quinta-feira, junho 28, 2007

TOQUEDEPRIMA...

*** PT tentaria reverter entrega de cargo de Siba

A renúncia de Sibá Machado (PT-AC) à presidência do Conselho de Ética do Senado, por avaliar que ela agravaria a crise vivida pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL) teria tentativas de reversão até o último momento pelo PT. Na noite de ontem, o Planalto estaria vendo com preocupação a saída de cena de Sibá, pois julgaria ser um indicativo de que perdera o controle de sua base de apoio na Casa.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, no final da tarde, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), foi chamado às pressas para uma reunião com Sibá e outros senadores a fim de tentar convencê-lo a ficar no posto e não votar hoje o relatório de Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

Entre voltar atrás e renunciar, Sibá optou pela segunda atitude, contrariando o PT e o Planalto. Motivo: o PMDB do Senado, sobretudo Renan, sente-se abandonado por seus companheiros de coalizão.

Redação Terra

*** TVs brasileiras não vão gerar imagens do Pan
Agência JB

Apesar de terem os direitos exclsivos de transmissão dos jogos Pan-americanos para TV aberta e fechada no Brasil, as Redes Globo, Band e Record, além de Sportv e ESPN, não vão mobilizar nenhum operador de câmera sequer para gravar as 700 horas de competições.

Toda a geração de imagens ficará a cargo da empresa espanhola ISB (International Sports Broadcasting), de Manolo Romero, que será a responsável também pela geração de sinal de rádio e TV nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

Com experiência em transmissão de competições internacionais, a ISB vai livrar as emissoras brasileiras da responsabilidade de acompanhar esportes nos quais o Brasil não tem tradição, como o beisebol, por exemplo.

Os canais brasileiros utilizarão seus próprios câmeras e repórteres apenas para as entrevistas e reportagens. Esses profissionais ocuparão nas praças de jogos a chamada zona mista 1, onde também estarão os jornalistas das rádios que têm os direitos de transmissão (Globo, Itatiaia, Band e Jovem Pan).

As demais emissoras de rádio e TV, além dos jornais, vão colocar seus profissionais na zona mista 2, cuja localização é bem menos privilegiada.

A ISB foi contratada pelo comitê organizador do Pan em outubro do ano passado. O valor anunciado foi de R$ 49,8 milhões.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Portanto, amigo leitor, quando você, diante de seu televisor assistir ao comercial das nossas “emissoras” sobre a “maior” e “melhor”cobertura deste ou daquele canal, já sabe: é pura cascata. Nossas grandes emissoras serão apenas repetidoras. Assim, não se deixe enganar pela mentira, que, aliás, abunda “neztepaiz”, como “nuncadantez”...

*** Analistas lamentam decisão e temem política mais frouxa

Newton Rosa, economista da Sul América Investimentos, lamentou a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN). Para Rosa, a tentativa do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de garantir ao mercado que a política monetária será mantida não vai surtir efeito. Para o economista, o recado é de que o governo não pretende manter os preços tão baixos.

- O CMN perdeu uma oportunidade de sinalizar que vai manter a inflação abaixo dos 4% - criticou Rosa. - Essa decisão mostra que o BC vai ser mais permissivo com os preços. O risco agora é de que a expectativa de inflação suba e os preços fujam do controle.

Antônio Fiorêncio, coordenador do curso de economia do Ibmec-Rio, concorda com Rosa. Na sua avaliação, Meirelles e os outros dois integrantes do CMN colocaram a credibilidade do sistema de metas em risco, ao anunciarem que não vão perseguir o centro da meta.

- Eles criaram uma confusão - criticou Fiorêncio. - A idéia é que a meta de inflação seja crível e perseguida pelo BC. Se acreditam na inflação de 4%, deveriam tê-la reduzido logo para 4%. Esta inflação já é a praticada e, portanto, não exigiria esforço adicional.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - do sistema de metas - teve variação de apenas 3,1% no ano passado. Em 12 meses, o índice variou em 3,18%. (J.R.)

*** Investimento direto deve alcançar US$ 25 bilhões, prevê BC
Juliana Rocha

Brasília. O Banco Central (BC) revisou a expectativa de Investimento Estrangeiro Direto (IED) deste ano para US$ 25 bilhões. Em março, a autoridade monetária havia anunciado projeção de US$ 20 bilhões. Nos quatro primeiros meses deste ano, o IED bateu recorde para o período, somando US$ 10 bilhões, dos quais US$ 3,5 bilhões só em abril. No ano passado, a entrada de investimento direto se limitou a US$ 18,8 bilhões.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que a autoridade monetária fez uma sondagem com empresas multinacionais, que se mostraram confiantes no crescimento da economia e prometeram fazer investimentos. Nos últimos 12 meses, o IED somou US$ 24 bilhões.

O governo aponta o álcool combustível como o setor que mais vai atrair investimentos e avalia que a metalurgia também será um atrativo até o fim do ano.

Apesar da desvalorização do dólar, a projeção para o saldo da balança comercial e das exportações também melhorou. Agora, o BC espera saldo comercial de US$ 40 bilhões, mas o mercado conta com resultado de cerca de US$ 42 bilhões. Até o mês passado, o governo contava com saldo de US$ 37 bilhões. Em 2006, o superávit recorde foi de US$ 46 bilhões.

As reservas cambiais somavam US$ 121,1 bilhões em abril, quando BC comprou US$ 11 bilhões no mercado de câmbio doméstico, para compor as reservas, cujo estoque até ontem era de US$ 144,7 bilhões. Já o balanço de pagamentos registrou superávit de US$ 12 bilhões em abril, contra déficit de US$ 3,7 bilhões no mesmo mês de 2006. A melhora foi puxada pelo saldo em transações correntes no mês, de US$ 1,8 bilhão. Em abril de 2006, as transações correntes tiveram superávit de apenas US$ 91 milhões. Em 12 meses, bateram recorde de US$ 15,1 bilhões, que representam 1,37% do PIB.

*** Jornal paraguaio diz que Mercosul é inútil

O jornal paraguaio ABC Color criticou duramente os presidentes de Argentina e Brasil, que chegam a Assunção nesta quinta para a reunião da cúpula do Mercosul, em seus editoriais desta quinta-feira. Sob o título "Chegam os presidentes de um Mercosul inútil", reproduz declarações do chanceler paraguaio Rubén Ramirez, dizendo que o seu país está "insatisfeito" com o bloco. O jornal reclama do lento avanço das negociações para o livre comércio de produtos no bloco, o fim dos impostos que afetam o comércio internacional e a falta de solidariedade dos principais sócios. A principal crítica, no entanto, é para as "políticas neocolonialistas" de Brasil e Argentina em relação a hidroenergia paraguaia. "O Paraguai deve recuperar a soberania nacional sobre seus recursos energéticos e tornar independente o controle da energia elétrica paraguaia gerada em Itaipu e em Yacyretá da pretensão imperialista que estão mostrando, sem vergonha, a Argentina e o Brasil", diz o editorial.

O Itamaraty já esperava as críticas, que considera "parte do jogo" e uma tentativa de pressão paraguaia para negociações dentro do Mercosul. O governo de Nicanor Duarte quer que o Brasil taxe os "sacoleiros" que cruzam a fronteira para comprar mercadorias sem pagar impostos.

China vende carne brasileira. Pirata

Jamil Chade , Estadão

Depois de brinquedos, CDs e softwares piratas, a China surge com mais uma novidade: a exportação de carne brasileira falsificada para os mercados da Europa e Rússia. Em muitos casos, as carnes são chinesas, mas empacotadas como sendo produto brasileiro e até com certificados falsificados escritos em português. O Estado obteve informações de que o Ministério da Agricultura já prometeu a vários países que, a partir da semana que vem, modificará os certificados usados para as exportações para dificultar a falsificação.

Importadores desses países afetados pela carne pirateada já se queixaram ao governo brasileiro de que estão recebendo contêineres com caixas de carnes supostamente brasileiras, mas que, na realidade, são exportadas pela China e nunca saíram do País. Fontes no Ministério da Agricultura temem que o problema afete ainda mais a imagem das exportações brasileiras de carne que, apesar do aumento em volume nos últimos anos, sofre em algumas regiões do mundo para ser reconhecida como de alta qualidade fitossanitária.

Uma das queixas recentes recebidas pelo governo veio das autoridades russas. Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína e ex-secretário de Produção do Ministério da Agricultura, confirma que as queixas de falsificação são cada vez mais freqüentes. Para ele, porém, o fato de os produtos brasileiros estarem sendo copiados é 'prova da qualidade' das exportações nacionais.

Em toda a Europa, o volume de carne contrabandeada está aumentando, em parte por causa das restrições existentes em vários países e diante dos preços atrativos para os contrabandistas. No Reino Unido, por exemplo, o governo aponta que conseguiu apreender 104 toneladas de carnes que tentavam entrar ilegalmente no país em 2006. O volume é dez vezes superior às taxas de 2001.

No ano passado, o governo italiano descobriu um carregamento de 260 toneladas de carnes no Porto de Calábria. Depois de amplas investigações, chegou-se à conclusão de uma grande parte vinha da China, país que sofre para controlar a gripe aviária.

Também em 2006, o governo italiano descobriu que todos os restaurantes chineses de Milão eram abastecidos pelo mesmo fornecedor, que trazia carnes da China, mesmo com a imposição de um embargo.

Na Suíça, 20 grupos de traficantes já foram identificados como responsáveis pelo contrabando de carne para o país de diversos mercados. Segundo os cálculos dos suíços, o país deixou de coletar US$ 10,2 milhões em impostos apenas em 2005 por causa do contrabando.

