terça-feira, abril 07, 2020

Brasil tem 553 mortes e 12.056 casos confirmados de coronavírus

Gilson Garrett Jr., , Exame.com
Com informações  Estadão Conteúdo

Nesta segunda-feira, 5, São Paulo aumentou a validade da quarentena em todo o estado e agora vai até 22 de abril



Com 926 novos casos confirmados em um dia, o Brasil contabiliza tem 12.056 infectados pelo coronavírus (causador da covid-19), segundo dados do Ministério da Saúde divulgados nesta segunda-feira, 6. Desde o dia 31 de março, diariamente as novas infecções confirmadas passam ou chegam perto de mil.

Os óbitos confirmados cresceram quase 70 em 24 horas. No belim de domingo, 5, eram 486 e agora são 553. Assim como nos últimos relatórios de atualização dos dados da pandemia no país, a taxa de letalidade vem subindo e agora está em 4,6%.

A maior parte das mortes (cerca de 90%) ainda é de pessoas com mais de 60 anos e com algum problema de saúde pré-existente.

O Ministério da Saúde apresentou um comparativo que mostra a evolução do coronavírus no Brasil. “Levamos 17 dias para atingir 100 casos, sete dias para atingir 1.000 casos e 14 dias para atingir 10.000 casos confirmados”, disse o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira.

Segundo dados da pasta, no mundo, o Brasil está em 15° no número de confirmados. Em relação às mortes, o país é o 13°. Em primeiro lugar está os Estados Unidos, com 327.848 infectados, seguido da Espanha, com 130.759. No mundo já são mais de 1.252.982 de infectados e 64.478 mortes.

Número são maiores

Os números são de registros oficiais, mas projeções matemáticas sugerem que eles representam apenas 10% do total real de infectados.

Para calcular o número real de casos de coronavírus no País, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, vai usar uma metodologia similar à de pesquisas eleitorais.

Os testes começam em 15 dias, e antes do fim de maio o país já deve ter uma dimensão mais clara da epidemia.

Originalmente, o objetivo do projeto era fazer o levantamento de forma experimental somente no Rio Grande do Sul, com financiamento de R$ 1 milhão do Instituto Serrapilheira.

Mas o Ministério da Saúde logo percebeu o potencial da ideia. Antes que os técnicos fossem a campo no Sul, firmou um contrato para uma pesquisa de abrangência nacional. Será o primeiro estudo no Brasil a estimar o número de infectados com maior precisão.

SP amplia quarentena

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta segunda-feira, 6, que vai ampliar a quarentena nos 645 municípios paulistas por mais 15 dias, até 22 de abril, sem flexibilização. As medidas de isolamento começaram no estado no dia 24 de março e teriam validade até esta terça-feira, 7.

Na data do primeiro decreto de quarentena, que começou no dia 21 de março, o estado paulista tinha 810 casos confirmados da doença e 40 mortes. Nos dados do último domingo, 5, havia 4.620 pacientes com a doença confirmada e 275 óbitos em São Paulo, o que é um aumento de propagação da doença de 900% desde o início da quarentena.

Segundo o secretário de Saúde, José Henrique Germann, sem as medidas de isolamento, a estimativa do governo era de um resultado dez vezes pior do que o cenário de agora.


O que acontece com seu corpo quando você pega coronavírus?





Não importa onde você vive, certamente a sua vida já foi afetada de alguma maneira pela pandemia de coronavírus que vem causando pânico no mundo inteiro. 

A Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, é nova no mundo da medicina, e por isso muitos médicos e pesquisadores têm dificuldade em traçar estratégias de combate ao patógeno. 

Fontes:

 Visão geral sobre o coronavírus, sintomas e grupos de risco: https://www.who.int/health-topics/cor...

Visão geral sobre a ação dos vírus através das proteínas ACE2 para infectar células humanas:

Estudo sobre perda da função pulmonar em casos graves recuperados:

Estudo sobre outros efeitos além da pneumonia no corpo humano: 

CORONAVÍRUS - ENTENDA COMO FUNCIONA UM VÍRUS (DOCUMENTÁRIO)




Leandro Gamex: https://www.youtube.com/channel/UCBoc...

✦Os vírus são seres muito simples e pequenos, formados basicamente por uma cápsula proteica envolvendo o material genético, que, dependendo do tipo de vírus, pode ser o DNA, RNA ou os dois juntos. A palavra vírus vem do Latim vírus que significa fluído venenoso ou toxina. 

✦Obrigado por assistir. Deixe seu gostei, compartilhem e inscrevam-se isso ajuda muito.Obrigado vocês são incríveis!!! 

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9 coisas que os cientistas ainda não sabem sobre o coronavírus

James Gallagher
Da BBC News


 Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption 
As centenas de milhares de casos confirmados em todo o mundo 
são apenas uma fração do total de infecções

Parece que foi há muito tempo, mas o mundo só tomou conhecimento do novo coronavírus em dezembro passado.

Apesar dos esforços de cientistas em todo o mundo, ainda há muito que não entendemos sobre ele e, agora, todos de certa forma fazemos parte de um experimento em todo o planeta na busca por essas respostas.

Aqui estão algumas das principais questões pendentes.

1. Quantas pessoas foram infectadas


É uma das perguntas mais básicas, mas também uma das mais cruciais.

Há mais de um milhão de casos confirmados em todo o mundo, mas isso é apenas uma fração do total de infecções. E os números são ainda mais confusos por causa do contingente ainda desconhecido de casos assintomáticos — pessoas que têm o vírus, mas não se sentem doentes.

Os testes que detectam anticorpos permitirão aos pesquisadores saber se alguém já teve o vírus. Somente então entenderemos quão longe ou quão facilmente o coronavírus está se espalhando.

2. Quão letal o novo coronavírus realmente é


Até sabermos quantos casos houve, é impossível ter certeza da taxa de letalidade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 3,4% das pessoas infectadas pelo vírus morrem, mas há cientistas que estimam que esse índice gire em torno de 1%.

Mas, se houver um grande número de pacientes assintomáticos, a taxa pode ser ainda menor.

3. Quais são todos os sintomas


Os principais sintomas do coronavírus são febre e tosse seca. Dor de garganta, dor de cabeça e diarreia também foram relatados em alguns casos, e há indícios crescentes de que alguns perdem o olfato.

Mas a questão mais importante é se sintomas leves da gripe, como coriza ou espirros, estão presentes em alguns pacientes.

Estudos apontam que essa é uma possibilidade e que, assim, pessoas estariam infectadas pelo novo coronavírus sem saber disso.

4. O papel que as crianças desempenham na propagação do vírus


As crianças podem definitivamente pegar o coronavírus. No entanto, geralmente desenvolvem sintomas leves, e há relativamente poucas mortes entre crianças em comparação com outras faixas etárias.

As crianças normalmente são superdisseminadoras de doenças, em parte porque entram em contato com muitas pessoas (geralmente no playground), mas, com esse vírus, não está claro até que ponto elas ajudam a espalhá-lo.

 Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption 
Até sabermos quantos casos de covid-19 houve, é impossível
 ter certeza da taxa de letalidade do novo coronavírus

5. De onde exatamente veio o vírus


O novo coronavírus surgiu em Wuhan, na China, no final de 2019, onde havia um conjunto de casos com origem relacionada a um mercado de animais.

Oficialmente chamado Sars-Cov-2, ele está intimamente ligado a vírus que infectam morcegos, no entanto, acredita-se que tenha sido passado de morcegos para uma espécie animal misteriosa, que depois o transmitiu às pessoas.

Esse "elo perdido" permanece desconhecido e pode ser uma fonte de mais infecções.

6. Se haverá menos casos no verão do hemisfério norte


Gripes e resfriados são mais comuns nos meses de inverno do que no verão, mas ainda não se sabe se o clima mais quente alterará a propagação do vírus.

Os consultores científicos do governo do Reino Unido alertaram que não está claro se haverá um efeito sazonal. Se houver, eles acham que é provável que seja menor do que o de resfriados e gripes.

Se houver um grande declínio dos casos do novo coronavírus durante o verão, há o risco de eles voltarem a aumentar no inverno, quando os hospitais também precisarão lidar com um fluxo de pacientes gerado por doenças comuns do inverno.

7. Por que algumas pessoas têm sintomas muito mais graves


A covid-19 é uma infecção leve para a maioria das pessoas. No entanto, cerca de 20% desenvolvem formas mais graves, mas por quê?

O estado do sistema imunológico de uma pessoa parece ser parte do problema, e também pode haver algum fator genético. Compreender isso pode levar a maneiras de impedir que as pessoas precisem de cuidados intensivos.

8. Quanto tempo dura a imunidade e se você pode adoecer duas vezes


Tem havido muita especulação, mas poucas evidências de quão durável é qualquer imunidade ao vírus.

Os pacientes devem construir uma resposta imune, se conseguirem combater o vírus com sucesso.

Mas, como a doença existe há apenas alguns meses, faltam dados mais robustos.

Os pacientes que aparentemente foram infectados duas vezes podem ter sido testados incorretamente,
o que apontaria incorretamente que estavam livres do vírus.

A questão da imunidade é vital para entender o que acontecerá a longo prazo.

9. Se o vírus sofrerá mutação


Vírus sofrem mutação o tempo todo, mas a maioria das alterações em seu código genético não faz uma diferença significativa.

Como regra geral, você espera que os vírus evoluam para ser menos mortais a longo prazo, mas isso não é garantido.

A preocupação é que, se o vírus sofrer mutação, o sistema imunológico não o reconhecerá mais, e uma vacina específica deixará de funcionar (como acontece com a gripe).

Vacina oral contra covid-19 desenvolvida por cientistas de Israel já está nos 'estágios finais'

João Ker, 
O Estado de S.Paulo

Grupo de pesquisa financiado pelo governo israelita já prevê testes em humanos para 1º de junho

  Foto: Brian Snyder/Reuters
Cientistas trabalham para criar a vacina para o coronavírus 

Uma nova vacina contra a covid-19 está sendo desenvolvida por um time de cientistas em Israel, que afirmam ser capazes de produzir um componente ativo para a droga “nos próximos dias”. Em entrevista ao jornal The Jerusalem Post, o chefe da equipe Dr. Chen Katz afirmou que pretende iniciar os testes em humanos em 1º de junho.

 “Nós já estamos nos estágios finais e em poucos dias teremos as proteínas - os componentes ativos da vacina”, afirmou à publicação o líder do grupo de biotecnologia do Instituto de Pesquisas da Galileia (MIGAL, na sigla original). 

O avanço veio depois de a equipe estar há quatro anos desenvolvendo uma vacina para o vírus da Bronquite Infecciosa das Galinhas (BIG), comum nessa espécie de aves e também encontrada em faisões. A droga que está sendo desenvolvida para o novo coronavírus seria uma adaptação dessa primeira pesquisa. 

“Nosso conceito básico foi desenvolver uma tecnologia geral e não uma vacina específica para esse ou aquele tipo de vírus”, afirmou Katz, que também explicou os ajustes genéticos que permitiram a adaptação da substância para uso em humanos: “A estrutura científica da vacina é baseada em um novo vetor de expressão proteica, que forma e secreta uma proteína solúvel quimérica, a qual entrega o antígeno viral nos tecidos da mucosa por endocitose auto-ativada, fazendo com que o corpo forme anticorpos contra o vírus”.

A pesquisa foi financiada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia de Israel. Em 27 de fevereiro, o ministro Ofir Akunes já havia adiantado todas as aprovações necessárias para que o processo de finalização e comercialização da vacina seja facilitado. Ainda de acordo com o Dr. Katz, a substância oral da droga já provou induzir altos níveis de anticorpos específicos contra a BIG. 

  Foto: Reprodução
Grupo de pesquisa em biotecnologia do Instituto de Pesquisas da Galileia  

A pesquisa multidisciplinar também concluiu que o vírus encontrado nas galinhas carrega grande semelhança genética com a forma da covid-19 que afeta humanos, compartilhando do mesmo mecanismo de infecção. “Nosso objetivo é produzir a vacina entre as próximas oito ou dez semanas, para alcançarmos a aprovação de segurança em 90 dias. Essa vacina será oral, tornando-a particularmente acessível ao público geral”, afirmou David Zigdon, presidente do MIGAL. 


As lições de três eventos catalisadores do novo coronavírus na Europa

Gabriel Bonis
De Berlim para a BBC News Brasil

 Direito de imagem GETTY  IMAGES Image caption
Eventos em diversos países ajudaram a propagar o novo coronavírus, dizem autoridades

Apesar do tom mais moderado em pronunciamento sobre a pandemia de covid-19 na terça-feira (31/3), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) demonstrou nas últimas semanas sua preferência pelo fim do isolamento da maior parte da população.

Em meio a atritos com governadores que implementaram medidas de distanciamento social em seus Estados, o presidente participou de eventos com aglomerações e decretou igrejas como serviços essenciais, consentindo que realizassem celebrações em espaços lotados.

O argumento de Bolsonaro sobre o retorno à vida normal para preservar a economia e empregos encontrou repercussão em parte do setor empresarial, que organizou carreatas em diversas cidades brasileiras pedindo a reabertura do comércio na semana passada. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por outro lado, continua recomendando o "distanciamento físico" em países com transmissão comunitária do vírus, caso do Brasil.


Qual, então, seria o melhor caminho a seguir?

Uma partida de futebol em Milão, na Itália, uma festa em uma boate de Berlim e celebrações de Carnaval no distrito de Heinsberg, na Alemanha, podem ensinar ao Brasil algumas lições sobre a rápida propagação do Sars-CoV-2 em diferentes ambientes e a necessidade de isolamento social.

O prefeito de Bergamo afirmou na última semana de março que o jogo da Liga dos Campeões entre Atalanta, um pequeno time da cidade do norte italiano, e Valencia ajudou a espalhar o vírus no país e na Espanha — apesar de haver outros fatores envolvidos.

