sexta-feira, agosto 03, 2007

Perdendo oportunidades

Carlos Sardenberg, G1
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Gostemos ou não, a energia nuclear está voltando à moda. É o mercado que diz isso. Em 2005, a tonelada no urânio custava 11 dólares. Na semana passada chegou a US$ 133,00, conforme nos informou Rinaldo Mancin, diretor de Meio Ambiente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Ora, o Brasil tem boas reservas de urânio – inexploradas, contudo. E por quê? Porque, pela Constituição de 88, a exploração de urânio é monopólio da União, assim como era a exploração de petróleo e gás, entre outras bobagens estatizantes.
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Como urânio não era atraente, havia até um movimento contra as usinas nucleares no mundo todo, não se mexeu nesse item da Constituição, nem mesmo que se aboliu o monopólio do petróleo.

Como está a situação hoje?

Continua monopólio da União, mas o governo não tem dinheiro nem competência para investir em aeroportos e estradas, o que dirá de urânio em grande escala.

Mas companhias brasileiras têm dinheiro, capacidade e interesse. A Vale do Rio Doce, por exemplo, já entrou no negócio: vai explorar urânio... na Austrália.

Aqui no Brasil, Rinaldo Mancin comunica que o Ibram apresentou recentemente ao presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, proposta de projeto que trata da flexibilização do monopólio do urânio, apenas no que se refere à mineração do urânio. (Claro, para ninguém pensar que companhias privadas pretendam ir além e fazer a bomba).

A sério: embora o Ibram diga que Chinaglia recebeu bem a proposta, o projeto nem está na pauta da Câmara.

A sério também: o presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que a companhia estuda produzir alumínio fora do Brasil. O executivo informou que a Vale tem buscado oportunidades no Oriente Médio, África e América Latina.

E por quê? Porque alumínio exige muita eletricidade, e esse insumo está ficando muito caro no Brasil, dada a expectativa de escassez.

São comentários de um executivo que sempre foi simpático a Lula, ajudou-o desde a primeira eleição e do primeiro mandato. É também um executivo que ganhou muito dinheiro com sua empresa.

Tirem suas conclusões.

A galinha só cacareja depois...

O IBGE divulgou os números do crescimento da indústria no mês de junho. Repito, o número é apenas o da indústria. A economia como um todo ainda exige que se verifiquem os índices das demais cadeias econômica, agricultura, pecuária, comércio e serviços.

Como Lula não resiste a um palanque para discursar e vomitar seus impropérios, aproveitou para deitar falação num índice que, por enquanto, não quer dizer absolutamente nada.

Na reportagem de Natuza Nery, Agência Reuters, segue a notícia e após nossos comentários.

Lula usa expansão da indústria para criticar 'pessimistas'
REUTERS

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a divulgação de dados sobre a indústria brasileira nesta sexta-feira para criticar os "pessimistas" com o país.
"O crescimento não é tanto como eu gostaria mas não é como os pessimistas diziam", disse Lula em discurso na cerimônia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Saneamento Básico e Urbanização.
"O cara diz que precisa comer o ovo, mas fica torcendo para a galinha não botar o ovo", criticou Lula.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou na manhã desta sexta-feira, 3, que a indústria cresceu 1,2% em junho na comparação com maio e 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado, melhor taxa desde dezembro de 2004.
Os acordos anunciados nesta manhã por Lula atingirão 12 Estados mais o Distrito Federal, no valor total de R$ 6,9 bilhões, sendo R$ 5,9 bilhões de recursos do governo federal.
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COMENTANDO A NOTÍCIA:
Desta vez o cerimonial cuidou para que os presentes não se permitissem vaiar. Quem usou a palavra, além de Lula é claro, foi selecionado para só falar a uma das orelhas de Lula, aquela acostumada aos elogios e paparicos. Seu ego anda precisando muito recuperar a auto-estima...

Pois bem, sabe-se que a economia MUNDIAL tem empurrado o Brasil neste período ímpar de tantos anos seguidos de prosperidade e crescimento. Não só o Brasil cresce, mas o mundo inteiro. E a grande maioria, principalmente os emergentes, cresceu o dobro do que estamos conseguindo. Lula, em seu proselitismo arcaico e demagógico, vende um peixe que seu governo em nada colaborou. Até pelo contrário: tivesse determinação, competência e responsabilidade, e de quebra ao menos um projeto de governo, e isto desde o primeiro mandato, estaríamos hoje comemorando muitos milhões de empregos gerados além dos que o país vegetativamente tem criado, e muitos bilhões a mais na nossa balança comercial.

O que temos é, além de insuficiente para as necessidades do país, derivado diretamente da prosperidade dos outros. Mesmo assim, o resultado anunciado é bom se olharmos apenas para o passado recente do país. Quando se compara com o governo anterior, o que é uma cretinice, mas vá lá, quando se compara o crescimento do período Lula com o período FHc, os espertinhos tem o mau hábito ou má fé, ou ambos, de esquecer de apontar quanto o mundo cresceu num período e outro. No período anterior, o mundo cresceu na média de no máximo 3,0%, a média brasileira foi de 2,5%. Agora, a média de Lula, após mudar as bases de cálculos, elevou-se para algo perto de 3,0%. O restante dos emergentes, a média ficou em 7,0%, portanto, metade apenas. Isto é análise técnica, e não a fajutice e má fé com que os homens do poder adoram bancar em sua propaganda e marketing.

