sexta-feira, fevereiro 27, 2009

PAC de que mesmo? Será de aceleração da criminalidade?

Adelson Elias Vasconcellos

Há questão de duas semanas atrás, a revista Veja publicou uma entrevista com o senador pernambucano, Jarbas Vasconcellos, em que ele desanca o sarrafo no seu partido, o PMDB, considerando-o uma confederação de corruptos, destacando Sarney e Renan Calheiros, não poupando nem ao governo Lula, cujo programa Bolsa-Família foi taxado de comprador de votos. Até aí, surpresa alguma. Dias depois, no jornal mineiro O Tempo, o senador gaúcho, Pedro Simon, também do PMDB, como que endossou as palavras de Jarbas Vasconcellos.

Tanto num caso quanto noutro, e noutros tempos, já seria motivo de escândalos e páginas e mais páginas de opiniões, favoráveis ou não, na mídia. O que se viu foi um sonoro e respeitável silêncio. Alguns muxoxos isolados e nada mais. É como se, de repente, os acusados combinassem que, se permanecessem em silêncio, talvez ninguém voltasse ao assunto e todos logo se esquecessem.

Ontem, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, afirmou que quem repassa recursos a entidades que cometem atos ilícitos também comete uma ilegalidade. De acordo com o ministro, há uma lei que proíbe esse tipo de repasse. Referia-se ao movimento MST que, em Pernambuco, assassinou quatro vigias de uma fazenda que havia sido invadida e que, contrariando decisão judicial, dito movimento se negara em desocupar.

Qual a reação do governo? Silêncio total. Vejam: três autoridades atiram farpas ao governo e a reação que se tem é de mutismo completo.

Contudo, a fala do ministro Gilmar Mendes, tanto quanto as entrevistas de Jarbas Vasconcellos e Pedro Simon, demonstram o quanto o país está sedado em relação às lambanças que se cometem nos gabinetes do poder. E, significativamente, comprovam que os partidos que deveriam ser oposição, não conseguem afinar um miserável discurso em defesa da sociedade brasileira.

O que aconteceu em Pernambuco, e que motivou a fala do presidente do STF, tem o que de diferente ao que estamos assistindo ao longo dos últimos 6 anos? É impressionante o crescimento não apenas de invasões mas, também, de mortes motivadas por conflitos rurais, e todos, sem exceção, estabelecidos a partir das invasões do MST.

Já se provou aqui, e em alguns poucos espaços que ainda respeitam o estado de direito democrático, que o tal MST e suas congêneres já deixaram, há muito tempo, de se comportar como “movimento social”. Suas ações se coadunam com formação de quadrilha para a prática de crime. São bandoleiros, selvagens, criminosos e, em alguns casos e momentos, são terroristas na mais pura expressão da palavra.

Soube-se, ontem, e a propósito das reportagens que alguns veículos de comunicação compuseram com base nas afirmações de Gilmar Mendes que, nos seis anos, o MST recebeu do governo federal cerca de 50 milhões de reais em “doações” do Tesouro. Pergunto: que destino foi dado a tanto dinheiro se o movimento vive do fruto oriundo de sua clandestinidade? Quais assentamentos foram beneficiados com a distribuição destes recursos? O que de útil foi construído? Resposta: nada, absolutamente nada de útil. O que se sabe é que em muitos acampamentos foram instaladas escolas que ensinam a prática do terrorismo, como se passarem por vítimas aos olhos da imprensa, sabe-se, por exemplo, que em muitos acampamentos alguns “ensinamentos” são transmitidos por terroristas importados das FARCs, e a maioria do batalhão de desvalidos vivem miseravelmente, não plantam, não cultivam,não criam, nada vezes nada. E, ainda, exigem que a sociedade sustente sua ociosidade.

Infelizmente, ainda tem quem aplauda e incentive a baderna que o MST promove por todo o país. Reparem no seguinte: você, cidadão comum, chega diante de uma residência qualquer, empunhando uma picareta, e vai logo arrebentando o portão, invadindo a residência alheia, quebrando tudo o que encontra pela frente, agredindo as pessoas que ali residem. O que se pode esperar que aconteça? É lógico, você será preso, processado e condenado. É o que manda a lei. É o que ordena a ordem social e legal, para que todos possam ter seus direitos respeitados e, deste modo, viver em harmonia. A lei, no fundo, não busca punir quem a transgride, isto é apenas uma conseqüência: o objetivo maior é preservar a convivência harmoniosa entre as pessoas, e para que uns não prevaleçam sobre os outros pela força e barbárie.

Qual o maior mandamento da constituição brasileira? A de que todos são iguais perante a lei, independente de credo, raça, religião, ideologia política. Sendo assim, se a lei veda que eu invada a propriedade alheia, assaltando-a e depredando-a, por que, para o MST, ela deve ser simplesmente ignorada?

Quando o MST começou a dar o ar de sua graça, as invasões eram feitas em áreas abandonadas do poder público, ou, em propriedades cujos proprietários nelas nada produziam. Porém, de um certo tempo para cá, tais invasões têm sido feitas em propriedade economicamente produtivas, . as depredações tem se dado em propriedades onde há laboratórios de pesquisa, e tudo se dá ao arrepio da lei e da ordem, a mesma lei que me puniria se tentasse fazer ou cometer os mesmos crimes.

Ora, quem incentiva que o crime seja praticado, não toma providências para coibi-los e punir os responsáveis, e, ainda assim, continua a distribuir verba pública para patrocinar tais ações, não há como negar, é conivente num primeiro momento, cúmplice num segundo. Sendo autoridade pública, comete crime de responsabilidade sujeita a ser exonerada de seu cargo. Não é uma questão de opinião ou de gosto, ou de preconceito contra os "pobres" como querem alguns: trata-se de um mandamento legal. E, após seis anos em que se distribuiu R$ 50 milhões de reais, com o conflito rural se agravando cada vez mais, com mortes e mais mortes se sucedendo de forma impune e sem condenação ao menos verbal ao movimento, tal comportamento de parte do governo federal se configura, sim, em crime de responsabilidade e, como tal, deve ser encarado. Onde está a oposição que não denuncia ao Ministério Público tais práticas, exigindo que os praticantes de crimes desta natureza sejam, imediatamente, inquiridos e, se for o caso e é, dada a reincidência, exemplarmente punidos. Não interessa se neles se envolvem ministros, secretários, deputados, senadores, prefeitos, vereadores, o bispo da esquina ou até mesmo o presidente da república. Como também não interessa se qualquer um deles conta com a simpatia de 90% da população. Se são criminosos, devem, de acordo com a lei, serem processados, julgados e condenados.

Quanto a informação das doações para o MST, é bom ressalvar: os quase R$ 50,0 milhões foram para as entidades ligadas DIRETAMENTE ao MST. Contudo, se formos considerar tudo o que tem sido repassado a título de REFORMA AGRÁRIA, teríamos nesta conta mais de R$ 200,0 milhões, em 2008. Ora, com tanta grana assim, fica difícil entender que este governo tenha uma política séria para o assunto, considerando-se os resultados que todos conhecemos, como, também, fica praticamente impossível entender os motivos de tanta invasão. A menos, é claro, que se considere que, quanto mais invasões maior o dinheiro pirateado dos cofres públicos para movimentos que, a rigor, se dedicam unicamente a prática indiscriminada de ilícitos. Daí a importância de alguém, como o presidente do STF, vir a público para, corajosamente, denunciar a omissão dos entes públicos. Numa época em que dizer a verdade sobre o governo atual se torna quase uma heresia, dada a leniência com que é tratado pela opinião pública e, principalmente, pela classe política e grande parte dos meios de comunicação, é de aplaudir o desprendimento do ministro. É preciso mais do que coragem, é preciso caráter.

Portanto, a afirmação do ministro Gilmar Mendes deve ser enfatizada e merecer profunda reflexão e imediata ação, não apenas da oposição mas, também, de toda a sociedade, ou de pelo menos de parte daqueles que desejam tornar o país uma pátria de paz e de igualdade.

Não pode o MST continuar agindo impunemente sem que seja cobrado por suas ações ilegais, como, do mesmo modo, não pode o Estado continuar abençoando tais práticas criminosas mantendo os cofres públicos franqueados para tais movimentos ou bandos. A sociedade não paga impostos para que estes sejam revertidos para grupelhos que lhe roubam e assaltam, não pode continuar financiando o crime contra ela própria.

Isto é o mínimo que se espera de um governo responsável, porque, do contrário, ele não terá moral alguma para mandar prender quem quer que seja. Aliás, não terá mais é nenhuma legitimidade para continuar a ser governo. E, especificamente, em relação ao governo Lula, o que dele se espera é que seu PAC seja de aceleração do crescimento econômico, não da criminalidade, como temos visto desde 2003. Quanto ao Ministério Público, bem... vale para ele o mesmo questionamento que fizemos em relação aos Tribunais de Contas: para que serve mesmo?

Mendes cobra atuação dura do MP contra invasão de terra

Mariângela Gallucci - de O Estado de S.Paulo

Sobre 'carnaval vermelho', presidente do STF diz que é ilegal repasse de recursos públicos para movimentos

BRASÍLIA - Em reação ao "carnaval vermelho", o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse nesta quarta-feira, 25, que é ilegal o repasse de recursos públicos para movimentos sociais que invadem terras. O ministro também cobrou uma atuação mais enérgica do Ministério Público contra os invasores.

"O financiamento público de movimentos que cometem ilícito é ilegal, é ilegítimo", disse. "No Estado de Direito, todos estão submetidos à lei. Não há soberano. Se alguém pode invadir sem autorização judicial, ele se torna soberano, logo está num quadro de ilicitude", afirmou.

Em 2001, o STF analisou a legalidade do Estatuto da Terra, que proíbe o repasse em caso de invasões. Os ministros rejeitaram um pedido de liminar para que partes da lei fossem derrubadas. O fato foi lembrado por Gilmar Mendes para demonstrar que os repasses não podem ser feitos para movimentos que invadem propriedades públicas e privadas. "O tribunal rechaçou a inconstitucionalidade", afirmou o presidente do Supremo.

Mendes cobrou uma atuação dura do Ministério Público (MP) no caso. Segundo ele, o MP tem de agir para buscar a punição dos sem-terra que participaram das invasões ocorridas em São Paulo e Pernambuco e para descobrir se houve repasse de recursos públicos. "É preciso que a Justiça dê a resposta adequada, que o MP tome as providências, inclusive para verificar se não está havendo financiamento ilícito a essas instituições", afirmou.

O presidente do STF condenou as invasões no Carnaval e os assassinatos cometidos em Pernambuco. "Em geral, esse tipo de conflito começa com característica de protesto, manifestação política, e tem redundado em violências às vezes contra os próprios invasores, às vezes contra pessoas que defendem áreas ou terras. Isso não interessa à ordem pública, não interessa à paz social", afirmou.

"Eu tenho impressão de que a sociedade tolerou excessivamente esse tipo de ação, por razões diversas, talvez um certo paternalismo, uma certa compreensão, mas isso não é compatível com a Constituição, isso não é compatível com o Estado de Direito", declarou.

Em São Paulo, militantes ligados a José Rainha Júnior, dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), invadiram no final de semana 20 fazendas, num processo que foi chamado de "carnaval vermelho". Em Pernambuco, quatro seguranças foram mortos numa chacina ocorrida no interior do Estado.

As declarações de Mendes seriam dadas inicialmente apenas a TV Justiça, mas a assessoria do ministro preferiu convocar uma coletiva. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio da assessoria de imprensa, disse que não vai comentar a entrevista do ministro Gilmar Mendes.

Líder dissidente do MST desocupa fazendas e pede diálogo (?)

José Maria Tomazela - de O Estado de S.Paulo

Rainha liderou invasões de 20 fazendas no Pontal do Paranapanema, durante o chamado 'Carnaval Vermelho'

O líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Junior decidiu nesta quarta-feira, 25, desocupar as 20 fazendas invadidas no Pontal do Paranapanema, oeste do Estado de São Paulo, durante o chamado "Carnaval Vermelho". Em duas áreas, as fazendas Pouso Alegre e das Cobras, no município de Dracena, os sem-terra devem permanecer porque os proprietários estão negociando a desapropriação com o Incra. Rainha disse que a decisão de recuar, tomada em conjunto com lideranças de outros movimentos, é um " gesto de boa vontade para o diálogo" com o governo estadual. "Esperamos que assim o secretário Marrey receba os movimentos, pois ao contrário do que ele pensa, nossa luta não é política."

