domingo, julho 15, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

LULA PRECISA APRENDER O QUE É RESPEITO
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
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Comentar a festa de abertura dos Jogos Panamericanos num único post, em condições normais, talvez até fosse possível. Com um certo poder de síntese e recorrendo-se a muitos lugares-comuns o trabalho ficaria pronto rapidamente. Porém, nesta edição que se iniciou no Rio de Janeiro, é preciso separar duas etapas da festa de abertura: a festa propriamente dita e as vaias a Lula. Stanislaw Ponte Preta disse certa ocasião que o Maracanã vaiava até minuto de silêncio. É verdade, mas o que se viu no Rio e e especificamente em relação à Lula foi algo inédito não no Brasil, mas especialmente na biografia de Lula. Ele, acostumado a ter sempre à sua disposição uma claque para aplaudir e rir de suas asneiras contadas para demonstrar presença de espírito e bom humor, e esperando ser uma das estrelas da festa, teve que amargar inúmeras vezes vaias entoadas por um público de mais de 90 mil pessoas.

Lucia Hippolito, em seu blog, tentou desmerecer o acontecido, dando-lhe menor importância. Outros jornais destacaram as vaias e o constrangimento da abertura do Pan ser declarada não como mandava a tradição até aqui, que era o chefe de Estado do país sede. Visivelmente, ao longo da festa, foi notória a decepção e o mau humor de Lula. Mais visível sua decepção e irritação quando o presidente do COB, Artur Nuzman fez o papel que cabia a Lula desempenhar. Constrangimento total. Mas cá pra nós, Lula fez por merecer esta vaia toda. Primeiro, comparecendo a Vila Olímpica, chegou atrasado. E por conta disto, sem mais nenhuma explicação acabou não almoçando com os atletas como estava combinado. E depois, por chegar com mais de meia hora atrasado ao Maracanã, quando havia pessoas esperando pelo início da festa desde três horas da tarde. Ao chegar, e ter seu nome anunciado, foi logo vaiado, e a partir daí, sempre que aparecia sua imagem no telão ou tinha seu nome anunciado pelo cerimonial, ninguém lhe poupou.

Claro que não faltarão jornalistas, blogueiros e toda a legião de puxa-sacos militantes para afirmarão que o público presente não respeitou a figura do presidente Lula. Aliás, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, chegou a afirmar que a vaia foi “orquestrada”. Comento isto depois. Preciso, primeiro, deixar claro que desrespeito quem cometeu foi Luiz Ignácio, ao deixar as pessoas esperando pelo início da festa que precisou ser retardada por conta de seu atraso de mais de meia hora. Ele não um convidado qualquer, senão a pessoa cuja presença daria início ao evento além do ser o anfitrião maior de um acontecimento internacional. Ele, melhor do que qualquer ali presente, deveria saber seu papel e deixar ilustres convidados além dos milhares de anônimos esperando até que resolva dar o ar de sua graça, é no mínimo deselegante. Pediu, levou. Aliás, não é a primeira vez que Lula e comitiva têm o mau hábito de deixar as pessoas esperando e tendo que suportar seu atraso. A festa ali n/ao era dele, as estrelas eram os atletas e não ele, portanto, um mínimo de consideração deveria ter tido. Depois de levar a primeira vaia, passou o resto da solenidade com cara fechada e amarrada. Levou mais vaias ainda, até culminar no fiasco em que, primeiro renunciara ao anúncio da abertura, e de pois, querendo retroceder na deselegância, acabou se atrapalhando e permitindo que Nuzman fizesse o anúncio oficial da abertura dos jogos.

Lula não está acostumado à vaias. Não está acostumado a não ser o centro de atenções em um evento realizado no país. Sendo a festa transmitida para todas as Américas, ser vaiado por mais de 90 mil pessoas não é algo que ele vá digerir muito bem. Haverá claro algum discurso imbecil. Culpará a quem ? Que culpe a si mesmo. E que dê graças a Deus deste ter sido um fato isolado. Porque se ele representar o cansaço da população em relação ao governo ridículo que vem realizando, vai precisar de muita cera de ouvido. Claro que o Nordeste o endeusará por algum tempo. Mas diante de pessoas com um mínimo de formação, educação e informação, Lula já não consegue ser nada além de uma figura grotesca, grosseira e exótica algumas vezes. Que a vaia recebida repetidas vezes ontem no Maracanã o faça pensar no que afinal ele está errando. E se for sincero para consigo mesmo, sentirá de si mesmo vergonha do papelão que vem desempenhando como presidente do país.

Quanto a declaração do ministro dos Esportes, Orlando Silva de que a vaia foi orquestrada, não poderia ter sido mais tola do que foi. Primeiro, eram mais de 90 mil pessoas alai presentes. Segundo, não eram apenas cariocas, era gente vindo de todo o Brasil e alguns estrangeiros também. Não haveria tempo hábil para combinar com todos uma vaia especial para Lula. Terceiro, o motivo real era e foi o desrespeito de alguém que patrocinou uma festa para milhares e na hora de começar o evento, deixou todo mundo esperando para fazer seu charme ridículo e patético.E por último, Lula está acostumado a se atrasar em todas as ocasiões e acontecimentos de que participa. Em outras ocasiões, a claque contratada acaba aplaudindo porque ali está para cumprir este papel imbecil. Ontem, contudo, não foi o caso. Não basta ser presidente para aprender a ser educado. É preciso comportar-se com educação, mesmo que o cidadão seja um presidente da república. Aliás, esta é uma forte razão para que saiba respeitar os convidados. E isto, propositadamente ou não, Lula não soube fazer.