Mesmo assim, é conveniente que esperemos pelos resultados dos demais emergentes. A China sabidamente cresceu cinco vezes mais, a Índia pelo menos o dobro. Somente de posse de como se comportaram os demais e principais emergentes, se poderá concluir ter sido o número divulgado pelo IBGE positivo ou preocupante.

Diante do resultado, Mantega se apressou em prever um crescimento em torno de 5% para 2007. Aproveitando o gancho da fala do Mister Magoo do Planalto, é interessante Lula lembrar-se da galinha: esta, ao menos espera por o ovo para cacarejar. Já o governo cacareja antes do ovo sair. Sendo assim, vamos aguardar nos próximos dias para sabermos se o tanto que crescemos é motivo para preocupação ou comemoração.

Um artigo do Carlos Sardenberg, no post seguinte, serve para oferecer uma oportunidade de reflexão. E serve para demonstrar o quanto o governo Lula se serve da obra alheia para cantar vitórias que não são fruto do seu governo. Do seu governo, o que vemos e temos está devidamente narrado pelo Carlos Sardenberg.

Brasil ainda tem retrato pior que dos emergentes

Denise Campos de Toledo , Redação Terra

A produção industrial brasileira apresentou expansão além da esperada no mês do junho: 1,2%. Mas o presidente Lula, embora ache que o número seja uma resposta aos pessimistas, disse que esperava mais.

Parece que o presidente, ás vezes, esquece que o andamento da economia está diretamente relacionado à política econômica adotada pelo próprio governo.

O crescimento, não só da produção industrial, mas de toda a economia, não é maior, em boa parte, pelas condições adversas à ampliação dos investimentos. Investir no Brasil, ampliar a produção, custa caro, entre outras coisas, porque o governo gasta demais e não pode reduzir a carga de impostos. Tem que arrecadar muito para bancar as despesas. Retira da economia, das empresas, recursos que poderiam ir para a produção e para a geração de emprego. E investe pouco em áreas que ajudariam a reduzir custos, como estradas, portos, ferrovias.

Ainda tem a burocracia, a falta de regras em setores estratégicos, os programas que não andam. Até agora pouco mais de 10% dos recursos destinados a projetos incluídos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) foi liberado.

Aliás, o presidente Lula fez essas declarações, sobre a produção industrial, em evento onde anunciou investimentos de quase R$ 7 bilhões para obras de saneamento em 13 Estados. Na verdade, se metade das promessas, dos projetos, virasse realidade, nos prazos previsto, as condições do País seriam bem melhores. Poderíamos ter um nível de investimentos, de produção industrial, de geração de emprego, enfim, de crescimento da economia bem mais robustos.

Estamos numa fase melhor da economia, com recuperação de vários indicadores e a perspectivas de avanço mais acelerado do PIB. Mas são números melhores, principalmente, em comparação com o histórico do País. O Brasil ainda está com um retrato pior que dos emergentes, em geral. E com sérias limitações a avanços mais acelerados, em grande parte, por ineficiências da própria economia, que têm ligação direta com as ações de governo.

TOQUEDEPRIMA...

***** PSOL protocola nova representação contra Calheiros

O PSOL protocolou nesta quarta-feira nova representação na Mesa Diretora do Senado contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A sigla pede que o Conselho de Ética investigue se o parlamentar beneficiou a Schincariol junto ao INSS, além das supostas grilagens de terras que o senador teria feito junto com seu irmão, o deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL).O partido também protocolou representação contra Olavo Calheiros na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Antes, o PSOL havia pedido o anexo ao atual processo as novas denúncias contra Renan Calheiros. Porém, o Conselho negou, o que motivou a sigla a recorrer novamente.

Além das denúncias relativas à Schincariol e à grilagem de terras, os irmãos Calheiros foram acusados de ameaças a Antonio Gomes de Vasconcelos, que os denunciou no Ministério Público Federal.

***** 'Guerrilha' a serviço da TAM ataca os críticos
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Uma "guerrilha" foi deflagrada na internet, a serviço da TAM, inundando a rede mundial de computadores com sites e principalmente "internautas" que usam nomes fictícios e provedores que facilitam o anonimato. A empresa evita o assunto e oficialmente nega que financie essa operação. As mensagens tentam desqualificar as críticas à empresa aérea, cujo Airbus A320 explodiu ao tentar pousar no aeroporto de Congonhas. A "guerrilha" a serviço da TAM coincide com a divulgação do teor da caixa-preta, que revela evidências dos conhecidos problemas de manutenção da TAM: o diálogo entre o piloto e o co-piloto mostra que, além do reverso travado, tambem o spoiller (localizado nas asas), essencial para reduzir a velocidade da aeronave, os freios hidráulicos também não funcionaram.


