sexta-feira, abril 27, 2012

Vejam o que eles fazem com o nosso dinheiro

Comentando a Notícia

Nota publicado pelo Cláudio Humberto em sua página, dá bem a ideia de como os políticos brasileiros não estão nem aí para as necessidades do país, ou mais precisamente, com os péssimos serviços que proporcionam aos contribuintes que, afinal, pagam os salários e os privilégios desta casta de malandros. 

Pergunta: qual a desculpa que o senhor Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, para a farra bancada em Paris, com o suado dinheiro que arrancam a fórceps do povo brasileiro  através de uma carga tributária sufocante?

Em qualquer país decente do mundo, situação como a que vemos abaixo, seria motivo mais do suficiente para demissão imediata. Já por aqui, periga o “festivo” governador  ainda ser agraciado, ao sair do governo estadual, com alguma boca rica para continuar se deliciando com o dinheiro que não lhe pertence.

Seguem as fotos com a nota do Cláudio Humberto.

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Fotos mostram farra de Cabral em Paris


CABRAL E CAVENDISH DANÇAM NA PORTA DO HOTEL RITZ


As imagens mostram o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), o secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, e o empresário dono da Delta, Fernando Cavendish, no hotel Ritz, em Paris, com mais duas pessoas se divertindo muito e fazendo algumas "gracinhas".  As imagens foram publicadas pelo Blog do deputado Anthony Garotinho (PR), e segundo o texto, "Cabral e seus amigos viajavam pelo mundo em “vôos da alegria”, pagos com o dinheiro público, fazendo farras, esbanjando".

Protógenes quer trocar Brasília pelo Guarujá


247

Dono de um apartamento de luxo no balneário paulista avaliado em mais de R$ 1 milhão, deputado “comunista” será candidato a prefeito da cidade; difícil será convencer o eleitorado sobre a origem do seu patrimônio; blogueiros locais se mobilizam contra o delegado-deputado

Foto: Sérgio Lima/Folhapress_Divulgação 

“Guaru... já! Protógenes tem pressa”. Eis o slogan da candidatura do deputado Protógenes Queiroz (PC do B) à prefeitura do Guarujá, um dos principais balneários do litoral paulista, que será oficializada nos próximos dias. Deputado em primeiro mandato, ele já pensa em trocar Brasília pela experiência de disputar uma eleição para um cargo majoritário e espera contar com o apoio de vários partidos, como PSDB, DEM, PT, PTB e PDT. A informação foi antecipada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

A escolha pelo Guarujá faz sentido. É lá que Protógenes gosta de passar seus fins de semana. Embora se apresente como caçador de corruptos e inimigo implacável do malfeito, o delegado-deputado “comunista” possui um patrimônio incompatível com seus rendimentos, como é o caso do apartamento avaliado em mais de R$ 1 milhão no Guarujá, com 251 metros de área privativa, quatro suítes e 378 metros de área total – este é apenas um dos sete imóveis do deputado.

O movimento de Protógenes coincide com uma ofensiva movida contra ele pelo PSDB. O presidente do partido, Sérgio Guerra, já encaminhou uma representação ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pedindo sua cassação por quebra de decoro parlamentar. Embora tenha tentado tomar iniciativa na CPI do Cachoeira, Protógenes foi colocado contra a parede quando vieram a público suas ligações com o araponga Idalberto Martins, o Dadá, que é um dos homens fortes do bicheiro. Há rumores de que aparecerão vídeos ainda mais comprometedores de Protógenes nos próximos dias – e ainda evidências de que ele utilizava celulares Nextel, assim como pessoas do círculo íntimo de Carlos Cachoeira.

SOS Guarujá
Protógenes, no entanto, não terá uma eleição fácil. Blogueiros locais questionam seu patrimônio e seu desembarque de paraquedas na política local. O site SOS Guarujá, por exemplo, contesta seu patrimônio. Eis a descrição feita pelo blog sobre o imóvel do deputado:

“O imóvel do Guarujá está localizado em um dos bairros mais nobres da cidade. Trata-se de um prédio luxuoso, com um apartamento por andar, quatro suítes por unidade, todas com vista para o mar, sala com três ambientes, 251 metros quadrados de área privada e 378 metros quadrados de área total. De acordo com pesquisa feita nas imobiliárias Stand Imóveis e Oceano Imóveis, apartamentos à venda no mesmo condomínio custam acima de R$ 1 milhão. As despesas mensais com IPTU e condomínio passam de R$ 2 mil. A Certidão de Registro de Imóvel, retirada do Registro de Imóveis do Guarujá no dia 14 de setembro de 2010, aponta que o apartamento está no nome da construtora EM Empreendimentos Imobiliários Ltda.”

Conheça aqui, a descrição de todo o patrimônio do candidato.



As assombrações de Protógenes


Mário Simas Filho
Revista IstoÉ

PF diz que gravações de conversas do deputado e do araponga Dadá ligam Protógenes Queiroz ao esquema de Cachoeira. A CPI quer explicações

CUMPLICIDADE
Segundo a Polícia Federal, o araponga  Dadá poderá ser indiciado
como cúmplice dos crimes do deputado Protógenes Queiroz

Delegado licenciado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz se elegeu deputado pelo PCdoB-SP, em 2010, em busca de imunidade e foro privilegiado. A instalação da CPMI para investigar a rede de corrupção montada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, porém, coloca abaixo a estratégia de proteção. Na quinta-feira 19, alguns deputados e senadores cotados para compor a comissão davam como certo que Protógenes será um dos primeiros convocados a prestar esclarecimentos, apesar de haver assinado o requerimento para a abertura das investigações. As gravações de conversas telefônicas feitas pela PF durante a Operação Monte Carlo – que revelou o esquema de Cachoeira – mostram que Protógenes e um dos principais operadores do bicheiro, o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias Araújo, conhecido como Dadá, são mais do que íntimos amigos. Os diálogos agora divulgados e documentos em poder da Corregedoria da PF e do Ministério Público Federal indicam que o deputado e o araponga Dadá são cúmplices em crimes pelos quais Protógenes já foi indiciado, denunciado e condenado em primeira instância a três anos e quatro meses de prisão pela 7ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo. “Os diálogos comprovam fatos passados durante a Operação Satiagraha e levantam a suspeita de que o atual deputado participava do esquema de Cachoeira”, disse um parlamentar de São Paulo que deverá assumir um posto na CPMI tão logo a comissão seja instalada.

Durante a Operação Monte Carlo, foram gravados seis telefonemas que revelam uma associação criminosa entre Protógenes e Dadá. Um dos crimes que teriam sido praticados pelo atual deputado, segundo os delegados da PF e procuradores que trabalham na investigação, seria o de coação de testemunhas, ação que costuma ser punida com a prisão preventiva do acusado. Em 2008, Protógenes comandou a chamada Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. O problema é que foram descobertas diversas ilegalidades na investigação. De acordo com a Corregedoria da PF, com a denúncia do Ministério Público e com a decisão de primeira instância da Justiça Federal, Protógenes foi responsável por quebra de sigilos da investigação, promoveu grampos telefônicos em ambientes sem autorização judicial, forneceu senhas de acesso aos grampos da PF para 84 arapongas comandados por Dadá que foram levados de forma clandestina para a investigação. No processo, Protógenes é réu. Dadá e Jairo Martins, outro araponga ligado ao esquema de Cachoeira, são testemunhas. Nos diálogos gravados pela Operação Monte Carlo, Protógenes diz como Dadá e Martins devem se conduzir durante seus depoimentos. A conversa (leia quadro na pág. ao lado) foi gravada em nove de agosto do ano passado. Dias depois, os dois espiões deveriam depor na Polícia Federal. Ambos disseram que só iriam se pronunciar na Justiça.

(clique para ampliar) 

Além dos diálogos que confirmam as ilegalidades praticadas por Protógenes no correr da Satiagraha, outras conversas interceptadas no ano passado apontam para a participação de delegado licenciado na organização comandada por Cachoeira. Segundo relatos de delegados que participaram da operação, “Protógenes procurava influir na nomeação de pessoas em governos ligados ao esquema e também se proporia a abrigar em seu gabinete na Câmara funcionários que fossem indicados pelo grupo”. Duas conversas em especial chamaram a atenção dos delegados e procuradores. Uma foi gravada em 20 de dezembro de 2011. O diálogo (leia quadro ao lado) entre Dadá e um policial chamado Ventura, da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, durou mais de cinco minutos e, na conversa, o araponga revela que a nomeação do delegado da PF Daniel Lorenz para comandar a polícia do Distrito Federal não havia agradado ao grupo de Cachoeira por causa de divergências com Protógenes. Meses antes, Lorenz tinha se demitido, alegando não haver condições de trabalho. A outra gravação que chamou a atenção da PF (leia quadro ao lado) foi feita em 14 de janeiro do ano passado e durou seis minutos. Dadá diz a um interlocutor identificado como Serjão que estava empenhado em arrumar um emprego para a ex-secretária do deputado Laerte Bessa (PMDB-DF), que perdera a eleição. Na conversa, ele afirma ter recorrido a Protógenes e que o deputado lhe dissera que o gabinete estava lotado.

