quarta-feira, dezembro 04, 2013

E o pibinho, ó!!!

Adelson Elias Vasconcellos


Pois é, chega a ser cansativo a gente ter que falar sobre o desempenho da economia brasileira no governo Dilma mas fazer o quê: faz parte, não é mesmo?

Então vamos lá.  Há exatos 12 meses atrás, precisamente em novembro de 2012, em evento realizado em São Paulo, e já diante da perspectiva de um pibinho no ano passado, Mantega se pôs a discursar e cravou: em 2014, a economia do país cresceria exatos 4,0%.  Neste semana, de novo, sua bola de cristal espantou o mundo econômico. Até 2024, o Brasil crescerá a razão de 4,0% ao ano. Parece que abandonou o número místico “5”,  que o acompanhava desde os tempos do governo Lula.  E, como sempre, acabou tropeçando nas próprias palavras com a realidade teimando em ser diferente daquilo que o ministro previra.

Não pensem que não constrange este blogueiro ter que classificar um governo de seu próprio país como medíocre. Constrange sim. Adoraria ver o Brasil se expandindo dentro de sua capacidade potencial, aproveitando ao máximo suas riquezas, vendo nossa renda per capita se aproximando das dos países desenvolvidos. Acreditem, uma série de problemas nossos, que nos atormentam  no dia a dia, desapareceriam de vez. Entretanto, estamos longe tanto deste paraíso desejado por todos, como daquele que a propaganda petista insiste em mentir. 

Vale repetir o mantra: qualquer governante, em qualquer nível, deve ser julgado pelos resultados que seu governo produz. E, neste campo, não dá, em relação ao governo da senhora Rousseff, para ir muito além de um medíocre.  Os números estão todos aí: o país perde consistência comercial  nos mercados mundiais, o superávit da balança de comércio exterior, da pujança de três quatro anos atrás, simplesmente evaporou.  

A educação, apesar das artimanhas que contam os petistas, simplesmente retrocedeu. O déficit público não para de crescer, assim como a dívida externa.  A cada dia, a percepção de corrupção no país aumenta, enquanto decai nossa competitividade na mesma proporção.  O investimento público está em declínio constante, muito embora o crescimento exponencial da arrecadação federal. E já nem vou entrar em questão relacionada a serviços públicos, porque já seria, então,  pura covardia.  Apenas como aperitivo vale informar os 50 mil homicídios anuais, recorde histórico. 

Contudo, mais do que constrangedor do que classificar um governo de medíocre, é constatar que este mesmo governo não assumiu suas próprias culpas. Assim, e projetando uma futura reeleição da senhora Rousseff em 2014, um governo que não reconhece seus erros, que não faz a leitura correta da realidade do país que governa, pode indicar-nos que as perspectivas de melhora possam ser realizáveis?   Evidente que não. 

Portanto, se torna cada vez mais claro que, Dilma reeleita, será a opção pela mediocridade. Não podemos fugir disto. 

Logo após assumir, Dilma arrolou desculpas externas para tentar justificar os primeiros maus resultados. O tempo passou e se verificou que estas “turbulências” externas nada tinham a ver com as nossas dificuldades. Depois, se arranjou a tal frase de efeito: falta espírito animal para os empresários brasileiros. Errado, falta aos empresários nacionais e investidores estrangeiros interessados em aproveitar as oportunidades do país, um ambiente de negócios minimamente favorável para que os investimentos pudessem acontecer. Mais adiante, se espalhou que tudo ia muito bem e que o pessimismo é que nos atrapalhava e nos impedia de crescer. 

Jamais se ouviu, nestes três anos, vindo seja da presidente ou de alguém de sua equipe, uma única menção a necessidades de se realizar reformas estruturais, a não ser a do campo político. O déficit da previdência não para de crescer, mas o governo nem se coça. O regime de tributos asfixia as empresas, mas o governo acena com desonerações pontuais, beneficiando apenas a uns poucos. Já a selva da legislação tributária tornar-se mais racional e menos onerosa, nem pensar. O país sofre um grave problema de demanda, e o governo acena com medidas favorecendo mais consumo, acentuando ainda mais a crise de oferta, favorecendo o surgimento da inflação que, por sua vez, empurram os juros para cima, em razão de que o governo teima em gastar mais do que arrecada.    

Querem mais um dado? Como entender e justificar o que o governo Dilma tem feito com a Petrobrás? E é com tal política que se pretende atrair investimentos para o país? Com tamanho preconceito ao capital privado e a brutal mão pesada do Estado pesando e intervindo de modo tão irresponsável, tal comportamento mais espanta do que atrai. E o Brasil não pode se dar a tamanho luxo.

Mexer em seu imponente ministério, quanto dispendioso e inútil , nem pensar. É preciso garantir a base de apoio parlamentar.  Mas que base de apoio parlamentar é esta que não é usada justamente para aprovar reformas que o país clama, e que o governo ignora? Cortar na própria carne, podando pelo menos metade dos mais de 23 mil cargos de favor político, quando sugerido, parece ser blasfêmia. 

Há anos que se pede por marcos regulatórios para destravar os investimentos em infraestrutura. Somente após dezenas de licitações frustradas, parece que o governo acordou e resolveu que tabelar lucro é uma excrescência.     Foi preciso elevar o pedágio em 70% para que aparecessem interessados nas concessões rodoviárias. 

E por aí vamos ladeira abaixo. Poderia ainda arrolar inúmeras decisões estranhas a um projeto de desenvolvimento, tomadas pelo atual governo. Tal relação apenas serviria para demonstrar a exatidão de que,  qualificar o governo como medíocre,  não se faz injustiça alguma. Pelo contrário. Os resultados comprovam a afirmação. E demonstram, também, que o país segue desgovernado, perdendo oportunidades históricas de dar um impulso virtuoso ao seu desenvolvimento, momento histórico que talvez não se repita tão cedo.
   
Governo, ainda, teima em se defender com a tal nova classe média. Porém, se olharmos para o mundo, veremos que a redução de desigualdades  e pobreza, foi um fenômeno que aconteceu em todos os países, emergentes, principalmente,   graças a um período de crescimento gigantesco da economia mundial. Ou seja, o mundo externo, mais do que nós mesmos, é que nos empurrou. 

Semana passada, a senhora Rousseff afirmou que o PIB de 2012 sofreria uma revisão, pulando de 0,9 para 1,5%. Errou. Bateu em 1,0%. E por que o PIB foi revisto? Para dar maior peso ao setor de serviços. Foi uma tentativa de atenuar os números insignificantes do passado. Mas, reparem: por que tal revisão não poderia valer apenas a partir de 2014? Revisou-se, eis o truque, para alimentar o discurso de campanha.  Não é a primeira vez que o governo petista tenta a mesma artimanha. Lula já fizera a mesma coisa. Porém, cauteloso e esperto, revisou apenas seu período, e depois quis comparar um abacaxi com laranja. Aí, camarada, não dá, né?   

É claro que nos próximos dias Mantega aparecerá com novas previsões que, regra geral,  e no caso dele, sempre tem margem de erro para menos.   Ou então, a senhora Rousseff, se questionada sobre a retração do terceiro trimestre, arranjará uma desculpa externa para se passar por vítima. Mantega já disse que a retração do 3° trimestre é culpa do crescimento do segundo trimestre. Heinnnnnnn? 

Ou seja, segundo nossas doutas autoridades, o pífio crescimento do país se deve às nossas virtudes. Jamais nossos erros. Discurso medíocre só pode mesmo resultar em governo  medíocre e com resultados insignificantes. Enquanto isso, no mundo lá fora, a roda gira... 

Um país sem educação é um país condenado ao atraso

Adelson Elias Vasconcellos

No texto acima em que comentamos o pibinho, fizemos alusão aos serviços públicos, dentre eles a educação. Pois é, o governo federal, com seus diferentes ministros da educação, sempre afinaram o discurso de que vamos bem, estamos melhorando, que se está investindo tantos bilhões a mais, etc. 

A imagem real de um sistema educacional falido, 
apesar do volume de recursos que consome

Há uma foto na reportagem da Exame.com que é significativa, acima reproduzida. Trata-se de uma sala de aula de uma escola pública. Reparem o estado em que se encontra. E depois, reflitam: é possível, naquelas condições  miseráveis, transmitir-se algum ensino de qualidade? Nem precisamos tentar saber se naquele casebre existem laboratórios de ciências, equipamento de informática, etc. É pura perda de tempo. Não há. E não pensem que esta sala de aula é uma exceção: é a regra. Exceção é o que o governo exibe na sua publicidade mistificada. E acreditem: há ainda salas e prédios escolares em muito piores condições do que as que exibimos acima. Claro que os prefeitos, governadores e políticos de todas as esferas tem garantido o assalto aos cofres públicos. Se formos conduzir nossa reflexão a uma realidade ainda mais profunda, constataremos que a Lei Áurea foi assinada em 1888, mas até hoje a escravidão do povo brasileiro permanece em pleno vigor.  