Na terça-feira, o secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, disse que as invasões tinham pretexto político e que não receberia os sem-terra. Uma reunião marcada para hoje teria sido cancelada. A jornada de invasões ocorreu em protesto contra a lentidão da reforma agrária na região e contra o projeto do governador José Serra de regularizar áreas com mais de 500 hectares supostamente devolutas no Pontal. O grupo de Rainha, cujas ações não são reconhecidas pelo MST, quer ainda que o governo federal assuma as funções do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) na região. Os sem-terra não vão esperar possíveis ordens judiciais para saírem das propriedades, segundo Rainha. Até a tarde de ontem, nenhum mandado de reintegração de posse tinha sido expedido pela justiça. "Estamos dispostos a resolver o conflito com entendimento", disse o líder.

Ele contou que havia solicitado uma audiência com Marrey juntamente com líderes do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), Brasileiros Unidos pela Terra (Uniterra) e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST) antes de anunciar a jornada de invasões. "O secretário disse que tinha marcado a audiência e cancelou por causa das ocupações, mas eu não estava sabendo. Vamos desocupar e esperar que ele nos chame." Os sem-terra decidiram pedir também uma audiência com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel para discutir o repasse de verbas para os assentamentos de São Paulo. "Queremos saber se o Itesp usou todo o recurso repassado pelo Ministério." No início da noite de ontem, os sem-terra começaram a deixar as fazendas ocupadas em Presidente Bernardes e Mirante do Paranapanema. De acordo com Rainha, os grupos completam as desocupações nos outros 13. municípios na manhã de hoje. A assessoria de imprensa da Secretaria informou que o secretário Marrey não iria se manifestar sobre a decisão dos sem-terra.

Prisão
A União Democrática Ruralista (UDR) pediu ontem a prisão de José Rainha e de seu braço direito, Sérgio Pantaleão, por terem articulado as invasões do "Carnaval Vermelho". Os pedidos foram protocolados pelo presidente da entidade, Luiz Antonio Nabhan Garcia, no Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-8) de Presidente Prudente e na Procuradoria Geral de Justiça do Estado. A Procuradoria, órgão do Ministério Público Estadual, deve remeter o processo aos promotores criminais dos 16 municípios onde ocorreram invasões. A Polícia Civil informou que vários líderes das invasões já foram identificados e serão indiciados em inquérito.

De acordo com Garcia, as invasões são crime e, como foram praticados por bandos, caracterizam a formação de quadrilha que enseja a ordem de prisão. A UDR também quer processar civilmente as lideranças para que sejam reparados os danos morais e materiais causados pelas invasões. "O fato de desocuparem, independentemente da reintegração, não desobriga de indenizar os danos", disse. Rainha alega que não cometeu crime algum. "As ocupações foram pacíficas e isso consta dos relatórios feitos pela Polícia Militar." As invasões fazem parte da luta do movimento social, alegou. "Sou liderança, mas não participei das ações, pois nem estava no Pontal", disse.
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***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Resumo em uma frase apenas o sentido do que pede o tal “dissidente”: com bandido, enquanto praticando crimes, não há diálogo. Mais, terra invadida deve imediatamente ser, além de reintegrada aos seus donos legítimos, retirada do processo para reforma agrária. E, o que já deveria ter sido feito há muito tempo: corte-se o ganha-pão desta gente, que é a doação de recursos públicos.

Para que fique bem registrado, Jaime Amorim, coordenador do MST em Pernambuco, ao admitir os quatro homicídios praticados por seu grupo, saiu-se com a seguinte declaração: “Aqueles que matamos não eram pessoas comuns”. Ou seja, ele ainda acha que fez a “coisa certa”, que lhe cabe o “direito” de escolher a quem matar, apenas por tentar interceptar sua prática ilegal. Quando se chega a tal absurdo, a tamanha estupidez e, de parte do Poder Público, não se assinala uma única reação, mesmo que de indignação, fica claro o tom que rege o governo atual. Ainda bem que o Poder Judiciário já esboça uma reação. E, certamente, logo a sociedade perceberá qual a verdadeira face de tais movimentos que, de sociais, não têm absolutamente nada.

No dia em que o senhor José Rainha respeitar as leis e a ordem pública, aí ele poderá sentar para negociar. Até lá, que pare de agir como bandido.

Itália prende 50 brasileiros por falsificação de documentos

Guilherme Aquino, De Milão para a BBC Brasil

A polícia da Itália prendeu um grupo de 50 brasileiros acusados de produção e uso de documentos falsificados. As prisões ocorreram durante uma operação realizada entre domingo e segunda-feira na província de Mantova, no norte da Itália.

Os suspeitos foram surpreendidos pelos policiais em casas e apartamentos alugados nas cidades de Mantova, Porto Mantovano, Virgilio, Quistello e Curtatone. Não houve resistência e nenhum brasileiro tentou fugir ao cerco policial.

Cerca de 100 policiais e 30 guardas municipais participaram da operação. Não foram divulgados os nomes dos suspeitos detidos.

O grupo é acusado de falsificar passaportes, carteiras de identidade e de motorista de Portugal e da Espanha, países da União Europeia. Os policiais apreenderam mais de cem passaportes e carteiras de identidade e de motorista.

Urgência
Com esses documentos, brasileiros ilegais na Itália podiam ir a uma agência dos Correios para regularizar a situação no país. Eles recebiam, então, um kit de acesso para dar entrada à permissão de estadia e à carteira de acesso gratuito ao sistema de saúde do país.

Como "cidadão comunitário", o brasileiro irregular poderia trabalhar e viver na Itália sem maiores problemas. A policia encontrou 48 kits com diferentes integrantes da quadrilha.

De acordo com as autoridades, o golpe custava cerca de 3 mil euros (aproximadamente R$ 9 mil) para os clientes. O valor variava dependendo da urgência e do tipo de documentação.

Entre os 50 brasileiros flagrados pela polícia italiana na operação de segunda-feira estavam homens, mulheres e transexuais. Do total, 29 receberam ordem de expulsão do país - eles têm cinco dias para ir embora.

Dois foram presos por não respeitar o prazo para deixar a Itália, uma vez que já tinham sido notificados anteriormente. Os outros brasileiros envolvidos vão responder, em liberdade, ao inquérito conduzido pelo procurador adjunto Giulio Tamburini.

Investigação
Durante as investigações, a polícia cruzou os pedidos de residência e de carteira de saúde pública - que dá acesso aos tratamentos médicos públicos - em todos os municípios da região de Mantova.

"O golpe vinha sendo investigado há alguns meses. Chegamos até a quadrilha depois que um brasileiro foi detido em uma operação de rotina com um documento falso", disse uma fonte da Questura de Mantova - instituição policial responsável pela operação - à BBC Brasil.

No final de 2007, quatro jovens brasileiros em um carro foram parados em uma "batida" policial de rotina, em Curtatone. O veículo não tinha sido submetido à revisão bienal obrigatória.

Ao receber a multa, o proprietário apresentou uma carteira de motorista espanhola. Os policiais desconfiaram do documento e descobriram que a marca d'água era falsa. O mesmo ocorreu com uma carteira de identidade apresentada por um dos passageiros.

Agora, os investigadores querem descobrir a origem dos documentos, a gráfica em que eles eram impressos e se existe alguma ramificação com quadrilhas no exterior.

Em janeiro de 2009, a polícia espanhola desmontou um esquema semelhante de falsificação de documentos.

Na chamada "Operação Carioca", 33 brasileiros foram presos e descobertos cinco laboratórios usados para a emissão dos passaportes e das carteiras de identidade de vários países, entre eles a Itália.

Tecnologia
A polícia italiana tem se equipado para coibir este tipo de crime. As patrulhas rodoviárias usam sofisticados aparelhos capazes de identificar as mínimas deformações do documento exibido em relação ao original.

Para descobrir a carteira falsa, eles usam raios infravermelhos e ultravioletas, além de micro-câmeras especiais e da observação com lentes de aumento e microscópio iluminado. Os policiais colocam à prova os sistemas de segurança dos documentos para verificar se são autênticos.

A falsificação de documentos é um dos crimes mais comuns na Itália e quase todos os dias surge uma denúncia nos jornais. O fraude atinge também o mundo do futebol. Para driblar a cota permitida de jogadores extra-comunitários, alguns dirigentes de clubes apelam para o submundo com o objetivo de facilitar a imigração de jogadores.

Um processo no tribunal de Vicenza, em que sete jogadores brasileiros de futebol de salão estão envolvidos em um escândalo de passaportes falsos, está chegando agora na sua fase final.

A Itália, junto com Portugal, é um dos países que mais recebe imigrantes brasileiros. De acordo com dados oficiais, os brasileiros legalmente presentes em território italiano somam cerca de 60 mil. Não existem dados sobre os brasileiros irregulares no país.

Desde que assumiu o poder, o governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi tem endurecido as medidas contra os clandestinos e dificultado a entrada de estrangeiros no país.

Segundo dados do Ministério do Interior, somente nos primeiros sete meses do ano passado, 4.082 estrangeiros irregulares foram expulsos da Itália, um aumento de 15,2% em relação ao mesmo período de 2007 - outros 3.810 foram barrados nas diferentes fronteiras italianas.
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***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Antes que algum cretino saia por aí acusando o governo italiano de xenofobia ou retaliação pelo refúgio concedido ao italiano criminoso, Cezare Battisti, é bom que se diga que não se trata de um caso isolado. Bandos e quadrilhas de brasileiros têm sido desbaratadas tanto na Itália, quanto na França, Espanha e Inglaterra, nos últimos anos, e com bastante frequência. Quase sempre pelos mesmos crimes. Um pouco abaixo, encontram-se o tráfico mulheres para a prática de prostituição.

Há sim, em vista disto, um certo preconceito em relação à presença de brasileiros, mas, convenhamos, temos dado motivos para tanto. É bom frisar que se trata de uma minoria que sai daqui para praticar sua paixão pelo crime lá fora, achando que lá, tanto quanto aqui, permanecerá impune.

Lamentavelmente, acabam os justos (a maioria) pagando pelos cretinos e maus cidadãos. Porém, precisamos refletir que se trata de uma cultura fruto de um modelo parido nas teias de um Estado omisso quanto ao crime e, principalmente, em relação aos criminosos. É um processo educacional distorcido que acaba incutindo nos fracos de caráter a noção falsa de que o crime compensa.

Somos, sim, um país de bárbaros e selvagens. Mudar esta realidade não será tarefa fácil, tampouco trabalho duro para uma geração apenas.

O Líder e a História

Demétrio Magnoli, Estadão

“A partir de hoje me consumirei a vida toda ao serviço do povo venezuelano.” No momento da vitória no referendo, Hugo Chávez adicionou à paráfrase de São Paulo o seguinte: “Hoje vocês escreveram meu destino político, que é igual ao meu destino de vida.” As ideias de consagração pessoal a uma causa transcendental e de comunhão absoluta entre a vida pública e a privada definem a persona do Líder revolucionário, uma figura que só deixa o poder na hora da morte.

Joseph Stalin, o “guia genial dos povos”, governou a URSS durante quase três décadas, entre 1924 e 1953. Adolf Hitler, o Fuhrer, conduziu a Alemanha desde 1933 até a catástrofe nacional, que coincidiu com a imolação pessoal, em 1945. Benito Mussolini, o Duce, liderou a Itália por mais de 30 anos, até sua execução em praça pública. Mao Tsé-tung, o “farol da revolução”, reinou no antigo Império do Centro durante 27 anos. Kim Il-sung, o “eterno presidente”, mandou na Coreia do Norte ao longo de 45 anos e, antes de morrer, transmitiu o poder a seu filho. Fidel Castro, o “comandante”, ultrapassou todos os demais, atormentando os cubanos por meio século antes de transmitir o cargo a seu irmão. Hugo I, da Venezuela, propõe-se a conduzir pessoalmente sua revolução até 2030, quando estaria com 76 anos e ultrapassaria a marca de três década no poder.

No plano imaginário, o Líder deve eternizar-se no poder pois é detentor de um tipo particular de carisma. Ele tem uma sabedoria indefinível, mas superior à dos demais: um pacto secreto com a História e uma consciência especial do destino de uma nação ou de toda a humanidade. “Chávez une o que é diverso: o povo”, explica Aristóbulo Istúriz, dirigente do PSUV, o partido chavista. O Líder é infalível.

