domingo, agosto 29, 2010

Lições que ficam para o PSDB e seus aliados

Adelson Elias Vasconcellos

No UOL há uma interessante declaração de José Serra, que teria afirmado: “"O nosso partido faz, mas não é muito bom de marketing”.

Se o diagnóstico de Serra, para sua iminente derrota no pleito em outubro, for apenas este, então, parece-me que a oposição vai amargar sua terceira derrota consecutiva (2002, 2006 e 2010) sem ter, ainda, aprendido a lição que o pleito lhe oferece.

A primeira lição básica seria a de que a batalha política tem de começar logo após a proclamação do resultado. Juntar os cacos, as pessoas, discutir estratégias e determinar que cada um atue com vigorosa força no papel que estarão representando, ou seja, que sejam oposição, sem tréguas, sem concessões, fiscalizando e, principalmente, criticando sempre. É preciso por de lado a frescura e esquisitice da tal “oposição responsável”. Sempre que PSDB vem com esta conversa fiada, a primeira pergunta que faço é: E quando o PT foi oposição, agiu do mesmo modo? Sua atuação não se caracterizou sempre em boicotar todos os governos desde 1985? Querer agora aliviar o garrote, corresponde em premiar o PT por uma atuação que nunca teve.

A segunda é que eleições não se ganham apenas no período de campanha. É preciso ter um projeto de país para oferecer, de um lado, e, de outro, nunca ser leniente com o governismo. Mesmo que o PT voltasse à oposição a partir de 2011, sua atuação não seria diferente da que teve até 2002. Aliás, se o PSDB observar bem, durante o tempo de Lula no poder, outra coisa ele não fez senão oposição à oposição. Difícil de entender? Não, é até bem simples: Lula negou todas as obras que encontrou prontas de seus adversários, alterou o nome de todos os programas que estavam em curso, manteve os programas que realmente lhe interessava mas deu-lhes outro rótulo, cravando seu made in PT.

Ora, por que deveria o PSDB deixar de fazer oposição? Por que não partir para o confronto, mesmo diante da imensa aprovação de Lula nas pesquisas, criticando e condenando com veemência as mazelas do governo?

Tivessem feito isto e, por certo, não estariam na situação em que se encontram.

Mais: se há um governo que teve muito para mostrar de bom e de conquistas, e se orgulhar de suas obras este, por certo, foi o período de FHC. E o que os tucanos fizeram? Primeiro, fugiram miseravelmente da comparação, oportunidade ímpar que tiveram para confrontar o governo Lula e suas clonagens. Isto daria gancho para um processo de desmistificação do atual presidente. Ao evitarem o confronto, deixaram Lula livre para entoar todas as ladainhas possíveis de sua glorificação, além de desfilar um rosário de mentiras contra as quais o PSDB jamais se posicionou.

Portanto, não se trata de ser bom ou ruim de marketing, se trata, efetivamente, de aprender a praticar a boa e velha política. Claro que a campanha na TV, e na qual Serra apostou muito, também foi de um ridículo atroz. Manter o mesmo marqueteiro que já em 2006 naufragara com conceitos semelhantes na campanha de Alckmin, foi um absurdo que Serra poderia ter evitado.

A terceira lição é que, sem uma unidade nacional em prol do partido, ninguém vai a lugar algum. Não basta apenas ser conhecido e reconhecido, como era o caso de Serra. Precisava mostrar que era diferente e que podia fazer todos os acertos sobre todos os erros do atual governo. Ou seja, ele precisava ser uma alternativa melhor para melhorar todas as coisas ruins que o governo Lula fez (e não foram poucas). Precisava torpedear os inúmeros escândalos, as inúmeras falhas, relembrar aos brasileiros o drama que se vive nas estradas e nos aeroportos (falar sobre apagão aéreo e suas centenas de vítimas, além do escândalo da VARIG), mostrar a quantidade de pessoas que morrem por falta de atendimento hospitalar, mostrar o drama dos agricultores diante de infraestrutura deficiente, de um real supervalorizado, e a ameaça constante que representa o MST e congêneres que são financiadas pelo governo Lula para praticarem um terrorismo no campo. Mostrar o quanto a criminalidade prosperou no governo Lula apesar dos inúmeros programas que lançou e nunca saíram do lugar. Deveriam ter entrado de cabeça no PNAD e de lá retirarem todos os indicadores que mostram o quanto o governo deixou de fazer, seja no saneamento, na saúde ou na educação. E mostrar que todos aqueles números que Lula e Dilma agora exibem com tanta empáfia seriam mentirosos. Deveriam tê-los, enfim, desacreditados antes que começassem a mentir. Deveriam confrontar seus fatos e estatísticas ao discurso vazio e mentiroso do governo.

E que tal um pouco de política externa onde este governo só colecionou derrotas e se juntou à escória?

Mostrar ao país o quanto o PT tem lutado para legalizar as drogas, o aborto, a censura à liberdade de expressão, o quanto é deficitário o patrulhamento de nossas fronteiras e o perigo que esta vulnerabilidade representa para a sociedade pelo contrabando quase liberado para entrada de drogas e armas que vão alimentar a violência nos grandes centros. Mostrar o quanto de dinheiro se gastou em doações para ONGs picaretas, em gastos correntes, para depois garrotearem os aposentados de forma tão infame, com a alegação de “falta de recursos”.

Mas isto tudo teria  receptividade se o PSDB tivesse adotado o discurso de oposição há mais tempo, e não às vésperas da eleição, deixando o segundo mandato de Lula inteiramente livre para ele ditar as regras da política brasileira.

Importante também que mostrasse o Lula crítico da elite política, no passado, e agora de braços dados ao que existe de pior. O Lula crítico dos programas sociais de Fernando Henrique e o que ele dizia na época, e a mudança de discurso quando chegou ao poder. O operário que se dizia humilde e pobre, para o elitista gastador a mãos cheias na presidência onde os gastos foram multiplicados por 10 vezes, e o que é pior: determinando que os mesmos não fossem mostrados à sociedade.

Ah, senhores, o que não faltou e nem tampouco faltam são motivos para bater duro no governo Lula. Se o PSDB e aliados quiserem se enganar, estejam à vontade. Vão penar ainda um bocado para voltarem ao poder, porque sem abraçarem as verdadeiras causas de sua derrota e a adoção de uma nova postura, não conseguirão se tornar relevantes aos olhos da sociedade.

Claro que o TSE foi inquietante e absurdamente omisso em relação à propaganda antecipada que Lula pratica há pelo menos dois anos. Claro que o TSE tanto quanto o Ministério Público foram quase totalmente irresponsáveis ao permitirem o uso da máquina pública e dos recursos públicos em proveito eleitoral. Mas até a oposição poderia ter se  utilizado desta munição, porque o PT chegou ao poder procedendo exatamente deste jeito.

Vejam acima: quanto material e munição a oposição desperdiçou, as quais uma vez bem empregadas e com estratégias adequadas, poderia estar hoje em vantagem. Tentar ser agora o que não foram ao longo de quatro ou até de oito anos, creio ser meio tarde.

A oposição precisa, enfim, guardar a quarta e última lição: a gente conquista alguma coisa na vida, mediante transpiração pessoal. Em 2006, acharam que Lula, por conta do mensalão, chegaria fragilizado diante da opinião pública, e agora, acharam que Dilma se desmantelaria sozinha diante do eleitorado. Só que Lula em 2006, ganhou o espaço e o tempo para se recuperar, e Dilma neste ano, ganhou o espaço e o tempo para melhor se preparar. Não que tenha se tornado alguma coisa brilhante. Longe disso. Mas soube atenuar seus defeitos e até escondê-los, contando com o guarda chuvas de seu padrinho e mentor. Quem tinha que ter agido em 2006 e agora, em 2010, era a oposição, para ocupar os espaços vazios. Ao não fazê-lo, comeu mosca e deixou que o governismo tomasse conta do discurso.

Contudo, e independente de qualquer resultado, muito embora uma virada seja missão quase impossível, pode ser que o PSDB e seus aliados tirem as duras lições que 2010 está lhes oferecendo: é preciso fazer e atacar sempre, seja no governo ou fora dele. Dar campo ao adversário, é permitir que ele dite o ritmo do jogo. Ou seja, é preciso que façam e apliquem a verdadeira ciência política, sem a qual, o melhor que terão a fazer é largarem a política e mudarem de ramo de atividade.

Estariam as pesquisas sendo manipuladas?

Adelson Elias Vasconcellos.

Nunca me coloquei contra as pesquisas eleitorais. Nunca encontrei razões para discordar de seus resultados, apesar de estranhar alguns critérios. Porém, e estranhamente, os institutos de pesquisas estão omitindo informações. Leio na página do Cláudio Humberto a seguinte nota:

Institutos agora omitem locais pesquisados

Institutos de pesquisas eleitorais deixaram de observar a exigência legal – quando as registram no Tribunal Superior Eleitoral – de apontar onde realizam o levantamento e o número de eleitores entrevistados em cada cidade. Estes dados são fundamentais para a credibilidade da pesquisa. “O que temos é o que está no relatório registrado no TSE”, desdenhou o diretor do Sensus, Ricardo Guedes, ao ser interpelado

A omissão dos detalhes das pesquisas coincide com o crescimento espetacular de Dilma Rousseff no Ibope, Datafolha, Vox e Sensus.

TSE confirma a obrigação de indicar o número de entrevistados em cada cidade, mas não sabe se haverá punição pelo desrespeito à lei.

COMENTO:
Alguém encontra algum motivo razoável, que não seja cretinice ou pilantragem pura, para que os institutos de pesquisas adotem a prática de não divulgarem os locais, com o respectivo número de eleitores, onde realizam seus levantamentos?