E aí a gente chega a conclusão de que nos falta tudo. Desde melhor qualificação dos professores, estes pobres indigentes a implorar por R$ 50,00 a mais de salário num salário já prá lá de indigno, a melhor aparelhamento dos prédios que acolhem nossas crianças. É simplesmente vergonhosa a situação daquela que deveria ser a prioridade das prioridades num país de tantos analfabetos e miseráveis.

Encastelados em seus palacetes, nossos governantes apenas praticam a boa esmola de concederem alguns caraminguás para o nosso sistema de ensino. E  por que tal acontece? Porque apenas parte ínfima dos bilhões destinados à educação, efetivamente chega às escolas, aos professores e aos alunos. Neste país, em que se roubam bilhões até da merenda escolar, sem que os gatunos cumpram pena máxima, em que  universidades públicas são transformadas em prostíbulos de viciados sem que a polícia ali possa penetrar, e muitas são depredadas para saciar a gula de tarados ideológicos sem que se lhes cobre o ressarcimento pelo prejuízo causado, não há discurso que encubra a nossa total falta de seriedade em relação à educação. Por aqui, é mais fácil se ensinar a burlar as leis, e que isto é sinal de esperteza, do que transmitir o valor da honestidade, da lealdade, de que uma sociedade só é civilizada quando todos respeitam os limites previstos em lei. 

Assim, a quase insignificante melhora em alguns quesitos no exame de avaliação internacional – o PISA – se deterioram diante do fato concreto de que todos os outros melhoraram muito mais. Os únicos rankings internacionais que o Brasil teimosamente busca a liderança é o da corrupção e da criminalidade. Naquilo em que se exige virtuosidade, é de mal a pior.

Houve um tempo recente em que chegamos a comemorar termos galgado o posto de 6ª maior economia do mundo. Sonho raso de verão. Era vidro e se quebrou. Durou pouquíssimos meses.   E há a enorme possibilidade de perdermos o posto de 8ª economia para Rússia já em 2014. 

O PT está no poder há mais de dez anãos. Em que, neste espaço de tempo, a educação brasileira avançou? Desistam. Se avançou foi sobre si mesmo, porque comparativamente em relação ao restante do planeta estamos ficando para trás.  

Que me perdoem os eleitores que votam, votaram e ainda votarão nos candidatos deste partido.  Mas estão votando contra o Brasil e seu futuro.    Neste ponto, não há discurso tampouco propaganda que dê jeito. Precisamos imediatamente mirarmo-nos no espelho. Somos um país ainda selvagem, somos uma nação violenta, somos uma sociedade majoritariamente ignorante, analfabeta e pobre.   E o único caminho decente para nos livrarmos desta miserabilidade em que estamos nos tornando como sociedade humana, é pela educação. 

Se em dez anos, o resultado é o que vemos e o que assistimos, passa da hora de mudarmos o comando daqueles que orientam os destinos do país. Esqueçam as estatísticas manipuladas, ignorem solenemente os discursos falseados, desprezam a propaganda enganosa, deem uma banana para esta elite política apodrecida. Manter os mesmos nos mesmos postos, é manter o Brasil na rabeira do desenvolvimento, na lanterna da qualidade educacional e aplaudir nossa violência crescente. 

Sempre é possível cair ainda mais  no abismo da mediocridade. Manter esta cúpula dirigente no poder, é andar a passos largos para o fundo do poço. E não creio que seja um país assim que desejamos deixar por herança para nossos filhos. Acho que eles merecem coisa muito melhor.  

Os beijos mais íntimos

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Mensaleiros? Mensalão mineiro? Trens e metrôs tucanos superfaturados? Deixa pra lá: nada preocupa mais Governo e Oposição do que a prisão de Jeany Mary Corner, conhecida senhora que cuida da carreira de inúmeras moças que se dedicam ao bem-estar do pessoal de Brasília. A agenda de Jeany é explosiva: nela há endereços, telefones, contas-correntes, eventuais dívidas de pessoas não apenas bem-postas na vida, mas casadas - e já se viu o estrago que uma esposa ou amante insatisfeita pode causar na vida de um político. Ex-mulher é para sempre! Há quem diga que Jeany Mary tem, entre suas recordações, a foto de um parlamentar inteiramente nu, posando feliz da vida com um fumegante charuto.

Jeany Mary Corner foi presa pela Polícia Civil de Brasília, em operação comandada por uma delegada, sob acusação de rufianismo - exploração da prostituição. Pelo que dizem, as moças agenciadas por ela são de primeira categoria, muitas vezes contratadas em outras cidades para serviços especiais.

Este colunista não entende como Jeany Mary Corner foi abandonada por seus protetores - que se espalham por todo o espectro político e de poder do país. Sua prisão é perigosa para todos: Jeany Mary, calada, prestava excelentes serviços a pais da pátria das mais variadas tendências; se falar, torna-se perigosíssima. É por isso, aliás, que este colunista não acredita que ela fique presa por muito tempo. 

Afinal de contas, rufianismo pode ser considerado crime de menor poder ofensivo, não é mesmo? E todos dormiriam melhor se a deixassem em paz.

Dúvida pertinente
Que haverá por trás da prisão de figura tão importante?

Todos juntos, vamos
O deputado estadual mineiro Gustavo Perrela, dono do helicóptero apreendido com meia tonelada de cocaína, pertence ao partido Solidariedade. O líder do Solidariedade na Câmara é o deputado Fernando Francischini, delegado da Polícia Federal, que se apresenta em seu perfil no twitter como coordenador "das prisões dos megatraficantes Abadia e Beira Mar". 

A coincidência pode ajudar a investigação: juntos num só partido, o dono do "helipóptero" e o delegado especializado em investigar o narcotráfico, que oportunidade para uma boa conversa preliminar! Francischini, implacável, certamente investigará o correligionário.

A festa da uva
A piada começa com uma pergunta: quanto é 2 + 2? Depende: para um matemático, quatro. Para um economista, quatro, talvez com certo desvio. Para o ministro Guido Mantega, não importa o resultado, desde que possa ser maquiado.

A festa do caqui
Dilma mandou baixar a conta de luz. OK - mas faltou dinheiro para cobrir as despesas. O dinheiro necessário foi então repassado pelo Tesouro à Conta de Desenvolvimento Energético. Mas a despesa aparece nas contas públicas e dificulta cumprir a meta do superávit primário - usado para pagar os juros da dívida do Governo. 

Qual a solução? A Caixa Econômica Federal empresta, a juros baixérrimos, a subsidiárias da Eletrobrás, que ficarão menos dependentes do Tesouro. Depois o Tesouro põe dinheiro na Caixa. Sai do bolso esquerdo, entra no direito. 

A festa da mexerica
As contas externas vão mal. Então, a Petrobras exportou seis plataformas de petróleo para filiais no Exterior, por US$ 6,6 bilhões, e alugou-as de volta. As plataformas não se mexeram: estão no mesmo lugar. Mas a receita da venda entra como exportação, e o aluguel não conta como importação. 

A isso, chama-se "contabilidade criativa". O dinheiro sai do bolso direito e entra no esquerdo. 

A festa do morango
A propósito, esses bolsos de onde sai o dinheiro pertencem a você, caro leitor.

A festa do figo
Mas o caro leitor não deve imaginar que coisas esquisitas aconteçam apenas no Executivo. No Legislativo, menos da metade dos cargos são preenchidos por concurso; 55% são comissionados, por livre nomeação dos parlamentares (cada Excelência pode nomear 25 pessoas em seu Gabinete, fora outras possibilidades). Há mais comissionados no Congresso do que em todo o Governo Dilma. 

A festa do caju
A festança não precisa envolver gastos excepcionais para dar prejuízos imensos. A primeira ação sobre o Mensalão tucano, ou Mensalão mineiro - que, praticamente com os mesmos personagens, serviu de base para o Mensalão propriamente dito - acaba de completar dez anos de imobilidade no Supremo Tribunal Federal. A ação foi distribuída em 1º de dezembro de 2003 para o relator Carlos Ayres Britto. Ele já se aposentou e a ação continua descansando. 