Cerca de 40 mil torcedores assistiram à partida das oitavas de final da competição europeia no estádio San Siro, em Milão, em 19 de fevereiro. Nas semanas seguintes, mais de um terço dos jogadores e da comissão técnica do Valencia testaram positivo para o vírus, assim como diversos fãs.

"O estádio estava lotado e, depois (da partida), os bares também. Com certeza naquela noite houve uma grande intensificação do contágio", disse Giorgio Gori.

A Lombardia, onde Bergamo e Milão estão localizadas, é a região italiana mais afetada pela pandemia, com 8.656 mortes confirmadas até este sábado (04/04), mais da metade do total registrado no país.

No Brasil, Bolsonaro contrariou as recomendações de seu próprio ministro da Saúde para que a população evitasse aglomerações e visitou comércios em Brasília, onde chegou a posar para fotos com apoiadores.

"[Um evento ao] ar livre não é uma dificuldade para a propagação do vírus se houver contato muito próximo e se alguém estiver, por exemplo, gritando ou expelindo secreções em cima de outras pessoas", explica à BBC News Brasil o especialista em higiene e medicina preventiva Paolo Bonanni, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Florença, na Itália.

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Uma das principais orientações para conter a disseminação do 
novo coronavírus é o isolamento e o distanciamento social

Sabe-se que o Sars-CoV-2 espalha-se, em geral, pela saliva ou secreções de pessoas infectadas que entram em contato com as mucosas de indivíduos saudáveis.

"Quem tiver gotículas de saliva sobre si, tocará o nariz e os olhos porque geralmente fazemos isso entre duas ou três vezes por minuto, mesmo sem perceber. Isso ajuda a espalhar o vírus mesmo em espaços ao ar livre, como em um desfile de carnaval", completa o médico.

E foi durante festividades de carnaval que diversos casos do Estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália se originaram. Os dois primeiros identificados na região foram um casal assintomático que participou durante alguns dias de eventos no distrito de Heinsberg. Cerca de 300 pessoas estiveram na mesma festa que o casal.

De imediato, três indivíduos próximos do homem e da mulher foram contaminados. As autoridades locais tentaram rastrear uma grande quantidade de pessoas com quem eles tiveram contato, incluindo crianças e funcionários de um jardim de infância onde a mulher trabalhava. Ao todo, cerca de mil moradores foram colocados em quarentena e escolas e prédio públicos fecharam.

O vírus, contudo, se espalhou por toda a Renânia do Norte-Vestfália. Atualmente, o Estado tem o segundo maior número de casos (18.735) da Alemanha, atrás da Bavária (23.846), de acordo com os dados divulgados neste domingo (05/04) pelo Robert Koch Institute (RKI), agência do Ministério da Saúde responsável pelo controle de doenças no país.

O distrito de Heinsberg, localizado na região, tem um dos piores índices de casos por 100 mil habitantes.

Entre 12 e 30 de março, foi o único em todo o país considerado uma "área particularmente afetada" pelo RKI, que abandonou a classificação uma vez que o vírus "está espalhado por toda a Alemanha" e "há surtos em muitos distritos".


Sem multidões

A OMS recomenda que países com transmissão comunitária considerem adiar ou reduzir eventos que possam provocar aglomerações.

Em uma breve análise de estudos relevantes para a pandemia do SARS-CoV-2, o Centro de Medicina Baseada em Evidências (CEBM) da Universidade de Oxford identificou algumas evidências sobre a eficiência de algumas medidas para desacelerar a transmissão de vírus semelhantes.

Entre os achados estão a quarentena daqueles que tiveram contato com infectados, fechar escolas e a proibição de reuniões públicas - que, "em combinação com outras intervenções, por uma média de 4 semanas, poderia reduzir a taxa de mortalidade semanal".

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OMS recomenda que países com transmissão comunitária
 considerem adiar ou reduzir aglomerações

No dia 25 de março, o presidente brasileiro informou que o governo federal recomendava o "isolamento vertical" da população, afastando do convício social apenas idosos e pessoas com doenças pré-existentes. Uma afirmação que gerou críticas entre especialistas para os quais um isolamento amplo é mais adequado para desacelerar a propagação do vírus.

"A recomendação é que todos aqueles com sintomas fiquem em casa. Não apenas os idosos ou aqueles com sistema imunológico comprometido. A razão para isso é que as pessoas que estão em boa forma e que se infectam com um caso leve podem transmiti-lo a grupos vulneráveis'', explica David Nunan, pesquisador sênior do CEBM.

"No momento, não há outra opção. Sem um distanciamento social severo, haverá problemas. Temos que ganhar tempo para que muitas pessoas não acabem na emergência dos hospitais", completa Bonanni.

Uma festa em Berlim

A propagação do novo coronavírus é ainda mais eficiente em locais fechados, conforme a famosa vida noturna de Berlim pôde confirmar pouco depois de o primeiro caso ser identificado na capital alemã.

Uma festa em 6 de março na boate Kater Blau, uma das mais famosas da cidade, foi o foco de diversas contaminações. Segundo a emissora alemã Welt, um homem que havia retornado da China com sintomas do covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, esteve por diversas horas no local.

Uma jovem e dois amigos que visitaram a boate naquele dia testaram positivo. Assim como o homem que os contaminou, eles mantiveram contato com dezenas de pessoas na festa e nos dias seguintes. Um deles trabalhava em um mercado, onde expôs centenas de clientes ao vírus.

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Site do Departamento de Saúde do Senado de Berlim pede que pessoas
 que foram à festa de 6 de março entrem em contato com as autoridades 
de saúde do distrito onde a boate está localizada.

Somente no dia 14, após não conseguir respostas de autoridades locais, a boate anunciou que alguém contaminado esteve na festa. Logo depois, a cidade postou um pedido para que os participantes do evento festa entrassem em contato. Mais de mil pessoas responderam.

Em uma entrevista ao Welt, a jovem mencionada anteriormente disse que cerca de metade das 30 pessoas com quem teve contato ficaram doentes, mas não fizeram o teste.

E essa não foi a única boate com casos de covid-19 registrados na cidade. Uma pessoa infectada contaminou ao menos outras 50 em um local chamado Trumpet.

"Para o coronavírus, uma pessoa, em média, contaminará outras três. Mas se houver alguém infectado em um ambiente muito fechado em que alguém esteja em contato com 50 pessoas, todas elas poderão estar contaminadas", explica Bonanni.

"Devemos considerar ainda que, especialmente para os coronavírus, existem pessoas consideradas 'supertransmissoras'. Elas replicam muito mais vírus que a média. Nesse sentido, se alguém em uma boate for supertransmissora, ela é capaz de contaminar o meio e muitas pessoas. Não há limite para o número que se pode contaminar em ambientes fechados", diz.

Riscos em áreas densamente povoadas

Conforme os primeiros casos do novo coronavírus são confirmados nas favelas brasileiras, muitas delas densamente habitadas, os especialistas mostram preocupação com a velocidade com a qual o vírus pode se espalhar. Seria um cenário semelhante ao de uma boate se os habitantes dividirem casas pequenas com muitos moradores.

