sábado, junho 23, 2012

Crescimento de 2% não condiz com realidade, diz Fraga


Francisco Carlos de Assis, Beatriz Bulla e Bianca Ribeiro e Ricardo Leopoldo, 
Agência Estado 

Sobre o sistema de metas de inflação, Fraga afirmou que a estratégia permite algum grau de suavização da gestão do nível de atividade

São Paulo - O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, avaliou nesta terça-feira que uma taxa de crescimento de 2% não condiz com a realidade da economia brasileira e acredita estar ocorrendo uma visão muito pessimista em relação ao Brasil, especialmente da parte do investidor estrangeiro. Segundo ele, é um processo inverso ao que se viu quando a economia estava crescendo a 7,5%, como em 2010, em que a percepção em relação à economia brasileira era altamente positiva.

"Crescimento de 7,5% não era condizente com a economia brasileira como o de 2% também não é. Temos capacidade para crescer de 4% a 5%", afirmou o ex-presidente ao participar do seminário "Guardiões da Estabilidade", realizado pela Revista IstoÉ Dinheiro.

Ele disse que sempre conversou com investidores estrangeiros e que eles sempre foram mais otimistas com relação ao Brasil do que ele próprio. "Não é que seja pessimista, tanto que estou apostando a minha vida profissional aqui, mas acho que sempre houve exagero em relação ao Brasil", disse Fraga.

Sobre o sistema de metas de inflação, Fraga afirmou que a estratégia permite algum grau de suavização da gestão do nível de atividade, mas não elimina o ciclo econômico. Ele ponderou que esse regime é simples e fácil de entender e foi adotado no Brasil em 1999, quando ele era o dirigente máximo do BC, quase por critérios de exclusão. "Não queríamos o câmbio fixo nem achávamos que seria interessante a adoção de âncoras nominais (para a inflação)", destacou.

Para Fraga, o regime de câmbio flutuante se casa bem com o sistema de metas de inflação. Mas isso não significa que o BC não pode fazer intervenções no câmbio. "O Banco Central pode e deve atuar sobre o câmbio quando avaliar que é necessário", disse.

Ele comentou ainda que "em algum momento vamos ter que encarar a redução da meta de inflação de 4,5%" no Brasil, o que será um complemento importante para solidificar a estabilidade econômica. "Mas eu sugiro que esta mudança ocorra de forma gradual, de acordo com a oportunidade do momento", ressaltou.

A piada do atual crescimento baixo pode azedar o humor


Sergio Vale
Folha de S. Paulo

Seria hora de o governo aproveitar a popularidade da presidente e aprovar reformas efetivas para estimular o crescimento de longo prazo

Como esperado, os primeiros dados de maio e junho sinalizam uma franca deterioração da economia brasileira, obviamente atrelada ao cenário internacional.

Esses resultados são um prenúncio de um segundo trimestre que deverá terminar com crescimento ainda menor do que o do já fatídico primeiro trimestre.

Em outras palavras, para crescer parcos 2% neste ano, teríamos que crescer quase 2% na margem no terceiro e no quarto trimestres. Ou seja, já podemos entregar os pontos de que o crescimento não decola neste ano.

A razão é que o pior da crise europeia ainda não aconteceu e isso trava qualquer expectativa de investimento. E o setor bancário está arredio depois dos excessos ocorridos na farra dos automóveis dos últimos dois anos.

Logo estaremos falando de 1,5% como nova possibilidade de crescimento neste ano, e não descarto pensarmos em 1%. Portanto, nada do que o governo fizer agora ajudará muito. Deveria, isso sim, aproveitar o momento de intempérie mundial e aguardar o trabalho do BC de baixar a Selic nos próximos meses.

Não descarto vermos a Selic chegar a 7% ou 6,5% neste ano. É uma janela de oportunidade a favor do crescimento em 2013. Mas não sem tropeços no caminho.

Em janeiro, os EUA terão que decidir o que fazer do pacote fiscal aprovado em julho do ano passado. Se o mantiverem, ficará a dúvida sobre a capacidade americana de diminuir sua dívida; se reduzirem o pacote, podem trazer riscos para o crescimento.

Seria hora de o governo aproveitar a popularidade da presidente e aprovar reformas efetivas para estimular o crescimento de longo prazo. Como provavelmente não veremos isso, a piada do crescimento baixo em 2011 e 2012 infelizmente poderá ser humor negro mais à frente.

Brasil abre a primeira disputa comercial entre os Brics

Jamil Chade
O Estado de São Paulo

País acionou oficialmente a OMC nesta quinta-feira contra as barreiras estipuladas pela África do Sul contra as exportações de frango do País 

GENEBRA - Nem a aliança política entre países emergentes resiste à pressão protecionista. Nesta quinta-feira, 21, o Brasil acionou oficialmente a Organização Mundial do Comercio (OMC) contra as barreiras estipuladas pela África do Sul contra as exportações de frango do País. Essa é a primeira vez que o Itamaraty lança um processo contra outro país membro dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), bloco de países emergentes criados justamente para coordenar posições e fortalecer os interesses do grupo.

A constatação em Genebra é que a proliferação de medidas protecionistas pelo mundo já está criando tensões diplomáticas e levando mesmo parceiros a abrir disputas comerciais entre si.

No governo brasileiro, a ordem é despolitizar ao máximo o contencioso, insistindo que se trata de um "caso técnico" e na esperança de não contaminar as relações entre os dois países emergentes. Justamente no momento em que os ´países europeus e desenvolvidos mostram fragilidade, a orientação entre os Brics é de dar um sinal de coesão e estabilidade, aproveitando o momento de crise para ganhar capital político e influência no cenário internacional.

Mas a realidade é que o governo brasileiro lançará todas suas armas legais para frear o obstáculo às exportações do país.

A queixa se refere às medidas antidmping implementadas pela África do Sul, que atingem os exportadores de frango do Brasil com taxas que variam entre 6% e 60%. Mas o governo brasileiro e exportadores insistem que o imposto extra de importação cobrado é injusto e que não há motivos legais para que os sul-africanos tenham optado pela barreira.

"A avaliação é de que os prejuizos para as exportações brasileiras cheguem a US$ 70 milhões por ano", afirmou o embaixador do Brasil na OMC, Roberto Azevedo. O País é hoje o maior exportador de carne de frango do mundo e o setor privado nacional não esconde que a grande expansão na renda dos exportadores nos próximos anos virá justamente do crescimento do consumo nos países emergentes.

Na OMC, o Brasil irá demonstrar que não existe uma relação entre a entrada do produto nacional no mercado sul-africano e as eventuais perdas para os produtores locais. Também mostrará que não existe um dumping e que tudo não passa de um argumento para frear a entrada de produtos estrangeiros.

Hoje, o caso será entregue à secretaria da OMC, pedindo oficialmente a convocação de consultas bilaterais, o que seria o primeiro passo da disputa. Se um acordo não for encontrado em 60 dias, árbitros internacionais serão convocados para dar seu parecer no caso, um processo que pode se arrastar por meses.

Na OMC, o caso brasileiro não é o único qe chama a atenção. A entidade já alertou em relatorios que hoje 4% do comércio mundial já é afetado por barreiras criadas apenas desde 2008, quando a crise mundial eclodiu. Países emergentes, entre eles Brasil, Africa do Sul e China, tem sido indicado como líderes na adoção de medidas.

Nem mesmo a sólida coordenação política entre os Brics sobreviveu à guerra comercial. Não por acaso, advogados em Genebra já admitem que a OMC poderá se inundada por novas disputas legais, diante da manutenção de barreiras por países e exportadores exigindo uma ação de seus governos. O próprio Brasil poderá ampliar a guerra comercial contra os sul-africanos, abrindo nos próximos meses também uma queixa contra as barreiras impostas no comércio de carne suína.

Nesta semana, a União Europeia também se queixa na OMC contra as barreiras impostas pela Argentina ao comércio, ainda que não seja ainda um processo nos tribunais da entidade.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Gente muito esquisita esta do governo Dilma. De um lado, reclama do protecionismo sul africano na questão da carne de frango, no entanto, permite que a Argentina pratique todo o tipo de desrespeito às regras do jogo, sejam elas no âmbito da OMC ou até mesmo do Mercosul.   

E se a patetice fosse pouca, ainda infla a carga incidente sobre importações de maneira abusiva, para defender a indústria nacional, esquecendo que, o que empobrece as indústrias brasileiras, não é a concorrência com o importado e, sim, o enorme Custo Brasil que elas precisam suportar.   

Este governo precisa parar de viver no mundo da fantasia, e se dar conta de seus erros e falta de ação. 