O esquema era o mesmo do Mensalão: empresas estatais fizeram pagamentos à agência SMPB, de Marcos Valério, e o dinheiro foi privatizado, conforme a acusação, pelo governador tucano Eduardo Azeredo (que depois seria presidente nacional do PSDB). Esta é uma ação cível; há outras ações, penais, também paradas (o ministro Luís Roberto Barroso, novo relator de todas elas, promete retomá-las no início do ano que vem). Os beneficiados mudaram, o partido também (era PSDB, hoje é PT); os operadores são os mesmos condenados no processo do Mensalão. 

carlos@brickmann.com.br 
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O emprego do Zé

Por Reinaldo Azevedo

Eh, Zé Dirceu!!! Legislação do Panamá permite a mais desbragada lavagem de dinheiro do crime organizado. Ou: Juiz tem de proibir petista de trabalhar em hotel suspeito; o objetivo da pena também é reeducar o preso, e ele não pode cair em tentação

Vladimir Netto conversa com Ritter: 
esse homem seria o verdadeiro dono do hotel St. Peter…

Estarrecedora, para dizer pouco, a reportagem que o Jornal Nacional levou ao ar na noite desta terça-feira sobre o hotel St. Peter, do qual José Dirceu quer ser “gerente administrativo”. A história já cheirava mal por várias razões. Na semana em que a carteira do mensaleiro presidiário foi assinada, o suposto dono do hotel, Paulo Masci de Abreu, foi autorizado a transferir de Franco da Rocha para a Paulista uma antena de uma emissora sua. A Anatel disse “não”; o governo disse “sim”. Tenho a certeza de que nem o repórter Vladimir Netto imaginava que a coisa pudesse render tanto.

Resumo da obra para quem não leu o post a respeito (ver home) ou não assistiu à reportagem:

1: O tal Paulo Abreu não é o dono do hotel;

2: a dona, registrada no papel ao menos, é uma certa Truston International Inc, uma empresa com sede no Panamá;

3: o presidente da empresa, oficialmente, é um pobre-coitado panamenho chamado Eugênio Silva Ritter;

4: O repórter da Globo foi ao Panamá e encontrou o dito-cujo morando num bairro pobre. O “dono” de um hotel de luxo em Brasília, com mais de 400 quartos, estavam lavando carro…

5: O homem confirmou constar como sócio de centenas de empresas, mas disse mesmo trabalhar para uma certa Morgan y Morgan;

6: o procurador da Morgan y Morgan no Brasil é Raul de Abreu, filho daquele que se apresentava como “patrão” de José Dirceu;

7: por telefone, Paulo de Abreu assegurou que Ritter era mesmo um empresário e que já havia se encontrado com ele…

8: ninguém na Moragn y Morgan quis dar entrevista;

9: Ritter, na verdade, consta como mero auxiliar de escritório da empresa;

10: a Morgan y Morgan se diz uma empresa especializada em fundar outras empresas e em administrá-las;

11: a legislação do Panamá permite que empresas mudem de mãos sem qualquer informação às autoridades; o país pode, assim, atrair capital sem que precise saber a origem do dinheiro;

12: ao saber que a reportagem estava sendo feita, Rosane Ribeiro, advogada de Paulo Masci de Abreu, afirmou que a sócia majoritária da Truston International era, na verdade, a nora dele, a empresária lara Severino Vargas.

Vamos ver
No debate que fizemos na VEJA.com, ironizei que, se o emprego de José Dirceu fosse para valer, ele finalmente teria a chance de trabalhar. Mas quê… É impressionante como não há uma só história envolvendo este senhor que seja reta, direta, transparente, sem caminhos oblíquos. E, não é preciso ser muito sagaz para concluir, sendo quem é, ele atrai para a sua órbita gente que tem caráter parecido.

Vejam o roteiro que vai acima. A legislação vigente no Panamá, obviamente, permite toda a sorte de lavagem de dinheiro. Inclusive — E NÃO FAÇO UMA ACUSAÇÃO, MAS APENAS UMA CONSTATAÇÃO LÓGICA — a do narcotráfico, que é quem mais movimenta somas sem origem que possa ser declarada.

Ritter é sócio de tantas empresas que nem mesmo se lembrava da tal Truston International Inc, a verdadeira dona do hotel St. Peter. Como a legislação panamenha não cobra registro de quem vende o quê para quem, a advogada de Paulo Abreu agora diz que a nora de seu cliente é que era a dona e que vendeu as ações para o sogro. Verdade ou mentira, isso, como se vê, não tem registro nem no Panamá. Ninguém quer saber. Para todos os efeitos, a dona da empresa no Brasil é a “Truston”, que passou a pertencer a Paulo Abreu só depois da reportagem do Jornal Nacional: ele a teria comprado da nora…

Se a empresa era mesmo de sua nora, por que Abreu não contou isso ao repórter Vladimir Netto quando conversaram? Um advogado do empresário acompanhava a conversa. Nada! Em vez disso, ele confirmou que a Truston pertencia ao tal panamenho.

Um caso para José Eduardo Cardozo
Nesta terça, José Eduardo Cardozo prestou depoimento ao Senado. Disse que a sua obrigação é mandar investigar denúncias de irregularidades que chegam às suas mãos. Sei. Mesmo as anônimas. Por isso ele enviou aquele papelório contra os tucanos para a Polícia Federal.

Eis aí um caso apetitoso para o ministro, não? Nem se trata de denúncia anônima. Os fatos gritam de maneira escandalosa. O ministro vai mandar investigar os eventuais braços dessa tal Morgan y Morgan no Brasil? Uma empresa com essas características pode ser uma verdadeira lavanderia.

Tanto emprego para o Zé…

Na minha coluna na Folha de sexta passada, escrevi isto:


Estava na cara que algo de muito errado havia com esse “emprego” de José Dirceu. Vamos ver, agora, se os órgãos competentes se encarregam de investigar essa história, que tem cheiro de lambança.

Que vocação tem esse José Dirceu, não é mesmo! Chega a ser espantoso. Tanto lugar para trabalhar! Tantas ONGs que cuidam de carentes, às quais ele poderia se dedicar. Tantas causas nobres há na praça, a requerer o entendimento superior de um homem com a sua estatura. Mas quê… Ele foi logo arrumar emprego num hotel, cujo sócio majoritário até ontem era um pobretão panamenho, que confessa ser laranja de uma empresa que pode atuar livremente num país cuja legislação permite a mais desbragada lavagem de dinheiro.

O mínimo que o juiz da vara de execuções penais pode fazer é dizer “não” ao emprego que Dirceu arrumou, apesar de sua carteira assinada. Dado o ambiente, isso certamente não faria bem à sua reeducação. Afinal de contas, um dos objetivos da pena é ressocialização do preso, não é mesmo?

Não é bom que alguém como o Zé fique num ambiente tão cheio de tentações.

Um pé atrás

Dora Kramer  
O Estado de S.Paulo

Para o seu molde, o PT tem reagido discretamente às pesquisas de opinião que vêm confirmando a dianteira da presidente Dilma Rousseff nas intenções de votos e mostrando a estagnação - quando não queda - dos pretensos adversários.

O partido é estridente, na alegria e na tristeza. Seria de se esperar que a recuperação da presidente em relação às perdas do primeiro semestre fosse motivo de foguetório.

Não tem sido assim e por um motivo: avaliações internas não consideram que a situação seja tão confortável como podem fazer crer interpretações numéricas que falam em vitória no primeiro turno "se a eleição fosse hoje".

Em primeiro lugar, se as eleições fossem "hoje", as circunstâncias seriam outras, a começar pelo grau de exposição dos outros candidatos. A presidente reina praticamente só na cena, enquanto os oponentes não lançaram suas candidaturas e o eleitorado não está mobilizado para o tema.

Aécio Neves ainda tem um alto grau de desconhecimento País afora e Eduardo Campos nem se fala; para o grande público no momento é o famoso "quem". Na penúltima pesquisa Datafolha 45% disseram que nunca ouviram falar nele e apenas 8% afirmavam conhecê-lo bem.

Quando a campanha realmente começar é evidente que vão reduzir a desvantagem. Podem até nem chegar perto de Dilma e o resultado em 2014 pode ser mesmo a reeleição da presidente. Mas parados não vão ficar.

De onde o patamar de 37% a 47% (dependendo do cenário) mostrado pela última consulta do Datafolha inspira cuidado. Dilma é a favorita, mas a eleição não está ganha nem será fácil, segundo atestam petistas que levam em conta outro dado: o movimento ascendente de dois candidatos, mais a definição dos que hoje integram o grupo dos votos nulos e em branco, tira pontos de quem tem mais.

Junto a isso, será uma disputa com dois profissionais experientes, boa estampa e malemolência política. Nas palavras de um correligionário de Dilma: "Malandros o suficiente para infernizar a vida dela durante a campanha".

O Planalto trabalha para encurtar o espaço dos dois, seja no noticiário, produzindo atos de governo de cobertura jornalística obrigatória, seja no horário eleitoral, atraindo o máximo de partidos para integrar a coalizão do PT e assegurar para Dilma o maior e deixar para eles o menor tempo possível no rádio e na televisão.

Será o perfil da reforma ministerial. À imagem e semelhança da aliança eleitoral.

No limite. 
O senador Lindbergh Farias foi ontem à reunião com Lula em São Paulo para discutir a situação da eleição no Rio de Janeiro disposto a convencê-lo da importância de o PT deixar o governo estadual antes do fim do ano.

