domingo, outubro 21, 2012

Mensalão ‘carminha’ para o fim


 Claudio Schamis
Opinião & Notícia

Não há mais dúvidas. O julgamento do mensalão foi um tufão que passou em nossas vidas e na vida política de nosso país

Assim como Avenida Brasil, o mensalão “carminha” para o fim.

Qual será o próximo capítulo do Mensalão Brasil?

Na verdade nós vivemos numa verdadeira Avenida Brasil onde nada é mera ficção. Não há mais dúvidas. O julgamento do mensalão foi um tufão que passou em nossas vidas e na vida política de nosso país. É realmente divino ver que finalmente se tomou coragem para denunciar e punir aqueles que emporcalhavam Brasília e riam na nossa cara.

Com toda a certeza as fotos dos condenados não irão parar no Museu do Louvre como o quadro da Monalisa. Eu quero mais é que fiquem estampadas em outdoors espalhados pelas ruas para que aquele povinho que tem ainda memória curta possa sempre se lembrar.

A traição de Carminha, Leleco e Suellen é fichinha perto da traição dos réus com todos aqueles que confiaram e acreditaram neles.

O dinheiro desviado por Carminha de uma obra social é troco frente ao que é desviado todos os dias por pessoas “idôneas” como o padre Solano que acobertava Carminha e recebia a sua parte.

Já as crianças do lixão são as nossas crianças, que são abandonadas pelo governo e entregues à sorte do destino de cada uma delas.

E claro, o que queremos nesse julgamento não é a justiça do homem pelas próprias mãos, como foi feito com o Max e o Nilo. Queremos sim a justiça dos homens pelas mãos da Justiça. E queremos a Justiça cega, mas verdadeira. Àquela que enxerga realmente quem fez e quem não fez, para que as Lucindas injustiçadas não paguem por um crime que não cometeram.

Calma, gente, eu só disse que Lula é deus. Nada mais

Se Lula é Deus, Marta é louca?
Estava louco para falar, mas sabe como é. O julgamento do mensalão rolando, as máscaras caindo, uns rindo, outros chorando, uns pedindo demissão e alguns rezando ainda por um milagre.

Mas agora com a devida vênia, ministra Marta, você só pode estar de brincadeira, para não falar de sacanagem com a nossa cara. Não seria elegante falar “sacanagem”.

Quer dizer então que em sua opinião, Lula é Deus. Meu Deus! A que ponto nós chegamos. Aqui abro um parêntese para dizer que não estou de maneira nenhuma fazendo pouco caso da trajetória do Lula. Longe de mim. Realmente é impressionante, mas elevá-lo ao posto de Deus é demais da conta. Menos ministra, menos.

Então tá, filosoficamente falando, se Lula é realmente Deus, como pode ele então afirmar que não sabia de nada, e mais, que nunca houve mensalão? Será que a essa altura ainda tem gente que acredita nisso? Marta, me responde, sinceramente. É algum fetiche seu da época em que você atuava ainda como sexóloga? Não, só pode ser.

Marta, começo a ficar preocupado com a sua sanidade mental. Você desistiu da sua pré-candidatura por uma imposição do ex-presidente Lula e, numa articulação com a presidente Dilma, lhe foi dado o Ministério da Cultura para com isso, você ajudar o candidato do Lula a vencer as eleições em São Paulo. Não é o melhor candidato para São Paulo, mas sim o candidato que Lula acha que é bom. E então é ‘PT saudações’ e tudo que seu mestre mandar. E aqui aproveito também para só lembrar que Lula, assim que desceu a rampa do Planalto, disse que ia se afastar de tudo, vestir o seu pijamão, pescar, beber, beber e beber mais um pouco. Que ia dar um tempo. Tempo? Que tempo? Ou seja, o que Lula fala não se escreve.

Tudo bem que sacrifícios às vezes nos são impostos pela vida, ainda mais na política. Mas daí você afirmar que você é a pessoa que faz, que Lula é Deus e que a Dilma é bem avaliada é pegar pesado, além de ser um tanto quanto arrogante da sua parte.

Mas tudo bem, tomara que você seja mesma alguém que faz alguma coisa, pois o nosso Ministério está precisando de Educação. Não quero dizer que a ex-ministra Ana de Hollanda, não fez, ela bem que tentou, mas caía sempre na questão do governo da “bem avaliada” Dilma meio que não dar tanta trela, leia-se, verbas, para melhorar e fazer valer suas 26 promessas de campanha na área da Cultura e Educação, as quais tenho guardadas aqui em casa num recorte de jornal.

Novo programa do governo: Minha veia, minha vida.


Em breve o governo vai permitir que o 
próprio paciente escolha o que receber em sua veia

Não temos caviar nem Petit Gateau, mas a sopa e o café com leite estão fresquinhos.

Ainda estou querendo entender se essa será a forma encontrada pelo governo de tratar a saúde das pessoas e ao mesmo tempo tentar erradicar a fome no país.

Aqui no Rio de Janeiro já são dois casos. Felizmente não soube de nenhum outro caso escabroso como esses em outra parte do Brasil, mas e se a moda pega?

Em setembro uma aposentada de 88 anos internada na Santa Casa de Barra Mansa, teve aplicada na veia sopa ao invés de medicação e faleceu. E na semana passada o cardápio mudou, mas não evitou que uma senhora de 80 anos viesse a falecer quando teve café com leite aplicado na veia por uma estagiária no Posto de Atendimento Médico (PAM) do município, na Baixada Fluminense. Nesse caso foi informado que a estagiária estava sem a supervisão de uma técnica em enfermagem.

Na verdade isso é a pura constatação do pouco caso que fazem com a população quando esta, pagadora de seus impostos, necessita de um atendimento decente, sério e respeitoso. E isso é apenas uma pequena amostra do que aqueles que dependem da boa vontade do governo para ter sua saúde cuidada tem de enfrentar. Sem contar com a falta de médicos, leitos, macas, aparelhos, hospitais fechados, hospitais com goteiras, sem elevador, sem dignidade.

Não vem dizer que é um caso isolado, que não é. Isso é geral, e no país todo. E não é nem de perto a primeira promessa da presidente Dilma na área da Saúde – “melhorar todo o sistema de saúde” – feita na campanha de sua eleição. Tenho até hoje o recorte do jornal – é o mesmo que tem as promessas para a Educação e a Cultura –  com todas elas, em todas as áreas. E é triste constatar que estamos bem longe do mínimo ideal nas duas principais áreas, que sempre foram os pilares de qualquer campanha: saúde e educação.

Salvem as baleias. Não joguem lixo no chão. Não fumem em ambiente fechado.