A desvalorização cambial se refletiu na rentabilidade


O Estado de S.Paulo

Com a desvalorização do real em relação ao dólar, era de prever uma melhoria da rentabilidade dos exportadores, embora isso dependa da conjunção de vários outros fatores. A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) calcula que, no primeiro quadrimestre, a rentabilidade dos exportadores, nos 24 setores analisados, cresceu em média 5,2%. Não é nada desprezível, mas, levando em conta que o real se desvalorizou mais em maio e junho, é de crer que a rentabilidade melhorou ainda mais.

Essa rentabilidade dos exportadores varia conforme os setores, pois depende da evolução dos custos e do volume exportado, além da taxa cambial. Esta, no período entre janeiro e abril, teve, para todos os exportadores, uma desvalorização de 8,6%, que lhes permitiu, em geral, oferecer produtos brasileiros a um preço menor.

Mas os preços de alguns produtos são, na verdade, fixados no exterior, por exemplo, nas bolsas de mercadorias, como é o caso de um modo geral das commodities, do petróleo e dos minerais metálicos. No período analisado, o preço do petróleo aumentou bastante (depois de abril, ao contrário, baixou), enquanto o preço dos minérios baixou, em virtude de uma queda da demanda.

Outros produtos que não dependem de cotações internacionais ostentam preços que seguem a curva da demanda, de um lado, e da conjuntura internacional, de outro. A elevação, em janeiro, do salário mínimo atingiu todas as atividades internas, mas, de um modo geral, a alta de custos, no período, ficou numa média de 3%, com um mínimo de 1% (nos produtos têxteis) e um máximo de 5,9% (nos derivados do petróleo em razão da alta da matéria-prima).

Há que observar que essa elevação reflete essencialmente o efeito do salário mínimo, e nos próximos meses poderá refletir outros aumentos salariais, além de transferir aos preços custos importados.

O que nos parece é que até agora tem sido a redução da demanda o que conteve os preços, e não há segurança de que seja um fator duradouro. Pode-se considerar que a atual relação cambial deverá ser mantida, sem menosprezar uma eventual valorização.

A melhora da rentabilidade dos exportadores deverá decorrer, pois, de um aumento da eficiência da indústria de transformação, que, além de investimentos, demanda grande melhoria da infraestrutura oferecida pelo setor público, isto é, do sucesso do que o governo anuncia.

Para Armínio Fraga, Brasil está numa encruzilhada


Exame.com
Com informações Agência Estado

Mesmo com boas perspectivas de crescimento no futuro, o ex-presidente do BC diz que o País registra níveis baixos de investimento, sobretudo público, e o nível de escolaridade precisa melhorar

Oscar Cabral/Veja
Fraga: 
"No ano passado tivemos a chance de reduzir, 
no momento em que a inflação estava mais baixa"

São Paulo - O ex-presidente do BC Armínio Fraga afirmou que o Brasil "está numa encruzilhada", pois tem boas perspectivas de crescimento no futuro, mas possui um sistema de governo forte, registra níveis baixos de investimento, sobretudo público, e o nível de escolaridade precisa melhorar. "Esse modelo de capitalismo de Estado não dá certo", comentou durante palestra em São Paulo. "É preciso um modelo mais pró-mercado, menos pró-empresa, com burocracia menor, mais eficiência e juros mais baixos para todos os empresários", disse. Ele reiterou que seria positivo que as taxas de juros mais baixas cobradas pelo BNDES fossem disseminadas por toda a sociedade, não ficando restritas a um segmento pequeno de empresários.

Armínio Fraga também destacou que para que a taxa Selic caia no Brasil seria fundamental um maior esforço do governo para conter os gastos públicos. "A atuação do Banco Central tem limite. É como se fosse um pescador que tem uma vara e não pode pegar todo peixe. É preciso outros instrumentos", afirmou, num alusão clara a colaboração do esforço fiscal do Estado para reduzir o nível de aquecimento da demanda agregada.

O ex-presidente do BC ressaltou, contudo, que o Brasil tem um cenário positivo à frente e isso pode estar evidenciado pelas posições da presidente Dilma Roussef, que defende um Estado mais produtivo e a meritocracia. "Ela defendeu esse ponto num dos seus primeiros discursos", lembrou. Contudo, ele manifestou-se contrário à cobrança pelo governo do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na Bolsa de valores e nas operações de derivativos. Fraga é é presidente do Conselho de Administração da BM&F Bovespa. O ex-presidente do BC se mostrou particularmente preocupado com o baixo nível de investimentos no País, que está bem aquém do registrado por Indonésia, Índia e China.

Fraga também criticou o fato de que o governo, especialmente através de bancos públicos, estimula o nível de atividade no País, enquanto utiliza o BC para contê-lo. "É uma política esquisita, pois um pé está no acelerador e outro no freio", disse. Ele reiterou que seria oportuno que a meta de inflação no País baixasse nos próximos anos e ficasse no mesmo patamar de outros emergentes, como Chile e México.

MP pede intervenção judicial e afastamento da diretoria da Bancoop


Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo

Promotora diz que cooperativa vive 'situação de autofagia'; defesa alega intenção 'político-eleitoral'

SÃO PAULO - Em ação de 118 páginas, o Ministério Público Estadual requereu, liminarmente, a intervenção judicial na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), com o afastamento do presidente e de duas diretoras e a indisponibilidade de seus bens – os que bastarem para efetivar a liquidação das obrigações da entidade. A promotora de Justiça do Consumidor, Karyna Mori, pediu, ainda, decretação do sigilo dos autos.

"Esgotou-se a expectativa de que os srs. administradores observassem seus deveres e regularizassem eventuais desmandos", adverte a promotora, apontando diretamente para os principais quadros da Bancoop.

A Bancoop foi criada nos anos 90 por um núcleo do PT ligado aos bancários. São citados na ação Wagner de Castro, diretor-presidente da cooperativa, presidente dos Sindicatos dos Bancários do ABC e de São Paulo, e, segundo a ação "militante do PT de Santo André, inclusive, coordenador de campanha local”; Ana Maria Ernica, diretora financeira desde 2005, e Ivone Maria da Silva, diretora técnica, diretora do Sindicato dos Bancários, “militante petista, diretora da Concaf (Confederação Sindical do Ramo Financeiro, ligada à CUT), que inclusive consta como doadora da campanha de Ricardo Berzoini, ex-diretor da Bancoop e deputado federal”.

"A atual diretoria da Bancoop é intimamente ligada ao Sindicato dos Bancários e a seus antecessores, João Vaccari (denunciado por lavagem de dinheiro) e Berzoini, entre outros”, destaca a ação, distribuída para a 4.ª Vara Cível da Capital. “Inegável a estreita ligação dessa diretoria com os antecessores denunciados criminalmente, e ainda, a continuidade das práticas achacantes para cobrir os rombos verificados até o momento."

A promotora Karyna Mori argumenta sobre a "necessidade de urgente intervenção para conferir prumo à Bancoop e cessarem a litigância e as lesões aos consumidores". "O dever de boa administração recrudesce, sobretudo, porque a Bancoop surgiu da iniciativa do próprio sindicato de classe (bancários), entidade destinada à defesa dos interesses de seus membros", afirma a promotora. "A confiança surge da própria idoneidade da primeira (sindicato), que avalizou a segunda (Bancoop), com rotatividade entre os diretores de uma e de outra."

A ação segue os termos de deliberação do Conselho Superior do Ministério Público que, em 2011, votou medida para fins de intervenção na Bancoop. A promotora adverte que a Bancoop vive "situação de autofagia". Ela aponta "gestão temerária que vem incorrendo em multas cominatórias, penalidades por litigância de má-fé, acréscimos, multas por inadimplemento da execução e honorários advocatícios diversos, prejuízo todo que não recai sobre a diretoria, mas sobre o patrimônio que ainda resta da entidade, em prejuízo dos cooperados".

A promotora Karyna Mori acusa a Bancoop de "perpetuar graves irregularidades". Assinala que está configurada a hipótese do fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação e denuncia que os dirigentes "vêm agindo com questionável má-fé, nomeando à penhora imóveis afetos a seccionais, cujos adquirentes não possuem escrituras e, portanto, nenhuma garantia real de seu patrimônio".

Defesa. 
O advogado da Bancoop, Pedro Serrano, reagiu com veemência à acusação do Ministério Público. "A demora entre a decisão do Conselho Superior do MP, de agosto de 2011, e a propositura da ação demonstram intenção político-eleitoral", rechaçou. "Por que o Ministério Público demorou tanto tempo para ajuizar a ação? A promotoria pede concessão de liminar, mas se pretende decisão tão rápida da Justiça por que demorou quase um ano para propor a ação?"

