Guilherme Fiúza, Política & Cia, NoMínimo
Seja qual for o fim da novela, Renan Calheiros já fez gato e sapato do Conselho de Ética do Senado. Talvez, hoje, o conselho mais ético que se poderia dar aos senadores seria: fechem essa birosca.
Seria um grito de moralidade, mas seria uma facada na democracia. São as contradições da liberdade. Tapem o nariz diante das manobras calheiras, ou melhor, canhestras do presidente do Senado, mas celebrem o desenrolar normal do jogo.
É normal pressionar os membros do Conselho de Ética em favor de Renan? É. Política é isso. Embate de forças, tiroteio de influências, jogo de pressões. A democracia não é um jogo de dama num convento. Conflitos da sociedade inteira explodem dentro do parlamento. Pode haver hegemonia governamental, pode haver abusos econômicos, pode até haver corrupção. Mas nem sempre. O caso Collor está aí para provar do que o Congresso é capaz.
O que causa estranheza é o silêncio do Supremo Tribunal Federal diante da festa junina em que se transformou o Conselho de Ética. Estranheza não pelo que deveria acontecer, mas pelo que vem acontecendo na política brasileira nos últimos anos.
Desde o mensalão – quando Nelson Jobim, que na presidência do Supremo foi um excelente deputado, mandou e desmandou no processo de José Dirceu na Câmara – os parlamentares agem como crianças no playground esperando a ordem do síndico do STF. No caso Dirceu, um dos maiores vexames institucionais do Brasil recente, a interferência do Judiciário foi festejada pelos bem pensantes.
Os gritos legalistas e virtuosos saudavam os corretivos aplicados pela corte suprema no arraial da politicagem. Santa inocência. Por trás do verniz legalista, o presidente do STF, Nelson Jobim, candidato a candidato a vice de Lula, fazia a mais rasteira das politicagens.
Jobim pintou e bordou. Nunca se vira o juiz máximo do país com tantos trejeitos, tiradas, ironias e manobras. Tudo para tentar refrescar a vida de Dirceu no Congresso.
O Brasil aplaudiu, sem entender que estava ajudando a avacalhar a autonomia do Congresso Nacional. O instituto do julgamento político, sem o qual Fernando Collor continuaria liderando o famigerado esquema PC no topo da República, foi atropelado pelas mentes apolíneas. Só se ouvia que a Justiça tinha que botar ordem na política. Daí para frente, foi festa.
Em vários casos importantes, como a CPI do apagão aéreo, os meninos no playground foram perguntar ao síndico o que fazer. O síndico mandou fazer a CPI, atendendo ao clamor das arquibancadas. Uma salada de populismo com libertinagem institucional. Aliás, caberia perguntar para que serve a CPI do apagão aéreo.
O Brasil brincou com fogo, debilitando gravemente um dos três poderes da República. O curioso é que, depois de mais do que arrombada a porta, o caso Renan Calheiros não excitou os legalistas e os virtuosos.
Quando todos sabem que o político alagoano rege uma farsa histórica para travar seu processo no Conselho de Ética, com cenas pastelão como a renúncia “indignada” do acreano Sibá Machado da presidência do Conselho e a falta de um relator para tocar os trabalhos elementares, não há nem sinal de intervenção do Supremo Tribunal Federal.
Seria muito bom, se não fosse muito estranho. Talvez até, quem sabe, esteja começando aí uma regeneração institucional por vias tortas. Mas por enquanto, o que parece estar acontecendo é uma das maiores operações cala boca da história recente da República. Nem o síndico piou.
Seja qual for o fim da novela, Renan Calheiros já fez gato e sapato do Conselho de Ética do Senado. Talvez, hoje, o conselho mais ético que se poderia dar aos senadores seria: fechem essa birosca.
Seria um grito de moralidade, mas seria uma facada na democracia. São as contradições da liberdade. Tapem o nariz diante das manobras calheiras, ou melhor, canhestras do presidente do Senado, mas celebrem o desenrolar normal do jogo.
É normal pressionar os membros do Conselho de Ética em favor de Renan? É. Política é isso. Embate de forças, tiroteio de influências, jogo de pressões. A democracia não é um jogo de dama num convento. Conflitos da sociedade inteira explodem dentro do parlamento. Pode haver hegemonia governamental, pode haver abusos econômicos, pode até haver corrupção. Mas nem sempre. O caso Collor está aí para provar do que o Congresso é capaz.
O que causa estranheza é o silêncio do Supremo Tribunal Federal diante da festa junina em que se transformou o Conselho de Ética. Estranheza não pelo que deveria acontecer, mas pelo que vem acontecendo na política brasileira nos últimos anos.
Desde o mensalão – quando Nelson Jobim, que na presidência do Supremo foi um excelente deputado, mandou e desmandou no processo de José Dirceu na Câmara – os parlamentares agem como crianças no playground esperando a ordem do síndico do STF. No caso Dirceu, um dos maiores vexames institucionais do Brasil recente, a interferência do Judiciário foi festejada pelos bem pensantes.
Os gritos legalistas e virtuosos saudavam os corretivos aplicados pela corte suprema no arraial da politicagem. Santa inocência. Por trás do verniz legalista, o presidente do STF, Nelson Jobim, candidato a candidato a vice de Lula, fazia a mais rasteira das politicagens.
Jobim pintou e bordou. Nunca se vira o juiz máximo do país com tantos trejeitos, tiradas, ironias e manobras. Tudo para tentar refrescar a vida de Dirceu no Congresso.
O Brasil aplaudiu, sem entender que estava ajudando a avacalhar a autonomia do Congresso Nacional. O instituto do julgamento político, sem o qual Fernando Collor continuaria liderando o famigerado esquema PC no topo da República, foi atropelado pelas mentes apolíneas. Só se ouvia que a Justiça tinha que botar ordem na política. Daí para frente, foi festa.
Em vários casos importantes, como a CPI do apagão aéreo, os meninos no playground foram perguntar ao síndico o que fazer. O síndico mandou fazer a CPI, atendendo ao clamor das arquibancadas. Uma salada de populismo com libertinagem institucional. Aliás, caberia perguntar para que serve a CPI do apagão aéreo.
O Brasil brincou com fogo, debilitando gravemente um dos três poderes da República. O curioso é que, depois de mais do que arrombada a porta, o caso Renan Calheiros não excitou os legalistas e os virtuosos.
Quando todos sabem que o político alagoano rege uma farsa histórica para travar seu processo no Conselho de Ética, com cenas pastelão como a renúncia “indignada” do acreano Sibá Machado da presidência do Conselho e a falta de um relator para tocar os trabalhos elementares, não há nem sinal de intervenção do Supremo Tribunal Federal.
Seria muito bom, se não fosse muito estranho. Talvez até, quem sabe, esteja começando aí uma regeneração institucional por vias tortas. Mas por enquanto, o que parece estar acontecendo é uma das maiores operações cala boca da história recente da República. Nem o síndico piou.