Priscila Yazbek
Exame.com
Especialistas recomendam mais cautela ao investir na Bolsa e foco em aplicações que permitem o resgate imediato dos recursos
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Mais dinheiro no bolso: Com a economia enfraquecida
e a taxa Selic em alta, a Bolsa perde atratividade
São Paulo – Foi divulgado nesta terça-feira o PIB do terceiro trimestre de 2013, que registrou uma queda de 0,5% em relação ao segundo trimestre. Além da retração no PIB, na semana passada foi anunciado que as contas do governo central tiveram déficit primário de 10,5 bilhões de reais em setembro, o pior resultado desde 1997. Diante dos fracos resultados, como ficam os investimentos pessoais?
EXAME.com consultou especialistas em finanças pessoais para comentar como o “PIBinho” e o desanimador cenário macroeconômico como um todo influencia a vida do pequeno investidor.
Segundo Luiz Krempel, CFP, planejador financeiro do GuiaBolso.com certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF), uma das principais providências que o investidor deve tomar em função do cenário enfraquecido é o fortalecimento da sua reserva de emergência.
“O PIB mais fraco é reflexo do consumo das famílias. O endividamento está alto e o crescimento de renda do brasileiro vem desacelerando. É preciso ter uma preocupação grande em relação à reserva de segurança para esse cenário de confiança abalada do país. O desemprego pode ter leve uma alta e as pessoas devem se preparar para qualquer imprevisto aliado a isso”, afirma Krempel.
Essa reserva, também chamada no jargão das finanças pessoais de colchão financeiro, tem o objetivo de impedir que o poupador se endivide em uma situação imprevista, como a perda de emprego. Especialistas recomendam que o colchão equivalha a seis meses de renda ou mais.
Sérgio Goldman, sócio da gestora de patrimônio Maximizar, endossa a importância da reserva de emergência, mas não acredita que o risco de desemprego seja maior agora. “Eu acho que a taxa de desemprego ainda é muito baixa. Eu concordo que é importante ter uma reserva para eventuais notícias negativas, mas eu diria que o aumento do desemprego no geral tem um risco baixo”, diz.
Os especialistas ressaltam que a reserva de emergência deve ser formada por investimentos de alta liquidez, ou seja, que permitam o resgate a qualquer momento. Algumas das aplicações financeiras indicadas para isso, segundo eles, são a poupança e os fundos de renda fixa de curto prazo.
Cautela
Goldman e Krempel afirmam que a palavra de ordem neste momento é cautela. Eles defendem que o resultado do PIB não muda muito a vida do pequeno investidor, mesmo porque o fraco crescimento já era esperado, mas enfatizam que o momento exige um comportamento mais conservador nos investimentos, sobretudo em ações.
“A queda do PIB era relativamente esperada, então não há grandes surpresas que justifiquem muitas mudanças em relação aos investimentos, mas daqui para frente o que nós vamos ter é um cenário ainda mais negativo para a Bolsa como classe de ativos”, afirma Sérgio Goldman.
Segundo ele, mais do que o fraco crescimento da economia brasileira, pesam para o pior desempenho da Bovespa a deterioração das contas públicas e a retirada dos estímulos econômicos nos Estados Unidos por parte do FED, o banco central norte-americano.
“Duas palavras devem ser levadas em consideração: cautela e flexibilidade. Nós vamos ter um período de eventos importantes, com destaque para a retirada dos estímulos do FED. Em parte isso já esta no preço, mas quando efetivamente ocorrer vai haver novo impacto negativo para o investidor dos mercados emergentes", diz o sócio da Maximizar.