Três retratos do Brasil

Augusto Nunes, Sete Dias, Jornal do Brasil
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O presidente da República confere furtivamente o texto curto, digitado com letras grandes no pedaço de papel que segura, com a discrição possível, na mão esquerda. A direita já escreveu num quadro duas palavra: "Parabéns Rio". Assim mesmo, sem a escala obrigatória na vírgula intermediária, como registra a foto que ilustrou a primeira página do Estadão.

As palavras rabiscadas no cargo sugerem a abertura de uma mensagem de cumprimentos à cidade abençoada pelo Cristo Redentor, agora oficialmente incorporado à lista das sete maravilhas do mundo moderno. E informa que Lula não sabe escrever nem quando cola. A vírgula estava no papel. Foi sumariamente revogada pelo homem que acha leitura pior que exercício em esteira.Lula passou por cima daquele sinalzinho com a naturalidade de quem vive atropelando o idioma, sem prestar socorros à vítima. É mais que a foto de um presidente que acha coisa de elitista escrever direito. É o retrato de um Brasil que, depois de ter abolido o pecado da ignorância, celebra a hegemonia dos medíocres.Essa imagem haverá de ilustrar, nos livros de História do Brasil, o capítulo destinado a contar como foi a travessia da Era da Mediocridade. Outras duas cenas - uma das quais protagonizada, há quase três anos, também pela estrela do elenco - ajudarão a visualizar estes tempos penosos.

Numa tarde de 2004, Lula estava em Tucuruí, no Pará, para estrelar a cerimônia de inauguração de três turbinas. No centro da mesa das autoridades, desembrulhou e engoliu um bombom de cupuaçu. Gostou. Mas o rosto risonho não demorou a ser substituído pela fisionomia aflita.

O presidente entendeu que estava com um problema na mão esquerda: a embalagem, que amassara até reduzi-la a uma bolinha de papel. Como livrar-se daquilo? A manobra executada por Lula avisa que até em momentos de grossura explícita deve ser observada a "liturgia do cargo".

Sentado à esquerda do então governador Simão Jatene, Lula passou o papel para a mão direita, com a fisionomia beatífica de quem ainda degustava o cupuaçu. Em seguida, estendeu o braço atrás da cadeira ocupada por Jatene. Então, fingindo-se absorvido por reflexões sobre dramáticos problemas nacionais, deixou o papel cair no chão.

Teria sido uma operação exemplar se algum tipo de blindagem impedisse a visão das pernas da turma - e de tudo o que se passava sob o tampo da mesa. A seqüência de fotos foi mais que a prova de que, sem testemunhas, Lula é capaz de jogar cascas de banana na calçada. Foi o retrato de um Brasil que capitulara à ofensiva do primitivismo.

A terceira cena desoladora ficou por conta do deputado Antonio Palocci. Nas imagens transmitidas pela TV Globo, o ministro que estuprava contas bancárias aparece furando a fila no saguão lotado do aeroporto. É mais que outra evidência de que até caipiras com cara de sonso aprendem a levar vantagem em tudo. É o retrato de um país que se julga esperto, mas é apenas cafajeste.

Cabôco Perguntadô
Afundada no mar de textos sobre o crescente atrevimento da bandidagem, o Cabôco localizou uma notícia que o deixou excitado. Nos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal absolveu todos os acusados em ações judiciais examinadas pelas 11 togas. Só havia inocentes.

Cada vez mais apreensivo com tiroteios e balas perdidas, o Cabôco pergunta o que deve fazer para virar porteiro do STF. Para recuperar o sossego, quer um emprego no único lugar do Brasil onde não existem bandidos.

Uma espécie em mutação
Em São Paulo, atendendo a instruções do governador José Serra, a bancada majoritária na Assembléia Legislativa, comandada pelo PSDB, enterra qualquer tentativa de exumar, com a instalação de CPIs, cadáveres em decomposição nos armários tucanos. E também se recusa a investigar escândalos recentes se protagonizados por tucanos. Foi assim com o deputado Mauro Bragatto.

O PSDB lembra o PT já faz tempo. Só falta aprender a lidar com gado para credenciar-se a substituir o PMDB na grande aliança federal.

O cinismo vai à estratosfera
Decididos a lucrar com o apagão, donos de empresas improvisaram uma versão aérea das jardineiras de antigamente. Hoje os aviões só partem depois de lotados, multiplicam escalas que atrasam os vôos mas aceleram o ritmo da prosperidade, aumentam preços quando há mais passageiros que bilhetes, negam-se a pagar indenizações. Acham pouco. Agora, querem que o governo compense em dinheiro "prejuízos causados pelo apagão". Merecem ser condenados a um ano de reuniões diárias com o ministro Waldir Pires.

O suplente paraguaio
O senador Sibá Machado, substituto da ministra Marina Silva, mostrou do que um suplente é capaz ao propor a troca dos exames vestibulares pelo sorteio das vagas. Wellington Salgado, substituto do ministro Hélio Costa, mostrou do que um suplente é capaz ao aparecer no Senado com aquele cabelo. Gim Argello, substituto de Joaquim Roriz, só precisou do nome para desmoralizar de vez a figura do suplente.

Um Gim Argello é demais até para este Senado. Melhor transferi-lo para um rótulo de bebida falsificada.