Ora, se a lei determina que assim se proceda, e os institutos  arquivam suas pesquisas no TSE sem os dados que SÃO obrigatórios, o mínimo que se exige do Judiciário é que se recuse a receber os levantamentos, além de vetar sua divulgação pública!

Há algo nesta campanha eleitoral que não cheira bem. E não me refiro, apenas e especificamente, às pesquisas, mas ao ambiente todo. Veja o caso da tal lei do ficha limpa. Santos deuses!!! Desde quando a constituição permite que uma lei tenha efeito retroativo? E, no caso da legislação eleitoral, não há, também, expressa determinação para que as leis, que regulamentam cada pleito, sejam aprovadas no ano anterior à realização das eleições? Estranho, não é?

O abusivo uso da máquina pública, além dos recursos do Estado, já não caracterizariam, plenamente, abuso de poder político e econômico por parte do governo Lula?

Alguém pode me dizer por que razão o processo do mensalão está, simplesmente, engavetado no Supremo Tribunal Federal? E o mesmo STF mantém o jornal "O Estado São Paulo" sob censura, há mais de um ano, a troco do quê?

Sente-se no ar não apenas a fumaça que varre o país todo por conta das queimadas e do tempo extremamente seco. Há como que uma força estranha para se encerrar a eleição presidencial muito rapidamente, a toque de caixa, tudo resolvido no primeiro turno, sem discussões, sem debates, sem campanha.

Mas peraí, minha gente: não estamos escolhendo o síndico do nosso prédio. Está em jogo a escolha da pessoa, homem ou mulher, que irá governar o país nos próximos quatro anos, e que irá afetar, diretamente e indiretamente, a vida de aproximadamente 200 milhões de pessoas! De suas decisões ou decisões, dependerá o bem estar de todos nós. Então, por que toda esta pressa? Não há um segundo turno previsto em lei, para tornar a escolha com menor risco de erro, promovendo amplos debates entre os mais bem votados, justamente para que a escolha seja a mais acertada, premiando o melhor candidato, o bem preparado e mais capaz? Este atropelo todo pode servir a tudo, menos a tornar melhor a nossa ainda incipiente democracia! Até pelo contrário. E então, o que está se passando que não estão nos contando? Que "projeto" sujo se oculta da opinião pública, para, após a proclamação do resultado, aplicar-se um verdadeiro estelionato eleitoral?  Porque rigorosamente, não sabemos com quais projetos e programas os candidatos pretendem, se eleitos, governar o país. O que estamos assistindo e ouvindo são promessas vazias, sem fundamento, sem compromisso, sem avaliação mais aprofundada. 

A propósito das pesquisas, vejo que não sou apenas eu a estranhar o “comportamento” digamos... diferente de alguns institutos. O excelente Sebastião Nery chama a atenção para o caso do DATAFOLHA, no artigo “Almoço e pesquisa”, publicado no post anterior.

Aliás, o Nery, assim como alguns poucos jornalistas que restam independentes e analistas políticos, são extremamente reservados e até contrários sobre a forma como as pesquisas são feitas no Brasil, principalmente, quanto a atuação de alguns “institutos” que trabalham sob encomenda para partidos políticos.

É como se, a partir de um dado momento, eles deixassem de informar o sentimento do eleitor, e passassem a fazer parte da torcida organizada de determinadas agremiações partidárias. Sabendo que este ou aquele resultado sempre será notícia, e muita notícia, é como se estivessem lançando a isca para parte da mídia passar a se portar mais como militante, do que propriamente como jornalistas.

Não tenho elementos para me alinhar a estes críticos, nem para concordar tampouco para contestar. O que sei é que a notícia que o Cláudio Humberto publicou e acima foi reproduzida, acende um sinal de alerta. Estariam os institutos de pesquisas condicionando seus levantamentos a produzirem um resultado predeterminado, razão para passarem a omitir os locais de pesquisas, porque sua divulgação resultaria na demonstração da fraude ou da manipulação em favor de alguém?

Eis a questão para se investigar. Quem sabe não se descobre a partir daí a explicação para determinados e estranhos resultados que as urnas tem apresentado nos últimos anos!!!????

Almoço e pesquisa

Sebastião Nery

RIO - Não faz muito tempo contei esta história aqui. Mas voltou a ficar atualíssima. Bartolomeu Barbosa, Bartô, oficial de gabinete do governador Agamenon Magalhães, em Pernambuco, ficou tão chocado com a morte do chefe, em 1952, que arrumou as trouxas e aterrissou em São Paulo. Em 1965, estava na “Última Hora”, fazendo cobertura política.

Uma tarde, Carlos Laino Júnior, diretor da redação, manda-o à Assembleia Legislativa:

- Vá lá entrevistar o Chiquito Franco.

Francisco Franco, presidente da Assembleia, amigo de Adhemar, era uma “barra-pesada”, que comandou durante anos os bastidores legislativos de São Paulo. Bartô foi, fez a entrevista. Na saída, Chiquito pôs alguma coisa no bolso de Bartô:

- Pode ir, meu filho. Jornalista que e entrevista não perde tempo.

Lá fora, Bartô conferiu. Eram Cr$ 50. Entregou a Carlos Laino:

- O deputado pôs esses Cr$50 no meu bolso. O que é que eu faço? Na hora fiquei sem jeito de olhar. Vou devolver. Ele disse que jornalista que o entrevista não perde tempo.

- Amanhã, recorte a entrevista, ponha num envelope, bote o dinheiro junto e mande tudo para ele. Ele precisa aprender que jornalista não é boy da Assembleia para ele ficar dando dinheiro.

Meu amigo Bartô mandou de volta os Cr$50. Ganhava Cr$60 por mês na “Última Hora” e vivia duro.

Friedman
Chiquito Franco achava que “não há entrevista grátis”. Milton Friedman, chefe da “escola “monetarista de Chicago”, Premio Nobel de Economia de 1976, também achava que “não há almoço grátis”. E qualquer político sabe que também “não há pesquisa grátis”.

Mas algumas são excessivamente estapafúrdias, escalafobéticas. Nas campanhas eleitorais passadas, o Datafolha fazia pesquisas mensais. Quando chegava o ultimo mês, passavam a ser semanais. Na véspera da eleição, saia a ultima. E jactava-se, para diferenciar-se dos outros institutos:

- “Não fazemos pesquisas para partidos políticos.”

E por isso sempre foi considerada a pesquisa mais confiável. Justiça se lhe faça: o Datafolha nunca disse que não fazia pesquisa para governo.

Datafolha
Nesta eleição, não sei se por causa da morte do velho e sábio Frias, a rua Barão de Limeira endoideceu. As “pesquisas” do Datafolha eram mensais, sempre com mais de 10 mil entrevistados durante quatro dias da semana, “encomendadas pela Rede Globo de Televisão”.

A ultima tinha sido entre 9 e 12 de agosto, um mês e meio antes da eleição. Em 20 de agosto, surpreendem com “nova pesquisa, realizada em um dia só, sexta-feira, com 2.727 entrevistados, em 171 municipios”.

- “Dilma dispara, com 19 pontos na frente de Serra, dobra vantagem e venceria Serra no primeiro turno”.

Não disse quem pagou o almoço, quer dizer, a pesquisa. Não foi a TV Globo. Mas estavam garantidas para o governo e a campanha de Dilma as manchetes de TV, rádios e jornais durante todo o fim de semana.

Dilma
Acharam pouco. Três dias depois, quinta-feira, 26, a primeira pagina da Folha era uma farra só : - “Dilma Abre 20 Pontos Sobre Serra”.

Outra vez não disseram quem pagou o almoço,quer dizer, a pesquisa. Jornalisticamente, não tinha sentido. Manchete e primeira pagina para uma pesquisa tres dias depois, “com 10.948 (?) entrevistados” (em quantos municípios?) só para dizer que “Dilma abriu mais um ponto de frente”?.

O gringo Friedman não sabia que pesquisa é mais barato que almoço, comício, showmício, foguete, camiseta e cabo eleitoral.

Se esta semana a pesquisa Datafolha foi de três em três dias, na próxima será de dois em dois e em setembro deverá ser diária. Do contrario, os velhos e fieis assinantes de anos e anos, como eu, vamos pensar que outro candidato segurou o galope pesquisitorio do Datafolha.

Moreno
De quando em quando, os jornalões têm instantes de lucidez. Por exemplo, “O Globo”, agora, criando a coluna “Historias do Moreno”, onde ele tem relembrado historias antigas e desenhado perfis magistrais, como o do farsante general Castelo Branco cassando JK e o do sábio Tancredo.

De quando em quando, tropeça. Mas está perdoado. De tanto correr atrás da Mariana Ximenes e da Dilma, às vezes ele perde o fôlego e se perde. Falando do livro de Ulysses Guimarães, “Rompendo o Cerco”, “o único que escreveu”, “logo no prefacio (sic) inocenta Roberto Santos”.

O prefacio não é de Ulysses, Moreno. Para honra minha, é meu, a pedido dele. Está lá, na abertura, paginas 11 e 12. Que inveja é essa? E o

“Pacote de Abril”,de Geisel, não foi dia 13 de abril de 77. Foi dia 1º para 2.

Michel
Michel Temer sempre pareceu uma pessoa normal. Nem precisava repetir o saudoso humorista na TV : - “Eu sou normaaaallll”!

No debate Folha/UOL, Michel falou como se estivesse “normal”:

- “O que o PMDB vai fazer é colaborar. Não há fisiologismo, não há troca de cargos. O PMDB repudia (sic) essa coisa de fisiologismo”.

