Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Para a manutenção da atualidade do blog, sempre fazemos uma pesquisa na mídia. Nossas fontes estão aí lado, nos links recomendados. Contudo, nem sempre na pressa de querer informar, caímos em armadilhas de notícias de veracidade duvidosa. Muitas vezes, esperamos que outras fonts apresentem o outro lado dos fatos, para fruto das inevitáveis comparações, tirarmos uma conclusão e externar uma opinião sobre este ou aquele fato.
Assim, ficamos surpresos diante de matéria veiculado tanto no site da BBC Brasil quanto nos principais jornais, quanto a uma pesquisa feita pela ONU, dando conta de que São Paulo registrara, em 2006, 1% dos homicídios do mundo. Baseada em que fonte a ONU extraiu seu material e fundamentou sua conclusão, isto a notícia não divulgara.
A surpresa se deve ao fato de que, no calor dos ataques do PCC em São Paulo, em plena campanha eleitoral de 2006, dados oficiais da Secretaria de Segurança de São Paulo bem como do Ministério da Justiça, desmentiam esta “conclusão”.
Sabia-se que tanto a criminalidade vinham caindo ano a ano, bem como a população carcerária crescia em ritmo inverso. Nos jornais de hoje, nenhum desmentido. Todos se escancaravam em divulgação o estudo da ONU. Quando já estávamos levando os dados que divulgamos aqui mesmo, eis que o excelente, e sempre impecável Reinaldo Azevedo, matou a charada.
Os dados não eram de 2006, e sim de 2002, portanto, defasados em pelo menos 4 anos. Depois, o tal estudo da ONU se fundamentara em um artigo de um jornalista argentino. Bingo. A ONU pagara um mico vexatório, a partir de um estudo que, convenhamos, mereceria de parte de seus divulgadores, um melhor cuidado, e uma pesquisa mais aprofundada e séria.
A certa altura, Reinaldo informa a fonte da ONU. Segue trecho:
Atenção!
Para a manutenção da atualidade do blog, sempre fazemos uma pesquisa na mídia. Nossas fontes estão aí lado, nos links recomendados. Contudo, nem sempre na pressa de querer informar, caímos em armadilhas de notícias de veracidade duvidosa. Muitas vezes, esperamos que outras fonts apresentem o outro lado dos fatos, para fruto das inevitáveis comparações, tirarmos uma conclusão e externar uma opinião sobre este ou aquele fato.
Assim, ficamos surpresos diante de matéria veiculado tanto no site da BBC Brasil quanto nos principais jornais, quanto a uma pesquisa feita pela ONU, dando conta de que São Paulo registrara, em 2006, 1% dos homicídios do mundo. Baseada em que fonte a ONU extraiu seu material e fundamentou sua conclusão, isto a notícia não divulgara.
A surpresa se deve ao fato de que, no calor dos ataques do PCC em São Paulo, em plena campanha eleitoral de 2006, dados oficiais da Secretaria de Segurança de São Paulo bem como do Ministério da Justiça, desmentiam esta “conclusão”.
Sabia-se que tanto a criminalidade vinham caindo ano a ano, bem como a população carcerária crescia em ritmo inverso. Nos jornais de hoje, nenhum desmentido. Todos se escancaravam em divulgação o estudo da ONU. Quando já estávamos levando os dados que divulgamos aqui mesmo, eis que o excelente, e sempre impecável Reinaldo Azevedo, matou a charada.
Os dados não eram de 2006, e sim de 2002, portanto, defasados em pelo menos 4 anos. Depois, o tal estudo da ONU se fundamentara em um artigo de um jornalista argentino. Bingo. A ONU pagara um mico vexatório, a partir de um estudo que, convenhamos, mereceria de parte de seus divulgadores, um melhor cuidado, e uma pesquisa mais aprofundada e séria.
A certa altura, Reinaldo informa a fonte da ONU. Segue trecho:
Atenção!
Agora vem o dado mais escandaloso. Lembram-se o que escreveu Chade? Rememoro: “O levantamento compila e avalia, pela primeira vez, cerca de 200 estudos já produzidos nos últimos anos sobre violência pela ONU e outras instituições. Os dados são de anos distintos e baseados também em informações da imprensa.” O jornalista não mentiu, mas a ONU sim. Os dados acima NÃO PERTENCEM A 2006 PORCARIA NENHUMA. Vejam acima o que está escrito em vermelho: “Fonte: Esnal”.
Esnal? Chegamos ao ponto. TODOS OS NÚMEROS, rigorosamente todos, saíram de uma reportagem do jornalista argentino Luis Esnal, correspondente do jornal La Nacion no Brasil. Entendam: não estou dizendo que a ONU usou ALGUNS DADOS SEUS. Estou afirmando que usou TODOS. E de uma única reportagem.
E Reinaldo prossegue, informando os verdadeiros números que a ONU poderia ter tido acesso se tivesse tido o cuidado de pesquisar melhor, e em fontes mais confiáveis.
É o próprio Reinaldo em seu texto quem põe luz nos dados. Leiam:
Mas ainda não chegamos ao núcleo da bobagem. Desde 1999, vem caindo brutalmente o número de assassinatos em São Paulo. Entre 2002 e 2007, em razão de muitos fatores (eficiência da polícia e aumento brutal de vagas em presídios, entre elas), DESPENCOU o número de homicídios no estado. É inferior a um terço daquilo que diz a ONU. E, neste caso, alivie-se a barra também do jornalista argentino. Ele deixou claro que trabalhava com dados de 2002 (embora superestimados). Quem disse que eles eram de 2006 foi a ONU. E o jornalismo caiu na conversa. Eis o número de homicídios no Estado de São Paulo de 1999 a 2006 por 100 mil habitantes:
1999 - 52,58
2000 - 51,23
2001- 49,3
2002 - 43,73
2003 - 40,2
2004 - 31,54
2005 - 22,99
2006 - 18,39
Fonte: Secretaria de Segurança Pública
A própria ONU já chegou a elogiar o desempenho de São Paulo neste particular. Observem: em sete anos, houve uma redução de 65% no número de assassinatos. E isso traduz o sucesso da política de segurança pública, e não o contrário. O crime do documento da ONU, reproduzido bovinamente pelo jornalismo, está em tratar com menosprezo uma política que tem sido eficiente. E não por acaso.
(Clique aqui para o texto completo)
Restabelecida a verdade, vamos ver quanto levará para a imprensa “acordar” e parar de fazer manchete sensacionalista, e o que é pior, repassando para seus leitores a desinformação.
Claro que muitos caíram na armadilha. Porém, é indesculpável que não se tenha um mínimo cuidado em se divulgar um estudo que contraria a própria memória da situação real, uma vez que os números reais foram divulgados há menos de um ano, portanto, estão bastante vivos para que possam ignora-los diante da desinformação absurda.
Assim, o mínimo que se pode esperar é que o pessoal da ONU refaça a análise e se desculpe pela falsa matéria.