Na Ásia, países como Indonésia, Malásia e Filipinas se queixam constantemente do fato de estarem recebendo carne suína e de frango da China, ainda que haja um bloqueio total das importações por causa da falta de controle sanitário na produção chinesa.

Pequim alega que é também vítima do contrabando de carnes. No início da semana, o governo chinês anunciou que apreendeu, desde janeiro, 3,5 mil toneladas de carne nos portos chineses tentando entrar de forma ilegal no país. Parte desse volume viria do Brasil.A disputa pelo mercado de carnes chegou ontem à Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil questionou o embargo imposto pela China à carne nacional e pediu que as áreas livres de aftosa fossem reconhecidas por Pequim.

País precisa investir US$ 800 bi em energia até 2030

O Brasil precisará investir pelo menos US$ 804 bilhões no setor de energia até 2030, conforme o Plano Nacional de Energia aprovado ontem pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O número foi divulgado ontem pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, em entrevista para detalhar o que ele definiu como "o primeiro plano de longo prazo para o setor energético do País".

Nesse total estão incluídos os investimentos em petróleo, eletricidade, gás natural e biomassa. Em termos anuais, esses investimentos representam cerca de US$ 32 bilhões, já que o cenário traçado contempla um período de 25 anos, a partir de 2005. Do investimento total, cerca de metade deverá ser direcionada para a área de petróleo (49%), outra parcela para as grandes hidrelétricas (35%), vindo a seguir o gás natural, com 12% do total previsto, e cerca de 4% para a biomassa, especialmente da cana-de-açúcar.

O presidente da EPE esclareceu que o plano não detalha os investimentos específicos no período, mas adiantou que a estatal está trabalhando com a construção das usinas do Rio Madeira, da hidrelétrica de Belo Monte e pelo menos mais quatro centrais nucleares, além de Angra 3. "Os empreendimentos específicos são detalhados no Plano Decenal", complementou.

O plano aprovado pelo CNPE é o que Tolmasquim chama de "cenário de referência", prevendo que a economia mundial crescerá cerca de 3,0% ao ano até 2030, ligeiramente abaixo dos 3,7% contabilizados nos últimos 25 anos. Já a economia brasileira crescerá em torno de 4,0% ao ano, praticamente igual aos 4,1% registrados no último quarto de século. A população brasileira, por sua vez, subirá de 185 milhões de habitantes para cerca de 239 milhões, com aumento de 53 milhões de pessoas. "Só o aumento da população no período equivale à população atual de países como a Espanha ou a França", ilustro o técnico do governo.

O acréscimo da população e o crescimento econômico demandarão volumes crescentes de energia, conforme destacou. A previsão é que o consumo de petróleo atingirá cerca de 3 milhões de barris por dia, enquanto o consumo nacional de energia elétrica subirá dos atuais 375,2 TW/h para cerca de 1.032,7 TW/h, com aumento de 175% no período. Um aspecto "relevante" destacado por Tolmasquim na entrevista coletiva é que o País continuará com uma forte participação de energia renovável, mesmo com a grande expansão na capacidade de produção.

Atualmente as fontes renováveis representam cerca de 44,5% do consumo total de energia primária, praticamente igual aos 44,7% previstos para 2030. A média mundial é de 14% para as fontes renováveis, sendo que nos países desenvolvidos essa participação é de apenas 6%. Outro ponto apontado por ele é a grande diversidade de fontes de energia. Em 1970, o petróleo e a lenha, somados, representavam 78% do consumo total de energia. Para 2030, a previsão da EPE é de um forte aumento da energia hidráulica, do gás natural e da biomassa ampliando a diversidade da matriz energética brasileira.

Empresário emprestou gado para Renan

O radialista Tarcísio Rigueira, conhecido como "Bocão", afirmou ontem, em seu programa "Folha Alerta", na "Rádio Folha de Pernambuco", que um empresário pernambucano lhe disse que emprestou 500 cabeças de gado ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele disse que ficou sabendo do suposto empréstimo durante uma conversa segunda-feira em um escritório em Recife.

"Um empresário pernambucano, que tem quase 3.000 cabeças de gado, emprestou a Renan 500 cabeças de gado. Era só para fazer número para [que] quando a Polícia Federal chegasse e visse tudo cheio de boi", disse Rigueira durante o programa na rádio.

O produtor do radialista, Marcos Souza, disse que Rigueira não queria dar declarações sobre o assunto porque o empresário em questão era seu amigo. O programa apresentado por Rigueira, de acordo com o site da rádio, é popular, com denúncias, entrevistas e assistência social. O senador peemedebista enfrenta processo por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado. Ele é suspeito de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior.

O rendimento com a venda de gado das fazendas que possui em Alagoas é o principal argumento de Renan para afirmar que tem recursos próprios suficientes para pagar R$ 12 mil mensais de pensão alimentícia que dava à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos, e que não usou dinheiro da empreiteira para este fim.

O salário líquido de Renan como senador é de cerca de R$ 9 mil, e ele afirma que as negociações com gado teriam lhe rendido R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos. Um laudo preliminar da Polícia Federal aponta inconsistências nas notas fiscais referentes à venda de gado apresentadas pelo senador, em um indicativo de que elas podem ser frias.

Sobre Soros e o capitalismo

por Ipojuca Pontes, Blog Diego Casagrande

Semana passada, quando assisti a entrevista do bilionário George Soros no programa da TV Cultura "Roda Viva", um ninho de águias vermelhas, a começar pelo seu apresentador, Paulo Markun – disse para mim mesmo: "Aí tem coisa". Para quem não sabe, Soros é um bilionário americano nascido na Hungria que fez fortuna especulando na Bolsa de New York, um capitalista esperto que joga no contrapé da intervenção do governo (burguês) na área econômica. Ao lado das fundações Ford e Rockefellar, Soros é, hoje, um dos maiores financiadores do esquerdismo internacional para desestabilizar a democracia conservadora norte-americana.

Com efeito, em seu discurso para uma platéia esquerdista em estado de êxtase, o especulador revelou-se em toda sua picardia. Soros - afortunado pela exploração malandra das brechas normativas criadas pelos bancos centrais – se mostrou, como era óbvio, "favorável ao intervencionismo governamental" para se chegar a um ponto de equilíbrio contra aquilo que considera a "ação egoísta" do capital voltado para o lucro (ou seja, contra si próprio). Por ato de pura malicia, o especulador admite o controle do capital pela burocracia estatal para, no seu proselitismo mendaz, obter mais lucro explorando os "marcos regulatórios" que espoliam o empresário capitalista.

Desde logo é bom ressaltar que há nos Estados Unidos bandos de bilionários farisaicos que consideram mais rendoso fazer negócios com governos autoritários do que com os agentes do mercado, estes, como sempre, sujeitos à competitividade e riscos. Na prática diabólica, os Soros e Rockefellers da vida acham mais seguro, hoje, negociar com os governos de economia centralizada. Daí financiarem a histeria anti-americana (sede do capitalismo) com o derrame de rios de dinheiro canalizados para os cofres das Ongs que financiam dia e noite bolsas de estudos e "pesquisas" favoráveis à destruição da sociedade de mercado e a propaganda socialista.

(De passagem, só para ilustrar o relacionamento tantas vezes sonegado, Lenin, com o objetivo de sedimentar a falida "revolução proletária", contraiu pesados empréstimos junto a bancos norte-americanos, vindo a pagá-los regiamente, com juros elevados e nas datas aprazadas – o mesmo ocorrendo, mais tarde, com o sanguinário Fidel Castro e o genocida Mao).

Contraditoriamente, no "Roda Viva", Soros, sempre favorável às normas estatizantes "reguladoras do mercado", enaltece com freqüência os méritos da "sociedade aberta" examinada por Karl Popper, um devotado filósofo nascido em Viena na época do império austro-húngaro, que considerava Marx um moralista vulgar, pseudocientista social cuja teoria econômica não resistia ao menor peteleco.

No seu livro clássico "A sociedade aberta e seus inimigos", Popper considera o socialismo de Estado uma forma de tirania. Nos dois volumes que compõem a obra, o pensador húngaro enfatiza a importância de se manter intacta a interdependência entre liberdade e o conhecimento, coisa só possível nas sociedades não-totalitárias. Para Popper, a liberdade humana em toda sua abrangência só é possível nas democracias baseadas na prática do livre mercado, que representa a ordem social mais justa dentro de um mundo marcado pela injustiça e desigualdades.

O especulador Soros, ao admitir a ação reguladora do Estado sobre o mercado está, como tantos outros, mistificando em causa própria, pois sabe muito bem que se deve ao capitalismo quase tudo que permeia a civilização moderna. Pois ele não se formou a partir da vontade de teóricos iluminados, mas pela construção árdua, anônima e diária de milhões de indivíduos laborando na tessitura de suas infindáveis relações econômicas. Nem mesmo Marx contesta que a humanidade chegou ao patamar em que vive graças à acumulação capitalista. Sem ela, o ser humano estaria vivendo nas cavernas, sem condições de investir na criação das ferramentas para o desenvolvimento industrial e tecnológico que levaram o homem à máquina a vapor, trem, telefone, automóvel, avião, computador, laser, coquetéis contra a aids e o diabo a quatro.

Hoje, até o mais cretino "engenheiro social" percebe que só o capitalismo sabe produzir riqueza e desenvolvimento. Pois o controle da economia planejada pelo governo e sua burocracia não substitui a ação plural e a complexidade do mercado na formação dos preços, indicativos, na "sociedade aberta", da diversificação da produção e do consumo – o que explica, na prática, o melhor desempenho econômico e a maior produtividade do capitalismo.

