segunda-feira, março 19, 2012

Virou rotina: Argentina terá cota de importação para carne suína brasileira

Janaína Figueiredo
O Globo 

Acordo alivia tensão comercial entre Brasil e Argentina

BUENOS AIRES — Depois de dois meses de exportações praticamente paralisadas, os governos de Brasil e Argentina chegaram ontem a um princípio de entendimento que prevê a implementação de cotas para tentar normalizar a entrada de carne suína brasileira no mercado argentino. As barreiras adotadas pelo governo Cristina Kirchner provocaram uma expressiva redução nas vendas brasileiras: em fevereiro passado, mês em que entrou em vigência a chamada Declaração Antecipada e Juramentada de Importação, as importações de carne suína provenientes do Brasil alcançaram 478 toneladas, frente a 3,1 mil toneladas em igual período do ano passado.

O acordo selado ontem, que ainda deve ser negociado em detalhe por ambos os governos, estabelecerá cotas similares às aplicadas, por exemplo, às exportações argentinas de laticínios e derivados para o Brasil. Segundo confirmou o ministro da Agricultura, Jorge Mendes Ribeiro, as cotas oscilarão entre 3 mil e 3,5 mil toneladas mensais.

— Estou extremamente feliz — declarou o ministro pouco antes de deixar a capital argentina.

Para Mendes Ribeiro, o entendimento com a Argentina é muito positivo já que “passamos de 400 toneladas para uma garantia de 3 mil”. Com este tipo de medidas protecionistas, a Casa Rosada pretende diminuir o déficit do país em sua balança comercial com o Brasil, que no ano passado chegou a quase US$ 6 bilhões. No entanto, no setor agrícola os números favorecem amplamente a Argentina. Em 2011, o Brasil vendeu US$ 700 milhões e comprou cerca de US$ 4 bilhões.

Países adotam sistema de cotas para produtos
Esta não é a primeira vez que os dois principais sócios do Mercosul apelam ao sistema de cotas para resolver atritos bilaterais. O mesmo mecanismo já foi utilizado, por exemplo, para limitar as importações de calçados e eletrodomésticos brasileiros na Argentina. Os acordos são “voluntários” e seu cumprimento deve ser controlado pelos setores privados de ambos os países.

Em 2011, as exportações de carne suína brasileira para a Argentina atingiram 42 mil toneladas, transformando o país no quarto mercado brasileiro, depois de Rússia, Ucrânia e Hong Kong. A drástica queda sofrida em fevereiro deste ano foi consequência direta da nova declaração exigida aos importadores, que deve ser apresentada à Receita Federal argentina (Afip).

A medida também provocou preocupação em outros setores da indústria brasileira e levou o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, a realizar uma visita a Buenos Aires em fevereiro, para conversar com altas autoridades do governo Kirchner.

Na semana que vem, a Argentina apresentará uma proposta oficial ao Brasil sobre a entrada de suínos, que deverá ser analisada pelo governo Dilma Rousseff.

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Ministro irá à Argentina para acabar com barreiras contra a carne suína
Exame.com e informações Agência Estado

Mendes Ribeiro deve antecipar a visita com objetivo de colocar fim à barreira comercial que vem impedindo a entrada do produto brasileiro no país vizinho

Valter Campanato/ABr
Segundo a nota, a viagem do ministro 
"provavelmente ocorrerá ainda no mês de março

Brasília - O Ministério da Agricultura divulgou nota informando que o ministro Mendes Ribeiro Filho deve antecipar visita à Argentina para "acabar com a barreira comercial que vem impedindo a entrada de carne suína brasileira naquele país". Segundo a nota, a viagem do ministro "provavelmente ocorrerá ainda no mês de março". Mendes Ribeiro discutiu o assunto em audiência com a diretoria da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), nesta terça-feira, em Brasília.

A nota explica que a proposta inicial era uma visita conjunta à Argentina dos ministros da Agricultura; das Relações Exteriores, Antonio Patriota; e do Desenvolvimento, Comércio e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Entretanto, "Mendes quer resolver o impasse antes da próxima reunião do Conselho Agropecuário do Sul (CAS), marcada para maio".

O Ministério da Agricultura também informou que Mendes Ribeiro fará novo contato com a ministra da Agricultura russa, Yelena Skrynnik, "para tentar agilizar o fim do embargo russo à carne brasileira", imposto desde junho do ano passado. Mendes Ribeiro diz na nota que, "apesar do momento de indecisão e de mudanças políticas na Rússia, aposta na boa relação com Yelena para reabrir o mercado russo aos produtos do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso nos próximos meses".