Na semana passada, o deputado negou qualquer participação no esquema de Cachoeira. Admitiu que conhece Dadá, mas afirmou que mantinha com o araponga uma relação profissional, pois era do setor de inteligência da PF e Dadá, do serviço de informações da Aeronáutica. O problema é que, nas datas em que as conversas foram gravadas, Protógenes estava afastado da PF e já exercia mandato parlamentar e Dadá estava aposentado na Aeronáutica e já atuava como araponga a serviço de causas privadas. As conversas, portanto, não são entre dois funcionários públicos lotados em serviços de inteligência, mas revelam a promiscuidade de um deputado com um araponga funcionário de bicheiro. Na quinta-feira 19, o PSDB encaminhou representação assinada pelo deputado Sérgio Guerra (PE) ao presidente da Câmara pedindo que fosse aberto um processo disciplinar contra Protógenes. 




Em novo áudio, Protógenes diz a Dadá que vai a Goiânia encontrar “aqueles amigos”


COMENTANDO A NOTÍCIA

Antes de apresentar este e mais posts sobre as relações do delegado Protógenes Queroz com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, há que se chamar a atenção do leitor para uma questão importante: todos os parlamentares que foram ouvidos pela imprensa nos últimos dias sobre a CPI, foram praticamente unânimes em defenderem as investigações,  porque elas seriam um marco para que se construíssem limites nas relações entre o público e o privado. Seria absurdo alguém imaginar que eles pudessem afirmar o contrário, não é mesmo?

Ora, para o menos avisado sobre as coisas do país, poderia imaginar que a coisa agora vai! Que finalmente o Brasil se prepara para fazer uma depuração nas relações que o Estado mantém com entes privados. E que fruto da CPI, muita gente vai acabar na cadeia. 

Pura fantasia. Quando se vê um delegado da Polícia Federal, vergando o cargo de deputado federal, que construiu sua imagem política como combatente tenaz da corrupção, poucos seriam capazes de imaginar que este defensor da moral e dos bons costumes poderia estar vestindo apenas uma roupagem,  protagonizando um personagem criado por ele próprio e apresentado ao palco da política nacional para enganar os ingênuos. 

Neste e dois posts seguintes, o leitor tem a prova de que não há um Demóstenes Torres apenas na política brasileira: há muitos. E o absurdo é que um vai investigar as maracutaias do outro, fazendo uma força tremenda para parecer imaculado. 

Aliás, a partir da operação Satiagraha, o comportamento de Protógenes dá bem a ideia com que figura o país estava lidando. E, a partir do momento em que a própria instituição da Polícia Federal tirou a máscara do deputado-delegado, foi possível ver que, na política, este senhor não deixaria de ser o mistificador que realmente ele é. 

É sempre bom lembrar, também, que foi o senhor Protógenes quem deu o primeiro passo para a constituição da CPI. Talvez imaginasse que suas conversas tivesse escapado das gravações da PF, ou que, por ser delegado, seria poupado pelos colegas. Quebrou a cara.

Os textos que se seguirão demonstram esta verdade que o parlamentar tenta ocultar da opinião pública. O texto a seguir é do blog 247.

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Amigo do braço direito de Carlos Cachoeira, Deputado Protógenes Queiroz combina encontro secreto na capital goiana com diretor da Delta, intermediado por Cachoeira

 Foto: Folhapress_Divulgação

Um jornalista da área esportiva em Goiás, chamado Cleuber Carlos, amigo pessoal do senador Demóstenes Torres e também próximo ao governador Marconi Perillo, acaba de publicar em seu blog um novo áudio relacionado ao deputado e delegado Protógenes Queiroz (PC do B/SP). Nele, Protógenes diz que vai a Goiânia com Dadá para encontrar “aqueles amigos”. O encontro é tratado de forma secreta na conversa. Protógenes pede a Dadá, inclusive, que providencie um carro especial – um Corolla ou um Ford.

Autor do primeiro requerimento para a instauração da CPI, Protógenes pode acabar sendo convocado pela comissão, em razão de suas ligações estreitas com Dadá. Já se sabe que ele utilizou celulares Nextel, restritos ao círculo íntimo de Carlos Cachoeira. Por isso mesmo, o PSDB representou ao Conselho de Ética pedindo a cassação do seu mandato parlamentar. O deputado já cogita também trocar Brasília pelo Guarujá, onde seria candidato a prefeito. No balneário paulista, ele tem um dos seus sete imóveis – o do Guarujá, à beira-mar, vale cerca de R$ 1 milhão.

Clique aqui e escute a nova conversa entre Protógenes e Dadá.

De acordo com reportagem do Estado de S. Paulo, os “amigos de Goiânia” eram diretores da Delta, num encontro intermediado por Carlos Cachoeira. Leia:

O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo desde fevereiro, intermediou contatos telefônicos entre o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e o então diretor da Delta Construções no Centro-Oeste, Cláudio Abreu.

Gravações feitas pela PF no dia 8 de maio de 2009, durante as investigações sobre as atividades do grupo liderado por Cachoeira, mostram o contraventor avisando ao executivo que ele receberia uma ligação do parlamentar. Protógenes foi confirmado ontem como representante do PCdoB na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que vai investigar as ligações do contraventor entre políticos e empresas.

Cachoeira explica que seu braço direito, o araponga Adalberto Matías Araújo, o Dada, está a caminho da casa do deputado. A missão de Dadá era colocar Protógenes e Abreu em contato pelo telefone. “Fica com o rádio ligado que o menino tá te ligando aí agora, do Protógenes, o Protógenes vai falar com você agora”, diz Cachoeira.

O então diretor da Delta afirma que ainda não recebeu o telefonema, mas vai ficar esperando. Duas horas depois, os dois voltam a se falar. Eles, então confirmam que o deputado vai conversar pelo telefone, por intermédio de Dadá. Depois, Abreu ainda comenta que está com problemas para fechar o preço para vencer uma licitação na cidade de Trindade, em Goiás.

Protógenes, que só viria a ser eleito em outubro de 2010, havia acabado de ser afastado da Polícia Federal, acusado de ter cometido irregularidades quando comandava o inquérito da Operação Satiagraha.

Dez dias depois, em outra ligação telefônica gravado pela PF, Dadá e Protógenes combinam ir juntos a Goiânia. O delegado afastado explicou ao braço direito de Cachoeira que iria dar uma palestra na cidade. Ele pretendia chegar cedo, pois queria “almoçar lá com aqueles amigos”. Os dois combinam de viajar juntos num carro que seria providenciado pelo araponga.

Dirceu e seus mensaleiros


João Mellão Neto
O Estado de S.Paulo

Parece nome de banda de rock, mas não é. Trata-se de algo ainda pior. Está mais para Ali Babá e os 40 Ladrões. Na verdade um pouco menos, porque, entre as quatro dezenas de denunciados, alguns já foram absolvidos. Os mensaleiros protestam inocência, como, aliás, fazem todos aqueles que cumprem pena no inferno. Lúcifer - que reside por lá - vive a cutucá-los com o seu tridente e eles reclamam por entenderem que não merecem tal tratamento. Os petistas, em geral, são todos assim. Vivem a cometer as maiores barbaridades e se sentem com a consciência tranquila porque tudo o que fazem se justifica pela nobreza da "causa" que defendem.

Que causa tão excelsa seria essa? Ora, a "causa justa", a mesma pela qual se bateram Lenin, Trotsky e Stalin, que extinguiu qualquer vestígio de liberdade e - ninguém entende por quê - ainda povoa os sonhos de muitos imbecis. Um mundo melhor, uma sociedade composta de iguais, sem classes, na qual as pessoas, em vez de competirem entre si, colaboram umas com as outras. Alguém já resumiu essa questão de forma magistral: "Capitalismo é um regime em que os homens exploram os homens. Já o socialismo é exatamente o contrário".

A opinião pública não se sensibiliza com tais sutilezas e Asmodeu, pelo visto, também não. Na dúvida, ele prefere torturar as 38 almas decaídas que - enquanto não são devidamente julgadas - estão sofrendo o opróbrio popular. Eles se dividem entre o quarto e o oitavo círculo do inferno.

Segundo a descrição de Dante Alighieri - que alegou ter estado por lá -, o inferno é composto de nove círculos concêntricos - cada um mais profundo que o outro - para onde vão as almas de acordo com a gravidade de seus pecados. No quarto círculo habitam os gananciosos, cuja pena eterna é empurrar, morro acima, pesados sacos de dinheiro. Já no oitavo círculo residem pecadores responsáveis por delitos ainda mais graves. Entre eles se destacam os corruptos e os fraudadores. Seguindo o relato do italiano, existem ali dez fossos. Em geral essa gente está localizada no quinto fosso e há alguns também que desceram para o sétimo e até mesmo para o décimo - morada dos falsificadores. Há castigos disponíveis para todos os gostos. Desde a imersão do corpo em piche fervente até a contaminação pela lepra e pela sarna. Existe também a possibilidade de submersão em fezes e esterco e o incômodo de se ter a cabeça torcida para trás.

O curioso é que os petistas, apesar de suas agruras, acreditam piamente que estão provisoriamente no purgatório, a caminho das delícias proporcionadas pelo paraíso. O próprio José Dirceu é um exemplo eloquente disso. Ele ainda alimenta ambições eleitorais e não acredita, de forma alguma, que eventualmente possa vir a ser condenado pela Justiça. E esta não faz nada para desdizê-lo. Ao contrário.

