Janio De Freitas, Folha de SPaulo
Além da discurseira de Lula, estão programadas nesta semana três animações da brasilidade contemporânea
De tédio, a semana não nos sufocará. Além da sempre esperável discurseira de Lula para nos trazer humor ou oportunidade de repor as coisas onde se mostram de fato, estão programadas três animações da brasilidade contemporânea. O que não impede, até incentiva, o surgimento também de animações não agendadas.
Além da discurseira de Lula, estão programadas nesta semana três animações da brasilidade contemporânea
De tédio, a semana não nos sufocará. Além da sempre esperável discurseira de Lula para nos trazer humor ou oportunidade de repor as coisas onde se mostram de fato, estão programadas três animações da brasilidade contemporânea. O que não impede, até incentiva, o surgimento também de animações não agendadas.
Já na manhã de hoje o Conselho de Ética do Senado tem reunião marcada para discutir habilidades de Renan Calheiros. O interesse da sessão cresce se a acompanharmos como um jogo de adivinhação. O fato de que há um mês ninguém aceite ser relator de nenhuma das representações restantes contra Calheiros, daí advindo até a necessidade de cancelar reuniões agendadas, indica uma ou várias armações em curso ou já concluídas, mas ainda não desvendadas para a curiosidade externa. Recomenda-se, a propósito, alguma precaução diante de explicações imediatas, sejam de senadores ou de jornalistas, dois tipos em que os ares brasilienses estimulam a criatividade quando sobra interesse, nos primeiros, e falta matéria-prima aos segundos.
Há também o jantar oferecido por Lula às eminências, ou nem tanto, do empreendimento que é chamado de base governista no Senado. Jantar de negócios entre homens de negócio. Como o próprio Lula disse, referindo-se a "negociações com o PMDB", as quais estão explicitadas quanto ao que o PMDB quer vender e ao seu preço, assim como à fraqueza com que Lula e o governo pagam sempre, depois de fingir certa resistências, mas já de joelhos.
O mais interessante do jantar de negócios está em dois pontos. Um é verificar se o apetite do PMDB, ao ver a mesa que Lula lhe pôs com aflita rapidez, cresceu além de uma diretoria da Petrobras e mais sete cargos importantes, inclusive na Funai tão significativa para grandes grileiros. O outro ponto é a capacidade de Lula resistir, ou não, à decisão de só quitar "os acordos", como ele diz, depois de concluídas as votações da CPMF na Câmara (onde falta uma) e no Senado (faltam as duas). As desconfianças são mútuas, mas a determinação é diferente entre as duas partes.
E a semana ainda prevê uma sessão do Supremo Tribunal Federal para decidir se o mandato pertence ao eleito ou, como interpretou o Tribunal Superior Eleitoral, ao partido. Ou seja, se a multidão de eleitores do Clodovil votou nele ou no seu obscuro partido; se a votação recordista em Enéas, na legislatura anterior, foi dada ao próprio ou ao desconhecido Prona que com ele nasceu e com ele desapareceu. Ou, ainda, se o pessoal dos Jardins paulistanos que apóia o senador Suplicy vota nele ou no PT, cuja estima por ali se conhece bem.
De sobremesa, na decisão do Supremo, haverá o problema da retroatividade, ou não, se confirmada a vontade do TSE: a retroatividade faria os deputados e senadores que mudaram de partido a perderem os mandatos, a serem devolvidos aos seus partidos anteriores. Uma bela bagunça a mais.