Yolhesman Crisbelles
A taça vai para o senador sergipano Almeida Lima, alferes da tropa de choque de Renan Calheiros, que conquistou o bicampeonato com a mensagem com a qual tentou recusar o prêmio concedido pela coluna na semana passada. Trecho:

O povo está de saco cheio com bandalheiras praticadas por políticos delinqüentes. Alegra-me a autoridade moral em poder afirmar que não contribuí, nem minimamente, com esse descalabro.

Parabéns, senador.

Lula vai ao pan... Pan vaia lula

Folha de São Paulo
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Vaiado seis vezes na cerimônia de abertura do Pan-Americano do Rio, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fez a declaração habitual de abertura, como exigia o protocolo esportivo, tendo sido substituído no último momento pelo presidente do comitê organizador, Carlos Arthur Nuzman.

Segundo a Presidência da República e o comitê organizador dos Jogos cariocas, "houve um desentendimento" entre suas equipes responsáveis pelo cerimonial da abertura do Pan.

O governo federal bancou R$ 1,8 billhão dos R$ 3,7 bilhões gastos na preparação dos Jogos, sendo que R$ 49,8 milhões foram direcionados para festas relativas ao evento esportivo.

A primeira vaia a Lula, vinda de um público que pagou entre R$ 20 e R$ 250 por cada ingresso, surgiu quando a imagem do presidente apareceu nos dois telões do estádio. Sua figura foi rapidamente tirada, e então o público aplaudiu. A organização ainda tentou novamente, com uma imagem um pouco mais distante, e veio a segunda vaia. A terceira e quarta vaias aconteceram durante anúncio de sua presença no Maracanã pelo sistema de som e em nova imagem nos telões.

Outras duas vaias ocorreram durante a menção ao nome de Lula nos discursos de abertura dos Jogos, feitos por Nuzman e pelo presidente da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), Mario Vásquez Raña. Quando Nuzman mencionou o governador do Rio, Sergio Cabral, houve aplausos parciais. Quando citou o posto do prefeito do Rio, Cesar Maia, houve aplausos efusivos.Segundo o relato de integrantes da comitiva presidencial, Lula havia desistido de fazer a declaração de abertura dos jogos pouco antes do momento para o qual estava prevista. Nuzman, que é também presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, então assumiu para si o papel antes destinado ao presidente da República e desceu da tribuna de honra do Maracanã para o gramado.

Cabral ainda insistiu para que Lula fizesse a declaração de abertura, e o presidente cedeu, recuando de sua desistência.

Um microfone foi novamente colocado à sua disposição na tribuna, e as câmeras do sistema oficial de televisão filmaram, esperando por sua fala, ao lado de Cabral e de Maia.

Mas a informação de que o presidente decidira falar aparentemente não chegou a Nuzman. "Em nome de todos, declaro abertos os Jogos Pan-Americanos Rio-2007. Boa sorte, Brasil!", declarou ele.

Na saída do Maracanã, Lula não quis falar com repórteres. Entrou rápido no carro. Sua mulher, Marisa, acenou, mas fez que não ouviu as perguntas.

O presidente estava acompanhado de seu vice, José Alencar, e de vários ministros, como Dilma Rousseff (Casa Civil). Também estavam presentes, além de Cabral (PMDB) e de Maia (DEM), o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM).

Apesar da segurança reforçada em toda a cidade, onde milhares de policiais patrulham as ruas ostensivamente com fuzis, Lula se deslocou só de helicóptero. Foi do aeroporto à Vila do Pan (zona oeste), depois ao hotel (zona sul), ao Maracanã (zona norte) e voltou ao aeroporto.

Pra Frente, Bulgária!

por Diogo Mainardi, Revista VEJA
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Que Brasil, que nada. A gente passou os últimos setenta anos cantando por aí que o Brasil era lindo e trigueiro. Que era a terra boa e gostosa da morena sestrosa. Ninguém acreditou. Mentimos mal. No ano passado, segundo os dados da ONU, despencamos para o 37º lugar na lista de países que mais receberam turistas estrangeiros, com uma queda de 400.000 pessoas. Fomos superados pela Bulgária. O que é que a Bulgária tem? Tem a mesquita de Banya Bashi, tem o cavaleiro de Madara, tem sopa fria de pepino e tem kebab.

Em 2003, Lula anunciou um plano cuja meta era triplicar o número de turistas estrangeiros até o fim de seu mandato. Como tudo o que ele faz, deu errado. Como tudo o que ele diz, era uma balela. Em seus quatro primeiros anos de governo, nada triplicou no Brasil. Nada mesmo. Nem a fortuna pessoal de Lula – ela só dobrou. Outros dados da ONU: em 2003, recebemos 0,59% do total de turistas que circularam pelo planeta. Sabe quanto recebemos em 2006? Os mesmos 0,59%. Em 1998, recebemos 0,77%. Em 1999, 0,78%. No mundo todo, nunca se viajou tanto quanto no ano passado. Além do Brasil, só cinco países conseguiram perder turistas. Proporcionalmente, nenhum deles perdeu tanto quanto o nosso. 2007 está com pinta de ser ainda pior. De janeiro a maio, os desembarques caíram mais de 10% se comparados a igual período de 2006. Na semana passada, o Brasil foi esculachado pela Bulgária em outra estatística internacional. Em 2002, de acordo com um estudo publicado pelos técnicos do Banco Mundial, os dois países estavam praticamente empatados em matéria de corrupção. Naquele ano, os homens públicos brasileiros mereceram uma nota de 54,4 e os búlgaros se posicionaram imediatamente atrás, com 53,4. Depois de quatro anos de farra lulista, o quadro mudou. A nota dos brasileiros caiu para 47,1 enquanto a dos búlgaros subiu para 57,3. Só regimes podres como o da Venezuela apresentaram uma queda maior do que a nossa.