Desde que o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), inadvertidamente, acolheu a denúncia do então procurador-geral da República, a Suprema Corte parece não saber como descascar esse espinhoso abacaxi. Se os magistrados votarem pela condenação dos réus, ficarão de mal com o governo. Se votarem pela absolvição, ficarão de mal com a já exacerbada opinião pública. Na dúvida, o mais prudente a fazer é adiar o julgamento. Sine die, ou seja, sabe lá Deus quando. Atitude tão temerária não se encontra sequer em nenhuma republiqueta subsaariana. Enquanto isso, os mensaleiros, apesar de tudo o que todo mundo sabe, podem continuar a dormir em paz.

Há gente de sobra a defendê-los. Existe até mesmo um ex-presidente da República que tem apostado todo o seu prestígio na tese de que o mensalão, na verdade, nunca existiu...

Haja cara de pau!

Então os mais de R$ 90 milhões movimentados pelo "carequinha" Marcos Valério, todo o dinheiro que foi recebido em notas vivas na boca do caixa de alguns bancos acumpliciados, os dólares confessadamente recebidos pelo então marqueteiro do PT em paraísos fiscais, nada disso, na verdade, existiu? Nem com toda a boa vontade do mundo dá para acreditar nessa história. Lula que nos perdoe, mas essa versão, mesmo que acompanhada da melhor maionese, é impossível engolir...

As eleições aproximam-se, serão realizadas no próximo mês de outubro, e ainda não foi decidida uma data para o início do julgamento. Pior: o ministro encarregado de revisar o processo não dá o menor sinal de quando vai concluí-lo. De acordo com o princípio jurídico de individualização das penas, não são possíveis condenações coletivas. Cada caso deverá ser julgado de acordo com as suas circunstâncias. Ou seja, havendo 38 réus, ocorrerão 38 julgamentos.

Estamos chegando a maio. Em julho haverá as férias forenses e os srs. ministros afirmam ser um "absurdo" deixar de desfrutá-las. Quando voltarem ao trabalho, em agosto, três deles estarão afastados, envolvidos com o processo eleitoral - eles acumulam a função de ministros do Tribunal Superior Eleitoral. Um quarto deverá declarar-se impedido de julgar, já que é umbilicalmente ligado ao PT. Dos 11 ministros titulares restarão, então, apenas sete. Traduzindo em miúdos: nada de julgamentos, ao menos por enquanto. Nada acontecerá que possa comover a opinião pública e se traduzir em mudanças nos resultados das eleições. Talvez ocorra algo no decorrer do ano que vem. Talvez nunca mais aconteça nada. Primeiro, porque muitas das eventuais penas acabarão por prescrever. Segundo, porque, transcorrido o pleito, o interesse do povo haverá, necessariamente, de arrefecer.

A Copa vem aí e, logo depois, teremos a Olimpíada. Toda essa pressa, então, para quê?

Nós ainda haveremos de acatar a versão de Lula e pedir desculpas a toda essa corja pelos estorvos que lhe estamos causando.

Zé Dirceu para presidente! Ao menos em 2030.

Delta teria usado ministérios e Petrobras para ganhar contratos


Hugo Marques e Daniel Pereira e Rodrigo Rangel
Revista Veja 

A CPI criada para investigar os negócios do contraventor Carlos Cachoeira tem um grande desafio: desvendar o segredo do sucesso da empreiteira Delta, que tem na raiz de sua impressionante trajetória amizades influentes e pagamentos a políticos

Roosewelt Pinheiro/Abr
Carlos Cachoeira: Delta teria subornado políticos e servidores
 para obter contratos dentro de ministérios e até na Petrobras

Brasília - VEJA publicou em maio do ano passado uma reportagem exclusiva mostrando o que já parecia ser muito mais que uma simples coincidência: a empreiteira Delta fora alçada à condição de maior parceira do governo federal no mesmo ano em que contratou os serviços de consultoria do deputado cassado e ex-ministro José Dirceu. A Delta, mostrou a reportagem de VEJA, além de multiplicar sua carteira de obras, expandira sua atuação para setores nos quais não tinha experiência, como óleo e gás. Na ocasião, dois ex-sócios da empresa forneceram a primeira pista para desvendar essa impressionante história de sucesso. Segundo o depoimento deles, a empreiteira usava a influência que mantinha junto a políticos para obter vantagens. O próprio presidente da empresa, Fernando Cavendish, explicou como agia e qual era o preço a ser pago. Ele disse que com "6 milhões de reais comprava um senador". Sua explicação seguinte ficaria famosa: "Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas pra c...". A conversa, gravada pelos ex-sócios, foi classificada como simples bravata por Cavendish. Não era. Ela era reveladora de um método.

A Delta vai aparecer como figura de proa na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada na semana passada no Congresso Nacional, em Brasília, para investigar as relações do contraventor Carlos Cachoeira - preso por comandar um esquema ilegal de exploração de jogos - com políticos e empresas que têm contratos com a administração pública. A construtora figurará como a principal acusada no esquema baseado em pagar propina em troca de favores e contratos em governos. Segundo a Polícia Federal, a empreiteira usou os tentáculos de Cachoeira para corromper autoridades nos governos de Tocantins, Distrito Federal e Goiás. Cavendish e a Delta tiveram sua ação restrita a essas três unidades da Federação? Não. O esquema atuou também no âmbito federal, usando o mesmo método de subornar políticos e servidores públicos para obter contratos. A engrenagem funcionou ativamente dentro de ministérios no governo passado e engolfou até mesmo a Petrobras, a maior e a mais poderosa das estatais brasileiras. A Petrobras é o principal dínamo dos investimentos públicos do país, protagonismo acentuado com a descoberta das reservas de petróleo no pré-sal. No governo Lula, foi aparelhada politicamente por militantes do PT, que ganharam o controle de cargos de diretoria. O aparelhamento político de estatais, como sempre, termina em prejuí¬zo para a empresa e os contribuintes.

No fim de 2008, a Petrobras convidou a Delta para duplicar o parque de expedição de diesel na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). Um convite inusitado, uma vez que a empreiteira era especializada em obras rodoviárias e construção civil. Para suprir a carência técnica e se habilitar, a Delta comprou a Sigma, empresa que já tinha diversas parcerias com a estatal. Depois dessa negociação, a empreiteira assinou um contrato com a Petrobras no valor de 130 milhões de reais. A aproximação entre a Delta e a Sigma foi feita pelo engenheiro Wagner Victer, auxiliar do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que é compadre de Cavendish. O negócio parecia bom para todos os envolvidos. A Petrobras contratou a obra por um preço considerado baixo, a Delta se cacifou para atuar no bilionário ramo do petróleo e os donos da Sigma ficariam ainda mais ricos. Mas nem tudo correu como se esperava. Cavendish e seus sócios se desentenderam ao cabo de disputas financeiras. Dos ex-sócios inconformados partiu a revelação, certamente de alto interesse para a CPI instalada na semana passada, segundo a qual, para conseguir o contrato na Petrobras, a Delta teria pago propina. Sob a condição de anonimato, um deles contou a VEJA que a Sigma, além de servir como fachada técnica para as operações da Delta, funcionou como caixa para quitar faturas em que a própria Delta preferia não aparecer como devedora. Para ocultar o pagamento de propina, segundo o relato gravado do ex-sócio, que diz temer por sua segurança, a Sigma foi orientada a simular a contratação de serviços para justificar a saída da propina. Os diretores da Delta indicavam o valor e os funcionários da estatal a ser beneficiados. A fatura era então encaminhada a José Augusto Quintella e Romênio Marcelino Machado, ex-donos da Sigma que continuaram na empresa. Seguindo orientações de Cavendish, eles providenciavam notas frias para justificar os gastos com a propina. Essas notas eram assinadas por Quintella e Machado e por Flávio Oliveira, diretor da Delta. Só funcionários da área operacional da Petrobras, segundo o ex-sócio, receberam 5 milhões de reais. Um volume ainda maior teria sido pago a dirigentes da empresa. Desse mesmo caixa saíram os recursos para pagar os trabalhos de consultor prestados por José Dirceu.

Quintella e Machado não quiseram dar detalhes sobre o caso a VEJA. "Essa história será devidamente esclarecida no momento oportuno", disse Quintella, em nome dos antigos donos da Sigma. Os dois conhecem de perto a Delta. Foram eles que contaram a VEJA que Cavendish contratou, em 2009, o deputado cassado e ex-ministro José Dirceu como consultor com o objetivo de azeitar negócios junto à Petrobras, que era comandada por José Sergio Gabrielli, integrante da corrente política de Dirceu. Foi em uma reunião com Quintella e Machado que Fernando Cavendish fez seus notórios comentários sobre os preços e as vantagens de comprar autoridades. Na mesma conversa, gravada, Cavendish traçou o caminho até o cofre da Petrobras: "A Reduc foi convidada pelo jogo político da Delta. A gente foi convidado por uma articulação, um pedido que foi para cá, foi para lá...".

A Petrobras não quis se pronunciar sobre os fatos narrados por Cavendish e seus ex-sócios. A Delta diz que ganhou o contrato legalmente e não pagou propina. A CPI instalada na semana passada certamente terá meios de obter de Cavendish e da própria Petrobras informações mais consistentes sobre como o jogo político levava determinadas empresas a obter contratos na estatal no tempo em que Dirceu e Gabrielli reinavam. A Delta passou a existir como empreiteira de grande porte e alcançou o posto de maior fornecedora de serviços do estado brasileiro no governo Lula. Um "jogo político" que a CPI faria aos brasileiros o enorme benefício de elucidar. Não é pouca coisa. Segundo as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público que levaram Carlos Cachoeira à prisão, o contraventor funcionava como captador de negócios e lobista destacado da Delta Construções. Cachoeira operava em sintonia com Cláudio Abreu, designado formalmente pela empreiteira como seu representante para a Região Centro-Oeste. Os dois cuidavam de obter contratos junto aos governos do Distrito Federal, Goiás e Tocantins. Abreu tinha também missões junto a órgãos do governo federal. Foi ao cumprir uma dessas missões que ele emplacou a Delta como a principal parceira do Ministério dos Transportes e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Diretores da Delta passaram a visitar quase diariamente as dependências do ministério durante a gestão do senador Alfredo Nascimento, demitido no ano passado do cargo de ministro pela presidente Dilma Rousseff.