Deus te perdoe, Michel Temer!

'Ham-ham' ou 'Hum-hum'

Leila Alves (Do Blog da Maria Helena R. R. de Souza)



Tarde da noite, já estavam deitados, quando...

MULHER : Se eu morresse você casava outra vez?

MARIDO: Claro que não!

MULHER : Não? Não por quê? Não gosta de estar casado?

MARIDO: Claro que gosto!

MULHER: Então por que é que não casava de novo?

MARIDO: Está bem, casava...

MULHER: (com um olhar magoado) Casava?

MARIDO: Casava. Só porque foi bom com você...

MULHER : E dormiria com ela na nossa cama?

MARIDO: Onde é que você queria que nós dormíssemos?

MULHER: E substituiria as minhas fotografias por fotografias dela?

MARIDO : É natural que sim...

MULHER: E ela ia usar o meu carro?

MARIDO: Não. Ela não dirige...

MULHER: !!!! (silêncio)

MARIDO : ( em pensamento ) Ferrou...!!!

MORAL DA HISTORIA:

JAMAIS prolongue um assunto com uma mulher... apenas abane a cabeça e/ou diga 'Ham-ham' ou 'Hum-Hum'.

Aqui e lá – EUA cobram muito mais dos candidatos à Casa Branca

Patricia Campos Mello, Estadão online

Publiquei uma matéria hoje sobre a diferença no nível de cobrança dos candidatos à presidência nos Estados Unidos e aqui no Brasil. Reproduzo a versão ampliada, abaixo.

Depois de a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, ser questionada em um debate sobre sua saúde, na semana passada, ela disse ter considerado a pergunta “um pouco deselegante”. No dia seguinte, acabou vazando para os jornais uma reportagem relatando que Dilma havia se submetido naquela noite a exames no Hospital Sírio-Libanês. Seus médicos divulgaram uma nota atestando que a saúde da candidata é “excelente”. Dilma foi diagnosticada com câncer linfático em abril do ano passado, teve um nódulo retirado e foi submetida a sessões de quimioterapia.

Nos Estados Unidos, o candidato republicano John McCain, que perdeu a eleição de 2008 para Barack Obama, viu-se forçado a abrir 1.173 páginas de histórico médico, de 2000 a 2008, para serem examinadas por jornalistas durante a campanha. McCain foi diagnosticado com câncer de pele (melanoma) em 2000 e teve tecidos do rosto e pescoço retirados.

A transparência em relação à saúde dos candidatos é apenas uma das áreas em que o nível de cobrança dos eleitores é bem maior nos Estados Unidos. Diferentemente do Brasil, lá os candidatos a cargos públicos são obrigados a prestar contas sobre suas biografias, seus rendimentos e de seus familiares, e histórico médico. Não há lei que obrigue os políticos a fazerem isso. Mas a pressão da opinião pública é tão forte, que eles são compelidos a divulgar dados, para se manterem competitivos na campanha.

Transparência com o passado dos candidatos também não tem sido o forte das eleições brasileiras. Nos Estados Unidos, o candidato republicano John McCain teve seu histórico de veterano da guerra do Vietnã dissecado nas eleições em que se candidatou. Em 2008, a Marinha divulgou todos os registros militares sobre a atuação de McCain. Ele ficou preso durante cinco anos e foi torturado por soldados vietnamitas – como sequela, não consegue levantar os braços nem para pentear o cabelo. Antes da divulgação da Marinha, McCain já tinha abordado sua atuação na guerra longamente em seu livro de memórias, Faith of My Fathers..

Ele era considerado herói de guerra e seus oponentes democratas relutavam em criticá-lo. Mas alguns opositores acusam McCain de ter cometido crimes de guerra por ter bombardeado alvos civis em Hanói nos anos 60.

Aqui a oposição também reluta em criticar a atuação de Dilma na resistência à ditadura militar e os três anos que ela passou na prisão, depois de participar de missões do VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares).

Não há transparência sobre a atuação de Dilma durante o período. Está trancado desde março, num cofre da presidência do Superior Tribunal Militar, todo o processo que levou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, à prisão durante a ditadura. O relatório foi retirado dos arquivos para evitar “uso político”.

No Brasil, onde vários políticos eleitos tiveram os mandatos interrompidos por estarem doentes, não existe uma exigência de os candidatos prestarem contas sobre sua saúde. O marechal Artur da Costa e Silva sofreu um AVC em 1969, quando estava no poder, levando o pais a um período de turbulência. Tancredo Neves adoeceu na véspera da posse e morreu 38 dias depois, de causas ainda não totalmente explicadas.

Segundo Fábio Wanderley Reis, professor emérito de ciência política da UFMG, a população brasileira ainda tem muito pouca informação política e por isso o nível de cobrança dos candidatos é baixo. “Como dizia o político Milton Campos, a opinião pública é apenas uma pequena parte do eleitorado”, diz. “A opinião pública são aqueles que participam, se manifestam, enquanto o eleitorado é o grosso dos que vão votar.”

Nos Estados Unidos, desde 1980, os candidatos autorizam seus médicos a divulgar seus históricos de saúde, embora isso não seja exigido por lei. George W. Bush divulgou todos os seus históricos e permitiu extensas entrevistas com seus médicos. Bush pai, Michael S. Dukakis, Bob Dole e John Kerry autorizaram entrevistas extensas com seus médicos e deram coletivas discutindo sua saúde. Já Bill Clinton só falou sobre sua saúde quando concorreu à reeleição.

Em maio de 2008, quase seis meses antes do dia da eleição, McCain reuniu um grupo de jornalistas e divulgou seu histórico médico, que é protegido por leis de proteção à privacidade. Depois, McCain realizou uma coletiva de imprensa só para falar sua saúde, por 45 minutos. A queixa, lá, foi que ele abriu os documentos apenas para 20 jornalistas (entre eles CNN, Washington post, Reuters e Associated Press) , que tiveram três horas para examinar o histórico e fazer anotações. A campanha só resolveu abrir o histórico médico de McCain depois de muita pressão de órgãos de imprensa.

Fernando Lattman-Weltman, professor de ciência política da FGV do Rio, destaca as diferenças culturais entre os dois países. E lembra que na França, por exemplo, o câncer do ex-presidente François Mitterrand não era tema de campanha, nem a segunda família que ele mantinha. “Brasil e Estados Unidos estão em estágios diferentes de amadurecimento democrático, as eleições só agora estão adquirindo uma competição real e mobilidade”, diz. “Mas dito isso, é importante ter na agenda a maior transparência e prestação de contas em várias áreas.”

A transparência sobre os rendimentos dos candidatos – e seus familiares – também é bem maior nos Estados Unidos. Na eleição de 2008, o republicano John McCain e os democratas Hillary Clinton e Barack Obama, tiveram de divulgar todos os seus rendimentos, de seus cônjuges e filhos dependentes. Aqui, não há registro de declaração de rendimentos da mulher de José Serra, Monica.

Já eleito, Obama divulga no site da Casa Branca, todo ano, uma declaração de todos os seus rendimentos e bens de quase 10 páginas. Ele declara até o cachorro Bo, que ganhou de presente do ex-senador Ted Kennedy, ao custo de US$ 1.600.

O nível de vigilância dos eleitores também é mais baixo quando se trata de flagrantes de atitudes destemperadas dos candidatos. George Allen, candidato à ao Senado pelo Estado americano de Virginia, perdeu uma reeleição fácil em 2006 depois de ser flagrado ofendendo uma pessoa em um vídeo postado no You Tube. Allen chamou de “macaca” um americano de origem indiana, que estava na plateia de um comício seu, filmando o evento para a campanha concorrente. O vídeo do episódio “macaca” fez Allen perder de seu concorrente democrata, Jim Webb, por 10 mil votos, depois de ter largado com ampla vantagem. Allen era dos mais cotados para ser o próximo candidato republicano à presidência, e a gafe acabou com suas chances.

No Brasil, o vídeo em que o governador do Rio, Sérgio Cabral, ofende um eleitor, não repercutiu em sua enorme margem de vantagem para a reeleição. Em um vídeo postado no site YouTube, Cabral, aparece, ao lado do presidente Lula, discutindo e xingando o jovem Leandro. Na gravação, o rapaz reclama do barulho que o Caveirão (veículo usado pela polícia do Rio) faz na sua rua. Cabral então pergunta: “E o tráfico?”. Leandro responde “na minha rua, não” e Cabral retruca, “não tem nego de metralhadora, não? Então deixa de ser otário, discurso de otário”. Em trecho adiante o governador diz ao menino: “Bota essa inteligência toda para estudar, ô sacana!”

Eleição sem política

Marco Antonio Villa, Folha de S. Paulo

Ganhar eleição é uma possibilidade, fazer política é um imperativo. O Brasil poderá com esta campanha inaugurar uma nova forma de pleito presidencial: sem debate, sem polêmica, sem divergência e sem oposição.

Nas últimas cinco eleições tivemos disputa em três delas. Mas disputa mesmo, só em 1989. Em 1994 e 1998, FHC venceu Lula facilmente, as duas no primeiro turno.

Em 2002 e 2006, Lula foi como franco favorito para o segundo turno. Eu esperava que teríamos uma eleição diferente em 2010: sem Lula e com oposição que transformasse o pleito em um momento de amplo debate nacional.

Rotundo equívoco. Lula é candidatíssimo, aparece mais que Dilma. E pior: a oposição não apareceu ao encontro marcado. Como um aluno relapso, faltou justamente no momento da avaliação, a eleição.