*****Decisão do Supremo impede contratação de servidor via CLT
Luiz Orlando Carneiro

O Supremo Tribunal Federal restabeleceu o Regime Jurídico Único para os funcionários públicos e derrubou um dos dispositivos mais importantes da emenda constitucional da reforma administrativa (EC nº 19/98), que permitia a contratação de servidores com base na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e outros regimes.

A decisão de ontem, ainda de caráter liminar, ainda terá que ter o mérito confirmado. Foram oito votos a favor do restabelecimento do regime, contra três contra na votação, na votação da ação de inconstitucionalidade proposta pelo PT, PSB, PDT e PCdoB há sete anos.
O STF resolveu ainda que a decisão não tem efeito retroativo. Ou seja, ficam garantidos aos servidores públicos já contratados pelos estados e municípios, com base na emenda da reforma administrativa, os mesmos direitos dos estatutários. O advogado-geral da União, ministro José Antônio Toffoli, disse que o entendimento do STF " além de não ser ainda definitivo, não terá nenhum impacto" na administração pública federal.

***** Caixa com 'nome sujo'
Cláudio Humberto

O funcionário aposentado José Almeida Gonçalves pediu intervenção do Banco Central na Caixa, que não paga indenização de sentença transitada em julgado na Justiça trabalhista. Demitido "por motivo político" há cinco anos, receberia R$ 396 mil de indenização, mas não levou. O juiz da 1ª. Vara do Trabalho de Fortaleza (CE) determinou o protesto. Gonçalves descobriu que a Caixa tem 182 títulos protestados na praça.

***** Diretoria da Anac fica, enquadrada pelo Conac
De O Globo

"O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiram que a atual diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) será mantida como está. Será posta em prática a estratégia do Planalto de se valer do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) para fazer com que a agência cumpra as determinações do governo, de modo que passe a atender mais aos interesses do consumidor do que aos das empresas aéreas.

Na reunião da coordenação de governo, ontem de manhã, no Planalto — para a qual Jobim foi convidado —, ficou claro que o governo não exigirá a renúncia coletiva da diretoria da Anac, como foi cogitado na semana passada. Jobim teve uma audiência reservada com Lula, na qual relatou suas ações desde que assumiu o cargo.

A decisão foi comunicada ao presidente da Anac, Milton Zuannazzi, anteontem à noite, num encontro de cerca de três horas, no apartamento de Jobim. Ao final, quando Zuanazzi comentou que jornalistas o aguardavam na portaria do prédio, Jobim se ofereceu para acompanhá-lo à garagem — e, assim, "fugir" da imprensa.

Nos bastidores, os ministros de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, trabalharam para mudar, no governo, a percepção negativa em relação à Anac. Na semana passada, cresceram especulações sobre a troca dos diretores da agência, que têm mandatos até 2011."

***** Chávez promete continuar projeto político de Fidel

O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou que vai ser o herdeiro político do presidente cubano Fidel Castro. "Eu digo a você, Fidel: assumo o compromisso de continuar sua luta, sua batalha interminável, apesar de sua hora ainda não ter chegado. Sim, isso eu sei!", prometeu Chávez.

Ele ainda comparou Fidel a Cristo. "Homens como Fidel terminam sacrificando sua vida como Cristo." O ditador venezuelano decretou a transmissão por uma cadeia nacional de rádio e televisão das festividades do aniversário do assalto ao quartel Moncada, acontecimento que marca o início da revolução em Cuba.

***** Quem pode foge da Venezuela de Chávez

Na Flórida, eles são chamados de "balseiros do ar", em contraposição aos dissidentes cubanos - esses sim, balseiros legítimos -, que costumavam chegar às praias da região à medida que Fidel Castro fechava o cerco contra os opositores na ilha. Os imigrantes venezuelanos eram relativamente raros em qualquer canto do mundo até o presidente Hugo Chávez assumir o poder, em 1999. Hoje, são cada vez mais numerosos em países como Espanha, Canadá, Austrália, Panamá e, principalmente, Estados Unidos - onde, ao contrário dos cubanos, chegam de avião (daí o termo "balseiros do ar") e com os bolsos recheados de dólares.

***** Governo economiza em investimentos
Da Folha de S.Paulo

A economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida cresceu no primeiro semestre, e a meta de superávit primário prevista para agosto foi atingida dois meses antes. Especialistas dizem que a marca foi conseguida graças ao fraco ritmo do investimento público. Em seis meses, o PPI (Projeto Piloto de Investimentos) recebeu só 10% do total previsto para o ano. Ele inclui obras de infra-estrutura, como saneamento e transportes.

De janeiro a junho, o governo central -que inclui Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central- economizou R$ 43,7 bilhões. O valor é 13,5% maior que o registrado no período em 2006 e idêntico à meta prevista para os oito primeiros meses do ano. A antecipação foi comemorada pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin. "Cumprimos em junho a meta prevista apenas para agosto."

Mas o tom de comemoração não ecoa entre os analistas. "Fica cada vez mais evidente que esse forte resultado tem sido respaldado pelos investimentos, cuja liberação está muito devagar", diz Denis Blum, da Tendências Consultoria.

