domingo, janeiro 28, 2007

Chávez e nós

Por J. R. Guzzo, revista EXAME
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A Venezuela, segundo nos informou o presidente Hugo Chávez ao assumir seu terceiro mandato consecutivo, é desde o começo de janeiro um país socialista. Não foi preciso, para isso, fazer uma revolução, botar tropa na rua ou tomar nenhum palácio -- bastou a declaração presidencial, o que faz da Venezuela, possivelmente, o único país do mundo onde o socialismo foi implantado com um discurso. A primeira coisa que se pode dizer a respeito é que o coronel Chávez, seu governo e seu socialismo são um problema exclusivo da Venezuela e dos venezuelanos. Não cabe ao Brasil achar ruim nem bom, mesmo porque não iria fazer nenhuma diferença. A única atitude a tomar é aceitar a vida como ela é e, se possível, manter no mesmo ritmo as exportações brasileiras para lá; elas aumentaram em quase sete vezes nos últimos quatro anos e fecharam 2006 em 4 bilhões de dólares. A segunda coisa é ver com clareza o que significa, na prática, o "socialismo do século 21" anunciado por Chávez. Não parece grande coisa. Há muito discurso com 3 horas de duração, muito "patria o muerte!" e muita cara feia contra o imperialismo, mas por aí se fica.

Regimes socialistas, pelo manual de regras, são criados para substituir regimes capitalistas. Mas a Venezuela que existia antes de Chávez assumir a Presidência não era capitalista; era apenas subdesenvolvida. Não tinha capital, indústria ou investimento privado -- não em termos de relevância econômica real. Não investia em infra-estrutura. Não dispunha de produtos vendáveis no mercado mundial. Vivia da extração do petróleo -- e sempre transformou em consumo quase toda a riqueza obtida com ele, em vez de investir no desenvolvimento de alguma atividade produtiva. O setor privado da economia baseava-se na formação de patrimônio pessoal para os empresários, que compravam apartamentos em Miami, tinham aversão ao risco ou à livre competição e buscavam favores junto aos governos -- por sinal, alguns dos mais ineptos que já passaram pelo continente. Assim era e assim continuou com Chávez nestes últimos nove anos, com a diferença de que a cotação do petróleo passou de 11 para 50 dólares o barril, e suas benesses passaram a ser distribuídas para a nova classe de aliados do presidente, ou mesmo para a parte da velha classe que teve a esperteza de juntar-se a ele. Hoje, como ontem, os que podem continuam torrando os dólares do petróleo com a importação de carrões irados, televisores de plasma e uísque 12 anos.

É verdade que o governo estatizou ainda mais uma economia já estatizada pela predominância absoluta do petróleo e promete estatizar o que encontrar de estatizável. É verdade, também, que o comandante passou a utilizar parte das receitas do petróleo em doações para governos que pretende influenciar, ou em programas oficiais de esmola para a parte da população que continua sem oportunidades de melhorar de vida. Mas o subdesenvolvimento permanece o mesmo -- e tem tudo para manter-se exatamente desse jeito. O que mudou na Venezuela, isso sim, foi a ditadura em câmera lenta que o comandante Chávez vem construindo desde que chegou ao governo. Tem planos para tornar-se presidente vitalício, faz o que pode para acabar com a liberdade de imprensa e transformou o Parlamento e o Judiciário em repartições subordinadas ao Poder Executivo. Quer substituir os governos regionais por "conselhos populares", criar um sistema de partido único e governar por decreto. Não será surpresa se baixar, um dia desses, alguma lei de segurança nacional e começar a meter gente na cadeia. O problema, ainda aí, poderia continuar sendo só da Venezuela. Mas será mesmo assim? O pensador-chefe do Palácio do Planalto, o assessor especial Marco Aurélio Garcia, acha que essas coisas todas são um "aprofundamento da democracia". Tomara que seja um ponto de vista, apenas -- e não um projeto de governo para o Brasil.

TOQUEDEPRIMA...

Para Agnelli, faltou redução maior de carga tributária no PAC
Da FolhaNews

Embora veja como positivas as medidas anunciadas pelo governo no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, afirmou que para o empresariado ainda necessita de uma maior redução da carga tributária.
Agnelli citou a apreciação do câmbio e alta taxa de juros como fatores que também prejudicam os investimentos no país. "O governo concentrou esforços naquilo que é prioritário, naquilo que é critico, desonerou investimento, aprovou project finance junto no BNDES. Foi mais um passo para facilitar ou buscar acelerar os investimentos, agora existem outras condições que também deveriam ser atendidas, como a redução da carga tributária. Colocaram redução em algumas áreas, mas não em tudo", disse em entrevista para apresentar os investimentos da mineradora para 2007.
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Ele disse que o pacote anunciado está "na direção certa", apesar de não ter focado na segurança pública.

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Segura coração
Cristiana Lobo, G1

Na próxima terça-feira, o Conselho Político, formado pelos presidentes de partidos aliados ao Palácio do Planalto vai se reunir. Só que a conversa será com o ministro Tarso Genro, das Relações Institucionais.

