Adelson Elias Vasconcellos
Segundo a máfia do crime organizado, fazer dossiês pode!!!
Reportagem de Alexandre Oltramari,Revista VEJA, traz à tona a obsessão petista para montagem de dossiês com o propósito de intimidar, chantagem pura e simples contra adversários políticos.
Segundo a máfia do crime organizado, fazer dossiês pode!!!
Reportagem de Alexandre Oltramari,Revista VEJA, traz à tona a obsessão petista para montagem de dossiês com o propósito de intimidar, chantagem pura e simples contra adversários políticos.
Não sei se a tática foi importada da antiga URSS, em que o regime soviético tinha nos dossiês poderosa arma para destruir seus adversários. O fato é no Brasil, Lula incorporou o amor por dossiês com objetivos criminosos desde os seus tempos de líder sindical, ainda na ditadura militar. Sabe-se de sua inúmeras visitas ao prédio do DOPS para dedurar sindicalistas que não se afinavam com ele.
E desde sua fundação, a estratégia de usar-se dossiês comprometedores foi incorporado à cultura petista. Muito jornalista foi municiado com informações que se dizia “de cocheira” para plantar encrencas. A aproximação do PT junto aos funcionalismo público federal, além do interesse do comércio sindical, também ia em busca de informações que lhe pudesse ser útil contra os governantes e seus assessores, incluindo ministros.
Semana passada, o ministro tarso Genro surpreendeu o Brasil inteiro quase, com uma entrevista repugnante concedida ao Correio Braziliense. Para ele a montagem de dossiês não configura crime, é saudável e necessário segundo opina o Ministro.
Bem, montar dossiês, de fato, não configura crime algum. Contudo, o uso criminoso que faz com a coletânea de documentos que se junta na composição dos dossiês é crime, sim senhor. Ou chantagem não é mais crime ? Só se for no código de pouca moral do ministro da justiça, porque no código dos homens sempre foi e sempre será crime. E dos mais odientos, diga-se de passagem.
Na reportagem se aponta o histórico de um crime que o PT comete faz tempo. Na verdade, o que se lê ali são os dossiês que a gente sabe, quantos mais existirão ocultos do conhecimento público mas que podem ter sido utilizados como ferramenta de chantagem? Mas não é apenas isto, podemos recordar o inferno que viveu o caseiro Francenildo, quando resolveu testemunhar apenas a verdade, e teve de parte de um ministro da Fazenda, numa atitude repulsiva e ilegal, seu sigilo bancário quebrado, afora a perseguição que depois sofreu para trabalhar e sobreviver, isto, reparem bem, porque resolveu falar a verdade.
Vocês acham pouco? Pois então o que se dizer do “auditor” contratado para invadir e investigar o PSDB?
Na ordem, vocês também verão em reportagens da revista Época o auditor infiltrado no PSDB e a devassa da Receita Federal fez em todos os partidos, PSDB e DEM principalmente, em represália às denuncias de caixa 2, coisa que de resto o próprio partido admitiu como “recursos não contabilizados” (lembram?), e que o governo usando os órgãos de fiscalização do Estado, como instrumentos de intimidação e chantagem, para que seus crimes sejam acobertados e não divulgados para a sociedade.
Dizer-se que “todos” fazem o que o PT é apenas a alegoria com a qual se tenta cooptar a classe política para manter tudo debaixo do tapete. Se erros há, se fatos ilegais ocorrem, que então se investiguem com critério, ao rigor da legislação, e que se houver culpados que respondam por seus delitos. Outra coisa, porém, é a montagem cafajeste de “dossiês, com a junção de documentos que indicam suspeitas de ações delituosas e se barganhem na base “se você me investigar, eu divulgo isto aqui”. Para quem não caráter nem moral, a ação pode até sorrir como mera necessidade do jogo político. Mas, à luz do estado de direito, se um lado está errado, não menos errado também estará, e duplamente: uma, porque adotou as mesmas práticas ilegais dos demais partidos, e segunda, porque se valeu do erro de um para evadir-se à investigação e ocultação de seus próprios delitos.