Pedro Serrano entregou petição à 4ª Vara, "levando ao conhecimento do juiz essa situação". O advogado é taxativo. "O mais adequado seria que a liminar não fosse concedida, para dar tempo ao debate e à defesa. A demora (do Ministério Público) revela desejo inconfessável de levar essa questão para as próximas eleições, dando caráter político à demanda e não o caráter jurídico que deve ter." Pedro Serrano anota que o Ministério Público "já havia apresentado uma ação com mesmo objetivo, com pedido de extinção da cooperativa". "Na ocasião, foi firmado um acordo com o MP, considerado legal pelo Tribunal de Justiça. O MP está tentando reiniciar algo que já existe, ofende a regra do processo civil, viola coisa julgada. É um erro formal grave."

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quando será que o país (e as vítimas do golpe) poderão ver a cambada toda condenada e presa?  Acreditem, fosse o Bancoop pertencente e dirigido por gente da oposição, o processo já teria tido seu final há muito tempo. 

Engraçado é o advogado Pedro Serrano, alegar com a maior cara de pau que a demora entre a decisão do Conselho Superior do MP e a propositura da ação "...tem intenção político-eleitoral...". Convenhamos, senhor Serrano, houvesse um mínimo de "má intenção" como vossa esperteza insinua, e este processo já teria sido encerrado lá por 2010, ou antes ainda, e os réus já estariam julgados, condenados e presos, cumprindo pena em algum dos presídios caindo aos pedaços e administrados pelo governo. Tome decência,  seu moço!!!

Lula, Maluf, Vargas


José Roberto de Toledo
Estadão


Na Rio+20, Lula não passou recibo da avalanche de críticas. Fez piada da foto com Paulo Maluf, dizendo que seu retrato com Dilma Rousseff seria “ambientalmente correto”. Sobre a aliança com o antigo adversário, saiu-se com uma meta-referência: “Pior seria se não houvesse repercussão”. É a versão ambientalmente correta do “falem mal mas falem de mim”, que notabilizou o jeito malufista de ser.

Se o mais importante é vencer, Lula tem razão. Como disse Fernando Henrique Cardoso, também na Rio+20, “(a foto) só terá impacto eleitoral se a oposição usar. Mas nem todos podem usar”. José Serra (PSDB) tem lá seus aliados incômodos, a exemplo do PR de Valdemar Costa Neto. A missão de criticar sobra para as linhas auxiliares tucanas, mas seu tempo de TV é escasso -pela falta de alianças com outros partidos.

Lula, pelo dito, não se arrepende de ter imposto a aliança com Maluf. Nem mesmo de ter posado para os fotógrafos na casa do ex-inimigo. Afinal, pelo raciocínio do ex-presidente, o único problema de seu candidato a prefeito paulistano, Fernando Haddad, é o desconhecimento. Logo, um episódio que rende manchetes mais ajuda do que atrapalha, pois puxa o pupilo do anonimato para a ribalta -não importa em que papel.

Se Haddad ganhar a eleição, Lula corre o risco de ser chamado de gênio -maquiavélico, mas gênio-, por ter arquitetado e implementado uma estratégia criticada por todos. Como aconteceu com Getúlio Vargas, vai ter quem diga “esse pernambucano é mineiro”. Se Haddad perder, a derrota será compartilhada. É o clássico “eu ganho, nós perdemos”.

A eleição de outro neófito pinçado por Lula seria a confirmação de sua doutrina: prévias partidárias são uma bobagem; a coerência política que importa é ganhar sempre; o aliado faz a hora e vice-versa. Seja qual for o resultado da eleição, Lula marcha para o caudilhismo getulista, e o PT, obediente, evoca cada vez mais o antigo PTB. Não existe vitória grátis.

Lula malufou para Maluf lular


José Nêumanne
O Estado de São Paulo

Há nos afagos entre o ex-governador Paulo Maluf (PP-SP) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), sob os olhares embevecidos de Fernando Haddad, mais filustria do que possa perceber nossa vã filosofia. Mas, por incrível que pareça, há também muita sintonia. Ou, como reza o título do romance famoso de Goethe, Afinidades eletivas. Como? - perguntará o leigo desabituado aos vaivéns da política, que o ex-governador de Minas e banqueiro Magalhães Pinto comparava com a mutação das imagens formadas pelas nuvens no céu. Ele mesmo comprovou sua metáfora fundando o PP com seu principal adversário mineiro, Tancredo Neves - um, ex-UDN, outro, ex-PSD -, aparentemente inconciliáveis. Os mais ingênuos dirão que não há traços ideológicos comuns entre o PT de Lula e o PP atual, que conta entre seus mais fortes dirigentes com um sobrinho do presidente que foi sem nunca ter sido, como a Viúva Porcina, Francisco Dornelles, também aparentado do caudilho gaúcho Getúlio Dornelles Vargas. Ora, ora, mas quem está interessado em ideias? Na política contemporânea contam cargos na máquina administrativa pública e segundos no horário da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. O PP ficou com um cargo; o PT, com mais 95 segundos para vender seu peixe fora d'água ao eleitorado escaldado, como sempre o foi o paulistano.

Maluf nunca deixou de ser o que dele dizia Lula nos tempos em que encarnava o furibundo João Ferrador, personagem das greves do ABC lideradas por ele nos jornais dos metalúrgicos nos anos 70 e 80 do século 20: um "filhote da ditadura". Prefeito nomeado pelos militares para administrar a maior cidade do País, o ricaço descendente de libaneses ganhou de seus admiradores a imagem do realizador, tocador de obras. O símbolo desse gestor que faz mais é o horrendo Minhocão, sem o qual hoje o trânsito paulistano não fluiria. Seus detratores, entre os quais os petistas que estão no poder federal e os tucanos que governam o maior Estado da Federação, o rotularam como símbolo da malversação do ensebado dinheiro do Zé Mané, que paga impostos e quase nada recebe em troca do Estado. Essa moeda de duas faces, não necessariamente excludentes nem sequer opostas, poderia ter a inscrição "rouba, mas faz" do velho Adhemar.

Mas Lula está longe de ser o demônio execrado pelos malufistas de antanho como um perigoso inimigo do mercado e da democracia, um sindicalista subversivo que liderava grevistas furiosos no ABC e se deixou, depois, politizar por antigos guerrilheiros que queriam mudar o sinal de uma ditadura de direita por outra de esquerda. Mais longe ainda está o PT, que o sindicalista fundou, de sua imagem original de partido ideológico comprometido com a mudança de "tudo o que está aí". Atolado até o pescoço num pântano de corrupção e desmandos em administrações municipais, estaduais e federal, o partido se deixou levar pelo canto da sereia da conciliação de seu principal líder e ocupou o bote salva-vidas ao lado de Jader Barbalho, Severino Cavalcanti e... Maluf.

Para sobreviver no campo minado da política partidária brasileira, Lula trocou os piquetes do ABC pelo toma lá dá cá franciscano, superando os aliados que combateu antes de cingir a faixa presidencial. Para tanto adotou, sem pejo, a retórica dos cultores da velha realpolitik tupiniquim. Nisso o milionário da madeireira foi um mestre valioso para o aplicado estudante egresso do miserável semiárido nordestino. Se não o superou em cinismo, tarefa reconhecidamente hercúlea, cultiva a caradura com eficiência ainda maior. Pilhado em algum passo em falso, aplica fintas que nem Mané Garrincha foi capaz de incluir em seu amplo repertório. E com muito mais credibilidade do que as tentativas de drible que seu mais recente aliado tem repetido para tirar o pé das armadilhas dos repórteres maledicentes e dos promotores incansáveis que vasculham as contabilidades de suas gestões. O dono do PP já foi muitas vezes alcançado pelos braços longos da lei, mas nessas ocasiões, até agora, escapou desse abraço escorregando como bagre ensaboado para o amplo território da impunidade do país da Justiça lerda e vesga. O senhor do PT lança mão de súditos que assumiram bandalheiras que chegaram pertinho de seu gabinete palaciano e se tem saído com habilidade de invejar Arsène Lupin, protagonista de populares folhetins policiais. Posto diante das evidências de que, no mínimo, não ignorava o que faziam seus auxiliares na fraude dita "mensalão", saiu-se com a patacoada tornada dogma de fé de que tudo não passara de "intriga da oposição".

É notório - e não deixa de ser ridículo - o truque chinfrim de marketing de Maluf de se apropriar de quase tudo o que pareça plausível de ter sido obra dele desde a posse de Tomé de Souza como governador-geral. Lula foi adiante em esperteza e criatividade ao criar o próprio slogan, "nunca antes na história deste país". Maluf sabia que nunca precisaria comprovar afirmações duvidosas. Lula construiu o próprio mito de forma a nem sequer ser questionado a respeito.

