domingo, outubro 21, 2012

A recuperação da indústria é menor do que se esperava


O Estado de S.Paulo

Entre setembro e outubro, reduziram-se as expectativas de a indústria retomar um ritmo satisfatório de atividades e crescimento. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que o setor secundário andará mais lentamente do que projetavam vários especialistas. Não obstante, alguns dados do emprego industrial apontam para um futuro menos sombrio.

Numa escala de zero a 100, o Icei, divulgado quarta-feira, foi de 56,2 pontos - acima dos 50 pontos, que indicam a passagem para o lado positivo -, mas 1,2 ponto abaixo de setembro e 3,2 pontos inferior à média histórica. Comparado a outubro de 2011, o Icei foi 1,6 ponto mais alto, mas aquele foi o segundo pior mês dos últimos três anos, com o pico de baixa de 53,3 pontos, em julho deste ano.

Consultando 2.246 empresas de todos os portes, entre 1.º e 10 de outubro, o Icei é um indicador de expectativas para os próximos seis meses - e estas são melhores do que os indicadores de situação atual das indústrias e da economia, que estão no campo negativo.

Mesmo em setores que vinham apresentando forte crescimento, a tendência piorou - caso da construção e da indústria extrativa -, segundo o levantamento da CNI.

Entre os segmentos que projetam maior alta estão as indústrias do fumo, limpeza e perfumaria, máquinas e equipamentos e manutenção e reparação. Mas os produtores de itens de consumo de massa, tais como alimentos, bebidas, têxteis e calçados, não estão animados. Há preocupação, portanto, com o efeito negativo da inflação sobre o poder aquisitivo.

A indústria depende do consumo e, portanto, do emprego para se recuperar. Mas a oferta geral de vagas com carteira assinada, incluindo serviços, administração pública e agronegócio, foi, em setembro, 40% inferior à do mesmo mês do ano passado e a pior desde 2002.

A própria indústria de transformação foi uma exceção, pois contratou 66 mil pessoas, número praticamente igual ao de setembro de 2011, segundo o Ministério do Trabalho. Ocorre que, sazonalmente, o último quadrimestre é o período de mais forte atividade da indústria, que trabalha para atender às encomendas de final de ano. Nos últimos 12 meses, a indústria de transformação contratou apenas 68,5 mil pessoas com carteira, ante 288,6 mil, nos 12 meses precedentes. No Estado, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o emprego industrial apenas se estabilizou em setembro.

Pior do que a recuperação lenta da indústria seria a insistência em criar incentivos, na busca de reverter este quadro açodadamente.