O interessante é que os critérios com que se “apuram” fatos através dos órgãos fiscalizadores, é que nos deixa perplexos. A começar, porque, ao arrepio da lei, se quebram sigilos para a montagem de dossiês criminosos, e depois, o critério de punição para um, não é o mesmo que se emprega para outro. Apenas para um exemplo, enquanto o PT escondeu de sua contabilidade R$ 50,0 milhões de empréstimos, e foi por isso multado em R$ 2,0 milhões, o PSDB por irregularidades em notas fiscais que contabilizou no valor de R$ 476,0 mil, foi multado em R$ 7,0 milhões !!! Ou a multa do PSDB se trata de um exagero descomunal, ou a multa do PT foi, assim dizer... “sub-faturada”. Não se pode é querer que se engula que os critérios tenham sido os mesmos.
Vale lembrar que, no caso em que se utilizou a Receita como forma de represália para quem denunciou o mensalão do PT, do mesmo modo como se tentou fraudar a eleição de 2006 com um dossiê anti-Serra, agora se tenta ocultar o crime da farra de gastos com cartões de créditos corporativos, principalmente, com o montante sacado em dinheiro vivo. Isto não apenas uma prática eventual, trata-se de um método de Estados policiais e ditatoriais, onde se atende as leis de acordo com os caprichos e conveniências do partido no poder.
E no que isto interfere na vida dos cidadãos comuns do país? Bem, a prática escandalosa de um governo usar o Estado como instrumento de poder provoca em todos nós total insegurança. Qualquer pessoa que entender ser direito discordar, criticar ou até denunciar crimes cometidos pelo Poder Público, poderá sentir a mão vingadora deste mesmo poder sobre si, ao arrepio da lei, esbulhando completamente a inviolabilidade do cidadão, invadindo as liberdades e garantias individuais. É inevitável que, num cenário degradante destes, o esbirro autoritário se sente tentado a degradar também todas as instituições estabelecidas, desde que estas não se curvem às suas infames vontades.
Fica claro que as esquerdas, ao se posicionarem contrárias à ditadura militar, não tinham em mente o restabelecimento da democracia. Sua ambição era outra. Que a ditadura permanecesse, apenas que com outro tônus ideológico. Porque, para quem não limita e molda suas ações nos ditames e espectros legais que o estado de direito democrático impõem a todos de forma igualitária, a democracia torna-se apenas uma cortina de fumaça com que se ilustram para efeitos externos.
Portanto, inadmissível num país sério que um ministro de estado, e ainda mais sendo da Justiça, vir a público afirmar com todas as letras que a prática do dossiê criminoso não configura nenhuma ilegalidade e que até se torna necessário para o jogo político. Não suportaria a pressão negativa e seria demitido. Aqui, o canalha acaba se tornando figura de folclore. É bom lembrar,por exemplo, que a simples bisbilhotice durante a campanha eleitoral, no comitê de campanha do adversário, custo a Richard Nixon a própria presidência.
Abaixo, então, seguem as três reportagens a que nos referimos: a da Revista VEJA sobre a declaração ignominiosa do ministro de Justiça, as reportagens da Revista Época sobre o “infiltrado” do PT na devassa feita no PSDB e a da Folha de São Paulo sobre as multas que a Receita sem critério aplicou no PSDB e no PT, e de como informações que se deveriam manter sigilosas, “vazaram” para a imprensa.
E não se enganem: o país vive sim uma total degradação nos costumes e práticas nas esferas do poder com um único objetivo, a da manutenção do próprio poder nas mãos de verdadeiros caudilhos, para quem os limites das leis não existem para tolher suas práticas repulsivas e criminosas. E isto vale para quem quer que seja que contra eles se indisponha. Assim, sendo o Judiciário o último bastião a garantir a legalidade, devem as oposições, imediatamente, buscar sua guarida. Muito embora conste na Constituição Federal que, ao Poder Legislativo compete fiscalizar os atos do Poder Executivo, o que se passa no país é justamente a inversão deste mandamento. Não apenas o Executivo é quem fiscaliza o Legislativo, mas também é quem determina sua própria agenda, o que deve e o que não deve ser votado e aprovado. Para tanto, o passaporte empregado é o das verbas, dos cargos e dos favores e, quando isto não é possível, acena-se com dossiês como instrumento de se colocar os opositores subservientes aos interesses nem sempre públicos e nem sempre legais do Executivo.