No plano político, a perpetuação do Líder funciona como solução para a carência de regras de sucessão típica dos regimes revolucionários. Como o sistema político se fecha em torno do partido da revolução, a competição pelo poder degrada-se em conspirações no interior do círculo dirigente. Para evitar a crônica instabilidade, em nome de uma ordem duradoura, o Líder governará até morrer. Nas palavras de Istúriz: “Na Venezuela, não há período de governo normal, tradicional. Não há programa de governo, e sim processo revolucionário. Isso requer tempo.” Sim: muito tempo.

Para os revolucionários, História se escreve com maiúscula. Os democratas escrevem história com minúscula. A democracia sustenta-se sobre uma convicção negativa: a ideia de que a história não tem “leis” nem destino. A metáfora do “trem da História” expressa a crença dos revolucionários na existência de uma ordenação da aventura humana cuja fonte é natural, econômica ou divina. Esta crença lhes confere uma chave mágica dos portais do futuro e o lugar político especial de partido que fala em nome do progresso. A oposição a tal partido representa uma negação das “leis da História”, um desvio que deve ser banido. Na democracia, pelo contrário, vigora o consenso de que a história não se dirige a nenhum lugar particular. Dele decorrem a crença de que ninguém detém uma verdade superior e o princípio pelo qual todos os partidos têm o direito legítimo de almejar o governo. A Venezuela encontra-se num ponto decisivo da transição entre a democracia e a tirania revolucionária.

O referendo venezuelano chamou os cidadãos a dizer se aprovavam uma emenda que “amplia os direitos do povo”, permitindo a reeleição indefinida. O ministro Celso Amorim, vergonhosamente, defendeu a natureza democrática da emenda chavista. Mas democracia não é igual a vontade da maioria. Democracia é o regime que exprime a vontade da maioria pela mediação das instituições representativas, conserva o equilíbrio de poderes e preserva as liberdades públicas e os direitos da minoria. A vontade da maioria sem as demais qualificações é o fundamento da tirania. A passagem da democracia para a tirania se dá pela extinção do Estado como ente público. No caso dos regimes revolucionários, o Estado é convertido em apêndice do partido da revolução - e em instrumento da vontade do Líder.

As democracias protegem-se da subordinação das instituições públicas a um Líder pela limitação do direito à reeleição, uma garantia da alternância de dirigentes no poder. Mas, por si mesma, a aprovação da emenda que permite a reeleição indefinida não significa a implantação de uma tirania. A democracia estiola-se na Venezuela porque o Estado se transforma em patrimônio de uma corrente política particular. O resultado do referendo reflete a identificação crescente do Estado com o PSUV.

No país de Chávez, a presidência controla o Parlamento, o Judiciário e a comissão eleitoral. Os militares fazem a saudação chavista. O presidente da República é o presidente do PSUV. Os ministros são altos dirigentes do partido. Os funcionários públicos são compelidos a agir como ativistas do partido. A polícia reprime manifestações da oposição. Os recursos públicos financiam os “coletivos”, grupos de militantes partidários que atuam em projetos sociais, nas periferias, e como milícias de choque oficialistas, atemorizando opositores. Capturado pelo chavismo, o Estado perde seu caráter público.

Segundo Chávez, o referendo é parte de “uma nova doutrina constitucional que tem como vanguarda a Venezuela”. Processos plebiscitários costumam acompanhar a implantação das tiranias. Governos democráticos e ditaduras em crise terminal podem perder plebiscitos, mas regimes revolucionários não os perdem pois o Estado não será derrotado no jogo em que é parte e juiz. Depois do fracasso no referendo de 2007, Chávez aprendeu o segredo para vencer disputas plebiscitárias. Basta introduzir a violência de Estado na equação política, esvaziando de conteúdo as regras que asseguram as liberdades públicas. A democracia não tem lugar no “terceiro ciclo da revolução bolivariana”.

Precarização no governo do PT

Estadão

A política de pessoal do governo Lula é a perfeita negação do discurso do PT em favor de um serviço público estável. Correta na essência, pois representa um estímulo ao servidor e uma garantia de prestação de contínuos e bons serviços para a comunidade, a estabilidade do serviço público defendida no discurso petista tem rendido ao partido e a seus candidatos apoio e votos no funcionalismo. Mas, como mostrou reportagem de Sérgio Gobetti publicada há dias pelo Estado, esse discurso não passa de propaganda eleitoral. Na prática, o governo Lula vem fazendo o contrário do que propõe o PT.

Em 2008, por exemplo, o governo bateu o recorde na contratação de temporários, de acordo com o Ministério do Planejamento. Até 31 de outubro, conforme o relatório mais recente da Secretaria de Recursos Humanos do governo federal, 17.530 profissionais tinham sido contratados por tempo determinado, um número maior do que o total de servidores efetivos admitidos no período.

Destaque-se que, ao contrário do governo Fernando Henrique Cardoso, que procurou conter o crescimento da máquina administrativa, o do PT inflou o quadro de servidores efetivos. Projetos de lei de iniciativa do governo, já aprovados ou em exame pelo Congresso, acelerarão esse processo nos próximos anos, pelo menos até 2011, já na gestão do sucessor de Lula. Mesmo assim, a contratação de temporários supera a de funcionários concursados. Desde o início do governo Lula, foram contratados 82 mil temporários.A contratação de serviços de trabalhadores não concursados pode ser feita diretamente com pessoa física - é o caso tratado pela reportagem do Estado -, pelo prazo máximo de dois anos. A terceirização, outra forma de contratação de serviços fora do quadro dos servidores regulares, geralmente se faz por meio de contratos com empresas, por tempo indeterminado e para a execução de tarefas - como limpeza, telefonia e segurança - que não exigem qualificação específica para o serviço público. Mas já há contratos de terceirização para tarefas típicas do serviço público, e por isso consideradas mais nobres, como as funções de gerência e assessoria técnica nos Ministérios. Existe ainda a possibilidade de contratação de estagiários pelo governo federal.

Os gastos do governo com esses tipos de contratação aumentaram, em valores corrigidos pela inflação, de R$ 2,66 bilhões em 2003, primeiro ano do governo Lula, para R$ 4,22 bilhões. Ou seja, o custo desses contratos aumentou 58% em termos reais nos seis primeiros anos do governo do PT.

É a escolha da precarização do trabalho - e não da prometida estabilidade - no serviço público federal.

Não há um motivo único para tantas contratações. A alegação genérica do governo é a necessidade de contratação de profissionais para cobrir a falta de servidores efetivos para atender a situações emergenciais. Na prática, as razões são outras. Em alguns casos, o governo contrata temporários com o claro objetivo de reduzir custos com pessoal. Esse é o motivo para a contratação de professores universitários por tempo determinado, os profissionais temporários mais numerosos na área federal. Os temporários, substitutos dos professores efetivos, em geral recebem cerca de um décimo do vencimento dos concursados.

O uso repetido desse expediente - quando vence o contrato de um temporário, contrata-se outro - mostra que esta não é uma situação de emergência. É apenas um jeito que a administração federal encontrou para, sem deixar buracos no calendário letivo por falta de docentes, gastar menos enquanto não resolve um problema sério - a qualidade da gestão das universidades federais, que não contratam professores efetivos no número necessário.
Mas o adiamento da solução definitiva também tem custos. Para conseguir contratar engenheiros temporários para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o governo precisou oferecer remuneração maior do que a paga aos efetivos. É um sinal de que os vencimentos dos efetivos está abaixo da média de mercado, problema que precisa ser solucionado. Mas, para isso, será necessário elaborar um projeto e negociar sua aprovação no Congresso. O governo optou pelo caminho mais curto, embora mais caro: contratar temporários.

Bancos têm 100 mil carros de inadimplentes

Toni Sciarretta, Folha de São Paulo

Para evitar retomada, instituições financeiras estendem prazos e negociam perdão de parte de multa e juros atrasados

Maior volume de carros recuperados deve chegar a partir de março devido à demora no processo por tentativas de negociação


Os bancos brasileiros têm em conjunto um estoque de pelo menos 100 mil carros recuperados de clientes inadimplentes, o equivalente à metade das vendas mensais de veículos novos no país, para desovar no mercado de autos usados. Esse estoque é mais um motivo de pressão no segmento de usados, que vive queda sem precedente nos preços e cuja falta de liquidez trava as ações para retomar a venda de carros novos.

Os principais bancos que financiam veículos relatam que o volume de recuperação cresceu de 20% a 30% no início do ano em relação ao que acontecia até setembro. Já leiloeiros e empresas terceirizadas de recuperação veem alta de até 50% no número de veículos que costumava chegar aos pátios.

Segundo o Banco Central, o sistema financeiro tinha uma inadimplência média de 4,3% em dezembro, o maior nível desde 2002. Se todos esses carros voltassem ao mercado, somariam até R$ 3,506 bilhões -o valor efetivamente recuperado, no entanto, é sempre menor do que a inadimplência total porque os bancos procuram esgotar todas as possibilidades de negociação.

A retomada também não costuma cobrir o valor da dívida financiada devido à depreciação e aos custos envolvidos na recuperação. Do dinheiro arrecadado em leilão, parte cobre a dívida em aberto no banco e o restante volta ao cliente para indenizar as prestações pagas, como define o Código de Defesa do Consumidor.

No Bradesco, o volume financeiro de carros recuperados triplicou no ano passado até dezembro -saltaram de R$ 76,1 milhões, no final de 2007, para encerrar o ano em R$ 207,5 milhões. Só a recuperação de carros teve um impacto de R$ 300,3 milhões na contabilidade do banco, sendo R$ 92,892 milhões em provisão para perdas. O Banco do Brasil teve recuperação de R$ 20,7 milhões no final de dezembro, ante R$ 584 mil no final de 2007.

O Santander/Real, cuja financeira Aymoré é uma das líderes no setor, não diferencia as receitas provenientes de recuperação de veículos e imóveis (que têm a menor inadimplência do mercado), mas reporta um volume retomado de R$ 277,7 milhões em dezembro -no ano anterior estava em R$ 192,8 milhões. Outro líder do mercado, o Banco Votorantim, não detalha em seu balanço o crescimento da recuperação, mas os executivos afirmam que se trata de uma das menores do mercado. Itaú e Unibanco ainda não divulgaram resultados.

Infraestrutura limitada
A retomada de carros pelos bancos está tão alta que esbarra inclusive na infraestrutura limitada de pátios, que se esgotaram em São Paulo e lotam áreas no interior do Estado.

Apesar da preocupação crescente com a inadimplência, o volume de carros retomados representa pouco mais de 1% dos 9 milhões de veículos alienados no país, segundo a Fenabrave (associação das concessionárias). Na conta dos bancos, de cada 4 financiamentos inadimplentes, apenas 1 termina com a retomada.

Para o presidente da Fenabrave, Sergio Reze, a recuperação de veículos cresceu junto com a inadimplência, mas encontra-se ainda em um patamar "absorvível" pelo mercado, criando oportunidades para lojas de usados, empresas de recuperação, leiloeiros e administradores de pátios.

"Os 100 mil [veículos recuperados] estão dentro dos padrões normais. É um pouco mais de 1% dos financiamentos. Se fosse uma coisa de outro mundo, viraria um negócio para a gente [concessionárias]. Se os leilões vendem, não há encalhe. O problema dos bancos acaba virando um negócio para terceiros", disse Reze.

Maior leiloeiro de veículos do país, Luiz Fernando Sodré Santoro afirma que vendeu 5.300 carros em janeiro em seu pátio em Guarulhos (Grande São Paulo), 20% mais do que em janeiro do ano passado. "Em fevereiro, o movimento continua firme. Quem compra um carro no leilão costuma pagar, no mínimo, 30% menos", disse.

"Temos um aumento de mais de 50% de veículos retomados desde o final do ano", disse Mário Cássio Maurício, da CNVR (Comercialização Nacional de Veículos Reintegrados), que faz a recuperação de carros.

O maior volume desses carros, no entanto, só deve chegar aos pátios a partir de março, refletindo a inadimplência de janeiro. Isso porque a reintegração da posse de um veículo alienado pode demorar até três meses, dependendo da disputa judicial. "Infelizmente, quando a inadimplência sobe, a atividade de cobrança aumenta, incluindo a recuperação. A inadimplência de 4,3% ainda é administrável. O que me preocupa é a curva [crescente]. Onde ela vai parar?", disse Luiz Montenegro, presidente da Anef (associação dos bancos das montadoras).