O ministro-chefe da Controladoria-Geral, Jorge Hage, caiu na patetice de tentar salvaguardar Lula do descrédito mundial, argumentando que os dados resultavam "de uma mixórdia de questionários com perguntas diferentes, e depois submetidas a exercícios estatísticos mirabolantes que não resistem a nenhum teste cientificamente sério". A pessoa mais indicada para desmenti-lo é Marta Suplicy. Em 2001, à frente da prefeitura de São Paulo, ela encomendou um projeto de combate à corrupção aos mesmos técnicos do Banco Mundial que acabam de ser atacados por Jorge Hage.

Marta Suplicy tornou-se ministra do Turismo. Jorge Hage tornou-se uma autoridade no combate à corrupção. Com gente assim, o Brasil continuará despencando nas listas internacionais. A Bulgária ficará cada vez mais distante. Podemos até cantar que o Brasil é lindo e trigueiro, mas ninguém acreditará em nós. Mentimos mal. Só nós acreditamos em nossas mentiras. Dovizhdane.

Democracia vaga-lume

Editorial na Revista Istoé
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Nove dos 15 integrantes do Conselho de Ética do Senado respondem a processos. Dezesseis senadores estão encrencados na Justiça por mau versação de dinheiro público. A cada legislatura, a Câmara dos Deputados cassa alguns de seus membros por corrupção. Se esse quadro é conseqüência dos desmandos, onde está a causa? "A ocasião faz o furto, o ladrão já nasce feito", alguns certamente hão de se lembrar da interpretação mais honesta do velho ditado popular. Mas a correção pessoal, contudo, serve melhor para explicar o fato de termos alguns bons parlamentares do que para justificar por que tantos se envolvem em falcatruas.

Na semana passada, o Banco Mundial constatou uma piora nesse quadro nos últimos dez anos - e os brasileiros começam a exigir o fim do foro privilegiado para políticos. O argumento de que a Justiça tarda tanto que não pode nem se dizer que seja falha ajuda a entender a impunidade, mas não explica o crime.

A classe política brasileira está encalacrada porque a mistura de Estado grande, polícia ativa, imprensa livre e Justiça lenta é nitroglicerina pura. Como no atual sistema brasileiro não existem grandes obras sem governo (ora porque são tantas as exigências legais, ora porque as PPPs mal saíram do papel), deputados e senadores assumem a posição de intermediários - o elemento de conexão entre as licenças, o orçamento do Estado e as empreiteiras.No momento em que o governo Lula começa a deslanchar uma série de novas obras de infraestrutura, a sociedade deve estar consciente de que o único caminho para reduzir as oportunidades de corrupção é privatizar, privatizar e privatizar. Ou então vamos nos acostumar a uma democracia vaga-lume, na qual o Congresso só funciona nos intervalos em que seus membros não estão submetidos a escândalos, renúncias e cassações. Algo cada dia mais raro.

TOQUEDEPRIMA...

***** Brasil terá um déficit de U$ 1 bi com a China
Veja online

O Brasil vai fechar o ano de 2007 com o primeiro déficit comercial com a China em sete anos, de acordo com projeções da Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior (Funcex) divulgadas nesta quinta-feira. Os dados apontam um déficit de cerca de 1 bilhão de dólares até o final do ano.

O Brasil já chegou a ter saldo comercial positivo de 2,4 bilhões de dólares com o país asiático em 2003, logo após a forte desvalorização do câmbio no ano anterior - com o dólar chegando a quase 4 reais. Nos últimos 12 meses, porém, o saldo é positivo em apenas 100 milhões de dólares. Considerando-se apenas o ano de 2007, o resultado é ainda pior: 410 milhões de dólares negativos.

Enquanto o total de importações do Brasil teve um crescimento de 27% este ano, a importação de produtos chineses cresceu 49%. Os itens que tiveram maior crescimento no total das importações foram os eletrônicos de uso doméstico, com aumento de 98%, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior. Em seguida, vieram as máquinas automáticas para processamento de dados, com 78%, e motores geradores e transformadores, com 67%.

***** A caixinha da discórdia
Lauro Jardim, Radar, Veja online

O lançamento da tevê digital no Brasil está marcado para dezembro, mas desde já uma briga pesada começa se desenhar. De um lado, a indústria eletroeletrônica. Do outro lado do ringue, a indústria de informática. O x da questão são as caixinhas conversoras que deverão ser instaladas nos aparelhos de quem quiser receber o novo sinal.

Os fabricantes de equipamentos eletroeletrônicos querem que elas sejam classificadas como "bens de lazer", para que possam ser produzidos por eles nas fábricas da Zona Franca de Manaus, com os incentivos fiscais de praxe. Já os fabricantes de computadores, querem que elas ganhem a classificação de "bens de informática", e possam ser fabricadas por eles, onde bem quiserem.

Para se ter uma idéia do que essa briga significa, no Brasil são vendidos hoje nove milhões de novos aparelhos de televisão em média anualmente — das pequenas tevês de 14 polegadas aos telões de plasma. Espera-se para os conversores procura semelhante nos primeiros anos de operação do sistema.