Dados do Tesouro contradizem o discurso governista de que o investimento aumenta mês a mês. Em junho, o PPI- projeto prioritário e que não pode sofrer bloqueio de verbas- recebeu R$ 195,4 milhões, 33,8% a menos que os R$ 295,2 milhões pagos em maio.

O número fez a Tendências Consultoria mudar o cenário sobre investimentos públicos no médio prazo. Até junho, a aposta era que o PPI receberia metade dos R$ 11,3 bilhões previstos para o ano. Agora, a expectativa é menos da metade.

A crise do governo é de gerência

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Talvez não seja o melhor autor para ser citado no momento, mas, vá lá: quando no auge da atribulada carreira, o então governador paulista, Ademar de Barros, dono da caixinha e candidato perpétuo à Presidência da República, cunhou a sentença que ganhou fama e jamais foi esquecida: "O Brasil precisa de um gerente".

E que agora é mais uma vez citada muito a propósito: a crise do governo do presidente Lula é basicamente de gerência. É a sensação de que o país está sem comando que ilumina o inegável sucesso da entrada no palco do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que assumiu com a gana e o desembaraço de um presidente em exercício, não apenas da área sob o seu comando, mas que transborda para os vazios da inércia do maior governo etc.

O ministro Nelson Jobim entrou em campo chutando canelas, com o mesmo desembaraço com que, na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), em celebrada dobradinha com o sumido ex-deputado Severino Cavalcanti, líder do baixo clero - que sobrevive, mais forte do que nunca - emplacou o tríplice reajuste de vencimentos para a cúpula togada, com a antecipação mágica dos índices futuros de inflação. Com o efeito cascata, a tacada da dupla inundou o déficit dos orçamentos estaduais e municipais com o automático reajuste dos desembargadores, juízes, promotores da cadeia de felicidade dos privilegiados.

Pois é o mesmo ministro Nelson Jobim que encerrou a quarentena com a gana para acertar o passo com o destino e as suas ambições. Convidado para ajudar o governo enterrado até o gogó na crise do apagão aéreo, depois do charme das hesitações e cutucado pelo conselho doméstico, assumiu a pasta de apatia crônica sem a menor cerimônia em avançar além dos limites do latifúndio abandonado.

Em dois ou três lances sucessivos começou a restabelecer a ordem na mixórdia com medidas óbvias que celebram o alívio da bagunça do transporte aéreo e passam para o público a sensação de que o governo despertou do sono chumbo.

Afinal, para constatar que o aeroporto de Congonhas é uma arapuca cercada de prédios, com as pistas sem conservação e sem a mínima condição de suportar o excesso de pousos e decolagens da irresponsabilidade não é preciso ser um gênio da raça. Bastou a ordem de cima para a redução de 151 vôos diários. E a distribuição para quatro aeroportos das escalas dos vôos nacionais e internacionais. E tocar a boa rotina, despejando os incompetentes, como é o caso do presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira.

Por tibieza e inexperiência, Lula deixou escapar a oportunidade de faturar, com inteira justiça, o sucesso internacional do Pan. Um notório apaixonado pelo esporte, peladeiro sessentão dos rachas na Granja do Torto, o presidente apoiou com entusiasmo e verbas generosas as monumentais obras para a realização dos maiores Jogos Pan-Americanos de todos os tempos, como atestam depoimentos insuspeitos.

A surpresa da vaia no Maracanã lotado detonou a série de equívocos, desde a troca de suspeitas sobre a montagem da assuada ao lamentável comportamento presidencial, que quebrou o protocolo ao não ler a frase simbólica declarando inaugurada a grande festa.

Líder não foge, enfrenta a vaia. Lula errou duas vezes. Pior no repeteco. O público no encerramento lavara a alma com o estupendo desempenho dos nossos atletas. Estava ali para aplaudir. E tudo indicava que Lula receberia os justos aplausos que abafariam os eventuais apupos.

Agora ficou mais difícil reverter a reação popular. Onde Lula aparecer dividirá vaias e palmas, na antecipação do clima de campanha aos sete meses dos quatro anos do segundo mandato.

As coisas é que são culpadas de tudo que acontece

Arnaldo Jabor, Jornal A Gazeta (Cuiabá/MT)

As coisas é que têm a culpa de tudo, o piano andou bebendo, "the piano has been drinking!" cantou Tom Waits, "my necktie is asleep", minha gravata está dormindo, "the jukebox is taking a leak", a vitrola foi mijar, o tapete precisa de um corte de cabelo, o afinador de pianos é surdo e eu, cá comigo, continuo: os boeings e legacies e airbuses andaram enchendo a cara tambem, enquanto os jornais teimam em nos propagar catástrofes que, no dizer das autoridades, se produziram sozinhas como cogumelos autóctones, enquanto o presidente some sob as vaias do Pan e, magoado, se esconde sob os tersóis do palácio, iluminado pela aura do botox que resplende da primeira dama muda e as pistas dos aeroportos rolam de porre debaixo de chuva, as turbinas se revoltam, as asas tatalam e se partem, os motores se recusam a rodar e destroncam a língua em palavrões, as medalhas vêm pousar como gafanhotos nos peitos dos canalhas, os pepinos se enfiam no rabo dos brigadeiros, os mortos berram com orgulho que são cadáveres verde-e-amarelo, cem por cento nacionais e os "groovings" não são "groovy", as ranhuras viram rêgos arrombados, os pneus rebolam como gelatina, os trens-de-aterrisagem são aleijados, os radares são morcegos drogados e os controladores são cegos de um ôlho e não enxergam com o outro.