O ‘Bolsa Acomodação’

Adriana Vandoni, site Prosa & Política

O governo através do seu Bolsa Família está consolidando a acomodação na pobreza de uma massa de trabalhadores em potencial, indivíduos com mais de 18 anos que não se interessam pela própria qualificação profissional. Foi o que revelou a matéria “Plano para qualificar beneficiários do Bolsa-Família fica só no papel“ de Roldão Arruda, no Estadão. Ou os próximos governos têm coragem para exigir a contrapartida dos que recebem o benefício, ou teremos uma população paga para se manter na pobreza, incapaz de lutar e acomodada nessa situação. Teremos uma população que recebe benefícios, mas cuja única contrapartida será a de participar de quatro em quatro anos para dar continuidade a governos que mantenham programas que continuem garantindo a permanência deles onde estão: na miséria e dependentes de esmolas.

Chegamos ao ponto em que se medidas não forem tomadas para romper com essa acomodação, gerações pagarão pela acomodação que o programa instituiu na faixa mais carente.

Esses programas são chamados erroneamente de “Programas Sociais” e apresentados como dadivosidade do governante, quando na verdade são “programas de solidariedade”, válidos, claro, mas não como um programa de governo que vise o combate à desigualdade social. Projetos com a função determinada de combater a desigualdade só são eficazes quando há a exigência de contrapartidas que impulsionem a pessoa a sair da situação em que se encontra, e com rígida fiscalização do cumprimento delas. Inserir excluídos, qualificando-os, vai além da solidariedade, é uma estratégia econômica. Aumenta a mão de obra produtiva no país, barateia a produção brasileira, insere essa população no mercado de trabalho, diminui o déficit da Previdência, aumenta o consumo, enfim, combater a miséria não quer dizer apenas gesto de bondade do governante. É bom para o pobre desqualificado profissionalmente, que passa a consumir, com isso gerando mais empregos e aumentos de salários para os já empregados, e possibilitando o aumento do lucro de empresários para realizarem novos investimentos. Um ciclo virtuoso que não ocorrerá com os atuais programas.

Projeto social precisa ter contrapartida, data para começar e para terminar. Se ao longo do tempo a número de assistidos aumenta, é sinal que algo está errado. Um governo sério se vangloriaria ao diminuir a quantidade de gente que necessita ser assistida por programas sociais, não pelo aumento de assistidos.

Mas o governo não está preocupado com nada que vá além da criação de novos benefícios sem contrapartida, para consolidar essa pobreza inercial, e como o governo Lula já entra em sua fase final, e nada foi feito nesse sentido, resta-nos esperar que o próximo governo resolva essa questão. Mas não será uma tarefa fácil.

Politicamente não será possível nem traçar datas em anos futuros para a extinção do programa na forma como está, o desgaste político seria enorme!, além das conseqüências sociais que se criaria, já que muitos já deixaram seus empregos para viver na pobreza inercial criada pelo programa. Nessa impossibilidade, embora em um primeiro momento pareça um contra-senso, creio que a exigência de contrapartidas só será possível concedendo novos benefícios além dos que já existem, mas que sejam distribuídos apenas àqueles que cumprirem metas de qualificação profissional.

Além desses novos benefícios, e na impossibilidade de criar metas para a extinção dos já existentes, correções anuais só deveriam ser implementadas de acordo e para quem cumprisse as contrapartidas exigidas. Os acomodados na miséria acabariam sendo estimulados pelos ganhos das correções concedidas aos que aderirem aos planos de requalificação e qualificação profissional.

Caso nada seja feito, estaremos fadados a construir uma faixa de cidadãos que se perpetuará na pobreza, dependente do clientelismo e populismo político.

Mas será que há alguém interessado em acabar com isso?

60% dos postos de saúde têm barreira para idosos

Tribuna da Imprensa

Um estudo inédito realizado em sete estados do País mostra que 60% dos postos de saúde têm barreiras arquitetônicas para idosos e pessoas com deficiência, como escadas e ausência de rampas e corrimões, o que dificulta o acesso a esses serviços. Na avaliação conjunta realizada pelas universidades federal e católica de Pelotas (RS) foram visitados 240 Unidades Básicas de Saúde sorteadas em 41 municípios com mais de 100 mil habitantes de estados do Sul e Nordeste do País (RS, SC, AL, PB, PE, PI e RN).

"A presença de degraus, a falta de corrimãos, rampas, banheiros adaptados para cadeirantes e salas de espera inadequadas foram uma constante", concluíram os pesquisadores no trabalho publicado na última edição da revista Ciência & Saúde Coletiva. Eles avaliaram ainda as calçadas das unidades, estas inadequadas em 67% dos casos.

Estima-se que 23% da população do País é idosa ou tem algum tipo de deficiência. Os pesquisadores visitaram unidades comuns e aquelas pertencentes ao Programa Saúde da Família (PSF). As regiões de estudo foram escolhidos pelo Ministério da Saúde, que financia uma avaliação da expansão do PSF para grandes cidades cujo objetivo é orientar as prefeituras.

Os direitos das pessoas com deficiência e idosos são garantidos pela legislação nacional, na Constituição Federal e na Lei Orgânica da Saúde. Já Associação Brasileira de Normas Técnicas tem diretrizes para a construção de prédios acessíveis. "Além disto, sabemos que estamos passando por uma transição demográfica, de envelhecimento da população, e existe necessidade de se prepare o terreno para isso", diz um dos autores do trabalho, o fisioterapeuta Fernando Siqueira, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Católica. "Para ter acesso à saúde, é preciso acesso no plano físico", afirma o pesquisador, que considera o resultado alarmante.

Um dos problemas mais frequentes relatados pela pesquisa foi a ausência de rampas de acesso e, mesmo quando elas existiam, não tinham corrimões. Para piorar, a maioria das unidades também não dispunha de cadeiras de rodas para transportar os pacientes. Os pesquisadores não divulgaram dados por município.

A cidade de São Paulo, que não foi alvo do estudo, apesar de ter avançado na adaptação das unidades de saúde, ainda tem problemas em relação à acessibilidade, segundo o Conselho Municipal de Saúde.

"As unidades que têm escada ganharam elevadores, mas quase sempre eles estão quebrados", afirma Francisca Chagas, representante das pessoas com deficiência. A unidade de Santa Cecília, no centro, é uma delas. "Eles me perguntaram se eu poderia subir. Até é bom porque faço exercício", disse Maurício Monge, de 50 anos, que, apoiado em uma muleta, descia devagar a escada.

Segundo a prefeitura, 90% dos postos garantem a acessibilidade e, na unidade, os médicos descem a escada quando necessário. "Mas o fato de ter rampa não significa que a unidade é acessível Ela pode ter rampa e não ter elevador", diz a vereadora Mara Gabrilli (PSDB), que participou de CPI que tratou da acessibilidade.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Negociação sim, cretinice não.

Adelson Elias Vasconcellos

Tenho procurado evitar comentar sobre a decisão da EMBRAER de eliminar cerca de 4.200 empregos, cerca de 10% do total de seu quadro de funcionários. E o faço por uma simples razão: a empresa, no fundo, ainda não divulgou as razões em que fundamentou sua decisão.

No artigo que reproduzimos abaixo do Carlos Alberto Sardenberg, COMPRANDO EMPREGOS, no qual ele expõe a situação difícil da GM e a ação de socorro do governo Obama, temos ali uma situação bem posta e que demonstra que tipo de intervenção deve ser acionado pelo Poder Público junto à iniciativa privada.

Por aqui, a reação tanto do governo quanto dos sindicatos e centrais sindicais, foram as piores possíveis. Ao invés de optarem pelo equilíbrio e da busca de uma negociação e entendimento amigáveis, optou-se pelo “sentimento de indignação” de um lado, e de retaliação e enfrentamento de outro.

Vamos por partes. Em 1990, a Embraer mergulhou em profunda crise financeira e seu efetivo foi reduzido de 13.900 para 9.900 empregados, ou seja, muito embora o número de cortes tenha sido praticamente o mesmo de agora, o impacto naquele ano foi ainda maior, porque representou cerca de 30% do total. E, para quem já esqueceu: naquele ano, a EMBRAER ainda era estatal. Ela seria privatizada somente em dezembro de 1994, e o foi como única forma de evitar seu fechamento. De lá para cá, após o investimento de bilhões de reais, a empresa mais do que dobrou seu efetivo, ampliando seu mercado e consolidando uma posição marcante no mercado da indústria aeronáutica.

Portanto, antes de se atirar pedras à decisão da empresa de reduzir seu número de funcionários,seria conveniente,primeiro, ouvir as alegações que fundamentaram tal decisão. Nenhum empresário é maluco de cortar 10% de seu efetivo de pessoal apenas por simples ato de maldade. Muitos dos demitidos são funcionários especializados cuja formação requer altos investimentos em treinamento e qualificação feitos e bancados pela própria empresa. Deste modo, a decisão pela demissão deve ter razões bastante amplas e justificadas pela direção da EMBRAER.

Porém, independente de quais sejam estas razões, acredito que faltou um pouco de sensibilidade por parte dos diretores da empresa. Deveriam ter avaliado que, o tamanho do corte acabaria provocando uma forte reação fosse dos sindicatos ou mesmo do Poder Público. Sendo assim, deveriam ter provocado reuniões com os governos estadual e federal juntamente com os sindicatos para expor a necessidade imperiosa de demitir. Claro que, apesar de toda a “indignação” demonstrada por Lula logo após o anúncio dos cortes, foi apenas jogo de cena. Ele fora comunicado da decisão alguns dias antes. Sua reação, portanto, além de cretina, acaba abrindo curso para que se estabeleça conflitos desnecessários. Ao invés de usar a negociação política para tentar minimizar os efeitos da decisão da empresa, fez política eleitoreira a partir de uma decisão que lhe fora comunicada antecipadamente.

Dizer-se que a empresa, porque tomou empréstimos junto ao BNDES, não poderia demitir, é papo furado. Comecemos pelo seguinte: os empréstimos foram de favor,ou a empresa preencheu todos os requisitos básicos que são, de resto, exigidos de todos as demais empresas, para ter suas solicitações aceitas e aprovadas pela instituição? A EMBRAER tem pago corretamente as obrigações contraídas, incluindo-se os juros e encargos financeiros existentes nos contratos? A EMBRAER tem pago todos os seus impostos e obrigações trabalhistas em dia? Se tal tem procedido, e por ser há mais de 10 anos, uma empresa de capital privado, sobre ela o governo federal não tem nenhum poder para deliberar sobre as decisões soberanas de sua diretoria e acionistas. Pode, dentro dos limites que a lei lhe faculta, quando muito, tentar negociar para que, em momentos de crise como o atual, a empresa consiga sobreviver e remunerar seus acionistas, com menores custos sociais como o desemprego é capaz de provocar. Não apenas uns cem, duzentos ou até 400 emprego. São mais de 4.000 e isto, como não poderia de ser, tem enorme impacto social.

Partir para conflitos como pretendem os sindicatos e centrais sindicais,ou como pretende o governo pressionando o BNDES para a não concessão de futuros pedidos de empréstimos e financiamento, chega a ser ridículo e estúpido. Alegar que, em passo recente, a empresa foi beneficiário de empréstimos e que, por esta razão, não lhe compete demitir parte de seu quadro em momento de aguda crise como ao planeta todo atravessa e é duramente afetado por ela, é de estupidez colossal. Conforme vimos acima, quando mais do que dobrou seu número de empregados, passando de 9.900 para mais de 20 mil, como também pelo próprio histórico do crescimento da empresa desde sua privatização, quando desenvolveu tecnologia de ponta para tornar-se, neste período, uma das principais marca da indústria da aviação, justificaram plenamente os empréstimos e financiamentos concedidos à empresa. Ou acaso o governo é capaz de apontar que tais concessões provocam ou demandaram prejuízos ao BNDES ou aos cofres públicos? Caramba, além dos empregos, a empresa também gerado divisas, geração de renda e de impostos.

Alguns bestiais aproveitaram a crise para sustentarem a necessidade de que os governos devem intervir no mercado, ao contrário da filosofia até então adotada. Ora, já provei, certa vez, que, na raiz da crise atual, está a falta de ação justamente dos governos. Por quê? Porque, simplesmente, deixaram de cumprir seu papel de fiscalizador. E não o fizeram justamente porque no oba-oba da ciranda financeira, se beneficiaram todos, inclusive o Brasil. Quando pagamos impostos, além dos serviços de educação, segurança, saúde, dentre outros, também estão inclusos os de fiscalização. Deste modo, não podem os governos agora alegarem a conversa mole de que aumentar sua presença no mercado. Devem, isto sim, cumprirem com seu papel e nada mais.