"Sabemos que áreas grandes e densamente povoadas com pobreza generalizada são mais vulneráveis a pandemias suspensas no ar. Creio que a covid-19 se espalharia rapidamente se não houvesse medidas de contenção nessas comunidades", argumenta Nunan.

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Exemplos de eventos europeus indicam a necessidade 
de isolamento para evitar a propagação do vírus

Para Bonanni, nesse cenário são altas as chances de toda a família ser infectada e seria muito difícil conter o "número de pessoas com uma doença grave".

"Para fazer uma comparação, a Itália só descobriu o problema quando o incêndio já era grande. Espero que o incêndio seja menor no Brasil. Mas se for tão grande quanto no final de fevereiro na Lombardia, será um problema muito, muito grande para as pessoas que vivem em espaços restritos."

Um levantamento da BBC News Brasil indica que o Brasil teve mais mortes por dia do que a Itália, atualmente o país com mais vítimas pela pandemia, desde que o primeiro óbito foi registrado. "Se a situação do Brasil fosse muito semelhante à da Itália, eu ficaria muito preocupado em não fazer um distanciamento muito claro. Se fosse o mesmo que em alguns países europeus, deveria fechar tudo", diz Bonanni.

"É um equilíbrio difícil entre saúde e economia, mas acho que o primeiro dever de qualquer governo é a saúde e a segurança de seu povo", afirma Nunan.

Os três exemplos europeus indicam a necessidade de se agir rápido e que não se deve menosprezar como o vírus se espalha por meio de poucas pessoas.


Em teste, remédio antiparasita mata coronavírus em 48 horas

Guilherme Dearo
Exame.com

Estudo da Monash University descobriu eficiência de antiparasita em laboratório; ainda faltam estudos e testes em seres humanos para concluir eficácia

 (Matthias Rietschel/Reuters)
Coronavírus: teste in vitro na Austrália mostrou eficácia de antiparasita em 48 horas

Um estudo na Austrália observou que um remédio antiparasita, usado geralmente para tratar verminoses, foi capaz de inibir o crescimento do novo coronavírus Sars-CoV-2 em cultura de células, controlando o microorganismo em 48 horas.

O estudo foi liderado pela Monash University e feito em parceria com o Doherty Institute of Infection and Immunity, e foi publicado na revista Antiviral Research, da Elsevier, no último dia 3.

Os cientistas observaram que uma dose único da droga Ivermectin foi capaz de combater o SARS-CoV-2. Atualmente, a Ivermectin está disponível no mercado em todo o mundo.

“Nós descobrimos que mesmo uma dose única pode essencialmente remover todo o RNA viral em 48 horas e que mesmo em 24 horas há uma redução significativa”, disse a doutora Kylie Wagstaff, que liderou o estudo.

Os cientistas alertam que, apesar do potencial de efetividade do medicamento observado em laboratório, ele ainda não pode ser usado com segurança em seres humanos infectados com o novo coronavírus, tampouco em casos de automedicação. O estudo precisa ser continuado com testes clínicos e testes em humanos para concluir a efetividade da droga em doses seguras para humanos.

Em outros estudos, o Ivermectin já se mostrou eficiente contra outros vírus, como HIV, Dengue, Influenza e Zika vírus.

Outros estudos

Na Universidade Tsinghua, de Pequim, um grupo de cientistas chineses isolou vários anticorpos que diz serem “extremamente eficientes” para impedir a capacidade do novo coronavírus de entrar nas células, o que pode ser útil tanto para tratar como para prevenir a Covid-19.

Já um novo estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, traz um projeto de vacina contra o novo coronavírus que já foi avaliado pela comunidade científica. A pesquisa mostra avanços promissores na criação de uma vacina contra o vírus ao atacar as células ACE-2, às quais o novo coronavírus se liga ao corpo humano para se reproduzir e atacar o organismo, causando sintomas como febre, dores no corpo e dificuldade de respirar.

Coronavírus: estudo revela fatores de risco e sintomas em pacientes mortos em hospital na China

Mariana Alvim - @marianaalvim
Da BBC News Brasil em São Paulo


 Direito de imagem YUAN ZHENG/EPA Image caption 
Profissionais de saúde trabalham em ala de isolamento no Hospital de Jinyintan, 
em Wuhan, ponto de referência para tratamento de novo coronavírus; este foi
 um dos hospitais cujos pacientes tiveram casos apresentados no Lancet

Um paciente com idade avançada que chega ao hospital com covid-19, doenças crônicas como hipertensão e diabetes, além de sinais de sepse (inflamação sistêmica do organismo contra uma infecção) deve acender um alerta pois, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (9), estes são traços de um perfil mais vulnerável à morte pela nova doença.

Os autores do artigo no periódico médico Lancet dizem que se trata do primeiro estudo a mapear a evolução do quadro de pacientes infectados pelo vírus Sars-Cov-2 sobre os quais se sabe que houve um desfecho — ou seja, faleceram ou receberam alta do hospital. O estudo também se destaca por analisar casos tratados em Wuhan, cidade chinesa onde o vírus começou a infectar pessoas.

Foram considerados quadros de 191 pacientes do Hospital Jinyintan e Hospital do Pulmão de Wuhan internados entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020. Destes, 137 receberam alta e 54 morreram nos hospitais, considerados referência para o tratamento do novo coronavírus.

Os autores do estudo alertam que seus resultados dizem respeito à amostra de Wuhan, portanto não podem ser automaticamente generalizados para outras partes do mundo.

Os pesquisadores, filiados a instituições chinesas, buscaram juntar os pontos do início, percurso e desfecho da doença nessas pessoas. Para isso, usaram informações de prontuários, exames e dados demográficos. Em seguida, construíram modelos matemáticos para identificar os fatores de risco que levaram à morte.

Uma das conclusões é a de que, como vêm mostrando outras pesquisas, a idade avançada é um fator de risco para a covid-19. Comparados com aqueles que sobreviveram, pacientes que morreram eram, em geral, mais velhos — em média 69 anos em comparação com a média de 52 entre os que sobreviveram.

"Desfechos piores em idosos podem ser explicados, em parte, pelo enfraquecimento do sistema imunológico relacionado à idade.

Uma inflamação maior pode favorecer a replicação do vírus e respostas mais prolongadas à inflamação, causando danos permanentes ao coração, cérebro e outros órgãos", explicou em um comunicado à imprensa Zhibo Liu, um dos autores da publicação e membro da equipe do Hospital Jinyintan.

Dos 191 pacientes analisados, cerca de metade (48%) tinha doenças crônicas — a mais comum, hipertensão (30% da amostra) e diabetes (19%). Após cálculos matemáticos, os autores consideram que estas comorbidades são também fator de risco para casos mais graves da covid-19.