***** MP libera mais R$ 6,3 bilhões para ministérios

Tramita na Câmara uma medida provisória que abre crédito extraordinário de R$ 6,33 bilhões para os ministérios de Minas e Energia, da Saúde, dos Transportes, da Defesa, da Integração Nacional e das Cidades e para a Secretaria Especial de Portos. Cerca de R$ 6 bi dos recursos vêm do superávit do ano passado. Os recursos têm "diversos fins" como a implantação de sistemas de esgoto e abastecimento de água, urbanização de assentamentos precários, e restauração e construção de rodovias.

***** Stédile elege novos alvos do MST: "Agora são as empresas"

O principal líder do Movimento dos Sem Terra, João Pedro Stédile, anunciou que o "latifúndio" deixou de ser o principal inimigo do ‘movimento’. A partir de agora, foram escolhidos como adversários a serem combatidos as empresas transnacionais, o agronegócio e o "governo Lula e seu modelo econômico".

Em discurso na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, Stédile vociferou seus habituais ataques. "Antes era o latifúndio, agora [o inimigo] são as empresas transnacionais que exploram as nossas riquezas e levam para fora do País", afirmou ele, referindo-se a multinacionais como Cargil, Bünge e Monsanto.

Stédile foi além e disparou suas farpas contra o companheiro presidente Lula. "O MST se iludiu com o Lula porque ele não manda nada, vive viajando. Quem manda nesse País são os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Por isso, a reforma agrária não avança. O Lula fica quieto porque recebeu dinheiro de campanha das empresas transnacionais", acusou.

***** Governo quer contratar pagando salários de mercado

O novo modelo de gestão apresentado pelo governo quer tornar os serviços públicos mais ágeis e eficientes, e vai permitir a contratação de profissionais por salários de mercado. A informação foi dada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em entrevista ao jornal 'O Globo' nesta sexta-feira.

***** Cala a boca, Marta

A ministra Marta Suplicy (Turismo) abriu a boca para protagonizar mais uma saia justa, ontem. Ao cumprimentar a atleta Eliete Cardoso dos Reis, de patinação, a ministra perguntou se ela era mãe da ginasta Daiane dos Santos. "Não, por quê?", indagou Eliete. Marta se revelou: "Porque vocês duas são moreninhas". Eliete se queimou: "Moreninhas, não, ministra. Nós somos negras". Marta preferiu não mandar Eliete relaxar e gozar.

***** DEM prepara ação no STF contra LDO

O Democratas pretende entrar com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) no STF (Supremo Tribunal Federal) para questionar a legalidade da aprovação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). De acordo com o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), o texto é inconstitucional à medida que a previsão orçamentária conta com a arrecadação da CPMF, o imposto sobre cheques, que deve ter sua cobrança encerrada em 31 de dezembro. "Vamos contestar no Supremo porque é inconstitucional aprovar uma lei para 2008 em que uma das previsões é arrecadar receita a partir da cobrança de uma contribuição que vai acabar no final do ano", afirmou Bornhausen, líder do movimento intitulado "Xô CPMF". "Não existe receita condicionada. É contar com o que ainda não está certo", concluiu.

A questão da CPMF está sendo discutida na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é relator de proposta que analisa se é constitucional ou não a manutenção da cobrança do imposto. O relatório deve ser votado em agosto, após o recesso parlamentar.

***** Onyx adverte Calheiros: "Se formos falar de mãos sujas, não serão as nossas"

O líder dos Democratas na Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (RS), rebateu a declaração do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) sobre "sujar as mãos". "Se formos falar de mãos sujas, não serão as nossas", advertiu o democrata. Ele afirmou que Calheiros deve deixar a presidência do Congresso para que haja investigação séria. "O envolvimento do presidente do Senado nessas improbidades e sua resistência para se afastar do cargo usando prerrogativa que tem como objetivo impedir bloquear e em algum momento manobrar para que as investigações não aconteçam é inadmissível", constatou o gaúcho.

O deputado ainda cobrou dos parlamentares um posicionamento quanto aos escândalos que vem acontecendo no Congresso e criticou o corporativismo. "Neste caso, não é o nome do parlamentar A , B, ou C que deve ser preservado, mas o nome do Parlamento. É urgente que se faça deste, um espaço ético", concluiu.

***** Máfia dos estaleiros agia há 4 anos na Petrobrás

Investigação da própria Petrobrás mostra que a máfia dos estaleiros, revelada nesta semana pela Operação Águas Profundas da Polícia Federal, atuava há pelo menos quatro anos dentro da estatal. Auditoria da empresa indica vazamento de informações na licitação feita em 2003 para estadia e apoio da plataforma P-22.

As vaias mais caras do mundo no Pan 2007

Vaia poppuli vaia dei: Lula não se conforma por ter financiado as vaias mais caras do mundo no Pan 2007
Por Jorge Serrão, Alerta Total
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Vaia poppuli vaia dei. Se a popularidade for medida por vaias, o presidente Lula da Silva está mesmo “prestigiado”. Os apupos dos 90 mil cidadãos brasileiros presentes ontem à abertura do Pan 2007, no Maracanã, lançou dúvidas objetivas sobre o sempre elevado índice de aprovação de Lula mostrado pelas pesquisas amestradas. Ele nem pôde falar na abertura do evento, conforme previa o protocolo esportivo. Na tribuna de honra, Lula deu um sorriso amarelo. O presidente deixou, cabisbaixo, o estádio Mario Filho. Sua vaidade foi mortalmente ferida. Ganhou a medalha verbal de “impopular”.

