SALÁRIO DE PRIMEIRA, COM SERVIÇOS DE QUINTA CATEGORIA
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Pois então, você já deve estar cansado desta putaria toda que os nossos parlamentares, entra semana, sai semana, estão sempre aprontando. Não um só dia que não se leia num jornal qualquer deste rincão bem amado e mal tratado, e que não encontre uma notícia sobre corrupção, desvio de recursos, falcatruas as mais diversas e sempre cometidas pela classe política. Claro, nem se está dizendo que “todos” sejam um porcaria. Por certo, se a gente tiver paciência de procurar e pesquisar, encontrará uma meia dúzia no meio de quase seiscentos que se salvam.
Considerando-se o tempo que estes senhores dedicam ao seu real trabalho, deve ser um recorde o quanto conseguem roubar em tão curto espaço de tempo. Sem dúvida, neste campo, além de criativos, são extremamente competentes.
Na verdade, eles deveriam trabalhar para o país que os elegeu. Por conta disto, da teoria do que deveriam executar, e não executam, criaram uma gama tão imoral de regalias e privilégios, que o seu salário base, acaba se tornando uma mera ajuda de custo, muito embora R$ 16,0 mil por mês, em 14 salários anuais, não é nada desprezível, até pelo contrário.
Hoje, divulgou-se que a renda média do trabalhador brasileiro, que é quem sustenta esta camarilha toda, elevou-se para coisa pouco mais de R$ 1,1 mil mensais, ou seja, mal chega a quatro salários mínimos. Eu disse a média, porque por certo há um exército de trabalhadores que ganham bem menos.
No Terra, divulgou-se um estudo feito pela Transparência Brasil, que dá bem a tônica da nossa mediocridade, o quanto estamos descendo e perdendo a noção de valor. Segue a notícia na íntegra, depois retornamos para os comentários.
Estudo: parlamentar custa 2.068 salários mínimos
Um estudo da ONG Transparência Brasil, apresentado nesta quarta-feira, aponta que o custo de cada parlamentar do Congresso brasileiro é de 2.068 salários mínimos (R$ 785.840) por ano. O valor é o mais alto entre 12 países observados, sendo mais do que o dobro do custo dos parlamentares mexicanos, que estão em segundo lugar na lista. Na Argentina, que tem um salário mínimo semelhante ao brasileiro, o custo é de 264 mínimos por ano.
O peso do Congresso do Brasil no bolso do contribuinte é maior do que o verificado em países de primeiro mundo como Itália e França. O Brasil lidera ainda o custo em relação ao PIB per capita, com 0,18% dos ganhos individuais dos brasileiros. Embora o Legislativo federal de outros países tenha orçamento superior, os valores pesam menos no bolso porque a renda também é maior.
De acordo com o estudo, em termos absolutos, o orçamento destinado à Câmara e ao Senado no Brasil só perde para os valores americanos.
No Brasil, Câmara e Senado consomem R$ 6,09 bilhões por ano, enquanto nos EUA esse gasto é de R$ 8,17 bilhões. A cifra no Brasil representa R$ 32,64 por habitante.
O estudo avaliou, além do Brasil, os orçamentos dos Congressos da Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Espanha, França, Grã-Bretanha, México e Portugal.
Para o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, os parlamentares brasileiros estão descolados da realidade nacional. "O presente levantamento reforça a percepção de que os integrantes das Casas legislativas brasileiras perderam a noção de proporção entre o que fazem e o País em que vivem", disse.
De acordo com o coordenador do estudo, Marcelo Soares, se o parlamento brasileiro tivesse os padrões de custo dos países europeus e do Canadá, poderia ter mais de 2 mil senadores e deputados, em vez dos atuais 594.