Na República Velha, a oposição concorria sabendo que o resultado seria fraudado. Era o momento de, ao menos, marcar posição e acumular forças para um novo embate. Agora -e de forma surpreendente- nem isso está ocorrendo. Confesso que a cada dia que assisto ao horário eleitoral fico mais estarrecido.

Este triste panorama terá efeito direto sobre o Legislativo. Tudo indica que o futuro Congresso será muito mais governista que o atual. E também com um número expressivo de “deputados cacarecos”, o maior da história recente, produto direto da inexistência do debate político.

A despolitização abre campo para que ex-jogadores de futebol, comediantes, cantores e celebridades instantâneas sejam considerados puxadores de votos para partidos de todos os matizes.

Outro efeito nefasto da despolitização é a permanência (e até ampliação) dos representantes dos oligarcas. Quase todos os sobrenomes que simbolizam o que há de pior na política brasileira estão apoiando a candidata oficial. São espertos. Tratam Lula como se fosse um dos seus. E, por incrível que pareça, ele acabou se transformando em uma espécie de “capo” dessas famílias.

Parodiando Sílvio Romero, no célebre discurso de recepção a Euclides da Cunha na ABL, Lula chegou “à suprema degradação de retrogradar, dando, de novo, um sentido histórico às oligarquias locais e outorgando-lhes nova função política e social”.

A apatia política tem preço. E muito alto para o país. A fuga da oposição do debate, o medo do enfrentamento, a recusa de se opor, pode abrir caminho para um longo domínio do Estado por parte de um bloco conservador, sem espírito republicano, com tinturas caudilhistas e desejos de impor sua vontade à força.

Na fila do aeroporto, ao menos estamos seguros

Paulo Rabello de Castro, Revista Época

Um projeto de lei tenta permitir que se importem pilotos estrangeiros. Já fomos mais inteligentes

O programa Casseta & Planeta da segunda semana de agosto bateu duramente nas companhias aéreas. Lembrou o que dizem as mães – creio que todas – quando recomendam aos filhos: “Evitem as más companhias, quer dizer ...as aéreas!”. O quadro dos cassetas mostrava a frustrada tentativa dos clientes de embarcar na Tabajara Airlines, figurativa de algo que não apenas funciona mal, mas também teima em não buscar solução para o problema aflitivo de quem quer viajar.

Já é hora de começar a lidar melhor com esse trauma e elaborar algumas causas do caos instalado, que mais uma vez ameaça, talvez com contornos sinistros. Tomara que não. Que sejam só embaraços e desconfortos. O fato é que o setor aéreo tupiniquim tem andado no fio da navalha desde o episódio da eliminação da Varig, em 2006. Antes disso, é bem verdade, já não andava bem. Mas o equívoco da sentença de morte contra a maior empresa brasileira do setor deixou um buraco na aviação comercial brasileira que as autoridades ainda não conseguiram superar. Como qualquer serviço público essencial e regulado, a Varig não poderia jamais ter sido desbancada e substituída do jeito atabalhoado que o foi pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Judiciário. Lembrando: algumas revistas e alguns jornais, na ocasião, repetiam um refrão a favor do “livre mercado”, concluindo que a Varig deveria ter fim por ser sinônimo de ineficiência e bancarrota, pela baderna administrativa e por suas tripulações estufadas para a quantidade de aeronaves em sua frota. Também diziam que a Varig devia os tubos aos credores, sem apontar que ela também era (e ainda é) credora do governo. E que era uma oligopolista agindo como se fosse uma estatal. Etc. Etc.

Fatos: quatro anos se passaram, e o domínio do mercado por duas aéreas só mudou de mãos. A qualidade do serviço não melhorou um milímetro sequer; perderam-se, porém, algumas referências do modo Varig de voar. Além disso, desfez-se o mito do excesso de pessoal, que seria o pior defeito da companhia mais querida do Brasil, pois a relação piloto-aeronave não avançou no padrão da propalada eficiência. Nota: os voos intercontinentais foram para a concorrência externa. E você sabia que 600 dos mais competentes pilotos da antiga Varig foram buscar emprego em Londres, Dubai, Hong Kong, Xangai, Mumbai e Lisboa? Sim, “exportamos” os mais experientes pilotos para o exterior. O que acharíamos de perder para o resto do mundo nossos 600 melhores médicos ou engenheiros? Tragédia. Foi o que aconteceu nas barbas das autoridades. Se o capital humano de uma empresa ou coletividade se vai, o que ocorre em seguida com a qualidade e confiabilidade do serviço? Isso todo mundo sabe responder.

Mas tramita um projeto de lei na Câmara que tenta alterar o Artigo 158 do Código da Aeronáutica, a fim de permitir que se importem pilotos estrangeiros em grandes quantidades para voar em solo brasileiro. Francamente, já fomos mais inteligentes. Sabíamos educar e treinar brasileiros. Hoje, o mote é o corte de custos em pleno voo para, supostamente, melhorar o padrão financeiro das empresas aéreas. Será? A Varig quebrou devendo metade de seu passivo aos próprios trabalhadores, que aprovaram um Plano de Recuperação Judicial para injetar de volta na empresa parte desse crédito como risco. Passaram por cima desse plano para vender ativos picados. E quem depende do fundo de pensão da Varig passa até fome.

É patente a responsabilidade das autoridades nesse processo, que ainda nos fará morrer de vergonha quando chegarem a Copa e a Olimpíada. Se as atuais companhias são um time que joga mal, pior é o técnico, no caso a Anac. Abrindo o site da agência, vemos estatísticas estagnadas em 2008. A ineficiência administrativa, e, no caso da Varig, também a judiciária, não tem paralelo na história da aviação brasileira. A conclusão é paradoxal: nosso sofrido viajante reclama de mofar nas filas dos aeroportos, mas, possivelmente, está mais seguro lá do que voando como sardinha em lata.

Um legado explosivo

Editorial, O Estado de São Paulo

Quem suceder ao presidente Lula encontrará um legado difícil de carregar - Tesouro mais endividado, mais custeio engessando o orçamento, compromissos pesados e de retorno duvidoso e um buraco crescente nas contas externas. Em julho o superávit primário do setor público ficou em apenas R$ 2,45 bilhões, o resultado fiscal foi o pior para o mês em nove anos e o quadro não deverá mudar muito nos próximos meses. Sem a popularidade e o carisma do antecessor, o próximo presidente precisará tomar medidas severas, se quiser arrumar os fundamentos da economia. Se o Brasil ainda estiver crescendo, isso facilitará seu trabalho. Mas Estados Unidos e a maior parte da Europa continuarão derrapando na crise, o dinamismo chinês poderá ser menor e o mercado global será bem menos hospitaleiro do que o foi até o começo da recessão. Durante seis anos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva governou com vento a favor na economia global. Quem o substituir não terá essa bênção.

Quem vencer a eleição deverá negociar o novo salário mínimo com as centrais sindicais. A negociação incluirá o aumento das aposentadorias superiores ao salário básico. A recessão de 2009 não será levada em conta nos cálculos. Esse presente para o novo governo foi incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O presidente Lula preferiu não vetar esses dispositivos, mas vetou outros 25 pontos politicamente menos complicados. O próximo orçamento será sobrecarregado também de aumentos salariais concedidos antes da tramitação do projeto da LDO. Essas e outras bondades tornarão mais inflexível o Orçamento-Geral da União (OGU).

Além disso, as contas públicas estarão comprometidas com despesas vinculadas à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) participará do financiamento de vários projetos, possivelmente incluído o do trem-bala. O custo desta obra ainda é desconhecido e as estimativas oscilam entre R$ 33 bilhões e R$ 40 bilhões. Como os projetos da Copa estão atrasados, o Tesouro Nacional poderá ser forçado a intervir para evitar um fiasco internacional. Ninguém sabe quanto dinheiro público essa aventura consumirá.

Comprometido com a capitalização da Petrobrás, o governo precisará emitir mais títulos. O valor dos papéis dependerá do preço dos 5 bilhões de barris de petróleo correspondentes à parcela da União no aumento de capital da empresa.

Os ministros da área econômica haviam traçado um roteiro para eliminar até 2012 o déficit nominal das contas públicas, isto é, para equilibrar de forma completa receitas e despesas. Há poucas semanas, o Ministério da Fazenda anunciou uma revisão do plano: o prazo, agora, estende-se até o fim de 2014.

Mesmo esse prazo parece otimista, agora, quando se considera o peso dos compromissos assumidos pelo governo com os financiamentos a empresas via BNDES, com a Copa, com a Olimpíada, com a exploração do pré-sal, com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e, é claro, com os programas sociais. Some-se ainda o inchaço da folha de pessoal, agravado pelas contratações do ano passado, e dos encargos da Previdência.

Para completar, o País gastou com importações neste ano, até julho, 45,1% mais do que um ano antes e exportou 27% mais. O descompasso tende a persistir. O superávit comercial encolhe com rapidez. O déficit em conta corrente chegou a US$ 43,8 bilhões em 12 meses e poderá alcançar uns US$ 50 bilhões em 2010. Para 2011 a previsão fica em torno de US$ 60 bilhões. Não há risco imediato de crise cambial, mas as contas deterioram com rapidez e o quadro externo aumenta a preocupação.

A resposta mais óbvia e mais prudente é a adoção de uma séria política de competitividade, com reforma dos impostos, aumento do crédito aos exportadores e investimentos urgentes na infraestrutura.

A precária situação das contas públicas tornará essa tarefa muito mais difícil. Esse trabalho ainda será prejudicado pela baixa qualidade gerencial do setor público - parte das bombas deixadas por Lula ao próximo governo.

A temeridade do partido único

Comentando a Notícia

Interessante ler o texto a seguir, extraído do Blog da Maria Helena R.R. de Souza (por sinal, blog excelente!), que serve para que a gente reflete um pouco mais antes de correr para as urnas em 3 de outubro próximo.