As petistas eróticas gozam fumando charutos, os puteiros erupem como vulcões de esperma na beira das pistas, no caminho dos "airbuses", as gargalhadas roncam nas gargantas dos ministros, a palma da mão de Deus bate contra seu sagrado punho fechado e um imenso "top top" atroa os espaços e dedos imensos se esticam do céu e nos mandam enfiá-los, deus sabe aonde e os mortos teimam em morrer e os traficantes de órgãos ficam desolados com o desperdício de corpos. Os vivos não cooperam e as pistas continuam em coma e os aviões fumam maconha e os pilotos aterram aterrados e os taxistas vigiam preocupados os negros céus de S.Paulo , os pássaros vivem em pânico e resolvem andar a pé nas estradas esburacadas, com as verbas de recuperação roubadas no ministério dos transportes, os cachorros cagam nas pistas, o ministro da Defesa se derrete e escorre para o ralo, duzentos milhões de dólares fogem às gargalhadas dos cofres da Infraero e ninguém faz nada, ninguém investiga e a grana toda voa como chuva de confete sobre a Anac que gruda o rabo do diretor na cadeira para impedir sua demissão, pois ele diz que a competência é irrelevante e que seria covardia sair agora.

Entrementes: o presidente do Senado sob suspeita, (lembram como é o nome dele?) exulta com as catástrofes pois, talvez, o olvidem para sempre, esqueçam os envelopes que voavam sozinhos para os bolsos, vindo das empreiteiras, dos açougues onde as carcaças de bois se esquartejavam em notas frias, a Gautama também comemora, (como é o nome ?), o Zuleidão mergulha eufórico nos canais de esgoto a céu aberto, enquanto os viadutos interrompidos choram de solidão, as barragens morrem de sede, as lâmpadas do "luz para todos" mergulham nas trevas, o Roriz roreja sua lama na falta de memória do povo, os intelectuais continuam calados, a USP dorme o sono dos injustos.

Em meio a isso tudo, o rio São Francisco fervilha de piranhas e se recusa a ser desviado, o bispo exibicionista se empapuça de hóstias consagradas e se prepara para nova greve de fome, a opinião publica abraça lagoas e usa camisetas com a palavra paz, o Pan acaba, os traficantes comemoram o ouro que já vem vindo de novo por ai, nas linhas vermelhas e amarelas, enquanto os narizes de celebridades celebram e fazem surubas, felizes com o pó que vai voltar a chover em Ipanema e nos Jardins, as comissões de inquérito continuam a dizer que a culpa de tudo é do amigo do Homem Aranha, que tudo foi mais uma missão do "Capitão Falha Humana", com sua cacêta sobre o planeta, que tudo é erro dos pilotos, provavelmente pilotos mansos, com dor-de-corno, largados pela mulher, enchendo as caixas pretas de lamurias, lágrimas e sambas-canção, o que os fêz deslocar manetes e manchos num desatino de ciúmes , empapuçados de lexotans ou senão dores-de-corno de urubus traído por papagaios sem vergonha, que cometeram suicídio, enfiando-se loucamente dentro das turbinas invertidas sobre os lixões.

Concomitantemente, os papeis onde o Executivo escreveu o PAC serão usados como papel higiênico no Planalto para poupar dinheiro, de modo a haver verba para contratar mais 600 imbecis para o Professor Pardal Mangabeira erguer o queixinho fascista com sotaque americano, em vez de contratar controladores de vôo novos, tudo isso rolando enquanto Renan não agüenta mais o tal recesso parlamentar, porque a esposa agora está se vingando no recesso do lar, emanando rancor e acusações mudas pelos cantos das fazendas imaginarias, enquanto continua a duvida se veremos ou não as partes intimas de Mônica (dobrem a oferta, Playboy...), enquanto a dama do charuto da Anac diz que o acidente não foi no ar, ninguém bateu no ar, logo não tem nada a ver com ela.

Finalmente, como não temos mais palavras para exprimir nossa indignação, ou melhor, como não temos mais indignação para exprimir em palavras, ou melhor ou pior ainda, como não há mais nada para exprimir ou espremer, precisamos saber urgentemente se o Olavo vai fo#*der a vida de Fabio Assunção, se Taís vai estrangular a irmã Paula e principalmente questões fundamentais como saber se "em trilha de paca, tatu caminha dentro, se jacaré no seco anda, se cavalo que galopa na bunda sua...", em suma, as coisas importantes da vida como, por exemplo, se o passaralho vai continuar voando ou se "passarinho que come pedra sabe o cú que tem"? Será que já sabe?