"Diabetes, doença arterial coronariana, doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência renal são todos fatores que independentemente do tipo de infecção, serão potenciais agravadores dela. Um indivíduo com diabetes que adquire uma pneumonia tem potencialmente um quadro mais grave do que um indíviduo de mesma idade e características — mas sem diabetes", explica à BBC News Brasil Rafael Jácomo, diretor técnico e médico do Laboratório Sabin de Análises Clínicas e título de doutorado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP).

"A publicação confirma que isto ocorre também com a covid-19 — o artigo tem esse valor, de confirmar uma impressão teórica (que poderia ser pressuposta pelo conhecimento sobre outros tipos de infecção)."

 Direito de imagem YUAN ZHENG/EPA Image caption
Sinais de sepse (inflamação sistêmica do organismo contra uma infecção) 
em pacientes com coronavírus foram um dos principais indicativos de gravidade da doença

Em todos os pacientes, a complicação mais comum decorrente da covid-19 foi a sepse (detectada em 100% dos pacientes mortos e 42% dos sobreviventes), seguida de insuficiência respiratória (98% versus 36%). A frequência de complicações como essas foi maior em pessoas que morreram do que as que tiveram alta.

É importante lembrar que a amostra em questão envolve pessoas não só infectadas como internadas — portanto, um recorte com casos mais avançados de infecção por Sars-Cov-2. Dois terços dos pacientes analisados tinham manifestações graves ou muito graves da doença.

Conforme lembram os autores em seu artigo, à semelhança de outras infecções respiratórias virais, o conjunto de manifestações possíveis da covid-19 é bem amplo, incluindo desde infecções assintomáticas e moderadas a pneumonias graves com insuficiência respiratória e até morte.

Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a estimativa de que 3,4% dos pacientes morrem por causa da covid-19.

Sinais do corpo de que há uma infecção grave em curso

Há também dois indicadores detectados na entrada dos pacientes nos hospitais chineses que podem ajudar os médicos a rastrear mais cedo casos potencialmente graves. Neste caso, não se trata de um problema de saúde que já existia antes da infecção com o coronavírus, como por exemplo uma diabetes, mas justamente dos efeitos da covid-19. Um destes indicadores é uma pontuação alta no índice de avaliação seqüencial de falha de órgão ("SOFA score", em inglês).

É uma avaliação comumente feita nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) a cada dia — exames e outras informações sobre o paciente são coletadas e compõem uma pontuação que indica uma menor ou maior inclinação à falha dos órgãos devido à sepse.

"A escala avalia por exemplo a creatinina, que é um marcador da função renal; a contagem de plaquetas que, em caso de sepse, está reduzida", exemplifica Jácomo. "São critérios que demonstram a gravidade da manifestação da doença."

Outro indicador é um valor de dímero-D alto no sangue (maior que 1 μg/mL), fragmentos de proteína relacionados ao processo de coagulação.

"Casos de sepse e choque séptico normalmente vêm associados à chamada coagulação intravascular disseminada e que, por si só, eleva o dímero-D", diz o médico.

O artigo publicado no Lancet indicou ainda que casos mais graves de covid-19 estavam relacionados a uma menor contagem de linfócitos (um tipo de glóbulo branco, parte do sistema de defesa); níveis elevados de interleucina 6 (um marcador de inflamação e doenças crônicas); e aumento das concentrações de troponina I de alta sensibilidade (um marcador de ataque cardíaco). Níveis aumentados desta troponina foram detectados em mais da metade dos pacientes que morreram.

 Direito de imagem CHINA DAILY VIA REUTERS Image caption
Equipe do Hospital de Jinyintan prepara testagem de RNA do novo coronavírus; 
dados de exames deste e de outro hospital contribuíram para estudo inédito sobre 
fatores de risco e desfechos de quadros de covid-19

Período de ação do vírus

Outro dado importante revelado pela publicação no Lancet foi a duração mediana do viral shedding — excreção, cascata ou disseminação viral em português.

"Isso significa que o vírus está se replicando, infectando novas células e circulando no corpo do paciente", explica à reportagem Rafaela da Rosa Ribeiro, doutora em biologia celular, pós-doutoranda e bolsista BEPE-FAPESP no Ospedalle San Rafaelle, em Milão, Itália (o segundo país mais afetado pelo novo coronavírus no mundo).

O artigo mostrou que a duração mediana da disseminação viral foi de 20 dias em pessoas que sobreviveram à infecção — variando de oito a 37 dias. Nos 54 pacientes que morreram, o vírus era detectável até a morte.

A disseminação viral é diferente da incubação — no primeiro caso, a infecção já está configurada, ou seja, o vírus não só está no corpo do paciente como provocando sintomas. Para autoridades de saúde como OMS e Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), são casos como esses, os sintomáticos, os com maior risco de transmissão — e, por isso, os mais preocupantes.

Um relatório da OMS do último dia 6 de março afirma que "apesar de estarmos tomando conhecimento de que pessoas podem disseminar o vírus que causa a covid-19 de 24 a 48 horas antes do aparecimento de sintomas, hoje, esta não parece ser uma fonte majoritária de transmissão".

"Pessoas assintomáticas podem ter o vírus, mas o sistema imunológico conseguiu conter a infecção e o vírus não está tendo a capacidade de se replicar e causar danos nas células. Portanto, elas não têm uma carga viral alta o suficiente para infectar outras pessoas", explica Ribeiro.

"O período de incubação vai desde o momento de contato com o vírus até quando ele começa a causar sintomas, quando ele está se replicando. Por isso, espera-se de 2 a 14 dias após o contato com uma pessoa infectada, pois esse tempo é o necessário para saber se a pessoa desenvolveu a doença — portanto, se o vírus se adquiriu a capacidade de se replicar."

Em comunicado à imprensa, Bin Cao, um dos líderes do estudo, alertou que os resultados devem ser incorporados com cautela nas políticas públicas.

"O extenso período de disseminação viral observado em nosso estudo tem implicações importantes para orientar as decisões sobre isolamento e tratamento antiviral de pacientes com infecção confirmada por covid-19", afirmou Bin Cao, professor da Capital Medical University, em Pequim, China.

"No entanto, precisamos deixar claro que o tempo de disseminação viral não deve ser confundido com outras orientações para o isolamento de pessoas que podem ter sido expostas ao covid-19, mas não apresentam sintomas — pois neste caso, a orientação é baseada no tempo de incubação do vírus."
Limitações do estudo

Como é de praxe em publicações científicas, no Lancet os autores do artigo reconhecem as limitações do estudo.

Uma delas é temporal, já que foram considerados casos até 31 de janeiro. Assim, os resultados refletem um estágio da doença, até em termos de mortalidade, que já é diferente hoje.

Além disso, não há um controle sobre o que aconteceu com os pacientes estudados antes que eles chegassem ao hospital — por exemplo, se tiveram dificuldade em conseguir remédios ou se foram atendidos quando já estavam bastante doentes.

Rafael Jácomo aponta também que a amostra de 191 pacientes é relativamente pequena, assim como o recorte temporal. O médico destaca ainda que fatores culturais e hábitos alimentares, além da própria estrutura de saúde de um país, podem mudar a relação entre comorbidades e infecção viral.