A primeira manifestação contra Lula aconteceu quando uma imagem do presidente apareceu nos novos telões do estádio. Neste momento, a maioria protestou. Outro instante em que foram ouvidas sonoras vaias para o presidente foi quando o sistema de som do Maracanã anunciou a presença dele. A última vaia foi quando o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzmann, agradeceu a presença de Lula no Maracanã. As vaias contra Lula só foram superadas quando a delegação norte-americana desfilou. No total, houve quem registrasse até seis vaias contra Lula. Mas, no caso, não importa a quantidade – e sim a qualidade da reprimenda dos cidadãos.

A ex-jogadora de vôlei, Ana Mozer, chegou a ironizar em seu blog, na postagem com o título: “E o Nuzman virou presidente do Brasil”. Escreveu a atleta: “Pelo menos por alguns segundos. Na abertura do Pan, na hora de anunciar abertos os Jogos, tarefa sempre destinada ao comandante maior em termos de hierarquia de govero, no caso nosso Presidente Lula, Nuzman pegou o microfone e abriu ele os Jogos. Quem viu não entendeu nada. Discursou ele, discursou um outro cartola. Aí voltou para o Nuzman que abriu os Jogos. Sei lá o que aconteceu. Mas que ficou estranho, ficou”.

Os adversários de Lula deliraram. O prefeito Cesar Maia comentou as vaias contra Lula: "A assessoria da Presidência se precipitou e pediu ao Nuzman que o presidente Lula não falasse. Mas se esqueceu de falar com o presidente da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), Mario Vásquez Rama, que anunciou o nome do Lula e causou um constrangimento muito grande". Quando Nuzman mencionou o governador do Rio, Sergio Cabral, houve aplausos parciais. Quando citou o prefeito do Rio, Cesar Maia, houve aplausos efusivos. Para Lula, sobraram as vaias.

Integrantes da comitiva presidencial revelaram que Lula havia desistido de fazer a declaração de abertura dos jogos pouco antes do momento para o qual estava prevista. Nuzman, que é também presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, então assumiu para si o papel antes destinado ao presidente da República. O cartola desceu da tribuna de honra do Maracanã para o gramado.

O cerimonial se pareceu muito com a cara do governo federal. Sérgio Cabral insistiu para que Lula fizesse a declaração de abertura. O presidente cedeu, recuando de sua desistência. Um microfone foi novamente colocado à sua disposição na tribuna, e as câmeras do sistema oficial de televisão filmaram, esperando por sua fala, ao lado de Cabral e de Maia. Mas a informação de que o presidente decidira falar não chegou a Nuzman. Por isso, no lugar do presidente vaiado, ele soltou o verbo: "Em nome de todos, declaro abertos os Jogos Pan-Americanos Rio-2007. Boa sorte, Brasil!".

Na saída do Maracanã, Lula não quis falar com repórteres. Entrou rápido no carro. Sua mulher, Marisa, acenou, mas fez que não ouviu as perguntas dos jornalistas. O governo federal bancou R$ 1,8 billhão dos R$ 3,7 bilhões gastos na preparação dos Jogos. Pelo menos R$ 49,8 milhões foram direcionados para festas relativas ao evento esportivo. Pelo investimento federal realizado, as seis vaias foram as mais caras do mundo. Que a vaia lhe seja leve, Lula.

A exaltação da vulgaridade

por Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga, site Diego Casagrande
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"Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral... A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida... A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia".
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Estas afirmações pertencem a Eça de Queiroz (1845-1900), mas podem se aplicar perfeitamente ao Brasil de hoje. Nunca antes na história desse país fomos tão vulgares. Enraizou-se entre nós a prática do "politicamente correto", algo que objetivou combater certos preconceitos, mas nos faz aceitar passivamente a mediocridade, acirra ódios raciais, exalta a ignorância.

Vamos além: vivemos a cultura do cinismo e da farsa governamentais. Somos capazes de nos comprazer com o engodo que criamos através do voto. Aceitamos tudo que nos enfiam consciência abaixo com a crença ingênua das crianças em Papai Noel, substituído por Papai Lula.

Sobre o atual presidente da República, ardilosamente teceu-se a proteção que o torna um cidadão acima de qualquer suspeita. Ele de nada sabe, nada vê, de nada se responsabiliza como se a corrupção que grassa de forma avassaladora entre seus compadres, companheiros, aliados antes execrados e agora fiéis escudeiros, lhe fosse desconhecida. Explora-se sua origem humilde e é crime de lesa majestade taxá-lo de despreparado para o cargo. Na verdade, origem humilde, pobreza, agruras vividas nada têm a ver com o caráter de uma pessoa. Alguém que não nasceu em berço de ouro pode se tornar um safado ou um homem de caráter. Pode se manter ignorante ou se transformar numa pessoa culta. No caso do ex-retirante e ex-operário é impressionante como suas piadas grosseiras, seus constantes atropelamentos do idioma, seus rompantes de porta de fábrica, sua costumeira e delirante autolouvação são interpretados como rasgos geniais de comunicador de massas, como selo de autenticidade popular. O que jamais seria perdoado em outros presidentes da República nele provoca risos satisfeitos, aplausos entusiásticos porque um dia ele foi pobre.

Assim como se costuma estigmatizar a pobreza como a única classe que comete crimes, o que está longe da verdade, no caso de Lula da Silva inverte-se os sinais e sua ignorância é tomada como sabedoria da pobreza.