Maluf foi beneficiário do arbítrio. E Lula tornou-se dirigente sindical atendendo ao anseio de parte dos militares que topavam tudo para impedir a influência de Leonel Brizola, herdeiro presuntivo do inimigo número um das casernas, Getúlio Vargas, no aparelho sindicalista que o caudilho de São Borja forjou. Com as greves, o esperto sobrevivente da pobreza do semiárido passou a simbolizar o ideal do povo brasileiro cultivado pela esquerda que ganharia nas urnas a guerra perdida na tentativa de tomar o poder com as armas. Maluf foi escorraçado dos palácios e virou uma aposta perdida de volta da direita ao topo.

Neste ambiente em que governabilidade justifica barganha e pouca vergonha se confunde com pragmatismo, Lula malufou para Maluf lular, enfurecendo os tucanos que perderam a chance de preceder o PT no afã.

Como quem rouba


Dora Kramer 
O Estado de S.Paulo

Rápido como quem rouba, é expressão usada para definir a celeridade de atos em geral finórios.

Com todo respeito que o ato não merece, nessa categoria se enquadra a decisão de comissão especial da Câmara dos Deputados que transfere da Presidência da República ao Congresso o poder de fixar o teto salarial do funcionalismo público, e vincula os proventos dos parlamentares aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Isso no espaço de meia hora, na semana de suspensão de atividades no Parlamento - entre as quais a CPI do Cachoeira - em função da conferência Rio+20, no momento em que o País olhava a foto de Lula reverenciando Maluf nos jardins na Rua Costa Rica enquanto o anfitrião afaga paternalmente os recém-repaginados cabelos de Fernando Haddad.

Reportagem precisa e detalhada de Denise Madueño publicada ontem no Estado mostra que, na prática, tal decisão anula as duas reformas administrativas feitas pelos governos Fernando Henrique e Lula nas esferas federal, estadual e municipal.

O Poder Executivo perde a prerrogativa de cortar valores acima do teto (hoje em R$ 26.723,13) e o Legislativo passa a dar a regra sem o desconforto de sanção ou veto por parte de quem administra o Orçamento.

Ficam livres o Congresso Nacional, as assembleias legislativas e as câmaras municipais para autorizar o acúmulo de vantagens (salários adicionais e aposentadorias, por exemplo) como bem lhes aprouver.

À exceção de quem paga a conta, saem ganhando todos os que labutam pela volta do império dos marajás. Ao Congresso, por exemplo, bastará fixar um teto "delta x" aos salários do Supremo para que tenha automaticamente assegurado o próprio reajuste sem a necessidade da desgastante discussão a respeito.

Agora mesmo tramita na Câmara projeto de aumento dos salários dos magistrados para R$ 32.147,90 com efeito retroativo a janeiro de 2012. Ou seja, aprovando a vinculação de vencimentos, suas excelências pegam o mesmo bonde.

Um escândalo que só não é mais escandaloso porque dificilmente uma coisa dessa passa por duas votações em plenário da Câmara e outras duas no Senado, em função da reação que provocará.

Sobrará apenas mais um desgaste imenso que poderia ser evitado se o Poder Legislativo, ou parte dele, não vivesse completamente apartado da sociedade, voltado para suas mesquinhas, minúsculas, degradantes e inúteis espertezas.

Só empurrando. Apesar de toda a repercussão negativa da recusa da CPI em convocar Fernando Cavendish, o PMDB continua decidido a votar contra.

Principalmente se o PT resolver o mesmo. Mas, se os petistas mudarem e convocarem, os pemedebistas não carregarão sozinhos esse andor.

Falatório.
Diante da foto mais famosa do Brasil vem à mente frase de Lula sobre os vídeos do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, assessores e parlamentares recebendo maços de dinheiro de investigados pela polícia por corrupção.

"As imagens não falam por si", disse ele em dezembro de 2009.

O problema é que falam e falam alto.

Como falaram as imagens da dinheirama apreendida na empresa de Roseana Sarney em 2002, de Waldomiro Diniz e Carlos Cachoeira em 2004, dos dólares na cueca de dirigente petista em 2005, do funcionário dos Correios recebendo propina no mesmo ano, do pacote de R$ 1,9 milhão pego na posse dos "aloprados" em 2006.

Ah, bom. 
Ainda a propósito da aliança, passou batida uma declaração do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho: "Houve uma troca (de cargos), como tem havido em qualquer negociação. Não houve dinheiro".

Não lhe tendo sido perguntado se houve e como se fosse admissível pensar que tivesse havido, Carvalho aventou hipótese com jeito de ato falho.

O corretor partidário


Sebastião Ventura Pereira Da Paixão Jr
Correio Braziliense

Ainda carecemos de partidos fortes e representativos.

O modelo democrático brasileiro está em vias de exaustão. Isso não significa que a democracia nacional está em risco; apenas se está a dizer que a primeira fase da redemocratização chegou a seu limite, exigindo um movimento de transposição. Com a retomada constitucional de 1988, tivemos três eventos políticos marcantes: a) o impeachment de Collor, b) o sucesso do Plano Real e c) a eleição de Lula.

Essa trinca de acontecimentos selou em definitivo e de forma irreversível o estabelecimento da democracia de forma institucionalizada no Brasil. No entanto, é preciso seguir adiante; mais do que instituições formais, precisamos da eficácia de políticas materiais efetivas.

O quadro político nacional, após a dicotomia forçada de MDB-Arena, tem, agora, uma nova expressão de bipartidarismo, encabeçada por PSDB e PT. Sem cortinas, as semelhanças partidárias são muito mais evidentes do que as diferenças. Afinal, ambos os partidos pregam uma social-democracia de instrumental semelhante; é claro que existem diferenças pontuais: uma é mais estatizante, enquanto a outra mais liberal. No quesito do aparelhamento do Estado, um é mais ganancioso e o outro, um pouco mais comedido.

Nesse contexto de permanência desgarrada no poder, o PMDB abandonou os velhos estandartes de oposição e se transformou em uma massa amorfa de fisiologismo desbragado. O PDT definha, ressentindo-se da falta de Brizola e da ausência de um plano de sucessão de liderança. O caso Demóstenes parece ser o enterro do DEM. PV e PSol estão em formação, enquanto existem partidos outros, tais como o PP, de alta representatividade regional, mas sem maior expressão no plano nacional.
A nova peça do tabuleiro parece ser a política cerebral de Kassab. Todavia, embora altamente eficaz no aspecto da engenharia partidária, o incipiente líder paulista pecou por apresentar um discurso apático e sem coesão; disse não ser de esquerda nem direita; resta saber o que é então, pois, na ânsia de querer ser tudo, corre o risco de virar um nada. Esse tipo de pronunciamento genérico pode ser útil na formação de aliados e coligações, mas a liderança política de envergadura pressupõe a assunção de bandeiras claras e a exposição firme de ideias que, como dizia o bom e velho Silveira Martins, não são metais que se fundem.

Após mais de 20 anos de vida democrática, podemos dizer que o Brasil consolidou instituições nacionais que, bem ou mal, funcionam. No entanto, no aspecto político, ainda nos falta muita coisa; principalmente, ainda carecemos de partidos fortes e representativos. O que temos aí são meros ajuntamentos pessoais de muito interesse individual e de pouca visão coletiva. Não é um projeto de nação; apenas ambições egocêntricas. Aqui reside o nó da democracia brasileira: temos muitas legendas, mas nos faltam autênticos partidos. E sem a fortaleza dos partidos, a política fica à mercê de grupelhos de ocasião, cujo foco é a satisfação do próprio umbigo.

Com essa estrutura partidária confusa e desencontrada, é ilusão aguardar dias melhores. A dignidade política de uma nação é diretamente proporcional à estatura cívica dos partidos. Por assim o ser, não há política alta com partidos baixos. E a baixeza é audaz e numerosa; recentemente, foi anunciada a criação do trigésimo partido nacional. Será, no entanto, que temos 30 políticos dignos? Eu, sinceramente, não sei, mas confesso que queria saber. Por certo, algum douto estará atento e saberá responder.

Dizem por aí, inclusive, que conhecido empresário de codinome Cachoeira queria “comprar” um partido; não fechou o “negócio” porque não acertou o “preço” com o vendedor… Em breve, não é de duvidar que teremos uma nova profissão no Brasil: o corretor partidário. Resta definir qual será o valor da comissão de intermediação. Aliás, será que partido honesto valerá mais que partido corrupto? Ou será que honestidade virou artigo de museu a ser paga com mil réis?

O juiz da Monte Carlo e a esculhambação estatal


Josias de Souza


Se o Brasil fizesse sentido, aproveitaria as oportunidades abertas com as operações Vegas e Monte Carlo para golpear um tentáculo do crime organizado. Como o país nem sempre faz nexo, o Estado brasileiro vai se tornando a oportunidade que o crime aproveita para organizar-se.

O caso do juiz Paulo Augusto Moreira Lima dá ideia do estágio em que se encontra a esculhambação. Era responsável pelo processo que arrancou da sombra Carlinhos Cachoeira e seu bando. Súbito, foi transferido para outra freguesia.

