COMENTANDO A NOTÍCIA
Antes de apresentar este e mais posts sobre as relações do delegado Protógenes Queroz com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, há que se chamar a atenção do leitor para uma questão importante: todos os parlamentares que foram ouvidos pela imprensa nos últimos dias sobre a CPI, foram praticamente unânimes em defenderem as investigações, porque elas seriam um marco para que se construíssem limites nas relações entre o público e o privado. Seria absurdo alguém imaginar que eles pudessem afirmar o contrário, não é mesmo?
Ora, para o menos avisado sobre as coisas do país, poderia imaginar que a coisa agora vai! Que finalmente o Brasil se prepara para fazer uma depuração nas relações que o Estado mantém com entes privados. E que fruto da CPI, muita gente vai acabar na cadeia.
Pura fantasia. Quando se vê um delegado da Polícia Federal, vergando o cargo de deputado federal, que construiu sua imagem política como combatente tenaz da corrupção, poucos seriam capazes de imaginar que este defensor da moral e dos bons costumes poderia estar vestindo apenas uma roupagem, protagonizando um personagem criado por ele próprio e apresentado ao palco da política nacional para enganar os ingênuos.
Neste e dois posts seguintes, o leitor tem a prova de que não há um Demóstenes Torres apenas na política brasileira: há muitos. E o absurdo é que um vai investigar as maracutaias do outro, fazendo uma força tremenda para parecer imaculado.
Aliás, a partir da operação Satiagraha, o comportamento de Protógenes dá bem a ideia com que figura o país estava lidando. E, a partir do momento em que a própria instituição da Polícia Federal tirou a máscara do deputado-delegado, foi possível ver que, na política, este senhor não deixaria de ser o mistificador que realmente ele é.
É sempre bom lembrar, também, que foi o senhor Protógenes quem deu o primeiro passo para a constituição da CPI. Talvez imaginasse que suas conversas tivesse escapado das gravações da PF, ou que, por ser delegado, seria poupado pelos colegas. Quebrou a cara.
Os textos que se seguirão demonstram esta verdade que o parlamentar tenta ocultar da opinião pública. O texto a seguir é do blog 247.
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Amigo do braço direito de Carlos Cachoeira, Deputado Protógenes Queiroz combina encontro secreto na capital goiana com diretor da Delta, intermediado por Cachoeira
Foto: Folhapress_Divulgação
Um jornalista da área esportiva em Goiás, chamado Cleuber Carlos, amigo pessoal do senador Demóstenes Torres e também próximo ao governador Marconi Perillo, acaba de publicar em seu blog um novo áudio relacionado ao deputado e delegado Protógenes Queiroz (PC do B/SP). Nele, Protógenes diz que vai a Goiânia com Dadá para encontrar “aqueles amigos”. O encontro é tratado de forma secreta na conversa. Protógenes pede a Dadá, inclusive, que providencie um carro especial – um Corolla ou um Ford.
Autor do primeiro requerimento para a instauração da CPI, Protógenes pode acabar sendo convocado pela comissão, em razão de suas ligações estreitas com Dadá. Já se sabe que ele utilizou celulares Nextel, restritos ao círculo íntimo de Carlos Cachoeira. Por isso mesmo, o PSDB representou ao Conselho de Ética pedindo a cassação do seu mandato parlamentar. O deputado já cogita também trocar Brasília pelo Guarujá, onde seria candidato a prefeito. No balneário paulista, ele tem um dos seus sete imóveis – o do Guarujá, à beira-mar, vale cerca de R$ 1 milhão.
Clique aqui e escute a nova conversa entre Protógenes e Dadá.
De acordo com reportagem do Estado de S. Paulo, os “amigos de Goiânia” eram diretores da Delta, num encontro intermediado por Carlos Cachoeira. Leia:
O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo desde fevereiro, intermediou contatos telefônicos entre o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e o então diretor da Delta Construções no Centro-Oeste, Cláudio Abreu.
Gravações feitas pela PF no dia 8 de maio de 2009, durante as investigações sobre as atividades do grupo liderado por Cachoeira, mostram o contraventor avisando ao executivo que ele receberia uma ligação do parlamentar. Protógenes foi confirmado ontem como representante do PCdoB na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que vai investigar as ligações do contraventor entre políticos e empresas.
Cachoeira explica que seu braço direito, o araponga Adalberto Matías Araújo, o Dada, está a caminho da casa do deputado. A missão de Dadá era colocar Protógenes e Abreu em contato pelo telefone. “Fica com o rádio ligado que o menino tá te ligando aí agora, do Protógenes, o Protógenes vai falar com você agora”, diz Cachoeira.
O então diretor da Delta afirma que ainda não recebeu o telefonema, mas vai ficar esperando. Duas horas depois, os dois voltam a se falar. Eles, então confirmam que o deputado vai conversar pelo telefone, por intermédio de Dadá. Depois, Abreu ainda comenta que está com problemas para fechar o preço para vencer uma licitação na cidade de Trindade, em Goiás.
Protógenes, que só viria a ser eleito em outubro de 2010, havia acabado de ser afastado da Polícia Federal, acusado de ter cometido irregularidades quando comandava o inquérito da Operação Satiagraha.
Dez dias depois, em outra ligação telefônica gravado pela PF, Dadá e Protógenes combinam ir juntos a Goiânia. O delegado afastado explicou ao braço direito de Cachoeira que iria dar uma palestra na cidade. Ele pretendia chegar cedo, pois queria “almoçar lá com aqueles amigos”. Os dois combinam de viajar juntos num carro que seria providenciado pelo araponga.