O presidente Lula passa por lá, mas em seguida sai - avisa Tarso Genro.

Isso indica que o presidente Lula já está ficando esgotado de tantas reuniões políticas e já está transferindo a tarefa ao ministro Tarso Genro. Pior para os partidos que esperavam o cumprimento do compromisso do presidente de reunir o Conselho Político pelo menos uma vez por mês. Vale lembrar, que Lula conversou com os presidentes de partidos aliados na segunda-feira, para apresentar-lhes o Programa de Aceleração da Economia.

Os partidos estão ansiosos para que Lula comece logo a conversar sobre a composição do ministério para o segundo mandato. Mas, pelo visto, o momento ainda é de consultas pelo ministro Tarso Genro.

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COMENTANDO A NOTÍCIA: E isto que ele tirou, desde a eleição, dois períodos de férias, hein ? E o mote da campanha do segundo turno foi “Deixa o homem trabalhar” ! Como sempre se diz: Lula pertence aquela raça de gente que quer estrangular quem inventou o trabalho !!! E ele ainda não sabe porque o país não cresce !!! Destrava, Lula !!!

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Governo antecipa aumento da mistura de biodiesel no diesel
Da FolhaNews

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou em Davos (Suíça), onde participa do Fórum Econômico Mundial, que o Brasil irá antecipar de 2013 para 2010 a obrigatoriedade da mistura de 5% de biodiesel ao diesel, e sugeriu que as montadoras comecem a trabalhar em projetos de automóveis movidos totalmente a biodiesel.

A mistura de 2% de biodiesel ao diesel hoje é facultativa, e passará a ser obrigatória a partir de janeiro de 2008, quando a mistura de 5% passa a ser facultativa. A antecipação vinha sendo discutida no governo e atende à reivindicação dos produtores, porque aumenta a demanda por biodiesel, dando mais segurança aos investimentos que estão sendo feitos.

"O biodiesel gera emprego, gera renda, gera desenvolvimento, e o nosso programa poderia ser um exemplo a ser financiado pelos países ricos aos países africanos e aos países da América Central", afirmou o presidente. Com a obrigatoriedade da mistura em 2%, o mercado de biodiesel está estimado em 1 bilhão de litros por ano. A partir da mistura obrigatória em 5%, esse mercado deve crescer para algo entre 2,4 bilhões e 2,7 bilhões de litros por ano. Produzido a partir de plantas oleaginosas, como mamona, girassol e principalmente de soja.

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Venda de licenças ganha força na SAP
Gazeta Mercantil

A SAP passa por um momento de reestruturação no modelo de negócios. Na semana passada, a fabricante alemã de software de gestão frustrou o mercado ao reconhecer que perderia rentabilidade com investimentos de € 400 milhões no mercado de pequenas e médias empresas. Com foco tradicional em grandes, a SAP sempre teve considerável parte do seu faturamento em serviços, necessários para adaptar os sistemas que vende à realidade local das corporações na região. Agora, quando anuncia crescimento de 38% nas vendas de licenças de software na América Latina, indica que pode mudar o perfil do negócio.

O PAC vinha cantando alegremente...