Na semana passada, Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit demitido no bojo do episódio que levou à queda do ministro Alfredo Nascimento, se disse vítima de uma trama que teria sido tecida contra ele exatamente por ter oferecido obstáculos aos interesses da Delta no órgão. Estranha linha de defesa. Foi na gestão de Pagot que a Delta mais do que dobrou seu faturamento em contratos com o Dnit, alcançando 658 milhões de reais em 2010. É quase 90% de tudo o que a empreiteira faturou no governo federal. Que obstáculo, então, foi esse? Suposta vítima de uma conspiração, Pagot, lembre-se, foi quem reuniu empresários no Ministério dos Transportes para ouvir uma explanação do deputado Valdemar Costa Neto, do PR, réu no processo do mensalão. Entre os convidados por Pagot estavam empreiteiros e consultores. Costa Neto falou da importância para o PR de tirar do papel obras bilionárias de restauração de rodovias federais. Muitos dos participantes da reunião, inclusive concorrentes da Delta, ficaram sabendo mais tarde que, se fossem escolhidos para fazer as obras, deveriam entregar ao partido propinas de 4% a 5% do valor de cada fatura paga. A investigação jornalística tem de se contentar com as informações recebidas e checadas das fontes que participaram da reunião. A CPI tem força e os meios legais para passar a limpo essa história.

A Polícia Federal sustenta que recursos públicos oriundos da parceria entre a Delta e Carlinhos Cachoeira alimentaram um duto que serviu para irrigar o bolso de políticos e autoridades que os ajudavam na conquista de contratos. Entre 2010 e 2011, empresas-fantasma criadas por Cachoeira receberam da Delta nada menos que 40 milhões de reais. Ras¬trean¬do o caminho do dinheiro, os policiais e promotores descobriram que parte dele foi parar na contabilidade de empresas que no mesmo período fizeram repasses a políticos - doações eleitorais declaradas, inclusive. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) estão entre os que receberam doações de campanha de empresas cujas contas foram irrigadas com recursos que Cachoeira recebia da Delta. Na semana passada, Cavendish foi assertivo em uma entrevista à Folha de S.Paulo. Ele disse que dá dinheiro a políticos para receber, em troca, informações sobre licitações. "Por que megaempresas fazem doações a campanhas? Vão ter informação. Não é toma lá dá cá." O método da Delta é conhecido. Para ganhar os contratos, a empresa joga o preço lá embaixo. O pulo do gato vem depois, quando a parceria já está em vigor. Em alguns casos, a empresa não executa os serviços certa de que não será incomodada pelos órgãos contratantes comandados por políticos de partidos aquinhoados com doações. Dessa forma, sobra dinheiro para abastecer os cofres da empresa e para remunerar os amigos no poder. Outra prática é inflar contratos com reajustes e aditivos. Conforme revelado por VEJA, a presidente Dilma Rousseff, antes de demitir a cúpula dos Transportes, deu um pito nos seus integrantes justamente em razão do excesso de aditivos contratuais: "Vocês precisam de babá".

O procurador Marinus Marsico, representante do Ministério Público no Tribunal de Contas da União, diz que os aditivos que inflam os contratos não têm outro nome: "É roubalheira mesmo". Incentivador da CPI do Cachoeira, o ex-presidente Lula sabe dos riscos embutidos na investigação de aliados. Na quarta-feira, ele perguntou a peemedebistas: "E o Serginho, como está?". Ele se referia a Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro. Cabral é padrinho de casamento de Cavendish. Conheceram-se em 2000 e se tornaram amigos inseparáveis. O fortalecimento dessa relação foi acompanhado pelo crescimento vertiginoso da Delta em contratos com a administração fluminense. Em dez anos, a empresa conseguiu 2,2 bilhões de reais com o estado do Rio. A maior parte - 1,4 bilhão - veio depois que Cabral assumiu o governo, em 2007. Em 2003, a Delta faturou 228 milhões de reais, entre clientes públicos e privados. Em 2010, 3,5 bilhões de reais, um crescimento de 1 400%. O ritmo das doações também aumentou. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Delta doou, legalmente, meros 60 000 reais em 2002. Em 2010, doou 2,3 milhões - metade para o PT, metade para o PMDB.

Com reportagem de Alessandra Medina e Ana Luiza Daltro

STJ afasta cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Amapá


Daniella Jinkings
Agência Brasil

Brasília – A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu hoje (23) afastar do cargo cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Amapá, suspeitos de desviar R$ 100 milhões do tribunal. Cinco servidores da instituição também foram afastados. A corte deferiu os afastamentos remunerados até a análise da denúncia e proibiu a entrada dos acusados no Tribunal de Contas para que eles não comprometam a instrução processual.

De acordo com o Ministério Público (MP), o desvio do dinheiro público era feito por meio de emissão de cheques e saques da conta do tribunal diretamente na boca do caixa. Também havia pagamentos a funcionários fantasmas. Além de pedir a prorrogação desse afastamento, o MP pediu a aplicação da mesma medida a nove conselheiros e servidores acusados dos mesmos crimes.

Os conselheiros afastados são o presidente Reginaldo Wanderley Salomão, o corregedor Manoel Antônio Dias, José Júlio Miranda Coelho, Margarete Salomão de Santana Ferreira e Amiraldo da Silva Favacho.

O ex-presidente do Tribunal de Contas do Amapá, José Júlio Coelho, chegou a ser preso durante a Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, que investigou um esquema de desvio de recursos da União em 2010. Ele havia sido afastado do cargo, por decisão da Corte Especial do STJ, pelo prazo de 360 dias.

De acordo com o relator, ministro João Otávio de Noronha, o caso descoberto por uma grande operação da Polícia Federal é extremamente grave, envolve quantias expressivas e revela uma peculiar situação de desmandos no Amapá. 


Edição Rivadavia Severo

No Rio Grande no Norte, revela-se a podridão do Judiciário num escândalo monumental


Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

 Reportagem de Felipe Luchete, na Folha, mostra que o Ministério Público do Rio Grande do Norte investiga um suposto esquema de fraudes no pagamento de precatórios organizado dentro do Tribunal de Justiça do Estado. Os desvios ultrapassaram R$ 11 milhões, segundo o Tribunal de Contas do Estado, que também apura o caso.

A ex-chefe da divisão responsável pelos pagamentos, Carla Ubarana Leal, disse em depoimento que entregou dinheiro proveniente das fraudes a desembargadores durante cinco anos.

Ela afirmou que entregava envelopes com dinheiro aos ex-presidentes do TJ Osvaldo Cruz (2007-2008) e Rafael Godeiro (2009-2010), em salas e na garagem do tribunal. Ambos negam envolvimento.

“A verba vinha do banco. Chegou R$ 90 mil, eu já separava a parte do desembargador Osvaldo, botava dentro da bolsa. A entrega era feita a ele todo final de tarde, no Tribunal de Justiça, em um envelope pardo amarelo, em notas de R$ 100, para fazer o menor volume possível”, disse Leal.

A servidora chefiava o setor desde 2007, mas foi afastada em janeiro após ser alvo de operação do Ministério Público e da Polícia Civil. Segundo as investigações, ela tinha ajuda do marido, George de Araújo Leal, e de outras três pessoas. O casal está em prisão domiciliar, após negociar delação premiada – medida em que o preso tem benefícios com a colaboração.

Os precatórios são dívidas do poder público reconhecidas pela Justiça, que devem ser pagas cronologicamente.

MODUS OPERANDI
Em depoimento, Carla disse que o grupo ganhou com rendimentos de uma conta na qual eram depositados valores de alguns processos. Os valores entravam e saíam para pagar todos os processos, mas não havia controle da origem do dinheiro em cada caso. Bastava haver fluxo em caixa.

A reportagem de Felipe Luchete revela que o esquema teria começado quando a servidora descobriu uma “sobra” de R$ 1,6 milhão que não estava vinculada a nenhum processo. Segundo ela, Cruz, à época presidente do TJ, pediu que ela tentasse dividir o dinheiro “sem dono”. Carla diz que passou a distribuir valores para contas de uma empresa do marido e de três “laranjas”.

A partir de então, usou cheques e guias de pagamento duplicadas. Em alguns casos, os dois desembargadores sob suspeita teriam assinado pedidos de transferência direta aos beneficiados.

A investigação ficará a cargo do Superior Tribunal de Justiça e do CNJ Conselho Nacional de Justiça.

A corregedora do Conselho, ministra Eliana Calmon, já anunciou que pretende punir os desembargadores, mas a única pena a que estão incursos é uma verdadeira benção. O máximo que pode lhes acontecer é aposentadoria precoce, com salários integrais e o direito de seguir trabalhando como advogados. Ah, Brasil…

Fraude com precatórios envolve desembargadores no RN


Estadão.com

Uma fraude em pagamentos de precatórios teria bancado diárias de até 11 mil euros em hoteis de luxo em Paris, compra de seis carros avaliados em R$ 1 milhão e a construção de uma pousada à beira-mar. O esquema, segundo investigação do Ministério Público, foi organizado dentro do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.