Vai-se mais longe: aprendeu-se com o PT a dividir o mundo político de forma maniqueísta: Fernando Henrique é o mal. Lula da Silva é o bem. FHC é sociólogo, homem culto, poliglota, logo não presta. Lula da Silva é o redentor das massas desvalidas, o puro, o semi-analfabeto que ilustra um ideal de vida bem brasileiro: progredir na vida sem fazer força.

A propaganda massacrante não deixa perceber que, curiosamente, um é extensão do outro na medida em que Lula copia, através de sua equipe de governo, não só a política econômica quanto a social do ex-presidente. No mais, não se pode negar que FHC fez de Lula seu sucessor, impediu seu impeachment e o tucanato de alta plumagem vive imbricado com o PT das mais altas rodas.

Nas atuais cenas de desmoralização do Congresso, onde o cinismo se mistura com a ganância desmedida pelo poder, para não dizer pura canalhice, o presidente da República, através de sua tropa de choque petista congressual capitaneada pela estridente Ideli Salvati, se coloca como defensor do indefensável Renan Calheiros. E este, atracado à cadeira da presidência do Congresso, dá um show de mau-caratismo. A impressão que se tem é a de que se quer desmoralizar de vez a instituição. O naufrágio do Congresso é a consagração do Executivo que, tendo dominado em grande parte o Judiciário prossegue nos caminhos da ditadura petista disfarçada a ser coroada com a TV estatal dirigida por Franklin Martins.

Tem-se visto muitas prisões, mas quem ficou preso? Onde estão Waldomiro Diniz, Marcos Valério, José Dirceu, Silvinho Land Rover e tantos outros? Pelo que consta de notícias estes vão muito bem obrigada. Companheiro que é companheiro não cai, se cai desafia a lei da gravidade e cai para cima. Que o digam Palocci, João Paulo Cunha, José Genoino, eleitos deputados federais. Rejubilem-se com o Brasil da impunidade todos os mensaleiros da "base aliada", todos os companheiros empreiteiros (Zuleido, onde está?). Pipocam os escândalos, as evidências, as gravações, os documentos, as operações policiais e todos se salvam, mesmos sendo lambaris. Manda no Brasil a Venezuela, manda seu preposto Evo Morales e vêm mais hermanos em nosso encalço. Afinal, somos imperialistas e o petróleo agora e deles, coitados.

No Brasil do PT os pobres estão felizes com as bolsas-esmola. Os ricos estão eufóricos com os lucros nunca antes auferidos nesse país. "A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia". Se "estamos perdidos há muito tempo", agora ingressamos na era da exaltação da vulgaridade. "O país perdeu a inteligência e a consciência moral".

A Carnavalização Do Brasil

por Aluízio Amorim , site Diego Casagrande
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A Iesa Óleo e Gás, uma das empresas implicadas pela Polícia Federal na Operação Águas Profundas, que investiga fraudes em licitações da Petrobras, foi uma das maiores doadoras do PT no ano passado, segundo apurou o jornal Folha de São Paulo em sua edição desta quinta-feira. A denominação da operação policial – Águas Profundas – não poderia ser mais adequada. E bota profunda nisso aí! Profundas e fétidas. De acordo com dados registrados pelo partido no Tribunal Superior Eleitoral, segundo a Folha, foram três doações em 2006, totalizando R$ 1,562 milhão. A Iesa foi a sexta maior contribuinte ao partido no ano.

Instada pela reportagem a direção da IESA falou através de sua assessoria de forma clara e objetiva, ou seja, tratou uma ilegalidade flagrante como algo normal e contumaz no relacionamento entre empresas e governo: "A empresa quis prestigiar o PT porque o governo abriu o mercado de óleo e gás para empresas nacionais, obrigando todas as obras contratadas pela Petrobras a terem índice de nacionalização elevado, contrariando orientação de governos passados. A Iesa é filha direta dessa política", afirmou a empresa por meio de sua assessoria.

Bom, por aí dá para entender por que não existe mais nenhuma oposição ao PT. O aparelhamento articulado pelo governo petista não acontece apenas no âmbito público, mas invade também a área privada. É o Estado patrimonial elevado a um nível máximo, inaudito na história da República.

Estamos assistindo, então, à fundação de um novo Estado onde o público e o privado transformam-se numa geléia geral, para dar lugar ao Estado cartorial, conceito cunhado pelo sociólogo Hélio Jaguaribe que nutriu sua teoria a partir dos tipos ideais de dominação política elaborados por Max Weber. O governo é o partido e o partido é o governo, enquanto o Estado estrutura-se na confusão entre o público e o privado. No caso brasileiro, seus beneficiários são além de Lula e seus sequazes, os mega-empresários, os banqueiros, boa parcela dos funcionários públicos e de estatais e, por fim, a turma do bolsa-esmola. Tudo isto está aprisionado e orientado pela ampla teia sindical comandada pelo braço armado do PT que é a CUT.

Isto significa que a esfera ética e moral da sociedade brasileira está sendo esfacelada e, com ela, o ânimo empreendedor que deve comandar a ação social dos indivíduos numa sociedade dinâmica. Essa letargia que esmaga o ato de empreender começa com a bolsa-esmola e apanha em seguida os jovens com a instituição de cotas. Arrasa-se não só o mérito universitário, como também o próprio mérito do indivíduo que luta e tem um projeto de vida e de Nação. Sob a política petista tudo se torna dependente do Estado e do Partido. O sucesso empresarial não se dá por competência e competitividade, mas por vassalagem ao poder, ao mesmo tempo em que o indivíduo é atomizado e abduzido por uma vã promessa de uma sociedade igualitária, miragem construída pelo marketing petista.