Marcos Sá Corrêa, NoMínimo
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A mudança climática chegou de uma vez por todas no fim de semana passado. Ela veio cedo, domingo de manhã, num telefonema de Lecco. Do outro lado da linha, a conversa começou com a notícia de que, no jardim, as roseiras do caramanchão estavam prontas para abrir. O quê? Rosas em janeiro no norte de Itália? “É, o inverno anda mesmo estranho. Mas o dia está tão bonito que dá vontade de almoçar lá fora.”
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Depois veio o artigo do jornalista Thomas Friedman no jornal “Herald Tribune”. Tratava de questões energéticas. Mas começava por um ponto de exclamação: “Bem, lá se foram nossos narcisos!”. As flores tinham escancarado suas pétalas uma semana antes, na porta de sua casa. Sete dias depois restava “uma bela mancha amarela no chão da garagem”.
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Friedman costuma escrever na página de opinião do “New York Times” sobre política externa, economia mundial e outros temas pesados. Isso quer dizer que, cada vez mais, ele fala de problemas ambientais. Mas não no tom daquele domingo: “Francamente, narcisos em janeiro enfeitam o gramado. Talvez no ano que vez tentaremos rosas em fevereiro”.
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Em outras palavras, também em Friedman o aquecimento global “começa a dar arrepios”. Os narcisos estavam ali para avisar que, quando o presidente George Bush anuncia seu programa energético e não tem nada a declarar sobre “padrões mais rigorosos de eficiência e preços mais altos para os combustíveis fósseis, os americanos podem “tirar as meias”, porque “vai ficar muito quente por aqui”.
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Friedman parecia estar antecipando a semana do Programa de Aceleração da Economia no Brasil. O pacote que o presidente Lula lançou na segunda-feira não está nem aí para esse tal de aquecimento global. É sua maior originalidade. Ignorá-lo no momento em que todo mundo não fala de outra coisa.Em Davos, o repórter James Kanter deixou por menos. “Enquanto políticos e cientistas procuram entender quão depressa o planeta está aquecendo”, ele encontrava no Fórum Econômico Mundial os sinais de que, daqui para a frente, “é melhor aprender a fazer dinheiro com a mudança climática ou vão comê-lo no almoço”.
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Entre outros argumentos embutidos no aviso, Kanter citava os de Paul Dickinson, do Projeto de Transparência do Carbono, um grupo londrino que avalia a aptidão de empresas internacionais para descascar o abacaxi da mudança climática para investidores que, somados, valem 31 trilhões de dólares. Ou seja, eles mexem com uns 30 PIBs iguais ao do Brasil. É dinheiro suficiente para quase 120 PACs como os de Lula. E ele agora leva em conta, na escolha de seus próximos passos, o fato de que “a preocupação do público com o problema da mudança climática está dramaticamente maior do que nos últimos anos”, segundo o professor da Universidade de Stanford David Victor, um dos conferencistas do Fórum ouvidos por Kanter.
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Um dos resultados de tamanha atenção é que o modo de capturar e armazenar o carbono tornou-se uma “tecnologia chave do século 21”. Atirado na atmosfera em volumes nunca vistos pelo planeta, o carbono é um dos principais suspeitos pelo descontrole do clima. E, como a economia mundial não se livrará tão cedo dos combustíveis fósseis cuja fumaça o transforma em poluição do ar, os grandes negócios estão atrás de quem lhes ofereça uma alternativa.
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“Haverá novas oportunidades de negócio num mundo mais quente com o carbono restringido”, Victor prevê. “Empresas que podem facilmente reduzir suas emissões, como fabricantes de alimentos, provavelmente terão a chance de vender com lucro as cotas de carbono que pouparem.”
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Não há só prejuízos à vista. Victor lembra que as companhias de seguro cobrarão mais pesado em áreas sujeitas a enchentes e tempestades. E que os empreiteiros ganharão fortunas construindo diques nos lugares sujeitos a inundações. Nos países ricos, os governos gastarão até 150 bilhões de dólares por ano com investimentos em infra-estruturas adaptadas aos novos tempos.
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E nós aqui, tocando a vida com o PAC. No Brasil, como se sabe, essas coisas não acontecem. Deus é brasileiro. E só existe um Lula. Sem contar que o aquecimento global pareceu ridículo há 19 anos, quando James Hansen, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da NASA, declarou-se convencido de que o clima do planeta estava mudando a olhos vistos, num depoimento ao Congresso americano.
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Isso foi em 1988. Por acaso, no mesmo ano em que a Constituição “cidadã” do deputado Ulysses Guimarães anunciou, no artigo 255, que “a Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Matogrossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional”, que só poderia ser explorado “dentro das condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto a seu uso dos recursos naturais”.
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Agora, a prioridade do governo para a Amazônia é incorporá-la à frente de obras para acelerar o crescimento. Sua preservação foi uma daquelas idéias insensatas dos constituintes que, na prática, não emplacaram. Como os juros de 12%. Mas, vistos em retrospectiva, os políticos brasileiros daquele tempo pelo menos eram visionários. Às vezes, davam até a impressão de estar à frente de sua época. Em menos de duas décadas eles deram um passo de gigante em direção ao atraso.