Os gastos teriam sido feito pelo casal Carla Ubarana, 41, e pelo marido George Leal, 45. Carla foi chefe por cinco anos da divisão responsável pelos pagamentos dos precatórios. Segundo reportagemda Folha de S.Paulo, o casal disse em depoimento que os desembargadores Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro ficaram com a maior parte dos desvios e eles ficaram somente com 30%.

O casal negociou delação premiada e disse que gastos com diárias nas viagens internacionais chegaram a R$ 1,2 milhão. Além disso, o casal comprou cinco terrenos avaliados em R$ 3 milhões em Baía Formosa (97km de Natal), onde contruiu uma pousada.

O esquema teria lucrado em cima de rendimentos de contas que recebiam os recursos provenientes de dívidas de precatórios devidos pelo Estado e pela capital. Os primeiros da lista, que tem 1800 pessoas, aguardam há pelo menos 12 anos.

O casal está em prisão domiciliar na casa de luxo em que mora em um bairro nobre de Natal.

As pegadinhas por trás das reduções das taxas de juros


Roberta Scrivano e Paulo Justus
O Globo

Para obter os descontos que as instituições divulgam, cliente deve cumprir uma série de condições

ELIÁRIA ANDRADE / AGÊNCIA O GLOBO
Na agência bancária, Antonio foi informado que não seria contemplado
com a da taxa do leasing de sua van porque o financiamento já estava feito

SÃO PAULO — Os clientes que foram na segunda-feira aos bancos para ter informações sobre as novas taxas de juros saíram decepcionados. A principal reclamação é que, para usufruir de menores percentuais anunciados nas propagandas, é preciso cumprir uma série de requisitos. As “pegadinhas” vão desde a aplicação do juro menor apenas para empréstimos de prazo muito curto até a exigência de um tempo mínimo de conta no banco.

Em uma agência visitada ontem pelo GLOBO em São Paulo, um cliente que não se identificou disse que “não é como está na propaganda”. Até os gerentes concordaram com o comentário dos correntistas e alertam que há “muitas pegadinhas” nos novos anúncios.

A primeira instituição a anunciar a redução dos juros para financiamentos de veículos, crédito consignado e crédito direto ao consumidor (CDC) foi o Banco do Brasil, no último dia 4. No dia seguinte, foi a vez da Caixa que, além dos financiamentos para bens diversos, diminuiu as taxas de cheque especial e cartão de crédito. Pressionados pelo governo, os bancos privados decidiram seguir o mesmo caminho, com mudanças em linhas como financiamento de veículos, crédito consignado e CDC. Com exceção do Santander, nenhum privado baixou os juros do cheque especial e do cartão.

Na maior parte das propagandas, os bancos publicam a taxa mínima que será praticada numa operação. No entanto, o valor real é calculado segundo o perfil do cliente. Na Caixa, por exemplo, o panfleto que divulga os juros menores diz que o cheque especial tem taxa a partir de 1,35% ao mês. Mas o cliente que resolver abrir conta na Caixa para usufruir o benefício vai obter taxa de 4,45% mensal no limite da conta.

— Os juros menores são para clientes que já têm relacionamento antigo com o banco — diz a gerente de uma agência na Zona Sul paulistana, ressaltando que, caso o cliente receba salário pela Caixa, a taxa do cheque especial pode cair para 3,5% ao mês.

Gerente dá informação errada
No Bradesco, em uma das três agências visitadas pelo GLOBO, na Zona Oeste da cidade, o gerente não sabia nada sobre as novas taxas:

— É possível voltar amanhã? Estamos esperando o comunicado chegar no sistema para colocarmos as novas taxas em prática.

A informação dada por ele está incorreta, segundo a assessoria de imprensa do Bradesco. E para evitar esse tipo de problema, o banco informa que está reforçando a comunicação com sua rede de agências. O Bradesco iniciou ontem a aplicação de novas taxas para financiamento de veículo (a partir de 0,97%); crédito pessoal (queda de 2,66% para 1,97% ao mês); e CDC Bens (de 3,54% para 2,97% ao mês).

— Mas a taxa de 0,97% ao mês para o financiamento de veículo só vale para quem dividir o pagamento em quatro vezes — alertou a gerente de outra agência na Zona Oeste de São Paulo.

Antonio de Oliveira Siqueira, de 44 anos, dono de um pequeno restaurante na capital paulista, foi à agência do Bradesco verificar se a taxa do leasing de sua van cairia. Hoje, ele paga 1,89% ao mês. Na agência, porém, foi informado que não seria contemplado com a redução porque o leasing já está feito:

— Não recebi nenhuma notícia animadora aqui. Vou checar no Banco do Brasil, onde também tenho conta.

Para conseguir melhor taxa no financiamento de veículos no banco estatal, porém, o cliente precisa estar com todas as informações relativas ao carro, já que não há um valor padrão.

— Não dá para dizer qual é a taxa porque varia muito de um automóvel para outro — disse a gerente de uma agência do BB na Zona Oeste.

No BB, os juros para o uso do limite de crédito no cheque especial passou a variar entre 1,38% e 8,31%. Mas, para ter a taxa menor, é preciso cumprir alguns requisitos, como ter aplicação no banco e ser beneficiário do INSS. Na média, o cliente pode conseguir uma taxa de cerca de 3%, desde que esteja usando mais de 50% do limite e há dois meses. Assim, a dívida no cheque especial é transformada em um CDC, a ser pago em 24 parcelas.

— O juro do cheque especial não caiu de verdade. Eles apenas parcelam o que você está devendo com uma taxa menor. Não é o que eu precisava — retrucou Valter Roberto, corretor de imóveis de 63 anos.
No HSBC, os gerentes informavam as novas taxas de cheque especial para cada perfil de cliente. A assessoria de imprensa da instituição, por sua vez, esclarece que o recuo no juro do limite da conta foi feito em março, quando a taxa básica de juros (Selic) caiu para 9,75% ao ano.

O HSBC informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que a tabela vigente, a partir do último dia 12, é de taxas de 1,99% a 5,93% ao mês para crédito pessoal; de 0,98% a 2,55%, para financiamento de veículos; e de 0,99% a 4,70% ao mês para crédito consignado.

No Santander, o gerente de uma agência na Zona Sul da capital paulista informou que, desde ontem, o juro do cheque especial caiu. O novo produto tem taxas de cheque especial que variam de 4% a 8% ao mês, mas quanto menos o cliente utilizar seu limite, menor será o juro.

Relação antiga para ter taxa reduzida
No Itaú Unibanco, um gerente disse que os juros baixos para empréstimos ficaram restritos à modalidade do consignado, voltada a aposentados e pensionistas que recebem pelo banco. No caso da linha de financiamentos para veículos, a taxa reduzida de 0,9% ao mês, segundo ele, só é válida para clientes com mais de um ano de conta na instituição.

E é preciso ficar atento às taxas por uma razão simples: o cliente que não obtiver a taxa mais vantajosa oferecida pela instituição ainda pagará caro para tomar crédito. Uma pesquisa da Anefac, considerando as taxas de juro mínimas e máximas divulgadas pelos bancos, chegou a diferenças impressionantes. Quem comprar um carro no valor à vista de R$ 60 mil, em 48 parcelas, pagando juro de 4,23% ao mês (a taxa máxima oferecida pelo Bradesco), desembolsará R$ 141.144,20 pelo bem. O carro sai por R$ 75.333,39, se o cliente obtiver a taxa mínima do mesmo banco, de 0,97%. A diferença é de mais de R$ 65 mil no preço final do bem.

Para justificar tanta diferença entre a taxa mínima e a máxima, os bancos alegam que precisam avaliar o comprometimento da renda do cliente, que indica o potencial de inadimplência, o histórico do relacionamento com a instituição, e o próprio produto oferecido. Num empréstimo consignado, por exemplo, o risco para o banco de levar um calote é muito menor do que no rotativo do cartão. Isso porque a parcela do empréstimo é descontada diretamente na conta do cliente.

Criminalização do enriquecimento ilícito é um passo à frente. Mas falta moralizar a Justiça.


Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

Todos os jornais publicaram que, depois de propor a criminalização do enriquecimento ilícito de políticos, magistrados e servidores públicos, a comissão de juristas que prepara o anteprojeto de reforma do Código Penal no Senado aprovou também o aumento da pena mínima para o crime de corrupção e a redução da pena máxima.

Se o texto passar no Congresso, os acusados de corrupção podem pegar de 3 a 8 anos de prisão e não de 2 a 12 anos, como é hoje. O prazo para a prescrição da pena deve aumentar, no mínimo, de 8 para 12 anos.

Segundo a Folha de S. Paulo, o relator da reforma, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, diz acreditar que a punição, como foi aprovada hoje, será mais severa. “O intervalo [da punição] hoje é muito grande e não convém à Justiça, porque comumente é a pena mínima que forma a sanção e não a máxima. Por mais paradoxal que seja, a nova pena é mais severa, porque o mínimo [de anos na prisão] é maior”, afirmou.