O repórter Felipe Recondo trouxe à luz as razões da transferência. Estão expressas numa carta do magistrado à Corregedoria e à presidência do TRF-1. No texto, o doutor Moreira Lima pede para ser retirado do caso Cachoeira. Por quê? “Por não haver condições adequadas de segurança.”

Conta, por exemplo, o seguinte: “Minha família, em sua própria residência, foi procurada por policiais que gostariam de conversar a respeito do processo atinente a Operação Monte Carlo, em nítida ameaça velada, visto que mostraram que sabem quem são meus familiares e onde moram.”

A Monte Carlo produziu 79 réus, dos quais 35 são policiais (federais, civis e militares). O doutor ordenou o afastamento de todos eles de suas funções. Algo que faz da visita dos policiais à sua residência um caso de polícia.

Instado a comentar a situação de Moreira Lima, o presidente do STF, Carlos Ayres Britto,declarou: “Não se pode ameaçar do ponto de vista da integridade física nem moral e psicológica nenhum julgador e sua família.”

De fato, “não se pode”. Porém, as ameaças não só existem como, às vezes, teimam em se concretizar. Prova-o o recente assassinato da juíza Patricia Acioli, no Rio. “São crônicas de mortes anunciadas”, disse o senador Pedro Taques (PDT-MT), evocando, da tribuna do Senado, o clássico de García Márquez.

Taques contou que a procuradora da República Léa Batista, outra servidora pública que atua na repressão à quadrilha de Cachoeira, também recebeu uma ameaça velada. Chegou-lhe na forma de um e-mail. Comunicou o ocorrido à Procuradoria-Geral da República.

Em meio a esse cenário envenenado, o desembargador Tourinho Neto, do TRF-1, permite-se, segundo Taques, fazer graça. Num de seus despachos, contou o senador, Tourinho ameaçou aceitar pedido de suspeição formulado pelos réus da Monte Carlo contra o doutor Moreira Lima.

“Em tom de deboche, Tourinho Neto disse que o juiz estava próximo de pular o corguinho”, Taques relatou. “Alguns desembargadores vivem na ilha da fantasia dos seus gabinetes, acreditando que o crime organizado não existe. Enquanto isso, os canalhas estão a solapar os princípios fundamentais da República.”

Como se vê, o Brasil precisa começar a fazer sentido. Sob pena de pular o corguinho da esculhambação e tornar a organização do crime irreversível.

Peluso defende esvaziamento do poder de investigação do MP


Laryssa Borges
Veja online

STF começou a analisar recurso em que ex-prefeito contesta investigação feita pelo Ministério Público. Caso será retomado na próxima semana

 (Celso Junior/AE e Alan Marques/Folhapress ) 
Bem Devagar: 
Indicado por Lula, amigo da família do ex-presidente e próximo aos petistas, 
o ministro Ricardo Lewandowski está no centro de várias celeumas envolvendo
o julgamento do mensalão. Na semana passada, o ministro Cezar Peluso mandou 
liberar cópias do processo para não atrasar ainda mais o desfecho do caso

O ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu hoje a tese de que o Ministério Público não tem amplos poderes para atuar em investigações criminais. Para o magistrado, as autoridades policiais tem competência exclusiva para conduzir os inquéritos, cabendo ao MP atuar apenas em “casos excepcionais”.

O entendimento de Peluso foi recebido com cautela pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que disse que, se a tese do ministro for confirmada pelo Plenário, as condenações feitas a partir de inquéritos com participação do MP poderão ser analisadas caso a caso. O STF começou a julgar o caso específico do ex-prefeito do município mineiro de Ipanema, Jairo de Souza Coelho, acusado de crime de responsabilidade. Ele foi investigado pelo MP por não ter cumprido uma decisão judicial de pagar precatórios em 2006.

“A Constituição da República não conferiu ao Ministério Público a função de apuração preliminar de infrações penais, de modo que seria fraudá-las todas extrair a fórceps essa interpretação”, disse Peluso em seu voto. 

Para ele, a atuação do Ministério Público nas investigações não pode ser regra e só estaria autorizada nos casos em que as apurações envolverem indícios de crime praticado por membros do MP, agentes policiais ou na hipótese de a polícia ter sido omissa e não ter levado adiante um inquérito. Em todas as situações, defendeu Peluso, a participação do Ministério Público deve ocorrer sempre com supervisão do Poder Judiciário e se deve dar amplo acesso aos autos. O ministro Ricardo Lewandowski também entendeu válidas essas restrições ao poder de investigação do MP. O julgamento foi adiado para a próxima semana.

“(A investigação por parte do MP) Seria uma fraude escancarada à Constituição da República. Não existe no ordenamento constitucional norma expressa que permita ao Ministério Público realizar investigação ou instrução preliminar ou preparatória da ação penal”, opinou Cezar Peluso em seu voto.

O artigo 129 da Constituição Federal estabelece que as funções do MP são promover ações penais, inquéritos civis e ações civis públicas e zelar pelo respeito aos poderes públicos e serviços. Cabe também ao Ministério Público exercer o controle externo da atividade policial e requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial.

Ministério Público – 
Ao defender o direito de o MP atuar em investigações criminais, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse durante sessão plenária do Supremo que não pretende garantir monopólio à instituição ou deixar de lado as autoridades policiais no processo de apuração. “O Ministério Público não postula exercer o poder de investigar de forma ampla e irrestrita, sem qualquer controle”, afirmou.

Conforme o procurador-geral, dados da Controladoria-geral da União (CGU), da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União apontam que entre 2002 e 2008 houve desvios de 40 bilhões de reais em contratos em geral do governo. Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) levado a plenário por Gurgel registra que o custo médio anual da corrupção no Brasil varia de 1,38% a 2,30% do Produto Interno Bruto (PIB) ou desvios de 50 bilhões de reais a 84,5 bilhões de reais.

“Na verdade é preciso que não apenas um órgão investigue, mas que todos os órgãos investiguem”, defendeu o procurador-geral. “Num país que tem esse quadro de desvio de recursos, é inaceitável restringir poderes investigatórios. Excluir a possibilidade de investigação é amputar o Ministério Público, deixa-lo apequenado”, resumiu ele.

Andressa na cova dos leões


Nelson Motta 
O Estado de S.Paulo

A convocação da bela Andressa Cachoeira para depor na CPMI provoca frisson e reaviva a memória da distante e vergonhosa tarde do depoimento de Renilda Santiago, mulher de Marcos Valério, na CPI dos Correios.

Enfrentar os questionamentos agressivos e mal-educados não foi nada perto do que ela teve que suportar dos galantes parlamentares que acudiram em sua defesa elogiando sua beleza e seu caráter. Renilda era apenas uma discreta senhora mineira, bem-vestida e educada, de feições delicadas, que podia ser vista, no máximo, como bonitinha. Mas bastou para a macharia suprapartidária se assanhar. Foi de embrulhar o estômago ouvir tanto sentimentalismo barato ao vivo diante de todo o País, com deputados e senadores louvando a depoente por seu amor ao marido bandido e à família, por suas lágrimas, omissões e mentiras. Faltou muito pouco para alguém dizer que ela era a mulher que qualquer homem gostaria de ter e oferecer um ombro amigo.

Mesmo sabendo que Renilda mentia cínica e deslavadamente, eles se derretiam em elogios, como senhores magnânimos que não conseguiam esconder o galanteador cafajeste de calçada, tipicamente brasileiro, que os habita. Pareciam personagens caricatos de Chico Anísio, e pior, de Nelson Rodrigues, canalhas vocacionais que seduzem até a cunhada, que não respeitam nem CPI. Alguns eram gordos, outros carecas, quase todos mais velhos, a maioria nordestinos e gaúchos, todos antiquados e verbosos no estilão que Bernardo Cabral usou para seduzir Zélia Cardoso de Mello.

Esses machões galantes e sentimentais jamais se comportariam assim diante de quem dissesse o que Renilda disse, mas fosse homem. Seriam implacáveis, durões, não elogiariam o amor do depoente pela esposa e a família, nunca aceitariam suas mentiras. Os membros femininos da CPI deviam ter protestado contra tal falta de decoro, mas nenhuma teve tal macheza.

Se com a frágil e discreta Renilda eles deram um vergonhoso show de machismo travestido de cavalheirismo, imaginem a excitação parlamentar quando a bela, sexy e exuberante Andressa se sentar à mesa da CPMI. É melhor tirar as crianças da sala.

Mudanças no BNB irritam partidos da base aliada


Júnia Gama
O Globo

Presidente do órgão renunciou; diretores com apadrinhamento político foram trocados

BRASÍLIA - Petistas e peemedebistas estão preferindo o silêncio sobre a troca de comando no Banco do Nordeste (BNB), efetivada na quarta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A presidente Dilma Rousseff já tinha a intenção de trocar os diretores com “apadrinhamento político” por técnicos, e aproveitou as últimas denúncias de desvios de recursos envolvendo a diretoria do banco para fazer a limpeza.

