Adelson Elias Vasconcellos
Na edição de hoje, praticamente, nos dedicamos a demonstrar que os problemas que afetam a indústria brasileira não estão lá fora. Estão aqui dentro, e todos derivam da falta de ação, e até se pode dizer, da total falta de projetos do governo Dilma para minimizar os efeitos da questão cambial. O governo, que é ruim de serviço, não tem alternativas, a não aquelas que no passado já se comprovaram ineficientes. Não adianta ficar transferindo responsabilidades como tem sido hábito do governo petista. O custo Brasil passa pela inação governamental em remover as enormes barreiras criadas por ele mesmo e que roubam a competitividade das empresas nacionais.
Temos aí desde a burocracia extremamente analfabeta, até uma inexplicável correção das tarifas de energia elétrica, a que se somam altíssima carga tributária, a infraestrutura deficiente e o baixíssimo nível de ensino.
Acontece que este governo, assim como o período de reinado de Lula, se converteram, no que havia de bom, apenas numa mera sequência daquilo que viera antes deles. As bases da estabilidade econômica foram semeadas e cultivadas em outro quintal, Lula apenas colheu os frutos, fossem os da área econômica, ou da social.
Há quem exiba – Lula, principalmente – o número de empregos gerados. Já provei várias vezes que estes são frutos, não sementes. E, mesmo assim, estes frutos são de baixíssima qualidade. Nesta edição, vamos mostrar que, somente agora, os sindicatos começam a se dar conta desta realidade. Mesmo porque, os empregos de melhor qualificação exigem formação acadêmica. Para estes não faltam vagas, faltam candidatos. E, depois de nove para dez anos, não dava para ter chegado lá? Claro que sim, só que o petismo não quer gente qualificada. Quer vaquinhas de presépio. Antes disso, é preciso aprofundar um pouco ainda o raciocínio. Dilma iniciou seu reinado com uma folgada maioria tanto na Câmara de Deputados quanto no Senado, Poderia, se quisesse, modificar a Constituição em qualquer de seus pontos, menos nos valores e princípios que nela imutáveis, a seu bel prazer. Poderia, se quisesse e tivesse projeto, ter reformulado a Previdência Social, as leis trabalhistas, o sistema tributária e até ter avançado na reforma política. Mas, como disse, se tivesse projeto...
Desde 2006 o Brasil vem enfrentando problemas com o câmbio. O real sobrevalorizado não é questão nova. As dificuldades das indústrias brasileiras não são novidades para ninguém, talvez sejam apenas para os governos Lula e Dilma. Se formos pesquisar, vamos verificar que, ano após ano, o país vem perdendo espaços no comércio internacional para seus produtos manufaturados e semimanufaturados. E se a balança comercial vem apresentando resultados excepcionais isto se deve somente ao agronegócio, que é uma atividade demonizada pelos governistas e ambientalistas. Não fossem nossas commodities, incluindo aí minérios, e certamente nossa estabilidade teria ido prô brejo há muito tempo. Não fosse a necessidade imperiosa da China de importar alimentos, e o nosso colchão de segurança – leia-se reservas internacionais – não teriam chegado ao ponto em que chegaram.
Nada disso é novidade para quem se preocupa com país e procura, por conta disto, se manter razoavelmente bem informado.
Em sua viagem recente à Alemanha, a presidente Dilma Rousseff reclamou do excesso de emissões praticados pelos bancos centrais das principais economias do mundo, dizendo tratar-se de um “tsunami monetário” e que isto desequilibrava o jogo comercial. Ou seja, os problemas de falta de competitividade da nossa indústria e as dificuldades de comercialização interna e externa se davam por razão lá de fora. Seria bom se fosse verdade.
Demonstramos aqui, recentemente, as distorções do nosso sistema tributário, seja pela alta carga que impõem às pessoas físicas como às empresas, seja pela burocracia e prazos de recolhimento que praticamente roubam do empresariado a formação de capital de giro próprio. No Brasil paga-se imposto antes da riqueza ser gerada. Incrível!!!