Aldo quer congelamento de salários do Supremo

por Fausto Macedo, no Estado de S.Paulo
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O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), presidente da Câmara e candidato à reeleição, defendeu ontem o congelamento dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Durante debate com os outros dois parlamentares que almejam o cargo – Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) –, Aldo empurrou para o Judiciário a conta dos supersalários e tirou de seus ombros a responsabilidade pela tentativa frustrada, em dezembro, de reajuste de 91% nos subsídios dos parlamentares. Segundo ele, a maioria das lideranças votou pelo aumento.
Ao falar dos maiores contracheques do País, Aldo apontou para outra instituição, o Ministério Público, onde estão concentrados salários que superam em muito o teto do funcionalismo. “Em 2003 havia paridade de salários dos parlamentares com os ministros”, disse Aldo no auditório do jornal Folha de S. Paulo, onde ocorreu o debate de duas horas, referindo-se aos titulares do STF. “Hoje, em todas as carreiras do Judiciário, sem exceção, estaduais e federais, duvido que haja um juiz ou promotor, qualquer uma dessas carreiras, que ganhe menos de R$ 20 mil.”
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O presidente da Câmara destacou que os ministros do Supremo ganham R$ 24,5 mil “e já existe projeto de reajuste para 25 mil e poucos (reais)”. Ele ressaltou que, apenas em São Paulo, mais de mil servidores do Judiciário ganham acima do teto. “Temos que estabelecer um teto para todas as carreiras públicas, do Legislativo, do Judiciário e do Executivo”, insistiu Aldo. “Devemos congelar os salários dos ministros do STF. Acho que é uma medida moralizadora, que estabelece um mínimo de equilíbrio e isonomia.”
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Vida eterna
O deputado reforçou sua tese com uma comparação: “Os juízes levam para a vida eterna e para a aposentadoria todos esses salários, enquanto o parlamentar tem quatro anos de mandato. Ele não leva para fora do seu mandato nem o subsídio nem as demais prerrogativas”.
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Aldo disse que os deputados recebem verba de gabinete de R$ 50 mil “porque o mandato é transitório”.
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Ele assumiu o compromisso de dar total transparência aos gastos do Legislativo, inclusive com relação à verba indenizatória. “Devemos colocar à disposição da população o CNPJ das despesas com o gabinete do parlamentar, com deslocamento, transporte, consultoria e outras. Há quem defenda a extinção da verba indenizatória e quem defenda sua rediscussão. A divulgação é medida moralizadora”, disse sobre os gastos.
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O deputado do PC do B lançou um desafio: “A Câmara já é uma instituição politicamente transparente. Devemos ampliar essa transparência do ponto de vista administrativo. A Câmara é um poder tão fiscalizado que duvido que outra instituição pública ou privada submetida à tamanha fiscalização sobreviva por 15 dias”.
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Arlindo Chinaglia reforçou: “Não acho correto que ministro do Supremo ganhe na prática cerca de três vezes o que ganha o presidente da República. Qual é a justificativa? Se estamos tratando da isonomia e da independência entre os poderes, não vejo justificativa”.
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O petista sugeriu que “o teto do funcionalismo tem que ser a partir do Legislativo porque a sociedade controla, e com razão, os salários dos seus representantes”. Ele defendeu o reajuste pela inflação.
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Gustavo Fruet sugeriu uma política de aumento com base nos índices da inflação. Sobre a proposta de congelamento dos vencimentos dos ministros do STF, o tucano foi cauteloso:
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“Não podemos fazer uma disputa emocional com outros Poderes. Temos que entender que o Supremo tem uma realidade diferente da do Congresso. Estamos falando da vida de 11 ministros da instituição maior do Brasil que justamente tem o papel de administrar esses conflitos. Não podemos trabalhar esse tema como vingança. Vamos respeitar a autonomia e rediscutir o que é o tal do teto. Temos que ter um limite, mas não significa que todos têm que estar nesse limite”, defendeu o candidato.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Prá começo de conversa, deixo registrado que não concordo com os salários pagos ao Supremo. Para o Brasil, considero um atentado ao pudor. Porém, também não concordo com o que Aldo tenta apresenta como uma teoria "justicialista" de salários entre Judiciário e Legislativo. Entendo até injusta a tal equiparação de que tanto se fala.
Quem acompanha COMENTANDO A NOTICIA sabe de nossa posição crítica em relação ao Poder Judiciário brasileiro. Porém é bom que se diga que um juiz do Supremo atinge este ponto da carreira após muitos anos de estudo, de aprendizado, de aperfeoçoamento, dedicados exclusivamente à Justiça. Ao contrário, no Legislativo, nem sequer de estudo precisa o Parlamentar. Jamais seria injusto, imoral inclusive, querer que um deputado federal de primeiro mandato, sem nenhuma formação específica, ganhasse o mesmo salário de Juiz do STF.
Portanto, aceitável o congelamento de salários do Supremo apenas na hipótese de adequá-los à realidade do País, mas nunca para houvesse equiparação com os salários do Legislativo, que aliás melhor que pagasse pelo que deixam de fazer e pelos privilégios que desfrutam sem merecerem...

TOQUEDEPRIMA...

Produtores já jogaram 600 toneladas de batata no lixo
Agência Estado

A produção excedente que derrubou o preço da batata continua provocando desperdício do produto em Guarapuava, no interior do Paraná. Desde o começo do ano, os agricultores da região já jogaram fora 600 toneladas de batata. Só neste sábado foram despejadas mais oito toneladas no lixão da cidade, segundo informações do Jornal Nacional, da TV Globo.

Os produtores reduziram o preço do quilo da batata para menos de R$ 0,10, e nem assim conseguem vender o produto.

Queimar, jogar no lixo ou destruir parte da produção é uma ferramenta que já foi utilizada por produtores em outras épocas de desespero em razão de forte prejuízo. Apesar de politicamente incorreto, o procedimento segue lógica econômica: quando um produto é ofertado em excesso no mercado - e encontrado facilmente - ele tende a ficar mais barato.

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COMENTANDO A NOTICIA: Se tem uma coisa que há décadas é feita neste país, e contra a qual me indisponho, é esta mania de produtor, revoltado com os preços baixos de um determinado produto agropecuário, em protesto, jogá-los no lixo. Santo Deus, será que não seria possível doá-los para uma entidade de caridade, ou distribuí-los onde existe tanta miséria e gente literalmente passando fome ? Tal atitude é de uma total falta de humanidade, não se ganha nada com tal aberração !