Quem mais perdeu com a troca de comando no BNB foi o PT do Ceará. Indicação do deputado federal José Guimarães (PT-CE), o presidente do banco, Jurandir Santiago, estava no cargo há menos de um ano. Investigado pelo Ministério Público sob suspeita de desvio de verba pública, Santiago renunciou por conta da pressão do Planalto. Os diretores Isidro Siqueira e José Alencar foram exonerados. Alencar era outra indicação do PT. E Isidro tinha sido indicado pela bancada do PMDB do Ceará. O diretor de Negócios, Paulo Ferraro, um técnico, assume o comando do banco interinamente.

Base planeja cobrar fatura em votações futuras
Em 2005, quando José Guimarães era deputado estadual, um assessor seu foi preso no aeroporto de São Paulo com US$ 100 mil na cueca. Guimarães é irmão de José Genoino, que à época presidia o PT e estava no centro das investigações sobre o mensalão.

Apesar do silêncio público com as trocas no BNB, nos bastidores os políticos aliados estão perplexos e irritados com a forma como as mudanças foram feitas. Líderes do PT e do PMDB estiveram recentemente em reuniões no Palácio do Planalto e, segundo relataram a colegas, não foram avisados de que as mudanças ocorreriam. Não vão “passar recibo”, mas “será anotado num caderninho”, como diziam reservadamente. Ou seja, a fatura poderá ser cobrada mais à frente, quando a presidente precisar dos aliados no Congresso.

‘Escândalo dos banheiros’ motivou saída
O Ministério Público está investigando a responsabilidade do ex-presidente do Banco do Nordeste Jurandir Santiago no desvio de R$ 3,1 milhões para construção de banheiros públicos no interior do Ceará, quando ele era secretário de Estado e assinou parte da liberação das verbas. Na semana passada, seu então chefe de gabinete, Robério Gress do Vale, foi afastado do banco por suposto envolvimento em um suposto esquema de corrupção, que envolvia facilitação de empréstimos para empresas de familiares seus.

Nesta quinta-feira, no PMDB o sentimento era de que a melhor maneira de lidar com o episódio das trocas no BNB é evitar novos embates com o Planalto. O que se diz entre os aliados é que não há surpresa nessas alterações, porque essa tem sido a prática de Dilma desde que assumiu a presidência — tem trocado os políticos por técnicos sem conversar com os partidos.

Essa fatura só será apresentada quando o governo precisar do PMDB em alguma votação ou na CPI do Cachoeira.

Queda do presidente do BNB abre crise explosiva na bancada do PT


Gerson Camarotti 
Portal G1

A saída de Jurandir Vieira Santiago da presidência do Banco do Nordeste (BNB) abriu uma crise sem precedentes na bancada do PT na Câmara dos Deputados. Já há um forte movimento em setores da bancada para evitar que José Guimarães (PT-CE) seja escolhido líder no próximo ano – Santiago é afilhado político do deputado cearense.

Muitos deputados petistas estão aliviados pelo fato de Guimarães não ter sido escolhido líder já neste ano. Isso porque o escândalo envolvendo o BNB poderia respingar na imagem da própria bancada. Mas há um acordo para que ele assuma a liderança em 2013. Pelo acerto, o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) ficaria com o comando da bancada em 2012, e Guimarães, em 2013.

Em conversas reservadas, Guimarães atribui ao “fogo amigo” a divulgação das acusações que envolvem a cúpula do BNB. Questionado sobre a origem desse “fogo amigo”, ele é direto e responsabiliza os deputados petistas que hoje comandam a bancada, inclusive o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), o líder do governo, deputado Arlindo Chinália (PT-SP), e o próprio líder Jilmar Tatto.

Para Guimarães, há um movimento interno para explorar esse episódio e com isso evitar que ele assuma a liderança do partido no próximo ano. Guimarães faz parte de um grupo de deputados petistas conhecido por “G-8”, do qual faz parte o ex-líder do governo Cândido Vaccarezza (SP). Esse grupo está em disputa interna pelo controle da bancada contra a turma de Marco Maia e Arlindo Chinália.

O deputado cearense admite que fez indicações políticas para o BNB. Mas ressalta que não é responsável pelo malfeito de terceiros. Jurandir Santiago renunciou ao cargo de presidente do BNB em meio a denúncias de desvio de recursos do período em que era secretário de Estado do Ceará. Ele estava desde julho de 2011 no cargo. Irregularidades no banco também são alvo de investigação do Ministério Público. Nos bastidores, Guimarães tem dito que Chinaglia tentou emplacar um nome para o comando do BNB.

Gasto de brasileiro no exterior bate recorde em maio


Veja online

Mesmo com o dólar alto, brasileiros gastaram 1,82 bilhão de dólares em viagens

(Dan Kitwood/Getty Images) 
Turistas durante passeio em Londres

Os turistas brasileiros gastaram 1,82 bilhão de dólares no exterior no mês de maio, um aumento de 9,7% em comparação com igual período do ano passado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira o Banco Central. O valor representa um recorde para o mês. De janeiro até maio deste ano, os gastos totais somaram 9 bilhões de dólares - resultado acima dos 8,3 bilhões de dólares registrados no mesmo período do ano passado. O aumento se deu mesmo com a subida do dólar, que, em maio, já estava cotado acima de 2 reais. Em maio de 2011, a moeda americana chegou a ser cotada a 1,59 real.

Em contrapartida, os gastos dos estrangeiros com compras, hotéis e outros itens em território nacional ficaram em 532 milhões de dólares, valor pouco superior aos 527 milhões registrados em maio do ano passado. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os gastos totais somados foram de 3 bilhões de dólares.

Balanço de pagamentos - 
O balanço de pagamentos registrou superávit de 1,1 bilhão de dólares em maio. A conta financeira apresentou superávit de 3,9 bilhões de dólares, com destaque para o ingresso líquido de 3,7 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros diretos (IED). O déficit em transações correntes atingiu 3,5 bilhões de dólares em maio e 50,9 bilhões de dólares nos últimos doze meses, equivalente a 2,11% do PIB. Nos cinco primeiros meses de 2012, o déficit em transações correntes somou 21 bilhões de dólares, patamar inferior ao registrado no mesmo período de 2011, que ficou em 22,6 bilhões de dólares.

Investimentos - 
Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram aplicações líquidas de 1,1 bilhão de dólares em maio. A aquisição ou ampliação em participação no capital de empresas no exterior somou liquidamente 1,4 bilhão de dólares, enquanto as amortizações líquidas de empréstimos pagas por empresas no exterior às matrizes no Brasil atingiram 332 milhões de dólares.

O ingresso líquido de IED atingiu 3,7 bilhões de dólares no mês, composto por 3,1 bilhões de dólares referentes à modalidade participação no capital e 661 milhões de dólares em desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias. Nos 12 meses encerrados em maio, os ingressos líquidos de IED somaram 63 bilhões de dólares, equivalentes 2,61% do PIB.

O enigma do emprego


Celso Ming 
O Estado de S.Paulo

Os economistas vão agora dedicar-se a sessões de contorcionismo cerebral para tentar explicar como é possível a convivência no Brasil do atual raquitismo produtivo com o forte crescimento do emprego.

Pois foi o que ontem mostraram os números do IBGE. Enquanto o PIB executa um medíocre voo de galinha (crescimento ao redor de 2% em 2012), o desemprego em maio ficou em apenas 5,8%, o menor para meses de maio desde março de 2002. A mais baixa contratação de pessoal com carteira assinada ocorrida em maio (dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - Caged) não contraria a situação excepcional do mercado de trabalho.

Para os padrões do Brasil, se não é de pleno emprego, este nível de ocupação está próximo disso. A escassez de mão de obra, especialmente da especializada, já é percebida em praticamente todos os setores. E vem refletida no aumento da renda real efetiva que, no período de 12 meses terminado em maio, avançou 6,9%, bem acima da evolução do PIB e alguma coisa acima da inflação (de 5,05% no período).

A aparente anomalia de emprego forte numa economia fraca não é apenas intrigante questão acadêmica; tem importantes implicações práticas. Se a criação de postos de trabalho já está tão vigorosa num quadro de desempenho decepcionante do PIB, o que acontecerá se o governo conseguir puxar a atividade econômica para a velocidade de 4% a 5% ao ano, como está prometendo?