Mas foi também preparado para ouvir mais um apelo do ex-presidente em prol do adiamento do desembarque, a fim de não abalar a aliança nacional com o PMDB.

Lindbergh não teria como negar o pedido, mas quer uma contrapartida: que o PMDB pare de condicionar o apoio a Dilma à retirada do nome dele da disputa e reconheça o direito do PT de ter candidato.

Em retirada. 
Com a avaliação de governo ancorada na baixa, Sérgio Cabral Filho deixou de ser um ativo para o PMDB.

O partido passa a apostar na figura do vice, Luiz Fernando Pezão, que assume o governo em abril e terá seis meses de alta exposição para tentar recuperar o prejuízo em ênfase no perfil de "pé de boi".

Como poucos. 
Lucidez, caráter irrepreensível e espírito de conciliação são alguns dos atributos que fizeram de Marcelo Déda um político muito acima da média. Em seu partido, o PT, e fora dele. Bom foi ter tido a oportunidade de lhe dizer isso em vida.

Pisa 2012: a aberração de sempre

Gustavo Ioschpe
Veja online

A conclusão é inescapável: pioramos. Mas nossos dirigentes estão mais preocupados em torcer dados para ver o lado bom de resultados decepcionantes

 (Thinkstock) 
Sala de aula 

A maneira como este Pisa de 2012 será percebido, no Brasil, dependerá das inclinações do intérprete. Grosso modo, há dois tipos de pessoas. A primeira olha para dentro e para trás. A segunda olha para fora e para frente. A primeira quer construir um país mais justo e solidário, dando menos ênfase ao nível de desenvolvimento que esse país terá. A segunda quer ver o Brasil chegando a país desenvolvido, de Primeiro Mundo – acredita que é o desenvolvimento que trará a igualdade ou está disposta a sacrificar a fraternidade pela riqueza.

Para o primeiro tipo de pessoa, há razões para comemorar. O Brasil é o país que mais avançou em matemática entre o Pisa de 2003 e este de 2012. A diferença de desempenho entre alunos de escolas particulares e públicas caiu. A taxa de matrícula no ensino médio aumentou (o Pisa mede o desempenho de alunos de 15 anos de idade) de 65% em 2003 para 78% em 2012, trazendo um contingente de alunos que provavelmente vive em um contexto socioeconômico mais difícil. Oitenta e cinco por cento dos alunos se dizem felizes na escola, e 73% estão satisfeitos com suas escolas. Vamos avançando, portanto, apesar das dificuldades de superar séculos de atrasos e educar um alunato cada vez mais pobre e despreparado. Imagino que o ministro Aloizio Mercadante e outras autoridades repetirão o mantra de que “é preciso ver o filme e não a foto”: ou seja, a evolução do paciente, e não seu quadro atual.

O segundo tipo de pessoa – dentre os quais eu me enquadro – não ficará olhando para o Brasil e seu passado, e sim comparará o país com os demais membros da comunidade internacional que fizeram esse teste. E aí a conclusão é inescapável: pioramos. Caímos no ranking internacional em todas as áreas em relação ao último Pisa, de 2009: de 57º para 58º lugar em matemática, de 53º para 59º em ciências e de 53º para 55º em linguagem. Esse retrocesso é particularmente preocupante e vergonhoso porque partimos de uma base muito baixa e nossa “vizinhança” no Pisa é composta por países bastante atrasados, como Jordânia, Tunísia, Albânia e Argentina. Pela vitalidade da nossa economia e solidez das nossas instituições, era de se esperar que pudéssemos ter uma evolução mais acelerada em nossa educação. Se ainda não é possível chegar ao nível dos países desenvolvidos, deveríamos pelo menos subir um pouco, em direção a nações do patamar da Romênia, Sérvia, Chile e Turquia.

Não conseguimos fazer esse avanço porque nossa educação patina. E enquanto ela patina, até os países menos desenvolvidos que nós fazem o seu dever de casa – literal e figurativamente – e acabam nos ultrapassando. O sonho de chegarmos ao Primeiro Mundo, de deixarmos de ser o país do futuro, vai ficando sempre mais distante.

Olhar para outros países, especialmente aqueles de cima da tabela, nos traz mais alguns ensinamentos preciosos.

O primeiro é que Xangai, estado chinês parecido em tamanho com São Paulo, consolida o status de melhor sistema educacional do mundo, já tendo ocupado essa posição na edição de 2009, quando foi avaliado pela primeira vez. Essa dianteira de uma região que tem basicamente o mesmo nível de renda do Brasil e que gasta pouco em educação (nas últimas décadas o investimento chinês em educação vem subindo, de 2% do PIB para os atuais 4%, ainda abaixo dos 5% investidos no Brasil) nos serve de inspiração e alento: é possível para uma região de baixa renda ter resultados espetaculares, e ainda por cima gastando pouco. Vários países que estão no topo da pirâmide educacional – como Coreia, Cingapura e Vietnã – fazem um ótimo trabalho de gerar bom desempenho educacional em alunos de baixa renda. É o Estado virtuoso: aquele que, através dos esforços de seus profissionais, consegue mudar as perspectivas de vida de seus cidadãos mais desfavorecidos. No Brasil, nosso desempenho nesse quesito é muito débil: só 1,9% dos nossos alunos são o que os organizadores do Pisa chama de resilientes, contra 6,5% da média da OCDE e 12,5% dos países asiáticos citados acima.

Mas a aqueles que acham que devemos copiar o modelo chinês ou asiático, o Pisa também demonstra que, ao contrário das famílias de Tolstoy, em educação há muitos caminhos para ser feliz. A Finlândia, que com seu estilo liberal, “light” e focado mais em criatividade do que repetição, vem há anos demonstrando ótimos resultados, tendo alcançado nesse Pisa também uma excelente colocação, ficando em 5º em ciências e 6º em linguagem. Precisamos criar um modelo educacional que funcione para a nossa realidade, que nos leve ao atingimento das nossas aspirações, e não ficar buscando modelos internacionais para copiar.

Um dos únicos fatores comuns a todos esses países de sucesso é uma expectativa muito alta de aprendizado – de todos os seus alunos, inclusive os mais pobres. No Brasil temos resultados escandalosos ano após ano, mas não há nenhuma indignação ou espanto, muito menos a percepção de que é preciso mudar de curso. O fracasso da parcela mais pobre do alunato é percebida não como fruto da nossa incompetência, mas como um fato da natureza. O curioso é que parece que essa nonchalance frente ao trágico já foi incorporada até pelo nosso alunato. Em pesquisa do Pisa, só 39% dizem que as condições de ensino em suas escolas são ideais, mas 85% se dizem felizes na escola. Na OCDE, só 80% se dizem felizes, apesar de 61% dizerem que as condições de ensino são ideais. É como dizia Tom Jobim ao explicar as diferenças entre o Rio de Janeiro e Nova York: “Morar nos Estados Unidos é bom, mas é uma merda; morar no Brasil é uma merda, mas é bom.”

Alguns meses depois do Pisa 2009 ter sido divulgado e causado um estrondo com o desempenho inacreditável de Xangai, eu fui à China visitar aquela província e algumas outras da potência asiática. Pedi uma reunião com gente do Ministério da Educação da China e da Secretaria de Educação de Xangai. Esse último órgão só podia me receber num sábado de manhã. O funcionário veio me ver de terno. Fiquei um pouco constrangido de causar aquele aborrecimento a ele numa manhã de fim de semana, pelo que comecei a nossa conversa me desculpando pelo incômodo causado, e também deixando-o à vontade para tirar a gravata. Ele me disse que não era incômodo algum, pois trabalharia o dia todo, e em seguida tinha uma reunião com representantes de Cingapura e da Holanda. Tentei então quebrar um pouco o gelo dando os parabéns pelo resultado do Pisa e dizendo que imaginava como eles estavam contentes. Ao que ele respondeu: "Sim, ficamos contentes de termos participado do Pisa porque nos permitiu notar que em leitura descontínua não estamos muito bem, apenas em terceiro lugar, e vamos dar mais foco a essa área daqui pra frente." Essa diferença de postura explica muito. Aqui, nossos dirigentes estão mais preocupados em torcer os dados para que se possa ver o lado bom de resultados decepcionantes. Em Xangai – e tenho certeza de que nas outras regiões que melhoram fortemente – ninguém se preocupa com os confetes pela vitória, e sim nas carências que ainda podem ser sanadas.

Na década de 60, o Brasil era mais pobre e tinha piores indicadores educacionais do que a Coreia do Sul. Hoje, como se sabe, continuamos exportando carne e soja, e importamos TVs, celulares e carros da Samsung, LG e Hyundai, e nos perguntamos como ficamos para trás. Suspeito que na geração dos meus filhos busquemos essa mesma explicação em relação ao que aconteceu com a China. Os resultados do Pisa 2012 – e, especialmente, a maneira como seus resultados são recebidos nos dois países – poderão servir como um bom ponto de partida para explicar.