E se o sujeito não for um trapaceiro completo, não ignora que a URSS de Lenin, Stalin, Kruschev e Leonid Brejnev, e a China do degenerado Mao (com a sua "Revolução Cultural" e o seu "Grande Salto Para Frente") só escaparam da fome endêmica e epidêmica pela generosa ajuda material dos Estados Unidos.

Claro, o capitalismo não é perfeito (e George Soros, o financiador das elites esquerdistas, é um exemplo). Suas deformidades são enormes, avassaladoras, mas ele sempre pode ser aperfeiçoado, a partir de sua ética de reconhecimento ao mérito, ao trabalho e a capacidade de invenção que mobiliza o indivíduo especialmente empenhado na busca do lucro e da acumulação.
O contrário disso é a hipócrita sociedade estatizante em vigência no Brasil, a espoliar a riqueza criada pelo empresário e trabalhador, voltada para o privilégio de uma elite política e burocrática crudelíssima que, a pretexto de "agir" na construção de uma "sociedade mais justa", se locupleta com altos salários, mordomias e fraudes de toda ordem – e que faz de país, hoje, uma experiência social e humana lastimável e o exemplo da mais perfeita esculhambação jamais imaginada sobre a face da terra.

Rio: agressores de doméstica teriam antecedentes

Jornal O Dia online

A agressão contra a empregada doméstica Sirlei de Carvalho não foi o primeiro ato violento dos jovens que vivem na Barra da Tijuca acusados de espancá-la.

Vizinhos e porteiros do Edifício Palm Springs, onde Rubens Arruda e Leonardo Andrade, dois dos agressores, moram, contam que eles e seus amigos costumam humilhar e aterrorizar pessoas quando voltam das festas, de madrugada.

Segundo declarações, os rapazes jogam latas de cerveja quando passam de carro perto dos pontos de ônibus e passeiam com o corpo para fora do veículo ofendendo trabalhadores que chegam ao emprego antes de o dia clarear. De acordo com os moradores, os rapazes também fazem "pegas".

Um funcionário do Califórnia Park, onde Felippe Nery mora, disse que há pouco menos de um ano o estudante e grupo de amigos arremessaram um coco em um trabalhador na avenida das Américas.

Rodrigo Bassalo, que se mudou do Long Beach, é apontado como o mais violento. Os quatro são muito mal vistos pelos funcionários dos prédios. "Felizmente eles foram presos", afirmou um porteiro do Califórnia Park. Júlio Junqueira, morador do Park Palace, é considerado o mais calmo pelos trabalhadores do prédio.

O presidente do condomínio Parque das Rosas, Odilon Andrade, disse que torce para que os agressores sejam punidos. Odilon teme que o condomínio seja estigmatizado depois do que aconteceu com a empregada. Prefere que os acusados sejam tratados como "moradores da Barra". "Espero que recebam a pena que merecem, para que depois não venham dizer que o pai tem dinheiro", declarou.

Uma vizinha de Rubens, que não quis se identificar, comparou o estudante aos assassinos do índio Galdino (queimado em Brasília, em 1997). Disse que a família o protege e que ele é mimado.

Duas horas antes de a empregada ser espancada, às 2h20 de sábado, o chaveiro Emanuel Alves, 38, foi agredido num ponto de ônibus próximo ao que Sirlei estava, o que confirma o relato dos vizinhos. Jovens em dois carros jogaram uma lata de cerveja e ovos no chaveiro.

A doméstica Vivianne Andrade da Silva ficou impressionada com o roubo. "Eles levaram até o guarda-chuva dela. A gente trabalha o mês inteiro para receber R$ 500 enquanto esses garotos gastam isso em um dia na boate."

Mendigos teriam sumido de Ordaz; organização nega

Rafael Prada, Bernardo Ramos, Direto de Puerto Ordaz

A cidade de Puerto Ordaz é considerada uma das mais importantes da Venezuela. Segundo dados oficiais do governo nacional, ela está entre as cidades mais lucrativas do território e possui 646 mil habitantes. Entre eles, mendigos e indigentes. Com a definição do local como uma das sedes para a Copa América, os pedintes, no entanto, praticamente desapareceram das ruas e avenidas locais, segundo relatos de moradores e comerciantes da cidade. A organização nega o fato.

Com belos centros comerciais - um deles se estende por mais de cinco quarteirões -, Puerto Ordaz vive uma situação de contrastes. De acordo com moradores, a presença do torneio na cidade aumentou ainda mais essa diferença, fazendo com que uma "varredura" fosse feitas nas ruas para evitar que uma suposta má imagem da cidade pudesse se transmitida para os 170 países que acompanham o torneio.

Segundo Estebán Guerra, guardador de carro, os pedintes da região deixaram as avenidas locais, mas não se sabe para onde foram ou se o governo, realmente, teria recolhido-os e levado para outro local distante da sede da competição.

"Temos muito mendigos na cidade. Mas a verdade é que eles desapareceram, não se sabe para onde foram. O governo deve ter pegado todos e colocados em quarto", conta o morador.

Juan Salguero, motorista de táxi e conhecedor de quase todas as ruas de Puerto Ordaz, não tem dúvidas de que tudo foi "maquiado" para que os turistas e jornalistas não encontrassem com os mendigos. "Temos (mendigos), sim. Mas por causa da Copa América, eles sumiram. É claro que devem ter feito algo, não é possível", afirma.

Apesar das constatações dos cidadãos, o Comitê Organizador da competição em Puerto Ordaz nega a manobra e explica que o problema na cidade outro.

"Não é verdade isso, não fizemos nada com mendigos ou indigentes na cidade, sequer 'varremos'. O que acontece é seguinte: temos uma aldeia indígena, os Warao, que nem fica dentro do Estado Bolívar, que têm praticamente se mudado para a cidade", conta.

"E o governo local, junto ao nacional, está tentado levar esses índios, que vivem em condições muito precárias, para um lugar que ofereça algo melhor e não tão somente na miséria", explica David Media, chefe para imprensa do comitê, ao Terra.

Camareira do Hotel Rassil, Barbara não acredita nos órgãos do governo venezuelano. E prefere acreditar que mendigos, indigentes e pedintes tenham sido, sim, "barrados" da grande festa que deve ser a Copa América.

"Eu não creio, penso que todos foram levados daqui. Mas, daqui a um mês, quando tudo acabar, todos estarão de volta para as ruas", conclui.

De acordo com dados do governo venezuelano, 37,9% da população do país vive abaixo da linha da pobreza, ou seja, com menos de US$ 1 por dia.

Nos primeiros três meses de 2007, o governo local pode comemorar seus 14º trimestre consecutivo com crescimento. O PIB teve aumento de 8,8% com relação ao anterior, mesmo com a queda de 5,6% da participação da indústria petrolífera.

Redação Terra

TRAPOS & FARRAPOS...

SALÁRIO DE PRIMEIRA, COM SERVIÇOS DE QUINTA CATEGORIA
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia


Pois então, você já deve estar cansado desta putaria toda que os nossos parlamentares, entra semana, sai semana, estão sempre aprontando. Não um só dia que não se leia num jornal qualquer deste rincão bem amado e mal tratado, e que não encontre uma notícia sobre corrupção, desvio de recursos, falcatruas as mais diversas e sempre cometidas pela classe política. Claro, nem se está dizendo que “todos” sejam um porcaria. Por certo, se a gente tiver paciência de procurar e pesquisar, encontrará uma meia dúzia no meio de quase seiscentos que se salvam.

Considerando-se o tempo que estes senhores dedicam ao seu real trabalho, deve ser um recorde o quanto conseguem roubar em tão curto espaço de tempo. Sem dúvida, neste campo, além de criativos, são extremamente competentes.

Na verdade, eles deveriam trabalhar para o país que os elegeu. Por conta disto, da teoria do que deveriam executar, e não executam, criaram uma gama tão imoral de regalias e privilégios, que o seu salário base, acaba se tornando uma mera ajuda de custo, muito embora R$ 16,0 mil por mês, em 14 salários anuais, não é nada desprezível, até pelo contrário.

Hoje, divulgou-se que a renda média do trabalhador brasileiro, que é quem sustenta esta camarilha toda, elevou-se para coisa pouco mais de R$ 1,1 mil mensais, ou seja, mal chega a quatro salários mínimos. Eu disse a média, porque por certo há um exército de trabalhadores que ganham bem menos.

No Terra, divulgou-se um estudo feito pela Transparência Brasil, que dá bem a tônica da nossa mediocridade, o quanto estamos descendo e perdendo a noção de valor. Segue a notícia na íntegra, depois retornamos para os comentários.

Estudo: parlamentar custa 2.068 salários mínimos
Um estudo da ONG Transparência Brasil, apresentado nesta quarta-feira, aponta que o custo de cada parlamentar do Congresso brasileiro é de 2.068 salários mínimos (R$ 785.840) por ano. O valor é o mais alto entre 12 países observados, sendo mais do que o dobro do custo dos parlamentares mexicanos, que estão em segundo lugar na lista. Na Argentina, que tem um salário mínimo semelhante ao brasileiro, o custo é de 264 mínimos por ano.

O peso do Congresso do Brasil no bolso do contribuinte é maior do que o verificado em países de primeiro mundo como Itália e França. O Brasil lidera ainda o custo em relação ao PIB per capita, com 0,18% dos ganhos individuais dos brasileiros. Embora o Legislativo federal de outros países tenha orçamento superior, os valores pesam menos no bolso porque a renda também é maior.