Além disso, na nova proposta, a corrupção ativa e passiva passam a formar apenas um tipo penal, o que deve, na opinião de Gilson Dipp, presidente da comissão e ministro do Superior Tribunal de Justiça, facilitar o entendimento e a aplicação das sanções.

“Quanto mais claro o texto, melhor ele será aplicado pelos operadores. Hoje punimos com algum rigor a corrupção passiva de um servidor, mas temos poucos inquéritos dos corruptores ativos. Num tipo único, pelo menos a sensação de impunidade vai diminuir”, diz.

Dipp também ressaltou que a definição das penas não é a única responsável por conter a criminalidade. E tem toda razão. Enquanto a Justiça for sujeita a todo tipo de tráfico de influência, nada mudará. Os advogados continuarão manobrando e retardando os processos até a prescrição dos crimes.

É fundamental criar também mecanismos para afastar e punir juízes apenas lenientes, que retardam os processos para beneficiar os réus. Juiz precisa ter prazo para decidir a ação. Hoje em dia, só quem tem de cumprir prazo são os advogados, esta é a relidade. O juiz não cumpre, o Ministérios Público não cumpre, os peritos não cumprem, os tribunais não cumprem…

Cruzamento de dados mostra coincidência entre depósitos na Suíça e empresa ligada a Teixeira


Jamil Chade 
Estadão.com

Propinas pagas a dois ex-cartolas da Fifa divulgadas na Europa reflete as conclusões dos documentos da CPI do Futebol de 2001

Fabio Motta/AE 
Fora da CBF, Ricardo Teixeira responde 
por acusações de recebimento de propinas


Propinas pagas a dois ex-cartolas da Fifa divulgadas nesta semana pelo Conselho da Europa coincidem com as conclusões que documentos da CPI do Futebol de 2001, que já indicaram transações ligadas a Ricardo Teixeira.

Esses pagamentos de propinas já foram revelados há dois anos pela rede britânicaBBC e pelo jornal suíço Tages Anzeiger, que indicaram pela primeira vez que o outro cartola envolvido nos pagamentos era justamente o ex-presidente da Fifa, João Havelange.

Ambos fizeram o mesmo cruzamento de dados para chegar à conclusão de que os envolvidos eram Ricardo Teixeira e João Havelange e que recebiam o dinheiro da empresa de marketing ISL para influenciar em contratos de transmissão da Copa do Mundo.

Como o próprio Estadão revelou com exclusividade, Havelange passou a ser investigado pelo Comitê Olímpico Internacional após as revelações da BBC e, uma semana antes de receber o julgamento em 2011, pediu sua renúncia de seu cargo em Lausanne. O caso foi arquivado por conta de sua saída da entidade.

Há pouco mais de um mês, a reportagem do Estado ainda revelou que Teixeira estava se preparando para apresentar uma defesa de seu caso, alegando que havia recebido o dinheiro de fato. Mas que atuava apenas como “laranja” de Havelange.

Em 2011, o próprio tribunal entregou documentos ao Estado em que indicava que os suspeitos admitiram perante o juiz suíço o recebimento das propinas e indicou que a ISL funcionava como um verdadeiro banco paralelo privado da Fifa, com propinas que chegariam a US$ 140 milhões.

CONTAS
Agora, a revelação foi feita pelo procurador do Tribunal de Zug, Thomas Hildbrand, em uma audiência fechada no Conselho da Europa, que se debruça sobre o escândalo que envolve a empresa ISL e a Fifa. Na audiência, o suíço se recusou a revelar os nomes dos envolvidos, alegando que o caso foi encerrado com o pagamento de uma multa milionário e que as identidades dos suspeitos foram mantidas em sigilo. Mas confirmou que dois cartolas fraudaram a Fifa e apresentou uma lista dos depósitos, que chegariam a quase US$ 40 milhões. Segundo ele, essas pessoas "enriqueceram" graças a essas propinas e jamais devolveram o dinheiro aos cofres da entidade.

Comparando com os dados da CPI no Brasil, há uma coincidência entre os depósitos. No documento suíço, os suspeitos denominados apenas como E e H tinham participação financeira na companhia G. Entre 1992 e 2000, essa empresa G recebeu da ISL 32 depósitos. Já pelos dados da CPI do Futebol, esses depósitos coincidem em suas datas e valores aos depósitos da Sanud, onde Teixeira e Havelange aparecem como sócios.

Outros dados mostram que depósitos e valores a outras empresas listadas pelo procurador suíço coincidem com empresas referidas na CPI como Garantie JH e Renford Investiments Ltd, em valores que chegariam a quase US$ 40 milhões. O próprio procurador suíço afirmou não poder certificar o valor final da propina, já que poderia ser ainda superior.

PRESSÃO
O documento do Conselho da Europa ainda julga que o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter sabia de todas as transações e critica o cartola por não ter atuado para combater o problema. Blatter se recusou a dar uma resposta ao Conselho.

Na Justiça suíça, os documentos que revelariam os nomes dos envolvidos ainda estão sendo mantidos em sigilo. Mas cinco jornais europeus entraram com uma ação para permitir que os documentos sejam publicados. Uma decisão da Corte Suprema da Suíça é aguardada para este ano. Blatter, insiste que não tem problemas com a publicação dos documentos.

Crédito supera a marca de R$ 2 bi e preocupa mercado


Guilherme Barros



Os dados divulgados agora há pouco mostram que o crédito no Brasil continua em ritmo de forte expansão.

De acordo com o Banco Central, o crédito fechou março em R$ 2,07 bilhões, uma alta de 42,5% na comparação anual.

“O resultado causa uma certa preocupação”, afirma André Perfeito, da Gradual Investimentos.

Com a redução do spread, Perfeito chama a atenção para o fato de que, em abril, se terá um retrato mais real do que ocorre com o crédito.

Prefeito chama a atenção também para o fato de que esse aumento do crédito se contrapõe ao que o BC afirmou na última ata da instituição.

O BC afirmou o seguinte: “O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportuna a introdução de iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.”

“A queda dos spreads é bem vinda e tende a ser duradoura, mas sinais de preocupação se avolumam, entre estes o aumento da inadimplência das pessoas físicas que está em trajetória de alta, com destaque para os cartões de crédito e financiamento de automóveis”, afirmou Perfeito. “Isto tudo são perguntas que devem ser respondidas pelo BC amanhã”.

É só não ir


J. R. Guzzo
Revista Veja

Você não quer passar humilhação viajando para os EUA? É simples: basta não ir

Para o brasileiro comum só existe um problema de verdade nas relações entre Brasil e Estados Unidos: o visto de entrada.

Muito pouca gente perde o sono por causa do “tsunami” de dólares do qual tanto fala a presidente Dilma Rousseff em seus discursos internacionais — um assunto que, francamente, já começa a encher a paciência.

Fora o governo, para quem Cuba é o país mais importante do mundo, quase ninguém se interessa pelas rixas entre americanos e cubanos, ou pelo apoio que o Brasil dá a nações como Irã, Síria e outros desafetos dos Estados Unidos.

Que diabo isso tudo teria a ver com a sua vida? Seria bom, talvez, que a presidente Dilma falasse um pouco menos dessas coisas, para não ficar parecendo aquele tipo de pessoa que não muda de ideia e não muda de assunto. Mas, para o cidadão que existe na vida real, tanto faz.

O que interessa mesmo para o brasileiro médio em relação aos EUA é o visto de entrada
O que lhe interessa mesmo é a questão do visto, e nenhuma outra. Pode soar esquisito, mas o fato é que para um número cada vez maior de brasileiros o visto de entrada nos Estados Unidos passou a ser hoje um dos problemas da vida.

O sujeito já tem complicações suficientes no seu dia a dia — profissionais, familiares, financeiras, afetivas, de saúde, com o seu time de futebol. Por que acabou permitindo que a isso tudo viesse se somar o calvário atualmente exigido para a obtenção do visto americano?

Carimbo como se fosse diploma de honra ao mérito
Nada parece capaz de deter a ânsia de levar a criançada para Orlando ou a patroa para comprar roupa de cama nos outlets de Nova York.

Cerca de 1,5 milhão de brasileiros viajaram para os Estados Unidos no ano passado; no último mês de março, o total de vistos foi 60% superior ao de 2011. Muitos nem percebem, mas já começam a mostrar sintomas de obsessão; têm orgulho, por exemplo, de exibir o carimbo do visto em seu passaporte, como se tivessem recebido um diploma de honra ao mérito.

Parece haver no ar, ultimamente, alguma perspectiva de melhora na situação. Pouco tempo atrás, o presidente Barack Obama, em pessoa, pediu um aumento “de 40%” na capacidade de emissão de vistos para brasileiros.

Já para este mês de maio, pretende-se iniciar um programa destinado a selecionar o grande total de 150 homens de negócios brasileiros (isso mesmo; 150) e permitir que passem por uma espécie de fila rápida no desembarque em solo americano; se der tudo certo, daqui a um ano o número desses bem-aventurados pode chegar a 1500.

Hoje, obter o visto significa passar por humilhação
Na recente viagem da presidente Dilma aos Estados Unidos, anunciou-se a abertura de mais dois consulados no Brasil — para 2014. Por fim, foi mencionada a possibilidade de que em algum dia, no futuro, os cidadãos brasileiros sejam dispensados do visto de entrada nos Estados Unidos, como já se faz em relação a países classe “A” da Europa. Supõe-se, para tanto, que o Brasil precise ficar mais parecido com os países classe “A” da Europa — e só Deus sabe quando isso vai acontecer.