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Serra quer que isenção de tributos conste do PAC

LINS (SP) - O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), anunciou em Lins, interior do estado, o lançamento de um movimento de prefeitos pela inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da isenção de tributos federais na área do saneamento. Serra disse que no âmbito do Brasil, o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) do setor somam R$ 1,3 bilhões anuais e defende a permanência desse valor nos governos dos estados e prefeituras para aplicação no saneamento.

Ele estima que, com essa dispensa de pagamento de imposto, o governo de São Paulo poderá aplicar 54% mais em medidas sanitárias. Serra esteve na cidade para assinar o novo contrato de prestação de serviços da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) com a administração municipal.

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Idoso era mantido sob escravidão em um chiqueiro no PR

CURITIBA - A Polícia Militar de Santo Antônio da Platina, no Norte do Paraná, libertou na manhã de quarta-feira Albertino Paulino da Silva, de 60 anos, que vivia dentro de um sítio sob condições desumanas dentro de um chiqueiro.

Silva foi levado para um hospital da região onde foi medicado, ele estava coberto de feridas, sujo devido às necessidades fisiológicas e com dezenas de bichos de pé.
Depois, foi encaminhado para um asilo de idosos na própria cidade. Segundo seu relato aos policiais, ele era mantido na casa havia sete anos e apanhava quando não tinha condições de trabalhar. O comandante do 1º batalhão da PM em Santo Antonio da Platina, Antonio Carlos de Moraes, disse que o casal Francisco Martins Neto e Terezinha de Fátima, "patrões" do idoso, responderá pelas acusações de maus-tratos, estelionato e trabalho forçado.

Martins Neto, porém, já está preso. Ele foi detido por porte ilegal de arma de uso permitido. Silva acusou o casal ainda de se apropriar de sua aposentadoria relativa a um salário mínimo. "Foram realizados dois empréstimos nos valores de R$1,7 mil e de R$ 350 para serem descontados da aposentadoria de Silva.

O casal alegou que o dinheiro serviu para comprar uma casa para ele, mas quem utiliza a casa são os familiares do casal", disse o comandante. "Todos ficamos chocados com a situação em que ele foi encontrado, mas agora passará por uma avaliação clínica e psicológica também", concluiu.

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COMENTANDO A NOTÍCIA: O que entristece é que este não é um caso isolado. Nos Estados do Mato Grosso e do Pará, campeões disparados de casos de trabalho escravo, toda a semana a imprensa noticia situações tão aviltantes quanto a do senhor Albertino. E o que é pior: ninguém vai preso. Pessoas que nosso país fossem pegas praticando tal crime, deveriam ir para cadeia de imediato e não ficarem soltas para repetirem a dose. Como sempre afirmamos, o Brasil a cada dia se afasta um pouco mais da civilização. Estamos perdendo a exata noção do respeito, da dignidade, da honra, do correto convívio social.

Crescimento baixo é assassinato em massa, diz Gerdau

Folha de S.Paulo
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Transformado em apóstolo do crescimento econômico e em principal estimulador do PAC, Jorge Gerdau Johannpeter dispara:
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“O crescimento médio de apenas 2,5% ao ano, nos últimos 20 anos, eqüivale a um assassinato em massa, de responsabilidade das elites políticas, empresariais, acadêmicas e sindicais”.
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Gerdau, 71, presidente e executivo-chefe da Gerdau S/A, uma das maiores exportadoras de aço do Brasil, fala em assassinato porque acredita que o baixo crescimento é a mãe da criminalidade que tomou conta do Brasil em 20 anos de medíocre desempenho econômico.
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Enquanto Lula debatia América Latina com o presidente mexicano Felipe Calderón, Gerdau era ouvido com reverência por colegas: “Foi preciso encher o saco do Lula para sair o PAC”.
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Aliás, é sintomático que Lula, em discurso que fez pela manhã aos empresários reunidos em Davos, tenha dito algo parecido ao que Gerdau dissera à Folha.
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Considerou que os investimentos previstos no PAC para habitação e saneamento deveriam dirigir-se prioritariamente às regiões metropolitanas, onde estão os “núcleos da violência”, como conseqüência da “desagregação da sociedade”.O PAC basta para brecá-lo? Claro que não, disse Gerdau, que acha que o plano envia um sinal importante de mudança de rumo.
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O empresário é um apóstolo de métodos de gestão. Ele vem fazendo insistentes sugestões ao presidente Lula com o objetivo de os verem aplicados.
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O primeiro deles foi na área da Previdência, não implementado até agora.Para Gerdau, o Brasil deveria adotar um certo PDCA, iniciais em inglês de planejar, fazer (o “d” é de “do”), checar e agir. Reclama que, “culturalmente, o Brasil não tem o hábito de checar”.
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Confunde, completa, a checagem com reclamação quando é apenas “apoio para fazer melhor”. Gerdau acha que Lula tem que assumir o “ce” de checar, sob pena de o PAC malograr na execução.
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É rigorosamente a mesma opinião de Alain Belda, marroquino naturalizado brasileiro e presidente da empresa norte-americana Alcoa.
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Belda diz que o debate macro-econômico já foi superado no Brasil e, que, agora, se trata da parte mais difícil, que é a micro-econômica. Esta exige “marcação homem a homem”, para superar os entraves políticos, corporativos e burocráticos.
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Só uma pessoa está em condições de exercer esse papel, acha o presidente da Alcoa. Chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Belda conta que trocou mensagens com Tarso Genro, coordenador político, para dizer-lhe que Lula, “se pegar o cacife político que tem e tocar a briga homem a homem, as coisas poderão funcionar”.