Conversa vai, conversa vem...

No excelente texto de Maria Lima na Folha.com de ontem, 27/08, ela nos relata o que Lula disse num palanque no Recife. Ele diz, como ameaça, que usará a caneta até o fim do mandato:

"-Tem gente que fica falando aqui como se eu já tivesse ido embora, mas ainda tenho quatro meses e alguns dias de governo. Tem gente que se mata para ser presidente por um dia, mas ainda tenho quatro meses e alguns dias. Ainda tenho caneta para fazer muita miséria nesse país" - disse Lula, acrescentando:

"- Não tem nada pior do que você precisar de um voto, e as pessoas (ficarem) te chantageando. Por isso, é importante votar nos deputados da coligação da companheira Dilma".
O que o Lula tem dado de bandeira da dor de cotovelo que anda sentindo, não está no mapa.

Noutro dia falou da "emendinha" que podia ter feito para ficar mais 4 anos.

Pois olhem, eu, pessoalmente, teria preferido.

Seria um jogo mais limpo, mais às claras, do que essa conversinha mole de que dona Dilma vai governar... Quer dizer, tenho cá para mim que ela até vai tentar, tem temperamento para isso, mas que ele vai perturbar, vai...

Sabe aquele namorado ou namorada que não desgruda do pé? Vai ser assim...

Vamos ver no que isso vai dar.

Meu medo é, repito, os partidos se evanescerem diante do PT... ou até, conforme cantem os fados, diante do PMDB e sua fome insaciável... Pelas beiradas, ele vai comendo, comendo... Um partido único é um terror.

Precisamos votar bem para o Legislativo e mostrar ao Lula que o Executivo no Brasil não é mais importante que o Legislativo. Ele tem que aprender isso. São TRÊS poderes!


***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Veja a foto abaixo: ela representa o que vem a ser a vida num país de partido único, coisa da qual o Brasil já se livrou a custa de sacrifício, mas que, infelizmente, parece não lhe ter sido suficiente.Tiranias de esquerda adoram adotar o de “repúblicas democráticas”, numa tentativa cretina de fazer de conta que não são tiranias. A Alemanha Oriental, comunista e tirânica, e a atual Coréia do Norte, são exemplos desta praga que é um país que não soube preservar sua identidade, mas acima de tudo, não soube valorizar suas instituições e valores democráticos. Hitler, na Alemanha Nazista, é bom que se diga, chegou onde chegou através de eleição direta, e tratou de eliminar a oposição. Deu no deu, tanto quanto o que se vê em Cuba, processo idêntico ao que está em curso na Venezuela. ´

Podem pesquisar que vocês vão descobrir que, grande parte do eleitorado que faz o que o Lula manda, e por isso vota na Dilma, praticamente, não conheceu, não sofreu e não precisou enfrentar o que uma geração de brasileiros amargou por mais de vinte anos: um regime ditatorial. Não vem ao acaso se era militar, direita, portanto, ou de esquerda que, aliás, era a pretensão de muitos falsos democratas que andam soltos por aí, alguns até recebendo gordas indenizações por terem enfrentado a ditadura do período 1964/1985. Estes pseudo-democratas nada mais queriam do que outra ditadura, a de esquerda. Poucos sabem o que vem a ser as agruras de um regime de exceção. Infelizmente, estes mesmos não conhecem nada do que se passa em Cuba, na Coréia do Norte, e até o que vem passando e sofrendo o povo venezuelano. Daí a razão para se encantarem com o canto de sereia das esquerdas tupiniquins.

Querem saber do que mais? Acho que este "povo" do Lula precisará sofrer na própria pele a crueldade de um regime ditatorial para aprenderem a lição!!! Até dói muito ter de reconhecer isto. Acreditem, ainda há, por este país, gente saudosista do regime militar, sem nunca terem vestido uma farda. Gente para as quais o país viveria melhor sem um Congresso tão enlameado quanto o nosso. Ocorre que os parlamentares que lá estão, foram colocados pela vontade do povo brasileiro. Muitos, apesar dos escândalos e dos processos, são reeleitos pelo mesmo povo que se diz envergonhado com o Congresso. Assim, criticar o Congresso é muito fácil, difícil é encarar que eles representam a verdadeira sociedade brasileira.

Deste modo, melhor faríamos se não votássemos em nenhum dos muitos que emporcalharam a vida política do país. Entendêssemos que a democracia saudável prevê a alternância no poder, e não o encastelamento de um grupo, reunido em partido único que, sem oposição, se sente autorizado a fazer o que bem entende e, por certo, a vida política nacional respiraria ares menos contaminados. E, regra geral, isto resulta na vida miserável que vemos e assistimos em Cuba e na Venezuela.

O que o texto da Maria Lima na Folha.com revela é um caudilho que fincou suas raízes no poder calcado na mentira e na mistificação, que a máquina da propaganda oficial se encarregou de criar.

Sempre que uma empresa ou um produto não encontra um concorrente no mercado, ele tende a se acomodar e não mais investir em melhoria e qualificação. Na política não é diferente. Saudável sempre é a competição, a concorrência. Isto permite o confronto de ideias, melhora a qualificação de quem se habilita à prática política, torna o governança dinâmica, e não relaxada, preguiçosa. Fortalece a criatividade, a busca da melhoria, da qualificação constante para enfrentar aqueles que querem tomar o lugar que ocupamos.

Por isso, dentre outros motivos, é que critico os programas sociais do governo federal. Eles não impõem compromissos aos seus beneficiados, e não tem prazo de validade, o que torna um grande número de pessoas realmente preguiçosas e acomodadas, sem perspectiva e sem motivação.

É doloroso ver um presidente que, diante de tantas e imensas possibilidades que a vida lhe ofereceu, ainda glamouriza a ignorância, o pouco estudo, a falta de boa leitura, oferecendo-se como péssimo exemplo a não ser copiado pelas novas gerações.

Pena que seu “público” não teve coragem para contradizê-lo quando afirmou que (...)”...Ainda tenho caneta para fazer muita miséria nesse país...”(...).Poderia contra-argumentar que, miséria por miséria, ele já fez muita como, por exemplo, na saúde, na educação, na segurança pública, nos portos, nos aeroportos, nas estradas, no desregramento das instituições, no aparelhamento do Estado, na afronta às leis, na subserviência do Legislativo ao Executivo, dentre tanta outras muitas misérias e lambanças que praticou.

Particularmente, não creio que o país esteja pronto para despertar deste sono letárgico em berço esplêndido, em que se acha mergulhado. Enquanto este berço não quebrar, pondo a todos no chão e fazendo-os acordar pelo susto da queda brusca, e por isso dolorosa, não espero ver o país mudar o rumo do que já está acontecendo, isto é, vivemos uma ditadura disfarçada e que, sob um governo Dilma, tende a se acentuar e se aprofundar.

O tempo para se evitar o pior é agora: depois, não teremos para quem chorar, apelar ou reclamar. Nunca é demais relembrar esta máxima de Martin Niemöller, de 1933:

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar..."

O lema requentado da ditadura cubana

Comentando a Notícia

O texto de Flavia Bemfica, no Portal Terra, não deixou dúvidas quanto aos propósitos que se escondem por detrás de um provável governo Dilma. Se alguém ainda pudesse ter dúvidas quanto ao projeto de poder, e o que as esquerdas pretendem instalar no país, a frase de Marco Aurélio Top-Top Garcia, aquele assessor para assuntos pornográficos do governo Lula, sintetiza de forma definitiva. A frase é um arremedo do que Che Guevara utilizou durante a Revolução Cubana, em que se substituiu uma ditadura por outra. O “ser duro” resumia, de forma miserável, o direito que os revolucionários se atribuíam de matarem quem deles discordassem, quem defendesse outro ideal político.

Sem perder a ternura jamais, significa matar sem sentir-se culpado, e até sorrindo para a vítima.

É claro que Dilma não terá a pretensão de chegar à máxima de Guevara. Mas, tanto seu programa inicial arquivado no TSE, quanto o tal decreto sobre Direitos Humanos, publicado em dezembro de 2009, às vésperas do Natal, cujo texto foi revisado pela Casa Civil da então ministra-chefe, hoje candidata Dilma Rousseff, dão mostras do que será seu governo. Sem contar o COFECOM da vida, sonho de consumo de Franklin Martins.

Questões como aborto, tribunais de exceção para resolver conflitos agrários onde terão assento invasores de propriedade alheia, além da censura e restrição ao direito de expressão, são algumas das “geniais” ideias que farão parte da dureza, sem que o cinismo perca sua graça e a mistificação ponha de lado sua impostura.

Eis o que sobrou de um dissidente político cubano. Cadê a ternura?


Segue o texto não apenas para informar, mas para servir de alerta aos incautos: esta gente fala de democracia com a mesma facilidade com que são capazes de, literalmente, matar seus adversários políticos. Cuba é o paraíso terrestre desta gente, que gostariam e sonham instalar no Brasil o mesmo regime, onde pensar diferente, significa assinar seu próprio atestado de óbito. Ou se submeter ser torturado até não restar mais do que um andrajo humano, um farrapo faminto a não ter forças sequer para se sustentar em pé, como, tristemente, a foto acima é bem ilustrativa.

Ah, não esqueçam de dar uma conferida no texto do Guilherme Fiúza, Revista Época, “Ditadura Dilma” (post anterior).