Diante disso, não pode o governo Lula atuar como chantagista em relação à EMBRAER. Não têm competência legal para tanto. Como também, deve dispor o aparato policial para garantir segurança à atuação da empresa que paga impostos justamente para isto. Repito: a EMBRAER não vivo nem de favores imorais muito menos de benesses indevidas do Poder Público. E, diante de uma carteira de encomendas que se encolheu abruptamente, pode e deve recorrer à medidas que, se são tristes e problemáticas, por outro lado, são indispensáveis para a manutenção dos demais empregos (e são milhares), como também sobreviver e continuar gerando renda, divisas e impostos.

Assim, a presença maior que, realmente, se requer não apenas agora, na hora da dificuldade, mas antes da própria crise espalhar seus tentáculos, é o cumprimento na medida certa de suas principais funções. Se não consegue promover bem esdtar social com melhor educação, saúde e segurança, e aainda por cima não consegue executar com eficiência e rigor sua função de fiscalizador da atividade econômica, como pode querer pretender aumentar ainda mais seu raio de atribuições? Sendo assim, fica claro que, lhe faltando competência para o básico, há de faltar-lhe igualmente para o assessório.

Agir desequilibradamente como pretende o governo é demonstrativo de um ranço caudilhesco que não combina com o discurso do “democrata” com que Lula se reveste e se mascara. Este é o momento certo para negociação. Jamais para enfrentamento e discurso cretino de palanqueiro. Ou acaso Lula se esqueceu dos difíceis tempos em que teve que atuar como bombeiro quando era sindicalista? Este é o momento certo para demonstrar suas “qualidades”... Aliás, é bom lembrar ao senhor Lula que, apesar da EMBRAER ser brasileira, quando ele precisou comprar um avião novo para a presidência, Lula foi bater nas portas da Airbus, portanto, foi gerar empregos lá fora...

O Massacre da Embraer foi morte anunciada

Elio Gaspari

Indignado, Nosso Guia disse que não sabia das 4.000 demissões, afinal, não lê jornal

Há Uma semana, diante da notícia do Massacre da Embraer, no qual foram destruídos 4.000 empregos, Lula indignou-se. Segundo a narrativa de sindicalistas que estavam com ele, Nosso Guia teria dito: "É um absurdo que uma empresa que recebeu recursos do BNDES ao longo dos últimos anos, ao primeiro sinal de problemas, promova este enorme corte, sem uma única conversa com alguém do governo, sem nos procurar".

De duas uma: Lula está fazendo teatro (a melhor hipótese), ou disse a verdade, revelando que não tem ideia do que acontece no país e no seu governo. Pior: seus ministros do Trabalho, do Desenvolvimento e da Fazenda também não.

A informação de que a Embraer pretendia demitir 4.000 funcionários era pública desde dezembro do ano passado. Foi revelada pelo repórter Julio Ottoboni, referindo-se a um boletim interno da empresa. Ottoboni informou o tamanho da carnificina -"4.000 funcionários", e a época, o início de 2009. Lula e seu ministros podem dizer que não leem jornal, mas a informação constou da sinopse que a Radiobrás organiza diariamente.

Os sindicalistas de São José dos Campos sabiam do plano da Embraer e dizem que tentaram negociar com a empresa mecanismos semelhantes aos que têm protegido milhares de empregos. José Lopez Feijóo, da executiva da CUT, contou que a Embraer chegou a marcar um encontro com o ministro Guido Mantega, mas não apareceu. Discutiriam a qualidade dos sambas-enredo das escolas?

Quem diz que foi surpreendido ofende a quem lhes dá crédito. Com o tempo vai-se saber quem conversou com quem. Por enquanto, fica a possibilidade de ter havido um acordo tácito: a Embraer faz o massacre, eu digo que não sabia, falo mal de seus diretores durante uma semana e depois voltamos às práticas de sempre.

Que práticas? Desde o tempo dos generais a Embraer é uma queridinha do palácio. Se o presidente precisa de um cenário para bombar os avanços tecnológicos de seu governo, marca um evento em São José dos Campos e aparece na foto ao lado de jatos, robôs e máquinas fantásticas. Quando o tucanato precisou bombar sua publicidade, os marqueteiros selecionaram um plantel de bem-sucedidos para ilustrar anúncios pelo Brasil afora. Na lista, o presidente da Embraer.

A intimidade do Planalto com a Embraer chegou ao apogeu em 2004, quando Nosso Guia encomendou o AeroLula à empresa europeia Airbus, ao preço de US$ 56,7 milhões. Presidindo um país onde funcionava a quarta maior fábrica de aviões do mundo, teria sido razoável encaminhar o pedido à Embraer. Empregaria 400 pessoas durante seis meses. Segundo o Planalto, o Airbus era essencial porque sua autonomia permitia voos diretos até Paris ou Nova York. Considerando que esses trajetos não são frequentes, ficava pelo menos a dúvida. Ela foi desfeita pela Embraer, que se apressou em respaldar a decisão, informando que não produzia o tipo de avião pedido, nem pretendia fazê-lo nos próximos cinco anos. Caso raro de empresa amparando uma preferência pelo concorrente.

George Bush e Henry Paulson, seu secretário do Tesouro, fizeram muitas besteiras, mas nunca lhes passou pela cabeça armar um jogo ao fim do qual pudessem dizer que não sabiam que o banco Lehman Brothers estava quebrado

Tribunais de Contas prá quê?

Adelson Elias Vasconcellos

Em editorial na edição desta terça-feira, o Estadão (reproduzida abaixo), há um fato que não se pode desprezar. A de que “...seus pareceres e decisões são sistematicamente desrespeitados pelos Legislativos dos municípios cujas contas do Executivo têm sob seu exame”.

E isto serve de gancho para este artigo. Ao longo do tempo, a grande distorção do Brasil tem sido a de que o se imagina que o Estado deve ser rico epoderoso às vcustas da miséria do povo. Vivemos uma fantasia e o poder público veste esta máscara para criar uma elite de privilegiados que mantém em todo o país seus feudos, suas capitanias heriditárias, seus cartórios para usufruírem da energia que o restante dispensa para a sua sobrevivência. A opulência com que tudo o que se liga à vida política, chega a ser um acinte porque é sustentada pela miséria dos não “privilegiados” dos quais extraem tudo o que podem para seu deleite, e oferecem a indignidade em troca do “serviço prestado”.

Não sou contra a política como a ciência da negociação. E preferível tê-la, porque sua ausência será preenchida pelo conflito, pela guerra, pela estupidez. Contudo, e nem tentem me convencer do contrário, sou contrário ao político profissional, aquele que faz da política seu meio de vida. Aquilo que deveria ser uma missão de servir à sociedade foi, ao longo do tempo, totalmente deturpado para o servir-se da sociedade. E, quanto mais baixo o nível educacional de um povo, maior é a proliferação e infestação de políticos ordinários e salafrários.

Sempre que a sociedade se move no sentido de repelir as práticas imorais desta classe imunda, eles reagem superficialmente. Fingem atender os reclamos do que se quer e se pede, porém, logo tratam de imunizar-se contra a fiscal popular.

É o caso dos Tribunais de Contas. Como se pode dar crédito a um orgão fiscalizador cujos ministros são derivados de escolhas políticas, quando deveriam ser fruto de seleção técnica ? Impossível não se ver aí a malandragem na sua criação. Mais: por que estes tribunais não poder de punir aqueles que praticam desvios ou má versação dos recursos públicos? Não, isto seria pedir demais. Como a sua criação e a ampliação de suas funções deve ser “votada” pelas casas legislativas, não se pode esperar que os ditos representantes da sociedade legislem contra seus interesses particulares, muikto particulares...

No site Contas Abertas, seguidamente são publicados artigos relatando alguns relatórios dos Tribunais de Contas e, sempre, relatando as barbaridades que se cometem no uso do dinheiro que deveria ser público, mas o é apenas quanto à sua arrecadação, porque seu uso é totalmente privatizado pela nada honrada classe política brasileira.

Corrupção não é uma exclusividade brasileira. Ela existe em todoos cantos do planeta. Porém, nas nações desenvolvidas, sua constatação é imediatamente punidae os culpados são ou exonerados ou expulsos da vida pública. Ficha suja não tem uma segunda chance. Aqui, ao contrário, raros são os políticos que são punidos e mais raros aqueles que a própria sociedade não acaba, na próxima eleição, devolvendo à vida política.

Saber votar também significa em não eleger ou reeleger safados. Passado algum tempo, todos acabam nos “braços do povo”. Resultado: dissemina-se no seio social a sensação de que o crime, pelomenos para os políticos, compensa, e muito.

Deveriam ampliar-se ao nosso ver as competências dos Tribunais de Contas, assim como, sua estrutura para que suas fiscalizações pudessem abranger o máximo da prática política bancada com dinheiro público. É inadmissível,por exemplo, que as centrais sindicais, por exemplo, sejam brindadas com milhões derivados da arrecadação do imposto sindical subtraído à forceps dos trabalhadores, e não deva ser submetida à fiscalização quanto ao uso e destino que dá a esta fortuna.

Do mesmo modo, como o próprio editorial menciona, é inadmissível que a “...grande maioria das decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo é ignorada pelas Câmaras de Vereadores dos municípios a que se referem. Das 644 contas analisadas em 2006 pelo TCE, 243 foram consideradas irregulares - o que representa nada menos que 37% dos municípios. Foram detectadas distorções e infrações à lei que iam desde o não-pagamento de precatórios até o elevado déficit orçamentário, passando pela falta de aplicação dos recursos mínimos em saúde e educação, pelo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e a outros dispositivos legais ou constitucionais. Foram, assim, apresentados pelo TCE motivos que justificariam a reprovação dos gastos de prefeitos pelas Câmaras de Vereadores, o que os tornaria inelegíveis...”

Quadro como este acima existem em todo o cenário político. Finge-se fiscalizar para que a grita proveniente da sociedade não peturbe o sossego das ratasanas do erário. A maquiagem é perfeita. Aliás, em matéria de maquiagem a classe política brasileira é pródiga e muito eficaz. É o caso por exemplo do tal pac, uma lista de obras requentadas aprtesentadas sob nova roupagem para parecerem pertencer a este governo. No fundo, mais de 80% de tudo que ali está existia antes do pac, e continuariam a existir apesar do pacote. Mistificação pura da marquetagem oficial que adora se esbaldar nas ditas “verbas publicitárias” para desgovernarem o país.

Com os Tribunais de Contas não seria diferente, dada a forma como os mesmos são constituídos. O Editorial informa a malandragem: como a Constituição concede aos vereadores o poder de derrubar os pareceres do TCE, desde que com maioria qualificada de dois terços dos votos, na prática isso se tornou uma garantia de impunidade. Veja-se agora o jeito como se "enxuga" esse processo de fiscalização das contas públicas: das 243 prestações de contas julgadas irregulares pelo TCE, apenas 31 foram colocadas em votação pelos Legislativos até a primeira semana de fevereiro. Certamente há uma demora decorrente dos prazos legais - que abrangem a auditoria do TCE, a defesa dos prefeitos e o envio das decisões do tribunal para as Câmaras. Mas, desses 31 pareceres sobre contas irregulares, 22 (isto é, 71%) acabaram derrubados nesses Legislativos - o que significa dizer que as contas dos respectivos prefeitos foram aprovadas.
Quando a sociedade berra um “basta!”, podem acreditar: a classe política irá criar alguma mistificação para fingir que tomou jeito, mas mudança será para manter imutável tanto o cometimento das safadezas, quanto a impunidade dos safados.

Há solução? Sim, e ela passa, obrigatoriamente, pelos bancos escolares. Sem educação, não corrigiremos não a “cultura” como comumente se atribui, mas o desvio de conduta, ou seja, a má conduta. Não existe a “cultura do mal”, o que existe é sua impunidade. E tal desvio só permite diante da ignorância. É por esta razão que insitimos tanto na tecla da educação como ponto de partida para correção das mazelas tupiniquins. Mas não esta porcaria indecente que está aí. Mas uma educação feita com qualidade e, acima de tudo, sem ideologias politiqueiras. O que hoje o governo atribui como “educação” se chama, no fundo, de má educação, má formação. E, reparem novamente no editorial.: dentre tantas maldades cometidas e apontadas pelos Tribunais de Contas “... foram detectadas distorções e infrações à lei que iam desde o não-pagamento de precatórios até o elevado déficit orçamentário, passando pela falta de aplicação dos recursos mínimos em saúde e educação, pelo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e a outros dispositivos legais ou constitucionais...”