Até lá o brasileiro que quiser viajar para os Estados Unidos continuará se submetendo à humilhação de ter seu passaporte retido por quinze dias nos consulados americanos quando pedir o visto — algo que nenhuma autoridade brasileira tem o direito de fazer sem autorização judicial.

É possível que tenha de apresentar sua movimentação bancária nos últimos noventa dias; nem a Receita Federal exige uma coisa dessas. Proíbe-se a entrada de celulares nos consulados, como se faz nas penitenciárias. Há a exigência de entrevistas pessoais, pelas quais é preciso esperar durante meses.

Na chegada aos EUA, hostilidade e atenção à cor da pele
Ao chegar aos Estados Unidos, o brasileiro é, com frequência, recebido com hostilidade. Vê-se obrigado a responder a perguntas abusivas, ou se faz insultar pelos agentes do Departamento de Imigração.

São comuns episódios claros de racismo. Se no guichê de apresentação do passaporte o agente é negro, o visitante branco arrisca-se a ser tratado com mau humor, má vontade e má educação, e o mesmo acontece se o visitante é negro (ou do “tipo brasileiro”) e o agente é branco; em qualquer dos casos, o que olham é para a cor da sua pele.

A mensagem disso tudo é clara: “Você não é bem-vindo aos Estados Unidos; não queremos estrangeiros por aqui”.

Entre os desejos do presidente Obama e as realidades do homem de farda no aeroporto há um mundo de diferença.

Contra isso tudo só existe uma vacina 100% eficaz, e disponível para todos os brasileiros que não são obrigados, por motivos diversos, a ir para os Estados Unidos: não viajar mais para lá.

Qualquer um, é claro, tem o direito de engolir humilhações. Mas não deve esperar simpatia, se insiste em passear num país onde não querem ver a sua cara.

Cristina Kirchner amplia o domínio sobre a mídia argentina


Janaína Figueiredo
O Globo

Empresário leal ao governo compra canal de notícias e quatro rádios do país

ENRIQUE MARCARIAN/REUTERS 
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner

BUENOS AIRES — Em março passado, o canal argentino C5N tirou abruptamente do ar uma entrevista com Alberto Fernández, no momento em que ele, ex-chefe de Gabinete dos governos Néstor e Cristina Kirchner, falava do escândalo de corrupção envolvendo o vice-presidente Amado Boudou. Segundo fontes da emissora, a censura foi uma ordem da Casa Rosada ao dono da empresa, Daniel Hadad. As mesmas fontes confirmaram nesta quarta-feira que Hadad acaba de vender o canal e quatro emissoras de rádio para o empresário Cristóbal López, um dos principais aliados de Cristina no setor privado.

A operação ainda não foi anunciada oficialmente. Nesta quarta-feira, colaboradores de López negavam as negociações. Mas jornalistas do canal e de outros meios locais confirmaram que López comprou o C5N — canal de notícias a cabo — e as rádios AM 10 — a de maior audiência no país —, FM Pop, Mega e Vale. Assim, empresários vinculados ao kirchnerismo ampliaram sua fatia num setor considerado estratégico pela Casa Rosada.

Transação pode ajudar Casa Rosada em escândalos
Atualmente, aliados do governo estão no comando dos jornais “Pagina 12”, “Tiempo Argentino” e “Ambito Financiero”, dos canais de TV “Telefe”, “Crónica”, “América”, “CN23” e “Canal 9”, entre outros. Em todos os casos, as empresas são amplamente beneficiadas na distribuição dos recursos da publicidade estatal.

Uma pesquisa da consultoria Monitor de Medios mostrou que, no ano passado, o jornal “Tiempo Argentino”, de tiragem inferior a dez mil exemplares diários, recebeu cerca de US$ 10 milhões em publicidade oficial, um crescimento de 141% em relação a 2010. Como comparação, o “Clarín”, que vende 300 mil jornais por dia, recebeu US$ 700 mil, uma queda de 74%. O grupo é considerado pelo governo um de seus principais inimigos.

Para Cristina Kirchner, ter o canal C5N nas mãos de um empresário aliado é importante no momento em que o governo vive uma crise com a Espanha pela expropriação da petrolífera Repsol-YPF, e em que o vice-presidente e outros funcionários estão envolvidos em casos de corrupção e outros escândalos.

Hadad nunca foi antikirchnerista, mas tampouco um defensor incondicional do casal. A entrevista com Alberto Fernández foi realizada pelo jornalista Marcelo Longobardi, antigo amigo de Hadad. A censura exercida pela Casa Rosada foi confirmada pelo ex-apresentador da CNN Alberto Padilla, que estava no estúdio do canal no momento. Hadad negou ter censurado o ex-chefe de Gabinete e argumentou que o programa tinha passado de seu horário — versão desmentida por Padilla.

Nesta quarta-feira, nos corredores do C5N, jornalistas se perguntavam o que mudará a partir da chegada de López.

Após ano conturbado, Gol tenta se reerguer


Comentando a Notícia

Há umas duas semanas atrás, postamos aqui um comentário (íntegra aqui) sobre a competição predatória que é praticada, já de algum tempo, na aviação comercial brasileira. Criticamos a posição imbecil adotada pela ANAC e pelas demais instituições de controle por permitirem tal política.  A crítica nasceu a partir da divulgação dos prejuízos volumosos apresentados pelas duas maiores companhias  brasileiras, TAM e GOL, e que apesar dos números negativos,    insistiam em praticar preços promocionais abaixo do custo, o que, no nosso entender, deveria ser proibido.


E por que o governo federal continua sem tomar uma atitude no sentido de preservar o mercado e mantê-lo saudável? Acima de tudo porque tal competição vinha de encontro ao projeto de poder do governo petista, já que com preços reduzidíssimos, mais pessoas viajariam de avião, e isto alimentava de forma canalha a propaganda oficial.

Contudo, a continuarem praticando tal política criminosa, chegaria o momento   em que um ou ambas as empresas acabariam quebrando. Para evitar isto, haveria a necessidade do governo federal acabar subsidiando o preço final das passagens aéreas.

Pois bem: neste final semana, a Gol, repetindo a política de preços abaixo do custo, novamente, anuncia nova promoção. E, claro, muitos se sentirão atraídos para viajarem.  Ninguém pensa no amanhã, todos querem desfrutar o benefício aqui e agora.

Porém, a advertência feita lá atrás, começa a dar seus primeiros passos e, o resultado final,  é que o mercado da aviação comercial acabará completamente desarrumado, culpa de uma política incentivada pelo governo petista que busca resultados que beneficiem apenas seu projeto de poder, independente das más consequências que isto resulte para o país.

Neste sentido, leiam o texto a seguir de Naiara Bertão para a Veja online. É a própria Gol quem agora vem pedir o socorro federal para continuar atuando no mercado. Ou seja, ao invés do governo destinar recursos públicos para investimentos em áreas prioritárias, acabará desviando vultuosas quantias para manter a Gol operando porque isto faz bem à propaganda petista. Quanto a advertir a companhia GOL para que pratique uma competição saudável, com preços ajustados aos seus custos, bem isto contraria a visão equivocada de economia da turma da esquerda. E isto, senhores, não é nada bom.

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Empresa da família Constantino reformula estratégia, corta gastos e aguarda empurrão do governo para seguir em frente

(Robson Fernandjes/AE)
Gol: Valor de mercado passou de 5 bilhões de reais 
para pouco mais de 1 bilhão de reais em 5 anos 

A Gol Linhas Aéreas, empresa da família mineira Constantino – a casta mais influente do transporte rodoviário no Brasil – é um dos exemplos mais contundentes da falta de lógica que prevalece em alguns setores. Enquanto o tráfego aéreo no Brasil cresce mais de dois dígitos há cinco anos consecutivos, a renda dos trabalhadores aumenta sem cessar e o excesso de passageiros transformou o caos em rotina nos aeroportos brasileiros, a Gol padece em meio a prejuízos milionários. A empresa criada em 2001 para ser a primeira low cost brasileira completou sua primeira década com o sabor amargo deixado pelas perdas de 710,4 milhões de reais apenas em 2011. Agora, a companhia corta seu quadro de funcionários, modifica sua estratégia e, às vésperas de 2014, reduz rotas para não derrocar.

Por trás desse pouso forçado da empresa que tentou abraçar o mundo e teve de cortar suas próprias asas, há fatores externos e internos claros: o recorrente custo Brasil, formado pela burocracia do setor, os altos impostos e a ineficiência aeroportuária; a alta do preço do querosene de aviação; a desvalorização forçada do real ante o dólar; e, por último, a dificuldade da companhia em gerir seu crescimento.

Seis anos atrás, a Gol era considerada um dos maiores exemplos de sucesso da aviação. Com 20 milhões de dólares de investimento inicial, Constantino de Oliveira Júnior e seu irmão Henrique, herdeiros de Nenê Constantino, fizeram com que a pequena low cost se transformasse em um gigante com receita líquida de 7,5 bilhões de reais e 35% de participação do mercado brasileiro de transporte aéreo. Ao longo da década, duas compras de peso (Varig e Webjet), estratégias intempestivas, caos aéreo e concorrência acirrada fizeram com que a empresa se transformasse. Seu DNA de preços mais acessíveis e serviços reduzidos evoluiu para um patamar tarifário mais alto, próximo do que é praticado pela TAM, porém, com serviços inferiores. Se, em 2008, o valor de mercado da Gol não era muito menor do que o da concorrente (5,6 bilhões de reais contra 6,9 bilhões de reais), a situação agora é outra. Enquanto a TAM vale mais de 7 bilhões de reais na bolsa, a Gol não passa de 1,36 bilhão de reais.  