*
Reparem agora no seguinte: nossos parlamentares ganham salários acima de países de primeiro mundo, onde o PIB é maior que nosso, e a renda per capita, então nem se fala. Mas nossos parlamentares querem por querem ganhar o mesmo. Para fazerem o quê? Um trabalho de quinta categoria. Não fossem as regalias, os privilégios, a tal da imunidade manto sagrado para abrigá-los de prestarem contas à justiça por crimes sem nenhuma relação com o mandato, ainda assim, seria muito. Muito considerando-se o PIB e a renda média, e muito ainda pelo pouco que produzem e trabalham. E com tudo o que eles dispõem, ainda se acham do direito praticarem sua escancarada corrupção, que acaba não sendo punida. Sendo eles que fazem as leis, claro está que trataram de enredar os processos judiciais de mil e uma maneiras para evadir-se na indecente prescrição.
E se você acha que um dia isto possa mudar, leia a seguinte nota publicada na coluna do Cláudio Humberto:
Janene luta para ser julgado no Supremo
Está previsto para ser julgado hoje, no Supremo Tribunal Federal, um agravo regimental protocolado pelo ex-deputado José Janene (PP-PA). O ex-deputado que é acusado de crime contra a administração pública, desvio de verbas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Mas pelo fato de não ter sido reeleito nesta legislatura, o relator de seu processo declarou a incompetência do STF para julgá-lo. Janene quer que o processo continue no Supremo.
Pois é, e eles, mesmo sem mandato, depois de tudo que aprontaram, ainda querem aposentadoria gorda e milionária pelo não fizeram, e ainda ficarem imunes a terem que responder na justiça comum por seus crimes.
E depois que algum instituto de pesquisa estampa a corrupção do Congresso como vergonha nacional, e alguns oportunistas ficam declarando que o país não precisa do Congresso, eles querem ainda ficar indignados !
É bom que os principais líderes do Senado e da Câmara comecem a fazer valer suas lideranças para a reconstrução do mandato parlamentar. Rodadas de pizzas não podem mais ser aceitas sob pena e risco do Congresso ainda ser declarado irrelevante para a democracia. E não se assustem: tem muita gente por aí pensando desta forma.
Um Congresso enxovalhado sempre será um perigoso caminho do qual já saímos algumas vezes e não seria bom voltar. Acreditamos que a América Latina já tenha ditadores em demasia. Não precisa o Brasil querer alinhar-se à esta prática.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Pois então, você já deve estar cansado desta putaria toda que os nossos parlamentares, entra semana, sai semana, estão sempre aprontando. Não um só dia que não se leia num jornal qualquer deste rincão bem amado e mal tratado, e que não encontre uma notícia sobre corrupção, desvio de recursos, falcatruas as mais diversas e sempre cometidas pela classe política. Claro, nem se está dizendo que “todos” sejam um porcaria. Por certo, se a gente tiver paciência de procurar e pesquisar, encontrará uma meia dúzia no meio de quase seiscentos que se salvam.Considerando-se o tempo que estes senhores dedicam ao seu real trabalho, deve ser um recorde o quanto conseguem roubar em tão curto espaço de tempo. Sem dúvida, neste campo, além de criativos, são extremamente competentes.
Na verdade, eles deveriam trabalhar para o país que os elegeu. Por conta disto, da teoria do que deveriam executar, e não executam, criaram uma gama tão imoral de regalias e privilégios, que o seu salário base, acaba se tornando uma mera ajuda de custo, muito embora R$ 16,0 mil por mês, em 14 salários anuais, não é nada desprezível, até pelo contrário.
Hoje, divulgou-se que a renda média do trabalhador brasileiro, que é quem sustenta esta camarilha toda, elevou-se para coisa pouco mais de R$ 1,1 mil mensais, ou seja, mal chega a quatro salários mínimos. Eu disse a média, porque por certo há um exército de trabalhadores que ganham bem menos.
No Terra, divulgou-se um estudo feito pela Transparência Brasil, que dá bem a tônica da nossa mediocridade, o quanto estamos descendo e perdendo a noção de valor. Segue a notícia na íntegra, depois retornamos para os comentários.