Hoje, vamos avançar um pouco mais nesta análise que estamos realizado sobre as razões da pouca capacidade de competição de nossas indústrias e, mais uma vez, vamos deixar claro que, se o problema cambial é uma destas causas, nem ela é a única nem tampouco poderia ser tão prejudicial quanto é, se o Brasil fosse governado guiado por um projeto de país, e não unicamente de poder.
Este oba-oba todo em torno da figura de Lula e que agora se tenta criar em torno de Dilma Rousseff, se o leitor for analisar com isenção e em profundidade, verá não passar de mera propaganda.
Quando nos referimos, por exemplo, ao mensalão do PT, tem quem ache que o esquema acabou a partir dos fatos que vieram à público, e isto é um erro. O esquema do mensalão não envolvia apenas membros do parlamento como não se restringia aos fundos de pensão e estatais as arcas de financiamento do esquema.
O mensalão petista, no fundo, se esparrama por todo o país, na forma de doações para ONGs, sindicatos, partidos políticos, agências de publicidade, empresas doadoras para campanha política, e órgãos de imprensa.
O esquema não busca apenas atender a uma base de apoio político no Congresso. Engana-se quem pensa que um esquema tão refinado de corrupção e cooptação se resumiria apenas a esses limites. O mensalão é o caminho pelo qual as esquerdas tentam subverter a institucionalidade do país para seu esquema de poder. E para alcançar este objetivo, que faz parte de um alvo maior, os recursos públicos são usados de maneira intensa e sem limites.
Mas isto já seria outro capítulo à parte. Ele apenas serve de preâmbulo para entender as razões que fazem com que, uma reforma tributária que reduzisse a carga de impostos sobre a sociedade, jamais será levada adiante pelo governo petista. É bom lembrar que Lula, muitas vezes, disse que se paga pouco imposto no Brasil. Isto dá bem a dimensão de como o país está governado e aonde esta gente pretende chegar.
Assim, retomando o fio, não se espere deste governo, nenhuma medida que venha sanar as dificuldades que estão levando a indústria nacional a definhar continuadamente. No fundo, não há interesse de que a riqueza produtiva se disperse, pelo contrário, o objetivo é fazer que apenas alguns poucos estejam liberados para geração de riquezas, concentrando-se no Estado o bolo maior. É engraçado ouvir-se “capitalismo de estado” no caso brasileiro: o que ocorre é que estamos a caminho é de uma economia de estado mesmo. É só ver quantas novas estatais o governo já criou e recriou, e o aumento indiscriminado do tamanho do próprio Estado a partir do primeiro mandato de Lula.
E nesta trincheira a gente ainda poderia incluir os modelos de privatização que o PT vem adotando, sempre com a presença maciça do Estado na composição do capital. Só não vê quem não quer.
Nesta altura, o leitor se perguntaria: mas se pode sair desta armadilha? Ora, é simples: eduque o povo. Dê-lhe informação de qualidade, e não a oficial, colorida e perfumada. E deixe que ele saberá escolher o caminho; Por seu espírito, o brasileiro jamais abrirá mão da própria liberdade. Não há outro caminho que não seja pela via educacional. Claro que eles sabem disto também, razão pela qual aparelharam os sindicatos dos profissionais de ensino e distribuem nas escolas livros didáticos onde o proselitismo ideológico é vergonhoso. Diria até criminoso dado o rosário de mentiras e de inversões de valores que trazem em seu conteúdo.
Assim, nesta edição, mostramos um pouco mais sobre burocracia – o estado erguendo barreiras à produção -, também algumas estatísticas sobre a má qualidade dos empregos que vem sendo gerados, o resultado repulsivo da concentração estatal – e isto foi inaugurado pela constituição de 1988-, e comparamos alguns números do Brasil com nossos vizinhos latinos. Se em relação aos demais países do BRICS, perdemos de goleada, deveríamos ao menos não perder dentro do continente. Mas qual?, com um governo destes, nossa competitividade está sendo jogada no lixo e, o que é pior, de forma organizada, persistente e premeditada. Não esperem do governo Dilma ações em favor do país. Tudo o que esta gente engendra tem um único propósito: perpetuarem-se no poder. O resto é o resto.