Agora perguntem aos edotirialistas e articulistas da tal TV Brasil se eles permitem que sejam divulgados estes relatórios dos tribunais de conta? Nada: o canal foi criado como veículo de propaganda do governo Lula. Nada além disto. Agora mesmo, no Congresso, se discute sobre a obrigatória transparência que se deve dar as tais verbas indenizatórias para os parlamentares “divulgarem o seu mandato”. No fundo, se sabe que as tais verbas foram criadas sob tal título apenas para enganar à sociedade que, na época, gritou enormente contra um aumento que se pretendia dar aos nossos congressitas. Portanto, a verba é um farsa, um engodo. Como seu uso é uma aberração e o sigilo dos gastos uma aberraçãomaior ainda, deveriam era por fim à falcatrua. Pois bem: eles até aceitam, mas desde que a verba seja incorporada aos salários que já recebem . Ou seja, querem oficializar a imoralidade, e fim de papo. E, apenas para não ficar martelando sobre os parlamentares, é bom sempre lembrar do tratamento cretino que a Presidência da República dá aos gastos feitos com os tais cartões corporativos!

Deste modo, é de se perguntar: se podem punir os cretinos que maltratam e desviam verbas públicas, e terem seus relatórios simplesmente ignorados, pra que servem, afinal, os tais Tribunais de Contas? Só para empregar os afilhados dos nossos gigolôs?

Tribunais de contas injustiçados

Estadão

Tanto causa repulsa a crônica impunidade reinante no País que às vezes se cometem injustas generalizações ou se culpam instituições pelos atos de outras. É o caso dos Tribunais de Contas. De há muito se fala da inutilidade desses órgãos de assessoramento técnico dos Legislativos, de seus pareceres resultarem em nada, de sua subordinação política ou do cabide de emprego, frequentemente nepotista, que infla seus quadros. Não que deixe de ter havido, ou de ainda haver, muitas dessas distorções. Mas no geral os Tribunais de Contas são providos de alta capacidade técnica e dispõem de quadros de fato dedicados ao exame e controle das contas públicas. O problema é que seus pareceres e decisões são sistematicamente desrespeitados pelos Legislativos dos municípios cujas contas do Executivo têm sob seu exame.

Matéria de nossa edição do dia 16 mostrou como a grande maioria das decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo é ignorada pelas Câmaras de Vereadores dos municípios a que se referem. Das 644 contas analisadas em 2006 pelo TCE, 243 foram consideradas irregulares - o que representa nada menos que 37% dos municípios. Foram detectadas distorções e infrações à lei que iam desde o não-pagamento de precatórios até o elevado déficit orçamentário, passando pela falta de aplicação dos recursos mínimos em saúde e educação, pelo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e a outros dispositivos legais ou constitucionais. Foram, assim, apresentados pelo TCE motivos que justificariam a reprovação dos gastos de prefeitos pelas Câmaras de Vereadores, o que os tornaria inelegíveis.

Mas, como a Constituição concede aos vereadores o poder de derrubar os pareceres do TCE, desde que com maioria qualificada de dois terços dos votos, na prática isso se tornou uma garantia de impunidade. Veja-se agora o jeito como se "enxuga" esse processo de fiscalização das contas públicas: das 243 prestações de contas julgadas irregulares pelo TCE, apenas 31 foram colocadas em votação pelos Legislativos até a primeira semana de fevereiro. Certamente há uma demora decorrente dos prazos legais - que abrangem a auditoria do TCE, a defesa dos prefeitos e o envio das decisões do tribunal para as Câmaras. Mas, desses 31 pareceres sobre contas irregulares, 22 (isto é, 71%) acabaram derrubados nesses Legislativos - o que significa dizer que as contas dos respectivos prefeitos foram aprovadas.

Não se pretende negar que os Tribunais de Contas possam sofrer ingerências políticas em seus pareceres, antes que estes cheguem aos Legislativos. Na matéria está o depoimento do ex-secretário de Finanças de São Paulo Amir Khair que diz: "É comum ver um parecer técnico apontando problemas e o relator vai contra aqueles apontamentos. Ou mesmo casos em que o próprio parecer aponta uma série de problemas, mas considera as contas regulares." Também diz o ex-secretário que "os Tribunais de Contas não têm isenção política, pois há uma falha na origem, que é a própria nomeação dos conselheiros" - já que são indicados pelo governador ou pelas assembleias legislativas. Aí, porém, há que se relativizar o problema, pois se isso significasse, necessariamente, falta de isenção, como confiar, por exemplo, em que os ministros do Supremo Tribunal Federal tivessem alguma isenção em relação à Presidência da República?

Agora, que há uma séria distância entre as funções dos Tribunais de Contas e seus efeitos quanto às administrações municipais não resta dúvida alguma. É por isso que se põe em dúvida, por exemplo, a utilidade real de um órgão público com 1.600 funcionários, que custa aos cofres públicos R$ 320 milhões anuais, como o TCE de São Paulo. Mas a sensação de inutilidade que ocorre, quando tantas contas de municípios são reprovadas por esses tribunais - depois aprovadas pelas Câmaras de Vereadores -, diminui quando há interferência do Ministério Público (a partir de dados levantados pelo Tribunal de Contas) no ajuizamento de ações contra maus administradores públicos. Como diz o diretor-geral do TCE de São Paulo, Sérgio Rossi, "pode o parecer ser derrubado, mas não é por isso que não existem consequências para esses agentes. Por exemplo, muitas vezes encaminhamos aqui notícia ao Ministério Público que o prefeito cometeu uma daquelas infrações previstas na lei de crimes fiscais". Há então que se dizer: pelo menos isso.

Deputado merece dinheiro ou cadeia?

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

O deputado João Paulo Cunha, do PT paulista, demorou três anos para descobrir que deve sentir-se ofendido com as "inverdades e contumélias" contidas no artigo A coalizão dos vigaristas, publicado nesta coluna em dezembro de 2005. Na petição encaminhada à Justiça, acha que merece uma indenização em dinheiro "por danos morais". O colunista continua achando que o que o ex-presidente da Câmara merece é cadeia. A reprodução do texto permitirá que os leitores decidam quem tem razão:

"Planalto paga mesada a deputados", informou o Jornal do Brasil em 24 de setembro de 2004. As primeiras quatro linhas da reportagem resumiram o escândalo: "O governo montou no Congresso um esquema de distribuição de verbas e cargos para premiar partidos fiéis ao Planalto. Chama-se mensalão". Imediatamente, estendeu-se sobre a bandalheira a rede corporativista tecida pelo cinismo dos culpados e pelo silêncio dos bem-informados.

Estimulado pelo recuo dos muitos parlamentares que sabiam da história, o deputado João Paulo Cunha, presidente da Câmara, ordenou a abertura de uma sindicância para conferir a denúncia. Os sherloques levaram duas horas para decidir que a acusação era "impertinente". João Paulo não perderia a chance de fingir que, diante de agressões à instituição, virava fera ferida.

No dia seguinte, reivindicou por ação judicial o direito de resposta e prometeu exigir do JB "indenização por danos morais". A resposta, publicada em 30 de outubro, transpirava indignação. A Câmara fora vítima de uma falsidade inominável, bradou o articulista, que condenou "o constrangimento imposto aos parlamentares". Oito meses depois, baseada na entrevista de Roberto Jefferson à jornalista Renata Lo Prete, a Folha de S.Paulo anunciou que o PT pagava mensalões a deputados. A essência da manchete repetia a que enfurecera João Paulo no ano anterior. Mas desta vez a fera de araque nem miou.

"Vocês ainda vão ouvir falar muito num carequinha chamado Marcos Valério", avisou Jefferson dias mais tarde. E então se deu a metamorfose. Sumiu o João Paulo com cara de garotão, maneiras polidas, cada fio de cabelo em seu lugar, óculos de primeiro da classe, afeito a sussurros conciliadores, mas disposto a enfrentar quaisquer perigos em defesa dos oprimidos e dos princípios do PT. Com os mesmos óculos, entrou em cena um tipo assustadiço, olheiras de porteiro de cabaré, barba implorando por lâminas, cabelos em desalinho, retinas dilatadas pelo medo. Esse João Paulo era o verdadeiro. Tinha a cara da alma, modificada pelo lucrativo convívio com Marcos Valério.

Eles se conheceram na temporada eleitoral de 2002, quando uma agência do vigarista mineiro foi contratada para cuidar da campanha do PT em Osasco, onde João Paulo nasceu. Vitorioso, o deputado transformou o novo amigo em marqueteiro de estimação. Candidato único à presidência da Câmara, João Paulo contratou-o para monitorar uma campanha que não haveria. Depois, escolheu uma agência do parceiro para "melhorar a imagem da Casa". Grato, Marcos Valério incluiu perguntas sobre o prestígio eleitoral de João Paulo em pesquisas destinadas a avaliar a imagem da instituição. O contrato foi renovado por dois anos no último dia útil de 2004.
Um cheque de R$ 50 mil valerianos recolhido pela mulher de João Paulo na agência do Banco Rural acabou por incluí-lo na fila da guilhotina. Puro descuido. A propina talvez tenha sido a menor das muitas transações tenebrosas consumadas pela dupla. Envolvem quantias bem mais impressionantes.

O que se leu nos parágrafos acima não chega a ser novidade: a trechos publicados em colunas anteriores foram acrescentadas algumas frases. Novidade é a trama urdida na Câmara para a salvação dos pecadores. A ofensiva – sórdida e atrevida – começou na sessão que redimiu o mensaleiro Romeu Queiroz. O passo seguinte é a tentativa de absolver João Paulo. Há outras pilantragens em andamento. É hora de deter os bandidos.

A face honesta do país não merece mais bofetadas. E já não é possível suportá-las.

TOQUEDEPRIMA...

***** Informe JB - Agenda de miss para a ministra
Karla Correia , Jornal do Brasil
É bom os tucanos se apressarem porque a estratégia de superexposição da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, só está começando. Depois de ter sua desenvoltura aprovada durante um Carnaval em que fez "voo solo", sem o reforço da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra terá, nos próximos meses, agenda cheia de viagens e eventos nos quais deve aparecer como estrela. E, nesta fase, vale aparecer em qualquer espaço que se abra. Dilma faz parte até de uma lista de mulheres que serão homenageadas pela faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em uma cerimônia voltada para o reconhecimento do trabalho de pessoas que se destacam no mundo jurídico.

***** Battisti, o terrorista, é tratado com regalias
Cláudio Humberto
O terrorista Cesare Battisti recebe tratamento privilegiado no presídio da Papuda, de Brasília, onde aguarda o julgamento de sua extradição no Supremo Tribunal Federal. A principal regalia é estar no CIR, o Centro de Internamento e Reeducação, ala especial destinada a ex-policiais. Fonte da Polícia Civil, responsável pela custódia do terrorista, informou que as regalias foram obtidas por pressão de petistas junto ao governo do DF.

Cesare Battisti tem regalias, na penitenciária do DF, que jamais seriam concedidas na Itália a brasileiros presos, mesmo sendo policiais.

Juristas experientes crêem existir argumentos jurídicos sólidos para o STF extraditar Battisti, redimindo o Brasil perante o mundo civilizado.

***** Sindicato inventa greve em Furnas no primeiro dia útil após o carnaval
Como ninguém é de ferro, Sindicato dos Eletricitários de São Paulo marcou para esta quinta-feira (26), primeiro dia útil após o carnaval, uma paralisação que pretende afetar todas as unidades da estatal Furnas Centrais Elétricas S/A. O objetivo é político: impedir a substituição do diretor-presidente, Sergio Wilson Ferraz Fontes, e do diretor-financeiro, Ricardo Carneiro Gurgel Nogueira, do seu fundo de pensão, a Fundação Real Grandeza. O governo decidiu e a dupla deve ser defenestrada pelo conselho deliberativo, órgão máximo da Real Grandeza, mas o sindicato sustenta que esses diretores teriam sido responsáveis pela recuperação da entidade, após o prejuízo de R$ 150 milhões que sofreu com o Banco Santos.