O PAC vai emplacar?

Editorial da Revista Istoé
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O pacote de Lula está aí. Em meio à pompa e circunstância, galhardamente chamado de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foi desembrulhado com promessas sonoras: mais de R$ 500 bilhões em investimento até 2010, economia crescendo à taxa de 4,5% a 5% ao ano, desoneração tributária. Um paraíso!
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Algumas más impressões acompanharam, de saída, o anúncio. A primeira delas: a de que o pacote nada mais é do que uma compilação de orçamentos e projetos passados. Para muitos, o PAC ainda padece de uma falha essencial: sua viabilidade está condicionada a vários agentes de fora da esfera do governo. Dito de outra maneira, esqueceram de combinar com o adversário. Empresários, por exemplo, terão de entrar com quase metade dos recursos previstos. Estados e municípios estão também convocados. Precisam topar mexidas nos impostos e no destino da arrecadação. É um sem-número de variáveis que levaram analistas a apontar que tudo não passa do surrado show midiático de Lula.
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Ninguém esqueceu quando em meados de 2003 o presidente prometeu um “espetáculo do crescimento” que não veio. Garantias de que o país vai seguir com PIB a 4% ou 5% aparecem e morrem todos os anos. Em 2006, ele não passou de mirrados 2,8%.
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Mas, é bom que se diga, o projeto de Lula, mesmo no campo das intenções, caminha na direção certa. É preciso sair de algum ponto e o PAC tenta dar esse pontapé inicial. Estão ali contemplados investimentos em energia, saneamento, habitação – a infra-estrutura em suas várias facetas. É um programa do Brasil e só o fato de o governo colocá-lo como prioritário mostra uma disposição diferente daquela verificada nos primeiros quatro anos de gestão, quando a ordem do dia era só segurar gastos, numa anemia de planejamento que empacou o país.
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Na esteira do PAC, nunca é demais alertar que as reformas tributária, previdenciária e trabalhista são molas fundamentais para promover o tal salto de crescimento. A demora no andamento dessas reformas pode, certamente, comprometer muito do que está previsto no PAC e é inaceitável para um Brasil que se pretende mais moderno.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Mesmo que, veladamente, a crítica da ISTO É se faz pertinente: sem as reformas básicas, e que Tarso Genro menosprezou e Lula dá de ombros, o país não sairá do lugar em que se encontra estagnado há vinte anos. O editorial até poderia ter sido mais incisivo, porém, sua simpatia para com o governo de Lula talvez tenha servido para exporem mais esperança do que convicção de que o PAC seja um programa além de necessário (e é), seja também coerente e coincidente com as necessidades do país.
A grande verdade é que Lula jogou fora tres fatores importantes, e que se realizados, poderiam ter dado um impulso colossal ao desenvolvimento do País. Vamos a eles: o primeiro, é que aceite ou não, encontrou o país arrumado, trabalho feito por FHC durante oito anos, e que serviu para dar estabilidades econômica e política. É bom lembrar que o Plano Real foi implantado a partir de Itamar Franco, quando FHC foi seu Ministro da Fazenda, e depois consolidou-se ao longo de oito anos de muitas reformas, e só não se avançou mais porque, na época, com o PT na oposição, se fez o possível e o impossível para travar o país.
Segundo aspecto, é que Lula assumiu o Brasil, em janeiro de 2003, cercado de enorme expectativa positiva. Poderia ter avançado aproveitando aquele momento, mas a teimosia de permanecer no palanque, aliada à falta de ousadia e de competência, de novo não se saiu do lugar.
Por fim, o período do primeiro mandato de Lula coincidiu com o melhor que a economia mundial experimentou nos últimos trinta anos. E muito desta bonança sorriu para nós, principalmente, os preços das commodities que contribuíram muito para os sucessivos superávits da balança comercial. Vivesse Lula o período anterior, seria de temer o destino do Brasil.
Portanto, apesar de Lula insistir em empurrar com a barriga o quanto pode as reformas que precisamos, por não querer pagar o preço político delas, ainda assim continuamos rezando para o PAC dar certo. Porém, é bom lembrar, que o gosto de café requentado permanecerá o tempo todo até que, de fato, Lula resolva dar uma chance para o Brasil: deixe de lado o palanque, o marketing, a preguiça, a incompetência, e faça aquilo para o qual se dispôs na campanha, trabalhar pelo crescimento virtuoso do país.