De acordo com o estudo, em termos absolutos, o orçamento destinado à Câmara e ao Senado no Brasil só perde para os valores americanos.

No Brasil, Câmara e Senado consomem R$ 6,09 bilhões por ano, enquanto nos EUA esse gasto é de R$ 8,17 bilhões. A cifra no Brasil representa R$ 32,64 por habitante.

O estudo avaliou, além do Brasil, os orçamentos dos Congressos da Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Espanha, França, Grã-Bretanha, México e Portugal.

Para o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, os parlamentares brasileiros estão descolados da realidade nacional. "O presente levantamento reforça a percepção de que os integrantes das Casas legislativas brasileiras perderam a noção de proporção entre o que fazem e o País em que vivem", disse.

De acordo com o coordenador do estudo, Marcelo Soares, se o parlamento brasileiro tivesse os padrões de custo dos países europeus e do Canadá, poderia ter mais de 2 mil senadores e deputados, em vez dos atuais 594.
*
Reparem agora no seguinte: nossos parlamentares ganham salários acima de países de primeiro mundo, onde o PIB é maior que nosso, e a renda per capita, então nem se fala. Mas nossos parlamentares querem por querem ganhar o mesmo. Para fazerem o quê? Um trabalho de quinta categoria. Não fossem as regalias, os privilégios, a tal da imunidade manto sagrado para abrigá-los de prestarem contas à justiça por crimes sem nenhuma relação com o mandato, ainda assim, seria muito. Muito considerando-se o PIB e a renda média, e muito ainda pelo pouco que produzem e trabalham. E com tudo o que eles dispõem, ainda se acham do direito praticarem sua escancarada corrupção, que acaba não sendo punida. Sendo eles que fazem as leis, claro está que trataram de enredar os processos judiciais de mil e uma maneiras para evadir-se na indecente prescrição.

E se você acha que um dia isto possa mudar, leia a seguinte nota publicada na coluna do Cláudio Humberto:

Janene luta para ser julgado no Supremo
Está previsto para ser julgado hoje, no Supremo Tribunal Federal, um agravo regimental protocolado pelo ex-deputado José Janene (PP-PA). O ex-deputado que é acusado de crime contra a administração pública, desvio de verbas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Mas pelo fato de não ter sido reeleito nesta legislatura, o relator de seu processo declarou a incompetência do STF para julgá-lo. Janene quer que o processo continue no Supremo.

Pois é, e eles, mesmo sem mandato, depois de tudo que aprontaram, ainda querem aposentadoria gorda e milionária pelo não fizeram, e ainda ficarem imunes a terem que responder na justiça comum por seus crimes.

E depois que algum instituto de pesquisa estampa a corrupção do Congresso como vergonha nacional, e alguns oportunistas ficam declarando que o país não precisa do Congresso, eles querem ainda ficar indignados !

É bom que os principais líderes do Senado e da Câmara comecem a fazer valer suas lideranças para a reconstrução do mandato parlamentar. Rodadas de pizzas não podem mais ser aceitas sob pena e risco do Congresso ainda ser declarado irrelevante para a democracia. E não se assustem: tem muita gente por aí pensando desta forma.

Um Congresso enxovalhado sempre será um perigoso caminho do qual já saímos algumas vezes e não seria bom voltar. Acreditamos que a América Latina já tenha ditadores em demasia. Não precisa o Brasil querer alinhar-se à esta prática.

TOQUEDEPRIMA...

*** Vai ser difícil chegar lá
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Pelos resultados do 1º Leilão de Energia de Fontes Alternativas, realizado segunda-feira pela Aneel, vai ser difícil o Brasil atingir as metas do Plano Nacional de Energia 2030. O estudo que, pode ser encontrado no site do Ministério das Minas e Energia, detalha o plano de expansão da geração de energia até aquela data. O governo estimava que as usinas de açúcar já poderiam gerar entre 2 000 e 3 000 MW com a queima de biomassa (bagaço de cana), mas no leilão somente 1 019 MW foram oferecidos e apenas 542 MW terminaram vendidos. Para 2030, a meta é contar com 4 750 MW por ano de energia gerada por queima de biomassa.

*** Contra transposição, grupo invade fazenda

Cerca de 1.500 pessoas ocuparam na madrugada de ontem as Fazendas Mãe Rosa e Toco Presto, em Cabrobó (PE), para protestar contra o início das obras de transposição do Rio São Francisco. A área é usada pelo Exército como canteiro para a construção do canal Eixo Norte da transposição. A maioria dos manifestantes é de pescadores e sem-terra, além de índios da etnia Truká. O Exército informou que a manifestação não impede os trabalhos. O Ministério da Integração ainda não decidiu o que fará em relação à invasão.

*** Desespero em bilhetes aos colegas

Pressionado a deixar o cargo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), rogou ontem apoio aos senadores por meio de bilhetinhos distribuídos durante a sessão plenária da Casa. Um deles foi remetido ao líder do PSDB Arthur Virgílio (AM), que o abriu, sem constrangimento, na frente dos colegas. No texto, Renan pediu ajuda ao senador, depois de dizer que é alvo de um "esquadrão da morte", e garantir que está disposto a resistir até o fim.

Senadores do PT, DEM e PMDB também receberam bilhetes de conteúdo semelhante. O gesto foi interpretado pelos senadores como uma tentativa desesperada de salvação na véspera da votação do relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). O texto, que pede o arquivamento do caso, deve ser rejeitado hoje.

- A atitude de enviar os bilhetes é uma pressão desnecessária num momento como esses - declarou um senador do PSDB que pediu para não ser identificado. - Pode se voltar contra ele.

Amanhã, outro senador do PMDB, o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, será alvo de um pedido de investigação por suposta quebra de decoro parlamentar. O PSOL decidiu ingressar com uma representação depois que escutas feitas pela polícia flagraram Roriz negociando a partilha de dinheiro com Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do BRB, preso durante a Operação Aquarela. Para o PSOL, é necessário investigar melhor as ligações entre Roriz e Moura.

*** Com carinho, de Renan para Arthur Virgílio

Bilhete do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) para o líder do PSDB Arthur Virgílio (AM):

"Arthur: Precisamos resistir ao esquadrão da morte moral. Quem me conhece, sabe do meu comportamento. Para punir alguém, é preciso ter quebra de decoro e prova. Fora disso é imprensa opressiva. Você precisa me ajudar. Renan".

*** Gol: provável reviravolta

Setores de inteligência militar trabalham com uma hipótese que pode provocar reviravolta na investigação do acidente do vôo 1907 da Gol, que matou 154 pessoas. Se confirmada, a versão isenta os controladores e também os pilotos americanos: com sua estrutura comprometida após um pouso de forte impacto em Manaus, o Boeing 737-800 teria se desintegrado em pleno vôo e seus destroços atingido de raspão o Legacy da Embraer.

*** BRB escondeu saque milionário de Roriz
O Estado de S.Paulo

"O Banco de Brasília (BRB) só comunicou ao Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) o saque de R$ 2,2 milhões em favor do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) uma semana depois que o Banco Central iniciou o procedimento de fiscalização no banco, a pedido do Ministério Público do Distrito Federal. A retirada em espécie ocorreu no dia 13 de março, mas só foi relatada ao Coaf no dia 19. Nesse período, segundo investigadores, fiscais do BC foram avisados pelos promotores e, para não despertar a atenção de dirigentes do BRB, suspeitos de envolvimento nas fraudes, informaram à instituição que faziam uma operação de rotina.

Para a equipe técnica que apura o caso, o saque foi oficialmente informado às autoridades porque dirigentes do banco perceberam que ele certamente cairia no pente-fino dos fiscais do BC. Pela lei de combate à lavagem, os bancos são obrigados a comunicar em 24 horas qualquer saque ou depósito em espécie acima de R$ 100 mil."

*** Um passo atrás na reforma política
O Estado de S.Paulo

"A forte rejeição do eleitor ao financiamento público de campanha e ao sistema de votação em lista fechada, revelada em pesquisa de opinião da CNT/Sensus divulgada ontem, jogou água fria nos partidos que defendem a aprovação, hoje, da proposta de reforma política. Os líderes que patrocinam uma alternativa ao projeto do relator, Ronaldo Caiado (DEM-GO), decidiram, na noite de ontem, buscar uma nova saída, desta vez com o financiamento misto de campanha. Seria a alternativa ao financiamento público exclusivo, considerado incompatível com o sistema de lista flexível, em que o eleitor vota no partido, mas também tem a opção de votar em um candidato de sua preferência."

*** Baile perfumado
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Os técnicos da Embrapa de Pernambuco desenvolveram uma solução orgânica para acabar com a mosca das frutas. É uma praga que tem causado sérios problemas nos pomares comerciais de manga e uva no Vale do São Francisco. Os técnicos estão reintroduzindo na natureza moscas-macho previamente esterilizadas. E, para incentivar a cópula esterilizada, as moscas-macho recebem um tratamento todo especial. Antes de serem soltas, elas são borrifadas com óleo de gengibre.

O estudo do óleo de gengibre como estimulante sexual para as moscas é resultado de uma parceria entre a Embrapa e o Núcleo Havaiano do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Durante os testes, os pesquisadores identificaram que os machos tratados aromaticamente com o óleo tiveram performance sexual aumentada em até 40%.
*** 'Turma da Mônica'
Cláudio Humberto

Vavá, o irmão de Lula, teria pedido "dois pau". A bela moça aí da foto, em busca de quinze segundos de gozação numa corrida em Taguatinga (DF), foi mais modesta no apelo ao "provedor-mor" do Senado, Renan Calheiros. Ela teve que sair correndo depois, porque a maratona de candidatas é grande. E como...