Queda de casos alimenta esperança de desaceleração do coronavírus na Europa

Redação, 
O Estado de S.Paulo

Espanha, Itália e França registraram diminuição do número de mortes diárias por covid-19; EUA esperam avanço da pandemia durante esta semana

  Foto: REUTERS/Nacho Doce/File Photo
Ramblas de Barcelona ficam desertas durante isolamento decretado no país. 

ROMA - Espanha, França e Itália registraram uma desaceleração no número diário de mortes em decorrência do novo coronavírus. A pandemia, que já matou mais de 68 mil pessoas no mundo - 49 mil apenas na Europa, ameaça agora os Estados Unidos, que se preparam para a semana mais difícil até o momento.

Na Espanha, pelo terceiro dia consecutivo, registrou-se uma redução no número de mortos. Nas últimas 24 horas morreram 674 pessoas, número considerável, mas inferior ao pico de 950 mortes registradas no dia 2 de abril. Além da desaceleração do número de mortes, o país também observou uma redução no número de internações e de pacientes em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). 

É o primeiro sinal claro de que as estritas medidas de confinamento, que se estenderão no país, pelo menos, até 25 de abril, começam a surtir efeito. Autoridades espanholas já estudam iniciar uma flexibilização progressiva das restrições.

Dados animadores também começam a surgir na Itália, país mais afetado do mundo pela pandemia até o momento. No domingo, 5, os italianos registraram 525 mortes por covid-19, cifra mais baixa desde 19 de março. A soma 15.887 mortos desde o início da pandemia.

Já na França, o balanço do domingo foi de 357 mortes, a menor cifra em uma semana. O país já superou a marca dos 8 mil mortos pelo novo coronavírus. A maioria dos hospitais funciona com superlotação.

Apesar da desaceleração registrada pelos países, que vivem situações críticas por causa do novo coronavírus, os números de casos confirmados e mortos continuam a aumentar no mundo. Segundo o balanço realizado pela agência francesa AFP, até o domingo, 5, havia mais de 1,2 milhão de casos de contágio em 190 países.

Trump: 'Haverá muitos mortos'

Se na Europa os países mais afetados pela doença estão começando a ver leves melhoras, do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, o temor é pelo que está por vir. O presidente do país, Donald Trump, advertiu a todos que o número de mortos vai continuar aumentando.

Nos Estados Unidos, ao contrário, os óbitos vão continuar aumentando nos próximos dias, advertiu o presidente Donald Trump."Esta, provavelmente, será a semana mais difícil. Haverá muitos mortos", disse, prevendo a entrada do país em um "período que será horroroso".

  Foto: Kevin Dietsch/EFE/EPA/Pool
O presidente Donald Trump participa de reunião 
sobre coronavírus na Casa Branca, em Washington 

Os Estados Unidos já confirmara mais de 330 mil casos de coronavírus e 9.600 mortos, sendo 1.200 apenas nas últimas 24 horas. Administrador federal dos serviços de saúde pública, Jerome Adams preparou a opinião pública para o pior.

"A próxima semana será um momento como Pearl Harbor, como o 11 de setembro, só que não será localizado, será em todo o país", disse.

O estado de Nova York, epicentro da crise nos Estados Unidos, registrou 594 óbitos nas últimas 24 horas. O total de mortes no estado superou a barreira das 4 mil. "Estamos muito perto do pico de contágios, ou pode ser que esse pico seja uma colina e estejamos nela", disse o governador, Andrew Cuomo.

Com informações Agência  AFP


Na Itália, voltar ao trabalho depende de ter anticorpos

Jason Horowitz / The New York Times, 
O Estado de S.Paulo

Com queda no número de contágios, país discute testar imunidade ao coronavírus para definir quem está livre e quem fica confinado

  Foto: Manuel Silvestri/Reuters
Idosos caminham em Veneza para fazer compras; Itália quer testar os imunes  

ROMA - Há um sentimento crescente na Itália de que o pior já passou. As semanas de isolamento em todo o país, o centro do surto de coronavírus mais letal em todo o mundo, talvez possam estar começando a mostrar seu efeito, uma vez que as autoridades anunciaram na semana passada que o número de novas infecções estabilizou.

Esse vislumbre de esperança transformou as conversas em um assustador desafio de quando e como voltar à vida normal sem abrir espaço para outra onda catastrófica de contágio. Para fazer isso, as autoridades italianas de saúde e alguns políticos se concentraram em uma ideia que poderia ter sido relegada às estratégias de romances distópicos e filmes de ficção científica.

Ter os anticorpos certos contra o vírus no sangue – um potencial marcador de imunidade – pode determinar em breve quem trabalha e quem não trabalha, quem deve continuar trancado e quem está livre.

Esse debate está, de certa forma, à frente da ciência. Os pesquisadores não têm certeza, mas estão esperançosos de que os anticorpos de fato indiquem imunidade. Mas isso não impediu os políticos de se apegarem à ideia, já que eles começaram a aumentar a pressão para movimentar a economia e evitar que o país mergulhe em uma depressão econômica generalizada.

O governador conservador de Veneto propôs uma “licença” especial para os italianos que possuem anticorpos que mostram que eles tiveram o vírus e foram curados. O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, liberal falou sobre um “Covid Pass” para os não infectados. O primeiro-ministro Giuseppe Conte disse que, enquanto o confinamento continua valendo, o governo já começou a trabalhar com cientistas para determinar como enviar as pessoas que se recuperaram da doença de volta ao trabalho.

A Itália foi o primeiro país europeu a anunciar o isolamento em todo o território nacional, que começou em 9 de março. Mas a taxa de novas infecções diminuiu na semana passada, o que levou as principais autoridades e profissionais da saúde a conversar com otimismo cauteloso.

Mas o debate sobre uma força de trabalho baseada em anticorpos voltou a colocar a Itália na infeliz vanguarda das democracias ocidentais que lutam contra o vírus, suas escolhas éticas desconfortáveis e consequências inevitáveis. Tais questões já foram levantadas pelas difíceis decisões dos médicos em tratar os jovens, com maior chance de vida, antes dos idosos e doentes.

  Mas, em algum momento, quase todos os governos terão de encontrar um equilíbrio entre garantir a segurança pública e colocar seus países em funcionamento novamente. Eles também podem acabar tendo de avaliar o que seria melhor para a sociedade em relação aos direitos individuais, usando critérios biológicos de maneiras que quase certamente seriam rejeitadas na ausência da emergência atual.

“Parece que isso divide a humanidade em duas, entre os fortes e os fracos”, disse Michela Marzano, professora de filosofia moral da Universidade Paris Descartes. “Mas esse é realmente o caso.”

Sob uma perspectiva ética, ela argumentou, a questão do uso de anticorpos como base para o livre movimento reconcilia uma visão utilitária do que é melhor para a sociedade com respeito à humanidade individual, protegendo “os mais frágeis, não os marginalizando”. “Não é discriminatório”, disse ela. “É uma medida protetora.”

Cientistas na Itália, como seus colegas na Alemanha, nos Estados Unidos, na China e em outros países, já estão estudando se os anticorpos são uma fonte potencial de proteção ou imunidade contra o vírus.