TOQUEDEPRIMA...

Mantega reage a críticas de Serra
Por Guilherme Barros, na Folha
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O ministro Guido Mantega (Fazenda) reagiu com indignação e ironia às críticas feitas anteontem pelo governador José Serra ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Mantega disse que Serra "ou não leu o plano ou então leu o plano errado". "O Serra deve estar achando que o PAC é o Brasil em Ação ou o Avança Brasil [planos do governo FHC], nos quais ele teve participação. Esses, sim, foram programas tímidos. O PAC não tem nada de tímido", disse.Serra considerou as medidas fracas e tímidas e disse que sozinhas não devem trazer expansão econômica para o país.Mantega respondeu ao ataque de Serra por telefone de Zurique, na Suíça, pouco antes de embarcar para Londres, onde terá encontro com Gordon Brown, ministro das Finanças britânico, e investidores.Mantega usou o mesmo tom de dureza de Serra ao defender o PAC. Ele afirmou que o governador paulista foi injusto e precipitado em suas críticas.Mantega afirmou que, na próxima semana, irá se encontrar pessoalmente com Serra para levar a lista de obras do governo federal previstas para São Paulo, inclusive do Rodoanel e do Ferroanel. Ele disse que já pediu para seus assessores prepararem esse levantamento.

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COMENTANDO A NOTÍCIA: Faltou a Mantega nesta “resposta", primeiro, humildade. A arrogância que empregou não faz o menor sentido, até porque Serra fez uma crítica no mesmo tom que tantos outros especialistas, economistas e jornalistas econômicas. Ocorre que sua resposta, como que encomendada ou mandada fazer, é porque Serra é uma oposição forte e um candidato, por enquanto com forte potencial à sucessão de Lula em 2010. Segundo, sua resposta é carregada de má-fé. E pela razão de que o Avança Brasil foi sim um programa mais abrangente e melhor estruturado em termos de infra-estrutura. As condições do País é que eram diferentes. A começar pelo apagão elétrico que se seguiu, de cuja crise, emergiu todo um projeto elétrico que o governo tivesse obedecido, poderíamos hoje não precisar viver sob a ameaça que nos ronda. Além disso, o mundo não gozava das excelência econômica que vive hoje, e que lamentavelmente, o Brasil com Mantega e Lula não soube e não está sabendo aproveitar. Tivesse um pouco mais de bom-senso, Mantega poderia ter aproveitado aquele programa para tirar boas lições, dando ao PAC uma melhor elaboração e consistência. E fosse o Avança Brasil tão tímido assim, o governo Lula não lhe teria aproveitado os projetos lá elaborados e que Lula no primeiro mandato danosamente interrompeu e que agora pretende retomar como se fossem seus. Para azar de Mantega, muitos não esqueceram do Avança Brasil e puderam comparar as virtudes de um e os defeitos do atual.

Para quem clonou tanta coisa do governo anterior, a resposta de Mantega até que faz sentido. Claro, dentro do espírito por Mantega empregado.


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Presidente da estatal boliviana de petróleo renuncia

O presidente da companhia estatal YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), Juan Carlos Ortiz, renunciou ao cargo na noite desta sexta-feira (26.01). Ele justificou sua decisão inesperada afirmando que há uma campanha contra ele e sua gestão. Ortiz disse ainda que suas visões gerenciais para a empresa não foram compreendidas pelo governo do presidente socialista Evo Morales.“Não aceito que meu nome seja usado por fontes ou pessoas que se escondem por trás do anonimato para iniciar uma campanha de ataque à minha gestão e à minha pessoa. Não estou acostumado e não vou tolerar isso”, justificou.
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O afastamento do dirigente acontece em um momento crucial para o país no setor, quando novos preços do gás e contratos são negociados com o Brasil e a Argentina. Ortiz havia anunciado horas antes a entrada em vigor, na próxima quinta-feira, de 44 contratos com dez empresas petroleiras.

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COMENTANDO A NOTÍCIA: Mais um que se vai por não tolerar cretinices. E isto que o cara era aliado fortíssimo do índio boliviano. Fiel mesmo à Morales só Lula e Chavez: um porque consegue enrolar o boliviano com muito facilidade, o outro, porque parece adorar chute no traseiro.

Como desacelerar o crescimento

Por J. R. Guzzo, revista EXAME

O segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está para começar desde as eleições de outubro passado, ainda não começou e promete começar agora com um Programa de Aceleração do Crescimento, apresenta, desde já, uma curiosidade: a decisão mais visível que tomou neste pré-começo foi, justamente, para desacelerar o crescimento. Quem pisou no freio foi a ministra Dilma Rousseff, ao suspender os editais que habilitariam empresas privadas para a tarefa de operar 2 600 quilômetros de rodovias federais. Em quatro anos, o governo não avançou nem 1 metro nesse processo; quando enfim ia avançar, parou. O argumento oficial é que a ministra quer a cobrança de um pedágio menor por parte das empresas -- algo que teve esses quatro anos para dizer, mas só resolveu dizer agora.