A educação brasileira

O Estado de S.Paulo

O Brasil está avançando na educação, mas os países desenvolvidos e muitos países em desenvolvimento estão avançando ainda mais. Esta é uma das conclusões do relatório de 2012 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), mantido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Realizado a cada três anos, o estudo foi elaborado com base nos rankings de três provas - matemática, ciência e leitura - aplicadas a estudantes de 15 anos de 65 países ou regiões econômicas delimitadas (como é o caso da província chinesa de Xangai).

Ao todo, submeteram-se às provas do Pisa de 2012 510 mil estudantes, dos quais 19.877 eram alunos brasileiros de 837 escolas. A amostra representa os aproximadamente 28 milhões de alunos dessa faixa etária nos países avaliados. O objetivo da avaliação é aferir o quanto os alunos aprenderam em sala de aula e se conseguem aplicar o conhecimento adquirido na solução de problemas reais em seu dia a dia.

Com 391 pontos, os estudantes brasileiros ficaram em 58.º lugar na prova de matemática, numa posição próxima à dos estudantes da Albânia, Jordânia e Tunísia. Em 2003, a média foi de 356 pontos. O ranking dessa disciplina em 2012 foi liderado pelos estudantes de Xangai e Cingapura, que obtiveram 613 e 573 pontos, respectivamente. A média dos estudantes dos países da OCDE foi de 494 pontos. Entre os países da América Latina, o Brasil ficou abaixo do Chile, México, Uruguai e Costa Rica e acima do Peru e da Colômbia.

Na prova de leitura, os estudantes brasileiros obtiveram 410 pontos - menos do que na edição anterior do Pisa. E, na prova de ciências, permaneceram estagnados, com 405 pontos. Essas pontuações são consideradas baixas pelos pedagogos. Os estudantes na faixa dos 400 pontos têm graves problemas de proficiência. Não dominam a leitura e a escrita. Não aprenderam o mínimo previsto de matemática, tendo dificuldade de fazer cálculos. E têm conhecimentos rudimentares em ciência. Já as notas entre 550 e 600 pontos sinalizam que os estudantes têm formação refinada, dominando habilidades fundamentais para lidar com as tarefas da vida cotidiana.

Os números do Pisa de 2012 mostram que, apesar de o acesso à escola ter melhorado em todos os níveis, nas últimas décadas, a qualidade do ensino evoluiu pouco. Professores do ensino fundamental, por exemplo, não conseguem transmitir informações mínimas para justificar a diplomação de seus alunos. O tempo das aulas também é insuficiente, apesar de a Lei de Diretrizes e Bases da Educação recomendar jornada de tempo integral. Desestimulados, desvalorizados e com salários aviltados, muitos docentes da rede pública acomodaram-se no corporativismo sindical.

Incapazes de suprir a escassez de professores de matemática, física, química e biologia e de valorizar o magistério público, na última década as autoridades educacionais agitaram bandeiras mais vistosas do que eficazes. De modo contraditório, deixaram o ensino médio à própria sorte e alargaram as portas de acesso ao ensino superior. Em vez de cuidar da formação básica, perderam tempo com políticas de cotas raciais e desperdiçaram recursos escassos instalando universidades onde não havia demanda. Criaram um ambicioso programa de bolsas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado no exterior sem, antes, oferecer cursos eficientes de língua estrangeira. E, em nome de uma fantasiosa "democracia escolar", acenaram com a obrigatoriedade de eleições diretas e gestões colegiadas, inclusive na rede privada.

O Pisa também avalia aspectos como a satisfação dos alunos com a escola e como eles se sentem no ambiente escolar. Um dos indicadores é o que analisa o quanto o aluno se sente incluído na escola. No Pisa de 2003, 8% dos estudantes brasileiros disseram que se sentiam sozinhos. No Pisa de 2012, o índice chegou a 19%. Isso mostra, além de uma sensação de abandono, a consciência que parte significativa de nossos adolescentes tem da inépcia dos responsáveis pela política educacional do País.

Apesar de avanços, Brasil ocupa baixa posição no Pisa

Exame.com
Daniel Mello, Agência Brasil

Apesar de ter conseguido uma evolução, o Brasil ainda está nas posições mais baixas do ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa)

Evaristo Sá/AFP Photo 
Escola pública no Brasil: 
a avaliação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento
 Econômico (OCDE), é aplicada a jovens de 15 anos a cada três anos

São Paulo - Apesar de ter conseguido uma evolução significativa nos itens avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o Brasil ainda está nas posições mais baixas do ranking. Entre os 65 países comparados, o Brasil ficou em 58º lugar. No entanto, desde 2003, o Brasil conseguiu os maiores ganhos na performance em matemática, saindo dos 356 pontos naquele ano e chegando aos 391 pontos em 2012, segundo os dados divulgados hoje (3).

A avaliação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é aplicada a jovens de 15 anos a cada três anos. A pesquisa mede o desempenho dos estudantes em três áreas do conhecimento – leitura, matemática e ciências. Em 2009, o Brasil ficou na 54ª posição no ranking.

Entre os pontos destacados em relação ao Brasil também está o aumento percentual de estudantes matriculados. De acordo com o estudo, em 2003, 65% dos jovens com 15 anos frequentavam a escola. Em 2012, o país conseguiu matricular 78% dos adolescentes nessa faixa etária.

"Não só a maioria dos estudantes brasileiros melhorou o desempenho, mas também o Brasil aumentou a taxa de matrículas nas escolas primárias e secundárias", informa o relatório. Segundo o texto, as taxas de escolaridade para jovens de 15 anos aumentaram de 65% em 2003 para 78% em 2012. "Muitos dos alunos que agora estão incluídos no sistema escolar vêm de comunidades rurais ou famílias socioeconomicamente desfavorecidas, de modo que a população de alunos que participaram na avaliação do Pisa 2012 é muito diferente da de 2003", destaca o documento .

Mesmo com a evolução dos alunos em relação à matemática, o Brasil ainda está abaixo da média da OCDE, ficando no patamar de países como a Albania, Jordânia, Argentina e Tunísia. Comparando com a América Latina, a performance brasileira está abaixo do Chile, México, Uruguai e da Costa Rica. Porém, o país se saiu melhor do que a Colômbia e o Peru. A pesquisa ressalta que metade dos ganhos obtidos pelo Brasil em matemática se deve ao desenvolvimento econômico, social e cultural dos estudantes.

Apesar dos avanços, o Pisa mostra que há desafios em relação ao aprendizado de matemática. Na área, são seis os níveis de proficiência, sendo que o sexto nível é atingido apenas por 4,2% dos estudantes dos países que participaram do exame. A média brasileira atinge apenas o nível 1. Em um gráfico mais detalhado é possível observar que pouco mais de 60% dos estudantes brasileiros que participaram do exame estão no nível 1 ou abaixo dele. Pouco mais de 20% atingiram o nível 2. A porcentagem de estudantes que atingiu os níveis de 3 a 6 não chega a 20%.

Em leitura, o Brasil subiu de 396 pontos em 2000 para 410 pontos em 2012, colocando o país no mesmo patamar da Colômbia, da Tunísia e do Uruguai, abaixo da média da OCDE. Na América Latina, os estudantes brasileiros tiveram performance inferior aos colegas chilenos, costa-riquenhos e mexicanos. Mas, se saíram melhor do que os argentinos e peruanos. O estudo atribui a evolução do Brasil nesse item somente aos avanços econômicos e sociais no período.

A pesquisa mostra que 49,2% dos estudantes brasileiros conseguem, no máximo entender, a ideia geral de um texto que trate de um tema familiar ou fazer uma conexão simples entre as informações lidas e o conhecimento cotidiano. Apenas um em cada duzentos alunos atinge o nível máximo de leitura. Ou seja, cerca 0,5% dos jovens são capazes de compreender um texto desconhecido tanto na forma quanto no conteúdo e fazer uma análise elaborada a respeito.

Em ciências, o desempenho brasileiro também ficou abaixo da média, no nível da Argentina, Colômbia, Jordânia e Tunísia. O Brasil ficou, nesse item, atrás do Chile, da Costa Rica, do Uruguai e do México, mas à frente do Peru. Desde 2006, a performance brasileira saiu dos 390 pontos e chegou aos 405 em 2012. O estudo mostra que cerca da metade dessa evolução deve ser atribuída a mudanças demográficas e socioeconômicas da população.

Pisa 2012: até Cazaquistão e Albânia crescem mais que Brasil

Jadyr Pavão Júnior
Veja online

Excetuando-se avanço em matemática entre 2003 e 2012, país patina: não se aproxima do topo do ranking internacional nem cresce rapidamente

(Antonio Milena) 
Aluna na sala de aula do cursinho Objetivo 

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comemorou nesta terça-feira o fato de o Brasil exibir a melhor evolução, em número de pontos, na avaliação de matemática do Pisa entre 2003 e 2012. É uma constatação tão verdadeira quanto a de que o país partiu de um patamar bastante baixo nessa disciplina, 356 pontos, atingindo os 391 no relatório divulgado nesta terça-feira. Xangai, por exemplo, atingiu 613 no Pisa 2012: são 222 pontos a mais do que o Brasil.