Segue o texto do Portal Terra

Marco Aurélio Garcia: "Dilma será dura sem perder a ternura"
O coordenador do programa de governo da campanha de Dilma Rousseff (PT) e assessor da presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e o senador pelo Paraná Alvaro Dias (PSDB) protagonizaram na noite desta quinta-feira (26), em Porto Alegre, um debate marcado por ironia, frases de efeito e trocas de acusações. Ambos falaram para uma plateia de empresários, políticos e intelectuais no seminário intitulado "Brasil de Ideias", promovido pela revista Voto, no Hotel Sheraton.

Garcia ganhou de longe no quesito frases de efeito. Ao responder sobre uma pergunta a respeito das recorrentes avaliações de que Dilma tem uma personalidade difícil e é rigorosa demais, o secretário resumiu: "a Dilma não será um Lula de saias, mas está comprometida com um projeto. Eu diria que ela será dura sem perder a ternura".

Antes, quando abriu sua exposição, o assessor fez um alerta àqueles que, a partir das últimas pesquisas, consideram que Dilma encerra a eleição no primeiro turno, também recorrendo a um ditado conhecido entre políticos: "eleição e mineração, só no dia da apuração". E, quando teceu elogios a candidata petista, arrematou: "acho que temos uma grande candidata, que não subiu na garupa de ninguém. Teve gente que tentou subir na garupa, mas o cavalo corcoveou".

Dias preferiu abrir o debate com estocadas diretas. "A oposição dizimada é um desserviço para o País", alfinetou, em referência às alianças do governo federal, ao que denominou de marketing oficial e aos altos índices de popularidade da gestão Lula. Ao destacar que o itinerário político dos candidatos à sucessão presidencial era mais importante do que as propostas apresentadas, o senador explicou: "até porque o discurso de campanha às vezes não é a prática do governo. O PT, por exemplo, quando era oposição, combateu o Plano Real e a lei de responsabilidade fiscal".

Em seguida, disse que o próximo governo vai precisar abordar as questões referentes ao crescimento econômico, à dívida pública e ao fato de o País hoje ocupar "lugar de destaque quando o problema é corrupção".

Garcia rebateu fazendo referência aos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Lições de ética e moral devem ser distribuídas com equidade. Não tivemos processos de privatizações cercados de mistérios e até hoje não resolvidos". Na intervenção seguinte, Dias devolveu: "se este governo assumiu e encontro irregularidades nas privatizações, deveria ter tomado medidas reparadoras. Se encontrou e não tomou providências, então prevaricou".

Incentivado a explicar melhor por que a oposição está dizimada, o senador, que recentemente chamou o assessor de "aloprado de direita", partiu mais uma vez para o ataque. Disse que o marketing oficial de não criticar Lula "faz parte do jogo", mas afirmou existirem "outros instrumentos intimidatórios por parte do governo", voltando a fazer referência a "quebra de sigilo fiscal, processos de investigação em CPI e os dossiês". Garcia também repetiu o discurso. Disse que o governo Lula está combatendo a corrupção como não foi feito por outras administrações.

Quando responderam a uma mesma pergunta sobre o que caracteriza um líder, o assessor e o senador de novo trocaram acusações. Com elegância. "Um líder tem que ter a capacidade de assimilar a crítica sem ódio e é importante reconhecer o feito dos outros, não desdenhar e não se apropriar indevidamente", alfinetou Dias. "Um líder político tem que ter capacidade de agregação e identidade com o País. Não conheço nenhum tipo de liderança no mundo que tenha se constituído sem uma forte identidade com seu País", devolveu Garcia.

Enquanto os dois comparavam Dilma e Serra e mediam feitos e defeitos dos governos Lula e FHC, coube a um dos outros participantes do painel, o presidente da Brasilinvest, Mario Garnero, fazer "um corte". "Queria lembrar que foi o ex-presidente Itamar Franco quem autorizou o Fernando Henrique a dar início ao Plano Real. O Itamar às vezes parece que é esquecido pela história", resumiu Garnero.

A ditadura Dilma

Guilherme Fiúza, Revista Época

A opinião pública brasileira chegou a um estado inédito de letargia. Do alto de seus quase 80% de aprovação, Lula pode dizer qualquer coisa. O bom entendedor está arrepiado.

Em sua excitação de Midas eleitoral, com a candidata fantasma disparando nas pesquisas, o presidente fala pelos cotovelos – e seus cotovelos andam dizendo barbaridades.

A mais grave delas, para variar, passou despercebida. Reclamando do Senado Federal, que lhe foi menos servil do que ele desejava, Lula anunciou:

Penso em criar um organismo muito forte, juntando todas essas forças que nos apóiam, para que nunca mais a gente possa permitir que um presidente sofra o que eu sofri”.

A declaração feita num palanque em Recife, onde o presidente tornou-se uma espécie de semideus, é um escândalo. Ou melhor: seria um escândalo, se o Brasil não vivesse nesse atual estado de democracia anestesiada.

Lula está anunciando um “organismo” político para neutralizar o Congresso Nacional. É o presidente da República, de viva voz, avisando que as regras da democracia não servem mais. Quer usar a ligação direta com as massas para enquadrar o Senado. O mais famoso autor de uma idéia desse tipo foi o führer Adolf Hitler.

Se o Brasil não estivesse imerso no sono populista, Lula teria que ser convocado imediatamente ao Congresso para explicar que “organismo” é esse.

As cartas estão na mesa, e são claras. Todas as tentações autoritárias da esquerda S.A. estão fervilhando com a disparada de Dilma, a candidata de proveta, na corrida presidencial. Chegou a hora de submeter o Congresso, a imprensa e as leis à República dos companheiros.

Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou: está sendo urdida uma força para-estatal para dar poderes especiais ao governo Dilma.

A vitória no primeiro turno seria o passo inicial do arrastão. Depois viria a Constituinte petista, com a enxurrada de “controles sociais” e “correções democráticas” que o país já viu sair das conferências xiitas bancadas por Lula.

Brasil, divirta-se com a brincadeira de votar na mamãe. Depois comporte-se, porque o organismo vem aí.

Reaprender a romper a mordaça

Mauro Chaves (*) – Agência Estado

Há uma perspectiva que todos aqueles para os quais a liberdade de expressão é algo fundamental - à profissão, à realização e à vida - não podem mais fingir que desconhecem. As nuvens cinzentas da repressão censória, vindas de diletos hermanos latino-americanos - como a Venezuela, a Argentina e a Bolívia -, já se acumulam nas fronteiras brasileiras e estão prestes a submeter o pensamento nacional ao que funcionários governamentais, representantes sindicais ou burocratas ideólogo-partidários digam ser propício ou não à divulgação pública.

É claro que as tentativas ou medidas já concretizadas de cerceamento da independência e da liberdade dos veículos de comunicação têm sido de graus diversos de sutileza (ou de truculência) e sob pretextos (ou disfarces) variados. Na Venezuela, Hugo Chávez retirou do ar, juntamente com mais cinco emissoras de TV a cabo, a tradicional (de 54 anos) Rádio Caracas Televisão (RCTV), por esta ter desobedecido à ordem de transmitir em cadeia um discurso presidencial. Antes a ditadura Chávez já retirara o sinal aberto dessa emissora, que nunca se enquadrou nos padrões de comunicação exigidos pela "República Bolivariana".

Na Argentina, o casal presidencial Kirchner tem-se utilizado de vários meios - começando pela "Lei da Mídia", julgada inconstitucional - para cercear veículos de comunicação que não lhe são submissos, tendo como seu alvo preferencial o Grupo Clarín, cuja independência editorial incomoda mais os intolerantes Cristina e Néstor. Depois de ter submetido o grupo a uma violenta devassa fiscal, realizada por 200 agentes da Receita na sede das empresas e na residência de seus diretores, e depois de ter "produzido" um boicote de caminhoneiros para impedir a circulação do jornal, o governo Kirchner resolveu atacar o grupo por meio do controle restritivo da produção de papel-jornal, cujo principal fabricante (Papel Prensa) tem no Clarín o maior acionista.

Na Bolívia, em meio a diversas formas de censura e boicote impostas à imprensa, logo que foi reeleito o presidente Evo Morales disse em alto e bom som: "Estamos discutindo um modo de fazer com que os meios de comunicação não mintam." Veja-se a semelhança de visão, mostrada por essas palavras, com a que demonstrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso durante a recente inauguração de um canal de televisão do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, quando disse que a nova emissora impedirá que os trabalhadores "continuem impedidos de exercer a liberdade de expressão" e que "o brasileiro sabe distinguir o que é informação e o que é distorção dos fatos". Certamente essa visão está contida em todos os projetos - aos quais a sociedade brasileira até agora tem resistido - de imposição de um chamado "controle social da mídia".

Na verdade, não tem faltado ao governo Lula a capacidade de inventar mecanismos variados de cerceamento da liberdade de expressão, embutindo-os em programas e projetos com disfarces de maior abrangência. Só para mencionar alguns dos mais recentes: o novo Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) - que estabeleceu uma classificação dos veículos (inclusive para efeitos de recebimento de publicidade oficial) segundo a avaliação, de comissões "oficiais", do entendimento que tenham sobre direitos humanos; a 1.ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), da qual saíram vários projetos, em tramitação no Congresso Nacional, sobre condições de concessão de canais de rádio e televisão, de sua renovação, de limites e restrições impostos à veiculação de publicidade e pontos que envolvem o modus faciendi da comunicação no País, deixando mais camuflada ou ostensiva a intenção de manipular a opinião pública, tal como o fez o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que assim governou o México durante 71 anos ininterruptos (de 1929 a 2000).