Por isso mesmo, a IESA, empresa contribuinte do PT, não teve qualquer pejo em justificar a sua ação, quando afirmou que ela, a empresa "...é filha direta dessa política". Ora, o que se constata é que essa é uma política de compadrio e de toda a sorte de inversão de valores. Quando uma empresa privada deseja "prestigiar" o partido que está no poder com um pacotão de R$ 1,6 milhão defrontamo-nos pura e simplesmente com a compra de benesses do Estado-pai.Trata-se da completa carnavalização da sociedade brasileira, a qual se configura pela inversão dos códigos vigentes, especialmente aqueles nos quais repousam a moral, a ética e o bom direito.

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Consulta pública: farmácias podem vender bebidas?
Por Angela Pinho

Farmácias e drogarias não poderão mais vender chicletes, chocolates e cereais, segundo proposta submetida a consulta pública ontem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A idéia do órgão é só permitir a venda nesses estabelecimentos de produtos ligados à saúde e à higiene pessoal - ou seja, além de medicamentos, cosméticos, vitaminas, xampus, sabonetes e absorventes, entre outros.

Entre os alimentos, serão permitidos apenas artigos vinculados a cuidados com a saúde, como os adoçantes. A proposta de consulta pública proíbe ainda a venda nesses locais de sucos, refrigerantes e outras bebidas -independente do teor alcoólico - e de biscoitos, chicletes e chocolates.

Também são barrados cartões telefônicos, por exemplo. A proposta ficará por 60 dias no site da agência (www.anvisa.gov.br). Após esse prazo, que pode ser ampliado, as sugestões serão consolidadas e levadas a audiências públicas. Só então haverá a resolução definitiva. A proposta já havia sido defendida pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em maio.

"Hoje, você entra numa farmácia e compra de detergente a leite em pó e remédios. Farmácia, para mim, é o espaço de produção de saúde." O presidente do Conselho Federal de Farmácia, Jaldo Santos, disse concordar com a medida. "Da mesma maneira que condenamos a venda de medicamentos no supermercado, condenamos a venda de produtos sem relação com a saúde em farmácias." Santos também comemorou a possibilidade, prevista na resolução, de farmacêuticos realizarem exames primários, como medição de pressão.

Outro tema de interesse do conselho é a determinação, já prevista pela lei 5.991, de 1971, de haver um farmacêutico em farmácias e drogarias. A Anvisa esclarece, porém, que isso não dá às últimas poder de manipular fórmulas. (Folhapress)

ENQUANTO ISSO...

AGU: restrição só por MP ou lei
Por Silvana de Freitas

A pretensão do governo de limitar a publicidade de bebidas alcoólicas no rádio e na televisão esbarrou em um obstáculo legal. A Advocacia Geral da União (AGU) elaborou um parecer no qual afirma que essa restrição só pode ser criada por lei ou por medida provisória. A Anvisa preparava uma resolução para estender a bebidas de baixo teor alcoólico a proibição de veiculação de anúncios publicitários entre as 6h e as 21h, já prevista em lei para bebidas com mais de 13 graus GL (Gay-Lussac). Ela atingiria particularmente a propaganda de cervejas, cujo mercado fatura R$ 20 bilhões por ano. Hoje, não há limitações de horário para elas.

O primeiro passo para essa mudança foi a assinatura pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em maio último, de um decreto que, ao definir a política nacional sobre o álcool, classificou como alcoólica toda bebida com mais de 0,5 grau GL.

No parecer recentemente enviado à Anvisa, em resposta a consulta feita pelo órgão, a AGU afirmou que a Constituição exige a aprovação de lei ou a edição de medida provisória para "restrições legais" à propaganda de bebida alcoólica, tabaco, agrotóxicos, medicamentos e terapias. "A alteração do conceito de bebida alcoólica só pode ser por meio de lei ou medida provisória", disse ontem o consultor-geral da União, Ronaldo Jorge Vieira Júnior, responsável por elaborar o parecer.

Ele afirmou que o órgão apenas emitiu opinião técnica sobre o instrumento legal adequado para a adoção dessa mudança. "Não é nosso papel discutir o mérito da política pública de combate ao alcoolismo."

Na prática, segundo a AGU, o decreto do presidente Lula que definiu bebidas alcoólicas como as que têm mais de 0,5 grau de GL (Gay-Lussac) não tem efeito prático para a proibição da propaganda de cerveja em determinados horários. "O decreto é uma sinalização clara de que a política pública do governo tem esse objetivo [de alterar o horário da propaganda], mas ele não tem o poder legal de alterar isso."

A Anvisa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que aguarda o governo e o Congresso definirem o caminho legal para solucionar a questão. O órgão não é obrigado a seguir a orientação da AGU, mas enfrentará problemas judiciais se contrariá-lo.

O superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, Marcos Mesquita, disse que a entidade recorrerá à Justiça contra eventual tentativa do governo de restringir, por resolução, os horários de propaganda de bebidas de baixo teor alcoólico. "Temos o interesse de discutir na Justiça qualquer alteração nas regras que não seja feita pelo Congresso", disse. Para ele, tanto a lei quanto a medida provisória envolvem debate parlamentar. (Folhapress)