Sem dúvida, o país virou uma zorra total. E da pior espécie...

A teoria do canalha

Arnaldo Jabor , Gazeta Digital (Cuiabá/MT)

Estamos sob o ataque de um enxame de malfeitores.

"Eu não sou um canalha; eu sou o canalha. Tenho orgulho de minha cara de pau, de minha capacidade de sobrevivência, contra todas as intempéries. Enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, eu estarei vivo, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eu estarei firme e forte. Não adianta as CPI´s querendo me punir. Eu saio sempre bem. Enquanto houver este bendito código de processo penal, eu sempre renascerei como um rabo de lagartixa, como um retrovirus, fugindo dos antibióticos. Eu sei chorar diante de uma investigação , ostentando arrependimento, usando meus filhos, pais, pátria, tudo para me livrar. Eu declaro com voz serena: "Tudo isso é uma infâmia de meus inimigos políticos. Eu não me lembro se esta loura de coxas douradas foi minha secretária ou não. Eu explico o Brasil de hoje. Eu tenho 400 anos: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. Eu tenho raízes, tradição . E eu sou também "pós-moderno", sou arte contemporânea: eu encarno a "real-politik" do crime, a frieza do Eu, a impávida lógica do egoísmo.

No imaginário brasileiro, eu tenho algo de heróico. São heranças da colônia, quando era belo roubar a Coroa. Só eu sei do delicioso arrepio de me saber olhado nos restaurantes e bordeis. Homens e mulheres vêem-me com gula: "Olha, lá vai o canalha....!" - sussurram fascinados por meu cinismo sorridente, os "maîtres" se arremessando nas churrascarias de Brasília e eu flutuando entre picanhas e chuletas , orgulhoso de minha superioridade sobre o ridículo bom-mocismo dos corretos. Eu defendo a tradição endêmica da escrotidão verde e amarela. Sem mim, ninguém governa, sem uma ponta de sordidez, não há progresso.

Eu criei o Sistema que, em troca, recria-me persistentemente: meus meneios, seus ademanes, meus galeios foram construindo um emaranhado de instituições que regem o processo do pais. Eu sou necessário para mantê-las funcionando. O Brasil precisa de mim.

Eu tenho um cinismo tão sólido, um rosto tão límpido que me emociono no espelho; chego a convencer a mim mesmo de minha honestidade, ah! ah!... Como é bom negar as obviedades mais sólidas e ver a cara de impotência de inquisidores. E amo a adrenalina que me o acende o sangue quando a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares, eu vibro quando vejo os olhos covardes dos juizes me dando ganho de causa, ostentando honestidade, fingindo não perceber minha piscadela maligna e cúmplice na hora da emissão da liminar...Adoro a sensação de me sentir superior aos otários que me compram, aos empreiteiros que me corrompem, eles humilhados em vez de mim.

Eu sou muito mais complexo que o bom sujeito. O bom é reto, com principio e fim; eu sou um caleidoscópio, uma constelação.

Sou mais educativo. O homem de bem é um mistério solene, oculto sob sua gravidade, com cenho franzido, testa pura. O honesto é triste, anda de cabeça baixa, tem ulcera.

Eu sou uma aula pública. Eu faço mais sucesso com as mulheres. Elas se perdem diante de meu mistério, elas não conseguem prender-me em teias de aranha, eu viro um desafio perpétuo, coisa que elas amam em vez do bondoso chato previsível. A mulher só ama o inconquistável. Eu conheço o deleite de vê-las me olhando como um James Bond do mal, excitadas, pensando nos colares de pérolas ou nos envelopes de euros. Eu desorganizo seu universo mental, muitas vezes elas se vingam de mim depois, me denunciando claro - mas só eu sei dos gritos de prazer que lhes proporcionei com as delicias do mal que elas adivinhavam. Eu fascino também os executivos de bem, porque, por mais que eles se esforcem, competentes, dedicados, sempre se sentirão injustiçados por algum patrão ingrato ou por salários insuficientes. Eu, não; eu não espero recompensas, eu me premio. Eu tenho o infinito prazer do plano de ataque, o orgasmo na falcatrua, a adrenalina na apropriação indébita. Eu tenho o orgulho de suportar a culpa, anestesiá-la - suprema inveja dos neuróticos. Eu sempre arranjo uma razão que me explica para mim mesmo. Eu sempre estou certo ou sou vitima de algum mal antigo: uma vingança pela humilhação infantil, pela mãe lavadeira ou prostituta que trabalhou duro para comprar meu diploma falso de advogado.

Eu posso roubar verbas de cancerosos e chegar feliz em casa e ver meus filhos assistindo desenho na TV. Eu sou bom pai e penso muito no futuro de minha família, que graças a Deus está bem. Eu sou fiel a uma mulher só, que vai se consumindo em plásticas e murchando sob pilhas de botox, mas nunca as abandono, apesar das amantes nas lanchas, dos filhos bastardos.

Eu não sou um malandro - não confundir. O malandro é romântico, boa praça; eu sou minimalista, seco, mais para poesia concreta do que para o samba-canção. Eu tenho turbo-carros, gargalho em Miami e entendo muito de vinho. Sei tudo. Ultimamente, apareceram os canalhas revolucionários, que roubam "em nome do povo". Mas, eu não. Sou serio, não preciso de uma ideologia que me absolva e justifique. Não sou de esquerda nem de direita, nem porra nenhuma. Eu sou a pasta essencial de que tudo é feito, eu tenho a grandeza da vista curta, o encanto dos interesses mesquinhos, eu tenho a sabedoria dos roedores.

Eu confio na Justiça cega do país, no manto negro dos desembargadores que sempre me acolherão. Eu sou mais que a verdade; eu sou a realidade. Eu acho a democracia uma delicia. Eu fico protegido por um emaranhado de leis malandras forjadas pelos meus avós. E esses babacas desses jornalistas pensam que adianta esta festa de arromba de grampos e escândalos. Esses shows periódicos dão ao povo apenas a impressão de transparência, têm a vantagem de desviar a atenção para longe das reformas essenciais e mantém as oligarquias intactas. Este pais foi criado na vala entre o publico e o privado. Florescem ricos cogumelos na lama das maracutaias. A bosta não produz flores magníficas? Pois é. O que vocês chamam de corrupção, eu chamo de progresso. Eu sou antes de tudo um forte!".

Aeronáutica dá razão a controladores de vôo

Fernando Exman, Jornal do Brasil

Discutido ontem em reunião fechada da CPI do Apagão Aéreo do Senado, documento sigiloso da Aeronáutica comprova a fragilidade do sistema de controle de vôos e das fronteiras do país. Produzido em novembro de 2005, o relatório revela que os sistemas de comunicações, navegação e vigilância têm limitações. E diz que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força (Decea) registra déficit de equipamentos e pessoal.

Além disso, os mapas usados na aviação brasileira não têm boa qualidade e o aumento da demanda prejudica o uso de alguns aeroportos e parte do espaço aéreo, conforme o texto. O teor destoa das declarações de oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB), e repetidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que têm rebatido as acusações dos profissionais da área de que o sistema brasileiro de controle de vôos tem imperfeições.

- Venho dizendo que há fragilidades no sistema há muito tempo. A falta de equipamentos e pessoal é uma realidade. É cômodo colocar a culpa na falha humana - disse o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, em referência às investigações do acidente que envolveu o Boeing da Gol e o Legacy. - Não queremos desmoralizar o Brasil, e sim que as coisas funcionem da melhor maneira possível.

Presidente da Infraero, o tenente-brigadeiro José Carlos Pereira disse que as informações contidas nos relatórios não causam preocupação. Hoje, complementou, a prioridade do governo deve ser a ampliação de pessoal e o investimento na qualificação de técnicos e controladores de vôos.

- A Aeronáutica chama a atenção do nível de obsolescência, mas, como é um documento de 2005, várias observações colocadas já foram corrigidas. Saio absolutamente tranqüilo da reunião - disse Pereira. - Mas os problemas logísticos são evidentes.

O relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), declarou que uma das conclusões do debate sobre o documento apresentado pela Aeronáutica é a necessidade de ampliação dos investimentos públicos no setor.

- Tem que botar dinheiro no Ministério da Defesa para que a Aeronáutica tenha como enfrentar o caos aéreo.

Trabalham no Decea 2.285 controladores de vôos militares e 58 civis. Até o início do próximo ano, a Aeronáutica espera obter um reforço de 523 novos controladores (299 militares e 224 civis). As novas contratações ficarão aquém da necessidade, que é de 600 novos controladores. De janeiro até sexta-feira, o governo investiu R$ 33,5 milhões na área, R$ 13,9 milhões a mais do que o verificado no mesmo período do ano passado.

- Pessoalmente, digo que é absolutamente seguro voar no país, mas é evidente que a aviação é uma atividade em que podem ocorrer acidentes - disse Pereira. - Os sistemas atendem hoje a demanda. Mas, se não forem ajustados, entrarão em obsolescência rapidamente.

Sob a alegação de que o relatório deve permanecer sob sigilo por questões de segurança nacional, a sessão de ontem da CPI foi fechada ao público. Além dos parlamentares que integram a comissão e o presidente da Infraero, participaram da reunião o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e os diretores do Decea e do Departamento de Política de Aviação Civil do Ministério da Defesa, respectivamente o major-brigadeiro Ramon Borges Cardoso e Rigobert Lucht. Os representantes da Anac, Aeronáutica e do Ministério da Defesa não concederam entrevistas.