A Itália, devido à sua exposição inicial e generalizada ao vírus, tem a oportunidade de obter informações sobre como ele funciona e as propriedades biológicas que protegem contra ele.

“A Itália tem atualmente um dos maiores grupos de pessoas infectadas que se recuperaram da infecção”, disse Andrea Crisanti, principal consultor científico sobre o vírus em Veneto e professor de microbiologia na Universidade de Pádua. “É um conjunto único e valioso de informações e dados.”

Crisanti enfatizou a necessidade de uma estratégia cuidadosamente projetada para acabar com o confinamento na Itália, que usaria rastreamento de contato, equipamento de proteção e testes para anticorpos pós-vírus.

“Planejar com antecedência é uma das coisas mais importantes”, disse Crisanti. “Sem uma estratégia adequada para o caminho a ser seguido, o resultado mais provável é que a epidemia recomece.”

 TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA



Espanha vê luz no fim do túnel com queda de mortes por coronavírus

Rodrigo Loureiro
Exame.com

Número de vítimas fatais diárias do novo coronavírus caiu para 674 entre os dias 4 e 5 abril no país que é o segundo mais afetado pela doença

(Eloy Alonso/Reuters)
Espanha: país é o segundo mais afetado pelo coronavírus, 
atrás somente dos Estados Unidos 

A Espanha registrou neste domingo (5) uma queda no número de mortes diárias pelo novo coronavírus. Foram 674 óbitos ocorridos nas 24 horas anteriores ao anúncio. Há mais de uma semana que o número supera 800 fatalidades por dia no país.

O resultado registrado entre os dias 4 e 5 de abril é também o melhor desde o dia 26 de março, quando o país entrou oficialmente na lista dos territórios mais afetados pela covid-19.

Mesmo assim, o governo espanhol adotou uma postura cautelosa sobre os próximos passos para combater a doença e prorrogou o confinamento no país até 25 de abril. “Começamos a ver uma luz no fim do túnel”, disse o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez.

A Espanha registra 12.418 mortos e mais de 130 mil casos confirmados da doença. É o segundo país mais afetado no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos com 327 mil infectados mas com menos mortes: 9.302. Os Estados Unidos, inclusive, devem enfrentar a pior semana de contágio desde o início da crise do novo coronavírus.

A situação também é melhor na Itália. Nove dias após registrar a marca recorde de 969 vítimas fatais em 24 horas, o país registrou a menor taxa de óbitos  nas últimas duas semanas. Entre os dias 4 e 5 abril foram 525 mortes. Ao todo são quase 130 mil casos confirmados e 15.887 mortes.

Na França a situação também melhorou. Foram mais 357 mortes no período. Foi a menor quantidade de óbitos diários em duas semanas. O país conta agora com 8.078 vítimas fatais e 46 mil casos confirmados da covid-19.


Áustria vai suspender quarentena aos poucos a partir de 14 de abril

Exame.com
Com informações Agência AFP

País, com 8,8 milhões de habitantes, registra 12.058 infecções confirmadas, com 204 mortes

(Lisi Niesner/Reuters)
Homem usa máscara de proteção em Viena: objetivo é que 
a partir de 14 de abril comece a reabertura dos pequenos 
estabelecimentos comerciais de até 400 metros quadrados 

A Áustria planeja suspender de maneira progressiva a partir de 14 de abril as restrições em vigor para lutar contra o novo coronavírus, começando pela reabertura do pequenos comércios e, de acordo com um calendário, de diversas atividades, um cronograma de vários meses, anunciou o governo.

“O objetivo é que a partir de 14 de abril comece a reabertura dos pequenos estabelecimentos comerciais de até 400 metros quadrados, tudo sob rígidas condições de segurança”, afirmou o chanceler Sebastian Kurz em uma entrevista coletiva, na qual pediu que população mantenha a “grande disciplina”.

“Nosso objetivo é uma retomada por etapas”, completou o chefe de Governo austríaco.

Ele explicou que os estabelecimentos comerciais maiores devem reabrir as portas no dia 1 de maio. Em meados do próximo mês será a vez dos hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos do setor de serviços.

Kurz recordou que as restrições contra a COVID-19 permanecem em vigor na Áustria e pediu aos compatriotas que não celebrem a Páscoa com pessoas fora de casa.

As escolas permanecerão fechadas até meados de maio e os eventos públicos continuarão proibidos até o fim de junho, completou Kurz.

Se a epidemia retornar ou piorar, o governo “sempre tem a possibilidade de ativar o freio de emergência” para reintroduzir as restrições, advertiu o chanceler.

A Áustria, com 8,8 milhões de habitantes, registra 12.058 infecções confirmadas, com 204 mortes.

Argentina posterga pagamento de até US$ 10 bilhões da dívida pública para 2021. Brasil poderia seguir o exemplo.

André Marinho,
 O Estado de S.Paulo

Texto do decreto cita a declaração de emergência nacional, em meio ao avanço da covid-19, para justificar a medida

  Foto: Norberto Duarte/AFP
Fronteira Argentina 

O governo da Argentina emitiu nesta segunda-feira, 6, um decreto em que posterga para 2021 o pagamento de juros e amortização de títulos da dívida pública nacional, em meio ao cenário de "inconsistência macroeconômica" trazido pela pandemia de coronavírus. Segundo cálculos da imprensa argentina, o default técnico pode variar de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões. 

O texto do decreto cita a declaração de emergência nacional, em meio ao avanço da covid-19, para justificar a medida. De acordo com a legislação, embora esteja comprometido a acabar com o ciclo de endividamento, "que destrói oportunidade e gera profundos desequilíbrios sociais", o governo precisa de mais tempo para recompor o programa financeiro do país. 


Temos de usar sacos de lixo na cabeça': médicos britânicos improvisam no combate ao coronavírus

Claire Press
BBC News

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Roberts ajuda seus colegas a colocar sacos de lixo para proteger suas cabeças.

Dado o número cada vez maior de pessoas infectadas, os governos e os sistemas de saúde de todo o mundo estão procurando recursos para responder da forma mais adequada à crise causada pela pandemia de covid-19.

Nesse contexto, os médicos estão trabalhando sob grande pressão, em muitos casos arriscando suas vidas. E muitos deles não têm permissão para dar entrevistas para a imprensa.

No Reino Unido, onde o número de mortos pela doença causada pelo novo coronavírus se aproxima de 5 mil, os hospitais estão tentando conseguir mais leitos para os doentes mais graves.

Nesse contexto, uma médica concordou em relatar à BBC como a equipe de um hospital no centro do país, pertencente ao sistema público de saúde britânico (NHS, na sigla em inglês), está lidando com a emergência.

A médica Roberts* contou que o centro de saúde em que ela trabalha está à beira do colapso. A Unidade de Terapia Intensiva está cheia de pacientes infectados com o coronavírus.

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Roberts diz que eles não podem garantir assistência médica adequada
 a uma pessoa doente com coronavírus.

