domingo, outubro 21, 2012

Consumidores antecipam compras e chegarão ao Natal endividados


Fabiana Ribeiro 
O Globo

Para especialista, lojistas terão de ‘seduzir’ clientes

LEO MARTINS / AGÊNCIA O GLOBO
Helio Kaisermann, da delicatessen Cosa Nostra, de Ipanema: 
produtos típicos natalinos desde outubro

RIO E SÃO PAULO – O varejo vai precisar usar de muitas armas de persuasão para levar o consumidor às compras de fim de ano — promoções, formas de pagamento serão bem vindos. O Natal, explica Carlos Thadeu de Freitas, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), não será tão fácil este ano para os lojistas. Com as medidas do governo de redução do IPI, destacou, o consumidor antecipou suas compras.

— O Natal já aconteceu. O varejo vai ter que ser bastante sedutor para vender bem neste fim de ano. Estamos falando de um mercado de trabalho aquecido, mas mais fraco, e de um consumidor que já comprometeu renda com parcelas de eletrodomésticos e carro. Vai ser o Natal da lembrancinha.

Talvez por isso, mal passou o Dia da Criança, o varejo já se arruma para as festas. Pelas ruas e shoppings da cidade, as lojas já têm guirlandas e árvores enfeitando vitrines. E os lojistas, ainda otimistas, se prepararam para um Natal melhor do que aquele esperado pelo economista da CNC.

Desta forma, as encomendas para o fim de ano estão maiores para 40,8% das lojas entrevistadas pela Fecomercio-RJ. E a estimativa é de vendas 9,6% maiores neste Natal. A projeção dos lojistas no ano passado foi de 9,8%.

— O pior, sem dúvida, já passou. Agora, a economia vai ganhar recursos importantes, como décimo terceiro salário e férias, num momento em que o consumidor já está podendo respirar financeiramente. Sem falar que parte da redução de IPI ainda pega o Natal — comentou Christian Travassos, economista da Fecomercio-RJ, acrescentando que as encomendas devem ser 3,2% mais altas, expansão menor do que as expectativas registradas nas pesquisas anteriores (4,3% em 2011 e 4,6% em 2010).

A Balisun Decoração, na Saara, já está toda decorada para o Natal. Além da casa arrumada, os estoques foram abastecidos e seus sócios almejam zerar os artigos comprados para data.

— Já decoramos a loja pois nessa época muitos consumidores começam a fazer pesquisas, mas as compras só deslancham mesmo em novembro. Hoje, cerca de 10% das vendas são de Natal. Entre novembro e dezembro esses números triplicam — disse Rafaela Oliveira, da Balisun Decoração.

Também está confiante Hélio Casagrande, dono da Cosa Nostra Deli. Na loja de uma galeria em Ipanema, encontram-se vários artigos natalinos. Para este Natal, encomendou 1.200 panetones importados — no ano passado, foram 400. As encomendas de calendários do Papai Noel subiram de 430 para 750.

— Aumentei em 74% meus pedidos natalinos. Vou vender tudo. Comprei logo para não ter problemas com greves.

Nas lojas do Extra e do Pão de Açúcar, desde setembro há panetones. Segundo Maximiliano Bortolacci, gerente comercial da empresa, a chegada quase três meses antes do Natal é consequência de um maior planejamento da família, que experimenta sabores para poder decidir o que pode ser presente ou item da ceia, e fica atenta aos preços.

Na avaliação de Claudio Goldberg, da Fundação Getulio Vargas (FGV), os lojistas tentam antecipar as vendas de Natal. Se o nível de atividade se mantiver num patamar baixo, o especialistas não descarta que as promoções — típicas de pós-Natal — apareçam em pleno período de festas:

— O ano já terminou.

IPI garante linha branca
O presidente da Eletros, Lourival Kiçula, afirmou que as vendas de produtos da linha branca (fogão, geladeira, máquina de lavar) deverão crescer entre 15% e 20% este ano na comparação com 2011. A prorrogação do IPI até 31 de dezembro, segundo ele, deverá garantir alta de pelo menos 15% no terceiro trimestre e também nos três últimos meses de 2012 em relação a iguais períodos do ano passado.

— Isso vai garantir um Natal bom para o setor — disse , para quem seria oportuno que o governo mantivesse essa redução “naturalmente permanente”.

— O ministro (Guido Mantega, da Fazenda) é a favor (da redução natural), mas está analisando os dados, os números e temos que provar, na medida que aumentamos o volume de produção, que a arrecadação do imposto será a mesma. 

(Colaborou Lino Rodrigues)