O sistema flex de financiamento de campanha ...

... chega a ser uma sem-vergonhice
Reinaldo Azevedo

Depois da rejeição do voto em lista, a Câmara decidiu deixar o resto da reforminha para ser votado na semana que vem, inclusive uma proposta absurda sobre financiamento de campanha, que piora, e muito, a lei que existe hoje. Eu diria mesmo que ela é imoral. Explico.

Segundo essa nova proposta, os recursos para a eleição dos cargos majoritários — presidente, senadores, governadores e prefeitos — sairiam todos dos cofres públicos. Nas eleições para deputados federais, estaduais e vereadores, haveria um sistema híbrido: dinheiro público mais financiamento de pessoas físicas.

De todas as propostas, esta, sem dúvida, é a pior. E a razão é simples: induz, desde a origem, a ilegalidade. Nas cidades, por exemplo, o caixa de campanha dos candidatos a prefeito e dos vereadores do partido ou coligação costuma ser único — ou, quando menos, há trânsito de uma contabilidade para outra. Dou exemplo: faz-se o famoso “santinho” com o candidato majoritário e o candidato a vereador, ambos abraçados, indicando aquela amizade sólida. Quem pagou aquilo?
Ora, sempre será colocado, claro, na conta do vereador, que pode ter financiamento híbrido, ainda que se esteja fazendo a campanha do candidato a prefeito. O mesmo vale para os demais níveis. A proposta é de uma supina estupidez — ou de uma esperteza malandra.

É só um modo a mais de enfiar a não no bolso dos desdentados. Nada além. Ademais, reitero: não há financiamento público capaz de coibir o caixa dois se o caixa dois não resultar, enfim, em severas punições. No Brasil, como sabemos, “recursos não-contabilizados” costumam fazer parte do custo político.Deixar como está? Não. Aumentar os instrumentos de vigilância do sistema atual e passar a aplicar a lei que pune até com cassação de mandato quem a transgride. “Ah, mas isso não vai acontecer”. Ah, é? E por que a outra lei seria, então, cumprida? Fiquemos com a que está aí. Se as duas podem ser fraudadas, a que temos ainda é mais barata. É uma questão lógica.

TOQUEDEPRIMA...

*** Advogado confessa gravações que negou

Após negar no Conselho de Ética do Senado a existência de gravações feitas pela jornalista Mônica Veloso, seu advogado Pedro Calmon Mendes entregou nesta quarta-feira ao colegiado cinco CDs com a transcrição das gravações que, segundo Calmon, mostram o presidente do Senado, Renan Calheiros, recorrendo a Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para financiamento de campanha eleitoral. O material teve a autenticidade comprovada pelo perito Aidano Faria, o que também havia sido negado pelo advogado. Calmon disse que o material foi gravado pela ex-amante de Calheiros em março de 2005, na sede da Mendes Júnior. Mônica teria escondido o gravador na bolsa e, durante 30 minutos, teria conversado com Gontijo sobre suas dificuldades financeiras. Em um dos trechos, Gontijo diz que Renan recorreu a ele para resolver dívidas de campanha.

*** Tem mais
Da coluna Painel Folha de S.Paulo

"O corregedor Romeu Tuma (DEM-SP) jogou duro nas primeiras declarações sobre o caso Joaquim Roriz (PMDB-DF), dando de barato que houve quebra de decoro, por saber de antemão que a encrenca não vai parar com a revelação da conversa em que o ex-governador parece negociar a partilha de R$ 2,2 mi.

Ainda que a situação de Renan Calheiros (PMDB-AL) continue crítica, existe em seu partido quem acredite na possibilidade de uma troca: entregar Roriz -aplacando assim a ira da "imprensa opressiva"- e salvar Renan. Advogados dessa saída engenhosa já detectaram o apetite de Gim Argello, suplente de Roriz, em assumir a vaga. Lembram que ele seria uma nova versão de Valmir Amaral, que virou senador com a cassação de Luiz Estevão (PMDB-DF)."

*** Band revela chantagem contra Renan

O "Jornal da Band" acaba de apresentar reportagem de Fábio Pannunzio revelando a gravação de uma grave ameaça do advogado da ex-amante de Renan Calheiros, Pedro Calmon Mendes (que se apresenta como "Pedro Calmon Filho"), dirigida a Cláudio Gontijo, funcionário da construtora Mendes Júnior e amigo do presidente do Senado. O advogado adverte Gontijo que está "cansado dessa palhaçada" e exige ser recebido por Calheiros, ameaçando "tomar outras providências". O recado do advogado foi deixado na secretária eletrônica de Gontijo no período em que se deu a chantagem denunciada pela revista IstoÉ, há três semanas. O "Jornal da Band" também localizou o funcionário da produtora de Mônica Veloso que a ensinou a usar o microfone sem fio que a permitiu gravar conversas de alcova com Renan Calheiros. Essas conversas - incluindo telefonemas - ocorreram no período em que a jornalista se relacionava com o senador e foram periciadas pelo perito Aidano Faria, por encomenda de Pedro Calmon Filho. O advogado e Mônica, em sucessivas declarações, negaram a existência das gravações, a solicitação de laudos periciais ao perito Aidano Faria e, claro, a chantagem. Faria está desaparecido há dois meses, conforme esta coluna já revelou. Após adiar por 24 horas uma entrevista para falar sua versão sobre a denúncia, o advogado se recusou a fazer declarações.

*** Moradores viram carretas levar bois para fazendas
Folha de S.Paulo

"Moradores de Murici (60 km de Maceió), terra natal do clã Calheiros, disseram ter visto na semana passada ao menos quatro carretas transportando bois em direção às fazendas do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e de seu irmão Olavo Calheiros (PMDB-AL), deputado federal.

"As carretas tinham dois andares e estavam cheias de bois. Era tanto boi que o movimento me chamou a atenção e comentei com o meu pai", disse Simone Gomes da Silva. O pequeno bar onde Simone da Silva trabalha fica a menos de 15 metros da estrada que leva às fazendas dos Calheiros.

"Eu também vi as carretas transportando os bois na cidade", afirmou o servidor público Antonio Barros. "Só não sei se eles foram levados para as fazendas dos Calheiros, mas aqui [em Murici] ninguém tem bala na agulha para comprar de uma só vez pelo menos 200 cabeças", disse Barros."


*** Atividade econômica cresce 3,2% no México
InvestNews

A atividade econômica do México teve expansão de 3,2% em abril de 2007, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado principalmente pelo setor agropecuário e está acima das estimativas feitas pelo mercado.

O Índice Global da Atividade Econômica (IGAE) avançou 0,76% em abril, em comparação à março, segundo informou o Instituto Nacional de Estatística, Geografia e Informática (INEGI) do México.

Os principais avanços foram observados no setor agropecuário, que teve crescimento de 5,2%, seguido do grupo serviços (3,8%) e também do setor industrial (1,5%).

O IGAE é considerado pelos analistas de mercado como um Produto Interno Bruto (PIB) mensal do México. Além disso, o Índice calcula aproximadamente 96% da economia coberta nos dados trimestrais do PIB, excluindo os setores de pesa e exploração florestal.

O governo mexicano divulgou em maio que o PIB do país avançou 2,6% no primeiro trimestre de 2007, em termos anuais, registrando seu menor ritmo em cinco trimestres e prejudicado pela indústria e o agro-negócio, mas sustentado pelo consumo da população.

Para 2007, o governo e o banco central do México projetaram crescimento do país entre 3% e 3,5%, ante o avanço de 4,8% observado em 2006.

*** Sibá sai atirando do Conselho de Ética

O senador Sibá Machado (PT-AC) tentou explicar sua renúncia à presidência do Conselho de Ética e atacou, sem nominar, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Renan, que presidiu a sessão, não se manifestou durante a situação constrangedora, apenas pediu pressa após muitos apartes concedidos por Sibá. O acreano disse que renunciou por não aceitar ser "subserviente". Num esforço para mostrar independência tanto em relação ao Planalto quanto ao PT e ao PMDB do senador Renan Calheiros, afirmou que aprendeu cedo com sua mãe a ter "humildade e lealdade", mas ressaltou que essas virtudes não poderiam ser confundidas com a subserviência. "Renunciei porque senti que alguns membros davam sinais de incomodação com meus encaminhamentos e também pela incompreensão da oposição, além do processo ter ficado contaminado por interesses que vão além da representação", justificou o senador. Durante o pronunciamento de Sibá Machado no plenário do Senado, Calheiros acabou entrando em conflito com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Falando de modo bem pausado, Suplicy cobrava uma solução para o Conselho de Ética não "estancar" os trabalhos do Senado. Renan perdeu a paciência e retrucou: "Se vossa excelência usasse o seu proverbial poder de síntese, nós certamente já teríamos feito isso", disse.

*** Lula intercede por Renan

O Globo

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu entrar na briga do Senado para defender a manutenção do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), no cargo. Ontem de manhã, Lula chamou Renan ao Palácio do Planalto. Conversaram durante 40 minutos sobre o rumo que tomou o processo de investigação do presidente do Senado por quebra de decoro parlamentar, especialmente depois que o DEM defendeu formalmente seu afastamento. Na conversa, Renan reclamou da falta de firmeza dos senadores do PT e da base aliada. Em seguida, Lula recebeu a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), e o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), para pedir que a bancada petista dê sustentação ao aliado.