Estudo: parlamentar custa 2.068 salários mínimos
Um estudo da ONG Transparência Brasil, apresentado nesta quarta-feira, aponta que o custo de cada parlamentar do Congresso brasileiro é de 2.068 salários mínimos (R$ 785.840) por ano. O valor é o mais alto entre 12 países observados, sendo mais do que o dobro do custo dos parlamentares mexicanos, que estão em segundo lugar na lista. Na Argentina, que tem um salário mínimo semelhante ao brasileiro, o custo é de 264 mínimos por ano.
O peso do Congresso do Brasil no bolso do contribuinte é maior do que o verificado em países de primeiro mundo como Itália e França. O Brasil lidera ainda o custo em relação ao PIB per capita, com 0,18% dos ganhos individuais dos brasileiros. Embora o Legislativo federal de outros países tenha orçamento superior, os valores pesam menos no bolso porque a renda também é maior.
De acordo com o estudo, em termos absolutos, o orçamento destinado à Câmara e ao Senado no Brasil só perde para os valores americanos.
No Brasil, Câmara e Senado consomem R$ 6,09 bilhões por ano, enquanto nos EUA esse gasto é de R$ 8,17 bilhões. A cifra no Brasil representa R$ 32,64 por habitante.
O estudo avaliou, além do Brasil, os orçamentos dos Congressos da Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Espanha, França, Grã-Bretanha, México e Portugal.
Para o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, os parlamentares brasileiros estão descolados da realidade nacional. "O presente levantamento reforça a percepção de que os integrantes das Casas legislativas brasileiras perderam a noção de proporção entre o que fazem e o País em que vivem", disse.
De acordo com o coordenador do estudo, Marcelo Soares, se o parlamento brasileiro tivesse os padrões de custo dos países europeus e do Canadá, poderia ter mais de 2 mil senadores e deputados, em vez dos atuais 594.
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Reparem agora no seguinte: nossos parlamentares ganham salários acima de países de primeiro mundo, onde o PIB é maior que nosso, e a renda per capita, então nem se fala. Mas nossos parlamentares querem por querem ganhar o mesmo. Para fazerem o quê? Um trabalho de quinta categoria. Não fossem as regalias, os privilégios, a tal da imunidade manto sagrado para abrigá-los de prestarem contas à justiça por crimes sem nenhuma relação com o mandato, ainda assim, seria muito. Muito considerando-se o PIB e a renda média, e muito ainda pelo pouco que produzem e trabalham. E com tudo o que eles dispõem, ainda se acham do direito praticarem sua escancarada corrupção, que acaba não sendo punida. Sendo eles que fazem as leis, claro está que trataram de enredar os processos judiciais de mil e uma maneiras para evadir-se na indecente prescrição.
E se você acha que um dia isto possa mudar, leia a seguinte nota publicada na coluna do Cláudio Humberto:
Janene luta para ser julgado no Supremo
Está previsto para ser julgado hoje, no Supremo Tribunal Federal, um agravo regimental protocolado pelo ex-deputado José Janene (PP-PA). O ex-deputado que é acusado de crime contra a administração pública, desvio de verbas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Mas pelo fato de não ter sido reeleito nesta legislatura, o relator de seu processo declarou a incompetência do STF para julgá-lo. Janene quer que o processo continue no Supremo.
Pois é, e eles, mesmo sem mandato, depois de tudo que aprontaram, ainda querem aposentadoria gorda e milionária pelo não fizeram, e ainda ficarem imunes a terem que responder na justiça comum por seus crimes.
E depois que algum instituto de pesquisa estampa a corrupção do Congresso como vergonha nacional, e alguns oportunistas ficam declarando que o país não precisa do Congresso, eles querem ainda ficar indignados !
É bom que os principais líderes do Senado e da Câmara comecem a fazer valer suas lideranças para a reconstrução do mandato parlamentar. Rodadas de pizzas não podem mais ser aceitas sob pena e risco do Congresso ainda ser declarado irrelevante para a democracia. E não se assustem: tem muita gente por aí pensando desta forma.
Um Congresso enxovalhado sempre será um perigoso caminho do qual já saímos algumas vezes e não seria bom voltar. Acreditamos que a América Latina já tenha ditadores em demasia. Não precisa o Brasil querer alinhar-se à esta prática.