A evolução do Brasil na mais importante avaliação internacional de educação não é tímida somente quando se comparam os dados do país com o campeão do ranking. Entre 2009 e 2012, registramos apenas o 26º maior crescimento em matemática, o 44º em leitura (na verdade, o país perdeu 2 pontos) e o 39º em ciências — levando-se sempre em conta o número de pontos obtidos na prova.  

Comparações entre outras edições (a prova é feita desde 2000) revelam mais resultados ruins. A exceção é mesmo o exemplo usado pelo ministro.

E não houve só Ferraris acelerando mais do que o Brasil entre 2009 e 2012. Em leitura, por exemplo, foram mais velozes do que nós países como Peru, Albânia, Bulgária e Cazaquistão. Em matemática, novamente Cazaquistão e Albânia e Tunísia. Em ciências, Albânia e Cazaquistão insistem em avançar mais rapidamente.
Essas nações são nossas vizinhas na escala do Pisa. Todos obtiveram notas que giram em torno dos 400 pontos, que revela nível de proficiência muito baixo entre os estudantes. Xangai, no topo, tem 570 pontos em leitura e 580 em ciência.

A consultora em educação Ilona Becskeházy afirma que subimos devagarinho na régua do Pisa porque não fazemos a lição de casa. "Infelizmente, o Pisa tem muito pouco impacto nas política públicas brasileiras, exceto uma certa pressão da sociedade, que se deu conta que a educação no Brasil era muito ruim. Por isso, mudou muito pouco coisa no Brasil desde 2000. É preciso quebrar paradigmas", diz. Priscila Cruz, diretora-executiva da ONG Todos pela Educação, faz uma ponderação acerca da comparação do avanço do Brasil frente a registrada por Cazaquistão, Albânia e vizinhos: "O desafio do Brasil é, sem dúvida, muito maior. Esses são países pequenos, como redes de ensino pequenas. Nós, por outros lado, temos 50 milhões de alunos, espalhados por um território imenso, É mais difícil coordenar uma melhoria com as escolas".

De qualquer forma, o Brasil parece reunir duas condições negativas — excetuando-se o conhecido avanço em matemática entre 2003 e 2012: não se aproximou do topo nem cresce rapidamente.

Avanço do Brasil na educação perde fôlego, revela o Pisa

Jadyr Pavão Júnior
Veja online

Especialistas divergem sobre razões da melhoria passada, mas concordam sobre o futuro: para acelerar, é preciso promover mudanças profundas. Confira ranking completo da mais importante avaliação do ensino mundial

 (Wilson Dias/Agência Brasil) 
Alunos do Centro de Ensino Médio Elefante Branco se preparam 
para um simulado às vésperas do Enem 2013 

O ensino nas escolas públicas brasileiras é, em geral, muito ruim. Ponto. Resta saber se ele está melhorando. O relatório do Pisa, mais importante avaliação da educação internacional, publicado nesta terça-feira mostra que a formação oferecida nas escolas (públicas e privadas) do país vem avançando desde 2000, quando a primeira edição do levantamento foi lançada. Contudo, o movimento ascendente vem perdendo força muito antes de colocar o Brasil ao lado dos melhores ou até mesmo dos medianos. Isso faz com que especialistas sentenciem: para avançar mais, o país terá que promover reformas profundas. "Não cresceremos mais sem isso", diz Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação, ONG que atua ao mesmo tempo vigiando e propondo políticas públicas.

Comparadas as notas das avaliações de 2009 e 2012, o Brasil — 58º do novo ranking — caiu em leitura (412 pontos para 410), marcou passo em ciências (405) e registrou melhora em matemática (386 para 391). Praticamente estagnado na faixa dos 400 pontos, o país permanece distante dos líderes do levantamento — a província chinesa de Xangai, por exemplo, com média geral de 588 pontos — e se mantém na vizinhança de nações como Albânia, Tunísia. A pontuação não é decorativa. 

 Estar na faixa dos 400 pontos significa manter na rede de ensino jovens que, em média, possuem baixíssimo nível de proficiência. Notas em torno dos 600 são sinal de que os estudantes dominam habilidades refinadas fundamentais para lidar com tarefas do dia a dia, incluindo o trabalho. Isso porque o objetivo do Pisa não é descobrir se os alunos memorizaram conteúdos vistos em aula, mas, sim, se conseguem usar conhecimentos aprendidos para solucionar questões semelhantes às vividas fora da escola.

O Brasil só se destaca no Pisa quando se olha para a ascensão medida na prova de matemática. Entre 2000 e 2013, o país registrou a segunda maior evolução em número de pontos entre todas as nações participantes da avaliação; entre 2003 e 2013, foi o primeiro: alta de 35 pontos. Vale ressalvar, contudo, que o ponto de partida nacional era bastante baixo: 334 pontos. De 2009 para 2012, o avanço foi de cinco pontos. No mesmo período, Xangai afrontou a tese que é impossível continuar subindo quando já se está no topo e avançou 13, batendo nos 613 pontos. São 222 pontos a mais do que o Brasil.

A favor do Brasil, o relatório do Pisa e Priscila, do Todos pela Educação, ponderam que a qualidade do ensino avançou, ainda que não na velocidade desejada, ao mesmo tempo em que o sistema de ensino nacional incorporava estudantes e reduzia o atraso deles nos ciclos escolares. Em 2003, a parcela de alunos com 15 anos que não haviam chegado sequer ao sétimo ano era de 35%, taxa que caiu para 22% no ano passado. No mesmo período, a percentagem de jovens daquela idade matriculados passou de 65% para 78%. "Essa população é aquela com nível socioeconômico mais baixo, com pior desempenho escolar. Isso puxa para baixo a média do país nos indicadores", diz Priscila. 

A consultora em educação Ilona Becskeházy reconhece o desafio do sistema de ensino brasileiro de incluir jovens e melhorar ao mesmo tempo. Ainda assim, avalia que o avanço tem sido modesto. "É um aumento vegetativo. O acesso à escola foi ampliado, mas a qualidade evoluiu muito pouco", diz. As duas especialistas concordam que o sistema só terá fôlego para crescer mais e mais rápido se promover mudanças profundas.
Para isso, seria preciso, por exemplo, estabelecer um currículo para o ensino básico a ser seguido por todas as escolas, determinando aonde o sistema de ensino pretende chegar, além de preparar professores para abordar aquele currículo. Mais: dedicar atenção especial aos alunos com pior desempenho e ampliar o número de crianças que frequentam a pré-escola.

 "O desafio é melhorar melhorando os piores. Até agora, colocamos na escola parcelas da população que estavam de fora dela, mas ainda não sabemos como ensinar a elas o que é necessário", diz Priscila. Ilona completa: "Os países que têm feito grandes reformas, como o Chile, elevam o desempenho dos mais fracos e fazem com que as condições socioeconômicas não sejam tão determinantes no resultado dos alunos."

Avaliar para mudar
O Pisa (Programme for International Student Assessment) é uma avaliação realizada a cada três anos pela OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Participam estudantes com 15 anos de idade. A avaliação pretende aferir o quanto os alunos aprenderam em sala de aula, mas também se conseguem aplicar conhecimentos na solução de problemas reais. Outro objetivo da avaliação é fornecer subsídio para políticas de educação. Em 2012, 510.000 jovens de 65 países ou regiões econômicas delimitadas (caso de Xangai) aplicaram a prova. No Brasil, foram 19.877 estudantes, divididos em 837 escolas.

Educação do Brasil só melhora? Infográfico do Pisa responde

Beatriz Souza
Exame.com

Veja a evolução das notas dos alunos brasileiros de 2000 a 2012 no Pisa, teste feito pela OCDE para avaliar a qualidade da educação em 65 países

Exame.com 
Apuração: Beatriz Souza
Design: Beatriz Blanco

A aula do futuro

Arnaldo Niskier
O Globo

MEC distribuiu milhares de tablets por aí. De forma desordenada. Sem ter antecedido o processo do indispensável treinamento dos mestres

Não se tem muita certeza a respeito das razões pelas quais tantos jovens abandonam o ensino médio. Nem se sabe ainda, com segurança, porque dois milhões de inscrito nos exames do Enem deixaram de comparecer às provas. O que se desconfia é que há um certo enfado com relação ao modelo de aprendizado. As aulas dos nossos professores, em geral lineares, deixaram de despertar o entusiasmo de outrora. A utilização da informática, como elemento motivador, ainda não passa de quimera inatingível, para a grande maioria das escolas.

O MEC distribuiu milhares de tablets por aí. De forma desordenada. Sem ter antecedido o processo do indispensável treinamento dos mestres. Muitos estabelecimentos de ensino transformaram-se em cemitérios de tablets, inclusive porque eles não têm um mínimo de manutenção. Tornou-se moda falar de computadores, tablets e smartphones (IOS e Android). O que isso representa na prática?

As aulas de ciências, matemática, geografia, biologia e química, com as características de interdisciplinaridade, poderiam ser muito enriquecidas com produtos eletrônicos. É evidente que a tecnologia aplicada em sala de aula contribui para melhorar a interação de professores e alunos. Já não constitui grande mistério conectar o computador ou o tablet do professor aos equipamentos dos seus alunos ou à simples lousa eletrônica, o que já seria um grande avanço. Mas isso ainda é a realidade de uma pequena minoria e em geral de escolas particulares. Na escola pública é uma raridade.

Sabe-se que as provas do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2015 serão eletrônicas. Vai-se avaliar o desempenho em leitura, matemática e ciências de estudantes de 15 e 16 anos, matriculados no ensino regular, público ou particular, de 65 países, inclusive o Brasil, que não tem brilhado nos exames anteriores. O que nos espera se mantivermos o quadro na atual configuração de dicotomia entre a escola tradicional e o ensino do futuro?

Numa escola de primeira classe, na Zona Sul do Rio, é proibido aos alunos usar o computador em sala de aula. Só os professores podem (de nove, três empregam, sendo um deles de língua portuguesa). Estamos nos referindo ao 9º ano do ensino fundamental. Ao consultar uma aluna de 13 anos, muito interessada, dela ouvimos uma queixa sofrida: “A gente gostaria tanto de empregar o computador. Se o professor não sabe, o problema é dele.” Ela exemplifica com o tempo que perde o mestre de geometria, desenhando na lousa. 

Como se vê, ainda falta percorrer um longo caminho de aproveitamento das maravilhas do desenvolvimento científico e tecnológico. A começar pelo que já se pode fazer nas nossas salas de aula.

Garotos são melhores em matemática; garotas, em leitura

Beatriz Souza
Exame.com

Os resultados do Pisa apontam que, no Brasil, eles têm mais habilidade com os números, elas, com as palavras. Em ciência, o desempenho de ambos (muito baixo) é o mesmo

Divulgação/Ministério da Ciência e Tecnologia
Alunos em Olimpíada de Matemática: 
meninos superaram as meninas na disciplina no Pisa 2012 
com 18 pontos de diferença. Mas as garotas tiveram vantagem de 31 pontos em leitura

São Paulo - Enquanto os meninos brasileiros são melhores em matemática, as meninas são melhores com as palavras - já em ciência, todo mundo é igual. É o que apontam os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2012, divulgados nesta terça-feira pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

Na avaliação de matemática, os meninos -  que fazem a prova quando têm 15 anos -  fizeram, em média, 18 pontos a mais que as garotas. Segundo a OCDE, essa diferença, que se mantém estável desde 2003, é maior que a média dos outros países avaliados. 

De forma geral, a nota dos estudantes brasileiros em matemática é de 391 pontos - abaixo de Chile, México, Uruguai, Costa Rica e também da média da OCDE. 

Por outro lado, em leitura, é a vez das meninas tirarem as melhores notas. A vantagem delas é ainda maior: são, em média, 31 pontos a mais que eles. A diferença vem aumentando desde 2000 (17 pontos), mas permanece abaixo da diferença entre meninos e meninas observada nos países da OCDE, que é de 38 pontos em média.

Segundo a OCDE, o aumento da vantagem feminina se explica pela estagnação da proporção de meninos de baixo desempenho que se manteve estável nos últimos 10 anos e em 2012 chegou a 57,2%. Já a parcela de meninas com baixo desempenho em leitura caiu mais de 10 pontos percentuais no mesmo período e hoje elas representam 41,9% do total. 

Ciência
Já em ciência, o nível de conhecimento de meninos e meninas é parecido e vem melhorando desde 2006, principalmente entre os estudantes de baixo desempenho. Comparando com os outros países, no entanto, os brasileiros ainda ficam muito atrás.

A média dos estudantes brasileiros em ciência é de 405 pontos, abaixo da média dos países da OCDE. Pior, 61% deste estudantes são considerados de baixo desempenho. Isto é, na melhor das hipóteses, eles são capazes de apresentar explicações científicas óbvias e decorrentes de dados explícitos. Apenas 0,3% dos brasileiros são considerados de alto desempenho em ciência.

Pisa: 36% dos brasileiros de 15 anos repetiram ao menos uma vez

O Globo 

Repetência está associada a abandono escolar, falta de compromisso e demora para concluir ensino fundamental

Resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos foram divulgados nesta terça-feira pela OCDE

RIO — Mais de um terço (36%) dos estudantes de 15 anos já repetiram pelo menos uma vez no ensino fundamental ou médio no Brasil, de acordo com os dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa 2012), divulgados nesta terça-feira (2). É uma das taxas de repetência mais altas entre os países que participam da avaliação. Segundo o levantamento, a repetência no Brasil está associada negativamente ao desempenho em matemática e é mais acentuada entre os alunos desfavorecidos socioeconomicante.

Entre 2003 e 2012, diminuiu a proporção de adolescentes de 15 anos que tinha repetido uma série no ensino fundamental, mas a taxa de repetência aumentou no ensino médio. Na média entre as duas etapas da educação básica, o índice se manteve estável. O problema tem sido associado a taxas elevadas de abandono escolar, altos níveis de falta de compromisso, e a média superior a 12 anos que os alunos demoram para completar oito séries do ensino fundamental. Somam-se a isso um currículo não envolvente e a necessidade ou desejo de trabalhar.

De acordo com o estudo, “é importante reduzir a repetência, encontrando outras formas mais eficazes para trabalhar com estudantes de todo o espectro de desempenho, e para o estabelecimento de grandes expectativas para todos os alunos, a fim de motivar e oferecer oportunidades para todos os alunos”.

Entre 2003 e 2012, a diferença de desempenho entre as escolas públicas e privadas se estreitaram no Brasil. Segundo o Pisa 2012, cerca de 13% dos estudantes de 15 anos de idade frequentam colégios particulares. Em média, as escolas privada apresentam melhor desempenho na avaliação.

“Enquanto seus alunos esmagadoramente vêm de famílias abastadas, a vantagem de desempenho é evidente. Para as famílias mais ricas, as escolas privadas — que oferecem acesso a melhores recursos educacionais, melhor infraestrutura física, e têm menor percentual de alunos por professor — estão associadas a melhores resultados de aprendizagem”, diz o estudo.

Nesse sentido, a recomendação do relatório é de que “o Brasil precisa encontrar formas de apoiar escolas desfavorecidas socioeconomicamente com maior intensidade, a fim de estabelecer a igualdade de condições para todos os alunos”.

Os resultados do Pisa mostram uma relação positiva entre os recursos investidos na educação e desempenho até certo ponto. O Pisa mostra também que em todos os níveis de gastos, os países de melhor desempenho tendem a distribuir recursos educativos de forma mais equitativa entre as escolas socioeconomicamente favorecidas e desfavorecidas.

Entre os países da OCDE, 26% dos estudantes desfavorecidos — o equivalente a 6,5% de toda a população estudantil pesquisada — são considerados “resilientes”, o que significa que eles superam as expectativas de desempenho apesar das dificuldades socieconômicas. Em Hong Kong, China, Coreia, Macau-China, Cingapura e Vietnã, mais de metade de todos os estudantes desfavorecidos, ou 12,5% do total da população estudantil, são considerados resilientes. No Brasil, esse percentual é de apenas 1,9%, proporção que se manteve estável desde 2003.

País tem segundo maior crescimento de matrículas
Ao longo da última década, o Brasil tem ampliado número de matrículas nos ensinos fundamental e médio. Em 2003, 35% dos adolescentes de 15 anos não estavam matriculados na escola na 7ª série ou superior; até 2012 esse percentual havia diminuído para 22%.

Entre o Pisa 2003 o Pisa 2012, o Brasil teve um acréscimo de mais de 425 mil estudantes no total da população de jovens de 15 anos matriculados na 7ª série ou superior, um aumento de 18%. É a segunda maior taxa de crescimento, atrás apenas da Indonésia.

As taxas de escolarização para jovens de 15 anos aumentou de 65% em 2003 para 78% em 2012. O perfil dos estudantes também mudou bastante entre as duas avaliações. Muitos dos alunos que agora estão incluídos no sistema escolar vêm de comunidades rurais ou famílias socioeconomicamente desfavorecidas, segundo o relatório do Pisa 2012.