Mas como explicar a anomalia? Alguns especialistas vinham levantando a hipótese de que a fatia da População Economicamente Ativa (PEA) pode estar encolhendo no Brasil devido a novidades demográficas: queda do índice de natalidade, mais gente estudando por mais tempo, crescimento das aposentadorias, etc. Mas o ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central Alexandre Schwartsman observa, em boletim divulgado por sua consultoria, que a situação do emprego no Brasil é tanto mais surpreendente quando se leva em conta que a parcela da população que trabalha ou procura emprego (PEA) em relação ao total da população brasileira nunca foi tão alta (57,6%).

Outros economistas olham para o preparo da mão de obra e raciocinam que as novas contratações tiveram de ser feitas em camadas de baixa qualificação. Em consequência disso, a produtividade do trabalho diminuiu, pensam esses especialistas. Isso significaria que esteja sendo preciso mais gente para produzir as mesmas tarefas. Schwartsman admite que isso pode estar acontecendo na indústria, mas não nos outros setores.

Outra hipótese é a de que as Contas Nacionais do IBGE no âmbito do setor mais dinâmico e maior empregador de mão de obra, o de serviços, enfrentem algum problema metodológico e não reflitam corretamente o avanço da produção. Nesse caso, o PIB pode ser bem mais alto do que vem sendo apontado.

Seja como for, nunca os níveis de emprego foram tão altos como os alcançados nestes últimos 12 meses no Brasil. E isso não deixa de ser um dado positivo quando comparado com a enorme destruição de postos de trabalho no resto do mundo, especialmente nos países ricos.

Estacionar em local irregular pode deixar de dar multa em 2013


Marco Prates
Exame.com 

Estacionar em local irregular ou ser flagrado com velocidade até 20% superior a da via poderão ser punidos com advertência a partir do ano que vem

Cláudio Teixeira
Agente de trânsito orienta motoristas em via de São Paulo. 
Multas poderão virar advertência por escrito caso infrator 
não seja reincidente num período de 12 meses

São Paulo - A resolução 404/2012 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) vai permitir que, a partir de janeiro de 2013, motoristas flagrados cometendo infrações leves ou médias sejam advertidos ao invés de receber multa e perder pontos na carteira, desde que não sejam reincidentes na mesma infração nos últimos 12 meses.

Hoje, as penalidades vão de 53,20 reais e 3 pontos na Carteira Nacional de Habilitação, para infrações leves, e 85,13 reais, com 4 pontos, para as médias.

O Contran regulamentou na última semana procedimento que já era previsto desde 1997 no Código de Trânsito Brasileiro. A decisão pela advertência poderá vir do próprio agente de trânsitoou por ação do motorista, que poderá requerê-la no período de recurso da multa, ou seja, até 15 dias após ser notificado.

Entre as infrações leves e médias estão deixar o carro onde há sinalização de "Proibido Estacionar", andar com a lanterna queimada, parar em cima da faixa de pedestre, conduzir em velocidade até 20% superior a da via e desrespeitar o rodízio, no caso de São Paulo.

A autoridade de trânsito que aplicou a multa poderá, no entanto, manter a pena de pagamento. “Caso a autoridade de trânsito não entenda como medida mais educativa a aplicação da Penalidade de Advertência por Escrito, aplicará a Penalidade de Multa”, prevê o parágrafo 8 do artigo 9º.

A aplicação da medida vai depender da integração dos sistemas dos Detrans (Departamento de Trânsito) dos estados e do Distrito Federal, já que hoje só é possível saber se um motorista é reincidente consultando cada uma das 27 unidades do departamento.

'Sou contra esse tipo de discriminação positiva', diz Graça Foster sobre cotas para mulheres


Júlia Dias Carneiro
BBC Brasil 

Graça Foster participou do fórum de debates promovido pela ONU Mulheres durante a Rio+20



A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, diz que não tem "nenhuma vocação feminista" e rejeita o estabelecimento de cotas para mulheres em empresas.

O que precisa ser combatido para promover a igualdade de gênero no mercado de trabalho é o preconceito, afirma em entrevista à BBC Brasil.

Foster participou do fórum de debates promovido pela ONU Mulheres durante a Rio+20 e foi aplaudida pela plateia feminina ao lembrar que é a primeira mulher a presidir uma das cinco maiores empresas de energia do mundo.

"Nós, mulheres, devemos ficar atentas ao preconceito contra as diferenças. A diversidade de raças e gêneros nas empresas é indutora da criatividade e faz a diferença em relação à concorrência", diz.

No painel, Foster afirmou que o empoderamento da mulher contribui para tornar a sociedade "ainda melhor" e ressaltou que hoje as mulheres são mais de metade da força de trabalho brasileira - e têm obtido melhores coeficientes de rendimento nas universidades.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista à BBC Brasil.

BBC Brasil - Como mulher, que mensagem a senhora acha importante transmitir neste na Rio+20?
Graça Foster - A diversidade de gênero é extremamente saudável e positiva. E faz a diferença. Nos negócios, é importante ter opiniões diferentes, com a mulher e o homem à mesa de discussão.

Eu sou uma mulher de negócios. Não sei falar de outra coisa que não seja geração de riquezas em cima de investimentos que são feitos.

Não tenho absolutamente nenhuma vocação feminista. Nao crio valores como, por exemplo, cotas para mulheres, sou completamente contrária a esse tipo de discriminação positiva a favor da mulher. Acho que ela é negativa em relação aos empreendimentos.

BBC Brasil - O que falta para haver uma igualdade maior de gênero no mercado de trabalho?
Graça Foster - Uma perseguição ao preconceito. Sou completamente contra o preconceito. Acho que ele é perverso e tem uma capacidade muito grande de destruir valor dentro das corporações.

Na Petrobras, a diversidade é um valor da companhia e não aceitamos qualquer tipo de preconceito dentro da corporação. Entendo que isso seja um bom começo. Só admitimos por concurso.

A indústria do petróleo é masculina, porque são ambientes hostis, lugares que as mulheres tradicionalmente evitam pelo desconforto.

Mas a Petrobras não tem, hoje, qualquer restrição à admissão de mulheres nos quadros, como teve à minha época. Eu tenho 33 anos de empresa, e lá atrás você não podia fazer concurso para todas as áreas da Petrobras. Há muito tempo já não temos mais essa restrição.

BBC Brasil - No mercado de petróleo, como se compara a abertura à mulher hoje com o que você viveu quando começou?
Graça Foster - Havia muito menos mulheres do que hoje. A Petrobras Holding tem 62 mil funcionários, e essa força de trabalho tem 16% de mulheres e 84% de homens. À minha época, eram 5% mulheres e 95% homens.

É um processo (de mudança) lento, e a motivação maior para isso é muito simples. Hoje há mais mulheres nas universidades no Brasil do que homens, e elas concluem seus cursos com coeficiente de rendimento maior do que dos homens. E conseguem um nível de aprovação bastante alto nas empresas.

BBC Brasil - Você é a primeira mulher presidente da Petrobras. Você imagina que o quadro de funcionários pode chegar a 50-50?
Graça Foster - Não, não imagino. No curto prazo não, e nem no médio. Porque há muito menos mulheres na Petrobras. Não é uma questão de "você não pode porque você é mulher". É porque há muito mais homens tendo a oportunidade de demonstrar o seu trabalho do que mulheres.

Isso é uma questão de tempo. Eu não sei se precisamos de 10 anos ou 20 anos. Nada impede que a próxima (presidente) seja mulher também. Mas se você olhar estatisticamente, a probabilidade é que tenhamos mais homens presidentes da Petrobras no curto prazo.

Quando eu olho para trás, em todas as carreiras que eu ocupei desde que eu entrei (na empresa), desde a minha primeira gerência como chefe de setor da perfuração, sempre fui a primeira mulher. Mas depois não veio nenhuma mulher. Isso é que me preocupa. Nunca fui substituída por uma mulher. Mas é uma questão estatística, e não de preconceito da Petrobras.

Os planos da Petrobrás


O Estado de S.Paulo

Mesmo com metas mais realistas para a produção de petróleo nos próximos anos, o Plano de Negócios 2012-2016 que acaba de ser aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobrás prevê investimentos de US$ 236,5 bilhões para o período, valor 5,25% maior do que o total aprovado para o período 2011-2015. Desse modo, a empresa parece ter atendido, ainda que parcialmente, aos apelos cada vez mais insistentes do governo a todo o setor empresarial para que eleve os investimentos, para evitar que a crise mundial afete ainda mais o desempenho da economia brasileira.

O novo plano reforça a ênfase, já nítida nas programações anteriores, nas atividades de exploração e produção, das quais se destacam os investimentos no pré-sal. É preocupante, no entanto, que, apesar da previsão do aumento nos investimentos totais, numa área essencial para a geração de recursos necessários à expansão contínua das atividades da empresa, a de Abastecimento e Refino, os investimentos sejam menores do que os incluídos no plano quinquenal aprovado no ano passado.