Segundo o Instituto Palavra Aberta, entidade recém-criada, cujas metas são a defesa da liberdade de expressão, da livre-iniciativa e da própria democracia, existem em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal nada menos que 200 projetos restritivos à veiculação publicitária - e não há dúvida de que esse tolhimento é uma das formas de enfraquecimento da sustentabilidade econômico-financeira dos veículos de comunicação. Por tudo isso, as ameaças que pesam sobre a liberdade de expressão, no Brasil, estão próximas demais para dispensarem um novo preparo, uma reciclagem, um reaprendizado de resistência, já que a esta estamos desacostumados desde o fim da ditadura militar. É preciso reaprendermos a romper a mordaça.

No tempo da censura militar usávamos estratagemas para burlar o arrocho à circulação do pensamento. Sabe-se de Os Lusíadas no Estadão, das receitas absurdas no Jornal da Tarde, mas nem todos sabem como no teatro se enganava os censores. Antes de qualquer peça estrear, havia uma sessão para que o censor a aprovasse. Ele ia com o texto da peça e uma lanterninha para ver se os atores estavam dizendo o que estava escrito. Só que, propositalmente, os atores diziam suas falas com relaxamento total, enxugando-as de qualquer interpretação ou insinuação crítica. Houve um censor que, na avaliação, achou uma comédia sem graça e sem sentido, mas depois da estreia, voltando a vê-la com a família (e vendo as gargalhadas do público) tentou, irritado, interditá-la (era uma peça minha).

Convém nos prepararmos para o que deve vir por aí. Assim, já precisamos praticar nossos treinamentos metafóricos e voltar a criar estratagemas para romper a mordaça. Mas não seremos tão pacientes quanto os mexicanos, pois já amadurecemos demais para suportar um regime de censura, mesmo enfeitado pela fantasia mais exuberante de democracia.

(*) Jornalista, Advogado, Escritor, Administrador de Empresas e Pintor.

“Cumpanhêros” inteligentes....

Lula na Inglaterra pergunta à rainha:..

- Senhora rainha, como consegue escolher tantos ministro tão maravilhosos?

Sua majestade responde:

- Eu apenas faço uma pergunta inteligente. Se a pessoa souber responder ela é capacitada a ser ministro. Vou lhe dar um exemplo...

A rainha manda chamar Tony Blair e pergunta:

- Mr. Blair, seu pai e sua mãe têm um bebê. Ele não é seu irmão nem sua irmã. Quem é ele?

Tony Blair responde:

- Majestade, esse bebê sou eu.

Ela vira pra Lula:

- Viu só? Mereceu ser ministro.

Lula maravilhado volta ao Brasil.

Voltando ao Brasil, chama a ministra Dilma Roussef e lasca a pergunta:

- Cumpanheira Dilma, seu pai e sua mãe têm um bebê. Ele não é seu irmão nem sua irmã. Quem ele é?

A ministra responde:

- Senhor presidente, vou consultar nossos assessores e a base aliada e lhe trago a resposta.

Dilma vai e cobra a resposta. Ninguém sabe.

Aconselham perguntar ao ex-presidente FHC, que é muito inteligente.

Dilma liga pra FHC:

- Fernando Henrique, aqui é a Dilma Roussef. Tenho uma pergunta pra você: se seu pai e sua mãe têm um bebê e esse bebê não é seu irmão nem sua irmã, quem é esse bebê?

O ex-presidente responde imediatamente:

- Ora senhora ministra, é lógico que esse bebê sou eu!

A ministra vai correndo levar a resposta ao Lula:

- Sr. Presidente, se meu pai e minha mãe têm um bebê e esse bebê não é meu irmão nem minha irmã, é lógico que ele só pode ser o Fernando Henrique Cardoso.

Lula dá seu sorrisinho sabido e diz:

- Te peguei, cumpanheira Dilma. Sua resposta está completamente errada... o bebê é o Tony Blair !

O discurso ausente

Marco Aurélio Nogueira (*) – Estadão

Chega a intrigar que em plena campanha para a renovação de toda a cúpula do sistema político brasileiro nenhum candidato ou partido fale em reforma política. A reforma ocupa o cenário nacional desde a Constituinte de 1988. Ora com estardalhaço, ora discretamente, tem sido vista tanto como necessidade da democracia quanto como panaceia para resolver o mal que a política causaria aos cidadãos: um recurso para moralizar a atividade dos políticos e colocar a política no devido lugar.

Seria de esperar que surgisse com pompa e ênfase na propaganda dos candidatos e nos debates entre eles. Não é o que acontece. De política mesmo, os candidatos falam pouco, e quase sempre sem usar a palavra. Seus discursos se concentram em realizações, passadas e futuras. Dedicam-se à conquista do governo, apresentado como instrumento para mudar o mundo. É um modo de falar de política, mas não o melhor modo, pois deixa de fora o que realmente importa: as relações entre o poder e os cidadãos, seja no sentido de controlar os excessos e a força do poder, seja no sentido de civilizar as lutas por sua conquista, ampliar e democratizar o acesso a ele e orientá-lo para um exercício socialmente justo e responsável.

Enquanto isso, em crescentes segmentos da opinião pública permanece a expectativa de que a próxima legislatura faça algo para moralizar a política, punir os corruptos e aumentar a dose de democracia direta e participação no sistema representativo.

É constrangedor que os candidatos não falem de política no momento mais nobre da política, quando se acredita que muitas coisas possam ser modificadas. É constrangedor, mas dá para entender.

O silêncio dos políticos em relação à política traduz a crise da política, mais que do sistema político. Expressa uma falta de consenso sobre o que fazer para melhorar a política e sobre a escala de prioridades em que deve vir a reforma. Não se sabe bem o que deve ser mudado, nem como ou quando mudar.

O silêncio reflete também o receio dos candidatos de que perderão votos se trouxerem a política para o centro do palco. Acredita-se que, se o fizerem, irão contra a expectativa das pessoas, que prefeririam políticos que não fazem política, tocadores de obras e distribuidores de benefícios palpáveis. Os candidatos, nesse quesito, copiam Lula. Ou melhor, deixam-se pautar por ele, com seu estilo de governo "positivo", de realizações, conversas e movimentações em cascata, que se apresenta como dedicado a proteger e amparar o povo, um estilo tão voltado para animar o imaginário popular e montar um "grande e único Brasil" que terminou por anestesiar a oposição, encantar a todos e fazer de sua candidata a sucessora natural.

O fato é que a política se converteu em assunto incômodo. Mas não é verdade que ninguém ligue mais para ela ou que todos estejam desinteressados do Estado e das decisões públicas.

O que acontece é que os ambientes políticos típicos - Casas Legislativas, partidos, mandatos parlamentares, órgãos governamentais - não são alcançados pelas pessoas. Grupos e indivíduos querem participar, mas só conseguem fazê-lo "fora" do Estado. Aderem a fóruns, seminários, assembleias, instâncias participativas, movimentos, que parecem mais receptivos à dinâmica social vigente. São novas formas de politização, que ajudam a ofuscar e pôr em dúvida as antigas.

O modo de vida atual é participativo. Antes de tudo, porque cada um tem de lutar praticamente sozinho para organizar a cabeça, os códigos de conduta e a própria biografia. Não dispomos de suportes sociais consistentes, sejam eles provenientes da família, do Estado ou das igrejas. Estamos no mercado, ou seja, naquele ringue em que se briga palmo a palmo por espaço. Fora daí há, evidentemente, vida e coletividade, mas isso pesa pouco no cômputo geral. Para modelar sua vida os indivíduos precisam ficar atentos e se mexer. A participação tornou-se um valor, muito mais relevante, por exemplo, do que a igualdade. Participar é bom, correto, meritório.

Impulsiona-se assim a contestação do sistema representativo. Queremos que nossos representantes sejam iguais a nós, limpos, transparentes, produtivos. E ao percebermos que os atos e atitudes dos políticos não são assim, fuzilamos os representantes em bloco, viramos-lhes as costas e passamos a pedir reformas que estanquem a corrupção e intimidem os políticos.

Uma expectativa de reforma que se volte para moralizar a política está fadada à frustração, porque elege um alvo equivocado e parte do pressuposto, igualmente equivocado, de que a representação deve imitar a vida cotidiana. Produzirá mais estragos que consertos, porque ajudará a diminuir o valor da política e a mantê-la permanentemente às portas dos tribunais.

Claro que é preciso dar uma perspectiva moral à vida pública, impedi-la de fugir do controle. Mas não se conseguirá isso nem com mordaças judiciais nem com reformas políticas, por mais que estas últimas sejam importantes. Resultados efetivos só virão se houver fortalecimento do sistema representativo, educação política e mobilização da sociedade. A Lei da Ficha Limpa é interessante, mas é controvertida, e sozinha fará quase nada.

Uma reforma política digna do nome não pode privilegiar a moralização. Seu eixo é o fortalecimento democrático das instituições, a busca de coerência dos partidos, a lisura dos pleitos, a expressão facilitada e equilibrada das preferências da população, a inclusão de novos eleitores. Sua razão de ser é a revitalização das relações entre as pessoas, a sociedade civil e o Estado. É a recuperação do valor da política.

Porque para se ter política mais "limpa" e de melhor qualidade é preciso ter também mais política. A reforma de que necessitamos será um caminho para que a sociedade se articule melhor com o sistema político, projete nele seu modo de viver, pensar e fazer política.

(*) PROFESSOR TITULAR DE TEORIA POLÍTICA DA UNESP

Generosidade arriscada

Editorial – O Estado de São Paulo

Em mais um gesto destinado a projetar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no exterior, o governo tomou a decisão política de eliminar as tarifas de importação cobradas de produtos originários dos países mais pobres do mundo. Esse ato contribuirá para calçar uma eventual "campanha eleitoral" internacional de Lula após o término de seu mandato, pretensão que ele garante não ter. Quaisquer que sejam suas reais intenções, certamente ele terá ganhos políticos com a decisão. Resta saber que ganhos terá o País.

