Adelson Elias Vasconcellos
Pois é, chega a ser cansativo a gente ter que falar sobre o desempenho da economia brasileira no governo Dilma mas fazer o quê: faz parte, não é mesmo?
Então vamos lá. Há exatos 12 meses atrás, precisamente em novembro de 2012, em evento realizado em São Paulo, e já diante da perspectiva de um pibinho no ano passado, Mantega se pôs a discursar e cravou: em 2014, a economia do país cresceria exatos 4,0%. Neste semana, de novo, sua bola de cristal espantou o mundo econômico. Até 2024, o Brasil crescerá a razão de 4,0% ao ano. Parece que abandonou o número místico “5”, que o acompanhava desde os tempos do governo Lula. E, como sempre, acabou tropeçando nas próprias palavras com a realidade teimando em ser diferente daquilo que o ministro previra.
Não pensem que não constrange este blogueiro ter que classificar um governo de seu próprio país como medíocre. Constrange sim. Adoraria ver o Brasil se expandindo dentro de sua capacidade potencial, aproveitando ao máximo suas riquezas, vendo nossa renda per capita se aproximando das dos países desenvolvidos. Acreditem, uma série de problemas nossos, que nos atormentam no dia a dia, desapareceriam de vez. Entretanto, estamos longe tanto deste paraíso desejado por todos, como daquele que a propaganda petista insiste em mentir.
Vale repetir o mantra: qualquer governante, em qualquer nível, deve ser julgado pelos resultados que seu governo produz. E, neste campo, não dá, em relação ao governo da senhora Rousseff, para ir muito além de um medíocre. Os números estão todos aí: o país perde consistência comercial nos mercados mundiais, o superávit da balança de comércio exterior, da pujança de três quatro anos atrás, simplesmente evaporou.
A educação, apesar das artimanhas que contam os petistas, simplesmente retrocedeu. O déficit público não para de crescer, assim como a dívida externa. A cada dia, a percepção de corrupção no país aumenta, enquanto decai nossa competitividade na mesma proporção. O investimento público está em declínio constante, muito embora o crescimento exponencial da arrecadação federal. E já nem vou entrar em questão relacionada a serviços públicos, porque já seria, então, pura covardia. Apenas como aperitivo vale informar os 50 mil homicídios anuais, recorde histórico.
Contudo, mais do que constrangedor do que classificar um governo de medíocre, é constatar que este mesmo governo não assumiu suas próprias culpas. Assim, e projetando uma futura reeleição da senhora Rousseff em 2014, um governo que não reconhece seus erros, que não faz a leitura correta da realidade do país que governa, pode indicar-nos que as perspectivas de melhora possam ser realizáveis? Evidente que não.
Portanto, se torna cada vez mais claro que, Dilma reeleita, será a opção pela mediocridade. Não podemos fugir disto.
Logo após assumir, Dilma arrolou desculpas externas para tentar justificar os primeiros maus resultados. O tempo passou e se verificou que estas “turbulências” externas nada tinham a ver com as nossas dificuldades. Depois, se arranjou a tal frase de efeito: falta espírito animal para os empresários brasileiros. Errado, falta aos empresários nacionais e investidores estrangeiros interessados em aproveitar as oportunidades do país, um ambiente de negócios minimamente favorável para que os investimentos pudessem acontecer. Mais adiante, se espalhou que tudo ia muito bem e que o pessimismo é que nos atrapalhava e nos impedia de crescer.
Jamais se ouviu, nestes três anos, vindo seja da presidente ou de alguém de sua equipe, uma única menção a necessidades de se realizar reformas estruturais, a não ser a do campo político. O déficit da previdência não para de crescer, mas o governo nem se coça. O regime de tributos asfixia as empresas, mas o governo acena com desonerações pontuais, beneficiando apenas a uns poucos. Já a selva da legislação tributária tornar-se mais racional e menos onerosa, nem pensar. O país sofre um grave problema de demanda, e o governo acena com medidas favorecendo mais consumo, acentuando ainda mais a crise de oferta, favorecendo o surgimento da inflação que, por sua vez, empurram os juros para cima, em razão de que o governo teima em gastar mais do que arrecada.
Querem mais um dado? Como entender e justificar o que o governo Dilma tem feito com a Petrobrás? E é com tal política que se pretende atrair investimentos para o país? Com tamanho preconceito ao capital privado e a brutal mão pesada do Estado pesando e intervindo de modo tão irresponsável, tal comportamento mais espanta do que atrai. E o Brasil não pode se dar a tamanho luxo.
Mexer em seu imponente ministério, quanto dispendioso e inútil , nem pensar. É preciso garantir a base de apoio parlamentar. Mas que base de apoio parlamentar é esta que não é usada justamente para aprovar reformas que o país clama, e que o governo ignora? Cortar na própria carne, podando pelo menos metade dos mais de 23 mil cargos de favor político, quando sugerido, parece ser blasfêmia.
Há anos que se pede por marcos regulatórios para destravar os investimentos em infraestrutura. Somente após dezenas de licitações frustradas, parece que o governo acordou e resolveu que tabelar lucro é uma excrescência. Foi preciso elevar o pedágio em 70% para que aparecessem interessados nas concessões rodoviárias.
E por aí vamos ladeira abaixo. Poderia ainda arrolar inúmeras decisões estranhas a um projeto de desenvolvimento, tomadas pelo atual governo. Tal relação apenas serviria para demonstrar a exatidão de que, qualificar o governo como medíocre, não se faz injustiça alguma. Pelo contrário. Os resultados comprovam a afirmação. E demonstram, também, que o país segue desgovernado, perdendo oportunidades históricas de dar um impulso virtuoso ao seu desenvolvimento, momento histórico que talvez não se repita tão cedo.
Governo, ainda, teima em se defender com a tal nova classe média. Porém, se olharmos para o mundo, veremos que a redução de desigualdades e pobreza, foi um fenômeno que aconteceu em todos os países, emergentes, principalmente, graças a um período de crescimento gigantesco da economia mundial. Ou seja, o mundo externo, mais do que nós mesmos, é que nos empurrou.
Semana passada, a senhora Rousseff afirmou que o PIB de 2012 sofreria uma revisão, pulando de 0,9 para 1,5%. Errou. Bateu em 1,0%. E por que o PIB foi revisto? Para dar maior peso ao setor de serviços. Foi uma tentativa de atenuar os números insignificantes do passado. Mas, reparem: por que tal revisão não poderia valer apenas a partir de 2014? Revisou-se, eis o truque, para alimentar o discurso de campanha. Não é a primeira vez que o governo petista tenta a mesma artimanha. Lula já fizera a mesma coisa. Porém, cauteloso e esperto, revisou apenas seu período, e depois quis comparar um abacaxi com laranja. Aí, camarada, não dá, né?
É claro que nos próximos dias Mantega aparecerá com novas previsões que, regra geral, e no caso dele, sempre tem margem de erro para menos. Ou então, a senhora Rousseff, se questionada sobre a retração do terceiro trimestre, arranjará uma desculpa externa para se passar por vítima. Mantega já disse que a retração do 3° trimestre é culpa do crescimento do segundo trimestre. Heinnnnnnn?
Ou seja, segundo nossas doutas autoridades, o pífio crescimento do país se deve às nossas virtudes. Jamais nossos erros. Discurso medíocre só pode mesmo resultar em governo medíocre e com resultados insignificantes. Enquanto isso, no mundo lá fora, a roda gira...
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