Adelson Elias Vasconcellos.
Nunca me coloquei contra as pesquisas eleitorais. Nunca encontrei razões para discordar de seus resultados, apesar de estranhar alguns critérios. Porém, e estranhamente, os institutos de pesquisas estão omitindo informações. Leio na página do Cláudio Humberto a seguinte nota:
Institutos agora omitem locais pesquisados
Institutos de pesquisas eleitorais deixaram de observar a exigência legal – quando as registram no Tribunal Superior Eleitoral – de apontar onde realizam o levantamento e o número de eleitores entrevistados em cada cidade. Estes dados são fundamentais para a credibilidade da pesquisa. “O que temos é o que está no relatório registrado no TSE”, desdenhou o diretor do Sensus, Ricardo Guedes, ao ser interpelado
A omissão dos detalhes das pesquisas coincide com o crescimento espetacular de Dilma Rousseff no Ibope, Datafolha, Vox e Sensus.
TSE confirma a obrigação de indicar o número de entrevistados em cada cidade, mas não sabe se haverá punição pelo desrespeito à lei.
COMENTO:
Alguém encontra algum motivo razoável, que não seja cretinice ou pilantragem pura, para que os institutos de pesquisas adotem a prática de não divulgarem os locais, com o respectivo número de eleitores, onde realizam seus levantamentos?
Ora, se a lei determina que assim se proceda, e os institutos arquivam suas pesquisas no TSE sem os dados que SÃO obrigatórios, o mínimo que se exige do Judiciário é que se recuse a receber os levantamentos, além de vetar sua divulgação pública!
Há algo nesta campanha eleitoral que não cheira bem. E não me refiro, apenas e especificamente, às pesquisas, mas ao ambiente todo. Veja o caso da tal lei do ficha limpa. Santos deuses!!! Desde quando a constituição permite que uma lei tenha efeito retroativo? E, no caso da legislação eleitoral, não há, também, expressa determinação para que as leis, que regulamentam cada pleito, sejam aprovadas no ano anterior à realização das eleições? Estranho, não é?
O abusivo uso da máquina pública, além dos recursos do Estado, já não caracterizariam, plenamente, abuso de poder político e econômico por parte do governo Lula?
Alguém pode me dizer por que razão o processo do mensalão está, simplesmente, engavetado no Supremo Tribunal Federal? E o mesmo STF mantém o jornal "O Estado São Paulo" sob censura, há mais de um ano, a troco do quê?
Sente-se no ar não apenas a fumaça que varre o país todo por conta das queimadas e do tempo extremamente seco. Há como que uma força estranha para se encerrar a eleição presidencial muito rapidamente, a toque de caixa, tudo resolvido no primeiro turno, sem discussões, sem debates, sem campanha.
Mas peraí, minha gente: não estamos escolhendo o síndico do nosso prédio. Está em jogo a escolha da pessoa, homem ou mulher, que irá governar o país nos próximos quatro anos, e que irá afetar, diretamente e indiretamente, a vida de aproximadamente 200 milhões de pessoas! De suas decisões ou decisões, dependerá o bem estar de todos nós. Então, por que toda esta pressa? Não há um segundo turno previsto em lei, para tornar a escolha com menor risco de erro, promovendo amplos debates entre os mais bem votados, justamente para que a escolha seja a mais acertada, premiando o melhor candidato, o bem preparado e mais capaz? Este atropelo todo pode servir a tudo, menos a tornar melhor a nossa ainda incipiente democracia! Até pelo contrário. E então, o que está se passando que não estão nos contando? Que "projeto" sujo se oculta da opinião pública, para, após a proclamação do resultado, aplicar-se um verdadeiro estelionato eleitoral? Porque rigorosamente, não sabemos com quais projetos e programas os candidatos pretendem, se eleitos, governar o país. O que estamos assistindo e ouvindo são promessas vazias, sem fundamento, sem compromisso, sem avaliação mais aprofundada.
A propósito das pesquisas, vejo que não sou apenas eu a estranhar o “comportamento” digamos... diferente de alguns institutos. O excelente Sebastião Nery chama a atenção para o caso do DATAFOLHA, no artigo “Almoço e pesquisa”, publicado no post anterior.
Aliás, o Nery, assim como alguns poucos jornalistas que restam independentes e analistas políticos, são extremamente reservados e até contrários sobre a forma como as pesquisas são feitas no Brasil, principalmente, quanto a atuação de alguns “institutos” que trabalham sob encomenda para partidos políticos.
É como se, a partir de um dado momento, eles deixassem de informar o sentimento do eleitor, e passassem a fazer parte da torcida organizada de determinadas agremiações partidárias. Sabendo que este ou aquele resultado sempre será notícia, e muita notícia, é como se estivessem lançando a isca para parte da mídia passar a se portar mais como militante, do que propriamente como jornalistas.
Não tenho elementos para me alinhar a estes críticos, nem para concordar tampouco para contestar. O que sei é que a notícia que o Cláudio Humberto publicou e acima foi reproduzida, acende um sinal de alerta. Estariam os institutos de pesquisas condicionando seus levantamentos a produzirem um resultado predeterminado, razão para passarem a omitir os locais de pesquisas, porque sua divulgação resultaria na demonstração da fraude ou da manipulação em favor de alguém?
Eis a questão para se investigar. Quem sabe não se descobre a partir daí a explicação para determinados e estranhos resultados que as urnas tem apresentado nos últimos anos!!!????