Por que será? Bondade com os usuários das rodovias certamente não é; se está tão preocupado assim com os gastos dos motoristas nos pedágios, por que o governo não reduz algum dos impostos que massacram os donos de automóveis e caminhões? Poderia começar pela Cide, por exemplo, taxa que incide sobre os combustíveis e deveria ser aplicada, justamente, nas rodovias. O que a ministra não quer, na verdade, é que a iniciativa privada cuide de rodovias. Não quer porque esse programa, iniciado no governo anterior, é um caso de sucesso indiscutível. Os quase 10 000 quilômetros de rodovias que hoje operam em sistema de concessão são, disparado, os melhores do país -- e sua comparação com o resto da malha viária é uma vergonha para o governo.

O que aflige o governo não é a situação miserável das estradas; é o cotejo entre sua inépcia na área e a eficácia da iniciativa particular. Já que não faz, então não deixa fazer.

Sem reforma, sem mais nada

por Dora Kramer, no Estadão

Francamente, não deu para entender a atitude do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro. Aproveitou que estava cercado de jornalistas para tomar a iniciativa de abordar “uma questão importante”: o caráter secundário, para o governo federal, das reformas política e tributária.
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Ora, mas não foi esse mesmo governo que passou quatro anos ressaltando a relevância e urgência das reformas? Não foi o presidente Luiz Inácio da Silva quem, 25 dias atrás, reafirmou compromisso com elas em seu discurso de posse no mandato renovado em outubro? Não foi Tarso Genro quem, na companhia de Marco Aurélio Garcia, defendeu em nome do governo, não faz nem seis meses, a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva para tratar da reforma política?
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É bem verdade que Lula considerava também outras reformas como essenciais, mas preferiu enterrá-las a ter de enfrentar sua “base social” mexendo na legislação trabalhista e nas regras da Previdência. Uma virou pó e a outra virou fórum, o que dá no mesmo.
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Agora, o ministro Genro se sai com essa, aparentemente para dar aos governadores insatisfeitos com o Programa de Aceleração do Crescimento um revide pela não adesão imediata às maravilhas curativas para vencer a doença da estagnação propostas ali.
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É difícil acreditar que tenha sido essa mesmo a intenção, inclusive porque outras razões possíveis são bem piores que a da picuinha de assembléia estudantil.Se a idéia é confrontar os governadores, terá tanta eficácia quando um outro plano anunciado com objetivo semelhante: a convocação dos 11 presidentes de partidos aliados para responder, com apoio.
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Querer comparar o poder de gente eleita, em alguns casos por milhões de votos, e no comando de orçamentos de bilhões com a força de presidentes de partidos de representação insignificante na sociedade seria uma temeridade, não fosse apenas uma inutilidade.
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Como tantas outras iniciativas inábeis, para dizer pouco, essa também tem o condão de deixar mal o próprio autor: quebra um compromisso que o governo mesmo assumiu; reforça a idéia de que o presidente diz uma coisa e faz outra; evidencia que a reforma política só serve como argumento para mudar de assunto quando estoura uma crise ou um escândalo; dá a nítida impressão de que, com o lançamento do PAC, o governo deu por encerrados os trabalhos aos 25 dias do primeiro mês do segundo mandato e pretende viver os próximos quatro anos da publicidade em torno do pacote.
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O ministro Genro deu um show de incoerência e carência de espírito público em suas declarações. Reduziu a importância das reformas ao mesmo tempo em que qualificou ambas como fundamentais para o país.
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Se são fundamentais e, mesmo assim, são dispensáveis do ponto de vista da governabilidade, quer dizer que o governo abre mão do que é essencial para preparar um futuro melhor para o Brasil porque não quer entrar em bola dividida nem aceita qualquer coisa diferente da concordância total em relação à sua peça publicitária chave do segundo mandato.
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Sinaliza incapacidade de arbitrar as divergências e conflitos de interesses e lança dúvidas sobre o que o presidente pretende fazer com a imensa maioria parlamentar montada no Congresso: ou não tem planos objetivos para ela ou tem projetos institucionais ainda inconfessáveis, para os quais precisará de muitos e fidelíssimos votos no Legislativo.
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Como as reformas da Previdência, da legislação trabalhista e da estrutura sindical já haviam sido oficialmente deixadas de lado, com essa agora de que o governo Lula dispensará alterações nos sistemas tributário e político-partidário-eleitoral fica decretado o fim - ou o adiamento para o sucessor - do ciclo de reformas. Passam a integrar a lista das inúmeras obras inacabadas que caracterizam a lógica da permanente solução de continuidade patrocinada pelos interesses do governante da ocasião.