E fica a certeza de que a única lei que é respeitada no país é a Lei de Murphy e que a única coisa profunda que ouvi ultimamente foi daquele americano expulso: "Welcome to Congo!" O Congo é aqui mesmo.

Dentro do politicovil

Por André Petry , Revista VEJA

Com politicalhões assim, corremos o risco de ficar numa situação parecida com a condição a que o nazismo relegou suas vítimas: não eram consideradas seres humanos, apenas futuros cadáveres

Tudo já indicava que estamos cada vez mais distantes da política e mais próximos da politicalha, mas a tragédia de Congonhas jogou uma luz intensa sobre essa deformação nacional. A politiquice pós-tragédia dividiu Brasília em dois bandos. Os politiqueiros do governo torcem para que a principal explicação do desastre seja um defeito no avião ou erro do piloto, aliviando a barra governista. Os politiquetes da oposição fazem figa para que a pista de Congonhas seja a grande culpada, o que compromete o governo. Como as investigações iniciais sugerem que o problema principal ocorreu na cabine do avião, e não na pista do aeroporto, politiquinhos governistas talvez se sintam autorizados a voltar a brincar de top, top, top.

Essa versão amesquinhada da política não é exclusividade brasileira, mas nas democracias mais maduras os politicastros ao menos se empenham em esconder seus impulsos. Aqui, as coisas estão mais debochadas. É impressionante a incapacidade dos nossos politicantes de fazer a política grande, nobre, a política que, apesar de todas as divergências, leva em conta que, afinal, vivemos todos juntos. Mas nossos politicóides são indiferentes a esse projeto de bem comum. Vulgarizaram-se tanto que se apartaram do sentimento do brasileiro médio, que se espantou de verdade, se chocou de verdade com o avião explodindo, se solidarizou de verdade com o drama das famílias. O senhor Marco Aurélio "Top, Top, Top" Garcia é exemplo dessa alienação. Filmado, como ele diz, de "forma clandestina", Garcia mostrou preocupar-se menos com a comoção nacional e mais com o impacto eleitoral da tragédia. Coisa de politiquilho.

Com o mesmo alheamento, o presidente Lula sumiu por três dias depois do maior acidente aéreo do país, tal como fazem os oposicionistas na hora em que são postos à prova. José Serra desapareceu quando o PCC colocou São Paulo de joelhos. Agora, como Congonhas não é obra sua, Serra aparece em Congonhas. E Lula, como Congonhas é obra sua, some de Congonhas, some de Porto Alegre e cancela visitas a toda a Região Sul do país, exatamente para onde deveria viajar se vencesse a covardia da politicagem, se deixasse de fazer politicócoras.

Com politicalhões assim, corremos o risco de ficar numa situação algo parecida com a condição a que o nazismo relegou suas vítimas, conforme a formulação de Hannah Arendt: não eram consideradas seres humanos, apenas futuros cadáveres.

Basta de politicoveiros. Precisamos de políticos.

O craque e o presidente

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Em 13 de maio de 1959, quando o locutor do Maracanã anunciou a escalação da Seleção Brasileira para o jogo contra a Inglaterra, 100 mil torcedores vaiaram a presença de Julinho no lugar de Garrincha. Titular do time na Copa de 1954, campeão italiano pela Fiorentina, o craque do Palmeiras vestia a camisa 7 por decisão do técnico. Mas arquibancadas e gerais precisavam descarregar a frustração causada pela ausência do maior ponta-direita da história. Sobrou para Julinho.

Bom de cabeça, Júlio Botelho assimilou serenamente a manifestação hostil. No segundo minuto de jogo, livrou-se da selva de marcadores e fez um golaço. No 15º, construiu com dribles desmoralizantes e arrancadas de puro-sangue o lance que resultou no gol de Henrique - e consolidou a vitória por 2 a 0. Até o apito final, jogou como um deus. Terminada a partida, retribuiu com um sorriso tímido a ovação endereçada ao melhor em campo. Não se sentia vingado. Sentia-se feliz.

Quase 50 anos depois, quando o locutor oficial anunciou a chegada do presidente da República ao Maracanã, 70 mil gargantas vaiaram a presença de Lula na festa de abertura do Pan-2007. Reeleito em outubro, bem no retrato produzido por recentes pesquisas de opinião, Lula é um político bastante competente. E vai permanecer até 2010 no cargo que ocupa por decisão da maioria do eleitorado.

Mas a multidão precisava descarregar a indignação provocada pelo colapso da aviação civil, pela tragédia em Congonhas, pelo deboche dos companheiros federais, pelo cinismo dos pecadores, pela corrupção endêmica, pela institucionalização da mpunidade, pela inépcia dos pais da pátria, pela erosão dos alicerces sem os quais não se pode sonhar com um Brasil moderno. Sobrou para Lula.

O presidente costuma gabar-se de saber tudo de futebol. Se sabe do episódio ocorrido em 1959, não soube assimilar a lição de Julinho. O mesmo som da fúria promoveu um reserva da Seleção a estrela do espetáculo e reduziu o astro do elenco a figurante sem fala. Com a grandeza dos exemplarmente humildes, Julinho negou-se a debitar a vaia na conta do bairrismo carioca. Com a pequenez dos que jamais têm dúvidas, Lula recusou-se a enxergar um único motivo para a irritação coletiva. Tudo aquilo fora orquestrado por adversários impenitentes, sob o patrocínio dos eternos golpistas.

"Os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo, porque são os que mais ganharam dinheiro no meu governo", revelou na terça-feira. "A parte pobre da população é que deveria estar zangada. É só ver o quanto ganharam os banqueiros, os empresários". Lula está certo ao admitir que os ricos nunca lucraram tanto quanto no governo eleito pela turma do Bolsa Família. Engana-se ao imaginá-los saindo furtivamente de seus palácios para vaiar o benfeitor.

E vaiá-lo no Maracanã. E vaiá-lo em companhia de uma perigosa ramificação da classe média. "Essa gente levou Getúlio ao suicídio", lembrou Lula. "Essa gente fez a Marcha com Deus pela Liberdade, que resultou no golpe militar". As acusações tropeçam nas imagens da platéia que celebrou a abertura das competições. Essa gente é jovem demais para ser responsabilizada por fatos ocorridos há tanto tempo. Essa gente nem havia nascido quando Getúlio se matou. Essa gente nem sequer engatinhava em março de 1964. Não saberia marchar. Mas essa gente pode acabar acusada, merecidamente, de ter embarcado um presidente na nau dos insensatos.

Vem confusão por aí

por Percival Puggina, site Diego Casagrande
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Tarso Genro e Nelson Jobim no ministério? Não vai dar certo. Ambos criaram-se e estudaram em Santa Maria, freqüentaram o mesmo curso de Direito, têm a mesma idade, foram deputados federais e ministros de Estado por mais de uma vez. Sentaram-se na cadeira de ministro da Justiça. Nelson Jobim foi ministro do STF e Tarso Genro esteve ansioso por ser. Quando a Associação dos Juízes Federais reagiu à possível indicação de Tarso, alegando uma excessiva partidarização daquela corte, o deputado Henrique Fontana, na liderança do PT na Câmara, reagiu: "Qual a diferença entre Nelson Jobim (então presidente do STF e anteriormente filiado ao PMDB) e Tarso Genro (que já fora presidente do PT)? Nenhuma.", concluiu Fontana.

Nenhuma? É o que veremos nos próximos meses, porque haverá muita diferença para acertar. Qualquer lista de presidenciáveis para 2010, formada pelo lado governista, deve incluir esses dois gaúchos. Ambos sonham com dormir, um dia, na suíte presidencial do Aerolula.

Lula não sabe a confusão que vem por aí. Aliás, já veio. Jobim deixou claro que exercerá o poder com o mesmo vigor com que presidiu o STF. É um homem voluntarioso, de ações rápidas e profunda vocação governista. Deve aos tucanos o que de melhor alcançou na vida pública. Fernando Henrique fez dele ministro da Justiça e o indicou para a alta corte constitucional. Entretanto, o dia 1º de janeiro de 2003 foi marcado por dois atos exóticos e significativos: a posse de Lula e a mudança de lado do ministro Jobim. A bananeira tucana já dera seus cachos. Tornou-se defensor do novo governo e, assim, realizou a proeza de ser ministro de Fernando Henrique e de Lula. Um amigo meu, quando soube que o ex-ministro presidente do STF seria o novo ministro da defesa do governo, surpreendeu-se: "Novo ministro da ‘defesa do governo’? E quando ele deixou de ser?".

Jobim ganhou carta branca, assinou o termo de posse, fez frases fortes, armou a guilhotina, apontou a porta de saída para quem não o obedecer, caiu no gosto dos inconformados com o apagão aéreo, assentou a mira para 2010. E Tarso Genro acordou na sombra.
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Era preciso reagir. Mas reagir como? Por anomalias que só o diabo explica, a aviação civil, em nosso país, está afeta ao ministério da Defesa. É coisa de Jobim. A pasta da Justiça cuida de outros assuntos. Mas a disputa política, como o coração, tem razões que a razão desconhece. E Tarso Genro, com quase um ano de atraso sobre o apagão aéreo, depois que os saguões dos aeroportos se consolidaram como câmaras de tortura, levou 24 horas para descobrir que ele podia, através da Secretaria Nacional de Direito Econômico, situada no organograma de seu ministério, agir contra as empresas de aviação que estejam desrespeitando os direitos dos consumidores. Na sombra projetada pelo concorrente, o ministro da Justiça vislumbrou a possibilidade de haver direitos dos consumidores sendo infringidos nos aeroportos. E que ele tem algo a ver com isso. O governo Lula, fica mais uma vez provado, só se move por interesses ligados à disputa ou à preservação do poder.

ENQUANTO ISSO...

Corre-corre, agora, é no terminal de Cumbica

A decisão de transferir parte dos vôos de Congonhas para Cumbica depois do acidente com o Airbus A-320 da TAM aliviou o tráfego aéreo, mas criou um novo tipo de transtorno aos passageiros: faltaram vagas nos estacionamentos, os check-ins das principais companhias ficaram congestionados e houve confusão e desencontros nos setores de embarque e desembarque.

Mesmo assim, o resultado foi menos complicado que nos dias anteriores. Das 284 partidas em Cumbica, entre a 0h e 18h, 31 ou o equivalente a 11% estavam mais de uma hora atrasada e 4 foram canceladas. Entre pousos e decolagens, Congonhas transferiu 52 vôos - alguns eram linhas de conexões para cidades menores e para algumas capitais - para Cumbica e, mesmo assim, sofreu transtorno: 143 vôos saíram com atraso de uma hora e 29 acabaram cancelados.

Depois das medidas anunciadas na última sexta-feira, Congonhas ontem nem parecia o aeroporto que antes da crise era o mais movimentado do país. Amanheceu operando só a ponte aérea e vôos sem escala. O corre-corre mudou para Cumbica, em Guarulhos. No estacionamento faltaram vagas e os carros fizeram fila em áreas proibidas. Alguns motoristas que tiveram que se contentar com os canteiros, que se transformaram também em estacionamentos improvisados.

Na ala de desembarque, onde acontecem os reencontros, houve muita confusão. As esteiras de bagagem não foram suficientes e os passageiros acabaram se amontoando. No check-in das duas maiores companhias aéreas, a TAM e a Gol, as filas eram gigantescas. Quem esperava descer em Congonhas e foi parar em Cumbica, enfrentou fila para pegar o ônibus.

- Meu vôo era pra Congonhas. Na última hora, eu soube que viria para Cumbica. Estou há mais de uma hora na fila - reclamou o passageiro Fábio Pinheiro.

A Infraero diz que o Aeroporto de Guarulhos ainda pode receber mais gente. Segundo a estatal, ele tem capacidade pra 17 milhões de passageiros por ano. Em 2006, passaram por ele pouco mais de 15,5 milhões. Mas a empresa que administra os aeroportos ainda não sabe em quanto o movimento vai aumentar com a transferência dos vôos de Congonhas.

Apesar dos transtornos, as operações em Cumbica, ontem, segundo informou a assessoria de imprensa da Infraero, pode ser considerada normal. No total, Cumbica recebeu 52 vôos transferidos do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da capital, entre pousos e decolagens. O movimento nos corredores também foi normal.

Congonhas abriu no horário normal, às 6h. A venda de passagens a partir do aeroporto, que tinha sido proibida, voltou a ser permitida desde ontem. O aeroporto, no entanto, não poderá receber aeronaves fretadas ou vôos com mais de duas horas de duração. A pista principal, interditada no dia do acidente com o vôo 3054 da TAM, foi reaberta na sexta-feira. Conforme determinação do governo, ela só pode operar se estiver seca em toda a extensão.

ENQUANTO ISSO...

Passagens aéreas 8,25% mais caras

As tarifas aéreas ficaram 8,25% mais caras em julho, conforme informação divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que monitora preços do mercado para elaborar o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M).

O aumento do mês foi maior que o observado em junho, quando o item avançou 7,32%. No mesmo período, o indicador geral da FGV subiu 0,28% ante 0,26% de junho. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que representa 30% do IGP-M, avançou 0,34% em junho ante 0,35% do mês anterior.

De acordo com a FGV, o item tarifas aéreas foi um dos principais responsáveis pela alta de 0,59%, em julho, do grupo Educação, Leitura e Recreação, ante variação de 0,13% em junho.

Tal comportamento chamou a atenção do coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, justamente em um período em que o sistema aéreo brasileiro vive um momento conturbado, após os seguidos atrasos e cancelamentos de vôos nos aeroportos, além do acidente com o avião da TAM em Congonhas no dia 17 de julho.

- Tudo indica que o setor vai ter que se adaptar a este momento de mudanças e as tarifas, com isso, deverão continuar subindo, por conta de reajustes que deverão ser promovidos ou até por causa do término de algumas promoções - analisou Quadros. - Do ponto de vista inflacionário, este item vai subir muito mais por causa de uma questão de oferta - acrescentou, referindo-se ao fato do número reduzido de vôos do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Segundo a FGV, o aumento no preço das tarifas é algo recente, já que o item mostra quedas fortes no período acumulado de 2007 e dos últimos 12 meses. No primeiro caso, a redução foi de 18,39%. Em 12 meses, a variação acumulada foi de -20,88.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Depois de tudo o que já aconteceu, no curto espaço de onze meses, autorizarem novo reajuste nas tarifas aéreas é um escárnio ! Se alguém aí ainda acredita que o governo Lula tenha competência para debelar a atual crise aérea, engane-se à vontade: no ponto em que chegamos, aumentarem os preços, é um sintoma claro que esta turma não tem nem competência nem ao menos vontade de arrumarem a casa. Para eles, vai tudo muito bem. Lula ainda acabará sendo chamado de Mister Magôo: nunca vê e nem sabe de nada.