***** Cubano que desertou no Pan-07 foge para os EUA
Folha online
Guillermo Rigondeaux, 27, chegou ontem a Miami para tentar terminar empreitada iniciada sem sucesso em 2007: deixar Cuba e se aventurar em uma carreira internacional.

O pugilista cubano, que teria passado pelo México durante a fuga, está hospedado com antigos companheiros de seleção e também deve passar a ser agenciado pela empresa alemã Arena Box Promotions, que já trabalha com Yuriorkis Gamboa, Erislandy Lara e Odlanier Solís.
As informações são do jornal de Miami "El Nuevo Herald".

"Queremos que ele faça parte do nosso grupo de boxeadores e abrir todas as portas para que ele cumpra seu sonho de ser campeão mundial", disse o representante da Arena nos EUA Luis de Cubas à publicação. Bicampeão olímpico e mundial, Rigondeaux já havia tentado deixar Cuba em 2007. Durante o Pan do Rio, fugiu da Vila com o conterrâneo Erislandy Lara. Eles ficaram quase duas semanas escondidos no Estado do Rio até serem presos.

Os cubanos foram deportados menos de 48 horas depois de terem sido localizados.

À época o Ministério da Justiça informou que o Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) não discutiu o caso dos atletas, que poderiam ter recebido refúgio no Brasil.

***** Cheio de gás: Robson: sem mandato, mas com cargo

Lauro Jardim, Radar, Veja
O ex-deputado federal Robson Tuma é o novo diretor de planejamento corporativo da Liquigás, subsidiária da BR Distribuidora que comercializa GLP. Foi nomeado, sem alarde, no finzinho de dezembro. O padrinho da indicação foi - quem mais poderia ser? - seu próprio pai, o senador Romeu Tuma. Mais uma daquelas clássicas boquinhas da política brasileira para atender um político que ficou sem mandato. Robson deve entender de muita coisa, menos de planejamento corporativo. Quem entra em seu site pessoal, por exemplo, descobre que ele é "um jovem empreendedor que adora estar com a família, com os amigos, viajar, correr na praia" e "é uma pessoa divertida e aberta". Beleza. O site é extenso, mas, sobre GLP ou "planejamento corporativo", nada.

***** Projeto obriga governo a informar como gasta a receita das multas de trânsito. É pagar prá ver!
Cláudio Humberto
Projeto do deputado Marcos Montes (DEM-MG), que tramita em caráter conclusivo na Câmara, promete ser um duro golpe na indústria da multa. Se aprovado, obrigará a União, os estados e os municípios a divulgarem trimestralmente o total arrecadado com multas de trânsito e onde o dinheiro é gasto. O Código de Trânsito Brasileiro determina que a receita da cobrança das multas de trânsito será aplicada, exclusivamente, em segurança e educação de trânsito. O parlamentar, porém, afirma que em muitos casos esse dinheiro vem custeando a administração. No caso do Distrito Federal, grande parte da receita de cerca de R$ 13 milhões mensais é aplicada no pagamento dos salários dos agentes de trânsito, que ganham em média R$ 6 mil por mês. "Com a divulgação, a sociedade poderá fiscalizar os montantes arrecadados e a destinação, exigindo o cumprimento da lei e contribuindo para a sua efetiva aplicação na educação e segurança do trânsito". O projeto será discutido agora na comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça.

*****O calote da Caixa
Com o lucro de R$ 3,9 bilhões em 2008, a Caixa bem que poderia pagar o que deve à Previdência: R$ 1,33 bilhão. É uma das responsáveis pelo déficit previdenciário, que somou R$ 6,3 bilhões só no mês passado.

***** Mudança de discurso
Ainda na campanha de 2002, Lula bateu o quanto pode em FHC porque o ex-presidente não privilegiava a indústria nacional nos vultosos contratos da Petrobras. Isso porque, FHC mandava contratar quem cobrasse menos, independentemente da nacionalidade do empresário. Ontem, no entanto, Lula mudou o tom.

Durante a reunião do conselho político, o presidente se disse insatisfeito com os preços "absurdos" que os fornecedores brasileiros têm apresentado para a estatal e avisou que já mandou consultar os preços praticados no exterior. Categórico, garantiu que não ficará refém das fornecedoras nacionais se os valores forem extorsivos.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Como sempre se disse, oposição no governo alheio é muito fácil. Pena que Lula precisa consumir 6 anos para aprender o espírito da boa governança. Claro que ainda lhe falta muito, mas quem sabe, né, daqui uns 20 anos, ainda aprenda que a primeira lição para ser um bom presidente é não mentir para a Nação...

***** Assassinos
Aproveitando a folia de carnaval, integrantes do MST tentaram reocupar a fazenda Colinas, da qual tinham sido expulsos por decisão judicial, em São Joaquim do Monte (PE). Saldo: 4 mortos entre os legítimos donos.

***** Bancada do DF defende a incorporação. Que surpresa!!!
Pelo menos metade da bancada do Distrito Federal na Câmara dos Deputados defende a incorporação da "verba indenizatória" de R$ 15 mil mensais aos vencimentos dos parlamentares, de cerca de R$ 16 mil. O deputado Rodovalho (DEM-DF) acha que a medida seria positiva "para diminuir a burocracia em torno dos gastos que fazemos com a divulgação do mandato”, segundo reportagem do jornal Correio Braziliense desta terça-feira. Para Jofran Frejat (PR-DF), a incorporação faria com que os deputados passassem a pagar Imposto de Renda sobre a ajuda de custo e ainda colocaria um fim às dúvidas e suspeitas que cercam o uso e a aplicação dos recursos. O deputado Osório Adriano (DEM) considera mesmo que “esse recurso é uma farsa", porque "cada um presta conta da forma como acha melhor e, no final, ela funciona como salário da mesma forma. A verba, na verdade, foi criada como salário, mas colocaram regras diferentes por falta de coragem de enfrentar o desgaste em torno da discussão do reajuste salarial. Por isso, acho que, para organizar as coisas, a proposta de isonomia com os ministros do Supremo Tribunal Federal é razoável”, afirmou.

***** Será que é para valer?
Em reunião do Conselho Político, Lula prometeu aos ministros e líderes partidários presentes que dificultaria ao máximo a edição de novas Medidas Provisórias - uma das maiores fontes de reclamações dos parlamentares.

E, num aviso aos ministros, disse que mandaria para o Congresso "as medidas provisórias estritamente necessárias".

Se cumprir o prometido, será uma mudança e tanto. Afinal, nunca antes neste país... um presidente editou tantas MPs. Nos seus seis anos de governo foram quase 350 MPs (em oito anos, FHC editou 334).

**** Simon sugere "uma limpa" no PMDB
Tribuna da Imprensa
O senador Pedro Simon (RS), em entrevista ao jornal mineiro "O Tempo", publicada ontem, disse que "o PMDB está se oferecendo para ver quem paga mais e quem ganha mais", numa espécie de barganha eleitoral para articulação na eleição presidencial em 2010. Segundo ele, o processo de escolha do partido se dará entre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ambos pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

Simon criticou os "métodos de condução" do atual comando do PMDB, afirmando que ele "não está à altura do partido". Sugeriu "uma limpa" na legenda e disse que no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a maior parte dos correligionários utiliza como moeda de negociação com o governo federal a ocupação de espaço na máquina pública. "Passou a ser a política de quem paga mais. Eles ficam esperando para ver quem paga mais", insistiu.

De acordo com Simon, a mesma situação ocorreu durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "O PMDB fez de tudo para agradar Fernando Henrique e conseguiu 'carguinhos'. Agora faz a mesma coisa com Lula."

Peemedebista histórico, o senador gaúcho foi um dos poucos membros da legenda a se solidarizar com as críticas do senador Jarbas Vasconcelos (PE) ao partido. Em entrevista recente à revista "Veja", Jarbas disse que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção" e que "a maioria de seus quadros se move por manipulação de licitações e contratações dirigidas".

Comprando empregos

Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

Olhando assim de primeira, não faz sentido. Como pode o governo Obama emprestar mais US$12,6 bilhões para a GM demitir 26 mil trabalhadores nos EUA e mais 21 mil pelo mundo afora? Só nos Estados Unidos, seriam US$484 mil por emprego destruído. Desse lado da história, o contrário faz sentido: o governo Obama deveria determinar que a empresa não pode demitir se receber dinheiro público.

Ocorre que a GM perde dinheiro todos os dias. Não se salvará se não conseguir uma brutal redução de custos. No mercado extremamente positivo dos últimos anos, a companhia mal se aguentou. Com a forte redução das vendas, pós-crise, todas as montadoras estão reduzindo sua produção nos EUA. Pois a GM precisa mais do que isso, precisa encolher, com alterações estruturais. Isso significa fechar fábricas, operar com menos marcas e… reduzir o número de trabalhadores.

A história já mudou. Agora, o governo Obama, emprestando para a GM, estaria, na verdade, comprando empregos. Sem a ajuda federal, a GM vai à falência, circunstância em que o encolhimento da empresa e a destruição de empregos serão devastadoras.

Com o dinheiro do contribuinte americano - e mais um tanto dos contribuintes de outros países onde tem fábricas - a GM acredita que se estabiliza com 200 mil trabalhadores pelo mundo. Empregos salvos. Mas como lidar com o impacto político e social das demissões?

Decisões de política econômica frequentemente impõem esses dilemas. Não é simples fazer a coisa certa, do ponto de vista econômico, e parecer certo do ponto de vista político.

Tome-se a questão do protecionismo. Se todo um setor da economia local não consegue competir com os chineses, para citar os culpados habituais, parece fazer sentido barrar as importações de modo a salvar as fábricas e os empregos nacionais. Mas, se é assim, por que não proteger toda a economia nacional.

Os custos dessa política não são visíveis a olho nu. Uma economia fechada torna-se cada vez mais ineficiente, e isso significa que suas empresas fornecerão produtos e serviços ruins e caros, para poucos consumidores. Não serão lucrativas e, assim, acabarão eternamente dependentes dos subsídios do governo e da proteção contra os importados. Os consumidores, de seu lado, ficarão reféns de fornecedores locais. Tudo resulta numa queda do comércio externo e, daí, em baixo crescimento da renda e do emprego.

Generalizada a opção protecionista pelo mundo, já que esse tipo de prática sempre provoca reações, todos exportam e importam menos, derrubando o crescimento global.

Isso é consenso no pensamento econômico. E a história já demonstrou várias vezes. Também já vimos isso aqui no Brasil, nem faz muito tempo assim.

Vimos também o processo de abertura que, aliás, não matou a economia nacional. Mas parece que as pessoas não aprendem com a história, nem aqui, nem no mundo.

Na sequência da crise de 1929, o Congresso americano aprovou a lei Smoot-Hawley, elevando tarifas de importação de milhares de produtos. Na ocasião, um manifesto assinado por mais de mil renomados economistas alertou para a ameaça, que se concretizou. Dado o peso dos EUA no mundo, o comércio global caiu quase 70% entre 1929 e 34, atrasando a recuperação de todos os países. O protecionismo prolongou a crise.

Hoje, praticamente todos os governos e instituições internacionais têm feito discursos antiprotecionistas. E o que se vê? Medidas protecionistas por toda parte. São mais fáceis de vender no mercado político. Além disso, os governantes alimentam a esperança de que seu protecionismo vai passar e o dos outros, não.

Parece estupidez, mas é mediocridade.

Apenas lideranças políticas do primeiro nível conseguem adotar essas medidas difíceis e, mais importante ainda, conseguem convencer a população de que esse é o caminho correto. E são necessários líderes em vários países, pois só uma ação coordenada pode barrar os protecionismos locais.

Olha-se por aí, e onde estão esses líderes? Obama era a esperança. Mas até aqui, pelo menos, ele não conseguiu barrar a cláusula do buy american em seu programa.

Adolescente é agredido por supostos skinheads na zona leste de SP

A seguir, notícia da Folha Online. Comentaremos em seguida:

Dois supostos skinheads foram presos nesta terça-feira acusados de agredir um adolescente de 17 anos na praça Silvio Romero, no bairro do Tatuapé (zona leste de São Paulo). A agressão ocorreu na madrugada desta terça-feira, e a dupla foi presa.

Segundo a Polícia Civil, o adolescente sofreu lesões internas e foi internado. Ele conversava com um grupo de emos na praça, uma das mais movimentadas do bairro, quando foi agredido.

