada de um projeto de país.
E nem vamos tratar neste artigo das questões econômicas que emperram o crescimento do país e que o governo Dilma tem dado um desprezo descomunal. Ontem, editamos inúmeros artigos sobre os riscos que perigosamente estamos assumindo. Portanto, seria prudente que o governo Dilma colocasse algumas lâmpadas para iluminar os postes atravessados no meio do caminho. Alguém pode se machucar andando no escuro...