A redução não é apenas porcentual (os investimentos em refino e abastecimento correspondiam a 31% no plano de negócios aprovado em 2011 e, no atual, respondem por 27,7%). Haverá também corte em valores: para o quinquênio 2011-2015, a previsão era de investimentos de US$ 70,6 bilhões; no plano para o período 2012-2016, o valor caiu para US$ 65,5 bilhões, com redução de US$ 5,1 bilhões.

Ao contrário da redução das metas de produção de óleo e gás para os próximos anos, esta não pode ser atribuída a maior realismo da administração da Petrobrás. Embora membros de sua diretoria tenham evitado tratar abertamente do problema, a empresa vem enfrentando dificuldades financeiras em razão de alguma defasagem dos preços dos combustíveis e da valorização do dólar, visto que a empresa importa parte do combustível que vende no mercado doméstico. Compra o produto a preços do mercado mundial, paga em dólares, agora mais caros, mas vende em reais, a preço fixado pelo governo. Isso ajuda no combate à inflação, mas impõe custos à Petrobrás.

Maior eficiência operacional - agora incluída entre as metas do que sua direção chama de "programas estruturantes" necessários à execução do plano para os próximos cinco anos - reduziria a necessidade de reajuste dos preços ao consumidor. Mas o melhor caminho para evitar novas dificuldades financeiras é o aumento da capacidade de refino da empresa. A redução de investimentos nessa área tende a manter a dependência da Petrobrás a fornecedores externos e às oscilações do mercado internacional.

A exploração e a produção, que vinham sendo prioridade da Petrobrás desde a gestão anterior, dirigida por José Sérgio Gabrielli, tornaram-se ainda mais importantes na gestão de Maria das Graças Foster. A área foi contemplada com 57% dos investimentos quinquenais aprovados no ano passado e, com o novo plano para 2012-2016, passará a receber 60% do total, o que equivale a US$ 141,8 bilhões. Desse valor, 51% serão investidos no pré-sal.

A despeito do aumento dos investimentos em exploração e produção, em termos porcentuais e em valores, as metas de produção para os próximos anos são mais modestas do que as aprovadas no ano passado. São conhecidas as dificuldades no fornecimento das plataformas, que têm gerado atrasos na entrega e revisão de preços. Além disso, campos considerados maduros na Bacia de Campos produzem menos. Tudo isso, além da dificuldade previsível na gestão de um programa de investimentos como o da Petrobrás, o maior do mundo no setor, pode ter contribuído para instilar realismo na diretoria da estatal.

A Petrobrás não conseguiu alcançar a produção de 2,1 milhões de barris diários de petróleo no ano passado (a média ficou em 2,02 milhões) e, para este ano e o próximo, mantém a mesma meta de 2011. Em 2016, ela espera produzir 3,3 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia, um volume 17% menor do que a produção de 3,99 milhões de boe prevista para 2015. Também a previsão para 2020 foi reduzida, de 6,4 milhões para 5,7 milhões de boe/dia, ou 11% menos.

Vale: precificação de minério não pode mudar frequentemente


Exame.com
Com informações da Reuters

Empresa afirmou que não considera justo mudanças frequentes no esquema de precificação

Agência Vale/Divulgação
Minérios da Vale: preço final depende do cliente, diz Murilo Ferreira

Rio de Janeiro - A Vale negocia minério de ferro com os clientes nos sistemas de preço que eles consideram mais adequados, mas não considera justo mudanças frequentes no esquema de precificação, disse o presidente da companhia, Murilo Ferreira, nesta quinta-feira.

A afirmação foi feita em resposta a uma declaração do presidente da siderúrgica coreana Posco, que disse nesta quinta-feira ter esperanças de que a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, e outras mineradoras voltem ao sistema anual de precificação do minério de ferro, esquema abandonado há alguns anos. Atualmente, a maior parte da precificação se dá com periodicidade menor.

Nas palavras do executivo coreano Joon-Yang Chung, a precificação anual traria mais estabilidade para a indústria, num momento de volatilidade dos preços do minério.

"Pelo que entendi, ele (presidente da Posco) acha que seria a melhor forma de negociação (a anual)... O que os clientes acharem mais apropriado, nós vamos fazer. O que não podemos é optar por um mecanismo de preço e daqui a dois meses, mudar. Isso não", disse Ferreira a jornalistas, em evento da Rio+20.

"Nós somos vendedores e gostamos quando os nossos clientes ficam felizes", acrescentou ele.

Para as mineradoras, o retorno ao sistema anual não seria vantajoso no momento, uma vez que essas companhias ainda conseguem se beneficiar de eventuais altas no mercado, com boa parte das operações baseadas em contratos de curto prazo, segundo uma importante fonte do setor.

Questionado sobre qual seria a fórmula ideal, Ferreira declarou que depende do cliente.

"Têm clientes, como os japoneses, que gostam mais do longo prazo, têm os chineses que gostam mais do spot." Indagado sobre qual seria o melhor sistema para a Vale, ele afirmou: "Todos são bons". 

(Reportagem de Leila Coimbra; reportagem adicional de Sabrina Lorenzi)

Caixa vai lançar fundo de investimento em infraestrutura


Veja online
Com Agência Estado

Fundo deve captar 500 milhões de reais investindo em debêntures

(Rasmus Jurkatam/Getty Images/iStockphoto) 
Fundo de infraestrutura: captação deve chegar a 500 milhões de reais

A Caixa prepara o lançamento de um fundo de investimento com a finalidade de aplicar em debêntures incentivadas de infraestrutura. A expectativa do banco, conforme nota à imprensa, é captar cerca de 500 milhões de reais.

Trata-se do primeiro fundo a ser lançado no mercado brasileiro com o intuito de aproveitar os benefícios proporcionados pela lei que zerou a alíquota de Imposto de Renda sobre os rendimentos para pessoa física, e reduziu para 15% a tributação sob pessoa jurídica.

De acordo com o vice-presidente de Gestão de Ativos de Terceiros da Caixa, Marcos Vasconcelos, o fundo é atrativo para o investidor por ser um investimento rentável, de baixo risco, lastreado em títulos de longo prazo e com baixo risco de inadimplência. Além disso, é uma oportunidade de o investidor contribuir para o financiamento do setor de infraestrutura brasileiro, como a construção e melhoria das rodovias, portos, ferrovias, aeroportos, telecomunicações, saneamento e energia.

"O FI Desenvolvimento Brasil I é pioneiro no mercado de debêntures incentivadas e abrirá caminho para triplicar as atuais emissões de debêntures", explica Vasconcelos, em nota.

Com 281 bilhões de reais em patrimônio sob gestão, a Caixa responde pelo quarto lugar no ranking de administradores de fundos de investimentos da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Fusão entre TAM e LAN tem até juras de amor


Daniela Barbosa
Exame.com

Em comunicado enviado aos funcionários, nesta sexta-feira, TAM afirma que nasceu para se unir à empresa chilena

TAM: 
companhia declarou todo seu amor à sócia LAN

São Paulo – Ao contrário do clima um tanto azedo que paira sobre a troca de comando do Grupo Pão de Açúcar, a fusão entre a TAM e LAN – que finalmente foi concluída nesta sexta-feira – é puro amor.
Segundo comunicado enviado aos funcionários, ao qual EXAME.com teve acesso, a companhia brasileira teceu elogios à parceira chilena e declarou que as operações não se sobrepõem, mas se complementam.

“Poderíamos dizer que nascemos uma para a outra. Com o tempo, os benefícios dessa nova companhia irão também se manifestar através de novos empregos e oportunidades de carreira”, afirmou a TAM aos seus funcionários, em texto assinado por Maurício Amaro e Maria Cláudia Amaro, filhos do fundador da companhia, o comandante Rolim Amaro.      

A companhia brasileira aproveitou também a oportunidade para esclarecer que as decisões naLATAM, holding que detém participação nas duas companhias aéreas, serão tomadas de comum acordo pelos acionistas controladores. 

“O que garante a sustentabilidade de uma companhia não é o gigantismo, e sim a criação de valor e a sua cultura corporativa. Nós e a LAN somos um excelente exemplo disso.”, afirmou o comunicado.

Divisão
A divisão de responsabilidades entre a família Amaro, da TAM e os irmãos Cueto, da LAN, de acordo com comunicado, será da seguinte forma: Maurício Amaro fica com a presidência do conselho de administração da LATAM, Enrique Cueto, como presidente-executivo da LATAM, Maria Cláudia Amaro, como presidente do conselho da TAM, Ignacio Cueto, presidente da LAN, e Marco Antonio Bologna, continua no cargo de presidente da TAM.

A fusão entre as TAM e LAN foi anunciada em agosto de 2010. A união das duas companhias deu origem a uma das maiores companhias aéreas do mundo. Juntas, elas somam mais de 51.000 funcionários, voam para 150 destinos, em 22 países.