Todas as cirurgias que não são urgentes foram adiadas, incluindo as que envolvem pacientes com câncer. Faltam equipes e leitos para terapia intensiva, segundo a médica. E a isso se soma a escassez de medicamentos e respiradores mecânicos.


Proteção precária

O ponto que mais chama atenção no relato da médica é que médicos e enfermeiras que cuidam dos pacientes mais doentes em turnos de até 13 horas precisam usar sacos de lixo hospitalar, aventais descartáveis de plástico e óculos de esqui para proteção.

Enquanto as outras pessoas precisam manter uma distância social de pelo menos dois metros, os médicos examinam os mais doentes a uma distância de cerca de 20cm de seus rostos, sem proteção adequada.

E como a duração do estado de emergência é desconhecida, Roberts diz que sua equipe começou a estocar equipamentos de proteção individual para si.

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Até agora, o número de médicos infectados pelo coronavírus é desconhecido.

"Trata-se de ser prático. Os enfermeiros da UTI precisam deles agora. Eles correm o risco de contágio o tempo todo, mas foram instruídos a usar máscaras faciais abertas nas laterais, o que não fornece a proteção adequada", explica Roberts.

"Isso está errado. É por isso que temos que colocar sacos de lixo em nossas cabeças", acrescenta.

O governo britânico reconheceu que há problemas de desabastecimento, mas garante que uma equipe auxiliadas pelas Forças Armadas "trabalha contra o relógio" para entregar material médico em todo o país.

No entanto, Roberts observa que seu hospital não recebeu nenhuma ajuda do governo.

"As máscaras que temos agora tiveram as datas de validade alteradas. Ontem encontrei uma com três etiquetas sobrepostas: uma com validade em 2009, uma de 2013 e outra de 2021."

O Instituto de Saúde Pública da Inglaterra disse à BBC que os novos carimbos de validade são colocados após uma rigorosa revisão do equipamento. Roberts, no entanto, não está convencida com essa explicação.

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Segundo Roberts, as máscaras usadas no hospital 
têm várias datas de validade sobrepostas.

O Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido também disse que está "trabalhando em estreita colaboração com a indústria, o NHS, os prestadores de assistência social e o Exército" e diz que, se os funcionários precisam solicitar mais equipamento de proteção, há uma linha direta para fazer esses pedidos.

O órgão acrescenta que seus protocolos sobre equipamentos de proteção estão alinhados com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir que todos os médicos estejam cientes do que devem usar para se protegerem.


Contágio de profissionais

Atualmente, assistidos por ventiladores mecânicos e sob os cuidados de Roberts, estão três colegas dela que testaram positivo para o novo coronavírus.

Um deles era médico de uma UTI e, como ela, atendia na emergência sem o equipamento adequado.
Os outros dois infectados integram equipe que trabalhava em outros departamentos do hospital, portanto não usavam EPI. No entanto, devido aos sintomas, acredita-se que eles tenham contraído o vírus no centro de saúde.

E, como ocorre com o restante dos pacientes, eles não podem receber visitas de familiares ou amigos.
"A coisa mais difícil no momento é ter de dizer às famílias por telefone que temos que parar de atendê-las, dizer que seus parentes estão morrendo ou morreram, mas que eles não podem ir vê-los", diz Roberts.

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Pacientes com covid-19 não podem receber visitas de familiares ou amigos.

"Normalmente, você pode conversar com o membro da família que está ao lado do paciente e dizer 'vamos fazer todo o possível', mas agora não podemos fazer isso", ela diz.

"Não sei se poderemos dar um respirador a ele, não posso garantir que as enfermeiras cuidarão dele adequadamente, porque elas estão fazendo turnos de 13 horas. E estamos ficando sem remédios", diz.
"Não podemos garantir a você todos os tratamentos que eu sei que poderiam ajudar."

O NHS diz que não sabe o número de médicos que foram hospitalizados pelo coronavírus.

No entanto, na Espanha e na Itália (os dois países europeus que tiveram o maior número de infectados), o número de pessoas infectadas no setor de saúde continua aumentando.

Na Espanha, 9.400 membros de equipes de saúde deram positivo até 27 de março e na Itália, até 30 de março, 6.414 casos de médicos e enfermeiros infectados foram relatados.

No Reino Unido, sabe-se que vários trabalhadores da área morreram de covid-19, incluindo uma enfermeira de West Midlands e uma assistente de saúde e três médicos em Londres.


Ponto de inflexão

Considerando o que aconteceu na Itália e na Espanha, as projeções para o Reino Unido indicam que o pico da pandemia chegará em duas semanas, e é por isso que a equipe médica está se preparando, diz Roberts.

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Além do EPI, uma enfermeira de terapia intensiva na Espanha usa
 um saco de lixo e uma máscara plástica protetora, doada por uma empresa local

"Se os casos estão aumentando tão rápido quanto na Espanha e na Itália, então, francamente, estamos com problemas. Todas as nossas áreas logo estarão cheias", alerta.

"Nossas máquinas de anestesia, projetadas para funcionar por duas a três horas no máximo, estão em funcionamento por quatro a cinco dias seguidos. Já temos vazamentos e falhas", acrescenta ela.

As camas adicionais para terapia intensiva, instaladas em várias salas de cirurgia e enfermarias, quase dobraram a capacidade do hospital de ajudar pacientes em situação crítica, particularmente aqueles que não conseguem respirar por conta própria e precisam de um respirador.

No entanto, ao expandir os cuidados intensivos, Roberts diz que a equipe de enfermagem é sobrecarregada de forma desproporcional.

"As enfermeiras de terapia intensiva são altamente treinadas e geralmente fornecem atendimento personalizado a pessoas gravemente doentes. Seus pacientes podem estar dormindo, mas é uma ligação tão grande que elas podem descrever todos os fios de cabelo da cabeça de um paciente", diz ela.

"Mas agora, com essas camas adicionais, as enfermeiras estão sob pressão para cuidar de até quatro pacientes, enquanto fornecem o mesmo nível de atendimento. Elas realmente estão lutando. Elas são a parte mais importante do sistema."

Isolamento

Do lado de fora, no estacionamento do hospital, na área de ambulâncias, há um novo edifício temporário, construído com um objetivo: examinar todos os pacientes quanto a sintomas de coronavírus antes de serem admitidos.

É administrado por um médico que, segundo Roberts, poderia estar cuidando de pacientes. Ela descreveu a unidade como um "detector de mentiras".

"É muito comum as pessoas mentirem sobre seus sintomas apenas para serem tratadas", diz ela, se referindo a pessoas que, na avaliação médica, deveriam ter ficado em casa, mas que vão à sala de emergência.

"Então, agora todos os pacientes são examinados no estacionamento, para garantir que aqueles com sintomas de covid-19 sejam encaminhados para a ala direita do hospital e não infectem todos os outros, como aqueles que entraram com o braço quebrado."

E Roberts destaca a importância do isolamento.

"A maioria dos funcionários do hospital está se isolando quando não está no trabalho, para não colocar os outros em risco".

*O nome foi alterado.