À polícia, a namorada da vítima afirmou que a agressão foi gratuita e que o adolescente não teve tempo de escapar dos chutes e socos dos skinheads, desmaiando em seguida.

Os dois jovens acusados da agressão, ambos de 25 anos, foram detidos por tentativa de homicídio. A dupla, que está presa no 31º DP (Vila Carrão), deve ser transferida para o Centro de Detenção Provisória da zona leste.


***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Quando surgiram as primeiras notícias sobre a suposta de que teria sido vítima advogada brasileira, residente na Suíça, Paula de Oliveira, nosso diplomata-mor, Celso Amorin, se apressou em acusar o povo daquele país de uma xenofobia. Claro, quando a verdade mostrou sua verdadeira face, primeiro, a tal xenofobia foi desmentida pelos fatos, e a agressão acabou desmascarada.

Lembro que, neste espaço, criticamos tanto a posição de Amorin quanto de Lula. Nossa violência é muito maior, tanto aqui no Brasil, quanto lá fora.

Estes grupos de “animais” que atuam em São Paulo, também atuam no Rio, em Porto Alegre, enfim, em todo o país. Porém, são grupos isolados, não são regra geral comportamento de toda a população brasileira. Sendo assim, e a considerar a posição de Amorin alguém até poderia sentir tentado a acusar o povo do nosso país de xenófobo, o que, bem sabemos, seria ridículo.

A notícia da Folha online serve para demonstrar o quanto a diplomacia brasileira, a partir da chegada de Lula ao poder, perdeu de bom senso, de lucidez e inteligência. Hoje, não perdemos tempo em agredir países e povos democráticos, com governos legitimamente eleitos e sem truques. Contudo, deixamos chutar nosso traseiro com ofensas ao país e suas instituições por países, muitas vezes inexpressivos, governados por imbecis lambidos de atraso e revestidos de ranços autoritários. Nossa opção pelo lixo ideológico sepultado no século passado é colossal. Haja estômago!!!!

Baião do pernambucano doido

Percival Puggina, site Diego Casagrande

Suspeito que a conexão em 4 megas não está me ligando ao mundo com velocidade compatível. A dissertação de Lula sobre a crise da economia mundial, expectorada em evento do Sebrae no dia 4 de fevereiro, só agora chegou ao meu e-mail. De duas uma: ou voltamos aos tempos das diligências ou meus fornecedores de insumo informativos entraram na moda das férias coletivas. Seja como for, o grande guru de Garanhuns viveu momento de copiosa inspiração perante aquele auditório do Sebrae, repleto de empresários.

Você sabe que quando a economia andou bem e o emprego cresceu, Lula desfilou como pai dos recém-empregados, esperança dos desempregados e provedor dos sem maior interesse nisso. As vagas criadas nada tinham a ver com as empresas, seus acionistas, seus empresários, sua disposição para o investimento e sua criatividade. Os empregos nasciam das mãos dadivosas do presidente. Agora que a vaca, o boi, o touro e o terneiro foram para o brejo, os culpados pelo desemprego são os empreendedores. E Lula desfila pelo país a cobrar soluções criativas desses sanguessugas da mais valia, incapazes de coisas tão elementares quanto pagar a folha de pessoal sem faturamento.

Pois eis que o presidente subiu nas tamancas e resolveu lecionar sobre a crise de 1929. Disse ele: "Temos que reconhecer que a situação é delicada, que essa crise é possivelmente maior que a crise de 1929 e temos que reconhecer que o Roosevelt só conseguiu resolver a crise de 29 por causa da 2ª Guerra Mundial. Como não queremos guerra, queremos paz, nós vamos ter que ter mais ousadia, mais sinceridade, mais inteligência, por que eu não admito que uma guerra, para resolver um problema econômico, tenha seis milhões de mortos" (Estadão Online, 04/02/2009). Decida o leitor sobre o que é pior nesse baião do pernambucano doido, se o atropelo da história ou se o completo desalinho dos argumentos.

Eu guardo em meu site (www.puggina.org) um colar, tão longo quando precioso e bem humorado das pérolas de nosso presidente. Tendo colecionado todas ou quase todas, posso afirmar que desta vez Lula se superou. O discurso, certamente acolhido com prolongados aplausos por uma platéia contagiada pela basbaquice (esse troço quando vem de cima pega), justificaria um motim da inteligência, da imprensa e da academia nacional. No entanto, como mencionei no início do texto, só fui topar com alguma repercussão do fato, duas semanas mais tarde, simultaneamente com notícias sobre o baixo desempenho de nossos estudantes nas provas do Enem. Queríamos o quê?
Por fim, a bem da verdade, reconheça-se que o presidente, sobre os próprios disparates, arranca uma conclusão correta: não será preciso matar seis milhões de judeus nem promover uma guerra para resolver a atual crise da economia mundial. Isso ele não admite. Ufa!

Dívidas de alto custo

Estadão

Os brasileiros estão aumentando seu endividamento pessoal mediante o uso de cartões de crédito e operações com cheque especial - as mais caras do mercado -, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Isso tanto pode indicar que é insuficiente a oferta de crédito a juros módicos como o agravamento da inadimplência, que empurra os devedores para qualquer crédito disponível, a despeito dos altos juros.

As operações com cheque especial, que cresceram apenas 6,6% entre janeiro de 2007 e janeiro de 2008 - de R$ 17,52 bilhões para R$ 18,69 bilhões -, aumentaram nos últimos 12 meses, até janeiro deste ano, 23%, atingindo R$ 23 bilhões, conforme estimativas da Anefac. Já as operações com cartão de crédito evoluíram de R$ 9,70 bilhões, em janeiro de 2008, para R$ 13,50 bilhões, no mês passado, com aumento de 39,1%.

Cotejando os porcentuais com os da expansão geral do crédito às pessoas físicas - de 33,4%, entre 2006 e 2007, e de 24,3%, entre 2007 e 2008 -, pode-se supor que o aumento das operações mais caras não é tão grande. Ocorre que as operações com cheque especial acusavam desaceleração até 2007 - e esta era uma tendência natural, recomendada pelos analistas.

No mês passado, os juros médios do cheque especial atingiram 7,91% ao mês, ou 149,31% ao ano. No cartão de crédito, as operações não quitadas na data do vencimento estavam sujeitas à cobrança de um juro médio de 10,56% ao mês, correspondente a 233,56% ao ano. Em apenas um mês, portanto, o custo de uma operação dessas é bem superior à taxa anual de inflação, que serve como base para os reajustes de salários. Maiores do que estas taxas, só as dos empréstimos pessoais oferecidos pelas financeiras independentes, de 11,74% ao mês ou 278,88% ao ano, em janeiro, ou as cobradas por agiotas.

Os próprios bancos, levando em conta que juros tão elevados se tornam insuportáveis para os clientes, já estariam reduzindo os montantes do crédito disponível para cada tomador. Limites de cheque especial têm sido cortados em até 30% e no cartão de crédito, em 10%. Os bancos argumentam que os cortes de crédito se justificam pelo aumento da inadimplência, mas isto acaba acontecendo por causa dos juros estratosféricos, que tornam os devedores incapazes de pagar as prestações mensais dos financiamentos.

O aumento do volume das operações mais onerosas é um indício claro das dificuldades crescentes dos consumidores habituados a pagar as contas em dia. É um fenômeno que se repete a cada ano, em janeiro, quando se acumulam os gastos com mensalidades escolares, IPTU, anuidades de clubes e o recolhimento do IPVA sobre os veículos. Uma despesa a mais, neste ano, em São Paulo, é a da inspeção dos veículos, para o controle de poluição de emissões de gases dos motores.

O mais provável é que o endividamento crescente via cartões de crédito e cheque especial anteceda um aumento ainda mais grave da inadimplência.

Contra a inadimplência os bancos dispõem de um mecanismo contábil: ampliam as provisões para devedores duvidosos e, graças a isso, pagam menos Imposto de Renda (IR). Foi o que demonstrou análise do economista Amir Khair, ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo. Comparando 2007 com 2008, houve redução real de 11% no IR recolhido pelas instituições financeiras.A Anefac recomenda cautela aos investidores. Sem planejar cuidadosamente sua vida financeira, as pessoas físicas correm o risco de cair em situação de endividamento excessivo.

O site do Banco Central passou a divulgar informações sobre os juros cobrados pelos bancos em cada tipo de operação, o que ajuda a tomar decisões.

O maior risco é o de que o endividamento excessivo dos consumidores acabe por tolher o consumo de bens essenciais, afetando o ritmo da atividade econômica.Créditos como os do cartão e do cheque especial são um resvaladouro para o empobrecimento.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Já comentei isto aqui várias vezes: o crescimento sustentado do consumo que, por sua vez, alimenta o desenvolvimento do país, é aquele proveniente do crescimento da massa salarial. Quando o aumento do consumo se dá, como agora por opção do atual governo, baseado exageradamente a partir do crédito, e um crédito caro ainda por cima, não estamos diante de “denvolvimento econômico”, e, sim, assistimos ao crescimento de uma bolha que não se sustenta ao longo do tempo.

Muito se fala sobre o auamento no número de geração de empregos. Claro que isto é louvável, porém, tal crescimento se deve, sobretudo, não a um projeto de desenvolvimento parido nos subterrâneos do poder central. Grande parte destes empregos novos são fruto do crescimento da economia intenacional, que criou uma enorme demanda por comodities das quais o país é um expoente mundial. Ou seja, a bonança econômica lá fora tragou as nossas potencialidades, principalmente minérios e o agronegócio, tão demonizado pelas esquerdas estúpidas e tão maltratado pelo governo. E, apesar do tão decantado aumento de “pessoas classe média”, fruto dos programas sociais, o que se constata é o que o trabalhador médio brasileiro, em janeiro de 2009, ainda tem um ganho real inferior ao que teve em 1996.

Agora imaginem o quanto decresceu o rendimento da classe média neste mesmo período?

A questão do aumento de consumo sustentado no crédito apenas, tem prazo de validade: ele se expande até olimite da capacidade depagamento dos tomadores destes empréstimos. Se sua renda decresce ao longo do tempo, é evidente que estamos diante de uma bolha que, além dos seus limites naturais de expansão, ainda penaliza o brasileiro com uma carga tributária excorchante e juros proibitivos.

Quando Lula fica rezando para o “santo“ Obama para por fim à crise, na verdade, ele está é agradecendo pela crise: ela vem atender o interesse do próprio Lula de agora ter a crise internacional para justificar um menor crescimento do país. Na verdade, a crise é secundária até certo ponto, no nosso caso. Nossas dificuldades já eram visíveis antes da crise se instalar por aqui. E, mesmo que ela não nos atingisse, certamente, teríamos necessidade de reduzir o ritmo de forma quase abrupta.

O crescimento da inadimplência demonstra, no fundo, que muita gente vinha tomando empréstimos novos para pagamento de empréstimos antigos. Com os juros nas alturas, é fácil constatar que, cedo ou tarde, a farra iria acabar. Não condenamos o crescimento do crédito farto, o que condenamos é ele ser farto num país de juros exorbitantes e onde a massa salarial não conseguiu repor seu nível de dez anos atrás.

Exemplo bem claro disto se dá, conforme noticia a Folha de São Paulo nesta quarta-feira, sob a manchete “Bancos têm 100 mil carros de inadimplente”, informando que “...Os bancos brasileiros têm em conjunto um estoque de pelo menos 100 mil carros recuperados de clientes inadimplentes, o equivalente à metade das vendas mensais de veículos novos no país, para desovar no mercado de autos usados. Esse estoque é mais um motivo de pressão no segmento de usados, que vive queda sem precedente nos preços e cuja falta de liquidez trava as ações para retomar a venda de carros novos...”

A lógica, como se vê, aponta não para dificuldades de créditos, pois afetariam, como de fato afetaram, o mercado de carros novos. A recuperação, é bom que se diga, por mais óbvio que possa parecer, é sobre vendas realizadas antes do aperto no crédito, pessoas que fizeram financiamentos um pouco além de sua real capacidade de pagamento.

É fácil para o governo apontar como a causa maior das dificuldades que o país enfrenta em alguns segmentos, a crise internacional e sobre a qual o Brasil em nada contribuiu. Porém, é preciso fazer um diagnóstico mais realista para, detectadas as causas para os problemas do presente, sabemos corrigir a rota para, no futuro, não encontrá-los novamente. Mas terá este governo coragem para tanto?