Adelson Elias Vasconcellos
No texto acima em que comentamos o pibinho, fizemos alusão aos serviços públicos, dentre eles a educação. Pois é, o governo federal, com seus diferentes ministros da educação, sempre afinaram o discurso de que vamos bem, estamos melhorando, que se está investindo tantos bilhões a mais, etc.
A imagem real de um sistema educacional falido,
apesar do volume de recursos que consome
Há uma foto na reportagem da Exame.com que é significativa, acima reproduzida. Trata-se de uma sala de aula de uma escola pública. Reparem o estado em que se encontra. E depois, reflitam: é possível, naquelas condições miseráveis, transmitir-se algum ensino de qualidade? Nem precisamos tentar saber se naquele casebre existem laboratórios de ciências, equipamento de informática, etc. É pura perda de tempo. Não há. E não pensem que esta sala de aula é uma exceção: é a regra. Exceção é o que o governo exibe na sua publicidade mistificada. E acreditem: há ainda salas e prédios escolares em muito piores condições do que as que exibimos acima. Claro que os prefeitos, governadores e políticos de todas as esferas tem garantido o assalto aos cofres públicos. Se formos conduzir nossa reflexão a uma realidade ainda mais profunda, constataremos que a Lei Áurea foi assinada em 1888, mas até hoje a escravidão do povo brasileiro permanece em pleno vigor.
E aí a gente chega a conclusão de que nos falta tudo. Desde melhor qualificação dos professores, estes pobres indigentes a implorar por R$ 50,00 a mais de salário num salário já prá lá de indigno, a melhor aparelhamento dos prédios que acolhem nossas crianças. É simplesmente vergonhosa a situação daquela que deveria ser a prioridade das prioridades num país de tantos analfabetos e miseráveis.
Encastelados em seus palacetes, nossos governantes apenas praticam a boa esmola de concederem alguns caraminguás para o nosso sistema de ensino. E por que tal acontece? Porque apenas parte ínfima dos bilhões destinados à educação, efetivamente chega às escolas, aos professores e aos alunos. Neste país, em que se roubam bilhões até da merenda escolar, sem que os gatunos cumpram pena máxima, em que universidades públicas são transformadas em prostíbulos de viciados sem que a polícia ali possa penetrar, e muitas são depredadas para saciar a gula de tarados ideológicos sem que se lhes cobre o ressarcimento pelo prejuízo causado, não há discurso que encubra a nossa total falta de seriedade em relação à educação. Por aqui, é mais fácil se ensinar a burlar as leis, e que isto é sinal de esperteza, do que transmitir o valor da honestidade, da lealdade, de que uma sociedade só é civilizada quando todos respeitam os limites previstos em lei.
Assim, a quase insignificante melhora em alguns quesitos no exame de avaliação internacional – o PISA – se deterioram diante do fato concreto de que todos os outros melhoraram muito mais. Os únicos rankings internacionais que o Brasil teimosamente busca a liderança é o da corrupção e da criminalidade. Naquilo em que se exige virtuosidade, é de mal a pior.
Houve um tempo recente em que chegamos a comemorar termos galgado o posto de 6ª maior economia do mundo. Sonho raso de verão. Era vidro e se quebrou. Durou pouquíssimos meses. E há a enorme possibilidade de perdermos o posto de 8ª economia para Rússia já em 2014.
O PT está no poder há mais de dez anãos. Em que, neste espaço de tempo, a educação brasileira avançou? Desistam. Se avançou foi sobre si mesmo, porque comparativamente em relação ao restante do planeta estamos ficando para trás.
Que me perdoem os eleitores que votam, votaram e ainda votarão nos candidatos deste partido. Mas estão votando contra o Brasil e seu futuro. Neste ponto, não há discurso tampouco propaganda que dê jeito. Precisamos imediatamente mirarmo-nos no espelho. Somos um país ainda selvagem, somos uma nação violenta, somos uma sociedade majoritariamente ignorante, analfabeta e pobre. E o único caminho decente para nos livrarmos desta miserabilidade em que estamos nos tornando como sociedade humana, é pela educação.
Se em dez anos, o resultado é o que vemos e o que assistimos, passa da hora de mudarmos o comando daqueles que orientam os destinos do país. Esqueçam as estatísticas manipuladas, ignorem solenemente os discursos falseados, desprezam a propaganda enganosa, deem uma banana para esta elite política apodrecida. Manter os mesmos nos mesmos postos, é manter o Brasil na rabeira do desenvolvimento, na lanterna da qualidade educacional e aplaudir nossa violência crescente.
Sempre é possível cair ainda mais no abismo da mediocridade. Manter esta cúpula dirigente no poder, é andar a passos largos para o fundo do poço. E não creio que seja um país assim que desejamos deixar por herança para nossos filhos. Acho que eles merecem coisa muito melhor.