Todos esses fatores somados resultaram no que se vê agora: o momento financeiro mais crítico da história da empresa. “Na ansiedade para conquistar mercado, a Gol comprou a Webjet e apertou ainda mais suas contas. Aquele não era o momento apropriado”, afirma Respício do Espírito Santo Júnior, professor da Escola Politécnica da UFRJ. Na avaliação do especialista, a empresa deveria, naquele momento, ter parado com a diminuição de preços, enxugado rotas e capacidade, para só então voltar a crescer nos anos seguintes.

Ocupação baixa - 
Além do prejuízo verificado em 2011, a taxa de ocupação média da Gol foi inferior à do mercado de aviação: 64,3% contra 70,18%. Isso ocorreu justamente em um ano em que o fluxo de passageiros evoluiu nada menos que 16% no ano. "Uma empresa low cost precisa ter uma taxa de ocupação alta para poder equilibrar os ganhos menores com os custos", afirma Cláudio Toledo, do SNA e ex-economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Por fim, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou na semana passada a nota corporativa da Gol de B1 para B3 e as ações preferenciais da companhia estão cotadas atualmente a um valor 50% inferior ao de 12 meses atrás. A empresa cortou 80 voos regulares e mais de 200 pessoas foram desligadas de seu quadro de funcionários no último mês. 

Tempo nublado – 
Os problemas da Gol começaram em 2007, com a compra da Varig, por 320 milhões de dólares. Segundo Alexandre de Barros, ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e atual professor da Universidade de Calgary (EUA), a aquisição tinha um alvo claro: os “slots” de Congonhas, que permitiram à empresa incrementar suas operações nas rotas mais rentáveis do país, como a ponte-aérea Rio-São Paulo. Naquele ano, também houve o acidente com o Boeing 1907, que fazia o trajeto Manaus-Brasília, e castigou os ânimos e resultados da empresa, que teve seu lucro reduzido em 60%.

Segundo o especialista, o período foi marcado por tentativas fracassadas de abocanhar participação de mercado da TAM. “A ideia de usar a Varig para oferecer um serviço de qualidade diferenciada foi rapidamente abandonada devido ao alto custo de se manter duas estruturas diferentes, sendo que uma (a de serviços de maior qualidade) é incompatível com a filosofia de baixo custo da Gol”, explica o professor. Além disso, é ponto pacífico no mercado que a empresa de Constantino pagou um preço caro pela companhia falida e não alcançou os resultados esperados.

Voos internacionais - 
Um exemplo emblemático das tentativas malsucedidas foi a decisão de operar rotas internacionais, em meados de 2008, sem que houvesse uma estratégia bem formulada por trás. A empresa inaugurou rotas para destinos como Madri, Nova York e Paris utilizando aeronaves usadas e pouco eficientes em uso de combustível. Para ganhar mercado, teve de aplicar preços similares aos da concorrência e a conta não fechou. Naquele mesmo ano, os aviões foram tirados de circulação. “A empresa tinha que usufruir os slots da Varig em até 180 dias após a compra, senão perderia o direito. Por isso ela criou essas rotas”, conta Toledo.

As aeronaves ficaram encostadas até 2010, quando a companhia reativou três linhas internacionais – Bogotá (Colômbia), Caracas (Venezuela) e Aruba (Caribe). Nesse período, mesmo com as aeronaves em solo, a Gol continuou pagando os aluguéis das seis aeronaves, que somavam 2,89 milhões de dólares por mês.

Entre 2009 e 2010, o lucro da empresa refletia os atropelos: recuou 76%, de 890,83 milhões de reais para 214,19 milhões de reais. Em paralelo, problemas no sistema de gestão de recursos humanos em 2010 resultaram em um erro de cálculo do número de funcionários necessários para atender a demanda do setor – problema que também ocorreu na TAM. O efeito disso foi uma série de greves de pilotos e comissários que reclamavam do excesso de trabalho. Para tentar reverter o quadro, a empresa fez uma série de contratações que acabaram superando a necessidade do setor.

Constantino de Oliveira Junior, presidente e fundador da Gol

O fator cambial – 
Se o dólar não tivesse se valorizado, graças às medidas de controle cambial anunciadas pelo governo, o resultado da empresa não seria tão prejudicado, já que seus custos são em dólar - e as dívidas também. No caso da Gol, 60% de seus gastos são dolarizados. Cláudio Toledo, do SNA e Dieese, estima que mais de 50% do prejuízo de 710 milhões de reais vieram da valorização da moeda americana em 12,15% no ano passado.

Mas talvez o problema mais latente tenha sido o aumento de 29,3% no preço do querosene de aviação, derivado do petróleo, ao longo de 2011. O combustível representa aproximadamente 35% dos custos de uma empresa aérea e pode determinar sua sorte. A situação financeira agravou-se ainda mais porque a conta não foi repassada em sua totalidade ao consumidor, já que a Gol mantém uma constante briga tarifária com a TAM.

Outro passo azarado ocorreu no mercado financeiro. As operações feitas com derivativos de dólar para cobrir perdas com a oscilação da moeda acabaram piorando o quadro da empresa. “A TAM teve sorte e conseguiu equilibrar suas operações com uma aposta certa no dólar. A aposta da Gol foi errada”, diz um analista da empresa que preferiu não ter seu nome citado.

A reestruturação – 
Para tentar reverter as perdas, a Gol demitiu, cortou rotas, cancelou a distribuição do “lanchinho” em 250 voos e mudou novamente sua estrutura administrativa. Ricardo Khauaja, que ocupava a vice-presidência de clientes e mercado, deixou a companhia. Na ocasião, outros 30 executivos foram desligados. Esta foi a quarta mudança de gestão da Gol em seus 11 anos de existência.

Em paralelo, a empresa começou a demitir outros 112 técnicos de seus 430 despachantes de voo. A medida foi tomada após a conclusão, no início de abril, da automatização do sistema de balanceamento das aeronaves, que faz a pesagem de bagagem, passageiro, carga e combustível dos voos e mantém o equilíbrio da aeronave. Segundo a empresa, as 61 bases pelo país serão desativadas e concentradas em Congonhas (SP), em uma central que fará todo o gerenciamento deste procedimento remotamente. Dezessete técnicos já foram transferidos para a central. Além disso, a assessoria da Gol reafirma que o restante dos funcionários não serão demitidos, e sim realocados em outras funções dentro da companhia.

Contudo, Rodrigo Maciel, funcionário da Gol e diretor do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos disse ao site de VEJA que as demissões estão a todo vapor e que o órgão está elaborando um documento para entrar com uma reclamação junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Horizonte - 
As mudanças ainda não surtiram efeito na empresa, mas há vozes otimistas em relação a elas. Guilherme Abdalla, advogado especializado no setor, não acredita em uma piora da situação no curto prazo. “Não vejo possibilidade de uma companhia nessas condições quebrar”, afirma, reiterando que a empresa contará com um mercado que continuará crescendo dois dígitos em 2012 e com a credibilidade que ainda tem junto a credores e fornecedores. Para Adolpho Carvalho, advogado especializado em setor aéreo do escritório Pinheiro Netto, o período atual é transitório. “A Gol não é uma Varig, uma Transbrasil e está longe de ser uma Vasp. Não podemos colocar as empresas na mesma cesta”, avalia.

A situação pode melhorar ainda mais rápido se houver o empurrãozinho do governo, que estuda, nos bastidores, medidas para ajudar as empresas aéreas brasileiras, tais como desoneração de folha de pagamento, redução do preço do querosene por meio de ajuda da Petrobras e pressão aos estados para redução do Imposto sobre Circulação de Mercadores e Serviços (ICMS). “Três anos atrás isso seria impossível. Mas esse governo tem se mostrado tão intervencionista que eu não ficaria surpreso se isso acontecesse. Afinal, a Petrobras já faz isso com a gasolina. E, no final, as empresas aéreas precisam mesmo desse tipo de ajuda hoje”, comenta um especialista do setor, que preferiu não ter seu nome citado. Conspira a favor também o fato de parte da família Constantino viver em Brasília e circular tranquilamente junto aos poderosos da República.

Parceria com a Delta
1. Em dezembro do ano passado, a Gol e a americana Delta Airlines assinaram um acordo estratégico de participação acionária.

2. Por 100 milhões de dólares, a Delta comprou cerca de 3% do capital da Gol, por meio de ADSs (American Depositary Shares) lastreados em ações preferenciais.

3. Com a negociação, a maior companhia aérea do mundo entrou no mercado brasileiro de maneira tímida, sem o direito de interferir em praticamente nenhuma grande decisão da Gol.

4. Contudo, a queda das ações da empresa da família Constantino fez com que rumores de uma nova aquisição por parte da Delta fossem ventilados. Segundo a legislação do país, uma empresa aérea precisa ter controladores brasileiros e pode contar com apenas 20% de capital estrangeiro.

5. Segundo fontes ligadas à Delta ouvidas pela reportagem do site de VEJA, nenhuma negociação está em curso, ainda que a empresa não descarte a possibilidade de um novo investimento futuro.

6. A Gol também informou, por meio de comunicado, que os rumores de venda de participação para a empresa americana são falsos.