Nas conversas ocorridas no Planalto, foi feita uma avaliação de que o DEM decidiu trabalhar para tirar Renan Calheiros da presidência, tentar fazer seu sucessor e pôr em risco a governabilidade.

— O que está em jogo para a oposição não é a questão ética, mas a governabilidade e a disputa política — disse Ideli, após o encontro.

Desde o início da semana, Lula está intervindo junto aos senadores petistas, pedindo que dêem apoio ao presidente do Senado. Entre os governadores que também receberam esse apelo do presidente estão o tucano Cássio Cunha Lima (PB) e os petistas Marcelo Déda (SE) e Jaques Wagner (BA)."

Cadê o Supremo?

Guilherme Fiúza, Política & Cia, NoMínimo

Seja qual for o fim da novela, Renan Calheiros já fez gato e sapato do Conselho de Ética do Senado. Talvez, hoje, o conselho mais ético que se poderia dar aos senadores seria: fechem essa birosca.

Seria um grito de moralidade, mas seria uma facada na democracia. São as contradições da liberdade. Tapem o nariz diante das manobras calheiras, ou melhor, canhestras do presidente do Senado, mas celebrem o desenrolar normal do jogo.

É normal pressionar os membros do Conselho de Ética em favor de Renan? É. Política é isso. Embate de forças, tiroteio de influências, jogo de pressões. A democracia não é um jogo de dama num convento. Conflitos da sociedade inteira explodem dentro do parlamento. Pode haver hegemonia governamental, pode haver abusos econômicos, pode até haver corrupção. Mas nem sempre. O caso Collor está aí para provar do que o Congresso é capaz.

O que causa estranheza é o silêncio do Supremo Tribunal Federal diante da festa junina em que se transformou o Conselho de Ética. Estranheza não pelo que deveria acontecer, mas pelo que vem acontecendo na política brasileira nos últimos anos.

Desde o mensalão – quando Nelson Jobim, que na presidência do Supremo foi um excelente deputado, mandou e desmandou no processo de José Dirceu na Câmara – os parlamentares agem como crianças no playground esperando a ordem do síndico do STF. No caso Dirceu, um dos maiores vexames institucionais do Brasil recente, a interferência do Judiciário foi festejada pelos bem pensantes.

Os gritos legalistas e virtuosos saudavam os corretivos aplicados pela corte suprema no arraial da politicagem. Santa inocência. Por trás do verniz legalista, o presidente do STF, Nelson Jobim, candidato a candidato a vice de Lula, fazia a mais rasteira das politicagens.

Jobim pintou e bordou. Nunca se vira o juiz máximo do país com tantos trejeitos, tiradas, ironias e manobras. Tudo para tentar refrescar a vida de Dirceu no Congresso.

O Brasil aplaudiu, sem entender que estava ajudando a avacalhar a autonomia do Congresso Nacional. O instituto do julgamento político, sem o qual Fernando Collor continuaria liderando o famigerado esquema PC no topo da República, foi atropelado pelas mentes apolíneas. Só se ouvia que a Justiça tinha que botar ordem na política. Daí para frente, foi festa.

Em vários casos importantes, como a CPI do apagão aéreo, os meninos no playground foram perguntar ao síndico o que fazer. O síndico mandou fazer a CPI, atendendo ao clamor das arquibancadas. Uma salada de populismo com libertinagem institucional. Aliás, caberia perguntar para que serve a CPI do apagão aéreo.

O Brasil brincou com fogo, debilitando gravemente um dos três poderes da República. O curioso é que, depois de mais do que arrombada a porta, o caso Renan Calheiros não excitou os legalistas e os virtuosos.

Quando todos sabem que o político alagoano rege uma farsa histórica para travar seu processo no Conselho de Ética, com cenas pastelão como a renúncia “indignada” do acreano Sibá Machado da presidência do Conselho e a falta de um relator para tocar os trabalhos elementares, não há nem sinal de intervenção do Supremo Tribunal Federal.

Seria muito bom, se não fosse muito estranho. Talvez até, quem sabe, esteja começando aí uma regeneração institucional por vias tortas. Mas por enquanto, o que parece estar acontecendo é uma das maiores operações cala boca da história recente da República. Nem o síndico piou.

Injustiça, hipocrisia, falta de civilidade (*)

Fausto Wolff , Jornal do Brasil

No meio do erro, atolados no erro, vítimas das tentações mais estúpidas, creio que não há muito a fazer conosco, digo, com a espécie cosidetta umana. Cinco filhinhos de papai surram uma doméstica. Isso deve acontecer o tempo todo. A diferença é que esses patifes foram apanhados. Quem se propusesse a fazer uma análise pouco mais profunda se perguntaria: que país é este em que escravos que moram longe trabalham para outros que trabalham fora? Que país é este em que à noite uma empregada espera pelo ônibus apesar da sabida violência? Que país é este em que uma prostituta é considerada carne em que se bate? É fácil responder a isso tudo ao descobrirmos o que há por trás das palavras do papai de um dos delinqüentes, Ludovico Ramalho Bruno: "São crianças que estão na faculdade". Isso resume o pensamento dessas duas gerações que brotaram depois da ditadura: num país em que há uma casta de universitários é natural que uma prostituta seja atacada a patadas.

Quando vejo um ladrão se eleger - minha vida toda - me horrorizo ao pensar que isso não é o pior. O pior não são esses marginais, mas, sim, os marginais que vêm com eles. Com os cargos comissionados o governo gasta R$ 9,3 bilhões por ano. Mais do que a Bolsa Família (Vergonha Nacional), que custa R$ 8,7 bilhões. Com essa distribuição de dinheiro aos ricos e de comida aos pobres e a impunidade para quem tem mais de R$ 1 mil no bolso, é impossível não se eternizar no poder. Não quero dizer com isso que amanhã o PSDB ou o PMDB ou os De M não possam ganhar a eleição, mas isso não mudará absolutamente nada. Está tudo no trato.

No trato também está o direito que o sr. Luiz Silva tem de mentir duas vezes mais que os Fernandos que o antecederam e que tinham raiva atávica da verdade. No princípio mentia timidamente, mas, ao ver que a coisa colava e que a imprensa deixava barato, começou a improvisar. O improviso lhe foi quase fatal, pois neles a ficção corria solta como cavalo selvagem atropelando regências verbais. Além de dizer que a medicina no Brasil é quase perfeita, anunciou pela sétima vez o fim da crise aérea. Como sete é conta de mentiroso, vocês já viram que não será dessa vez...

Para os pobres nós temos a pior Justiça do mundo. Para os ricos temos a melhor, pois permite que certos processos, graças a todo tipo de recursos, se arrastem por 40 anos. A essa altura o filho do querelante já se casou com o filho do querelado e a grana fica toda em casa, menos a comissão do juiz. Diante dessa situação eu pensei e quase escrevi uma sugestão, mas depois caí em mim. Eu ia sugerir uma reforma judiciária para acabar com essa esculhambação júri-responsável quando me dei conta de que se levam 40 anos para decidir uma causa, quantos anos levariam para fazer uma reforma que fosse do agrado de todos os criminosos?

E mais: quem faria essa reforma senão os probos deputados e senadores, quase metade deles com pendências na Justiça? Mais uma vez perderíamos nós, réus sem culpa, pois os marginais que votariam a reforma, além do salário e tudo o mais que sabemos, ainda receberiam jetons por sessão. É diante de situações como essa que os otimistas começam a se matar.

Quase todos os otimistas, mas certamente não o ministro Manteiga, que - entre um take e outro da refilmagem da Família Addams - continua derretendo de tanto dizer estultices. Para ele não existe crise no setor aéreo - apesar dos controladores cegos, surdos, mudos e monoglotas. O que existe é muita prosperidade no país, o que vem causando enorme aumento no fluxo aéreo. Me pergunto onde o sr. Luiz Silva foi buscar este pessoal. Certamente no mesmo local onde foi encontrado o brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero. Para ele, ninguém precisa se preocupar com a segurança, pois não há nada mais seguro que avião em terra. Mal acabou de dizer essas palavras quando dois aviões, um da TAM e outro da Gol, colidiram em pleno solo do aeroporto de Congonhas.

(*) Palavras de Darwin depois de passar pelo Brasil em 1832. Devia ver a gente hoje.

TOQUEDEPRIMA...

*** Suspeita sobre BRB se estende a Nossa Caixa
Folha de S.Paulo

O Ministério Público e a Polícia Civil do Distrito Federal afirmam haver "fortes indícios" da existência de um esquema de desvio de recursos públicos na Nossa Caixa, banco oficial do governo de São Paulo.

Os investigadores apontam a existência de esquema idêntico ao que fraudou os cofres do BRB, banco oficial do Distrito Federal: as mesmas empresas, com procedimentos e contratos da mesma natureza, mas em valores superiores.

A fraude contra o BRB foi desvendada no último dia 14 por meio da Operação Aquarela, da Polícia Civil e do Ministério Público do Distrito Federal.

Na operação, foram expedidos mandados de prisão contra 20 pessoas, entre elas o ex-presidente do BRB Tarcísio Franklin de Moura e o então secretário-geral da Asbace (Associação Nacional de Bancos), Juarez Lopes Cançado. Moura foi flagrado conversando com o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) sobre a partilha de dinheiro no escritório de Nenê Constantino, presidente do Conselho de Administração da Gol.