Provavelmente não tenha nenhum. E é muito mais provável que tenha perdas, advertem representantes da indústria. Eles argumentam, com razão, que a medida, destinada a beneficiar os 49 países mais pobres do planeta, abre caminho para países com muito maior poderio econômico e comercial utilizarem as nações beneficiadas pela isenção, exportando dali para o Brasil sem impostos, numa concorrência desleal e predatória com o produtor nacional, que paga todos os impostos locais.

O programa de isenção das importações originárias dos países mais pobres do mundo - classificados de acordo com critérios da ONU - foi aprovado pela OMC na reunião de Hong Kong, em dezembro de 2005. Na versão originalmente aprovada, a isenção seria obrigatória para os países industrializados e optativa para os demais membros da OMC, e se limitaria aos países integrantes da organização, dos quais 32 são considerados muito pobres. A relação da ONU, bem maior, é formada por 33 países africanos, 15 asiáticos e um latino-americano, o Haiti.

Na reunião ministerial da OMC realizada em Genebra no ano passado, em mais uma das muitas tentativas de evitar o fracasso completo da Rodada Doha - cujo objetivo é tornar mais livre o comércio mundial -, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reafirmou a intenção do governo brasileiro de colocar em prática em 2010 o programa de ajuda aos países mais pobres aprovado quatro anos antes em Hong Kong, que ficou conhecido como duty free, quota free.

Oficialmente, o governo justifica a decisão como um ato de boa vontade do Brasil no sentido de fortalecer a Rodada Doha, ao colocar em prática algumas de suas poucas decisões. Há tempos, porém, a indústria se preocupa com o impacto que esse programa pode ter. Por conta dessa preocupação, a Confederação Nacional da Indústria enviou carta ao ministro Celso Amorim recomendando "fortemente" a suspensão, pelo menos temporária, da medida, como mostrou reportagem de Raquel Landim publicada quarta-feira no Estado.

O grande temor do setor industrial é o de que muitos países beneficiados se transformem em plataformas de montagem de produtos chineses, pois a China vem fazendo pesados investimentos em países africanos.

Além disso, entre os países que ganhariam o benefício brasileiro está Bangladesh, que se transformou num grande exportador de produtos têxteis para os EUA e a União Europeia e, com a isenção, ganharia imensas facilidades de acesso ao mercado brasileiro, concorrendo em condições muito favorecidas com os produtores locais.

O governo argumenta que as importações brasileiras desses 49 países é muito pequena - excluído o petróleo, representam menos de 0,1% do total importado pelo País. "Não há motivos para o temor da indústria", disse o diretor do departamento econômico do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey.

A indústria discorda. "É muito fácil fazer concessão com o bolso dos outros", disse ao Estado o gerente de comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, Mário Branco. "Produtos feitos na China podem ser enviados como da Zâmbia. E, em três meses, as máquinas (chinesas) podem estar efetivamente lá."

As medidas devem incluir uma espécie de "gatilho" para as importações dos países pobres. Se as compras isentas superarem 20% das importações totais de determinado produto, será cobrada metade da tarifa. Se superarem 40%, o país fornecedor perderá o benefício da isenção.

Governo e indústria discutirão essas e outras regras nos próximos dias.

As Leis

Blog da Maria Helena R. R. de Souza


1- Leis Básicas da Ciência Moderna:
* Se mexer, pertence à Biologia.
* Se feder, pertence à Química.
* Se não funciona, pertence à Física.
* Se ninguém entende, é Matemática.
* Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
* Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.

2- Lei da Procura Indireta:
* O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.
* Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

3- Lei da Telefonia:
* Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém liga.
* Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
* Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

4 - Lei das Unidades de Medida:
* Se estiver escrito 'Tamanho Único', é porque não serve em ninguém, muito menos em você...

5- Lei da Gravidade:
* Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação.

6- Lei dos Cursos, Provas e Afins:
* 80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu e os outros 20% será baseada no único livro que você não leu.

7- Lei da Queda Livre:
* Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
* A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.

8- Lei das Filas e dos Engarrafamentos:
* A fila do lado sempre anda mais rápido.
* Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

9- Lei da Relatividade Documentada:
* Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

10- Lei do esparadrapo:
* Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.

11- Lei da Vida:
* Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
* Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral, engorda ou engravida.

12- Lei da Atração de Partículas:
* Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.

Gritos presos na garganta

Arlindo Montenegro, Alerta Total

Na edição do Diário do Comércio, 26 Ago 10, foi publicada a declaração do Sr. Lula, admitindo "que gostaria de ficar mais alguns anos no poder." No ato, assinava projeto ampliando a jurisdição das FFAA e a criação do Estado Maior Conjunto, para comprar a consciência de mais alguns militares. Foi então que disse: "junto com essa lei, poderia ter mandado uma “emendinha” para mais alguns anos de mandato". E mais: se pudesse voltar atrás, compraria para suas viagens um avião maior, ou dois.
Isto lembra Erick Voeglin numa de suas conclusões: "Todos os homens são iguais como homens, independente do fato de terem experimentado ou não sua essência humana na claridade da consciência". Atingir a essência espiritual, a "claridade de consciência", a responsabilidade e missão de agir na presença do transcendente é um exercício inadmissível para revolucionários.

É uma prática que exige disciplina e ética, respeito aos outros e obediência às leis universais. Não figura na consciência dos debochados. Num site português, um comentarista descreve nosso macunaíma, que "depois de eleito, ficou milionário, como ficaram seus amiguinhos e familiares gênios, empresários, fazendeiros, bilionários da noite para o dia! Tornou-se defensor (intransigente) daqueles que , antes, tanto criticava, e com eles, passou a comer caviar e beber champanhe importado, a ponto de urinar nas calças!”

É o mesmo que debocha das Forças Armadas, agora designadas para prender bandidos nas fronteiras, enquanto ele com "uma emendinha" poderia ficar mais um tempo no poder, que agora ilimitado o leva a escarnecer dos que pagam a conta dos cartões de crédito secretos, do avião que poderia ser maior... que poderiam ser dois.

Lemos do comentarista português, cuja informação é superior à que fornecem à população brasileira, a percepção de que somos obrigados "a conviver e confiar em gente hipócrita, mentirosa, oportunista e mesquinha, que manipula, compra, forja e distorce todos os tipos de pesquisas para se idolatrarem, pouco, ou nada se importando com a Pátria, ou, com seu semelhante!"

Lembra os impostos (sem contrapartida) em Educação e Segurança e ressalta os "Desvios de verbas, que debilitam e desacreditam a educação (pública), enquanto os políticos tiram vantagens desta situação": montam escolas, "induzindo os que têm melhor poder aquisitivo a procurar escolas particulares! Desta maneira, a maioria da população sem poder aquisitivo, continuara mal formada, e mal informada como sempre foi! Bom esquema não é mesmo?"

Cita ainda os "salários principescos, mordomias e as varias aposentadorias, e ainda superfaturam, desde as construções dos presídios, até os custos dos presos, que estão embolados em pequenos cubículos, custando para o governo, ou seja, para o povo que paga imposto, em torno de quatro mil e quinhentos reais, mensais!Será que eles não sabem que, uma faculdade em período integral não custa tanto? E será que, eles acham que a cadeia é mais instrutiva que uma faculdade?"

"Será que, eles não sabem que no Brasil muitos pais de famílias, trabalham de sol, a sol, a troco de “quinhentos e poucos reais”, que é o salário mínimo, e são obrigados a se manter e sustentar sua família com este valor tão irrisório? Ai esta a conveniência em manter as cadeias superlotadas com as vitimas marginalizadas, deste sistema injusto, criado por uma corja corrupta e oportunista que só visa obter lucros!

"E na área de saúde, desviam verbas, deixando o povo em desespero em filas do INSS, aproveitam para fazer sociedades em hospitais e planos de saúde particulares, que lhes proporciona mais renda, pois com a saúde abandonada, estão induzindo o cidadão com melhor poder aquisitivo, a pagar plano da saúde particular!

Do "IPVA e muitos outros impostos, para construir e melhorar as estradas superfaturadas: os políticos as privatizam e as vendem a preço de banana, favorecendo seus amiguinhos, ou seus familiares; e este povo simplório e desinformado, é obrigado a pagar absurdos, para rodar nas mesmas estradas, que foram construídas com seus impostos!"

"E as verbas que deveriam ser usadas para incentivo a cultura estão sendo usadas na publicação de livros e filmes para promover e jogar confetes naqueles que se julgam semideuses! Enquanto a verdadeira educação e cultura permanece sucateada e abandonada por falta de verbas!"

Depois de prestar concurso público "o cidadão que tiver uma restrição seja no SERASA ou SPC não poderá assumir o cargo, que é seu por direito; enquanto políticos corruptos, com varias restrições e até processos criminais se candidatam a cargos públicos e recebem verbas... que são impostos deste mesmo cidadão barrado para assumir um cargo que é seu, por não ter conseguido pagar suas dívidas."

"Será que impedindo o cidadão que tem restrição, de trabalhar e ganhar seu sustento honestamente, estão facilitando para que ele honre seus compromissos? Isso é Justiça?” O cidadão diz muito mais. Diz sobre candidatos e eleições. Diz do grito preso na garganta de uma população carente de informação e comunicação. O mais está no endereço do site “sol.sapo”, abaixo.

Agradecimentos ao leitor “José”, que remeteu a matéria.
Referências: ERICK VOEGLIN, A consciência do Fundamento
Comentário de “janciron” em Economia/Conjuntura, no site: