Corre-corre, agora, é no terminal de Cumbica
A decisão de transferir parte dos vôos de Congonhas para Cumbica depois do acidente com o Airbus A-320 da TAM aliviou o tráfego aéreo, mas criou um novo tipo de transtorno aos passageiros: faltaram vagas nos estacionamentos, os check-ins das principais companhias ficaram congestionados e houve confusão e desencontros nos setores de embarque e desembarque.
Mesmo assim, o resultado foi menos complicado que nos dias anteriores. Das 284 partidas em Cumbica, entre a 0h e 18h, 31 ou o equivalente a 11% estavam mais de uma hora atrasada e 4 foram canceladas. Entre pousos e decolagens, Congonhas transferiu 52 vôos - alguns eram linhas de conexões para cidades menores e para algumas capitais - para Cumbica e, mesmo assim, sofreu transtorno: 143 vôos saíram com atraso de uma hora e 29 acabaram cancelados.
Depois das medidas anunciadas na última sexta-feira, Congonhas ontem nem parecia o aeroporto que antes da crise era o mais movimentado do país. Amanheceu operando só a ponte aérea e vôos sem escala. O corre-corre mudou para Cumbica, em Guarulhos. No estacionamento faltaram vagas e os carros fizeram fila em áreas proibidas. Alguns motoristas que tiveram que se contentar com os canteiros, que se transformaram também em estacionamentos improvisados.
Na ala de desembarque, onde acontecem os reencontros, houve muita confusão. As esteiras de bagagem não foram suficientes e os passageiros acabaram se amontoando. No check-in das duas maiores companhias aéreas, a TAM e a Gol, as filas eram gigantescas. Quem esperava descer em Congonhas e foi parar em Cumbica, enfrentou fila para pegar o ônibus.
- Meu vôo era pra Congonhas. Na última hora, eu soube que viria para Cumbica. Estou há mais de uma hora na fila - reclamou o passageiro Fábio Pinheiro.
A Infraero diz que o Aeroporto de Guarulhos ainda pode receber mais gente. Segundo a estatal, ele tem capacidade pra 17 milhões de passageiros por ano. Em 2006, passaram por ele pouco mais de 15,5 milhões. Mas a empresa que administra os aeroportos ainda não sabe em quanto o movimento vai aumentar com a transferência dos vôos de Congonhas.
Apesar dos transtornos, as operações em Cumbica, ontem, segundo informou a assessoria de imprensa da Infraero, pode ser considerada normal. No total, Cumbica recebeu 52 vôos transferidos do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da capital, entre pousos e decolagens. O movimento nos corredores também foi normal.
Congonhas abriu no horário normal, às 6h. A venda de passagens a partir do aeroporto, que tinha sido proibida, voltou a ser permitida desde ontem. O aeroporto, no entanto, não poderá receber aeronaves fretadas ou vôos com mais de duas horas de duração. A pista principal, interditada no dia do acidente com o vôo 3054 da TAM, foi reaberta na sexta-feira. Conforme determinação do governo, ela só pode operar se estiver seca em toda a extensão.
ENQUANTO ISSO...
Passagens aéreas 8,25% mais caras
As tarifas aéreas ficaram 8,25% mais caras em julho, conforme informação divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que monitora preços do mercado para elaborar o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M).
O aumento do mês foi maior que o observado em junho, quando o item avançou 7,32%. No mesmo período, o indicador geral da FGV subiu 0,28% ante 0,26% de junho. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que representa 30% do IGP-M, avançou 0,34% em junho ante 0,35% do mês anterior.
De acordo com a FGV, o item tarifas aéreas foi um dos principais responsáveis pela alta de 0,59%, em julho, do grupo Educação, Leitura e Recreação, ante variação de 0,13% em junho.
Tal comportamento chamou a atenção do coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, justamente em um período em que o sistema aéreo brasileiro vive um momento conturbado, após os seguidos atrasos e cancelamentos de vôos nos aeroportos, além do acidente com o avião da TAM em Congonhas no dia 17 de julho.
- Tudo indica que o setor vai ter que se adaptar a este momento de mudanças e as tarifas, com isso, deverão continuar subindo, por conta de reajustes que deverão ser promovidos ou até por causa do término de algumas promoções - analisou Quadros. - Do ponto de vista inflacionário, este item vai subir muito mais por causa de uma questão de oferta - acrescentou, referindo-se ao fato do número reduzido de vôos do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Segundo a FGV, o aumento no preço das tarifas é algo recente, já que o item mostra quedas fortes no período acumulado de 2007 e dos últimos 12 meses. No primeiro caso, a redução foi de 18,39%. Em 12 meses, a variação acumulada foi de -20,88.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Depois de tudo o que já aconteceu, no curto espaço de onze meses, autorizarem novo reajuste nas tarifas aéreas é um escárnio ! Se alguém aí ainda acredita que o governo Lula tenha competência para debelar a atual crise aérea, engane-se à vontade: no ponto em que chegamos, aumentarem os preços, é um sintoma claro que esta turma não tem nem competência nem ao menos vontade de arrumarem a casa. Para eles, vai tudo muito bem. Lula ainda acabará sendo chamado de Mister Magôo: nunca vê e nem sabe de nada.
A decisão de transferir parte dos vôos de Congonhas para Cumbica depois do acidente com o Airbus A-320 da TAM aliviou o tráfego aéreo, mas criou um novo tipo de transtorno aos passageiros: faltaram vagas nos estacionamentos, os check-ins das principais companhias ficaram congestionados e houve confusão e desencontros nos setores de embarque e desembarque.
Mesmo assim, o resultado foi menos complicado que nos dias anteriores. Das 284 partidas em Cumbica, entre a 0h e 18h, 31 ou o equivalente a 11% estavam mais de uma hora atrasada e 4 foram canceladas. Entre pousos e decolagens, Congonhas transferiu 52 vôos - alguns eram linhas de conexões para cidades menores e para algumas capitais - para Cumbica e, mesmo assim, sofreu transtorno: 143 vôos saíram com atraso de uma hora e 29 acabaram cancelados.
Depois das medidas anunciadas na última sexta-feira, Congonhas ontem nem parecia o aeroporto que antes da crise era o mais movimentado do país. Amanheceu operando só a ponte aérea e vôos sem escala. O corre-corre mudou para Cumbica, em Guarulhos. No estacionamento faltaram vagas e os carros fizeram fila em áreas proibidas. Alguns motoristas que tiveram que se contentar com os canteiros, que se transformaram também em estacionamentos improvisados.
Na ala de desembarque, onde acontecem os reencontros, houve muita confusão. As esteiras de bagagem não foram suficientes e os passageiros acabaram se amontoando. No check-in das duas maiores companhias aéreas, a TAM e a Gol, as filas eram gigantescas. Quem esperava descer em Congonhas e foi parar em Cumbica, enfrentou fila para pegar o ônibus.
- Meu vôo era pra Congonhas. Na última hora, eu soube que viria para Cumbica. Estou há mais de uma hora na fila - reclamou o passageiro Fábio Pinheiro.
A Infraero diz que o Aeroporto de Guarulhos ainda pode receber mais gente. Segundo a estatal, ele tem capacidade pra 17 milhões de passageiros por ano. Em 2006, passaram por ele pouco mais de 15,5 milhões. Mas a empresa que administra os aeroportos ainda não sabe em quanto o movimento vai aumentar com a transferência dos vôos de Congonhas.
Apesar dos transtornos, as operações em Cumbica, ontem, segundo informou a assessoria de imprensa da Infraero, pode ser considerada normal. No total, Cumbica recebeu 52 vôos transferidos do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da capital, entre pousos e decolagens. O movimento nos corredores também foi normal.
Congonhas abriu no horário normal, às 6h. A venda de passagens a partir do aeroporto, que tinha sido proibida, voltou a ser permitida desde ontem. O aeroporto, no entanto, não poderá receber aeronaves fretadas ou vôos com mais de duas horas de duração. A pista principal, interditada no dia do acidente com o vôo 3054 da TAM, foi reaberta na sexta-feira. Conforme determinação do governo, ela só pode operar se estiver seca em toda a extensão.
ENQUANTO ISSO...
Passagens aéreas 8,25% mais caras
As tarifas aéreas ficaram 8,25% mais caras em julho, conforme informação divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que monitora preços do mercado para elaborar o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M).
O aumento do mês foi maior que o observado em junho, quando o item avançou 7,32%. No mesmo período, o indicador geral da FGV subiu 0,28% ante 0,26% de junho. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que representa 30% do IGP-M, avançou 0,34% em junho ante 0,35% do mês anterior.
De acordo com a FGV, o item tarifas aéreas foi um dos principais responsáveis pela alta de 0,59%, em julho, do grupo Educação, Leitura e Recreação, ante variação de 0,13% em junho.
Tal comportamento chamou a atenção do coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, justamente em um período em que o sistema aéreo brasileiro vive um momento conturbado, após os seguidos atrasos e cancelamentos de vôos nos aeroportos, além do acidente com o avião da TAM em Congonhas no dia 17 de julho.
- Tudo indica que o setor vai ter que se adaptar a este momento de mudanças e as tarifas, com isso, deverão continuar subindo, por conta de reajustes que deverão ser promovidos ou até por causa do término de algumas promoções - analisou Quadros. - Do ponto de vista inflacionário, este item vai subir muito mais por causa de uma questão de oferta - acrescentou, referindo-se ao fato do número reduzido de vôos do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Segundo a FGV, o aumento no preço das tarifas é algo recente, já que o item mostra quedas fortes no período acumulado de 2007 e dos últimos 12 meses. No primeiro caso, a redução foi de 18,39%. Em 12 meses, a variação acumulada foi de -20,88.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Depois de tudo o que já aconteceu, no curto espaço de onze meses, autorizarem novo reajuste nas tarifas aéreas é um escárnio ! Se alguém aí ainda acredita que o governo Lula tenha competência para debelar a atual crise aérea, engane-se à vontade: no ponto em que chegamos, aumentarem os preços, é um sintoma claro que esta turma não tem nem competência nem ao menos vontade de arrumarem a casa. Para eles, vai tudo muito bem. Lula ainda acabará sendo chamado de Mister Magôo: nunca vê e nem sabe de nada.