*** Voar no Brasil não é seguro, alertam controladores
Jornal do Brasil

Controladores de vôo civis e militares reunidos em Brasília alertaram ontem para a falta de segurança do sistema. Disseram que a substituição de 14 profissionais da área por militares especialistas em defesa aérea - estratégia adotada pela Aeronáutica para enfraquecer o movimento da categoria - é um risco aos passageiros. A Aeronáutica, revelaram, reduziu pela metade (de 180 horas para 90 horas) o tempo de treinamento exigido dos controladores que vieram de outras regiões do país e do sistema de defesa aérea para reforçar o quadro de pessoal do centro de operações de Brasília, o Cindacta-1.

*** Jovens que mataram Galdino tiveram privilégios
O Globo

Embora tenham sido julgados e condenados, os cinco jovens de classe média alta que queimaram e mataram o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, em Brasília, na madrugada de 20 de abril de 1997, tiveram privilégios no cumprimento das penas e, desde 2004, estão em liberdade. O único menor de idade no grupo, então com 17 anos, ficou detido apenas três meses, o que caracteriza impunidade, na avaliação da promotora do Ministério Público do Distrito Federal Maria José Miranda, que fez a denúncia contra os cinco jovens.

— Esse ficou impune. Passou apenas três meses detido, antes do julgamento. O que ele aprendeu? Apenas reforçou a $sensação de poder, de ser diferente, de que com ele nada acontecia, de que papai sempre daria um jeitinho. Pedagogicamente funcionou como um reforço — diz Maria José.

A promotora travou uma batalha na Justiça do Distrito Federal para que os quatro maiores de idade fossem julgados pelo Tribunal do Júri, por crime hediondo, e não por lesão corporal $de morte. Em 2001, os estudantes Max Rogério Alves, Eron Chaves Oliveira e Antônio Novely Villanova, todos de 19 anos, e Tomáz Oliveira de Almeida, de 18, foram condenados a 14 anos de prisão.

*** Empréstimo por novilha, mesmo tendo 6 mil bois
O Globo

O senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), que afirma ter pedido um empréstimo de R$ 300 mil para o "pagamento inadiável" de uma novilha, dando a entender que não tinha recursos disponíveis para tanto, tem na Agropecuária Palma, que está em nome das três filhas, uma grande criação de gado reconhecida no meio como de ótima qualidade. Além disso, a fazenda tem um haras com cavalos manga-larga marchador ganhadores de prêmios. Roriz alega que pediu o dinheiro ao amigo Nenê Constantino, dono de empresas de ônibus no Distrito Federal e da companhia aérea Gol. Ele diz que adquiriu o animal em 12 de março.

A Palma, localizada em Luziânia (GO), a menos de 50 quilômetros do Centro de Brasília, ocupa uma área de 12 mil hectares (120 milhões de metros quadrados, o que equivale a 14.545 campos do Maracanã) e, conforme reportagem especial exibida no sábado passado no "Canal do Boi", "é um exemplo para qualquer propriedade". No programa, o responsável pelo bem-sucedido empreendimento é apresentado como "um dos mais atuantes políticos brasileiros, Joaquim Roriz".

*** A pantomima do PT pró-Renan: Sibá renuncia à presidência do Conselho de Ética
Reinaldo Azevedo

Mais uma pantomima no Conselho de Ética estrelada por esta melancólica figura, Sibá Machado (PT-AC), que renunciou à presidência para ajudar Renan Calheiros (PMDB-AL). Observem: ele não precisa prestar contas a ninguém, a não ser ao PT. Afinal, nem mesmo eleitores ele tem. Suplente de Marina Silva, estava na chefia do conselho, o que já é evidência da degradação do Senado.

Nesta terça, o PT ensaiou uma mímica de independência. Depois de quatro horas de reunião, os petistas anunciaram que poriam em votação amanhã o parecer de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), aquele que inocenta Renan. O presidente do Senado e seus aliados, que já tentaram resolver tudo na primeira semana, agora querem adiar a votação o máximo possível, na esperança de que o caso esfrie e, quem sabe?, dada a qualidade da turma, à espera de um escândalo novo.

Sibá informou ainda que não escolheria um novo relator. Aqueles que se ofereceram para a tarefa, na sua opinião, estavam impedidos, e os que não estavam impedidos, vejam só, não queriam deixar as suas digitais no caso. Se o parecer de Cafeteira fosse rejeitado, o regimento obriga a votar três outros que foram apresentados separadamente: um do PDT, um do PSDB e outro do DEM.
Muito macho, Siba também deu um murro na mesa: ou se votaria o relatório nesta quarta, ou ele renunciaria. Era, evidentemente, um jogo de cena. Afinal, bastava a tropa de Renan fazer barulho para não votar, e o texto não seria votado. Foi o que ela fez. E restou a Sibá cumprir a sua “ameaça”: renunciou para melar o jogo, fazendo o que Renan queria. Afinal, caso o texto fosse mesmo votado amanhã, era grande a chance de o parecer de Cafeteira ser derrotado.
Ao longo da tarde e começo da noite, chegou-se a noticiar que o PT havia abandonado o presidente do Senado. Conversa. Apenas tornou mais sofisticada — e, de certo modo, mais picareta — a sua blindagem. Agora, é preciso procurar um novo presidente para o Conselho. E o caso Renan vai ter de esperar. Mais: PT e PMDB tentarão envolver as oposições nessa escolha na esperança de dividir o peso de carregar um cadáver adiado.

Sibá entrou bem pequenininho na presidência do Conselho de Ética. Saiu ainda menor.
*** Ato falho, presidente?
Jornal do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem compreensão aos servidores públicos em greve. Alegou que o cobertor orçamentário é curto. Lembrou os aumentos salariais já concedidos. E voltou a defender a regulamentação do direito de greve do funcionalismo, além do corte de ponto em caso de paralisação. Seria mais do mesmo, em um dia de manifestação de grevistas do Incra dentro do Palácio do Planalto, não fosse uma frase perdida no meio do discurso da solenidade de lançamento do Plano Safra.

- Em quatro, oito ou 12 anos, é impossível fazer coisas que levam décadas ou séculos - alegou o presidente, numa de suas falas de improviso.

Lula não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo. A não ser que mude as regras do jogo ou - como ele mesmo já disse certa vez - "brinque com a democracia". Deve ter sido ato falho, diria a Constituição.

Durante a solenidade, os funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em greve desde 21 de maio, foram impedidos pela segurança do Planalto de exibir faixas de protesto.

*** Ataque ao bolso

O distinto público deve se preparar para a tunga: a única novidade que interessa ao Congresso, na tal "reforma política", é aprovar o financiamento público de campanha. Vamos pagar cartazes e santinhos dessa turma.

Os quatro cavalos do Apocalipse

Olavo de Carvalho, filósofo, Jornal do Brasil

Quando quatro livros de autores famosos são publicados quase ao mesmo tempo, defendendo opiniões substancialmente idênticas por meio da mesma técnica argumentativa, é óbvio que não estamos diante de um festival de coincidências, mas de uma campanha destinada a prosseguir por meios cada vez mais abrangentes e a alcançar resultados bem mais substantivos do que o frisson publicitário de um momento.

Se, ademais, esse esforço vem junto com medidas legais tomadas em vários países para dar imediata realização prática ao mesmo objetivo que os livros propõem como ideal e desejável - expelir a religião da vida pública - então é claro que o intuito dessas obras não é colocar nada em discussão, não é nem mesmo persuadir, é apenas legitimar a imposição de poder mediante uma camuflagem de debate público.

As contribuições pessoais dos senhores Sam Harris, Richard Dawkins, Daniel Dennett e Christopher Hitchens à guerra anticristã mundial destacam-se pela uniformidade com que apelam a uma técnica argumentativa inusitada, raríssima, tão contrastante com o seu prestígio, que a probabilidade de ter ocorrido espontaneamente aos quatro é de um infinitesimal tendente a zero. Chego a me perguntar se esses livros foram realmente escritos por seus autores nominais, se estes não se limitaram a dar acabamento a rascunhos preparados por algum engenheiro comportamental.

Esse modus arguendi, já conhecido dos antigos retóricos mas quase nunca usado em debates intelectuais, consiste em apresentar com ares de seriedade, e com o respaldo de uma credibilidade pessoal prévia, argumentos propositadamente indignos dela: vulgares, grosseiros e fundados numa ignorância monstruosa das complexidades do assunto.

À primeira vista o adversário (por exemplo, Michael Novak na National Review de maio) imagina que os quatro ficaram loucos, que, arrebatados pelo ódio, abdicaram de toda sofisticação intelectual e resolveram dar a cara a tapa.

Mas o tapa não os atinge. A técnica que empregam não se usa para vencer uma discussão, e sim para impossibilitá-la. Nenhuma discussão é viável sem a posse comum de um corpo de conhecimentos fundamentais sobre a matéria em debate. Se um dos lados se furta propositadamente a tratar do assunto no nível intelectual requerido, o interlocutor sério não tem alternativa senão explicar tudo desde o princípio, alongando-se em sutilezas que darão a penosa impressão de embromações pedantes e que o auditório, fundado na confiança usual que tem na autoridade do outro lado, muito provavelmente se recusará a ouvir. William Hazlitt, num ensaio clássico, já falava das "desvantagens da superioridade intelectual", mas não previu que elas se tornariam ainda maiores no confronto com a ignorância planejada. Nem mesmo os maiores trapaceiros ideológicos do século 20, um Sartre ou um Chomsky, se rebaixaram ao ponto de apelar a esse expediente e fazer da burrice uma ciência, como temia o nosso Rui Barbosa. A vida intelectual no mundo teve de perder o último vestígio de dignidade para que pudessem aparecer, no horizonte dos debates letrados, os quatro cavalos do Apocalipse.