quinta-feira, junho 28, 2007

Aeronáutica dá razão a controladores de vôo

Fernando Exman, Jornal do Brasil

Discutido ontem em reunião fechada da CPI do Apagão Aéreo do Senado, documento sigiloso da Aeronáutica comprova a fragilidade do sistema de controle de vôos e das fronteiras do país. Produzido em novembro de 2005, o relatório revela que os sistemas de comunicações, navegação e vigilância têm limitações. E diz que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força (Decea) registra déficit de equipamentos e pessoal.

Além disso, os mapas usados na aviação brasileira não têm boa qualidade e o aumento da demanda prejudica o uso de alguns aeroportos e parte do espaço aéreo, conforme o texto. O teor destoa das declarações de oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB), e repetidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que têm rebatido as acusações dos profissionais da área de que o sistema brasileiro de controle de vôos tem imperfeições.

- Venho dizendo que há fragilidades no sistema há muito tempo. A falta de equipamentos e pessoal é uma realidade. É cômodo colocar a culpa na falha humana - disse o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, em referência às investigações do acidente que envolveu o Boeing da Gol e o Legacy. - Não queremos desmoralizar o Brasil, e sim que as coisas funcionem da melhor maneira possível.

Presidente da Infraero, o tenente-brigadeiro José Carlos Pereira disse que as informações contidas nos relatórios não causam preocupação. Hoje, complementou, a prioridade do governo deve ser a ampliação de pessoal e o investimento na qualificação de técnicos e controladores de vôos.

- A Aeronáutica chama a atenção do nível de obsolescência, mas, como é um documento de 2005, várias observações colocadas já foram corrigidas. Saio absolutamente tranqüilo da reunião - disse Pereira. - Mas os problemas logísticos são evidentes.

O relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), declarou que uma das conclusões do debate sobre o documento apresentado pela Aeronáutica é a necessidade de ampliação dos investimentos públicos no setor.

- Tem que botar dinheiro no Ministério da Defesa para que a Aeronáutica tenha como enfrentar o caos aéreo.

Trabalham no Decea 2.285 controladores de vôos militares e 58 civis. Até o início do próximo ano, a Aeronáutica espera obter um reforço de 523 novos controladores (299 militares e 224 civis). As novas contratações ficarão aquém da necessidade, que é de 600 novos controladores. De janeiro até sexta-feira, o governo investiu R$ 33,5 milhões na área, R$ 13,9 milhões a mais do que o verificado no mesmo período do ano passado.

- Pessoalmente, digo que é absolutamente seguro voar no país, mas é evidente que a aviação é uma atividade em que podem ocorrer acidentes - disse Pereira. - Os sistemas atendem hoje a demanda. Mas, se não forem ajustados, entrarão em obsolescência rapidamente.

Sob a alegação de que o relatório deve permanecer sob sigilo por questões de segurança nacional, a sessão de ontem da CPI foi fechada ao público. Além dos parlamentares que integram a comissão e o presidente da Infraero, participaram da reunião o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e os diretores do Decea e do Departamento de Política de Aviação Civil do Ministério da Defesa, respectivamente o major-brigadeiro Ramon Borges Cardoso e Rigobert Lucht. Os representantes da Anac, Aeronáutica e do Ministério da Defesa não concederam entrevistas.