Atrasos e faltas
Em média, nos países da OCDE, 35,3% dos estudantes relataram que chegaram atrasados na escola nas duas semanas anteriores aos testes do Pisa. Além disso, 14,5% contaram que, no mesmo período, tinham “matado” um dia inteiro de aulas ou mais. No Brasil, o percentual de atraso relatado foi inferior (33,7%), mas um quinto dos alunos (20,7%) admitiu ter “matado” aula durante um dia inteiro ou mais.

Segundo o documento, as relações negativas entre professores e estudantes estão fortemente associadas à falta de pontualidade dos alunos. Entre 2003 e 2012, houve queda de 3% na taxa de atraso de estudantes no Brasil, mostrando “que o envolvimento dos alunos com a escola melhorou no período”.

Felicidade, satisfação, condições ideais e motivação
Pela primeira vez, o Pisa pediu aos alunos para avaliar as suas felicidade e satisfação no ambiente escolar, refletindo sobre se ele se aproxima de uma situação ideal. Entre os países da OCDE, cerca de 80% dos alunos se sentem felizes na escola, 78% estão satisfeitos com ela, e 61% acreditam que as condições são ideais para o seu colégio. No Brasil, os percentuais de alunos felizes e satisfeitos também são altos: 85% e 73%, respectivamente. No entanto, apenas 39% acreditam que as condições são ideais para a sua escola.

A pesquisa também perguntou aos estudantes se eles se sentem como estranhos ou são deixados de fora de atividades, se fazem amigos com facilidade ou se sentem sozinhos. O retatório destaca que “é preocupante que o sentimento de pertencimento dos alunos em relação à escola no Brasil tenha se deteriorado: por exemplo, enquanto em 2003, apenas 8% dos estudantes relataram que se sentem solitários, essa proporção mais do que duplicou (de 19%) em 2012”.

Estudantes brasileiros apresentam maior motivação do que os estudantes dos países da OCDE, em média. Por exemplo, 53% dos estudantes dos países da OCDE concordaram ou concordaram totalmente que estão interessados no conteúdo que aprendem em matemática. No Brasil, esse percentual é de 73%.

No entanto, a proporção de estudantes que relataram altos níveis de preocupação com matemática no Brasil ficou acima da média da OCDE. Enquanto nos países da OCDE 31% dos alunos, em média, informaram que ficam muito nervosos ao fazer problemas matemáticos, esse percentual no Brasil foi de 49%.

Mais decepção

Celso Ming
O  Estado de São Paulo

O comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre foi decepcionante: caiu 0,5% em relação ao anterior. Tão decepcionante, ou ainda mais, é a reação de nossas autoridades.

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não há nada de errado nesses resultados. Eles são até melhores do que os do ano passado…


“O consumo cresceu apenas 1,0% sobre o trimestre anterior porque o crédito desacelerou”, disse ele. Ora, o crédito vai crescendo a 14,7% ao ano, o que não é pouca coisa, e só não está crescendo mais porque a inadimplência (calote) aumentou. Isso significa que, há alguns meses, o crédito já tinha avançado demais. Os bancos não haviam levado em conta o excessivo endividamento das famílias. Como essa situação não será revertida tão cedo, também não dá para aceitar a projeção do ministro Mantega, que, outra vez, não passa de torcida, de um quarto trimestre muito melhor.

Outra afirmação esquisita do ministro é a de que o resultado ruim do terceiro trimestre favorece um bom resultado no último trimestre do ano. Por essa lógica, se, em vez de ter caído apenas 0,5%, o PIB do terceiro trimestre tivesse despencado, digamos, para menos 4,0% ou menos 5,0%, o crescimento do trimestre seguinte seria ainda mais favorecido.

Há pouco mais de uma semana, em entrevista ao diário espanhol El País, a presidente Dilma declarou que a revisão das Contas Nacionais pelo IBGE corrigiria para 1,5% o crescimento do PIB em 2012, avaliado em apenas 0,9%. Pois veio a correção anunciada, não para 1,5%, mas para apenas 1,0%. Ou seja, a presidente Dilma errou o chute em 50%. Mas, aparentemente, isso não tem importância, fica o dito pelo não dito…

É leviano atribuir o mau desempenho da economia a fatores fortuitos. A baixa capacidade de voo da galinha não acontece porque suas penas estão encharcadas de graxa. A galinha tem asas atrofiadas; não tem estrutura física para voar como os gansos selvagens. O PIB está se arrastando porque a política econômica está desequilibrada e vai produzindo distorções. Não é apenas o setor produtivo que segue queimando óleo. A inflação está à altura dos 6% ao ano; o rombo das contas externas (déficit em conta corrente) vai subindo para 4,0% do PIB; a poupança nacional é insuficiente (de apenas 15%) e, por isso, o investimento não pode ser muito maior do que isso. E não havendo investimento de pelo menos 23% ou 24% do PIB, também não dá para garantir um avanço de mais de 3,0% ao ano, como quer o governo.

Ainda que haja alguma reação no quarto trimestre, o crescimento da economia neste ano não deverá ser superior a 2,2% (veja o gráfico).

A presidente Dilma vem deixando claro que não quer correções de rumo, porque teme seu impacto sobre as eleições de 2014. E isso também aponta para novo desempenho medíocre no ano que vem (veja ainda o Confira).

Mas, afinal, para que mudar? Nem uma economia atrapalhada nem um governo atrapalhado conseguem tirar a presidente Dilma da ponta das intenções de voto.

CONFIRA:



Aí vai a evolução do PIB a cada trimestre sobre o trimestre anterior.

Não foi tudo isso. 
O governo deve ter ficado decepcionado com a revisão das Contas Nacionais. A aposta do ministro Mantega era a de que o setor de serviços fosse bem maior do que vinha sendo estimado e que essa diferença seria suficiente para aumentar o tamanho do bolo nacional. Refeitos os cálculos, a participação dos serviços no PIB cresceu apenas de 68,5% para 68,7%. A redução da importância da indústria no PIB também foi pequena. Havia sido avaliada em 26,3% e passou a 26,0%.

Não poderia ser melhor

Vinicius Torres Freire 
Folha de São Paulo

Foi ruim, mas não poderia ter sido muito melhor, o desempenho da economia no terceiro trimestre. Ator principal da comédia de erros encenada desde o final de 2011, o governo foi coadjuvante menor do filme B do PIB do período.

A economia encolheu, como se sabe. Na salada de motivos possíveis e prováveis está o tumulto político e financeiro do trimestre. As manifestações de junho e suas sequelas derrubaram não apenas o prestígio de governantes.

Os brasileiros tiveram também um ataque de ansiedade sobre o futuro de seus empregos e salários. Pesquisa Datafolha publicada no domingo mostrou que a expectativa de aumento de salário despencou no mesmo ritmo da popularidade da presidente. Gente com medo de perder emprego e/ou renda não compra, bidu.

O tumulto do dólar começou em junho, mas dominou o trimestre, com picos de perturbação em agosto, quando o BC teve de intervir. O dólar subiu devido ao risco então considerado iminente de mudança na política econômica americana.

Não é muito fácil "explicar" a rateada do investimento pela sensação de crise geral daqueles meses, e foi o investimento que deu uma rateada feia no terceiro trimestre. Mas o tumulto deve ter causado algum dano. De resto, o investimento dera um pulo alto mas passageiro nos trimestres anteriores (devido a caminhões e máquinas agrícolas); não parecia duradouro.

No mais, houve os fatores previsíveis. O consumo dito "das famílias" vem mais fraco desde 2012, pois renda e crédito crescem mais devagar.

O ano que vem está longe, mas os ensaios do teatro econômico de 2014 são fracos. O ano será de algum tumulto nas finanças do mundo, devido às mudanças americanas, com o que o dólar subirá, e subirá aos trancos, para piorar. Tal problema será intensificado pela incerteza (econômica) resultante da eleição presidencial. Mesmo que o Banco Central daqui não continue a elevar a taxa básica de juros, o efeito das altas deste ano vai aparecer mais intensamente em 2014.

Não é preciso mencionar que o desarranjo das contas públicas, a inflação persistente, os preços fora do lugar e o descrédito da política econômica vão nublar o ambiente.

Por vários motivos, pois, os juros subirão na praça daqui. Os custos de produção não vão cair. Não se sabe qual será a política econômica em 2015, seja qual for o candidato eleito. Na melhor das hipóteses, 2015 será um ano de arrumação da política econômica, o que também causa transtorno.

Difícil acreditar que as empresas se animem a investir com tais perspectivas. A gente torce para que o investimento em infraestrutura (das concessões leiloadas) compense em parte o desânimo.

Dado que crédito e renda não devem crescer mais do que em 2013, é difícil esperar um impulso maior do consumo. Talvez o setor externo contribua com uns décimos extras de crescimento, mas não deve ser grande coisa.

Nada está escrito, mas, para que nossa história em 2014 não seja pior que a de 2013, teríamos de contar com uma reviravolta incrível da política econômica de Dilma Rousseff, com uma transição suave nos EUA e com uma surpresa positiva no crescimento mundial. Muita sorte.